Aí, ninguém merece mano. Ter que acordar todo dia pra ir pra aquele inferno, estudar. Fala sério cara. A escola nem é ruim, o problema são as aulas, em que que elas vão mudar na minha vida, hein? Concordo que certas coisas eu tenho que saber, mas pra que vai servir eu aprender o que significa etnocentrismo? Perda de tempo, e eu sinto uma séria falta de disposição para perder tempo.

Me arrumei com as primeiras roupas que apareceram na frente, acho que uma camiseta branca, uma calça jeans rasgada e meu tênis da Nike(felizmente, ao entrar no ensino médio a minha escola libera o uso de roupas além do uniforme; infelizmente, eles tem sérias regras sobre essas roupas). Beleza, desci as escadas, peguei a mochila jogada na sala, botei o boné na cabeça, tomei qualquer coisa de café-da-manhã, parti pra cima do skate, gritei um 'tchau' automático pra minha mãe, e saí de casa. Como sempre, 2 minutos depois de eu sair me liga o Carlos, perguntando onde eu estava. Como sempre, eu estava atrasado, mas fala sério, você também não se atrasaria? Ter que estar na escola 7 horas da manhã é dose né não? Po cara, tenho que sair de casa 6:10, porque o idiota do meu amigo fica combinando de ir mais cedo pra ficar andando de skate, mandando manobras e talz... Não da pra fazer isso na volta não? Foi o que eu perguntei pra ele, e ele só respondeu que na volta fica com muita fome pra andar. E isso lá é motivo pra ir MAIS CEDO pra escola?!

Quando eu cheguei ele já tava puto. HAHAHAHAHAHA, ri paaaacas mano ! Ele começou a gritar que eu sou irresponsável e que não consigo fazer nada direito e bla bla bla. E ficou ainda mais puto porque eu estava rindo. Mas dava pra não rir? Parecia até uma namorada irritada. É, foi quando eu pensei isso que eu parei de rir e fiz ele calar a boca; tava pagando de gay ali, no caminho da escola. Dá pra alguém me explicar por que eu ainda falo com ele?

Enfim, nós fomos pra escola, sem demorar muito, já que, como eu tinha dito, sempre me atraso. Chegando lá falei com os moleques, cumprimentei as garotas e fui, contra minha vontade, pra sala, pra mais uma entediante aula de Sociologia. E ainda era uma aula de dois tempos, ou seja, 1h e meia! Que merda!

Mal começou a aula, e eu dormi. É isso ae, eu dormi, no meio da aula de Sociologia, e, cá entre nós, a professora me odeia. Tá, admito que eu não sou o preferido dos professores, mas ela? Ela exagerava! Só porque, uma única vez, eu respondi ela, e falei um pequeno e humilde palavrão na sala de aula, que se sentiu livre por finalmente ser libertado por alguém, ele tinha esse direito, afinal, é só mais uma palavra. Mas ela não pensa assim. E eu nem mesmo sei o nome dela, he he. Talvez isso também conte na mente dela como motivo para me odiar, não sei. Só sei que não foi uma boa ter dormido na aula dela... E tudo por culpa do Carlos, que me faz acordar antes do que o necessário, babacão.

Ah, pra que eu fui fazer isso hein?! O descanso não depende de quanto tempo se dormiu ou quão profundo foi o sono, e sim de como se acorda. E eu acordei do pior jeito possível. A idiota da professora fez todo mundo sair da sala, apagou as luzes, fechou as janelas, e me trancou lá dentro, sozinho. Aí de repente eu acordo assustado com um bando de malucos batendo com força na porta. Confesso que teria rido muito da cara do otário que estivesse ali, se não fosse eu. Mas a merda é que era eu. Depois dessa até que reconheço que a professora que me odiava podia ser legal, e ter certo senso de humor, mas ela ainda assim me odiava.

Quando o inspetor apareceu lá pra me tirar da sala (já que a professora se recusava a fazer isso), geral ficou me zoando, me segurei pra não meter a porrada no Carlos cara, me segurei legal. Mas beleza, depois disso, eu tava passando lá, e vi a gostosa da Bila, conversando com os moleques. Na verdade eu nunca entendi muito bem o porquê de Bila, o apelido dela, mas eu sei que me amarro no jeito dela. Ela não é toda chatinha sabe, ela é mais relax. Gosta de esportes e joga muito bem, bebe, fala gírias e coisa e tal... Enfim, eu aproveitei que ela tava ali e fui falar com ela. Me meti na conversa ali muito fácil, achei até estranho, tinha alguma coisa de errado. Foi quando eu entendi qual era o assunto: eu! Ah cara, será que eles não iam parar de falar no que rolou não? Que saco! E o pior é que ela tava ali, me zoando, junto com eles! Eu fingi não me importar, mas acho que não deu muito certo, eles não paravam de me chamar de claustrofóbico. Virei as costas e saí andando pra tentar não ligar pra eles. A última coisa que eu ouvi deles foi um grito: 'mulherzinha!'. Fudeu, agora sou uma garota claustrofóbica, puta que pariu.