Good Travel

2 Desconhecido - 1


Não se dizia data, nem tempo, era um cordão de realidade diferente. Uma casa, moderna, como nos tempos atuais, pessoas, muitas pessoas, em sua grande maioria, jovens. Sua família numa cozinha, jogando conversa fora e rindo. Um quarto, parecido com um quarto que já havia visto, estava ele lá. Saiu, foi até a cozinha. Era uma casa comprida. Um grupo de adolescentes o chamou. "Eu já venho." Foi checar. Ao parecer, havia acordado de um sonho, só que num outro mundo, acordado de um sonho real, para um mundo fictício. Viu sua família, todos brincando, e por uma das primeiras vezes, se preocupou muito. Abraçou sua irmã mais nova e perguntou: "Tudo bem com vocês?". Olhares estranhos diante a questão: "Sim... Por que não estaria?" Gargalhadas. Entrou na sinapse de questionar: "MAS QUE PORRA É ESSA? O que é isso?", teve medo, curiosidade, medo:

– Oi... – assustando e desprendendo-o.

– Oi... Eu tô meio ocupado agora, desculpa. Quem é você? – desnorteado falou.

– Sou uma das pessoas do grupo que te chamou. Íamos sair agora e queriam saber se você gostaria de ir... Vai ser divertido, sério. Você deveria ir. Parece meio preocupado, estressado.

– E-eu tenho... Coisas pra fazer, não acho que possa ir. – fraquejou, "acho", abriu as portas.

– Aaah, para com isso. Vai ser divertido mesmo, você vai gostar mesmo, vem, por favor!?

– Se eu for, você pode me responder algumas perguntas?

– Todas as que você quiser, mas antes tenho que te dar uma coisa, e você, independente do que for, só vai poder perguntar ou recusar depois de ter tomado, certo?

– Certo... – recluso.

Estendeu a mão com um papel, com alguns desenhos coloridos:

– Embaixo da língua.

– Isso é LSD, eu não vou usar isso, eu não poss-

– Shhh... – com o dedo, mais macio do que uma nuvem nunca tocada, silenciou-o – só toma. Eu vou fazer você se divertir e esquecer do que estiver te preocupando, certo?

– Eu não quero esquecer, quer dizer... Eu não poss–

– Shhh... Anda logo.

Pensou em fugir para longe, buscar ajuda em outro lugar, mas teve medo, ali pelo menos, estava perto de sua família. Não havia como fugir. Também era muito fraco para recusar uma terceira vez. "Cagão".

Pôs, aguardou alguns segundos, engoliu o restante:

– Pronto, agora a gente pode ir. Pode começar me perguntando o que quiser.

Foram andando pelo corredor extenso, enquanto o garoto pensava na pergunta mais óbvia, a garota o interrompeu:

– Só não se esqueça, as vezes precisamos deixar de lado coisas que ainda não podemos resolver, fortalecer e depois voltar.

– São apenas algumas dúvidas, não são problemas...

– Tem certeza que não são problemas? Você parece bem problemático pra mim – virando a cabeça e dando um sorriso bonito de piada.

– Desculpa não rir, estou tenso mesmo, também acho que não deveria ir.

– Ah, de novo? Deixa disso – agarrou a sua mão e correu pela porta aberta.

Parecia uma excursão de jovens querendo curtir, pensou. Mais de 7 carros, incluindo 3 caminhonetes com uma quantidade duvidosa de pessoas na caçamba. Todos, possivelmente, chapados:

– Eu não sei, mas pra mim você parece do tipo medroso. Garanto que nunca foi numa festa, né?

– Você tá zoando com a minha cara?

– Calma, não quis ofender, só um palpite.

– Eu já fui numa festa sim.

– Então é medroso?

– Você é bem presunçosa.

– E você é bem fofo – dando um leve sorriso de boca fechada.

Agarrou sua mão denovo, o puxou para fora de casa e entrou num carro, pequeno, estilo uma brasília antiga, num estilo bem hippie. Ficou no banco de trás, ela no carona da frente.

A viagem foi longa, o garoto, inquieto e amedrontado da situação, longe da família, num momento perturbador, propenso a se foder completamente na viagem:

– Ei, se você ficar ai encucando, eu vou te dar um beijo na boca.

O garoto parou com seus pensamentos, sentiu algo... Não era dor.

Notas finais
Sim, os capítulos são bem curtos, mas a história vai ser levemente longa.