Good Riddance

15 Universos paralelos


Notas iniciais
Oi galera! Finalmente o Nyah voltou, certo?! Agradeço imensamente à Little red riding hood pela recomendação! Amei! Obrigada! *_* Não reli o cap., vou fazer isso amanhã, e responder às reviews também amanhã! Só estou postando hoje porque já há bastante tempo era pra esse cap. estar postado. Amanhã sem falta respondo todo mundo! Boa leitura!

Uma latência poderosa esmagava a cabeça de André, como se um elefante preguiçoso estivesse sentado sobre si sem previsão para se levantar. A dor o levou a franzir a testa, ainda de olhos fechados. Aos poucos tomou consciência do colchão macio no qual se deitava.

Ele não fazia ideia de como acabara na própria cama. Não que ele achasse que era coisa ruim acordar na própria cama depois de uma noite de bebedeira. Estava muito satisfeito por não ter acordado em um beco sujo e fedido, depois de ter a moto roubada, ou algo pior.

A questão é que ele não se lembrava de quase nada da noite passada, além de ter entrado na festa, dançado na frente do Fabrício de um modo nada digno, e tomado mais uns três... Cinco... okay, dez copos de vodka misturada com algum suco ou refrigerante nada agradável.

Os problemas de festas com bebida liberada: ou você apaga, ou você vomita na roupa de alguém, ou você é arrastado para fora da festa por algum segurança por estar fazendo strip-tease ao lado do DJ. Ou a soma de todos os fatores que, como diz a matemática, não altera o produto.

Soltando um resmungo pela terrível dor de cabeça, virou de lado e acabou batendo o braço em outro... corpo?

'Invasores!' Foi a primeira coisa que pensou, ainda um tanto tonto de sono; porém, segundos depois, reparou que o tal invasor não parecia lá muito perigoso; aliás, era alguém bem conhecido.

Há algo errado. Percebeu; grogue pelo sono e mal conseguindo abrir os olhos, apalpou melhor o corpo da pessoa deitada junto consigo na cama. Ainda estamos de roupa, notou e abriu ergueu as pálpebras, sentindo-se cego por alguns segundos.

Natália ressonava baixinho junto a si, não parecendo disposta a acordar tão cedo. André ergueu um pouco a cabeça e olhou para o relógio. Não eram nem onze da manhã, e ele não fazia ideia de que horas havia chegado em casa. Aliás, ele não fazia ideia nem de como chegara em casa, para início de conversa. Suas memórias se tornavam nulas a partir de algum ponto em que dançava na pista de dança, logo após ter de dispensar uma garota tão ou mais bêbada que ele.

O loiro bem que pensou em deixar a cabeça afundar novamente no travesseiro, entrar em coma profundo e acordar só no dia seguinte; porém estava com aquele gosto péssimo na boca, de bebida e vômito, então se obrigou a ir ao banheiro para fazer uma higiene básica. Vomitei noite passada? Perguntou-se. A que ponto desci... Lamentou, balançando a cabeça enquanto mantinha uma mão apertada contra a testa.

“Nunca mais irei beber tanto.” Falou o que todo jovem diz para si mesmo depois de um porre. Somente para repetir a bebedeira dali algumas semanas, ou menos até. André sabia que teria muitos porres ao longo da faculdade.

Escovou os dentes e tomou um banho quente, relaxante. Quando saiu do banheiro, viu que Natália já havia se levantado e se arrumava para ir embora.

“Já de pé.” Comentou e se aproximou para dar um selinho nela, mas a garota habilmente se esquivou, fazendo o loiro erguer uma sobrancelha.

“Não escovei os dentes ainda.” Ela justificou, batendo a ponta do indicador no nariz de André, mas havia algo por trás de seu tom. Ela pegou uma pequena nécessaire e foi até o banheiro. André, ainda somente com a toalha enrolada na cintura, seguiu-a e se apoiou à batente da porta.

“Então, que horas chegamos, como viemos, aconteceu alguma coisa? Não lembro de quase nada...” Comentou com a morena, que sacudiu os ombros e cuspiu a espuma da boca para responder.

“Chegamos depois das cinco da manhã. Voltamos de moto, claro.” Ela falou, displicente. André arregalou os olhos.

“Tu me deixou dirigir bêbado?” Perguntou assustado. Diferentemente de algumas pessoas, o loiro achava que não dirigia melhor quando alcoolizado. Incrível não ter jogado os dois contra um poste.

“Claro que não! Eu dirigi.” Ela disse tranquilamente, antes de meter a escova de volta na boca.

“Quê?!?!” Dessa vez André se assustou a valer. Correu para frente do espelho comprido do quarto, olhando-se com o coração aos pulos, as mãos tateando o próprio corpo. “Estou inteiro? Há algum pedaço faltando? E minha moto?! Como está minha moto?!”

Natália, que o seguira dado o estado de perplexidade do loiro, estreitou os olhos.

“Haha, muito engraçado.” Forçou a risada, a voz saindo engrolada pela espuma na boca, e deu um tapão estalado no ombro de André, que soltou um gemido de dor misturado com uma risada.

Ele se aproximou dela também, começando a analisá-la de cima a baixo, atrás de alguma injúria.

“Tu nem terminou as aulas de moto ainda! Como quer que eu fique tranquilo?”

Natália o empurrou e voltou para o banheiro, terminando sua higiene.

“Não tenho carteira ainda, mas já sei dirigir uma moto desde meus dezesseis! Várias pessoas andam de carro ou moto por aí sem ter carteira. E tua moto ‘tá inteirinha, ouviu?” Ela dispensou quando voltou ao quarto. Passou as mãos pelos cabelos mais embaraçados que o normal. “Preciso ir...”

“Por quê?” André perguntou e abriu um sorriso maliciosamente torto, sentando-se na cama e se apoiando nas mãos para se inclinar para trás. Na verdade estava com uma puta dor de cabeça e enjoado ainda, mas talvez sexo o ajudasse com isso. “Podemos aproveitar essa manhã de domingo...”

Natália não deixou de analisar o corpo definidinho do amigo. Mesmo que loiros num geral não fossem sua primeira opção, André tinha seu tipo físico preferido – magro e fortinho, sem exageros, os músculos esguios ressaltados na medida certa. Tinha horror de homens altos e fortões demais.

“André.” A garota suspirou, coçando os olhos com uma das mãos. Ela se aproximou do loiro e o beijou na testa. “Eu te amo, tu sabe né? É um dos meus melhores amigos, e o único com quem eu já tive benefícios.” Sorriu marota.

“Sei.” Respondeu o loiro, carinhoso, fazendo um afago na cintura dela, mas não retribuindo o ‘eu te amo’. Como qualquer garoto, não costumava falar essas três palavrinhas com frequência.

Natália riu – André era alguém difícil para falar o que sentia, quiçá até demonstrar. Pessoas que não tentassem vencer as barreiras de antipatia iniciais dele, nunca seriam suas amigas. Ela ficava feliz por ser do tipo que fazia amizades facilmente, do contrário, não teria o loiro em sua vida. Inclusive lembrava-se de que o achava bastante chato no início, todo mimado, nariz em pé e até pedante. Mas descobrira que, sim, ele era mimado, porém o resto era apenas fachada. Ou quase apenas fachada.

“Vou sempre te apoiar. Não importa que decisões tu tome, que descobertas tu faça. Quero ser sempre tua amiga, um ombro amigo. Mas acho que não devemos continuar com isso.” Ela decidiu, fazendo um carinho dengoso nos cabelos dourados e úmidos dele.

“Isso o quê?” André se surpreendeu, aquilo era tão repentino quanto um raio na testa num dia de sol.

“Isso – beijos, sexo. Eu na real sempre preferi os morenos.” Ela disse, descontraída, mas num tom de quem falava a sério. “Se continuarmos com isso, tenho medo de nossa amizade acabar abalada. Eu ando a fim de um relacionamento sério.” Mentiu. No ano em que André estivera pela Europa, se envolvera com um tatuador, se apaixonara bonito, mas rachara a cara feio, e a última coisa que queria no momento era se apaixonar de novo.

As sobrancelhas de André se aproximaram.

“Isso é algum ultimato? Ou namoramos, ou acabamos por aqui?”

“Não!” Natália falou rapidamente, arregalando os olhos. Era justamente o contrário! Depois do que vira noite passada... Compreendera que era melhor assim. Sentia-se confusa, sim, e um pouco machucada, mas sabia que eram sensações passageiras, de alguém que perde algo especial. André em breve precisaria de uma amiga, e ela estaria ali por ele.

Pensou rapidamente na melhor forma de explicar aquilo e mentiu:

“Eu estou apaixonada por alguém.”

André a olhou sem palavras. Não tinha como argumentar contra aquilo, mas ainda assim, não conseguiu tirar da cabeça a ideia de algo acontecera naquela madrugada que levara a garota a tomar aquela decisão...

XxX

O laboratório de Histologia era dividido basicamente em: microscópios ruins e microscópios bons. E os bons somavam um total de apenas oito. André, Fabrício e Gabi estavam sentados mais ao fundo, onde ficavam os piores microscópios. Motivo: André demorara o que pareceram duas horas para comer uma minipizza que comprara no Bar do Antônio depois da última aula de biofísica antes da prova, na quarta.

Era a primeira aula no laboratório. Os horários haviam mudado agora, mais horas de aula na semana, menos tempo livre, dava preguiça só de pensar. E isso que só haviam passado por uma única prova! André e Fran gabaritaram, Gabi tirara perto de nove, Fafá tirara um pouco mais que nove, e Rafael um glorioso sete. Era uma vitória ter ido bem na primeira prova da faculdade, dava uma sensação maior de que tudo era possível.

“Então... Vocês dois sabem se eu fiz algo na festa sábado que possa ter irritado a Natália?” Cochichou com Fabrício, e achou estranho o silêncio morto que teve como resposta em vez de alguma piadinha de mau gosto e uma risada espalhafatosa. “Fafá?”

“Ahnn...?” Fafá o olhou. “Acho que não, por quê? Ela brigou contigo no dia seguinte? Disse alguma coisa?” Perguntou, e seu ar tinha algo de culpado. André o analisou com cuidado, tinha olheiras sob os olhos e a barba estava um pouco maior, o que indicava que já não a fazia há uns três ou quatro dias no mínimo.

André deu de ombros.

“Digamos que vou ter que encontrar outra pessoa para passar as noites quando estiver a fim de sexo.” Sussurrou inconformado, voltando a prestar atenção no que a professora dizia e desenhava no quadro sobre o que teriam de ver nas lâminas, e também apontava numa televisão conectada ao microscópio dela.

“Bah... Que palha.” Fabrício soltou, desconfortável, coçando a barba.

Naquele momento, no meio da aula, o celular de Gabi tocou. A música era 93 Million Miles, do Jason Mraz. A garota se atrapalhou toda para desligá-lo, quase deixando o próprio microscópio cair no chão, o que atraiu algumas risadinhas e uma careta insatisfeita da professora.

“Desculpa, prof.” Disse com um sorrisinho sem graça, depois de vários segundos de luta contra o celular.

André estava com a pele arrepiada. Por algum motivo a música lhe causara uma fisgada nas entranhas. Um flash da madrugada de sábado voltou-lhe de súbito à memória consciente.

“Me dê tuas cordas vocais!” André exigiu, nada coerente, tentando colocar os dedos dentro da boca de Fabrício, talvez com a ideia de realmente roubar as cordas vocais do outro.

O moreno explodiu em risadas, acabando por cair mesmo para trás, um choque dolorido das costas contra o piso da quadra. Mas com isso André acabou caindo por cima de si, com um resmungo desorientado.

André olhou para Fabrício por alguns instantes, até atrair a atenção do moreno. Sentia suas bochechas queimarem, e desejou desesperadamente lembrar como diabos haviam acabado naquele lugar e o que acontecera depois daquilo. Mas quando Fafá o encarou com uma expressão indagadora, desviou o olhar e não perguntou nada. Tinha medo da resposta.

Talvez fosse até uma memória falsa...

XxX

“Tu não ‘tá entendendo.” André falou ofegante enquanto voltavam para o ponto que, até a linha de partida/chegada, daria 200 metros.

Era final do dia e os dois corriam na pista de corrida da Redenção. Iriam participar da competição de corrida no Intermed, logo, vinham treinando todos finais de tardes juntos, até lá. Faltava menos de dez dias; na quarta-feira da próxima semana, já iriam pra Torres, antes do feriado.

Gabi estava sentada num pedaço de arquibancada velha, na frente do ponto de partida/chegada, para marcar o tempo, acompanhada por outras pessoas que também estavam ali marcando tempo e se preparando para outras provas, como corrida com salto.

“Se há universos paralelos, então o eu num outro universo paralelo não seria exatamente eu, porque, se nossa identidade é a partir de nossas experiências e memórias, então não pode ser eu, pois qual a probabilidade de eu e o eu de lá termos tidos as mesmas experiências?” A conversa obviamente não tinha nenhum objetivo ou lógica num contexto coerente, mas era coerente em seu contexto.

“Mas não deixa de ser tu, com toda a tua carga biológica e genética que passou por outras experiências. Mas levando em conta que é tu, frente às diferentes experiências, ainda é a forma mais próxima de como tu agiria ao se deparar com elas. Então, ainda é tu, sim, só que pode ser um tu pobre, por exemplo...” Fabrício contra-argumentou.

André balançou a cabeça, e os dois passaram quase quinze minutos discutindo aquilo, entrando em uma discussão até sobre morte em outros universos paralelos, e como isso aumentava as chances de acontecer no universo em que estavam, entre outras loucuras. André notava que talvez estivesse convivendo demais com Fafá.

“HEI! SEUS PANACAS! VÃO CORRER OU NÃO?” Eles ouviram o grito de Gabi vindo lá do outro lado da pista. Já haviam quase se esquecido de que estavam ali para correr. Prepararam-se rapidamente, ficando naquela pose clássica antes do apito de partida. Gabi apitou lá do outro lado, e eles dispararam.

Os dois eram bem rápidos. A pequena diferença de altura contribuía para que ficassem emparelhados. Porém quando começaram a contornar a pista oval, Fafá tomou a dianteira, por mínimos centímetros. André bem que tentou colocar mais velocidade, mas já estava em seu limite.

Gabi parou o cronômetro quando passaram pela linha.

“Fafá! Tu bateu o recorde do ano passado por dois segundos!” Ela se animou.

“Dale-ô!” Fabrício exclamou quase sem ar, comemorando.

“E tu, Santa, empatou com o vencedor do ano passado! Fala sério, vamos ter medalha ceeeerto!” Bateu palminhas, enquanto os dois se apoiavam nos próprios joelhos, inclinados, tentando recuperar o fôlego.

André observou o moreno pelo canto do olho. Ele estava com uma camiseta de física larga, o que deixava notar bem os braços, ombros e parte do tórax. O suor escorria pelo pescoço, e a camiseta já estava molhada, enquanto ele arfava. Com uma fisgada na boca do estômago, André desviou o olhar, sentindo-se estúpido, mas logo abafando a sensação.

Fafá o olhou quando ele olhava para o outro lado, admirando-o por um momento, reparando nos cabelos ligeiramente compridos e lisos do outro, grudando na nuca e alguns fios no rosto ruborizado pelo esforço. E a cena da madrugada de sábado o invadiu, tudo que aconteceu após beijá-lo...

(...)

Moveu o corpo contra o do loiro, friccionando seu baixo ventre entre as pernas entreabertas de um André completamente prensado contra o chão. André soltou um gemido contido com aquilo, e Fafá sentiu a respiração falhar em meio ao beijo, levando as mãos para agarrar a bunda do loiro e puxá-lo mais contra si, mesmo que estivessem inteiramente colados.

Largou a boca do loiro, onde se deliciara com os lábios cheinhos e macios dele, que davam uma baita vontade de morder até deixar vermelhos e inchados, e escorregou a boca pela lateral do pescoço dele. André tinha uma boca ótima de beijar, não tinha mais nenhuma dúvida. E como era bom tirar aquela dúvida! Talvez fosse o álcool, mas também não achara nada estranha a falta de seios, ou a óbvia rigidez masculina do corpo dele.

André respirava agitado, apertando os dedos nos braços definidos do moreno.

“Vamos pro meu apartamento...” Fafá pediu perto do ouvido do loiro, sem pensar em nada, apenas tomado pela excitação. Não pensava em como seria apressado, arriscado e obviamente maluco continuar com aquilo. “Fica comigo essa noite...” O mordeu no pescoço, feito um vampiro esfomeado.

André não conseguiu responder, estava embriagado demais por álcool e beijo. Seu coração batia tanto que um médico poderia acreditar que logo entraria em falência, a pressão também parecia nas alturas. Sua cabeça girava, e a tesão era uma bastarda desgraçada que deixava seu corpo sensível até mesmo ao vento fraco e fresco da noite.

Mas como ele não respondeu, Fabrício voltou a atacar os lábios entreabertos e ofegantes do loiro, que não demonstrou resistência, apenas voltou a apertar os braços e ombros do moreno e mover as pernas, como se não soubesse o que fazer com elas. A língua de Fabrício pareceu dominar sua boca inteira, provar de sua língua como bem entendia, enquanto mal conseguia encontrar forças para lutar em retorno pelo controle. A maneira como o moreno apertava sua bunda parecia coisa de tarado.

“André...?!” E o chamado foi o suficiente para separá-los abruptamente. Fabrício caiu pro lado como se atingido por uma marretada no meio da testa. Quando olhou na direção do som, viu Natália observando-os com o queixo caído, os olhos surpresos e as bochechas, geralmente amorenadas, mais pálidas do que nunca.

Fabrício quis se afogar num poço de piche. Era pego no flagra beijando o loiro bem pela ficante dele! Já André se sentou, olhando para Natália com uma expressão de quem não entende nem o princípio de dois mais dois ser igual a quatro. E no lugar de responder algo coerente, o loiro virou o rosto pro lado e vomitou.

‘Os efeitos do meu beijo’, Fafá pensou com ironia, sorrindo sem humor.

Natália se aproximou e amparou André, ajudando-o a se levantar. André parecia prestes a desmaiar.

“Tu deveria ter vergonha na cara por se aproveitar de um bêbado dessa forma.” Ela disse secamente para Fabrício, que sentiu a culpa de fato aumentar.

“Olha, eu...”

“Não preciso de explicações. Sei o que vi, e isso não é assunto meu.” Ela rebateu. “Não vou dar uma de namorada ciumenta e traída, porque não sou namorada do André, e vivemos ficando com outras pessoas.”

Havia festas em que ficavam, outras em que isso nem acontecia, e nessas ficavam com outras pessoas na frente um do outro, sem complicações. Eram apenas amigos com benefícios, só nunca havia acontecido de um deles ficar com outra pessoa numa festa em que estavam ‘juntos’.

“Mas tu deve saber que ele não gosta de homossexuais.” Continua a garota, passando um braço de André por seus ombros e o dela pela cintura do loiro. Fafá reparou que ela era forte pra conseguir sustentar um garoto maior que ela. “E por isso ele muito provavelmente não iria querer ser beijado por um guri, se estivesse um pouco mais consciente.”

“Mas eu-“

“Eu notei a forma que tu olhava pra ele durante a festa. Não sou idiota.” Natália argumentou, suprimindo a parte que também notara os olhares de André pra cima do moreno. Não costumavam dizer que tinha olhos como os da Monalisa por nada, sempre reparava nos detalhes, sem que ninguém percebesse suas observações. “É bom que pense bem no que está fazendo, ou vai arruinar a amizade de vocês dois.”

“Eu sei, só que-“

“Da próxima vez que tentar beijá-lo, seja menos covarde e vê se tenta quando ele estiver sóbrio.” Alfinetou, e uma facada na barriga seria menos violenta que o comentário. Fafá se calou, não encontrando nenhum argumento para aquilo. “Vamos André.” A garota disse e levou embora o loiro, que praticamente se arrastava sobre os dois pés, a cabeça pendendo para o chão.

Fabrício se jogou novamente na quadra (bem longe do vômito do loiro), ficando deitado de barriga pra cima, as mãos apoiadas atrás da cabeça e olhando as estrelas, não saberia dizer por quanto tempo, enquanto se recriminava por ter se aproveitado do loiro bêbado. No fundo, não conseguia se arrepender.

(...)

Eu o beijei mesmo. Pensou voltando ao momento presente, perplexo novamente com a própria ousadia, e novamente envergonhado pelo ‘sermão’ que recebera. Afastou a lembrança da mente, ou poderia acabar puxando André – dessa vez sóbrio – para um beijo ali e agora. Não sabia dos Fafás de outros universos paralelos, mas se sentia mais sortudo do que eles por ter aquela memória em especial.

Notas finais
HUHUHU! Não me odeiem por não ter rolado nada além do beijo. Ainda vai demorar um pouquinho pra isso. E pra lemon nem se fala, né, o André ainda está um pouquinho longe de conseguir dar a bundinha dele. OIJAAIUOJAOAIOAH Adoro vocês! Obrigada por todo o carinho! Beijos!