Good Riddance
46 Realizando fantasias
Notas iniciais
“Enfim sós.”
Sequer foi programado, ou combinado, André simplesmente se sentiu atraído por aquele moreno como se fosse um pequeno objeto de metal e ele um ímã poderoso. Caminhou até ele e, assim que perto, foi puxado pela cintura. Os lábios se encontraram com ânsia, necessidade. Gemeu baixo com a pressão na cintura e a forma como Fabrício o forçava contra ele, aquela força bruta, diferente de tudo que experimentara, antes de aceitar que era disso que gostava...
Das mãos, dos braços, do corpo, do jeito, de tudo que o moreno lhe proporcionava.
Fabrício escorregou as mãos por suas coxas, encaixando-as na curva dos glúteos, e o ergueu, pegando-o no colo sem nenhuma dificuldade. Ele começou a caminhar para as escadas, seus lábios ainda presos, nenhuma vontade de apartá-los. Porém André se afastou quando o Fabrício começou a subir para o segundo andar.
“Eu posso usar minhas pernas.” O avisou com os lábios torcidos, afinal, o quarto ficava no terceiro andar e aquilo deveria cansar.
Fabrício sorriu roubando-lhe mais um beijo que pareceu uma mordida nos lábios carnudos do loiro.
“Tu é levinho.” Garantiu.
“Peso setenta quilos!” André exclamou. Isso não era nada leve, apesar de não ser gordo também. Perguntou-se quantos quilos o moreno teria, já que era mais alto, um tanto mais musculoso, ombros mais largos... Mas não teve tempo de pensar muito antes de voltar a ser beijado.
Afundou as mãos nos cabelos duros de cloro do moreno, aprofundando o beijo. Ambos fediam a cloro, e o André decidiu que queria livrar o corpo daquela sensação de ‘passei o dia murchando na piscina’. Quando estavam finalmente no terceiro andar, Fabrício o colocou no chão e, mantendo uma mão firme na nuca do loiro, beijou-o esfomeado e guiou-o para dentro do quarto, suas mãos passeando firmes por todo corpo do loiro.
André o empurrou para o banheiro.
“Quero um banho.” Determinou e nem obteve resposta, Fabrício simplesmente arrancou fora seu calção de banho. Descarado. Não teve opção que não se livrar propriamente do dele.
“Passei o dia querendo lamber todo teu corpo.” Fafá falou com um sorriso desavergonhado enquanto o puxava para dentro do box e ligava a água, que desceu inicialmente gelada contra seus corpos quentes.
“Oh meu deus, cale a boca!” André corou com o comentário pervertido, mas o Fafá apenas riu e afundou o rosto em seu pescoço. Dito e feito, lambendo-o da curva do ombro até a orelha. André ofegou, olhos fechados devido à água que caía sobre seu rosto, invadindo sua boca; boca esta que logo o Fabrício voltou a beijar, enquanto o puxava pelos glúteos quase tirando seus pés do chão.
André percebeu que naquele dia em especial, o moreno estava mais empolgado do que nunca. Ele estava sempre empolgado, mas havia algo diferente, até o André sentia. Era a abstinência desde o dia dos namorados. O loiro até mesmo se preparara fazendo novamente uso do kit que Davi comprara há semanas atrás e lhe dera de ‘presente’. Fora, como da primeira vez, uma experiência terrível, então era bom fazer valer à pena. Aliás, se esquecera de matar o Davi àquela tarde – a memória fotográfica falhava nos momentos mais essenciais.
André se desestabilizou quando Fabrício largou sua boca e começou a atacar primeiro seu pescoço, com chupões que definitivamente não eram bem-vindos. E as marcas depois? Inaceitável.
“Não... Fabrício, vê se não me deixa cheio de-“ Se interrompeu quando teve o mamilo abocanhado. Fabrício nem parecia ter se fartado em churrasco, porque a fome estava grande e parecia querer arrancar pedaços daquele corpo branco. “Isso deveria ser um banho.” Puxou o moreno pelos ombros e o empurrou contra a parede.
“Mas eu estou te banhando.” Fez-se de inocente, na maior cara de pau, sorrindo enquanto o loiro o encarava ofegante.
“Como se tu fosse um gato agora!” André rebateu e colocou rapidamente o indicador contra os lábios do outro, antes que ele falasse alguma outra idiotice. Olhou para baixo, vendo a ereção de ambos, e sentiu um calor estranho com a visão. Não pensou muito, simplesmente se ajoelhou na lajota fria e molhada e colocou aquele volume todo na boca. Ou quase todo o volume.
Fabrício arfou e jogou a cabeça para trás e a bateu na lajota, mas sequer sentiu. As sensações que vinham de baixo obscureciam todas as outras. Depois olhou para baixo de novo, e achou que iria gozar somente com a visão do loiro ajoelhado, corado, olhando-o de volta... Era muito sensual. Mais do que poderia suportar.
“Ah, como eu adoro a tua boca.” Falou entregue ao prazer. André queria pedir para que ele não falasse nada, e também não gostou muito quando ele segurou-lhe os cabelos molhados e o empurrou mais contra a ereção. Deu um tapa afastando aquela mão. “Certo, sem mãos.” Fabrício rapidamente compreendeu.
André se afastou após alguns minutos. Havia se cansado, ainda precisava pegar a prática. E queria pegar a prática. Quando decidia fazer algo, gostava de fazer da maneira mais perfeita possível, mesmo num caso como esse. Mas foi apenas se afastar para que o moreno o erguesse e o beijasse, ainda mais apaixonadamente do que antes.
André gemeu com aquele vigor que o namorado demonstrava.
Surpreendente foi eles terem, de alguma forma, ainda conseguido tomar um banho. Meio matado, é verdade, cada um passando o sabonete no outro, em meio aos amassos e beijos que não cessavam, como se suas bocas precisassem uma da outra como o corpo necessitava de oxigênio. Ainda que às vezes os beijos os impedissem de respirar, e as risadas lhe tomassem o fôlego.
“O sabonete caiu, quem vai juntar?” Fafá perguntou num tom safado quando o sabonete escorregou da mão do loiro. André ergueu uma sobrancelha. “Acho que quem deixou cair, junta.”
“Vai se foder, eu não vou juntar nada.” André tentou sair do box, mas quando já colocava o pé para fora foi virado e voltaram a se beijaram.
Tropeçaram para fora do banheiro, e o André arregalou um pouco os olhos quando o Fabrício o ergueu e literalmente atirou na cama. O colchão sacudiu, parecendo uma mola sobre a qual se deitava. Umedeceu os lábios, sentindo-se novamente meio nervoso ao ver o moreno aproximando-se da cama e então subindo, molhando o colchão com os pingos de água que escorriam de seu corpo e cabelos negros. Ele sorria quase maligno, André quase não gostou daquele novo sorriso dele.
Quase.
“Está molhando toda a minha cama.” André reclamou, antebraços apoiados no colchão e os olhos vidrados no namorado, até sua voz lhe pareceu meio estranha, como se as palavras na verdade significassem ‘suba logo nessa merda e me devore’. Mas claro, jamais diria algo assim. Estava cansado de deixar sua dignidade cair no ralo, e ainda dar a descarga.
“Tu também ‘tá todo molhado.” Fabrício avisou e, para comprovar, parou bem em frente e se inclinou, lambendo-o do umbigo até o pescoço, recolhendo os pingos que escorriam. André suspirou arrepiado, mas gritou quando sentiu uma dor horrível nas costas. Pulou para frente, se virando para ver quem o atacara.
Cherry, que já não era mais nenhuma gatinha minúscula, mas uma gata adulta e esguia, não estava nada satisfeita. Estivera tirando um cochilo naquela cama havia um bom tempo, e acordara com pingos desagradáveis em sua cabeça. Vingou-se cravando os dentes nas costas do loiro, até mesmo arrancara um pouco de sangue.
“A tua gata acaba de tentar me matar!” André apontou para a gata que miou e começou a lamber a própria pata.
“Sério, minha gata ‘tá me vendo pelado, isso é tão estranho, como vai ficar nossa relação agora?” Fafá perguntou preocupado, tapando o que tinha entre as pernas, que por um acaso estava bem aceso.
André revirou os olhos.
“Não ‘tô acreditando nisso.” Pegou a gata, cuidando pra não levar outra mordida, e praticamente a atirou para fora do quarto. Sua vontade era de atirá-la escada abaixo. Cherry miou contrafeita, mas o André bateu a porta no focinho dela de qualquer maneira.
Não teve tempo de se virar, Fabrício o prensou contra a porta, a respiração quente dele batendo na nuca, arrepiando. André espalmou as mãos contra a madeira da porta.
“Acho que agora não teremos mais interrupções.” Fafá murmurou em sua orelha.
“Fabrício...?” Perguntou, mas logo entendeu o que ele pretendia quando se ajoelhou. André bateu a testa na porta quando a língua do moreno resvalou por suas costas. Ele apertou suas nádegas, naquela mania irritante de tratá-las como almofadas que poderiam ser esmagadas a seu bel prazer, e as afastou, logo antes do loiro sentir aquela provocação molhada.
Não deveria ser tão bom, aliás, quem inventara essa história de lambida no cu deveria estar ardendo no inferno, por ser um viado com ideias estúpidas. Era o que pensava, por mais que estivesse sofrendo com aquele prazer, engolindo cada gemido que queria escapar enquanto arranhava as unhas na porta. Já Fabrício adorava fazer aquilo porque: um – podia apertar aquela bunda gostosa e branquela do loiro o quanto quisesse, e dois – André parecia sempre sentir mais prazer com isso do que com sexo oral, e era ótimo ver o loiro tentar se segurar ao máximo. Sem grandes sucessos, felizmente.
“Espera!” André exclamou, correndo para longe do namorado. Fabrício se levantou sem entender nada, achando que havia feito algo de errado. O loiro simplesmente pegou a mochila sobre a poltrona do quarto, entrou novamente no banheiro e bateu a porta.
“Mas o quê..?” Fafá murmurou, e caminhou até a porta, batendo de leve. “André?”
“Deita na cama. E me espera.” Ouviu o loiro ordenar.
Coçando os cabelos, o moreno acatou a ordem. E quando não obedecia a alguma ordem daquele loiro? Difícil. Deitou-se nos travesseiros, apesar de continuar um tanto molhado, e colocou as mãos atrás da cabeça. Acabou olhando para o teto, perdendo-se em pensamentos. Chegou a sentir um princípio de sono, o dia fora cansativo, e o que o deixava aceso era o namorado.
Quando percebeu, uma música começou a tocar.
Baby take off your coat
Real slow
Don't take off your shoes
I'll take off your shoes
Baby, take off your dress
Yes, yes, yes
Fabrício olhou para a porta do banheiro, e seu queixo imediatamente despencou. André estava com uma roupa de bombeiro, ou ao menos, parte de uma. Uma sunga vermelha, e um colete igualmente vermelho aberto, deixando entrever o abdômen e o peito. Na cabeça, uma boina vermelha com dourado que imitava um capacete. Fabrício acabou rindo quando o loiro ajeitou a boina na cabeça e entrou no quarto, começando uma espécie de dança sensual, que algum cara mais abusado poderia fazer pra divertir a namorado. No caso, o namorado.
You can leave your hat on
You can leave your hat on
You can leave your hat on
“Não acredito que tu ‘tá fazendo isso.” Fafá comentou, abismado. Realmente, jamais esperaria isso do loiro. E claro, estava adorando. Um sorriso largo se formara em seus lábios, e nada do mundo o tiraria dali. André colocou um dedo sobre os lábios, mandando-o ficar quieto.
O moreno obedeceu, pondo-se apenas a observar. Em alguns momentos soltava umas risadas involuntárias com os rebolados do loiro, que dançava todo cheio de marra, às vezes tirando a boina e a girando de maneira habilidosa para recolocá-la na cabeça, outras segurando as bordas do colete e abrindo um pouco, exibindo mais o corpo.
Em outras, ficava de costas e arriscava uns rebolados, afinal, sabia que o moreno tarava sua bunda.
Go over there, turn on the lights
All the lights
Come over here, stand on that chair
Yeah that's right
Raise your arms up in the air
And now shake 'em
Fabrício desejou poder gravar aquilo, porém sabia que apanharia caso o André percebesse. Teria de manter gravado nas retinas o momento em que o namorado colocou uma mão sobre a escrivaninha do quarto, enquanto segurava a boina com a outra, escondendo parcialmente o rosto, e moveu o quadril de maneira erótica, imitando movimentos sexuais. Certo, isso alastrou um arrepio e calor pelo corpo do moreno, que mordeu o canto da boca. Há tempos brincava que queria ver o loiro numa fantasia daquelas, só nunca imaginaria que ele realmente colocaria a ideia em prática.
And baby, put it my way
(You can leave your hat on)
And just leave your hat on now
They don't wanna
(You can leave your hat on)
Won't you do that for me, babe?
(You can leave your hat on)
Para seu alívio, pois do contrário dali a pouco iria buscar o loiro por si próprio, André subiu na cama, colocando um joelho de cada lado de sua cintura. Fafá finalmente pôde ver o rosto do loiro com mais liberdade, pois, a boina não tapava quem o olhava de baixo. Como esperado, ele tinha as bochechas um tanto enrubescidas, enquanto retirava o colete, no ritmo sexy da música, que já chegava ao fim.
Fabrício segurou-lhe as coxas, e se ergueu apenas o suficiente para levar os lábios à ereção do loiro, protegida pela sunga vermelha. André puxou o ar, curvando-se um pouco para frente, suas mãos pararam nos cabelos do namorado. Gemeu fraco com os beijos que recebia, junto aos apertões nas coxas. O moreno o derrubou na cama pouco, subindo por cima de seu corpo. Ele ainda sorria, bobo.
“É teu aniversário, e eu que ganho um presente desses?” Fafá perguntou, acariciando-lhe o rosto, que estava bastante vermelho agora.
“Quem sabe agora para de me encher com essa história de bombeirinha sexy...” Murmurou, tentando soar irritado, mas falhando pateticamente.
“Hm... Talvez!” Sorriu largamente. “Mas primeiro vou te recompensar...” Sussurrou sugestivo, e começou a encher o corpo do namorado de beijos. O pescoço, o peito, o abdômen, nada foi poupado, até que chegasse novamente à sunga, mas dessa vez a tirasse para expor todo o corpo do loiro.
André mordeu o lábio e fechou os olhos quando sentiu o calor da boca do namorado, que empurrou suas coxas contra seu peito para ter maior liberdade nas carícias. Fabrício massageou intensamente a raiz do pênis, deslizando a língua pelo períneo e deliciando-se com os gemidos contidos do loiro, que já mordia uma mão, fechada em punho, e tinha os ombros encolhidos, os olhos ainda cerrados. André perdia completamente o chão quando estava sentindo prazer, se entregava e esquecia. Estranhamente, Fabrício achava mais fácil lidar com o loiro na cama, do que no resto. Quando se afogava no prazer, André era mais sincero às reações do corpo.
Fabrício se afastou apenas quando não conseguia mais tolerar sua própria tesão. André abriu os olhos, tonto com o que experimentara. Fabrício decididamente estava mais intenso naquele dia. E não querendo ficar para trás, André o abraçou e voltou a beijá-lo assim que ele se aproximou. Suas mãos percorreram as costas largas e firmes do moreno, sentindo-as quente, talvez além do bronze ele também as tivesse queimado um pouco no sol.
“Acho que tô mais safado que o normal hoje.” Fafá admitiu, enquanto o beijava despudorado no pescoço. Novos chupões, que maravilha, André pensou irônico, mas as carícias estavam tão gostosas que não queria interromper nada. Apenas deixou o moreno morde-lhe o lóbulo da orelha e sussurrar em seu ouvido: “Desde o dia dos namorados eu não consigo te olhar e pensar em outra coisa que não sexo.”
“Às vezes tu é sincero demais. Não, na real tu é sincero demais o tempo todo. E safado.” André reclamou, corado por vários motivos – pelas palavras, pelo tom, por suas ereções roçando, por também ter olhado pro moreno nos últimos tempos e só ter pensado nisso. Apenas as provas finais amontoadas da faculdade atrapalharam que tivessem momentos livres para dar vida ao desejo fervoroso de ambos. “Mas eu também ‘tô morrendo de vontade... Então vai logo com isso.” André demandou, virando o rosto meio irritado por admitir.
Fabrício sorriu largamente, ouvindo o que mais queria. Foi levantar para pegar o lubrificante e a camisinha na mochila que deixara em cima da poltrona do quarto, mas André o impediu.
“Eu tenho aqui.” O loiro murmurou e se virou de bruços, para alcançar a cômoda. Tirou dali tudo que era necessário, e se girou de costas de novo, olhando para o moreno que sorria malicioso.
“Tu não ‘tava mentindo, deixou tudo preparado já. Até fantasia comprou pra dançar pra mim...”
“Cala a boca, tu também comprou!” André reclamou e tocou as camisinhas na cara do namorado, que riu divertido com a raiva do outro. Fafá pegou um lacre de camisinha e o abriu com os dentes, e André o xingou mentalmente de ‘moreno sexy’ – não que isso fosse de fato um xingamento. Complementou com um ‘idiota’ só pra não perder o costume.
Fabrício colocou a camisinha e então segurou as coxas do loiro, apertando-as com força calculada para afastá-las e puxar o loiro para mais perto. Estava ajoelhado na cama, suas coxas também meio abertas, e as de André estavam sobre as suas. O loiro sentiu-se mais exposto do que nunca com aquela posição, e até suas orelhas arderam quando Fabrício pegou o lubrificante e derramou parte do conteúdo na mão.
“É melhor tu ir com calma, não pense que só porque já fizemos uma vez tá liberado pra farra. Isso se não quiser se tornar um eunuco.” André avisou, e mordeu o lábio abafando o gemido que estalou na garganta quando os dedos gelados pelo lubrificante lhe acariciaram entre as nádegas.
Fabrício o penetrou com dois dedos, numa espécie de ‘cala a boca’ muito mais eficiente do que um beijo.
André deixou a cabeça cair contra o colchão e ofegou, olhando para o teto branco. Graças a Deus não havia um espelho ali em cima. Porém até gostaria de ver Fabrício se inclinar para abocanhar-lhe o membro, mesmo que com isso tenha recebido mais um dedo e tapado a boca com uma mão. Gemeu numa sequência que esfaqueava e transformaria em pedaços irrelevantes o mais resiliente dos orgulhos, e se contorceu na cama, seus olhos chegaram a lacrimejar. Maldita próstata.
Fabrício o cobriu com o corpo, segurando uma de suas coxas por trás a levando junto ao se deitar, até que o joelho do loiro se encostasse a seu peito. André agradeceu por ter uma boa elasticidade, costumava se alongar bastante antes dos treinos. Os dois se beijaram profundamente, e o loiro sentiu falta – mas obviamente não falaria nada em voz alta – quando o moreno retirou os dedos cessando aquela carícia quente.
Fabrício foi beijar-lhe o pescoço.
“Pode deixar que vou ir bem devagarzinho...” Fafá sussurrou com os lábios colados na orelha do loiro, e o André o abraçou, o coração estourando as batidas em seu pescoço e ouvidos, ao fechar os olhos. Ofegou apenas em sentir a glande do namorado, e gemeu com dor quando ele venceu a resistência inicial.
Fabrício o segurou com mais força, e empurrou-se mais uns centímetros, o beijando por todo pescoço. André gemeu desgostoso. Caralho, isso ainda dói pra cacete, e percebeu que nunca essa expressão possuíra um sentido tão literal.
Felizmente a dor amenizou após alguns momentos sofridos, e o loiro soltou um suspiro de alívio e prazer.
“Oh, é bom...”
André só percebeu quando havia falado em voz alta quando Fabrício ergueu o rosto, e seus olhos se encontraram. O sorriso dele era tão genuíno e bobo que dava vontade de lhe dar uns tapas, só pra ver se ele deixava de ser tão... Tão... Tão Fabrício! Mas bem, talvez aí não gostasse tanto dele como gostava. Acabou puxando-o para outro beijo, ou acabaria retribuindo com um sorriso ainda mais bobo.
Fabrício o beijou nos lábios, e lhe soltou a coxa, abraçando-o. André o envolveu com as pernas, tentando encontrar uma posição mais confortável.
“Quero que seja ainda melhor hoje!” Assegurou o moreno, empolgado.
André, sem saber muito bem o que responder àquilo, com as pernas puxou o Fabrício para si, sentindo-o afundar mais em seu interior. Gemeu apertando-lhe as costas, ouvindo o moreno gemer também em seu ouvido. Finalmente tudo entrara, ainda havia certo desconforto. Tentou relaxar e roçou os caninos no ombro do namorado.
“Lembra que pode morder?” Fafá o relembrou, e o André riu, quase maligno, e desta vez o mordeu a valer. Fabrício gemeu de dor, sentindo-a misturada com o prazer, e o loiro de fato relaxou completamente, sentindo-se bem melhor. O fato de relaxar acabou de vez com o desconforto e até se sentiu entediado com a falta de movimentação, então moveu o quadril por si próprio, mesmo que isso o constrangesse um tanto.
Mas que se dane, agora já dei a bunda mesmo.
Fabrício entendeu rapidamente o recado e começou a se mover. Voltou a procurar pelos olhos do loiro, que o encarou rubro e ofegante, segurando-o pelos ombros. Já era noite, mas as luzes estavam ligadas, algo que o Fabrício agradeceu, pois era muito do visual e achava ótimo olhar para o loiro, sem nenhuma dificuldade. Animado, num movimento rápido se colocou novamente de joelhos, levando o loiro junto. Pôde senti-lo descer mais fundo em seu pênis por sentar em seu colo e abraçá-lo com as pernas. André gemera surpreso com a mudança inesperada, as mãos fortes em sua cintura.
Olhou irritado para o Fafá.
“Vê se avisa antes de fazer essas coisas bruscas!” Tremera de cima abaixo com o prazer, mas não sabia se queria essa posição que dependia de seus movimentos, porém o desejo urgia por mais, e acabou rebolando timidamente no colo do moreno.
Fabrício riu em seu ouvido, gerando um arrepio.
“Quer mesmo que eu narre tudo? Como no momento ‘tá rebolando da forma mais sexy possív-“ Levou um soco no ombro antes de terminar e gemeu de dor.
“Esquece.” André resmungou ofegante e, também sem avisar, empurrou o moreno contra a cama, deixando suas mãos caírem de cada lado do rosto dele, sustentando-o. Sorriu enviesado por estar agora por cima. “Estou começando a suspeitar que me conquistou só pra levar pra cama.”
“Conquistei?” Fafá perguntou divertido, e viu o loiro corar. Sorriu. “Estava nos planos.” Admitiu e agarrou os glúteos do loiro, puxando-o e empurrando contra seu membro. André abaixou a cabeça e gemeu, afundando os dedos no colchão. Fabrício moveu o quadril também, estocando numa sequência rápida e veloz que lhe arrancou um grito abafado do namorado, enquanto gemia também, contido, o rosto vincado pelo prazer.
André não teve tempo de se recuperar, Fabrício girou e o prendeu contra o colchão. Beijaram-se de novo, enquanto o ritmo aumentava. Fafá achou que o loiro já tivera tempo suficiente para se acostumar, e dessa vez não poupou. André chegou a se assustar, mas a intensidade que beirava uma agressividade provocante era boa, o contagiou. Agarrou os cabelos do moreno, que por algum motivo adorava – macios, rebeldes –, e os puxou, sem nenhum compaixão. Arqueou as costas, gemendo entrecortado. Fafá estava se apaixonado por aqueles gemidos, pareciam implorar-lhe para que continuasse, pareciam dizer que o André era apenas seu, explicitavam o prazer do loiro e isso o deixava extasiado, tornando seus movimentos mais impetuosos.
“Eu acho que ‘tô apaixonado pela tua bunda.” Fafá admitiu brincalhão, enterrando-se mais, sua pelve batendo sonoramente contra os glúteos do loiro, num dos quais deu um tapa. André quase lhe deu um tapa na cara, mas no lugar disso agarrou e apertou com força a bunda do moreno também, sabendo que a deixaria vermelha.
“Apenas cala a boca e me come.” André mandou. Nem ele acreditou no que pedia. Sentia como se alienígenas houvessem lhe raptado sem que soubesse e alterado sinapses em seu cérebro. A ideia da fantasia e da dança já comprovavam isso. O Fabrício chegou a parar por um momento, riu, e então continuou, frente ao olhar irritado e corado do loiro.
“Me diz como não te amar?” Fafá perguntou, bobo.
André revirou os olhos, mas suas orelhas pinicaram, quentes.
A respiração do moreno batia alterada contra o pescoço do André; este respirava pesado, até gritar quando Fafá lhe ergueu mais o quadril e a posição finalmente propiciou o contato com o ponto mas erógeno. André arregalou os olhos com aquilo, gemeu assustado com mais uma estocada, o corpo estremecendo, aquele prazer brutal queimando em seus músculos, que se contraíram em espasmos frequentes.
Gritou um xingamento que nem se lembraria mais tarde. Fafá riu com aquilo, e apenas acelerou, como se aquele gritou houvesse liberado uma descarga de adrenalina em suas veias, deixando o ritmo ainda mais impaciente. Capturou os lábios do loiro e o beijou voraz, mordendo aquela boca carnuda até senti-la inchada, marcada. André não acreditava naquelas sensações. O prazer antes fora incrível, mas agora...! Se empurrou contra ele, sem ar, quase como se tentasse se libertar. Fabrício soltou-lhe os pulsos e o puxou de novo. O moreno apoiou-se ao encosto da cama, seus olhos ficando na altura do peito do André, que o olhou de cima, segurando-lhe o rosto.
O corpo esguio e sensualmente definido do loiro parecia ainda mais delicioso naquela posição, sentado sobre o moreno, as costas arqueadas, o bumbum arrebitado, e as coxas bem ao alcance de suas mãos. Fabrício o olhou deslumbrado, e começou a beijá-lo no peito, lamber, chupar-lhe os mamilos. André suspirou enquanto rebolava com incentivo do moreno, que apertava ora suas coxas, ora sua bunda, ajudando-o a subir e descer.
André o abraçou, pressionando seu rosto contra o peito dele, gemendo de uma maneira mais rendida, nova para o Fabrício. E isso atiçou ainda mais o moreno, que o apertou como se quisesse arrancar-lhe um pedaço.
Iria enlouquecer até o final daquilo.
“Ah Deus... Eu não quero que termine.” Fabrício falou, a voz alterada pelo prazer. Apoiou bem os pés contra o colchão e empurrou-se forte contra o loiro; puxou-o pela nuca para baixo, para que se beijassem. André novamente gemeu daquela maneira, um gemido meio chorado que era de deixar qualquer um maluco.
Fabrício de novo mudou as posições, dessa vez virou e prensou o namorado contra o apoio da cama, segurando-o pelas coxas e investindo na mesma intensidade contra ele. André precisou apoiar um braço sobre o encosto, e outro passou pelos ombros do moreno. Não estava confortável, mas isso apenas parecia deixar aquilo melhor ainda. Até porque continuava a atingir-lhe próstata e causar aquele prazer insano que achara que era um exagero, uma mentira para que os homens fossem passivos. Se enganara redondamente.
Acabou por não conseguir se segurar mais. Gozou no abdômen do moreno, engolindo um grito enquanto batia a cabeça contra a parede, sem nem perceber a dor do baque. Fabrício abraçou seu corpo sem forças e o deitou na cama de novo. Também havia alcançado o mesmo prazer, segundos após o loiro. Ficaram abraçados um tempo, trocando carinhos enquanto se recuperavam.
“Não vai falar que me ama de novo?” Fafá perguntou.
“Q-Quê?.” André se remexeu e o empurrou. Fabrício tinha cada ideia. Tentou sentar, mas sua bunda doeu. Gemeu contrafeito. “’Tu me destruiu e quer que eu te ame.” Virou o rosto para que ele não visse seu rosto corado. Que ótimo, corar depois de dar a bunda e gemer enlouquecido.
Será que ao menos disso não poderia se livrar?
Fabrício tirou a camisinha, amarrou-a e a jogou no chão. Depois daria um jeito nisso. Só esperava não esquecê-la e depois encontrá-la na boca de um Sascha correndo pela casa. Afastou o pensamento com uma careta, e se sentou, abraçando o loiro e o beijando no ombro.
“Eu não queria te destruir. Eu destruí? Só sou carente depois do sexo...” Murmurou, roçando o nariz na omoplata do loiro.
“Se faz de bobo, mas na cama...” André provocou irônico, mas ofegou baixo quando o moreno lhe agarrou de maneira mais firme.
“Nunca fui assim, sempre fui mais romântico, mas acho que hoje perdi o controle.” Fabrício admitiu, enrubescendo de leve, e o André o olhou impressionado. Deixou o corpo cair ao lado dele, e o Fafá também se virou de lado, mantendo a mão em sua cintura.
André o achava fofo quando ele corava, era meio raro, ainda mais com aquela pele bronzeada.
“É que sou muito sexy.” André disse, convencido. Isso talvez nunca viesse a mudar.
“É mesmo.” Fafá concordou sem pestanejar, indo cheirar o pescoço dele, abraçando-o, parecendo um cachorro farejador. “Muito, muito sexy.”
André não estava exatamente acostumado a que as pessoas concordassem tão ferrenhamente com seus momentos exibicionistas, então acabou meio aturdido, sem saber o que responder. Arrepiou-se com os beijos no pescoço e no peito e gemeu quando o Fabrício mordeu e em seguida lambeu seu mamilo.
“Fabrício...” André chamou num tom de aviso, remexendo-se um pouco. Sua bunda ainda doía, e seu corpo latejava em alguns pontos em que o moreno havia lhe apertado com força desmedida.
“’Tô comportado.” Fafá murmurou e deitou a cabeça no peito do loiro, abraçado a ele. “Por enquanto.”
André riu, revirando os olhos, e acariciou os cabelos negros.
“Mas e tu...” André perguntou, de repente inseguro. “Tu... Gostou?”
Fafá ergueu a cabeça, perplexo com a pergunta descabida.
“Endoidou?” Perguntou, mas sorriu ao notar a insegurança do loiro. “Foi a melhor que já tive!”
“Hum...” André olhou pro teto.
“Está duvidando?” Fabrício perguntou, aproximando o rosto do loiro. “Vou ter de provar?” Perguntou adquirindo um brilho malicioso nos orbes ônix; sua mão escorregou acariciando a coxa do outro.
“N-Não!” André se ergueu nos cotovelos, mas mordeu os lábios. Recém tivera um orgasmo, mas seu corpo estremeceu, dando indícios que uma segunda rodada não seria problema. E no máximo uns 10 minutos haviam se passado! Ah, como era louco ser jovem. “Digo... Talvez eu queira alguma prova. Algo como – Hei!” André soltou ao ser erguido da cama.
Fabrício o tocou sobre um dos ombros assim que em pé, e o André o achou maluco. Ele correu para fora do quarto. Estavam ambos nus! André gritou quando ele desceu as escadas, estava quase escorrendo naquele ombro, era grande demais para caber ali, mas o Fabrício o segurava com força, e o loiro se agarrou a ele para não cair de cabeça no chão.
André mal acreditou quando Fafá saiu no pátio – uma benção que era um pátio alto, com muros nas laterais que não deixavam os vizinhos mais próximos vê-los.
“Fabrício, tu enlouqueceu!?” André quase gritou, mas foi jogado na piscina mesmo assim. Quando emergiu, viu o moreno peladão na borda da piscina, rindo. “É assim que tu me prova alguma coisa!?” Vociferou.
Fafá mergulhou e abraçou o loiro por baixo d’água, tirando-lhe os pés do chão ao emergir. Sorriu para o André, como sempre ignorando a irritação dos olhos azuis.
“Foi nessa piscina que senti pela primeira vez vontade de te beijar.” Fabrício lembrou, avançando com o namorado mais para o centro dela. “Agora somos namorados, e eu sinto vontade de te beijar o tempo todo.”
“Ora-“ André foi calado com um beijo. Estremeceu. O dia poderia ter sido quente, mas era o sol sumir que o frio retornava. Abraçou-se ao moreno, em busca do calor dele. Já sentia o corpo arrepiado, tremendo.
“Enlouqueci por ti, bombeirinho.” O moreno gracejou, sorrindo de olhos fechados e, muito romântico, mergulhou com o loiro e brincou de afogá-lo.
André se debateu, xingando-o.
Iniciarem uma lutinha de água foi inevitável. Depois acabarem em beijos e mais amassos foi novamente impossível de impedir. Ficaram minutos e minutos ali, brincando e namorando, até não aguentarem o frio, seus lábios roxos. Sascha acordou com a bagunça e latiu, querendo brincar, e os dois correram de volta ao quarto, fugindo do cãozinho traquinas.
Acabaram em um novo banho juntos, dessa vez mais comportado, e caíram novamente na cama, após trocarem os lençóis. Porém estavam tão cansados – depois de um dia sem parar um minuto, do sexo, da guerrinha na piscina –, que capotaram sem forças para mais nada, abraçados sob uma colcha que o André pegou.
“Tu acabou com as minhas energias, loiro.” Fafá murmurou sonolento, abraçado ao André, a clássica conchinha. André preferia dormir sem aquele encosto, mas apreciava o calor, e de qualquer maneira o Fafá era grudento. Mesmo que pedisse, ele acabaria o abraçando depois de dormir.
“Cala boca que não é tu que não vai conseguir caminhar direito amanhã.” André resmungou, naquele seu tom arrastado e mal-humorado, mas acabou sorrindo quando o Fabrício riu. Aconchegou-se mais ao moreno, bocejando.
“Mas eu não te machuquei, né?” Fabrício parou como se pensasse nessa possibilidade apenas agora. Seu rosto se encheu de preocupação enquanto abraçava protetoramente o loiro. “’Tá doendo agora?”
“Larga minha bunda!” André afastou a mão que foi tentar acariciar a região, enquanto o outro soltava uma risada. “Não machucou não... Agora deixa eu dormir.” Disso e se acomodou de vez, fechando os olhos.
Arrepiou-se com o beijo no ombro que recebeu, e mais alguns carinhos que ele continuou fazendo, lentos.
“Feliz aniversário.” Fabrício sussurrou em sua orelha, e o André encolheu o ombro, sem jeito com o tom, mas ainda abriu os olhos e mirou o namorado, dando o último selinho da noite nele.
Não importava o que viesse dali para frente.
Henrique estava certo, ele amava aquele moreno babaca e por ele enfrentaria qualquer provação.
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