Good Night, Piper

1 Boa Noite, Piper


Notas iniciais
Obrigada Modified Universe (Fuck Designs) pelo Banner de Capítulo e Tremaine (tu me surpreendeu, garota) pela lacradora capa maravilhosa. Estive escrevendo esse capítulo nos dia em que estive bem inspirada, para que saísse bom. Espero que goste deste capítulo, pois provavelmente terá um outro one como parte dois. Espero que leiam, gostem e comentem a sua opinião (negativa ou positiva). Alguns autores ficam desanimados por falta de comentários, e eu espero que isso não ocorra comigo. Era só isso mesmo. BOA LEITURA!!

Quando saí do interior para a cidade grande, não pensei que moraria no Fusca velho de meu pai. Eu estive pensando em comprar um apartamento ou alugar uma casa, mas a realidade quis que eu morasse naquela lata-velha caindo aos pedaços.

Eu não estava nem uma semana na cidade, quando, em uma manhã de agosto, duas batidas na janela do carro me acordara. Pensei que talvez seriam assaltantes — eu até achava que estavam demorando demais para fazerem uma visitinha no meu humilde "conversível " — ou policiais — sendo que eu estava num estacionamento de supermercado. Minha surpresa foi ver uma garota desconhecida olhando para mim.

Seus cabelos eram negros como a noite. No entanto, seus olhos eram claros, e estavam cercados por um lápis de olho intenso. Ela era linda. Usava uma coroa de flores negras.

Um verdadeiro paraíso.

Achei que seria um sonho. Pisquei os olhos uma, duas, três vezes e nada. Era real. Me levantei do banco e abri a porta. A garota se afastou. Quando finalmente saí do carro ela me perguntou:

— Você tem um isqueiro?

Balancei a cabeça positivamente e me virei para dentro do carro. Quando tornei a olhá-la, entreguei-o para ela. A garota me agradeceu e sacou uma caixa de cigarro. Selecionou um com toda delicadeza e guardou a caixa. Pôs o cigarro na boca e acendeu o isqueiro.

— Pega. — disse ela, erguendo o isqueiro. Eu o peguei e guardei no bolso da calça. — Quer um?

— Eu não fumo. — respondi com sinceridade.

Meus pais disseram que, caso eu me tornasse fumante, nunca mais iriam querer olhar para a minha cara. Essa promessa ainda está válida.

— O que está fazendo aqui? — a garota perguntou enquanto liberava a fumaça.

— Dormindo.

— Percebi.

Ela se encostou no carro.
— Como se chama, garoto? — ela quis saber.

Falou "garoto" como se fosse uma pessoa mais velha.

— Colin. — respondi.

Eu realmente quis acreditar que ela não tinha nenhum Death Note ou algo do tipo. Mas ela não tinha meu sobrenome e existiam outros Colin no mundo.

— Sou Piper. — ela sorriu.

Pareceu que fora uma eternidade, mas passou-se apenas minutos. Quando o cigarro acabou, ela o jogou no asfalto e pisou.

— Tenho que ir. — despediu-se ela.

Assenti com a cabeça e observei seu caminhar. De longe, a vi dobrar a esquina e sumir.


Pensei que nunca a veria de novo. Mas não foi o que aconteceu.

No dia seguinte, quando eu estava no supermercado fazendo algumas compras, eu a vi selecionando um monte de guloseimas e as colocando no carrinho. Ela nem tinha percebido a minha presença até nos encontrarmos no mesmo corredor.

— Ah, oi, Colin, não é mesmo? — ela me cumprimentara.

Piper sorriu para mim e empurrou seu carrinho na minha direção.

— Oi, Piper. É bom te ver. — a cumprimentei de volta.

Piper estava sorridente. E eu não sabia mais o que falar. Meus poucos relacionamentos não me deram muita experiência sobre garotas.

— Digo o mesmo. — respondera ela.
Piper olhara para o meu carinho e finalmente notara meus pacotes de chips, três latas de pêssego em calda e dois pacotes de amendoim torrado.

Ela não falou nada. Apenas levantou o olhar para mim de novo e continuou sorrindo.

— Você é um pouco estranho. — comentou.

— Obrigado, eu acho. — respondi, desviando o olhar por apenas alguns segundos.

— Vi seu carro no estacionamento. Você está morando mesmo aqui? — quis saber Piper, empurrando o carrinho de leve para frente e para trás.

— Não tenho outro lugar para ir.

— Podemos comer algumas porcarias ouvindo rádio?

— Claro.

Pensei que ela estivesse jogando charme em cima de mim, como algumas garotas fazem. Mas a Piper realmente queria me conhecer e estava disposta a passar uma tarde agradável comigo. E assim, lá estávamos nós: rindo, ouvindo músicas sobre amores perdidos, comendo doces — provavelmente, construindo um futuro diabético também — e comparando as pessoas da rua com personagens de filmes e sagas.

— Aquele parece o Harry Potter. — disse Piper apontando para um cara que havia passado. — Só falta os óculos redondos e as listras da Hogwarts no cachecol cinza.

— Se tivesse listras vermelhas, ele seria um bom cosplay de Henry, de Once Upon A Time.

Piper riu e pôs um pirulito azul na boca.

— Aquela dali parece Bella Swan, não é?

Piper apontou para ela.

— É. Ela seria uma dublê maravilhosa.

Dito isso, virei o pacote de jujubas em minha boca e mastiguei o máximo que consegui.

Ficamos o resto da tarde conversando e rindo. De noite, Piper disse que teria de ir e deixou o que sobrou dos doces para mim. Os comi durante a madrugada, enquanto pensava nela.


Eu nem sabia que Piper voltaria no dia seguinte. Ela me encontrou no horário de almoço, quando eu estava sentado no capô, bebendo coca-cola e comendo um hambúrguer. Ela se aproximou e sentou-se ao meu lado.

— Por que mora em um Fusca? — fora a primeira coisa que falou, quer dizer, perguntou.

— Não tive muita sorte nessa cidade. — respondi depois de um grande gole na Coca-Cola.

— Não é daqui?

— Não. Sou do interior.

Ela ficou um pouco em silêncio. Esperou eu terminar de comer e, enfim, perguntou:

— Podemos andar um pouco de carro?

Balancei a cabeça positivamente.

Piper me disse que conhecia um lugar incrível onde não há muitas pessoas nem policiamento. Era um típico lugar, dito por ela, para "aquecer o motor".
Só que meu velho Fusca não era uma Ferrari nem nada. Mas até que conseguimos receber uma boa rajada de vento no rosto.

Piper ficou em silêncio durante o passeio. Me peguei olhando para ela de vez em quando e tentava desviar o olhar. Aprendi a gostar do seu silêncio. Ele podia dizer mais do que uma simples tarde de conversas.

Quando Piper pediu para parar, estávamos na praia. Ela disse que não teria nenhum problema em deixar o carro no meio fio. Atravessamos a pista e, antes de eu perceber, já estávamos na areia.

— Não tem ninguém aqui. — notei.

— Ninguém nunca vem aqui. — contou Piper.

Eu olhei ao redor e fiquei vendo a paisagem. Quando tornei a olhar para Piper, ela estava se despindo para entrar na água.

— Você vai entrar? — perguntei o óbvio.

— Claro. Por que não? — ela gritou e jogou suas vestes em mim.

Ela não estava com roupas de banho, e sim, íntimas. Fiquei deslumbrando o seu corpo até que ela me olhou com uma pitada de sensualidade.

— Não vai entrar?

Senti meu coração sair pela boca e me imaginei beijando Piper. Ela era linda e ainda sabia como mexer com o coração de alguém.

Eu não podia recusar o seu chamado. De imediato, me livrei das minhas roupas e entrei no mar com Piper.
Ficamos na água por muitos minutos até que nos cansamos. Sentamos na areia da praia e observamos o pôr-do-sol. Piper apoiou sua cabeça em meu ombro e disse:

— Eu gosto de você, Colin. Você me faz sentir livre.

Eu pensei no que aquilo poderia significar. Se ela realmente gostava de mim, era mútuo. Porque eu comecei a ter uma pequena atração por aquele ser humano maravilhoso.


No dia seguinte Piper apareceu outra vez. Ela estava com um vestido preto de renda e um coturno. Estava linda de uma maneira que eu queria tê-la para sempre. Ela me chamou para o cinema e eu topei. Assistimos o filme e ela até segurou minha mão.

No outro, ela quis conversar tomando sorvetes. Falamos sobre coisas das quais gostamos e ainda nos melamos com sorvetes. Depois desse dia, ela quis conversar sobre infância. Trouxe umas fotografias de criança e ficamos as observando no meu carro.

Todos os dias Piper viera, por quase um mês. Até que a mesma faltara uma semana sem me visitar. Fiquei preocupado, já que eu havia me acostumado com sua presença e até com o seu silêncio.

Piper havia se tornado algo de mim. Minha melhor amiga, da qual eu nutria sentimentos superiores.

Eu gostava de estar com Piper. Ela sorria demais e ainda gostava de dizer o quanto gostava de mim. Eu não queria gostar dela daquele jeito. Mas estava ficando impossível não me perder no seu olhar gracioso. Eu estava me apaixonando por Piper.

Uma garota da qual eu pouco conhecia.

Uma garota encantadora.

Uma garota que seria a minha melhor lembrança, no futuro.

Porque, de alguma forma, eu sentia que uma hora ela iria ir embora. Piper não ficava muito tempo na mesma onda, ela queria conhecer o mundo. E eu não era o mundo. Eu era um pedaço dele. Um pedaço do qual Piper já estava explorando, conhecendo, descobrindo. E logo ela iria se cansar. Partiria para outra.

Mas eu quis acreditar que não. Prometi falar sobre o que sentia para Piper, quando eu a visse outra vez.

Eu comecei a acreditar que ela me amava também. Que ficaria comigo até seu último suspiro de vida.

Era o que eu mais queria acreditar.

E, uma semana depois, Piper apareceu. Ela me chamou de "garoto" de novo e me acordou.

— Preciso da sua ajuda. — dissera ela.

— Diga. — pedi.

— Namore comigo.

O Sol estava fazendo de tudo para que eu despertasse, mas estava mais na cara que eu ainda estava dormindo. Piper real nunca falaria isso para mim. Por isso, não me surpreendi. Dei-me um beliscão, porém nada mudou. Eu senti a dor e não acordei. Não era sonho algum.

— Namore comigo, Colin. — ela repetira.

— Mas...

— Minha família — ela me interrompeu. — está enchendo o saco para eu arranjar um namorado. Preciso que venha no jantar de hoje a noite e aja como meu namorado. Te garanto que depois dessa noite será oficial.

— Estaremos namorando? — perguntei com o coração acelerado.

Piper sorriu para mim e tirou uma mecha do meu cabelo do rosto.

— Com certeza. Mas, antes... Teremos que fazer umas compras. Não poderá vestir camisas xadrez.

— Por que não?

— Digamos que a minha família é exigente...

Eu a fitei melhor e concordei.


Já devia ser quatro da tarde quando Piper me obrigou a tomar banho em uma pousada perto dali. Eu sempre fazia minha limpeza pessoal nessa pousada, mas Piper disse que naquele dia eu deveria caprichar.

Fomos para um shopping e entramos em várias lojas. Piper insistiu em pagar e uma hora eu tive que aceitar. Conclui que Piper deveria ter bastante dinheiro porque ela sempre pagava quando saíamos e ela não economizava muito.

Depois de comprar algumas peças de roupas, entrei no banheiro e me vesti. Piper aprovou o visual e beijou-me a bochecha.

— Temos que ir. Já estão nos esperando. — ela falou na saída.

Entramos no meu bom e velho Fusca e partimos para a casa dela. Piper não me falou que morava em uma mansão, por isso fiquei espantado quando estacionei. Perguntei várias vezes se não tínhamos ido para o lugar errado, mas Piper disse que não.

Quando atravessávamos o jardim, vimos um cara sentado na escadinha da casa fumando. Ele olhou para nós e não falou nada. Piper que teve de falar.

— Para de me olhar assim, Jimmy. — ela falou, parando na frente do rapaz.
Fiz o mesmo, já que estávamos de mãos dadas.

— É James. — ele respondeu rudemente com uma baforada de fumaça. — Meu nome é James, esqueceu-se?

— Claro que não, Jimmy... — provocou Piper.

— Quem é esse? — perguntou o rapaz, ríspido e frio, apontando para mim com o cigarro.

— Colin, meu namorado. — Piper acariciou o meu braço.

— O que falei sobre isso? Nada de namorados. — ele disse.

— Que pena que você não é meu pai. E mesmo que fosse, eu não obedeceria mesmo. — Piper bagunçou o cabelo dele sorrindo e começou a subir as escadas.

— Prazer.— levantei minha mão para ele apertar.

Jimmy olhou para a minha mão e pôs o cigarro na boca. Quando o tirou de lá, riu e disse:

— Tanto faz. Boa sorte com este retardado, Piper.

E se levantou. Eu não sei direito o que aconteceu ali. Só me lembro de vê-lo ir para a lateral da casa.

— Vem, Colin. Não fale com ele, Jimmy é doente. — Piper me puxou para a escada.

Ela abriu a porta e adentramos no local. Ouvimos uma melodia no piano enquanto andávamos atrás das pessoas. Quando fomos para a sala de visita, quase todos estavam ali.

— Piper!— um grisalho de quarenta e tantos anos cumprimentou-a. — Trouxe seu namorado? Vem, vamos comer.

Ele nos guiou para a mesa enorme que ali estava. Estavam cerca de oito pessoas á mesa conversando, rindo e criticando umas às outras.

— Meu nome é Stephen, sou pai de Piper.

— Prazer, senhor, sou Colin — ergui minha mão para o mesmo apertar.

— O prazer é meu, rapaz. — ele falou apertando minha mão. — Sente-se ao lado de Piper.

Fiz o que pediu. Ele sentou-se na ponta da mesa, e ao se lado esquerdo, se encontrava uma atraente mulher. Provavelmente era a mãe de Piper.

— Tudo bem. Vou te apresentar todo mundo. — Piper sussurrou em meu ouvido. — Ao lado de meu pai está Lisa, a minha madrasta e mãe de Jimmy.

— O que estava do lado de fora? — sussurrei também.

— Exatamente. — ela confirmou. — Provavelmente ela vai dizer que adorou o corte do seu cabelo. Meu pai é o mais normal de todos, mas vai fazer perguntas íntimas de nós dois e você não precisa responder. Do outro lado de papai, está Tommy. O nome dele é Thomas, mas eu o chamo de Tommy. Ele é primo de Jimmy e mora aqui porque a mãe o expulsou de casa por ser gay. Aquela senhora ao lado de Tommy é Abby, a mãe de meu pai e minha avó. Ela adora chocolate e vai te oferecer. Não aceite. Se aceitar, depois ela vai insistir que você roubou e vai sair gritando em tudo quanto é lugar.

— Sério?

— Eu não estou brincando. Ao lado da vovó está o tio Tony. Eu o apelidei assim também, seu nome é Anthony. Ele é irmão de papai e é louco pela revista playboy. Ele vai jantar vendo uma, não o fite. Ele vai implicar com você por isso. Tem uma cadeira vazia ao lado de Tony, é de Jimmy. Ele é rebele, pocessivo e ciumento. Ao seu lado está Clarice, ela é sobrinha do papai e melhor amiga de Tommy, mas eles brigaram.

— Mas...

— Deixe-me terminar. — me interrompeu. — E por fim, o vovô Roland. Ele gosta de contar histórias, mas dorme no meio delas e inclusive no jantar. Mas não tem nenhum problema. É isso. — Piper se levantou, pegou uma taça e a jogou no chão. Toda a sala fez silêncio, fitando Piper. — Este é Colin, meu namorado.

— Finalmente, Piper! — gritou a Lisa.

— Eu vi a hora de eu arranjar uma noiva e você não namorar. — Tommy comentou.

— Você nunca vai arranjar uma noiva.— respondera Piper.

— Por isso mesmo. — ele deu de ombros.

Uma empregada apareceu e livrou o chão dos cacos.

— Que rapaz adorável, quer chocolate?— Abby perguntou para mim, erguendo a barrinha.

— Não, obrigado.— respondi.

— Adorei seu corte de cabelo, Colin. — falou Lisa.

— Obrigado.— agradeci.

— Não quer mesmo chocolate? — Abby tornou a perguntar.

Fiz que não com a cabeça.

— Você e Piper já dormiram juntos? — perguntou Stephen, o pai de Piper.

— Não, não, senhor. — respondi.

De repente todos jogaram turbilhões de perguntas para mim e ficou difícil acompanhar e até ouvir.

Quando a empregada voltou com outra taça, Piper a jogou outra vez, porém na parede. E todos pararam e a olharam.

— O namorado é meu, não de vocês. — ela disse.

Naquele exato momento, Jimmy entrou na casa totalmente molhado. Ele caminhou pela sala e todos os olhares pararam nele. Quando andava, seu tênis fazia aquele barulho irritante de quando está molhado. E antes de subir as escadas, ele virou-se para nós e disse:

— Eu caí na piscina.

A sala continuou em silêncio até ele subir as escadas. Depois, todos voltaram a conversar.

Stephen fez sinal para que trouxessem a comida e finalmente o jantar começou. A partir daquele momento, todos pareciam normais para mim. Me fizeram várias perguntas e respondi. A comida estava boa e Piper me tratou com carinho. Não me chamou de "garoto" em nenhum momento, um alívio.

Quase trinta minutos depois, Jimmy desceu as escadas. Ele estava com o cabelo arrumado e estava com roupas diferentes de quando o vi lá fora. Ele sentou-se na mesa em silêncio e comeu a comida dele.

Quando terminamos a sobremesa, fomos para uma sala diferente, mais perto da cozinha. Tinha um piano perto da janela e um conjunto de sofás no meio. A família estava ali, conversando e rindo outra vez. Lisa estava na cozinha preparando cookies especiais e Jimmy estava a ajudando. Sentei em um dos sofás bebendo refrigerante e coloquei o copo na mesinha de centro.

Piper, que havia ido ao banheiro, aproximou-se e sentou em meu colo. Em seguida, ela me beijou.

A primeira vez que me beijava nos lábios. E foi maravilhoso, porque consegui sentir o seu gosto. E naquele momento, acreditei que Piper gostava realmente de mim. Porque eu gostava dela, mas eu não queria me machucar.

Quando estávamos nos conhecendo, Piper me contara sobre seus antigos amores. E percebi que, em certos momentos, ela fora insensível. Ela partira tantos corações que era difícil contar.

Por isso que naquele momento eu fiquei feliz. Porque podia ser que Piper realmente gostasse de mim. Fiquei receoso depois, porque aquilo poderia não ter futuro e eu fosse apenas um brinquedinho para ela.

Me pareceu que aquele beijo não teria fim, mas teve. Quando se afastou, Piper sorriu para mim. Se levantou e foi para a cozinha, deixando-me com a respiração ofegante e uns pensamentos preocupantes.

Eu percebi que meu coração batia estranhamente acelerado quando eu olhava para a cozinha, procurando Piper com os olhos. E sim, naquele momento eu consegui confirmar o que me deixava preocupado. Mas eu não aceitei. Não queria que aquilo tivesse acontecido.

— Não, não, não. Eu não quero que seja amor. Que seja tudo menos amor. — sussurrei para mim mesmo.

Era como se fosse um lema. Eu não podia estar apaixonado por Piper. Mas já era tarde demais…

Ela voltou com um sorriso e uma barra de chocolate. Sentou em meu colo outra vez e comeu comigo enquanto falava sobre uma série britânica de fantasia.

Não consegui ouvir o que dizia, eu avaliava seus olhares, gestos e expressões. Tudo parecia verdadeiro. Ou eu simplesmente era péssimo em saber se algo é falso ou não.

Eu nem notei quando ela me perguntou algo, mas bastou falar meu nome para eu acordar do transe.

— Sim?

Ela suspirou e passou os dedos entre os fios do meu cabelo.

— Deixa para lá.

Ela sorriu e me beijou. Bem mais intenso que da outra vez; Piper me fez despertar um grande desejo de tê-la para mim. Acariciando meu cabelo, ela pegou minha mão e a direcionou para debaixo da sua saia preta.

Aquele não era o lugar para aquilo, então, aos poucos, comecei a retirar minha mão dali. Piper percebeu, a pegou de novo e a levou mais fundo ainda. E eu pude sentir o que se passava ali, embaixo dela.

Um som estridente de metal caindo nos atrapalhou, e à todos que estavam na sala. Tirei minha mão do exterior da calcinha de Piper e dirigi o olhar para a fonte do barulho: uma bandeja de prata caída no chão, cheia de cookies. Jimmy estava atrás da bandeja, com um olhar assustado e perdido; olhando para Piper e eu. Sem expressão alguma, ele estava olhando para nós.

— Que desastrado! — gritou Abby.

— Ei, Anthony — Tommy o chamou. —, você me deve cinquenta dólares!

— Está erradíssimo, companheiro. Nada aconteceu aqui. Não foi dessa vez! — responde Tony, rindo.

— Relaxa, a noite ainda não acabou... — disse Tommy.

Do que eles estão falando? Uma aposta?, pensei.

Jimmy recolheu a bandeja, a levou para a cozinha e correu para a sala anterior, onde tinha as escadas.

— Quer conhecer o meu quarto? — perguntou-me Piper, ignorando o que acontecera ali.

Concordei com a cabeça e a segui. Subimos as escadas e o último quarto do último andar era o dela.

Não era muito especial aquele quarto, mas tinha uma sacada e um painel de fotos grudado na parede. Eu queria olhar os objetos — como um skate num canto esquecido, DVDs empilhados ao lado da porta do closet e até alguns livros distribuídos em todos os cantos do quarto —, mas Piper me abraçou por trás e encontrou o cinto da minha calça.

Quando olhei para baixo, ela já estava abaixando o zíper. Mas é claro que ela me chamara em seu quarto com outras intenções.

Eu me afastei, virei-me para ela e fitei seus olhos. Ela estava sorrindo, como sempre. Não percebi quando ela desligou o interruptor, mas a luz foi embora. Apenas o escuro do quarto e a luz do luar vinda da sacada. Senti duas mãos em meu peito me empurrarem, e eu caí na cama. Piper ficou em cima de mim, me beijando.

Ela tirou a jaqueta, a blusa e o sutiã, mostrando-me o que tinha para oferecer. Seu corpo estava sendo iluminado pelo o luar, o que me deixou mais excitado. Ela pegou minha mão, igual como a pegara poucos minutos antes, e a introduziu dentro de sua calcinha. Piper me olhou com aqueles olhos incríveis e sedutores. Me beijou outra vez e praticamente implorou para que eu a possuísse.

Depois disso eu tive a melhor noite da minha vida. A noite em que deitei-me com alguém pela primeira vez. Com alguém que eu amava e que, depois de tudo aquilo — dos beijos, dos carinhos, gemidos, carícias, arrepios e toques —, tive certeza que também me amava.

Eu me senti pronto para te dizer. Senti que poderia entregar meu coração à Piper e que ela faria bom uso dele. Eu me senti a pessoa mais feliz do mundo.

E com sua cabeça em meu peito nu, sua respiração pouco regular, meus braços ao seu redor e um edredom nos cobrindo; senti que Piper realmente gostava de mim. Mas eu queria saber se me amava. Então eu beijei-lhe a testa e sussurrei:

— Eu te amo, Piper.

Ela olhou para mim e sorriu.

Pronto, é agora!, pensei.

— Eu sei disso. — ela me respondeu.

Eu não esperava que me dissesse aquilo. Um "eu também te amo" seria perfeito. Mas ela não falou isso. E quando enchi o peito de ar para perguntar se me amava, duas batidas na porta me interrompeu.

— Se vista. — Piper me pediu enquanto se levantava.

Sua saia voltou ao devido lugar, sua blusa também, sua jaqueta e...
... sua calcinha.

Tentei ser rápido, mas quando Piper abriu a porta, eu ainda estava vestindo a camisa.

— Oi, Jimmy, perdeu alguma coisa? — perguntou Piper.

Olhei para a porta e o vi plantado ali, com a mão direita oculta, atrás do seu corpo. Jimmy era estranho. Seu olhar vazio, seu cabelo loiro caindo no rosto e uma postura um tanto anormal. Mas ele é irmão postiço de Piper e eu devia gostar dele, nem que fosse um pouco.

Me levantei e caminhei até a porta, ao lado de Piper.

— Sai daqui, Piper.— disse Jimmy, sem olhar para ela, mas para mim.

E aqueles olhos estavam cobertos de fúria e ódio. Jimmy não estava bem.

— Sair? Por que eu sairia? Aqui é meu quarto, seu imbecil. — respondeu ela.

— Sai daqui, Piper. — Jimmy repetiu.

— Não, não vou. — decidiu-se ela.

Jimmy engoliu a seco e sorriu de maneira rápida.

— Não importa. Vou conseguir do mesmo jeito. — ele deu de ombros e revelou a sua mão, que até então, estava escondida.

Conti um grito de susto ao ver uma pistola apontada para a minha cabeça. Era certo, Jimmy queria me matar. Mas, por quê?

— Ai, meu Deus, Jimmy, abaixa essa coisa! — pediu Piper, segurando-lhe o braço esquerdo.

Jimmy sorriu para mim. Um sorriso doentio e anormal. Parecia se divertir com aquela situação. Pareceu adorar a minha expressão.

— Eu te prometo, Colin. Não vai doer nada. — disse.

E atirou.

Mas fui rápido o bastante para me abaixar. Enquanto estive no chão, ouvi Piper gritar e falar palavrões. Ergui o olhar e me surpreendi ao ver Piper em cima de Jimmy, segurando seus braços, e sua pistola com, no mínimo, um metro de distância deles.

— Piper, vamos embora! Sai de cima desse maluco e vamos embora! — gritei para ela.

Segurei seu pulso e a puxei. Analisei a situação e deduzi que não poderíamos sair pela porta, ou Jimmy seguraria nossas pernas e seria nosso fim. Então eu apenas a puxei para a sacada enquanto Jimmy levantava e procurava a pistola calibre-não-sei-o-quê.

Olhei para baixo e, por sorte, poderíamos pular na piscina. Piper achou uma má ideia, mas ela aceitou quando viu Jimmy recuperar a pistola.

Subi no cercado da sacada junto com Piper. Ela olhou para mim e depois para baixo. Engoliu a seco e respirou fundo.

— Você não vai escapar, Colin. Você com certeza não vai escapar. — disse Jimmy atrás de nós.

Eu não sabia se descia, chorava e me rendia à morte, ou simplesmente confiava na minha droga de sorte. Fiquei receoso e paralisei, mas Piper pulou e me puxou junto.

Neste momento, tudo para mim foi em câmera lenta: Jimmy na sacada, atirando na nossa direção, Piper voando com seus cabelos ao vento, as balas passando direto por nós — Jimmy, com certeza, não sabia atirar muito bem — e aquela água quase transparente cada vez mais perto de nós dois.

Eu ia morrer. E comecei a aceitar isso antes que fosse tarde demais. Eu iria morrer. Mas Piper não precisava morrer comigo. Então a abracei completamente. Porque, caso viesse alguma bala, eu morreria e não ela.

Mas, enfim, caímos na água abraçados. Fiz de tudo para segurar o ar por mais alguns segundos, mas o ser humano não pode respirar debaixo d'água; por isso, fui obrigado a me encontrar com a superfície. Olhando para o alto, não vi Jimmy em nenhum lugar.

— Maldito insano filho de uma... — esmurrei a água.

— Temos que sair daqui, Colin. — avisou-me Piper.

Atrás dela, seus familiares vinham correndo, querendo saber o que acontecera.

— O que houve? — Lisa foi a primeira a perguntar.

O que houve, minha senhora, pensei, que seu filho é um insano psicopata que deveria estar em um hospício, numa sala branca, sem objetos, sozinho e com uma camisa de força para assegurar que todos no mundo estão bem.

Piper explicou rapidamente para eles, que recomendaram que saíssemos da mansão antes de Jimmy perder a cabeção outra vez.

Stephen me deu bastante dinheiro para um hotel — ou talvez uns dez, porque foi muito dinheiro — só para passarmos algumas noites e um "boa sorte" preocupado para nós dois. Piper e eu saímos correndo dali. Nosso plano era encontrar o meu Fusca e fugir, mas as circunstâncias não eram favoráveis.

Ele estava pegando fogo. O carro do meu pai.

O carro em que, com doze anos, eu aprendera a dirigir, pensando que atrairia as garotas. O carro que, aos domingos, eu sentava, colocava os pés nos painéis e ouvia músicas obscenas com o meu irmão. O carro que meu pai usou para me levar para o hospital quando eu quebrei a perna. O carro que tinha aquele cheiro de campo, o cheiro da minha casa. O carro de meu pai. O meu carro.

Que, naquele momento, estava sendo incendiado. E eu apenas fiquei observando. Piper me puxava pelo braço, gritava palavrões e implorava para eu partir. Mas eu fiquei parado, olhando para o meu carro. O meu belo carro incendiado. A droga da minha lata-velha.

— Por favor, Colin. Temos que ir! — ela me puxou. Eu a deixei me levar.

Era só um carro, afinal, não tinha muito valor. As lembranças vinham pela minha cabeça e me desliguei do mundo, ficando no modo automático. Piper me puxava, e eu a seguia. Quando recuperei meu eu, estávamos numa mata. Não sei como fomos parar ali, mas estávamos naquela escuridão e não tinha por onde correr.

— Meu Deus, Piper. Vamos nos ferrar aqui! — comentei a seguindo.

— Eu cresci aqui. Logo chegaremos em um lago e do outro lado dessas centenas de árvores há uma boate e uma rua pouco movimentada. — ela me respondera.

Eu não queria pensar na possibilidade de Jimmy estar nos espionando na mata e pronto para atacar. E essa tal rua? Será que ele estava nos esperando também? Eu não sabia. Na verdade, eu não sabia de nada. Eu só sabia que Jimmy queria me matar. Mas por quê? Por que ele queria me matar? Eu estava pronto para descobrir.

— Piper. — a chamei.

— Sim? — ela olhou para mim.

— Por que Jimmy quer me matar? Ele não tem motivos, têm? — perguntara eu.

Piper ficou em silêncio enquanto caminhava. Segundos depois, ergueu o dedo indicador para frente e exclamou:

— Olha, o lago! — ela apressou os paços.

De fato, o lago estava lá. Mas havia algo estranho naquela Piper. Por que não respondera minha pergunta? Sabia de algo e não queria contar?

A garota tirou as vestes e ficou completamente nua. Piper era louca. Completamente louca. Pulou na água e mergulhou. Eu não quis entrar, então me sentei por perto e decidi tentar fazer teorias.

— Vem, entra. — me pediu Piper, com aqueles cabelos lindos molhados, os olhos brilhantes e um sorriso irresistível.

— Não, não quero. — respondi.

Piper saiu da água e se aproximou de mim, ainda sorrindo. Segurou a gola da minha camisa e me fez ficar em pé.

— O que aconteceu? — ela perguntou, olhando em meus olhos e próxima à mim.

— Eu estou sendo perseguido por um maluco e você acha que eu deveria nadar em um lago?

Piper ficou em silêncio — como sempre ficava — e se afastou para se vestir. Claramente estava aborrecida, mas eu não estava a fim de lidar com seu humor.

Por que um cara iria matar o namorado de sua irmã postiça? Seria até interessante pesquisar aquilo no Google mas eu estava sem internet.

Piper contornou o lago em silêncio comigo. Ela segurou a minha mão gelada e eu a abracei pela cintura. Peguei meu celular para tentar ligar para a polícia, mas ele estava descarregado. Piper nem estava com o dela, o deixara no quarto. E assim continuamos.

Logo encontramos a tal boate da qual Piper mencionara. Ela quis entrar, mas eu me recusei. Ficamos um tempo discutindo a situação até vermos Jimmy no final da rua vasculhando os arredores com os olhos. Instintivamente, tirei minha identidade do bolso e a mostrei para o segurança. Piper fez o mesmo — estava em sua jaqueta — e corremos para dentro.

A música estava alta e as pessoas estavam nos empurrando. Uma vez ou outra eu perdia Piper de vista, então segurei sua mão para não nos afastarmos um do outro. Ela me levou para o bar e pediu duas bebidas com um nome desconhecido para mim até então.

Percebi-a lançar alguns olhares furtivos para o barman, mas ignorei. Piper estava começando a agir de acordo com minhas primeiras expectativas e eu queria que isso não continuasse. Depois de pegar as bebidas e a virarmos de uma vez para dentro do nosso corpo, Piper me fez um convite para dançar. Ela me pediu para esquecer Jimmy e foi assim que fiz.

De uma maneira divertida, a gente dançava. Eu a adorava vê-la sorrir, como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Trocávamos beijos alguns beijos e aquelas pessoas ao nosso redor se tornaram apenas pessoas. Estava tocando música eletrônica, mas era como se estivesse tocando uma lenta, porque eu e Piper dançávamos abraçados, sentindo o calor um do outro, o cheiro e o amor.

Sua cabeça estava em meu peito e — eu nunca em minha vida vou esquecer esse momento — seus braços envolviam meu corpo. Com a cabeça baixa, em seu pescoço, eu sentia o cabelo de Piper em meu rosto e gostava. O mundo estava em câmera lenta, outra vez. E eu desejei que essa câmera lenta nunca acabasse.

— Eu te amo, Piper. De verdade. — confessei.

— Eu também. — ela respondera, ainda com a cabeça em meu peito.

Depois de vários minutos assim, decidi ir ao banheiro. Piper concordou e disse que iria pegar outra bebida. Perguntei se queria dinheiro e ela me respondeu que tinha tudo dentro daquela jaqueta e me deu uma piscadela.

Quando entrei no banheiro, depois de fazer o que eu tinha que fazer, joguei água no rosto e o sequei. Me olhei no espelho e arrumei meu cabelo. Com certeza a noite no hotel prometeria, pois eu estaria com Piper.

Respirei fundo e saí do banheiro. Procurei Piper pelo bar, mas não a vi. Olhei para a multidão e não a encontrei.

— Ei, você viu a garota que estava comigo? — gritei para o barman, já que a música estava alta.

Ele ergueu o indicador por cima do meu ombro e segui o seu olhar. Piper realmente estava ali mas...
... estava dançando com outra pessoa.

Eu fui me aproximando, tentando descobrir quem era. As pessoas se esbarravam em mim e aquela música estava me deixando com dor de cabeça. Com certeza o encanto da noite foi-se embora. E o que havia visto confirmou isso.

Piper estava abraçada com ele e o beijando. Ela estava o beijando com aqueles lábios perfeitos, aqueles lábios que estavam provando os meus momentos antes. Ela estava beijando Jimmy.

Eu não sabia o que fazer. Ver Piper com ele foi o mesmo que levar um tiro. E eu tenho certeza que, de alguma forma, se Jimmy tivesse conseguido atirar em mim no quarto de Piper, mais cedo; teria doído menos do que aquela cena.

E ela sorria para ele do mesmo jeito que sorria para mim. E Jimmy a beijava mais, ria e sussurrava coisas em seu ouvido; até uma pequena deslizada para dentro de sua saia ele teve a coragem de fazer. E ela deixou, como deixara eu fazer mais cedo. Seus dedos acariciavam a nuca de Jimmy enquanto o mesmo falava coisas engraçadas — ela estava rindo. Parecia que ela havia se esquecido de mim. Ou talvez nunca me conhecera.

Parei na frente dos dois, e ambos olharam para mim. Jimmy, com um sorriso provocante e cabelo no rosto; e Piper, com uma surpresa evidente em seu rosto.

— Com licença. — pedi em um tom frio. Jimmy me deu passagem, mas Piper continuou parada. — Pode sair do meu caminho, moça?

— Colin... — ela começou.

— Sabe o meu nome? — fingi não conhecê-la. Minha voz estava falhando e eu não queria que pensassem que eu estava abalado. Porque eu estava.

— Sinto muito. — foi o que ela disse.

E esse "sinto muito" mal-amado mudou muito o que eu estava sentindo. Mudou tudo o que eu estava sentindo. O único problema foi que mudou na cabeça de Piper, que falou isso com se fosse um remédio para matar todas as dores e curar todas as doenças.

— Você não sente. — respondi. — Se sentisse, não estaria com ele.

— Eu e Jimmy nos amamos. — revelara.

Fiz uma expressão de quem acredita e balancei a cabeça positivamente.

— Parabéns para vocês dois. — disse eu. — Eu nem sei o que falar. Mas tenho uma pergunta: você faz com ele o que faz comigo?

— Não, cara. Ela faz melhor. — Jimmy respondeu sorrindo.

Eu nem sei o que aconteceu depois disso. Só me lembro de estar em cima de Jimmy, o esmurrando. A pessoas gritavam: "briga, briga, briga!". Outros imploravam por um fim daquilo. Mas eu estava adorando bater em Jimmy. Em diversos momentos, ele também me batia. Mas o prazer de estar ali, fazendo-o sangrar, cobria a minha dor.

Braços fortes me puxaram de cima de Jimmy. Só pude dar mais um chute em sua barriga antes que alguém me tirasse da boate e me jogasse na sarjeta. Era um segurança e me deu um sermão cheio de nomes feios. Minha cabeça estava girando e eu decidi sentar-me, em vez de ficar deitado. Minutos depois, Jimmy saiu com o rosto ensangüentado e o mesmo sorriso no rosto.

— Eu consegui a garota, otário. — ele cuspiu antes de caminhar pela rua.

Piper apareceu atrás de mim e perguntou-me se eu estava bem.

— Estou ótimo. Nunca estive melhor. — respondi com sarcasmo.

Jimmy parou de andar e olhou para nós.

— Vem logo, gatinha! — gritou ele.

Piper olhou para ele e depois para mim.

Talvez tenha sido por isso que ele tentara me matar: como Piper havia dito, ele era possessivo e ciumento. Talvez tenha se envolvido com ela e não aceitava o fato dela estar com outro alguém, como eu sempre via nos telejornais. Mas e Piper? Ela realmente queria ficar com ele? Ela disse que o amava; era verdade?

— Sabe qual é o problema, Piper? — perguntei me levantando. — É que fui ingênuo. Aposto que me conheceu de propósito. Que ficou me observando durante dias para depois dar o bote.

— Você sabe que não foi isso! — exclamou.

— Isso não importa. O que importa é o motivo de ter e levado para sua casa.

— Eu queria que Jimmy soubesse que eu poderia ficar com outras pessoas sem ser ele. — ela tentou se aproximar e eu recuei.

— Eu não pensei que aquela garota pudesse ser essa. Tão linda, tão sensual, tão... Podre. Eu nem sei o que estou fazendo com alguém como você. — eu disse antes de andar para o lado oposto onde Jimmy se encontrava.

— Você me ama de verdade, não é, Colin? — Piper me fizera parar.

Eu gritei um "sim" na minha cabeça, mas fiquei calado.

— O maior erro do ser humano é esse: amar demais as pessoas que não o amam. — gritou Jimmy. Ele estava ouvindo tudo.

— Eu não quero saber de você nunca mais. — eu falei calmamente, de costas para ela. — Boa noite, Piper.

Eu voltei à caminhar e nenhum dos dois falaram exatamente nada. Ficaram olhando para mim enquanto andava e virava na curva da rua. Continuei andando, pensando que, á cada passo que eu dava, eu estava mais perto de esquecer Piper. Mas não foi o que aconteceu.

Eu não tinha ninguém e nada. Meus pais estavam á quilômetros de distância dali, meu carro já devia ter virado cinzas — por causa de uma garota! Jimmy é doente! — e eu não tinha nenhum lugar para ir, nem roupas para vestir. Mas eu tinha dinheiro. O dinheiro que Stephen me deu. Era suficiente para comprar até um apartamento pequeno. E talvez eu pudesse recomeçar a minha vida, sem Piper. Eu não teria o carro de volta, mas seria apenas eu contra o mundo. Como no início, antes daquela maluca aparecer e arruinar a minha vida.

E eu sabia que, aquele "Boa noite, Piper", foi um adeus. Eu nunca mais vira aquele rostinho bonito outra vez na minha vida. E tenho sorte pelo meu carro ter pego fogo e queimado nossas fotos juntos. Eu não agüentaria olhar para ela depois de tudo. Eu não culpo Jimmy, eu culpo ela. E fiquei feliz ao saber que não me procurou. O meu "boa noite, Piper" foi realmente um 'adeus'. Foi como se eu tivesse um brinquedo favorito e o colocasse dentro de uma caixa. 'Piper' ele se chamaria, assim como aquela garota.

— Boa noite, Piper. — eu diria ao colocá-lo deitado dentro da caixa. — Durma bem.

E assim, eu a tamparia e voltaria para a minha cama. E quando eu acordasse no dia seguinte, eu teria crescido e teria me esquecido de Piper. Por isso, o boneco nunca acordaria daquela caixa — que seria a parte mais esquecida do meu coração, a parte onde fica coisas ou pessoas que amei, mas que deixaram de ser valiosas parar mim — e eu nunca poderia me lembrar do quão bom foi brincar com aquele boneco e nem me sentir atraído à voltar no tempo.

Eu enterrei Piper num buraco vazio do meu coração. Nem lápide fiz, pois quando eu esquecesse dela, não gostaria de lembrar do seu nome. Mas aquela frase ficou grudada na minha mente por toda a minha vida. O meu 'adeus'. O meu...

... "Boa noite, Piper".

Notas finais
Ei, você pode deixar um comentário? Irei responder todos e leva menos de um minuto para escrever um. Espero que tenham gostado do one, porque eu gostei. Espero encontrá-los, na possível, segunda parte. Obrigada por ler e espero que tenham gostado. Beijos no core ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!