Good Life
1 O começo de um fim
Dias importantes costumam ser marcados por grandes alegrias, mas comigo ,Kendal Jones, foi diferente.
Todos estavam de pé, aplaudindo a entrada da noiva, eu caminhava devagar pelo corredor que se formou entre as cadeiras, sorrindo amarelo, no ritmo da marcha como havia sido combinado. Ele estava lá – seus cabelos grisalhos penteados para trás, seu sorriso largo e bonito ,seus olhos azuis que brilhavam mais que estrelas, vestido em um terno cinza, elegante como de costume – numa alegria que parecia não caber de meu pai, Paul Jones.
Lembrei-me de quando era pequena, é o vi aos prantos , praguejando ao vento,encarando o horizonte pela janela de nossa antiga sala lembro de tê-lo perguntado o que aconteceu e ele responder – tentando formar um sorriso – ela partiu nossos corações — e em seguida jurou que jamais me faria lembra daquele dia.
E naquela manhã ensolarada, no jardim de nossa casa vi aquele mesmo homem que chorava pela partida de minha mãe, espojar uma alegria ímpar.
Ao chegar ao altar entreguei as alianças a ele, abrindo caminho para a noiva que vinha logo atrás. Chole Cory. Ela vestia um longo vestido nude que arrastava no chão e caia perfeitamente em seu corpo alto e esquio, segurava um pequeno buque de rosas azuis, seu cabelo loiro estava preso em um coque.
Papai beijou o topo de minha cabeça. Sai dali e fui me juntar aos filhos de Chole, Dougie e Chad Cory, que a parti daquele dia seriam oficialmente meus irmãos postiços, e iriamos todos moramos juntos. O que me deixava aflita, pois não tinha uma boa relação com dougie, o filho mais novo, que tinha 18 anos assim como eu, inclusive estudávamos juntos, e já convivíamos a muito tempo, mas nunca tivemos uma relação amigável, já que ele sempre deixou bem claro me odiar. Chad que tinha 26 anos, era o filho preferido de Chole, e meu também, me alegrava o fato de irmos moramos juntos, ele era incrível, nos adoramos e nos tornamos amigos e confidentes. Alias, confidentes por minha parte, já que Chad era muito misterioso, e sempre desconfiei que ele escondia algo, mas isso não me impediu de ver nele um irmão mais velho, que sempre me ajudou quando precisei. E perto deles estava o Matt ,Matt Rice, o meu amor. O que dizer dele: não tenho palavras para descrevê-lo, só sei que o amo de uma forma incontrolável.
- Você estava linda — comentou Matt assim que sentei ao seu lado. Eu vestia um longo e justo vestido preto, que realçava meu corpo marcando minha cintura.
- Concordo com ele – foi a vez de Chad me deixar sem graça, sorri para os dois.
O padre começou todo seu sermão, que duraram alguns longos minutos para chegar à parte que importava.
- Paul Jones, aceita a senhora Chole Cory como sua legítima esposa?
- Sim – respondeu ele emocionado, ela abriu um largo sorriso.
- A senhora Chole Cory, o aceita como seu marido? – todos olharam para Chole que sorria, assentindo com a cabeça.
- Sim — depois disso, a troca de alianças foi feita.
- Então, pelo poder investido a mim, eu vos declaro marido e mulher – disse por fim o padre, todos aplaudiram em uma explosão de alegria que pouco me afetava. Mantive o semblante impassível, me sentia péssima por não conseguir enxergar pelo mesmo ângulo que papai. A verdade era que eu, simplesmente, era egoísta demais pra só pensar em meu mau relacionamento com Chole e Dougie que agora seriam minha família.
Chad estava ao meu lado esquerdo sério e concentrado no que ocorria no altar,ele estava lindo vestindo um terno preto, seu corpo definido deixava a roupa ainda mais linda, seu cabelo castanho jogado para trás e sua pose de lorde o deixava encantador. E ao meu lado direito estava Matt, que segurava minha mão, apertando-a sempre que eu fraquejava. Ele também vestia um terno preto, o que o deixava ainda mais lindo e realçava seus olhos azuis que mais pareciam o mar.
Estava tão vidrada em observar os noivos, que ao sentir alguém atrás de mim, puxando de leve meu cabelo, pulei de susto.
- Calma, maninha – debochou Dougie, que diferente dos meninos vestia um jeans escuro rasgado, uma camiseta branca e uma jaqueta também jeans , Chad e Matt lançaram um olhar repreendor para ele, já eu, o ignorei pra poupar brigas.
- não vale a pena – disse voltando a olhar para frente.
Chole e papai saíam do altar e vinham em nossa direção, Matt largou minha mão dando-me espaço para que pudesse passar, Chad vinha logo atrás. Abracei papai.
- Não se preocupe, será tudo como antes – falou em meu ouvido. Ele largou-me para me encarar — você sempre será o maior amor da minha vida — sorri sincera, feliz com a afirmação.
- E você da minha – disse.
- Ah, querida – disse Chole, me esforcei para sorrir. Ela me esmagou e por cima de seu ombro pude ver papai brincando com os garotos, todos sorriam.
- Não vai me desejar felicidades? – perguntou irônica.
- Claro, que você possa fazer o papai muito feliz – disse sem emoção alguma, ela sorriu de lado.
- Não se preocupe — ela se aproximou mais – eu não vou abandonar ele como sua mãe – falou baixinho para que papai não pudesse ouvir.
Senti um aperto no coração, um nó formou-se em minha garganta. Ela sabia o quão esse assunto mexia comigo e sempre fazia questão de jogar na minha cara. Respirei fundo para reprimir o choro e qualquer ato descontrolado. Matt pareceu perceber meu mal estar e logo me abraçou.
- Você esta bem?
- Eu vou ficar
Era sempre difícil falar de minha mãe, algo dentro de mim não me deixava odiá-la. E sempre que me faziam lembrar ela, como Chole, minha cabeça enchia-se de perguntas. Aonde ela foi? Alguma vez ela me quis? Será que já sentiu minha falta? Será que já precisou de mim? Sabia que ela havia ido embora sem se despedir, que me abandonou quando eu ainda era uma criança, eu só tinha 4 anos quando ela partiu, desde então nunca nos procurou, meu pai limitasse a dizer que não falaria sobre isto. Eu sequer lembrava seu rosto, papai havia queimado todas as fotos. Todos esses anos eu me pergunto quais foram seus motivos para ir embora. E mesmo com todo direito de odiá-la eu tentava me convencer que na verdade ela nunca quis dizer adeus, e que de alguma forma ela pensava em mim, e onde ela estivesse ela estaria pedindo a Deus que ele me protegesse. Mas a única certeza que tinha era que a qualquer hora que ela me quisesse, a qualquer hora que ela quisesse me ver, eu ia esta esperando.
A festa foi ótima, muita gente feliz,eu era a única emburrada, papai dançando e bebendo – o que nunca tinha o visto fazer – Dougie não perdeu tempo, e como mulherengo que era logo tratou de mandar sua conversa mole para uma das convidadas, que em pouco tempo já estava em um canto recuado aos amassos com ele. Chad não saiu de seu canto,sozinho em uma mesa onde tinha visão total do lugar. Matt não saiu do meu lado, tentou me animar e depois de muita insistência acabou me convencendo a ir dançar, nos acabamos na pista. A festa foi até altas horas e acabou com uma típica saída dos noivos, com direito a latas no carro. Depois de ter se despedido de absolutamente todos os convidados e agradecido a presença de cada um, entrei com os garotos em minha casa.
- nunca pensei que casar desse tanto trabalho — disse Matt .Assim que entramos em casa eles jogara-se no sofá exaustos.
- vai ser pior quando você for o noivo – brincou Chad.
- mas valera a pena, cada esforço para casar com a mulher que amo — Matt me olhou sorrindo, estendendo-me a mão. Dougie soltou uma risada debochada e revirou os olhos.
- eu acredito mais em Papai Noel do que nesse papinho . – o alfinetou.
- qual é a sua cara? Qual seu problema comigo? — Matt encarou Dougie irritado
- sem brigas caras – alertou Chad
- se preocupa não Chad, não vou perde meu tempo com esse idiota. – assim que dougie terminou Matt avançou para cima dele que vez o mesmo, eu me pus entre o dois e gritei:
- vocês estão loucos? — eles se encaravam furiosos.
- eu não suporto mais esse cara Ken. O jeito como ele te trata, as indiretas... ele é um babaca.
- o único babaca aqui é você. E você sabe bem o motivo – retrucou Dougie.
- cala a boca – pediu Matt em tom ameaçador. Ele ficou mais nervoso, como se tivesse medo de Dougie revelar algo.
- chega – ordenou Chad – vamos subir – ele pegou o irmão pelo braço e os dois subiram juntos
para o quarto de hospede, onde sempre costumavam ficar.
- desculpa – Matt me abraçou e voltamos a sentamos. – eu não devia ter perdido a cabeça dessa forma. Mas você viu, que ele provocou.
- não cai na pilha dele. Você conhece o Dougie melhor que eu, ou não lembra mais que vocês já foram melhores amigos? — ele sorriu com a lembrança
- pra mim ele sempre foi mais que isso, ele era um irmão. Mas crescemos nos distanciamos e hoje, olha onde chegamos não nos suportamos. Sabe Ken – ele se ajeitou para que os ficasse de frente. – eu acho que o Dougie tem ciúmes de você, na verdade eu acho que... Deixa pra lá
- não, fala – pedi curiosa.
- eu acho que ele gosta de você – cai na gargalhada. Não era possível, ele me detestava e fazia questão de demostrar isso.
- não fala bobagem, o Dougie é um moleque,mulherengo ele é incapaz de se amarrar em uma mulher, ainda mais em mim que ele não suporta. – ele sorriu me abraçando
- tem razão. – ele me encarou preocupado, e enquanto mexia em meu cabelo perguntou:
- como você esta se sentindo? — sorri de lado, tentando achar palavras que descrevesse o que passava por minha cabeça.
- a pessoa mais egoísta do mundo.
- Kandal, isso pode ser detestável, mas também pode ser adorável, só depende de como você ira reagir. Pense no seu pai, pense em quanto ele esta feliz. Não vai ser tão difícil assim, só depende de você. — ele beijou minha testa e sorrio. — Já vou, acho que alguém aqui precisa ficar só e colocar algumas coisas em ordem nessa cabecinha dura. — esse meu medo de perde quem eu amo não me deixava pensar direito, talvez fosse fácil como ele disse, ou talvez não, isso só o tempo diria.
- eu te amo-sussurrei sorrindo, abraçando-o o mais forte que pude.
Matt não era só meu amor, ele foi meu primeiro e único amor. Eu simplesmente não sei o que é amar outra pessoa. Conhecemos-nos ainda crianças, a sua mãe, a senhora Margot, era a melhor amiga da minha mãe. Quando nascemos elas já eram como irmãs. Mesmo assim ela nunca me falou sobre minha mãe, sequer me disse seu nome, do mesmo modo que papai ela nunca tocava nesse assunto. Eu e Matt tínhamos passado juntos pela inocência da infância, pelas descobertas da adolescência, crescemos e juntos conosco cresceu aquele amor, que era puro. E anos depois eu ainda sentia o mesmo turbilhão de borboletas, quando ele me tocava.
Subi para meu quarto, precisava me livrar de toda aquela roupa apertada. Passei um bom tempo embaixo do chuveiro, vesti um shorts e uma camiseta velha e me joguei na cama, na esperança de pegar no sono. Fiquei por horas revirando de um lado para o outro e nada do sono vim, resolvi descer ate a cozinha para beber um copo de leite.
A casa estava toda escura, eu caminhava com cuidado para não bater em nada. Ao chegar à cozinha peguei o leite e quando estava prestes a derrama-lo no copo, ouvi um barulho que vinha do lado de fora da casa, parei o que estava fazendo para tentar ouvir melhor. Alguém andava com cuidado, pisando devagar nas folhas secas ,e inevitavelmente causando um pequeno estralo. Fiquei apreensiva, e fui chegando mais perto da janela que ficava próximo a pia, ela era grande e de vidro, fui puxando devagar a cortina para tentar ver quem era foi quando...
-Kendal -Dougie surgiu ao meu lado eu soltei um berro de horror, espantando quem estava lá fora, só pude ouvir a pessoa fugindo e o pouco que vi foi um vulto. Soltei o copo, que se partiu em pedaços, me abaixei para recolhê-los ainda tremula e um desses pedaços cortou minha mão me fazendo soltar outro grito ,agora de dor. Dougie correu e se abaixou perto de mim, sem tomar cuidado em não se corta, e segurou minha mão examinando-a
-Deixa-me ver isso
-Não precisa, foi só um corte bobo- puxei minha mão
-Para com isso, será que não da pra deixar de ser insuportável pelo menos um instante, enquanto eu cuido disso? –revirei os olhos soltando o ar irritada. Ele sorrio apertando meu nariz. Dougie segurou minha mão e me guiou com cuidado ate a pia, para que pudesse lavar o ferimento. Enquanto a agua corria pela palma da minha mão, que sangrava muito, ele acariciava carinhoso a parte de baixo. Ficamos em silencio. Só ouvisse o barulho da agua.
- tinha alguém rodeando a casa Dougie. – disse ainda assustada
- eu também ouvir um barulho e desci pra ver. Mas seja lá quem for, correu ao te ouvir gritar– disse simples, ainda segurando minha mão machucada.
- não acha melhor avisamos a policia Dougie, pode ser alguém perigoso?
- não viaja Ken, já falei que foi embora. Deveria ser algum vizinho bêbado que entrou na casa errada, ou ate mesmo um animal – olhei ainda tensa para janela. Ele tinha razão a pessoa havia ido embora, eu a ouvir correr, me acalmei e voltei a olhar para o corte.
-Eu acho que já esta bom – disse.
-Ainda esta sangrando, vamos ate a sala, eu te faço um curativo. Ele pegou a maleta de primeiros socorros e mais uma vez segurou minha mão guiando-me ate o sofá. Era estranho quando ele me tratava assim, mas confesso, que adorava esse lado dele carinhoso e prestativo. Eu sabia que apesar da armadura que vestia, ele tinha um bom coração.
-Acho que agora vai arde um pouco-alertou sorrindo.
-Já sentir dores piores- sorri de lado, com a mão em sua perna. – ou você não lembra todas as quedas que já sofremos juntos? Todas as vezes que você me derrubou? – gargalhamos da lembrança.
- me lembro de quando te derrubei no balanço. Fiquei muito preocupado, Ken.
- Você preocupado comigo? – gargalhei irônica. Ele passava o algodão em meu corte, e como ele alertou ardia muito, me contive para não reclamar do incomodo.
- Eu me preocupo com você – respondeu tímido ,sem tirar os olhos do que fazia.
- Não é o que parece. É difícil te entender Dougie...
- Talvez um dia você entenda – ele parou o que estava fazendo e pela primeira vez me olhou nos olhos. Fiquei sem jeito e ele também.
- Acho difícil – retruquei. Ele respirou fundo e balançou a cabeça e sorriu sem humor.
- Você deve me achar um mostro. – disse voltando a olhar para baixo. Fui aproximando receosa minha mão de seu rosto, ate toca-lo e acaricia-lo com cuidado.
- Não, de forma alguma- ele voltou a me encarar e sorriu. Mordi o lábio envergonhada, tirando rapidamente a mão de seu rosto. — eu só não entendo porque você sempre faz questão de demostrar o quanto me odeia.
- Não é verdade. É o meu jeito estranho de ... – ele parou e voltou a cuidar de minha mão.
- De o que? — insisti.
- Kendal, eu sei que esta não é a hora, é que você vai me achar um louco, mas tem uma coisa que queria te falar. – ele estava nervoso e se aproximou ainda mais de mim. Não respondi , apenas assenti e o deixei seguir. Ele começou, ainda segurando minha mão machucada, o encarei e ele afastou uma mecha de meu cabelo que caia sobre meu rosto, colocando-a atrás de minha orelha. Dougie respirou fundo novamente, como se estivesse criando coragem, e começou:
- E..
- O que estão fazendo ai? -Chad perguntou do alto da escada interrompendo Dougie que se afastou em um pulo e voltou a cuidar de minha mão.
- Eu cortei minha mão e o seu irmão esta me ajudando — respondi, ainda perdida com o que estava acontecendo
-Pois é, ela é uma estabanada. Mas que bom que esta aqui. Vem cuida dela. Não suporto mais essa garota – ele soltou minha mão agressivamente e subiu as escadas apressado, sem sequer olhar pra trás, eu observei ainda sem entender o que estava acontecendo. Chad sentou ao meu lado.
- Não liga pra esse bobo. Deixa-me ver isto – estendeu a mão
- Não precisa. Eu posso termina sozinha. – beijei seu rosto e o deixei lá. – boa noite – disse ele.
Já em meu quarto fui ate meu banheiro termina de enfaixar minha mão, que já não sangrava tanto. Ainda pensando no que tinha acontecido na sala. Pensando em como dougie era um idiota, e em como eu fui tola em lhe da ouvidos. Voltei para o quarto e de repente...
-O que esta fazendo aqui? — dougie estava sentado em minha cama
- Vim ver se esta melhor.
- Como esta vendo, estou ótima. Se for só isso, Pode ir. – apontei para porta
- Não precisa ser grossa – ele levantou e veio ate mim – eu estava preocupado – eu sorri sem humor, passando as mão por meu cabelo.
- Pera, qual seu problema? dupla personalidade ou o que? Você acabou de me xingar lá na sala, depois de ter sido um fofo, agora vem aqui dizer que esta preocupado.
- Não é bem assim
- E como então? — o encarei. E ele permaneceu mudo. – sai daqui, não te suporto mais – disse grossa, voltando a apontando para porta
- Mas vai ter que suporta, ou você esqueceu que vamos morar junto?. – ele sorrio de lado
- Por pouco tempo – ele foi se aproximando e eu recuando
- É mesmo? é o que pretende fazer?
- Eu vou morar com o Matt, a gente vai pra bem longe daqui
- Você não teria coragem – ele gargalhou sarcástico
- Coragem eu não tenho pra continuar olhando pra tua cara, idiota
- E seu pai já sabe disso? ou você pretende fugir, porque eu duvido o Paul deixar.
- Eu fujo, com o Matt eu sou capaz de tudo, porque eu o amo. Você não sabe o que é isso – ele me segurou agressivamente pelos braços. Ele estava furioso, conseguir irrita-lo
- Eu não vou deixar – dougie disse por fim, me largando bruscamente, saiu sem olhar pra trás, descontou sua fúria na porta, batendo-a, causando um forte estrondo.
- Idiota- gritei.
Eu tentava ser compreensiva, tentava procurar motivos que justificasse dougie agir assim comigo, mas nada fazia sentido. Apesar de tudo eu sempre gostei dele, eu via em seus olhos que ele era um menino bom, que era um cara muito diferente do que ele demostrava. Já tinha tido provas disso. Mas sua dupla personalidade me tirava do serio
Uma semana depois...
O dia estava muito bonito, apesar do seu acinzentado.
Já se passaram uma semana deste o casamento de papai, depois de uma curta lua de mel, era chegada a hora de conhecemos nossa nova casa. Papai não se contia de tanta felicidade, assoviava enquanto dirigia, nunca o vi assim, ele ria de minha falta de humor. Os outros conversavam sobre algo que fugia de meu interesse.
Enfim, chegamos a tal casa – que era realmente linda – tão grande quanto a antiga, a grama cintilava de tão verde. As janelas enormes todas pretas, que combinava perfeitamente com o branco da faixada. Descemos do carro todos juntos, foi o que Chole fez questão, estarmos sempre juntos pra passarmos a expressão de família unida e feliz para os vizinhos.
- E então, o que acharam? – perguntou papai abraçado a Chole. Dougie foi o primeiro a manifestar-se.
- Irada – disse ele.
- De muito bom gosto – foi a vez de Chad. Papai enfim olhou pra mim, esperando algum comentário.
- É você querida, o que achou?
- Muito bonita – dei um meio sorriso, tentando demonstrar empolgação. Ele nada disse apenas assentiu sorrindo.
Olhei em volta, para ver a vizinhança. As casas eram bem parecidas, não tinham murros com grandes e bonitos jardins. Não havia muita gente na rua, olhei para a casa que ficava em frente a nossa e avistei um rapaz, muito bonito por sinal que vestia uma calça de moletom cinza e uma camiseta azul escuro, ele regava as plantas enquanto seu cachorro brincava com uma pequena bola , o rapaz vez ou outra olhava para nos e disfarçava.
- Então, vamos entrar? – disse Chole empolgada. Todos seguiram para dentro. Dougie apoiou um dos braços em meus ombros e brincou:
- Vamos lá, maninha! Animação! – ele sorria olhando fixamente pra frente. Desde nossa ultima briga mal tínhamos nos falado, eu o evitava sempre que podia, já que durante a pequena lua de mel de nossos pais ele e Chad permaneceram em minha casa. Passei boa parte do tempo na casa de Matt, que não foi ate minha casa para evitar brigas, por mais que eu não tivesse dito nada a ele sobre aquela noite. Tirei seu braço de meu ombro e andei em sua frente.
Dentro a casa era tão linda quando por fora – Chole realmente tinha um bom gosto – isso eu precisava admitir. As paredes todas brancas, com alguns quadros espalhados, um grande tapete listrado em preto tomava conta do centro da sala, ao seu redor um sofá branco, duas mesinhas de centro davam um ar despojado ao lugar. No mais, muitas flores amarelas, e no cantinho sozinho, um enorme vazo com uma planta graciosa da qual não sei o nome.
- Tudo lindo, não acham? — perguntou Chole, se jogando no grande sofá. Os garotos concordaram, eu fingi não ouvir.
- E meu quarto? Espero encontrá-lo igual – foi minha única exigência: meu quarto estar exatamente igual ao antigo.
- Não se preocupe, está tudo como antes – disse Chole sempre com seu ar esnobe ao falar comigo.
- Espero – provoquei, seguindo para a escada.
- O terceiro a esquerda – ouviu-a gritar.
Assim que abri a porta nem uma surpresa, tudo exatamente como antes, minha cor favorita cobria as paredes, minha cama no centro, o computador, minhas fotos, tudo exatamente igual. A única diferença era na estrutura do quarto, era um pouco maior e tinha uma varandinha que dava para rua, o que achei ótimo. Fui ate a varanda, dei uma olhada para baixo, e o rapaz que antes regava as plantas não estava. Procurei por todo o seu jardim e não o vi, mas quando olhei para sua casa, corei ao vê-lo encostado na mureta de sua varanda que ficava exatamente em frente a minha, com uma das mãos no bolso da calça cinza e a outra segurando uma xicara. Ele sorriu de lado apontando a xicara que segurava, me oferecendo. Fiquei tão envergonhada que entrei rapidamente, fechando as cortinas. Sorri da situação, eu não podia negar que ele era lindo e extremamente sexy, e seu sorriso era uma covardia.
-Kendal,sua louca – me repreendi sorrindo. Joguei-me na cama abraçando minha almofada. Algo me dizia que aquilo era o começo de algo surpreendente...
Enfim anoiteceu ,Chole já preparou todo seu espetáculo de boa dona de casa, pondo a mesa. Comi pouco, não estava com fome, fiz aquilo mais por papai.
- Vou nessa – dougie levantando-se, mal educado como sempre.
- Dougie, volta aqui... Volta aqui — Chole berrou, ele fingiu não ouvir. A relação de dougie com a mãe era conturbada, era visível a preferência de Chole por Chad, o que não era muito difícil de entender, afinal Chad era um lorde.
- Papai, também vou. Estarei na casa do Matt – o cumprimentei com um beijo no rosto. Ele fez cara feia
- Cuidado,não gosto que vá aquela casa – alertou. Papai nunca aprovou meu namoro com Matt, ele não gostava dele e muito menos da sua mãe, a senhora Margot, e deixava isso bem claro. Eles escondiam um segredo, era obvio que tinha um problema mal resolvido entre eles, eu não sabia o que, mesmo todos negando eu sentia que tinha algo por trás de tanto ódio.
O ignorei , corri para alcançar dougie, precisava de uma carona até a casa de Matt.
- dougie, espera! – corri pra tentar alcançá-lo. Ele parou e apressei o passo até ele.
- Me da uma carona ate a casa do Matt? – entrei no carro e bati a porta, ele fez o mesmo do outro lado.
- você está brincando? A anos não vou na casa daquele idiota. Nem lembro onde é – debochou.
- Ele não é idiota. Eu te digo onde é – ele deu partida no carro .
- Claro que é, só você não quer ver isto
- Qual seu problema com ele? Será que é tão difícil aceitar que ele é melhor que você? – ele sorriu debochado.
- A questão não é essa. Quer saber? Que se dane vocês dois – cruzei os braços, irritada e virei o rosto para o outro lado. Fomos em silencio, e ele como eu imaginava sabia exatamente o caminho, mas claro que não perderia a chance de implicar com Matt. Ele parou o carro bruscamente em frente a casa de Matt, não dissemos nada, eu sai sem me despedir e ele deu partida furioso.
Com Matt o tempo passava tão rápido, espiei o relógio que ficava na cabeceira de sua cama, já faziam mais de quatro horas que dougie me deixara lá. No entanto parecia que só fazia alguns minutos, por mim ficaria a vida toda ali, só eu e ele.
Estávamos deitados em sua cama, apoiava meu rosto em seu peito, ele afagava meu braço. Já fazia algum tempo que estávamos assim, em um silencio agradável.
De repente seu peito tremeu em uma risada curta.
- Que foi ? – perguntei.
- Lembrei-me de quando tínhamos 10 anos, e improvisamos um casamento no jardim de sua casa – sorri da lembrança.
- Eu tinha um véu – de imediato as poucas imagens que tinha daquele dia vieram em minha mente.
- É – ele voltou a sorrir – bons tempos aqueles.
- A gente faz cada bobagem quando é criança — deixai escapar.
- Pra mim não foi bobagem – sussurrou em minha bochecha.
Se era assim, eu não iria questioná-lo.
- Um dia, a gente ainda vai se casar de verdade – ele pegou minha mão e a beijou.
Adormecemos e quando voltei a encarar o relógio, já era outro dia, mais precisamente segunda. Nem me preocupei em ir pra casa, fiquei por lá mesmo. Iríamos juntos pra escola, já que um de meus uniformes estava lá como de costume, e o resto pegaria mais tarde em minha casa. Era o nosso ultimo ano, faltava exatamente um mês para o fim do ano letivo, estávamos ansiosos para que acabássemos os estudos. Matt e eu tínhamos planos de nos mudar, ter nosso próprio apartamento, nossa própria vida, longe de todos.
Assim que chegamos ao colégio fomos direto para a grande roda formada por nossos amigos na grama.
- Hey galera – cumprimentou Matt.
- E ai, cara – responderam.
- Nosso capitão – anunciou Drean, um rapaz alto, forte e bonito, não muito diferente dos outros ali, Matt ficou sem graça e apenas sorriu. Ele era capitão do time de futebol da escola, era um excelente jogador e amava o esporte. Matt era como um ídolo pra maioria dos garotos dali.
- E nossa líder — foi a vez de Any, referir-se a mim, balancei a cabeça sorrindo. Todos adoravam nos bajular. Bajulação, era tudo que ganhava sendo líder de torcida. Não era algo que me incomodasse afinal, ter todos prontos para cumprir um desejo seu, não era lá de todo um mal. Os garotos começaram a falar sobre futebol e as meninas me mostravam passos que acabaram de criar, algo que não prestei muita atenção, passei os olhos por toda a roda e parei o olhar em Mendy uma das tcheleards, ela mantinha o olhar fixo em Matt, que distraído não percebia, ela estava nos braços de Chuck – seu namorado- que por sua vez também distraía-se com a conversa.
Ela o olhava de um modo diferente, de um modo constrangedor. Ele continuava sem perceber ou fingia não ver, o fato era que eu não conseguia tirar os olhos dela, a hipnose era tanta que ela não percebeu meu olhar fixo sob ela. Seus olhos diziam mais que palavras, ela o olhava com desejo, isso me fez ficar nervosa. Mendy era minha inimiga numero 1. Varias garotas me odiavam e queria meu lugar mas Mendy superava todas elas. Ela me odiava de um jeito obsersor , ela ja tinha armado para mim varias vezes, ja tinha tentado me sabotar, escodendo meu unifurme para que eu perdesse uma apresentação, fora mentiras que ja havia espalhado sobre mim. Desde que entrei para aquela escola ela tentou fazer da minha vida um inferno, mas eu sempre dei a volta por cima,o que a deixava com mais odio.
Apertei involuntariamente a mão de Matt que de imediato me puxou para mais perto.
- Você conhece, Ken? –
- Hãn? — balancei a cabeça e voltei o olhar pra Chuck.
- Conheço quem? – disse ainda meio desnorteada.
- A nova garota do dougie – esta frase me fez despertar e voltar meu interesse pra conversa.
- Que garota? – perguntei ansiosa. Chuck apontou com a cabeça para trás de mim, e lá no fundo, na entrada da escola, vi dougie de mãos dadas com uma garota loira, garota essa que estava escorada em um carro vermelho, com um sorriso no rosto — Quem é ela? – perguntei enojada.
- Isso nós vamos saber agora. Olha eles vindo ai — a garota continuava a sorrir, seu sorriso parecia maior em estar entrando com Dougie Cory na escola, de mãos dadas, e melhor se juntando a nós em nossa tradicional roda, onde 10 entre 10 alunos dalí gostariam de estar.
- Hey – cumprimentou ele, todos responderam tentando esconder a curiosidade. Fui a única que permaneci em silêncio.
- Hey maninha – sua voz cheia de empolgação, pouco me afetou, passei os olhos por seus rostos pausando o olhar em suas mãos que continuavam entrelaçadas. Balancei a cabeça, sem que percebessem, libertando-me da confusão que estava meus pensamentos. Voltei a olhar seu rosto.
- Já te falei pra não me chamar assim – ele sorriu.
- Bom... Essa é a Susan — anunciou ele, apontando pra garota que sorria sem muito esforço para ser simpática.
- Esses são... – já ia começar a nos apresentar, mas ela interrompeu dizendo:
- Não precisa, quem não sabe o nome de cada um de vocês – ela não com seguia segurar a empolgação. Todos reprimiram um riso, por seu jeito espevitado.
- Bom saber... Disso – disse Matt, os outros sorriram. Ela largou a mão de Dougie e veio até mim, parando em minha frente.
- Eu... eu te acho linda... nossa, você é muito linda. E você é líder de torcida! Eu sou sua fã – devo ter feito uma cara de quem não entendeu nada, até porque foi isso que aconteceu. Ela me abraçou me deixando sem graça, olhei por cima de seus ombros e vi todos taparem a boca, reprimindo um riso mais uma vez. Lancei um olhar furioso para dougie que deu de ombros erguendo os braços.
- Seu cabelo é tão macio – ela só podia esta brincando comigo, foi isso que pensei — Parece algodão! – ela soltou um risinho histérico, eu não consegui mudar minha expressão de tédio. Assim que movi os lábios pra reprimi-la, fui interrompida, por sua voz infantil.
- Você precisa me contar o que você usa pra ele ficar assim – ela me puxou pelo braço, corredor a dentro, não é possível que ela tenha esquecido o "namorado", assim que nos afastamos pude ouvir os risos.
- Ei, seu material – gritou dougie quando já estávamos longe, ela fingiu ou realmente não ouviu pois não parava de tagarelar um só segundo.
---
- Não acredito, que mala amiga! – contei toda a historia a Sam que gargalhava. Sam era minha melhor amiga, era minha irmã de alma como eu costumava dizer, eu sabia exatamente tudo sobre ela e ela sobre mim, éramos grudadas, e sempre que uma ou outra estava mal por algum motivo sabíamos aonde nos apoiar. Ela era a irmã que eu não tinha, e como toda boa irmã também brigávamos, mas logo fazíamos as pazes, a gente não sabia viver uma sem a outra.
Estávamos na arquibancada, o treino tinha acabado há alguns minutos, já tinha liberado todas as garotas, ficamos lá nos refrescando e pondo o assunto em dia.
- E o que você fez pra se livrar dela? – perguntou curiosa.
- Você não vai acreditar! Eu tive que me esconder no vestiário – disse gargalhando.
- Que louca, o dougie não tem jeito mesmo né? – sorrimos — Por falar nele, como está lá na sua nova casa? — tirei o sorriso do rosto.
- Eu vou me acostumar... Talvez nem seja tão ruim assim, não é verdade?
- e o Dougie? — eu sorri ao lembrar dele
- sabe apesar de tudo eu não consigo odiá-lo e no fundo eu também acho que ele não me odeie tanto. E difícil entende-lo, ate suporta-lo, mas eu estou tentando. Ele merece. Ele é um bom garoto, um pouco perdido, talvez pela mãe que o trata mal, ou o pai ausente que ele sente falta... Não sei. Resolvi não leva-lo tão a serio.
- É assim que se fala, Ken – ela segurou minha mão. Olhei para o outro campo onde os garotos do time de futebol treinavam, e vi Matt afastado, no canto com o treinador e mais três homens muito bem vestidos, a idade não dava pra ver devido a distância, pus as mãos sob os olhos para tampar o sol e poder ver melhor.
- Que foi? – Sam virou-se — Quem são aqueles com o Matt? – perguntou ela.
- É isso que estou tentando ver – continuei esforçando-me — Eu nunca os vi aqui – pensei alto.
- Não deve ser nada de mais – Sam voltou a me olhar — Vamos ao shopping hoje? Você não vai acreditar na nova coleção daquele estilista que te falei, lembra?
- Claro! Você passou uma semana sem falar em outro assunto – sorri, ainda tentando ver o que estava acontecendo no outro campo. Sam viu algo atrás de mim que a fez ficar com um semblante de preocupação.
- que foi agora? – olhei para trás e no canto da arquibancada vi uma pessoa sentada sozinha, ela vestia um moletom largo e cinza, cobria sua cabeça com o capuz, estava de cabeça baixa, não dava para ver se era homem ou mulher, mas além do moletom, usava uma calça folgada, tênis, boné e uns óculos escuros.
- quem é? — perguntei
- Não sei, mas é muito estranho. Não é a primeira vez que eu o vejo aqui, e ele esta sempre assim, totalmente coberto. – voltei a olhar para Sam.
-deve ser aluno, ou algum funcionario da escola. – dei de ombros despreocupada.
- não Ken, ele ou ela sempre chega um pouco depois do começo do nosso treino e vai embora antes do fim. E sempre assim, escondido ou escondido atrás dessas roupas cafonas. – eu sorri com o cafona.
- ai Sam, não viaja – levantei sorrindo ,peguei minha bolsa e Sam fez o mesmo. Passei meu braço por seu pescoço e caminhamos – você anda vendo muito seriado policial. – Olhei para trás e a pessoa não estava mais lá.
-já foi ate embora – comentei. Continuamos caminhando e sorrindo, Sam logo esqueceu a tal pessoa misteriosa e voltou a falar sobre o que queria comprar mais tarde na nossa ida ao shopping.
Fiquei esperando por Matt na saída da escola, Sam já havia ido embora, dougie provavelmente estava se trocando ou algo do tipo – ele sempre demorava uma eternidade, com perfumes, cremes, por mais que ele nunca admitisse isso – Matt vinha com um sorriso forçado no rosto. O que aumentou minha desconfiança.
- Oi – beijou meus lábios.
- Como foi o treino, estão muito ansiosos? – tentei enrolar antes de tocar no assunto principal.
- Você sabe como é, né? – ele sorriu – mas eu não quero falar nisso – me puxou pela cintura — Eu quero te fazer um convite – sorri.
- Antes disso, eu posso te fazer uma pergunta? — ele afirmou com a cabeça. Segurei sua mão, o guiando até um banco perto de nós.
- Quem eram aqueles caras com você no treino? – ele ficou nervoso.
- Eu não sei do que você está falando – deu de ombros. Sorri sem humor.
- Como não? Você estava lá com eles, eu te vi – assinalei.
- Ah – pareceu ter lembrado – claro, como eu pude esquecer – sorriu — Não era nada demais.
- O que era? – perguntei firme.
- E ai maninha! Vamos nessa? – chamou dougie.
- Não, não o...
- E melhor você ir, o dougie está cansado, ele precisa descansar, mas tarde a gente se vê, ok? – beijou meus lábios e saiu com pressa, aliviado. Definitivamente ele estava me escondendo algo.
Procurei por dougie e não o vi, ele já estava no carro, buzinado impaciente e chato, como sempre.
- Que demora! – reclamou. Ele tagarelou o caminho inteiro, até que o interrompi.
- Dougie, quem eram aqueles caras com o Matt mais cedo? – perguntei, ele revirou os olhos.
- Pergunta para ele – disse grosso.
- O que custa responder uma pergunta ? – disse inocente.
- Eu não tenho nada com ele, só conversamos o necessário. Eu não sei da vida dele. Você sabe disso
- Ok – franzi os lábios – grosso – cuspi isso.
- Grosso?! Você que é insuportável e acha que o mundo gira em torno de você e seu namoradinho de merda – ele não tirou os olhos da estrada.
- Eu só te fiz uma pergunta, pra quê tudo isso? — gritei — Pára o carro – ordenei.
- O quê? — pela primeira vez me encarou, franzindo o cenho.
- Pára! Eu quero descer. Eu não fico nem mais um minuto com você – ele gargalhou, como se eu tivesse acabado de contar uma piada.
- Deixa de ser dramática! A nossa casa é a próxima – ele freou bruscamente, foi quando olhei pro lado e me dei conta de que realmente estávamos em casa. Sai batendo a porta o mais forte que pude. Ouvi ele resmungar algo sobre o preço do carro, entre risos.
Segui pisando forte no chão, ao entra Chole estava sentada lendo revista.
- Que bicho te mordeu? – mais uma vez usei minha pouca força pra bater a porta, agora de casa.
- Não enche – subi as escadas, apressada.
- Mal educada – gritou.
Joguei minha bolsa e cadernos na cama, passando as mãos pelos cabelos. Era bobagem ficar tão preocupada com algo sem sentido, mas não era uma simples cisma; era uma intuição.
3 dias depois...
Era chegado o grande dia, a tão esperada final do campeonato estudantil da cidade. As eliminatórias foram fácies como de costume, e como já era de se esperar, os dois principais times disputariam: Sheffield e King's College. A rivalidade era entre eles era absurda, não era apenas um simples jogo, era uma tradição a ser zelada. Ninguém queria perder.
Estávamos no canto do gramado ansiosas, a arquibancada empolgada, não tinha espaço pra ninguém lá em cima, os dois times já estavam opostos, cada um de seu lado do campo. Matt e Dougie estavam frente a frente no meio de campo, esperando o apito do arbitro – que soou alto – Matt deu partida, e a bola, foi deslizava de um lado para o outro no campo. A marcação estava sendo forte, nos primeiros minutos de jogo ficava mais clara a rivalidade entre os jogadores.
Minhas mãos que seguravam "pompons" estavam suando. O tempo estava acelerado, olhei o cronômetro que acusava já ter se passado 35 minutos, e nada de gols, não podia se dizer que os goleiros não tinham trabalhado.
Faltando menos de 10 minutos para o fim do primeiro tempo, dougie arrancou com a bola, aproveitando a falha do zagueiro, a defesa inteira o acompanhou tentando desarmá-lo, mas pra nossa alegria não foi possível, Matt estava mais a frente pedindo a bola, que logo foi lançada para ele. O coração bateu mais forte, Matt driblou o primeiro, o segundo, o terceiro, a arquibancada ficou de pé, ele já estava livre de cara pro gol, o goleiro ativo, sem poder pensar muito, Matt chutou forte, no anglo.
De repente a arquibancada explodiu de alegria, todos gritaram quando viram a bola entrando. Agitamos nossos pompons, verdadeiramente felizes. E assim que a bola voltou ao campo, o juiz apitou finalizando o primeiro tempo.
Os garotos vinham, todos suados e cansados.
- Esse foi pra você! — Matt me suspendeu no ar, bastante feliz.
- Vamos, vamos! Já pro vestiário — o treinador Joshon estava a beira de uma ataque de nervos.
Corremos pro meio de campo, e viradas pra nossa arquibancadas, começamos nossa coreografia ritmada, todos seguiam nossos ritmos. Passei os olhos por todo o lugar, e de imediato parei o olhar em dois homens, vestindo um paletó preto e de óculos escuros. Não foi difícil distingui de onde tinha os visto antes, eram os mesmos que estavam com Matt naquele dia, mas o que eles queria ali? Talvez eu não estivesse tão errada sobre algo estar acontecendo.
Todos voltaram ao campo, assim que saímos, tudo como antes, passes perfeitos de um lado e defesas inacreditáveis de outro. Exatamente aos 21 minutos daquele segundo tempo, o time adversário, da King's College, em uma jogada ensaiada, aproveitando o contra-ataque, empatou de cabeça, para alegria da arquibancada do lado oposto ao nosso.
O senhor Joshon berrou, socando o ar irritado.
- Frank — berrou inconformado — vai pro seu lugar — orientou sem paciência.
O resultado pouco me importava, eu só queria saber o que aqueles homens queriam, os encarei, um deles, o mais alto, cochichava algo com o outro, enquanto apontava para os garotos em campo.
O barulho do apito do juiz voltou a tocar, desta vez tão insistente quando no começo, me fazendo voltar a presta atenção no jogo. Os jogadores cercaram o juiz, ele ergueu a mão pedindo silêncio, até ali não havia entendido o que aconteceu.
- É pênalti — voltou a berrar Joshon — Juiz, é pênalti — insistiu.
Assim que a fuzuê diminuiu, pude ver dougie caído na área adversária, se retorcendo de dor. Corri até o senhor Joshon, que tinhas as mãos fixas na cintura.
- Treinador — chamei — o senhor precisa tirá-lo, ele se machucou.
- Não diga bobagem, ele é um de nossos principais homens — respondeu rude.
- O senhor não está vendo? — apontei pra ele, que continuava no chão — ele não tem condições de continuar.
- Isto quem decide sou eu, senhorita — ele foi pra mais perto do campo, me deixando em pé, boquiaberta.
- Levanta, deixa de ser molenga — gritou. dougie tentou obedecer, levantando-se com dificuldade, a careta de dor em seu rosto me cortou o coração.
O juiz marcou pênalti a favor de nossa equipe, eu não conseguia tirar os olhos de dougie, até tinha esquecido "os homens de preto" voltei minha atenção para Matt, que iria cobrar o pênalti.
Matt deu alguns passos para trás, apoiando as mãos na cintura, o juiz voltou a apitar autorizando a cobrança, e deu um longo suspiros, ele correu e chutou, um chute perfeito e bem calculado, que mais uma vez entrou no anglo da trave.
A euforia, tomou conta de toda nossa torcida, ate Joshon, sempre tão rude, deu um sorriso, abraçando seus companheiros. Os garotos do banco de reserva aplaudiram, enquanto os que estavam em campo pularam no colo de Matt, que caiu no chão. Olhei o contador que marcava 43 minutos. A tristeza no rosto dos adversários era algo à parte, visivelmente abatidos, o que restava era esperar o último e decisivo apito — o que não demorou muito pra acontecer.
- Fim de jogo — anunciou entusiasmado o locutor, já um pouco rouco — vitória dos Sheffield, que mais uma vez conquistam o torneio — todos pulavam de felicidade, Matt mais uma vez veio até mim — suado e sem camisa — me erguendo no ar, o time inteiro não se cotia de tanta felicidade. Assim que ele me colocou no chão, tentei avistar dougie, ele vinha logo atrás, também muito feliz, mancando um pouco. Fui até ele, preocupada.
- dougie, como você está? — perguntei.
- Pronto pra outra.
- Eu estou tentando falando sério, ainda dói?
- Um pouco. Mas passa.
- Pessoal! – Chuck pedia a atenção, subindo na arquibancada — A festa hoje é por minha conta, todo mundo lá em casa as 7 – todos aplaudiram contentes.
- Ta afim de ir? — Matt perguntou, fiz uma careta como resposta.
- Vocês vão né? — Chuck perguntou atrás de nós.
- A gente tinha combinado outra coisa, desculpe – mentiu Matt.
- Não, não, não, a gente faz questão de ter vocês lá, né amor?! – ele abraçou Mendy, beijando o topo de sua cabeça.
- Claro! O herói da partida não pode faltar – eu não podia deixar o Matt ir sozinho, ele me olhou pra saber o que achava.
- Tem razão! Nós iremos, né amor? – a imitei, ele sorriu.
- Você que manda – ele bateu continência.
O lugar estava realmente cheio, podia-se ouvir o barulho à quilômetros dali, o jardim da casa de Chuck estava tomado de pessoas bêbadas, o cheiro de álcool exalou assim que entramos na casa, que estava mais lotada do que podia imaginar. Assim que fomos notados por Chuck — que parecia estar bêbado — ele fez questão de anunciar a todos.
- Nosso herói – gritou ele do topo da escada, e todos aplaudiram. Matt ficou visivelmente envergonhado. Todos vieram em nossa direção — não podemos esquecer da nossa rainha da torcida – foi minha vez de ficar envergonhada.
- Você tinha razão de não querer vim – sussurrou ele em meu ouvido. Passei os olhos por toda a casa em busca da Mendy, mas não a encontrei. Minha cabeça parecia que ia explodir, o cheiro de perfume misturado com o de álcool, sem contar o barulho altíssimo do som. Matt se entretia conversando com o montinho que se formou a nossa volta.
- Vou até a cozinha, beber algo – o comuniquei, ele confirmou com a cabeça soltando meus braços.
- Não demora – sorriu.
Desviei de algumas pessoas até a cozinha, que como toda a casa também tinha muita gente, todos me cumprimentaram, apenas sorri e acenei, tentando ser simpática. Avistei algo pra beber, sentei em uma cadeira e tratei de tomar. Lá o barulho não chegava tão alto, e minha dor de cabeça agradecia. Sem me dar conta, as pessoas que me faziam companhia haviam ido embora, eu estava debruçada sob a mesa, meia sonsa, olhei o relógio e espantei-me, fazia mais de 1 hora que eu estava ali, havia cochilado por todo esse tempo. Lembrei do pedido de Matt e fui procurá-lo.
Todos ainda dançavam e bebiam no centro da imensa sala, ainda na porta da cozinha tentei avistar ele, ou alguém conhecido, e nada. Até ver Sam descer as escadas correndo, aflita.
- Kendal, você precisa vir comigo – ela estava nervosa.
- O que houve? – ela segurou meu braço e puxou-me escada acima ignorando minha pergunta.
- O que aconteceu? Fala.
- O Matt, esta se atracando com o Chuck.
- O quê? – apressei o passo, a deixando pra trás.
Assim que pisei no andar de cima, vi Chuck e Matt rolando no chão. Mendy estava no canto chorando e pedindo que eles parassem. Levei às mãos a cabeça sem saber o que fazer, eu não tinha forças pra separá-los.
Agradeci aos céus quando vi dougie subir as escadas. Ele correu e puxou Chuck, o segurou firme, ele estava furioso, eu corri e fui pra frente de Matt, que levou a mão a boca que sangrava.
- Não acredita nele, eu não fiz nada, eu te juro – ele falava sem parar, ofegante. Eu até então não dei importância as asneiras que ele dizia. Tentei acalmá-lo passando as mãos por seu rosto.
- Ele é uma cafajeste, Ken. Ele não te merece – Chuck gritava, e dougie ainda o segurava.
- Eu não fiz nada, eu te juro – os encarei confusa, Mendy continuava chorando no canto. Eu tentei ligar uma coisa a outra, eu não quis acreditar no óbvio.
- O que aconteceu ? – perguntei a Chuck, temendo a resposta.
- Esses dois nos traíram – ele estava bêbado aquilo tinha que ser um delírio. Fiquei muda, virei-me pra encarar Matt.
- Não fiz nada, fui tudo culpa dessa vadia, ela me agarrou, eu juro – aquilo não podia ser verdade, era bem mais do que eu podia suportar, eu não podia acreditar naquilo.
- Mentira – Mendy gritou ainda em prantos – ele quis isso tanto quando eu – Matt avançou até ela, como se fosse agredi-la, o segurei pelo braço, impedindo-o.
- Como você pôde? – um nó se formou em minha garganta, mas me contive, eu não iria derramar uma única lágrima na frente dele.
- Eu não fiz nada. Acredita em mim – ele olhava fixamente em meus olhos, e eu não conseguia enxergar verdade nos dele.
- Você não podia – sussurrei.
- Eu não fiz nada. Acredite em mim – balançava a cabeça de um lado para o outro, tentando entender o porquê daquilo.
- Eu vou embora – ele segurou em meu braço assim que ameacei partir.
- Me larga – pedi paciente. Ele não obedeceu.
- Você precisa acreditar em mim. Você sabe que eu jamais faria isso com você...
- Será? Eu não tenho tanta certeza. Agora me larga, eu não quero mais ficar aqui olhando pra tua cara.
- Eu não vou te soltar até você ouvir tudo que eu tenho pra te falar.
- Eu não quero saber nada que venha de você. Agora me solta – puxei meu braço, mas não adiantou.
- Você não ouviu? Ela mandou soltar – dougie entrou no meio de nós, socando Matt, que de imediato soltou meu braço pondo a mão no rosto. Matt veio em direção a dougie pronto para devolver a soco, ao ver isto, corri e me coloquei na frente do dougie.
- Você não vai bater nele – virei-me para encara dougie – vamos embora, por favor – ele assentiu.
Chuck estava no canto, passando as mãos pelos cabelos, Mendy havia saído, uma de suas amigas a tirou de lá.
- Ken não, eu preciso de você, espera! – fingi não ouvir isso,Sam o empurrou e os dois ficaram discutindo eu segui escada abaixo com dougie em meu encalço. Passei por todos aquelas pessoas, que felizmente estavam ocupadas se divertindo e não viram nada do que ocorreu lá em cima.
Assim que pus meus pés fora daquela casa a máscara de calmaria que fingi existir pareceu sumir, sem que eu controlasse cai em um choro inconsolável.
- Não fica assim, por favor! – pediu dougie. Ele pareceu querer me abraçar, mas não tinha coragem, e sem pensar muito abracei sua cintura, desabando ainda mais em lágrimas. Agora todo fazia sentido, os olhares de Mendy para Matt, não eram em vão.
Dougie ficou receoso de retribuir o abraço, mas depois de alguns segundos, senti seus braços me apertarem. Ficamos assim por algum tempo, tempos suficiente para me acalmar um pouco.
- Podemos ir? – perguntou ele, eu apenas assenti — parece que vem um temporal por ai – encarei o céu confirmando o que ele disse.
— É melhor irmos – o carro dele estava parado do outro lado da rua. Assim que entramos ele fez questão de ligar o rádio, talvez pra diminuir o silêncio que certamente nos acompanharia o caminho inteiro e pra poupá-lo de ter que falar qualquer coisa sobre o assunto.
Apoiei meu rosto no vidro do carro, ele me olhava, preocupado, pelo canto do olho. Como ele previu, a chuva começou a cair forte, olhei o céu escuro sem estrela alguma.
A chuva escorria na vidraça do carro e as lágrimas em meu rosto, tudo parecia estar errado naquele dia. Nada me faria entender o porquê de ele ter feito aquilo, eu o amava. Será que isto não era suficiente pra ele ter tido ao menos um pouco de respeito?
- Eu deveria ter visto isso acontecer, eu tinha que ter lido os sinais, os olhares de Mendy para Matt. Como eu fui idiota. – bati em minha perna. Dougie afagou minha mão.
- idiota foi ele. Imbecil – ele bateu no volante irritado. E eu fiquei surpresa com sua reação
Voltei a apoiar a cabeça no vidro. As luzes da rua iluminavam nossos rostos, foi inevitável não voltar a chorar, dougie continuava a me olhar de canto de olho, ele não sabia o que dizer e estava visivelmente preocupado . Talvez o silêncio fosse o melhor a ser dito naquele momento, eu não queria falar coisas que eu mesma não gostaria de saber.
Repousei meus olhos por algum minutos, minutos suficientes para chegarmos em casa. Assim que abri os olhos me assustei, a chuva tinha aumentado consideravelmente, do carro até a porta de casa, nos molharíamos muito.
- Vamos enfrentar a chuva? – perguntou ele divertido. Sorri concordando.
- No três, ok? – balancei a cabeça sorrindo.
- Ok – assenti
- Um, dois... três — corremos até a porta de casa, assim que chegamos, a água escoria por todo o corpo e o frio já começava a incomodar. Ele mexia nos bolsos, provavelmente à procura da chave.
- Anda logo, o que você está esperando? – meu corpo já tremia de frio, o que fez com que as palavras saíssem trêmulas.
- As chaves não estão aqui – franzi o cenho.
- Como não?! Liga pro Chad, pro papai, pra sua mãe... Alguém precisa vir abrir a porta – ele ficou me encarando, com ar de riso.
- Vai, dougie – ordenei.
- Seu pai e minha mãe não estão, esqueceu?
- Ta, liga pro Chad – sugeri.
- Esqueci o celular no carro – ele gargalhou.
- Volta lá e pega – ele correu de volta ao carro, tentando proteger-se com sua jaqueta.
O observei entrar no carro e trancar a porta, a chuva não cessava nem diminuía, o frio já estava ficando insuportável. Aquela definitivamente foi a pior noite de minha vida, tudo conspirou contra mim.
Dougie já estava lá há alguns minutos, o que me fez desconfiar que ele pregaria mais uma de suas peças em mim, me deixando ali, sozinha, morrendo de frio e debaixo de chuva. Mas para meu alívio, o vi voltar.
- E ai? – perguntei impaciente. Ele franziu os lábios balançando a cabeça.
- É melhor voltarmos para o carro – ele quase gritava devido o forte barulho da chuva.
Sem outra opção, corri de volta pro carro o mais rápido que pude, abri a porta do carona e pulei pra dentro. Ele logo entrou pela do motorista, ofegante e ensopado, não muito diferente de mim.
- Eu acho melhor ligar o aquecedor – ele também tremia com o forte frio — Está melhor assim?- ele parecia preocupado, o que não era normal.
- Ta sim – assenti. Ajustei-me no banco do carro, me esticando, procurando uma posição confortável, o mesmo fez ele. Mas uma vez deixei meus olhos se fecharem, estava exausta. De repente um forte barulho me fez despertar, arregalei os olhos, de imediato olhei para o céu, e vi aquela luz cortá-lo e novamente o barulho ecoou. Eu abria e fechava a boca sem saber o que fazer, eu tinha muito medo, e não conseguia me sentir protegida ali dentro.
- E agora? – perguntei desesperada, ele se divertia com a situação — Não vai me dizer que você tem medo de trovão? – ele continuou sorrindo, eu me contive, fazendo pose de valentona.
- Não, imagina – sorri tentando esconder o nervosismo – eu não tenho medo
- Eu sei que não – ele segurava o riso, fingindo ter acreditado no que falei.
Olhei o céu novamente rezando para que aquilo não acontecesse mais, o que não adiantou.
Agora o barulho foi mais forte, soltei um grito de pavor, me encolhendo em meu canto. Ele segurava a barriga gargalhando alto.
- Pensei que você não tivesse medo...
– E eu não teria, se estive dentro de casa, segura.
- Fica calma, já já vai passar – tentou me confortar.
De certa forma ouvir ele dizer aquilo me fez sentir-me mais segura. Ele repousou o corpo em seu assento, fechando os olhos.
Foi quando o vi, não com os olhos de uma menininha mimada, irritada por ele tê-la perturbado, e sim com os de uma mulher, era impossível não admirar cada detalhe de seu rosto, sua face era angelical, perfeita. Não era pra menos que ele fazia tanto sucesso com as garotas. Dougie abriu os olhos, me fazendo corar.
- Que foi? – perguntou desconfiado, ainda repousado. Balancei a cabeça negando, o que ele provavelmente demorou pra enxergar, devido à pouca luz.
- Você estava me encarando, acha que eu não percebi? – ele tinha um risinho no rosto.
- Esta louco? Eu jamais iria perder meu tempo olhando pra você. Se manca – virei o rosto pro lado contrário.
- Posso te perguntar uma coisa? – voltei a encará-lo.
- Vá em frente...
Ele parecia meio desconfortável.
- Pergunta, vai – insisti.
- Depois de hoje... você... quero dizer... você ainda ama ele? – ele realmente se sentiu desconfortável em estar perguntando aquilo.
Refleti por algum tempo, não sabia a resposta, por mais que conseguisse o evitar por um tempo, isto não seria para sempre, um dia teríamos que nos falar, queira eu ou não, àquela altura com a cabeça mais fria e menos nervosa eu conseguia entender que continuava o amando do mesmo e antigo modo. Depois de alguns segundos, respondi firme:
- Não se esquece um grande amor da noite pro dia. Mas a gente não tem mais chance – nem que eu tivesse que passar a vida inteira sustentando uma mentira, lutando contra o que sinto, eu não o queria de volta.
- Mesmo quando ele te trai? – ele continuou cauteloso. Balancei a cabeça impaciente, franzindo o cenho.
- Quando você souber o que é amar de verdade, você vai saber
- E quem te disse que eu não sei? — ele voltou a fechar os olhos, virando-se para o lado oposto ao meu.
E antes que eu pudesse perguntar algo sobre sua revelação, mais uma vez o barulho voltou para me aterrorizar, ouvi o chiado de uma risada reprimida partir dele. Dei um tapa em seu braço, fazendo-o pular do lugar.
- Ei, sua louca – o sorriso nos lábios me fez pensar que o tapa nem chegou a doer — Fica calma, o Chad já deve estar chegando – seu tom de voz era tranqüilizador, sua mão quente sob a minha me deixou sem reação, baixei o olhar encarando isto, ele percebeu e entendeu mal, tirando de imediato sua mão da minha.
- Sabe, quando eu era criança, também tinha medo de trovão – ele sorriu de lado – o Chad sempre me dizia que era bobagem, que os trovões na verdade eram nossos anjos festejando – olhei pra ele incrédula, por ele estar me dizendo aquilo.
- Porque você está me dizendo isso? – ele sacudiu a cabeça.
- Porque eu não aguento mais você gritando no meu ouvido – era demais esperar algo bom vindo dele, claro que seu lado machista e irritante sempre falaria mais alto. Virei o rosto. Eu abraçava meu corpo, tentando me aquecer. Ele percebeu meu incomodo e sem jeito, me puxou para perto dele,sem dizer nada me ajeitei em seu peito, e ele me abraçava forte, acariciando meus braços.
Ficamos em silencio, sem jeito, e acabamos pegando no sono, ali mesmo, abraçados.
Ouvi batidas no vidro e despertei, abrindo os olhos aos poucos.
Os últimos pingos caiam fracos sobre o carro, o sol ainda não havia conseguido aparecer, deixando o dia meio escuro. Sorri ao ver Chad, levantei em um pulo, me apoiando na coisa macia que estava embaixo de mim, foi quando dougie se mexeu.
- Ai – reclamou – parece que uma baleia caiu sobre mim – provocou, segurando as costas.
Entramos em casa e fui direto pra meu quarto, tentar compensar a noite anterior. Que não havia sido fácil. Tomei um banho, tentando fazer que a agua lavasse mais que meu corpo lavasse minha alma e me fizesse esquecer todo que havia acontecido e foi inevitável não chorar. Foi inevitável não me perguntar o porquê daquilo tudo. Porque que ele havia feito aquilo comigo? Logo ele, logo o cara que eu tanto amei, o cara que eu planejei um futuro. E o futuro? Como seria meu futuro se tudo que eu havia pensando incluía ele. Eu não queria desistir dele, não queria desistir dos nossos sonhos. Ou melhor, dos meus sonhos, já que ele não sonhou junto comigo. Lembrei-me de toda nossa historia, foi como um filme
em minha cabeça ai perdi o chão novamente.
Sam entrou em meu quarto, eu estava deitada na cama,e sem dizer nada ela me abraçou. Voltei a chorar, para ela eu não precisava mentir, podia deixar doer.
-Não fica assim amiga. – ela enxugou meu rosto -Eu sei que dói, dói muito ate, mas não seja boba, não chore, ele não soube valorizar seu sorriso ele jamais merecera suas lagrimas. Não e o fim do mundo, e apenas o fim de algo que você achou quem fosse amor, mas não era. Esquece. Você consegue. Tudo passa essa dor também vai passar. – respirei fundo. Ela tinha razão. Sam sorriu e foi ate minha penteadeira , pegou um pente e um espelho e me entrou.
- Agora vai, se penteia. Arruma-se. Fica mais linda do que você já é. A gente pode ate brigar com o boy, mas com o espelho nunca. – gargalhamos. Sam era divertida e sabia me entreter.
-E tem mais, a senhorita esta proibida de derramar uma lagrima que seja por aquele cafajeste. A gente é linda demais amiga, pra sofrer por homem. – eu sorri e a abracei.
- O que seria de mim sem você ,sua louca?
- Eu sei que não vai ser fácil, e que minhas brincadeiras bobas não vão te ajudar, mas eu vou esta sempre com você, Ken.
- Te amo amiga – disse apertando sua bochecha. – ouvimos risadas e latidos vindo da rua, Sam levantou e foi ate a varanda.
- Amiga, alerta magia. Adivinha quem esta brincando com o cachorrinho lá em baixo?! – fui ate ela, e olhei por cima de seu ombro. Era o vizinho magia total, assim que Sam o apelidou já que não sabíamos seu nome. Ele estava lá, mas bonito que antes, se divertindo com seu cachorro, que também era lindo. Ele estava sem camisa, e jogava algo para que o cachorro pegasse e o devolvesse. Sorri com a cena. Ele me olhou e sorriu, eu retribui com sorriso tímido. Ele voltou a olhar para o cachorro e nos entramos.
- Caramba ken, que gato. E ele está te dando mole amiga – Sam batia palminhas animada
— Para com isso. Agora eu não consigo – olhei para baixo e ela levantou meu rosto.
- Kendal, não fica assim. Ele não merece. Você tem que pensar em ficar bem e esquecer o Matt.
- Não é fácil Sam, você não entende que ate ontem nos estávamos felizes, fazendo planos, e de uma hora pra outra tudo desaba na minha cabeça. Não está fácil.
- Vai passar. Agora você precisa dormi um pouco. Descansar. Eu vou em casa busca algumas coisas, mas eu volto. – ela me abraçou – fica bem, Ken.
O fim de semana se arrastou chuvoso e tedioso, Sam dormiu lá em casa no sábado e papai só voltaria na segunda. Dougie, não parou em casa um minuto sequer. Chad, que se preparava para mais uma de suas viagens me fez companhia o final de semana inteiro. Eu lutava exaustivamente contra meus próprios pensamentos, fazia de tudo para não chorar mais, não lembrar mais, tentava não sentir mais. Bloqueei Matt em todas minhas redes sociais, excluir seu numero da minha agenda, apaguei fotos, mas não conseguir apaga-lo da mente. É muito difícil esquecer quem se ama, difícil quando a ficha cai e você percebe que viveu uma ilusão e quem era o amor da sua vida se torna sua maior decepção. Eu tentava me enganar procurava uma desculpa para justificar o que aconteceu... Em vão. Chegou uma hora que cansei, cansei de ser trouxa, cansei de tentar “ tapar o sol com a peneira”, a melhor saída era encarar o fatos, encarar o fato que a“ tampa da minha panela” não encaixava mais. Eu sabia que não séria fácil, que eu choraria ao lembrar dele, que sentiria seu perfume na rua, que ouviria uma musica e lembraria de nos, que antes de dormi sentiria uma enorme vontade de tê-lo ao meu lado. Sentir pena de mim, pena de todo que passaria, foi quando comecei a cair na real e comecei a ter pena dele, pois ele que ficaria sem alguém que estava disposta a aquecê-lo todas as noites, alguém que usaria aquele perfume só porque ele gostava, alguém disposta a tudo para esta com ele. Dele sim eu tinha que sentir pena, de mim, eu teria orgulho, por ter levantado a cabeça e superado uma fase ruim, porque assim é a vida, feita de fases, e se tinha uma coisa que eu acreditava era que um dia , tudo daria certo.
Fale com o autor