Good Gone Girl
41 Capítulo 41 – Dedo no Cu e Gritaria
Notas iniciais
Capítulo 41 – Dedo no Cu e Gritaria
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Alex me deixa no dormitório. Apesar de visivelmente não gostar disso, ele parece aliviado quando encontra Chris lá. E pelo modo como ela me abraça quando eu entro, tenho quase certeza de que ela sabe de tudo o que aconteceu. Ela me conta o quão preocupada ficou e perguntou porque eu não lhe mandei mensagem e nem falei nada.
Sinceramente, eu não sabia. Só não queria incomodá-la.
Só não queria incomodar ninguém ali.
— Está tudo bem agora – é o que eu digo, como se não fosse grande coisa.
Então eu me virei para Alexander. As coisas estavam estranhas entre nós. Não era como se estivéssemos juntos, mas era como se houvéssemos nos dado uma trégua. Ele não tentaria se aproveitar da minha confusão do momento, e eu não tentaria pensar no quanto eu estava com saudades de transar com ele.
Antes de eu ter me apaixonado por ele, ele era meu amigo, certo?
E amigos... ajudam amigos... numa situação como aquela.
— Hum.... Obrigada... por tudo – eu disse, sem graça. – Desculpe... por te meter em toda essa confusão que eu causei...
Ele arqueia uma sobrancelha, então dá aquele meio sorriso que me encanta.
— Não importa o quão abusada você fique, vai ficar sempre se desculpando por coisas que não são culpa sua? – Ele me provocou. Então segurou meu rosto entre suas mãos e disse: – Não, você não incomodou ninguém. Não, você não incomoda as pessoas que se importam com você. E não, você não tem nada para se desculpar, pelo contrário. Merece desculpas, muitas desculpas. Entendeu?
Ele fala como se quisesse fazer isso entrar na minha cabeça, mas eu só me sinto um pouco pior. Como se esse meu jeito fosse incômodo e chato. Então ele me abraça e sinto uma vontade enorme de me fundir a ele, ficar ali para sempre.
Mas não posso, então ele me solta, relutante.
— Então... eu já vou – ele disse, parecendo desconfortável.
Eu concordei com a cabeça, mas me perguntei se eu deveria dizer alguma coisa. Se eu deveria pedir para ele ficar mais um pouco, ou se eu deveria... não sei. Dizer alguma coisa naquele momento. No entanto, não sei bem. Tudo parece muito confuso. Mais do que antes, só que menos doloroso.
— Eu... posso te ligar? – Ele perguntou. – Mais tarde.
Sua pergunta é estranha. Tipo, por que ele não poderia me ligar?
— Ah... pode, claro – eu respondi.
Ele deu aquele meio sorriso, que faz meu coração derreter e vai embora.
Quando me viro para me jogar na cama, Chris está me olhando com os olhos estreitos, como se estivesse tentando entender o que havia acontecido.
— O que aconteceu com vocês dois? – Ela perguntou desconfiada.
Eu dei de ombros e tirei o meu casaco.
— Como assim? – Eu perguntei, tentando fingir demência.
— Vocês antes andavam como se fossem recém-casados, eca. Agora estão todo estranhos um com o outro, como se estivessem se conhecendo de novo – ela acusou, muito observadora. Então deu tapinhas na cama nela e disse: — Você vai me contar o que está pegando e vai ser agora... e não apenas sobre vocês dois. Tudo.
Não sei quando Chris se tornou uma pessoa tão interessada na minha vida. Mais que isso, quando ela se tornou uma pessoa tão importante nela, mas confesso que não me sinto mal quando deito com ela em sua cama, e conto tudo o que ela perdeu: Alexander havia sido babaca, Mike me pegou, ele e seus amigos me salvaram..., mais um dia comum na vida de Isabelle, a garota mais idiota do mundo.
— Você é mesmo uma garota idiota – ela resmungou.
— Obrigada pela parte que me toca – eu retruquei.
Ela deu uma risada.
— Mas esse é um dos seus charmes – ela me provocou.
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Segunda-feira poderia ter entrado para a história como “o dia em que a UoN parou por conta de um artigo de jornal”. Não importa onde você fosse, em que prédio ou em que aula estivesse, a notícia chegaria até você: integrantes de uma das fraternidades mais tradicionais da universidade abusavam de garotas e davam pontuações para isso.
Obviamente, a história se distorcia e aumentavam a tal ponto que era assustador. Como uma história de terror que não deixaria as garotas da universidade dormirem em paz por semanas. Sasha me contou que o comitê estudantil de representatividade feminina e feminista da universidade (e eu não sabia que isso existia até então) bateu na reitoria pedindo para que algo fosse feito. E não só esse comitê, vários outros.
E teve protestos.
E cabeças rolaram.
E dizem que teve tochas e garfos. Novamente, a porcentagem de distorção.
Nós, Sasha, Ellie e Chris, compramos cafés e nos sentamos na arquibancada da quadra de esportes. Era um lugar privilegiado, apesar do mal-estar que me causava estar por aquela parte, ficava de frente para o prédio administrativo, onde uma massa de pessoas se reuniam e gritavam, e erguiam cartazes.
— Eu não conseguiria pensar numa definição melhor para dedo no cu e gritaria – Sasha comentou, deliciada, terminando com um gole no seu café gelado.
Nós rimos.
— Eu nunca imaginaria algo assim acontecendo – Ellie comentou. – Mas eu também nunca fui de participar de festas da universidade, muito menos de fraternidades...
— Somos legais de mais para isso – Sasha concordou, dando um brinde com a loira.
Então, Alexander se juntou à nós.
Não sei quem o chamou, e sinceramente eu poderia estrangular quem estragou o “momento garotas”. Assim que o vi entrando no campo, meu coração deu um pulo no peito e eu desviei o olhar, constrangida. Perguntei-me se teria sido coincidência (tipo: estava passando e vi minhas amigas), mas algo me dizia que não era. O prédio onde ele tinha aulas ficava para o outro lado, assim como o estacionamento...
Ele se sentou do meu lado, fazendo-me ter dificuldades para respirar e pensar. Mal consigo responder um “boa tarde” como uma pessoa educada e normal.
— Vocês viram que confusão? – Ele perguntou, como se não percebesse.
— Dedo no cu e gritaria – Sasha e Ellie dizem juntas, fazendo Chris rir.
Eu me encolhi, como se tivesse medo do que fosse sentir se nos encostássemos casualmente, e apoiei meus cotovelos sobre os joelhos, com o olhar ainda fixo na massa de pessoas em frente ao prédio administrativo.
— O que vocês acham que vai acontecer agora? – Perguntei tentando parecer calma.
— Como assim? – Chris perguntou.
— Beleza... todo mundo sabe do que eles fizeram... e agora? – Eu perguntei, dando de ombros. – O que vão fazer a respeito? Que medidas podem ser tomadas?
Eles ficam em silêncio por um momento.
— Ninguém nesse grupo faz direito? – Chris perguntou olhando por todo mundo.
Tínhamos um veterinário, uma garota ruiva de engenharia elétrica, uma loira de economia, uma médica, e uma escritora. Realmente, faltava alguém de direito para falar sobre isso com propriedade. No entanto, era um grupo diversificado o suficiente.
Então de repente eu avisto Robert... com Lalitha.
E ele me vê.
Finjo que não os vejo e decido ignorar, no entanto, ele acena para mim, como se fosse um amigo ou um conhecido, e se aproxima com a garota em seu encalço. Eu fico rígida. Na verdade, sinto raiva de pensar no como ele criou toda essa situação irresponsavelmente. E me admiro que Lalitha esteja andando tão próxima dele mesmo depois do que ele fez ela passar.
Não sei se está muito visível no meu rosto o quanto estou aborrecida com a presença daquele moreno, mas ele se mantém afastado. Não chega nem a subir na arquibancada, assim como a garota.
— Ei, você parece bem. Melhor do que eu esperava – ele disse.
Eu franzi o cenho.
— Ouvimos dizer que Mike te pegou de jeito no sábado – Lalitha explicou, parecendo preocupada. – Sinto muito... pensei em ir te visitar..., mas achei que talvez você não quisesse me ver.... ou que talvez fosse meio estranho e tal.
Pergunto-me se ela achava isso porque era irmã dele.
— Eu tive sorte – eu respondi. – Alex e uns amigos dele estavam por lá.
Ela olha para o ruivo ao meu lado rapidamente, como se tivesse medo de olhar para ele por muito tempo. Perguntei-me se ele parecia intimidador até para ela. Robb, por outro lado não pareceu intimidado. Ele lhe deu um olhar rápido e então voltou sua atenção para mim.
— Fico feliz que você esteja bem... – ele respondeu. – Quase me senti culpado.
— Você devia se sentir culpado – eu o corrigi. – Ou no mínimo responsabilizado.
Ele se encolheu, como se houvesse recebido a patada com sucesso.
— Você deve estar feliz – eu continuei. – Seu artigo vai entrar para a história...
— Ah, foi ele quem escreveu? – Ellie perguntou, surpresa.
— Estávamos aqui nos perguntando o que vai acontecer agora – Sasha comentou. – Você tem alguma ideia? Deve saber, vocês sempre sabem.
Robert solta um suspiro longo, então olha para o prédio administrativo pensativamente, como se tentasse prever os passos de um oponente de xadrez.
— Provavelmente, eles vão abrir uma investigação interna... e se for comprovado que é verdade, o que nós sabemos que é, a coisa vai se tornar maior – ele respondeu. – A ponto de procurarem os culpados um por um e indiciá-los... e provavelmente a fraternidade vai ter as atividades suspensas... ou será até mesmo desfeita. Deixará de existir. – Ele volta sua atenção para o nosso grupo. – É o mais provável.
Suas palavras quase foram tranquilizantes, no entanto, ele continuou:
— Mas as pessoas têm que ficar no pé da reitoria se não eles vão deixar cair no esquecimento e varrer tudo para debaixo do tapete – Então ele olhou para mim. – Nala me prometeu que não deixaria isso acontecer.
Eu apenas assenti com a cabeça. Eu acreditava nela.
— Sinto muito, Bell – Lalitha disse de repente, voltando-se para mim. – Por tudo o que o meu irmão fez... a você e a qualquer outra garota. Espero... que isso ensine alguma coisa para ele, mas acho difícil. Ele sempre foi acostumado a fazer tudo o que queria e a conseguir tudo o que queria.
Ela se encolhe, parecendo incrivelmente desconfortável.
— Eu não tenho nada contra você – eu disse a ela. – Estamos bem.
Então ela me mostrou um sorriso mínimo e eles começaram a se afastar.
— Ei! – Eu os chamei, levantando-me. – Vocês falaram algo para o Mike? Sobre minha participação no sumiço do caderno dele?
Os dois me olham com surpresa, então trocam olhares confusos. Não entendo o porquê daquilo até que Robert disse, virando-se para mim:
— Bell... ele nem sabe que fomos nós.
— Sequer me perguntou alguma coisa a respeito – Lalitha confirmou. – E eu tenho certeza que ele teria me dito alguma coisa... você sabe como ele é.
Eu concordei com a cabeça, então voltei a me sentar na arquibancada. Isso não fazia sentido, então como ele tinha tanta certeza de que havia sido eu? Perguntei-me se ele viu quando eu saí emburrada da casa da piscina... mas sinto que ele não me deixaria sair sem mostrar que sabia que eu havia estado ali.
Havia uma hipótese..., mas parecia errado supor isso.
— Bell... Bell... – Sasha me chamou, estalando os dedos diante de meus olhos.
Por mais que seja constrangedor dizer isso, eu não acordo porque ouço os estalos de Sasha, mas porque sinto Alexander encostar-se no meu braço levemente. Um roçar leve que faz com que eu me sobressalte e fique muito atenta de repente. Isso é vergonhoso.
Olhei para a ruiva, a loira e a morena de cabelo curto, confusa.
— Estamos boiando. Explique, por favor – Ellie pediu, curiosa.
— De onde você conhece esses dois? – Chris perguntou.
— O que foi essa conversa? – Sasha questionou.
Então eu me dou conta de que eu havia deixado aquela parte importante longe dos meus amigos... e eu sinceramente não sabia como contar a eles. Eu me encolho no banco e pego minha mochila como se fosse um escudo:
— Conto se vocês prometerem não me matar.
Todos os quatro se viram para mim, atentamente. Quando olho para Alexander, ele está com os músculos tensos e alerta, no entanto, ninguém disse nada, apenas esperaram pacientemente que eu continuasse o que quer que tenha começado. E eu me sinto mal por isso. Merda.
— Quando eu fui ao hospital ver Lauren, encontrei Robb, e ele me contou desse... desse jogo que a fraternidade de Mike tinha sobre transar com garotas e tinha umas pontuações... – eu abaixei o olhar. – Eles abusavam de algumas delas... tipo, dopavam elas... e aparentemente Mike fez isso também.... Eu conheci uma delas, se chamava Nala. Ela faz parte do jornal da universidade, eu acho... – Faço uma pausa, mas, novamente, ninguém fala nada e isso só me deixa mais nervosa. – Ela pediu a minha ajuda... para denunciar essas coisas que eles faziam... e eu aceitei ajudar.
Eles estreitaram os olhos para mim, como se quisessem ver onde isso ia parar.
— Certo... – Alex soltou, hesitante.
— Continua – Sasha mandou.
— Eu obviamente não sabia bem no que isso implicava... até, bem, sabem o caderno que Mike me acusou de ter pego? – Perguntei retoricamente, recebendo um aceno duro e curto deles. Respirei fundo. – Tinha a ver com a tabela das pontuações... Era um caderno que eu ajudei eles a pegarem... invadindo a fraternidade de Mike.
Alex franziu o cenho, quieto.
Esperei uma explosão dele, ou qualquer forma de demonstração de raiva, no entanto, ele fica quieto. Quieto demais. Seus músculos estão tão tensos que ele parece ter se tornado uma escultura de pedra. Uma bela escultura. E seu maxilar está tão travado que parece que sou capaz de ouvi-lo estalar quando ele volta a se mexer.
Para a minha surpresa, Sasha e Ellie estão quietas também.
Chris é quem pergunta:
— Então... Mike te atacou fim de semana... por que ele sabia que você participou disso? – Ela perguntou, pausadamente, a voz surpresa e confusa.
Eu me encolhi.
— Não sei como ele sabia... eu não estava sozinha nisso – murmurei. – Havia Robb, Will, Lauren e Nala, até mesmo Lalitha... não sei porque ele pensou em mim... tenho uma suspeita..., mas não sei se é uma desconfiança sem sentido, ou se é possível.
O primeiro a ter uma demonstração de raiva foi Alexander. Ele se joga para trás e esfrega as mãos pelo seu rosto, como se não estivesse pensando com clareza. Então elas sobem por seus cabelos acobreados e os bagunçam como eu mesma queria fazer várias vezes (de preferência durante o sexo). Então ele olha para mim, soltando um suspiro pesado, com uma raiva contida.
— Eu nunca imaginei que você faria algo assim – ele começou. – Você tem ideia do que isso causou?! Ele podia ter te matado, Bell! E se a gente não tivesse chegado?!
Suas palavras doem, e fazem com que eu me encolha, mas não posso me sentir mal por seu sermão. Eu mesma havia pensado naquilo, inúmeras vezes. Ele apenas estava externando os meus pensamentos que outrora eu tive.
— Acredite, a Bell que pensa demais tem ideia de tudo isso – eu respondi, desconfortável. – Mas você disse aquilo... aquilo sobre coragem. E eu achei que fazia sentido... Além do mais... eu estava cansada de não ver ninguém fazendo nada sobre ele.
Alexander escondeu o rosto com suas mãos.
— Eu não estava me referindo a isso! – Ele explodiu.
— Eu sei..., mas eu tinha que fazer alguma coisa... – resmunguei.
Ele olhou para mim como se não acreditasse, mais do que isso, como se houvesse pensado em algo muito doloroso... Então me abraçou com força contra si. Quase como se ele nunca fosse me ver de novo. Ou mais que isso: como se ele estivesse aliviado por não precisar se preocupar em não me ver de novo.
— Você é maluca – ele murmurou perto do meu ouvido.
— Eu sei... desculpa – retruquei.
Ele parece que não quer me soltar, e só o faz porque Sasha solta um pigarro. E então elas caem em cima de mim, como elas prometeram que não fariam no início daquela conversa, e sou obrigada a ouvir pelo menos uma hora de sermão de cada uma delas. Do quanto aquilo era perigoso, do quanto eu não devia ter me metido, do como eu podia ter contado para elas, que eu devia ter contado a elas porque amigos eram para isso.
— Desculpa – é tudo o que consigo dizer, envergonhada.
Então elas me abraçam, e quase me jogam da arquibancada.
— Nunca mais faça algo estúpido assim! – Ellie reclamou.
— Não sem chamar a gente – Sasha corrigiu, dando uma piscadela. – Pode nos chamar de departamento “vai dar merda”. Sempre que você pensar em fazer algo idiota assim, você liga para a gente.
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Quando nos separamos e eu vou para minhas aulas e eles vão para as deles, sinto como se houvesse um clima leve no ar. Como uma página que foi virada. Uma história que se encerra e a sensação é nostálgica, mas não do tipo que deixa saudades. Eu me sento no meu lugar de sempre e fico olhando pela janela.
— Você parece feliz – John observou quando entrou na sala.
Pensei naquilo.
— Aliviada, acho – confessei.
Ele deu um sorriso.
— Soube o que aconteceu com o seu ex-namorado... pensei que você ficaria chocada, mas não parece surpresa – ele observou, arqueando uma sobrancelha e se sentando à minha frente.
Eu dei de ombros, dando um olhar misterioso, fazendo-o rir.
— Soube o que aconteceu no fim de semana, mas você parece bem – ele observou.
— Vaso ruim não quebra – eu retruquei.
Ele gargalhou, como sempre, chamando a atenção de toda a turma. Perguntei-me como ele não ficava constrangido com a sua própria risada. Não que ela fosse ruim. Sua risada me dava vontade de rir, sendo a definição de “contagiante”.
Ele só se controlou quando nosso professor entrou na sala, então ele se tateou e percebeu que, para variar, ele não tinha uma caneta. E obviamente pediu para mim.
Revirei os olhos. Às vezes eu achava que John me via como uma papelaria ambulante, um estoque inesgotável de canetas. Meti a mão no bolso do casaco e peguei uma caneta para ele quando senti algo cair do meu bolso. Um pequeno papel dobrado, discreto e ao mesmo tempo curioso.
Peguei-o do chão e o abri.
“Eu disse que ia ligar, mas vamos fazer como sempre: um bilhete (infelizmente, não na cabeceira da minha cama). Apareça no campo de futebol depois da sua aula. Tenho uma surpresa para você”. Eu reconheço a letra dele e só isso faz com que meu coração dê um pulo no peito, ler a mensagem faz com que meu rosto ficasse vermelho e ler “tenho uma surpresa para você” faz com que eu comece a tremer.
Pergunto-me quando ele colocou aquilo no bolso do meu casaco.
— Você está com uma carinha safada – John me provoca, balançando a caneta que lhe emprestei em frente à minha cara. – O que que você está lendo aí?
— Eu não estou com uma carinha safada... – eu neguei, guardando o papel.
— Está sim – ele teimou. – Hoje tem, né safada?
Ele me dá um tapa no braço.
De repente, pergunto-me se seria isso o que significava o bilhete. Apesar de eu achar impossível Alexander ser uma surpresa para mim a não ser que... ele venha com aquelas histórias de fantasias sexuais e.... ai meu deus. O que eu estou pensando? Por que de repente minha mente se encheu de imagens de Alexander de jaleco? Eu não era assim.
Sendo racional, tinha certeza que não era um bilhete de cunho sexual. Quer dizer, sempre havia uma tensão sexual entre nós, mas era tudo muito estranho ainda. Precisávamos conversar primeiro... decidir o que seria de nós daqui pra frente. E só então eu poderia pensar em voltar a fazer sexo com ele, mas...
— Eu estou certo, não estou? – John continua me provocando.
— N-não é da sua conta – eu respondi enfaticamente.
Ele levou uma mão ao peito.
— Assim você fere meus sentimentos – ele choramingou.
Apenas ergui uma sobrancelha, fingindo não me importar.
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