Good Gone Girl
34 Capítulo 34 – Ainda Sou a Bell Medrosa
Notas iniciais
Capítulo 34 – Ainda Sou a Bell Medrosa
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Numa bonita sexta-feira, minha menstruação veio.
Ela podia ter vindo, na semana que eu fiquei afastada de Alexander e na fossa, mas nãaaao, ela tinha que vir quando eu estava na casa dele, quando tínhamos enfim começado a dividir a cama (porque ele está tentando parar de madrugar na clínica), e quando eu podia contar com sexo garantido a noite toda, né?
Sinceramente, achei inconveniente. Ainda mais quando ela trouxe um mal-estar terrível que fez com que o ruivo achasse que eu estava morrendo. Talvez eu estivesse. Não queria que ele tivesse me visto naquela situação lamentável, mas era difícil disfarçar quando você de uma hora para outra está morrendo de dor, pálida e vomitando.
Ah, o maravilhoso corpo feminino...
Primeiro ele observou, em silencio, enquanto se vestia para ir ao abrigo, eu me arrastar para fora do banheiro e me jogar de volta na cama dele. Em posição fetal, esperando que Thanatos viesse me levar, pois só havia restado a minha carcaça ali. Até mesmo Kurt estava me olhando da prateleira no armário.
— Você está bem? – Alexander perguntou enfim.
Ele parecia incerto, hesitante.
Talvez porque a resposta fosse óbvia.
— ... Vou ficar – respondi.
Não queria entrar em detalhes com ele, e achei que isso seria o suficiente para me livrar de explicações, mas me enganei. O ruivo veio para o meu lado e tocou a minha testa, como se quisesse sentir se eu estava com febre.
— O que você está sentindo? – Ele perguntou. – Você está pálida... será a pressão?
Sua preocupação é tocante... e constrangedora.
— Alex, eu vou ficar bem – eu lhe disse, tirando sua mão de minha testa. – É só... cólica. Minha pressão sempre dá uma baixada... nesses dias. Acabei de tomar remédio. Vou ficar bem. Só preciso dormir.
Eu fico constrangida, mas se ele fica, Alexander não demonstra. E isso parece idiota. Eu ficar constrangida por algo natural do meu corpo enquanto ele estar ali, pleno.
— Isso sempre acontece? Já pensou em ir em um médico? – Ele perguntou.
— Hum, acho que não precisa tudo isso. Apesar de eu sentir que vou morrer, eu não vou morrer – eu respondi. – Só preciso dormir. Quando eu acordar eu vou estar bem.
Ele hesita, mas de algum jeito acaba concordando. Porém, ao invés de ir embora logo, ele se senta na ponta da cama e acaricia os meus cabelos, jogando-os sobre meus ombros, para trás. Alex se debruça sobre mim e beija o meu rosto.
— Se piorar você me liga? – Ele pede.
Eu concordo com a cabeça novamente e ele me beija na boca.
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Encontrei a irmã do Alex na cozinha.
Não sei como ela entrou lá já que eu dormi a manhã inteira e só acordei na hora do almoço, a não ser que eu tenha aberto a porta sonambulamente para ela (o que era quase impossível), mas tento não parecer surpresa quando a encontro cozinhando por lá. Tento me conformar com o pensamento de que, bem, pelo menos dessa vez eu estava vestida adequadamente e confortavelmente.
— Oi, Isabelle! – Ela me cumprimenta com energia. – Você ainda está aqui?
Há um tom de malícia na sua voz que não me passa despercebido, quase me faz corar, mas com uma força sobre-humana eu consigo ter controle sobre meus nervos e me aproximo do balcão que separa a cozinha da sala.
— Sim... hum, por enquanto – eu respondi. – O que você está fazendo?
Ela deu de ombros.
— Almoço. Você quer? Faço para você também – ela diz, movendo-se de um lado para o outro, como se a cozinha fosse dela. – Sabe, não se surpreenda em me ver por aqui de vez em quando. Alex me deu a cópia da chave, então o apartamento é como se fosse de nós dois... acho que ele fez isso porque sente muitas saudades de mim.
Sem tom de voz petulante me faz sorrir.
— Não quero ser impertinente, mas você não devia estar na escola? – Perguntei.
Ela era uma garota do ensino médio, então, deveria estar no seu horário de aula.
— Nah, é sexta-feira! – Ela exclama balançando seus finos braços. – Sempre mato aula às sextas-feiras.... Além disso, Alexiel e mamãe me deixam maluca. Quanto mais tempo eu passo com eles, mais eu entendo o porquê Alex se isolou para cá.
Há uma pontada de irritação e ressentimento no seu tom de voz que me faz pensar se talvez ela tivesse brigado com eles. Não que isso fosse algo incomum, afinal, quem nunca brigou com a mãe ou com o irmão mais velho? A diferença era que nem todo mundo tinha um apartamento do outro irmão para se esconder deles.
— Eu deveria dizer “Você não devia falar da sua família assim”, mas eu acho que entendo – eu comentei, sentando-me no balcão perto do fogão. – Quando eu era criança e falava que quando crescesse eu queria ser "dançarina", "cantora", "bailarina", ao invés dela achar bonitinho ela perguntava: "você não quer escolher um emprego de verdade querida?".
A irmã de Alex arqueou as sobrancelhas.
— Nossa... sua mãe não sabe brincar — ela comentou.
Eu sorri. Talvez essa fosse uma boa definição para ela.
— E quando eu disse que queria ser escritora como o meu pai... ela disse "ótimo, teremos mais uma inútil na família" e ficou sem falar comigo por uma semana — eu comentei, abaixando o olhar. — Acho que por isso eu a evito o máximo possível... ela sempre encontra maneiras de me magoar.
Alexis pareceu incrivelmente triste com isso, e colocou sua mão no meu joelho como se quisesse me apoiar. No entanto, seu olhar era de quem me entendia e me pergunto se ela passava por isso também.
Ela abre a boca para dizer algo, mas é interrompida pelo som da porta da entrada se abrindo. Então Alexis a fecha rapidamente e volta sua atenção para o fogão como se fosse uma adorável dona de casa entretida naquela tarefa. Mas como nada passa despercebido por Alexander, assim que ele nos vê na cozinha, ele estreita os olhos para nós. Como se tivesse visão de raio-X.
— Oi, Alex – eu o cumprimento, sem graça.
— Alex! Oi – Alexis diz, nem um pouco natural.
Vejo-o deixar sua mochila no sofá e então caminhar até nós.
— Alexis! Você não devia estar na escola? – Ele pergunta à irmã caçula.
Sua resposta é um dar de ombros petulante.
— Devia.... Eu até podia. Mas a questão é o verbo “querer” e eu não quis – ela respondeu, debochada. – Você sabe que eu falto às sextas-feiras...
Ele revira os olhos, mas não lhe dá sermão.
— O que vocês estavam fazendo antes de eu chegar? – Ele perguntou, desconfiado.
— Sua irmã está cozinhando e eu estava ouvindo ela me contar uma história interessante sobre... – Olhei para a sua panela. – O ponto perfeito de ovos estrelados. Ela acha que é melhor quando a gema fica mole, mas eu prefiro com a gema dura, e você?
Ele arqueia uma sobrancelha e olha para a irmã com desconfiança.
— Hum... não sei. Eu gosto de ovo de qualquer jeito – ele responde, hesitante.
— Esse é o Alex. O cara que tem medo de se comprometer – Alexis provocou.
Pude sentir um tom de malícia em sua frase, que a faz rir, e receber um olhar feio do irmão. Para minha surpresa, ele caminha até mim e me beija de leve na boca. Então eu fico meio sem graça, porque... a irmã dele está ali. Quer dizer que ele não tem vergonha da irmã dele, mas tem da menina de cabelos azuis?
— Como você está se sentindo? – Ele perguntou.
— Melhor – eu respondi, sem graça.
Era impressão minha ou o olhar de Alexis era... era... constrangedor?
— Ótimo, tenho uma coisa para você, mas vou te dar depois – ele diz.
— Quê? Por que não agora? – Eu perguntei.
— Espero que tenha para mim também! – Alexis grita como uma criança birrenta.
Ela recebe um olhar debochado de Alexander e então ele lhe responde:
— Você nem sabe o que é.... para de ser intrometida.
— Eu tenho certeza que se é para ela, deve ser bom. E se é bom eu quero também. Eu cheguei primeiro – ela retruca, dando língua para ele. – Sem ressentimentos, Bell.
Eu segurei uma risada e concordei com a cabeça.
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Nós três almoçamos juntos e é um almoço relativamente tranquilo. Alexis fala a maior parte do tempo enquanto eu rio e o Alex escuta em silêncio. Ela conta sobre toda a sua vida escolar, sobre as pessoas legais e chatas do colégio, seus amigos... parte de mim inveja a confiança que ela tem para passar tanto tempo falando de si mesma.
Sempre que eu falo de algum problema meu para alguém, sinto que estou fazendo algo errado. Como se eu não devesse sobrecarregar ninguém com coisas pessoais. Como se eu devesse encarar e carregar meus problemas sozinha... como sempre.
Depois do almoço, Alexander revela a sua “surpresa”: chocolates.
Graças a deus ele havia comprado o suficiente para todo mundo. E sim, eu sei que é clichê alguém aparecer com chocolate quando você usa a palavra “TPM” e “Cólica” e “Aquele período do mês que eu acho que vou morrer”, mas eu gosto. É uma espécie de dar atenção, de demonstrar que se importa, que eu não estava acostumada.
— Então... Alex você já convidou a Bell para o jantar de aniversário do tio Kev? – Alexis perguntou de repente.
O ruivo ao meu lado enrijeceu.
— Hum... não... – ele respondeu, olhando-a de modo estranho.
— E está esperando o quê? – Ela retrucou, sem se importar com o olhar dele. – O jantar é hoje sabe. Tenho certeza que ele vai adorar conhecê-la... mamãe também.
Há um sorriso maldoso nos lábios de Alexis quando ela coloca o irmão contra a parede daquele modo, por isso me sinto desconfortável. Ela obviamente estava forçando ele a fazer algo que (provavelmente) ele não queria fazer, colocando-o numa situação difícil.
— Eu ia perguntar assim que você fosse embora, mas obrigado por me colocar nessa situação, você é um amor de pessoa, sempre muito discreta – ele disse com sarcasmo e irritado.
Alexis deu de ombros, sem se importar.
— Hum... parece legal, mas... hoje eu não estava me sentindo muito bem, ainda estou um pouco mal. Acho que vou ficar por aqui e fazer uns trabalhos acumulados – eu respondi antes que a situação ficasse pior entre os dois, mordendo o lábio inferior. – Foi mal.
Eu estava um pouco sem graça por essa situação, ainda mais porque eu queria que Alex me levasse para conhecer a família dele, mas isso era algo que namorados faziam, né? Eu não sabia se deveria.
De qualquer forma, Alexis parece desapontada e olha feio para o irmão.
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Depois que ela vai embora, Alexander me leva para a universidade. O caminho é feito em silêncio. Um silêncio tenso que eu não sabia como quebrar e me perguntei se ele queria fazê-lo. Até que, em um dado momento, eu me perdi demais em pensamentos para me importar com a falta de diálogo entre nós dois.
“Isso não estaria acontecendo se você falasse logo com ele” disse uma voz sábia na minha cabeça. “Se você falasse que está gostando dele, com todas as letras. Você devia falar ‘ou soma ou some’ e aí a sorte estaria lançada”.
Suspirei. Odiava essa voz.
Ela me fazia lembrar que eu ainda era uma garotinha tímida e com medo. Sabe aquele ditado de “falar é mais fácil que fazer”? Bem, serve para os seus pensamentos também. Pensar é fácil, você imaginar que você diz isso é fácil, agora o difícil era arrumar coragem para conversar sobre isso.
Minhas mãos tremem só de pensar.
Eu tinha tanto medo. Tanto medo que ele risse de mim, que ele dissesse que não sentia o mesmo e que sentia muito por eu acabar me apegando a ele assim... e então ele dissesse que seria melhor nos afastarmos. Não era assim que funcionava esse lance de “amizade colorida”?
No entanto, se eu fosse sincera, admitiria que haviam momentos em que eu sentia como se ele gostasse de mim também. Principalmente quando ele era... atencioso daquele jeito. Na maior parte do tempo, eu me sentia correspondida, e ele nunca dera a entender que eu estava passando de algum limite entre namoro x amizade colorida.
Nesses momentos, eu sentia que ele... corresponderia.
Mas havia aquela voz irritante que dizia “e se ele for assim com todo mundo? ”.
Essa voz era irritante. Era como se ela fosse contra todas as evidencias e por algum motivo, ela se sobressaía da lógica. Ela me apavorava. Fazia com que minhas mãos tremessem e eu sentisse falta de ar só de pensar em falar com ele sobre isso.
— Bell? – Ele me chamou de repente.
Dei um pulo no lugar e olhei para ele. Por algum motivo, meu coração está batendo muito rápido e eu me sinto muito constrangida, quase ofegante. Levei alguns segundos para perceber que havíamos chegado ao campus e eu havia permanecido sentada feito uma idiota no carro.
— Você está bem? – Ele perguntou.
— Hum... s-sim – eu respondi. Então pensei melhor. Eu tinha que dizer para ele. Eu tinha que dizer alguma coisa para ele... – N-não muito... Eu preciso falar com você...
Ele se virou para mim com interesse, e ter a atenção daqueles olhos cinzas e claros me constrange. Porque sinto como se ele estivesse tentando ler através de mim. Como se ele estivesse tentando ler a minha mente e, pior que isso: lendo o meu coração.
Eu fico ofegante, não dá. Não consigo falar sobre isso. Não agora.
Então eu fiz o que faço de melhor: fugi.
— Depois da aula – eu adiei, antes de abrir a porta e sair correndo.
Parabéns Bell, você é uma medrosa.
Não adianta se vestir de maneira diferente, agir de maneira diferente, falar de maneira diferente, se no fundo, bem lá no fundo, você é uma garota que sai correndo com medo de encarar problemas amorosos.... Lá no fundo você ainda é a mesma pessoa.
Eu me disse isso o dia todo.
E estou com tanta vergonha de mim mesma que mesmo quando Sasha, Ellie e (a mais nova recruta) Chris aparecem para tomarmos um café juntas, eu não consigo falar sobre o que aconteceu para elas. Eu não consigo sequer prestar atenção na conversa, e muito menos fazer comentários interessantes.
Eu me sinto um fracasso. Uma experiência delas que deu errado.
Sinto que as desapontei.
Eu sinto como se tivesse um Mushu na minha mente falando: “Desonra! Desonra para todo mundo! Desonra para você, desonra para a sua família, desonra para a sua vaca!”. Eu poderia completar: “desonra para suas amigas...”.
É óbvio que elas percebem que há algo de errado comigo, e chegam até a perguntar o que foi, mas eu não tenho coragem de lhes dizer, então eu apenas peço para não falar sobre isso agora. Ellie e Sasha insistem muito, mas eu estou tão farta de tudo isso, e da minha própria cabeça, que eu me fecho o resto do tempo em que tomamos café, e não há nada que me faça dizer alguma coisa.
Como se não fosse o suficiente essa situação, eu tenho um momento desagradável quando estou saindo da minha última aula: encontro um grupo de garotas falando sobre mim... pelas minhas costas. Sinceramente, eu não sabia que eu era tão “importante” para que falassem pelas minhas costas, achei que eu fosse tão introspectiva que eles só ignorassem.
De qualquer forma eu as ouço dizerem:
— Você não acha um tanto injusto a professora pedir para ela participar do concurso? Quer dizer, você ouviu quando ela disse quem era o pai dela?
— Me diz, que chance nós temos de ganhar da filha do Paul White?
— Se nós sabemos, é claro que os juízes vão saber também...
Eu confesso que estou decepcionada e irritada (pensei que já havia passado dessa fase com a minha turma). Antes que eu tenha alguma noção do que estou fazendo, eu me meto no meio de sua rodinha de veneno e pergunto:
— O.K. Vocês estão com medo do que? De que meu pai escreva a minha história por mim? De que me favoreçam por ser filha de um escritor famoso? Ou que eu escreva tão bem quanto ele porque sou filha dele?!
Elas se calam e parecem constrangidas. Do tipo que qualquer uma ficaria ao ser pega falando mal de alguém e confrontada. As pessoas eram assim também, não é? Se sentiam confiante falando por trás, mas sem coragem de falar pela frente. Era quase um alívio perceber que eu não era a única medrosa nesse mundo.
— Escutem, se vocês se acham incapazes de vencer um concurso, não venham pôr a culpa em mim, ou em qualquer outra pessoa, seja eu filha de um sapateiro, de um escritor ou da Rainha de Sabá – eu termino, irritada. – Não venham despejar veneno por conta da insegurança de vocês. É nojento.
Me afasto delas e vou para fora do prédio.
Eu havia vindo para a Inglaterra justamente para fugir de situações como essas. Imaginei que as pessoas não saberiam que eu era filha de Paul White, e então elas poderiam me deixar em paz. Haviam muitas coisas capaz de me magoar, muitas mesmo, porém, nada me irritava mais do que desdenharem de algo tão pessoal quanto escrever.
Não era a primeira vez que alguém dizia algo do tipo. Eu sempre ouvia esses tipos de comentários pelas minhas costas, mas foi a primeira vez que eu os retruquei.
As pessoas acham que só porque você é filha de alguém você tem um “dom” para aquilo. Nossa, que raiva dessa palavra “dom”. Ela era usada nas idades antigas, onde acreditavam que os deuses abençoavam as pessoas e lhes davam presentes para fazerem coisas que mais ninguém conseguiria. É uma forma limitada de se ver o mundo. Uma forma um tanto conformista: “Ele tinha um ‘dom’ para aquilo, então eu nunca vou conseguir”. É inadmissível que hoje em dia ainda tenha gente que acredite nisso.
John acompanha meus passos irritados e solta um assovio do meu lado.
— Meu deus, que resposta hein? Você parece borbulhando de raiva – ele diz.
Eu olho para ele e percebo que tenho lágrimas de raiva nos olhos.
— E estou – eu respondi. – Estou puta. Odeio esse tipo de conversa.
Eu paro de andar e ele para também.
— Sabe, as pessoas gostam de me desprezar porque meu pai é Paul White, como se fosse ele quem escrevesse minhas histórias por mim ou como se fosse ele quem... sei lá, como se todo livro que eu fizesse ele estivesse por trás – eu lhe disse. – Elas só ignoram que como elas eu passei anos perdida em livros e me entupindo de histórias... que como elas eu gostava de imaginar, de inventar e de escrever-...
Eu paro de falar e desvio o olhar para qualquer outro lugar. Não quero chorar. Não quero explodir desse jeito. É só que... meu deus, que bosta de dia. Eu deveria ter ficado fingindo estar morrendo na minha cama. Queria voltar no tempo até aquele momento.
Sinto sua mão no meu ombro.
— Ei... você sabe do que é capaz. Você sabe do seu potencial – ele diz.
— Será que eu sei? – Eu perguntei. – Será que eu tenho potencial mesmo ou as pessoas só me bajulam porque eu sou “Filha de Paul White”? Merda... sério, eu já sou insegura o suficiente sem ter que lidar com essas pessoas imbecis.
John, sem dizer nada, me puxa para um abraço que eu aceito por alguns segundos, antes de empurrá-lo, fungar e enxugar meus olhos.
— Não precisa disso, eu não vou chorar – eu digo, me sentindo ridícula.
— Você já estava-...
— Não! Eu não estava! – Eu aviso, apontando o dedo para ele.
— Certo, você não estava – ele concordou, dando uma risada. – Mas estava perto...
— Cala a boca – eu digo, empurrando-o.
Eu levo alguns segundos para me recompor, e quando o faço me despeço de John e vou para o estacionamento, procurar Alexander e ir para casa. No meio do caminho, porém, encontro-me com Robb e seu amigo, cujo nome eu não me lembro. A última vez que eu falei com ele foi por mensagem de texto, contando-lhe o que Lauren havia me dito e então lhe sugerindo seguindo a ideia dela.
— Estávamos te procurando – ele disse.
Parecia sem fôlego, como se houvesse corrido o campus todo à minha procura.
— E encontrou. O que foi? – Eu perguntei.
— Nós vamos invadir a casa hoje, agora – ele respondeu. – Precisamos de você.
Um arrepio percorreu a minha espinha, mas não soube bem o porquê.
— A- agora? – Eu gaguejei.
— Sim! Mike está no treino e só volta daqui à duas horas. Teremos tempo de sobra para revirar a casa da piscina – o outro garoto respondeu, ajeitando seus óculos. – Também sabemos como entrar sem sermos vistos.
Eu hesitei.
— Eu estive pensando... você já tem a localização do caderno, sabe como entrar sem o Mike se dar conta... por que ainda precisa que eu entre lá? – Eu perguntei.
Ele soltou um suspiro.
— Porque Will e eu fizemos um reconhecimento da área – ele comentou, parecendo desconfortável. – Ele vai ficar de vigia e avisar a gente caso alguém se aproxime... e precisamos de alguém pequena que passe pela janela que sempre fica aberta e abra a porta para mim. – Ele deu de ombros. – Eu não consigo passar por lá, Nala também não... Você sim.
Eu bufei.
Houve um momento em que achei isso empolgante, agora eu achava ridículo.
— Você promete que ele não vai saber? – Eu perguntei.
Robb fez um sinal sobre o peito.
— Juro de pé junto.
Mordi o lábio inferior e peguei o meu celular para avisar Alexander que eu teria que passar um pouco mais de tempo no campus. Para a minha surpresa, não tive que lhe escrever nada porque já havia uma mensagem piscando na tela do meu celular: “Tive uma emergência, não deu para te esperar”.
Uma mensagem seca, mas urgente.
“OK. Espero que esteja tudo bem” foi o que eu respondi.
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