Good Gone Girl

22 Capítulo 22 – imbecil, inconsequente e irresponsável


Notas iniciais
Oláaaa Não sei se esse capítulo ficou bom, então espero que vocês caprichem nos comentários e nas críticas por favor (construtivas!). Eu acho que ele vai ter um desfecho inesperado, então espero que vocês façam o favor de comentar :3 Agradeço aos comentários de: > Carina Darlly > Flávia > Letícia > Matry-chan > Uma Leitora Qualquer. OBRIGADA ♥

Capítulo 22 – imbecil, inconsequente e irresponsável

Eu acordei com batidas na minha porta.

Eu mal havia encostado a cabeça no travesseiro para dormir e fui acordada com alguém batendo na minha porta. Às malditas três horas da manhã. E há um momento em que cogito deixar a pessoa plantada do lado de fora, mas me sentiria mal com isso. E se fosse uma emergência? E se fosse alguém importante?

E são esses pensamentos que me fazem me arrastar para fora da cama e marchar em direção à porta do meu quarto.

Só para encontrar Alexander parado no meu corredor, apoiado no batente da porta. Não preciso dizer como ele estava lindo. Vestia-se de preto (camiseta preta, calça jeans preta, casaco preto...), parecia um Shadowhunter com todas aquelas tatuagens que eu sabia ter em seu corpo e que despontavam pela gola da camiseta. Cobrindo seu pescoço.

— O que você...

Ele veio me beijando, sem esperar que eu terminasse minha pergunta.

Seus lábios, como sempre, eram implacáveis: habilidosos e irresistíveis.

Se moviam sobre os meus com posse, fome e desejo. Muito desejo. Dá para sentir no modo como suas mãos apertam meu corpo por sobre o moletom e em como sua língua provoca a minha. Uma dança sensual e faminta. Uma de suas mãos desce pela barra do meu moletom e pega uma de minhas pernas, prendendo-a contra seus quadris.

Um arrepio percorre minha espinha quando subo nele, prendendo minhas pernas em torno de seus quadris, e ele me carrega para a minha cama. Parando o beijo somente para colocar o nariz no meu pescoço e fungar. A sensação me causa cócegas e excitação.

— Eu vim assim que pude – Ele murmurou em meu ouvido, mordendo o lóbulo da minha orelha. Um arrepio percorreu a minha espinha. – Você é uma garota muito má.

Tentei não rir, mas era difícil acreditar que alguém me chamava de má.

Pela primeira vez, ele não me jogou na minha cama. Ele se sentou nela, e me deixou sentada no seu colo, com as pernas convidativamente abertas ao redor de sua cintura. Por algum motivo aquilo me excitava. Lembrava-me da primeira noite dele ali. Lembro-me de ter ficado por cima e de ter ficado apavorada por isso.

— Eu não fiz nada – me fiz de inocente.

— Não. Só ficou me assombrando com imagens de você se tocando... – Ele murmurou, as palavras soando como gemidos de agonia... ou prazer. – Era impossível me concentrar. Impossível pensar outra coisa... Eu queria você. Quero.

Alexander espalmou suas mãos em minha bunda e me puxou mais contra ele. Enquanto morde meu lábio inferior, causando mais um arrepio de excitação.

— No que você pensou? – Ele perguntou, mordiscando minha bochecha e todo o caminho até o pescoço. – O que você fantasiou para-.. – Ele geme. – Tanto faz. Estou aqui e sou seu. Faça o que quiser comigo.

Meu coração deu um pulo no peito.

Como assim “faça o que quiser comigo”?

Por um instante, eu acho que aquilo era um sonho. Como um daqueles sonhos eróticos que as pessoas comentavam. E eu fico parada, olhando no fundo de seus ardentes olhos cinzas, esperando que eu acorde. Porém, tudo o que ele faz é tirar suas mãos de mim e apoiar-se no colchão da minha cama. Também me olhando nos olhos.

— C- como assim “faça o que quiser comigo”? – Perguntei.

Minha mente pervertida (e eu nem sabia que tinha uma até então) correu solta. Como se tivesse recebido carta branca para atuar. Eu consigo senti-la rodopiando loucamente dentro do meu cérebro me dando mais ideias e mais ideias do que eu queria fazer com Alexander... Ou o que eu queria que Alexander fizesse comigo. Queria que ele me fodesse por trás, como ninguém nunca fez. Queria que ele... Que ele tivesse aquela dose de violência e carinho tão característico.

Pode parecer um desejo simplório. Nem mesmo era o ápice da sacanagem... Mas eu achava tão sexy quando via nos filmes ou nos livros. E, por algum motivo, as pessoas não gostavam de algo assim. Ainda mais comigo.

Meu corpo se aquece.

Quando vejo, ele está com a boca próxima da minha orelha e diz:

— Se eu fosse o Alexander que você imaginou se tocando, o que faríamos agora?

Eu estremeço, antes de avançar.

Beijo sua boca e enrosco meus dedos em seus cabelos ruivos. Ele geme contra os meus lábios, e sinto suas mãos se fecharem em minha cintura com força. Nosso beijo é selvagem e incontrolável. Eu me sinto selvagem e incontrolável, como minha mente suja e como a garota que eu esperava me tornar um dia.

Eu paro o beijo puxando os seus cabelos para afastá-lo de mim, e eu passo para o seu pescoço. Sobre as tatuagens maravilhosas que o decoravam e então eu o mordisco. Ele solta gemidos de aprovação. E então eu desço para a sua clavícula e começo a desabotoar sua camiseta. E a cada botão desabotoado, e a cada pedaço de pele tatuada à mostra, eu deposito um beijo molhado e lhe dou uma mordida.

Abaixo de mim, eu o sinto endurecer maravilhosamente.

Hum, eu sabia o que eu queria fazer antes de ser fodida por trás.

Saí de seu colo, fazendo com que suas mãos agarrassem o nada, mas ele não protesta. Quase como se confiasse (ou soubesse) que eu voltaria para ele. Amarro os meus cabelos longos num rabo-de-cavalo alto e ele solta um gemido. Como se entendesse o que aquilo significava. Não que eu sempre amarrasse o cabelo quando fosse chupar alguém, mas eu gostava de pensar que era útil ter uma liga de cabelo por perto.

— Você vive me chupando, sabe? – Eu disse, começando a desabotoar o botão de sua calça jeans. – Acho que está na hora de retribuir o favor.

Eu desço suas calças pelas suas pernas, e esse processo demora mais do que eu esperava. Todavia, ele geme, como se sofresse de antecipação e diz:

— Gosto de um relacionamento democrático.

Dei um sorriso satisfeita e enfim comecei a passar para o trabalho de tirar a cueca dele, quando de repente me dei conta de uma tatuagem na sua virilha. Perto daquele osso dos quadris (bacia? Não sei, não era muito boa em biologia também). De qualquer forma, para mim, era uma tatuagem nova. Não me lembrava dela aí antes, mas também, não era como se eu fosse a pessoa mais observadora do mundo quando se tratava daquela região (parecia constrangedor demais ficar olhando).

De qualquer forma, eu comecei a rir.

E se isso não tivesse brochado Alexander, ele era o homem mais imbrochante do mundo. Mas a questão era que não tinha como ficar séria com aquela tatuagem: um tubarãozinho (no maior estilo Cartoon) acenando por detrás do cós da cueca dele. Uma tatuagem pensada exatamente para ser daquela altura.

— Tatuagem nova? – Eu perguntei entre risadas.

— Eu estava me perguntando quando você notaria, na verdade – Ele admitiu. – Você não é muito observadora, né?

Tento recuperar o meu fôlego e toda a minha pose de gostosona, mas é difícil.

— É fofa – Eu digo. – A tatuagem.

— É para quebrar o gelo – Ele respondeu.

“Ou para me fazer rir tanto até que seja incapaz de te chupar” eu pensei em responder, mas poderia soar meio decepcionante. De qualquer forma, era simpática. Era como se tirasse um clima pesado daquele momento (e eu não tinha percebido o quão pesado ele estava até eu começar a rir).

— Bem, já que eu já beijei/toquei/lambi todas as tatuagens do seu corpo... – Eu comentei, inclinando-me sobre o tubarão e lhe dando um beijo molhado. Alexander estremeceu de prazer. – Para não ficar com ciúmes das outras.

E então eu tirei a sua cueca.

Tenho certeza que eu já disse isso: mas o membro de Alexander era incrível. Eu nunca achei que haveria um dia em que eu acharia um... bem, um pau bonito, mas sem dúvida o dele venceria o de qualquer um que eu já tinha visto. Podia não ser o maior, nem o mais grosso, mas... Era bonito de se ver. Ainda mais tão excitado como ele estava.

Era o tipo de pau que fazia minha boca salivar.

Eu nem avisei que ia chupá-lo, só (literalmente) caí de boca.

Eu comecei chupando-o com vontade, cobrindo a cabeça inchada com a minha boca e então subindo e descendo, acompanhando o ritmo com as minhas mãos. Seus suspiros e gemidos encheram meus ouvidos, como uma sinfonia de prazer. Arrisquei olhar para ele, e então nossos olhares se encontraram, e eu não consegui mais desviar.

Em algum lugar, eu havia lido que manter o olhar os excitava.

Em minha boca, a textura era como sentir algo rígido coberto por maciez, era deliciosa. Como chupar um picolé ou um pirulito, só que menos doce e de um sabor único. Eu diminuo o ritmo, e então lambo toda a extensão dele, para logo depois rodear sua cabeça inchada com a minha língua. Isso é o suficiente para Alexander cortar aquele contato visual e se jogar na minha cama. Como se fosse demais para ele ver.

E então volto a colocá-lo na boca e pergunto-me até onde eu conseguiria acolhê-lo em minha garganta. Enquanto tento colocar o máximo possível do pau dele na minha boca, o ouço murmurar coisas incoerentes e então sinto sua mão segurando meu rabo-de –cavalo. Ele o puxa de leve e eu nunca pensei que fosse tão bom ter o cabelo puxado.

Eu consigo engoli-lo todo, antes de tirá-lo e o masturbar com minhas mãos.

Volto a chupá-lo como antes. Com vontade, subindo e descendo, cada vez mais rápido, cada vez mais intenso. Coloco uma mão em sua coxa para ter um pouco mais de apoio, e levo outra mão para mim. Para a minha entrada. Enquanto o chupo, penetro um dedo pela minha entrada molhada e excitada.

Quando tento acomodá-lo novamente em minha garganta, coloco mais um dedo e o dedão roçando o meu clitóris. Gerando aquela onda de prazer por todo o meu corpo. E então eu começo a criar uma conexão entre a rapidez com que movimento meus dedos em mim com a rapidez que eu o chupo. Ora inteiro, ora só a cabeça.

Até que o sinto explodir em minha boca.

Seu sêmen preenchendo-me e me fazendo engolir tudo.

Ou quase tudo, uma parte escorreu pelos meus lábios, mas eu lambi. E quando olhei para Alexander ele estava me olhando novamente. Ofegante, excitado e... Meu Deus, não sei. Muitas coisas ao mesmo tempo.

— Você é uma Deusa – Ele disse.

Eu volto a me sentar sobre ele.

— Repete? – Eu pedi, debruçando-me sobre ele, já que ele estava jogado na minha cama. – Quero ver se você pisca quando mente.

Ele deu aquele meio sorriso misterioso.

E ergueu suas mãos para pegar no meu rabo-de-cavalo e então soltá-lo. Meus cabelos escuros caindo como uma cascata sobre meu colo e meu peito cobertos pelo moletom cor-de-rosa. Bem, para a primeira fase, eu não precisei ficar nua.

— Você é uma Deusa – Ele repetiu. – Só não tem confiança nisso ainda.

Confesso que fiquei sem graça, por isso não consegui articular nada provocante para responder, e como se soubesse disso, Alexander se senta na minha cama e então me beija. Puxando meu corpo contra o dele como se quisesse nos fundir em um só.

Seu beijo parece diferente.

É mais calmo e terno, apesar das mordidas pelo meio. É excitante. Como algo novo. Como algo diferente de qualquer coisa que ele houvesse feito até então. Sei que estou sendo romântica ao pensar assim, mas há uma parte poética em mim que se recusa em me deixar. O que era bom, porque eu a usava para escrever.

Ele se afasta com um suspiro sôfrego.

Seus olhos se perdem nos meus, por um instante, e então ele leva uma de suas mãos para o zíper do meu moletom e o desliza para baixo. Livrando-me da única peça de roupa que eu estava usando naquela ocasião. Ele solta um suspiro quando a joga para a cama de Chris e então seus dedos e seus olhos percorrem o meu corpo.

Não fiquei tão constrangida.

Mesmo que tudo em mim seja um pouco abaixo da média. Se eu tivesse que dar notas para o meu corpo, estaria tudo reprovado. Porém o toque dele me excita, e o seu olhar me intimidava um pouco menos. Ainda mais porque é o olhar de quem está gostando do que está vendo. E, pelo seu pênis que voltava a endurecer, eu podia afirmar que ele estava gostando sim. Ao menos alguém gostava.

E eu gostava muito que ele gostasse.

Não consigo pedir para que ele me foda por trás porque... Eu queria ver ele me olhando. Anoto para deixar isso para outra noite mágica como essa.

Ele voltou a me beijar e meus braços o envolvem como se nunca quisessem soltá-lo. Quando o sinto excitado o suficiente para a segunda rodada daquela noite, eu me levanto e o guio para a minha entrada. Ele geme contra os meus lábios quando sente o acolhimento dentro de mim.

Seus suspiros ameaçam acabar o beijo, mas não acaba.

Ao contrário, torna-o mais feroz e desesperado, enquanto nossos corpos se mexem na mesma sintonia, no mesmo ritmo lento. De quem está acordando devagar. E então vai tomando um embalo um pouco mais rápido, mais vigoroso. E é quando eu termino aquele beijo e o empurro para se deitar na minha cama novamente.

Ele fica me olhando, com as mãos nos meus quadris, mas não se atreve a ditar o ritmo, ele deixa que eu mande. Como ele disse naquela noite: eu podia fazer o que quiser com ele. E sou eu que decido que as estocadas devem ser mais vigorosas e rápidas. E quanto mais rápido melhor. Havia algo que fazia eu me arrepiar com aquilo. Correntes elétricas e pura estática atravessavam meu corpo como um condutor.

E é quando eu levo uma mão aos meus seios e outra mão ao meu clitóris e me massageio, me excito, que parece que todo o prazer que eu sentia era multiplicado por mil, e quando abri os olhos e encontrei o olhar ardente de Alexander... Bem, eu simplesmente pirei. Me senti a mulher mais desejável do mundo. A mulher que ele desejava.

Pego uma de suas mãos e a coloco sobre meu seio, admitindo que era diversão demais para eu ter sozinha. Ele o aperta, com aquele seu toque que é a mistura perfeita entre o forte e o delicado. E então sua outra mão vai para o outro seio e faz o mesmo. E ele se senta na cama, para levá-los aos lábios.

Sua boca me chupa e me lambe. Depois sopra pelo caminho molhado para me provocar. Uma provocação deliciosa. Passei meus braços por seus ombros e o arranho nas costas, ele geme em meu ouvido. Seu gemido parece vibrar por todo o seu corpo. Mas eu queria mais. Novamente, perco minhas mãos em seus cabelos ruivos e os bagunço, puxando alguns fios de cabelo no processo.

Gosto do cabelo dele.

Gosto da sua boca na minha pele...

Eu gosto dele...

Levo minha boca ao seu pescoço e o mordo com força. Mais força do que eu pretendia, mas ele não reclama. Ao contrário, geme como se tivesse gostado. E então eu o mordo novamente, um pouco mais para o lado, e depois mais para baixo. Uma de suas mãos desce dos meus seios e então ocupa o lugar que minha antiga mão estava tendo. E ele me estimula, fazendo-me vibrar.

— Estou tão perto... Tão perto... – Eu murmurei em seu ouvido.

— Então vamos juntos – Ele respondeu, intensificando a intensidade de seus dedos em meu clitóris.

Combinando a rapidez de seus dedos, com a rapidez com que eu montava nele. Cada vez mais rápido, as estocadas cada vez mais impetuosas... Até que enfim gozamos juntos. Ele me beijou como se quisesse abafar nossos gemidos do orgasmo. Mas tudo bem, estrelas brilharam sob meus olhos, juntos com fogos de artifícios, bolhas e luzes.

Ele se joga na minha cama e me puxa para o seu peito.

Exaustos. Quebrados.

À plena quatro horas da manhã.

Sinto suas mãos acariciarem as minhas costas, para cima e para baixo, enquanto eu ainda tento me recuperar daquilo tudo. Sem dúvida, havia algo de diferente naquele sexo. Eu só não sabia dizer exatamente o que era. Tudo havia sido incrível e perfeito demais. Como se eu soubesse o que fazer pela primeira vez.

Mas não era só isso. Sentia que havia algo errado em toda aquela atmosfera.

Não errado... Mas diferente.

— Se tivéssemos transado em algum lugar ao ar livre, poderíamos estar admirando as estrelas agora – Alexander soltou, do nada.

E por algum motivo isso me fez rir.

— É. E morrido de hipotermia também – eu retruquei.

Ele abaixou o olhar para mim, e disse:

— Eu te manteria aquecida. Você não teria morrido de hipotermia – ele retrucou.

— Se dependesse de mim, você não morreria de hipotermia também – eu respondi.

Ele sorriu em resposta e voltei a deitar minha cabeça no seu peito tatuado.

E foi então que percebi o que havia de errado: eu inevitavelmente ia me apaixonar por Alexander. E nunca isso pareceu tão... real quanto agora.

Eu não saberia dizer o que foi, mas foi algo nessa noite, algo no como nos entregamos ao momento (ao “aqui e agora”)... Que fazia parecer que o que fizemos não podia ser chamado de “transar” e sim “fazer amor” e, ai meu deus, isso nunca pareceu tão assustador como agora.

Talvez tenha sido os olhares.

Ou o modo como ele tocava a minha pele.

Ou como ficamos em silêncio aproveitando tudo.

Eu não saberia dizer. Mas tudo o que eu conseguia pensar era que... Se eu continuasse transando com ele daquele jeito... Eu inevitavelmente acabaria me apaixonando. Porque eu me conhecia bem demais. Aquele “algo” nessa noite; essa espécie de “magia” no ar... Inevitavelmente me arrastaria para o último lugar que eu não gostaria de ir: o fundo do poço das pessoas apaixonadas.

E tudo o que eu conseguia pensar era:

“Então não se apaixone” e “quando você perceber que ele está levando à sério, sai fora”... E se mudasse a situação de “ele” para “mim” eu estava muito fudida.

Pensar nisso me deixou tão inquieta que eu me levantei dele e me afastei. Como se a distância imediata fosse o suficiente para parar com as voltas loucas que meu coração e minha cabeça estavam dando. Meu coração estava desgovernado e eu não sabia se era pelo sexo, pelo pânico diante a consciência de que eu iria me apaixonar por ele... Ou porque eu havia me afastado dele.

E foi quando eu me dei conta do segundo problema que eu teria que resolver.

— Hum... Alex... – Eu comecei, sem saber como ter que explicar. Tenho certeza que meu rosto se tingiu de vermelho. — Eu acho que.. Esqueci de... Colocar a camisinha.

Eu me sinto uma pessoa idiota. Muito idiota.

Ouso dizer que sou a rainhas dos idiotas.

E não sei como o ruivo consegue não me matar naquele momento.

— Puta merda – ele soltou.

E é assim que, dos portões do paraíso, Isabelle foi parar no quinto dos infernos. Eu me sinto a pessoa mais imbecil, inconsequente e irresponsável da história, quando de repente, eu sinto a mão dele no meu ombro. Acariciando-me. E então eu não me sinto mais imbecil, inconsequente e irresponsável, só... Imbecil e inconsequente por estar tão perto de me apaixonar pela minha única amizade colorida.

— Tudo bem. Isso acontece – Ele disse. – Vamos resolver isso.

Pergunto-me a que problema ele se refere (porque eu acho que meu coração maluco não tem mais volta), quando o vejo se abaixar e juntar suas coisas no chão. Enquanto se veste eu não consigo tirar os olhos dele por dois motivos óbvios: um, ele era lindo; dois, suas tatuagens eram magníficas.

Eca, eu disse magníficas? Eram perfeitas.

E então ele se vira para mim, enquanto abotoa a camiseta.

— Por mais que eu adore você do jeito que está, acho melhor você se vestir também, lindinha. Uma roupa quente porque está frio lá fora – Ele avisou.

Quando ele me chamava de “Lindinha”, só pensava nas Meninas Super Poderosas.

— Onde vamos? – Perguntei, levantando-me.

— Numa farmácia – Ele falou como se fosse óbvio. – Comprar uma pílula.

E realmente era óbvio. Muito óbvio, Bell.

Novamente me sinto uma imbecil.

Como eu nunca demorei para me arrumar, coloco um pijama e um casaco grosso por cima. Eram quase cinco da manhã e não acho que fosse inaceitável uma garota de pijama numa farmácia à essa hora. De qualquer forma, Alexander estaria ao meu lado e eu duvido alguém ter coragem de me pôr para fora de qualquer lugar com ele.

Eu passo o caminho todo me sentindo mal pelas ressentes descobertas (o quão próximo eu estou de me apaixonar por ele e o quão burra eu devo ser por esquecer de colocar a camisinha num momento como aquele) que acho que Alexander percebe. A ponto de passar o caminho todo segurando a minha mão e dizendo que estava tudo bem.

Mal ele sabia que tudo estava longe de ficar bem.

Depois que compramos a maldita pílula, que eu engoli seco mesmo, ficamos parados dentro do seu carro porque faltava pouco tempo para abrirem os portões e para ele poder ir para a casa dele. Queria nem pensar quantos esquemas esse lance de “horário” em cidade universitária já havia ferrado. Era até uma sorte que, nos fins de semana, fechassem mais tarde e abrissem mais cedo.

— Eu acho que se dependesse de mim você morreria de hipotermia – Eu disse quebrando o silêncio. – Sabe, eu sou muito magra. Não teria calor para você.

Alexander deu uma risada.

Quando deu o seu horário, ele me deixou no meu alojamento, porém, antes que eu fosse para o meu quarto, ele segurou o meu braço com delicadeza. Como quem queria ter uma última conversa antes da noite acabar. Eu parei e me virei para ele.

— Você está estranha, o que foi? – Alex perguntou. – Não foi bom?

— Longe disso... Foi maravilhoso – Eu respondi rapidamente.

Se ele soubesse a verdade... Provavelmente riria na minha cara. Como eu poderia dizer para alguém do nível de experiência dele algo do tipo: “Eu só acho que estou a um passinho de gostar demais de você... E isso me assusta um pouquinho porque... Bem, isso não era para acontecer, sabe? Mas hoje... Para mim a gente não transou, a gente fez amor” sem parecer patética, imbecil e inconsequente.

O que eu ia fazer?

Bem, novamente, a resposta era óbvia.

Bell, sua burra.

Ergui meu rosto para ele. Precisava de coragem. Fiquei encarando-o até ele me encarar de volta. Porém, quando nossos olhares se encontraram eu fraquejei. E não consegui dizer ou fazer outra coisa que não me perder naqueles olhos cinzas. Ficamos nos encarando por um tempo, até que ele estendeu uma mão para tocar nos meus cabelos. Seu toque quase fez com que eu engolisse minhas palavras.

Como se todo meu corpo dissesse: “Não diz nada! Não acabe com isso!”.

Mas foi quase.

— Acho que... Precisamos dar um tempo.

Esperei a sua reação.

E meu coração nunca doeu tanto (talvez só quando Mike e Lauren me traíram) como naquele momento. Quando eu o vi abrir e fechar a boca como um peixe fora d’água, sem saber o que dizer. Como se ele estivesse perdido: “como um sexo bom daqueles vinha seguido de ‘precisamos dar um tempo’?”. Como quem pega um livro pela metade e se pergunta se perdeu algum capítulo.

Perdeu, sim querido, mas esse capítulo está na minha cabeça. E é meu.

— Você... Tem certeza que quer isso? – Ele perguntou, bem baixo.

Mal consegui ouvi.

“Não, não tenho! Estou louca! É o álcool! Esquece o que ela está falando” todas as células do meu corpo pareciam gritar. Se estivessem presas numa jaula, estariam segurando as barras com desespero e se debatendo lá dentro. A visão é deplorável. E apenas mais uma prova de que eu estava louquinha por aquele ruivo.

Não, eu não tinha, mas eu concordei com a cabeça mesmo assim.

Eu não conseguiria falar.

— Há algo que eu possa fazer para consertar? – Ele perguntou.

“Seja menos perfeito...” eu pensei com um suspiro.

Eu poderia dizer que ele parecia um pouco desesperado, mas era o Alex. Ele nunca se desesperaria por uma garota como eu. Mesmo assim, por algum motivo (talvez, provando o quão encantada eu estava por ele) sua pergunta me comoveu. Foi mais como uma faca enfiada no meu peito. Até respirar parecia doloroso. Ninguém, nenhum dos caras com quem eu já fiquei ou namorei na vida, fizeram aquela pergunta.

“Há algo que eu possa fazer para consertar?”.

E perceber isso apenas me fazia sentir mais errada.

— Não – Eu respondi enfim, odiando o como lágrimas se acumulavam nos meus olhos. E como, por algum motivo, eu sabia que ele queria e precisava de uma justificativa eu disse: – Eu... Eu só preciso de um tempo... Para mim.

Suas perguntas acabaram ali.

E eu tenho certeza de que estava parecendo bem patética quando ele passou os braços ao redor de mim e me puxou contra o seu peito num abraço gentil. Era quente e macio. Não queria sair de lá nunca mais. Dei uma fungada no seu cheiro, só para ter certeza que eu iria me lembrar mais tarde.

É, eu era a imagem da desolação.

E era eu quem estava me fazendo sofrer.

— Não precisa chorar – ele disse. É, o desgraçado tinha visto minhas lágrimas. Que vexame. – Se você precisa de um tempo para você... Não tem porquê chorar.

— Desculpa – murmurei.

Ele deu uma risada por causa do meu pedido de desculpas.

E então me soltou devagar, mas não sei antes segurar meu rosto entre suas mãos e me roubar um último beijo. Sério, acho que se a gente tivesse se despedido sem aquele beijo, teria doído menos. Ou teria doído a mesma porra de sempre, mas eu preferia acreditar que seria diferente. A consciência de que ele podia ser o último, doía, muito. E com certeza teria me feito chorar ainda mais se eu não me controlasse.

Quando o beijo termina, parece que tem uma disputa sobre quem consegue se despedir primeiro. Ele não fala, e nem eu falo. Por que a verdade era que eu não queria me despedir... Porém, é com uma força inumana que eu consigo sussurrar um:

— Boa noite.

Medíocre.

— Boa noite – ele responde, mas não se move dali. – Eu vou esperar você entrar.

E eram essas pequenas coisas.

Essas pequenas coisas que me davam vontade de falar: seja menos perfeito!

Então, eu me afasto (com muito sacrifício) e caminho até o dormitório.

— Você tem o meu número de celular! – Ele avisa quando estou com a mão na maçaneta. – Sabe... Se mudar de ideia ou... Sei lá.

Alexander não estava me ajudando.

Notas finais
;-;