Good Gone Girl

17 Capitulo 17 – (Quase) Tudo Parece Certo


Notas iniciais
OLÁ E ai? Deu para sentir medo esse tempo todo que fiquei sem postar? Algo tipo: "meu deus, será que ela vai sumir de novo?" :v Mals, acho que sou uma pessoa sádica :x Obrigada por quem comentou ♥ Vou responder os comentários logo, logo!! Agradeço à: > Paulinha3 > Escritora de Araque > FelicitySmok > Sophia > uma leitora qualquer > Matry-chan > Flávia > Lily > Mente Bugada > Lizz > Violet Lestrange > Sandrinha > Carina Darlly OBRIGADA ♥ DE CORAÇÃO ♥ DO FUNDO DO MEU KOKORO ♥

Capitulo 17 – (Quase) Tudo Parece Certo

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O resto do caminho, ele fica de cara amarrada e isso me deixa mal.

— Você está frustrado? – Eu pergunto.

Ele arqueia uma sobrancelha para mim e me olha com frieza. Acho que este é o jeito de Alexander me castigar por eu não querer dizer quem me machucou. Estava dando certo, eu admito.

— Em não poder ajudar uma amiga? Sim – ele responde.

Eu mordo o lábio inferior, porque eu estou começando a me sentir culpada por não querer falar sobre isso. É muito fácil me fazer sentir culpada pelas coisas. Você só precisa me tratar mal ou me dar um gelo que eu logo volto pedindo desculpas por tudo, até pelas coisas que eu não fiz. Só quero ver os outros felizes... E que eles gostem de mim.

Sim, essa carência me assusta.

Por isso eu não me surpreendo quando, enquanto subimos as escadas do alojamento, eu sussurro para ele:

— Desculpa.

Espero, de verdade, que ele não tenha ouvido porque é humilhante. Na verdade, é humilhante que ele veja esse lado meu. Mas ele ouve, e enquanto segura a porta para mim, ele diz:

— A questão é que você é a única pessoa que não tem porque pedir desculpas.

Quando ele diz isso, eu já não sei mais o que fazer, então decido ficar em silêncio também. Voltando àquele vazio estranho entre nós dois. E em nenhum momento eu consigo não me sentir culpada por voltarmos àquele silêncio.

Quando chegamos à porta do meu quarto, ele devolve a minha bolsa.

— Obrigada, Alex – eu agradeço, mesmo que constrangida e derrotada.

Ele se encosta na parede e me espera abrir a porta.

— Hum, Alex... – eu digo, antes de rodar a chave. – Você acha... Que eu estou fazendo alguma coisa errada? Que estou tentando ser alguém que eu não sou?

O ruivo arqueou a sobrancelha.

— Eu não te conhecia antes, Bell – ele diz, dando de ombros. – Eu não tenho que achar nada, quem tem que achar é você. Mas se for para dar a minha opinião... Eu ainda não vi nada de errado com a Bell que eu conheço.

Eu abaixo o olhar, porque eu sabia que ele estava certo, de algum jeito. As palavras dele pareciam certas. Mas eu queria entender, então, porque mesmo sabendo daquilo eu deixava aquele cretino do Michael me afetar tanto?

— Michael disse que eu era melhor quando era uma boa garota – eu lhe digo.

Como se percebesse o quão afetada eu havia ficado com aquela frase, Alexander se curva sobre mim e me dá um beijo inesperado. O movimento é rápido e me assusta. Eu sinto seus braços envolvendo meu corpo e então, sua língua explorando a minha boca. Quente, macia e com gosto de doce.

Quando ele se afasta, eu ainda estou um pouco surpresa. Mal esboço uma reação. Só consigo pensar que talvez fosse por isso que eu estivesse saindo com Alexander. Ele quase me fazia sentir como se as coisas estivessem se encaixando. Como se estivesse tudo bem. Como se estivesse tudo bem em descobrir uma “nova Isabelle”. Como se estivesse tudo bem em descobrir coisas novas e se tornar uma pessoa melhor.

— Você ainda é uma boa garota – Alex diz.- Só não é a mais a boa garota dele.

Eu gosto de como aquilo soa. Como uma letra de música ou um pedaço de um poema: "Não sou sua boa garota". Soa forte. Quero que soe verdadeiro.

— Então foi ele? – Ele murmurou, me encarando. Sem me soltar.

Eu fico vermelha, mas não consigo negar para Alexander.

— Já passou – eu digo, ao invés. – Acabou.

Eu abro a porta do meu quarto, mas a expressão dele não é muito feliz. Ele parece meio distante. Por um instante, penso que ele está cogitando em se vingar de Michael ou arrumar briga com o loiro, o que eu não gosto muito. Os músculos de Mike eram, pelo menos, duas vezes os do Alex. E não estou duvidando da capacidade do ruivo mandar alguém para o hospital.

Eu só acredito na capacidade de Mike mandar alguém direto para o cemitério.

Tenho vontade de perguntar se ele não está pensando em fazer algo estúpido, mas não o faço porque eu tenho medo da resposta. Tenho medo de que ele diga que está pensando sim em dar um soco ou dois em Mike. Me arrepio só de pensar nisso.

Então me aproximo dele e o beijo. Rezando para que ele tire qualquer coisa desse tipo da cabeça. Ele me beija de volta, puxando-me contra si pela cintura e pousando sua outra mão em minha nuca. Eu me arrepio quando sinto sua língua em minha boca de novo. De repente, eu quero que ele fique... Só um pouquinho.

Mas tenho medo que ele me rejeite... Mesmo que não pareça lógico ele me rejeitar. Pergunto-me de onde esses medos vêem.

— Alex... Você pode ficar... Um pouco? – Eu pergunto, esperando que minha voz tenha soado como um sensual “podemos transar agora?”, o que pode não ter sido muito intenso depois que meu rosto ficou vermelho de vergonha.

Aquele sorriso está lá de volta. E eu havia sentido saudades dele.

— Tenho, mais ou menos, duas horas para deixar o campus – ele diz.

Pergunto-me se isso quer dizer que ele pode ficar, quando ele entra no meu quarto e fecha a porta, fazendo-me sorrir. Ele me beija novamente, me apertando contra ele, suas mãos por todo o lugar do meu corpo. Quando ele se afasta, ele diz:

— Com uma condição — E me carrega com uma facilidade desconcertante. Ele me coloca na minha cama, com cuidado e diz: — Me deixe fazer tudo.

Eu franzo o cenho, sem entender o que ele quer dizer com aquele pedido, quando ele se debruça sobre mim e me beija novamente, sem nem me dar tempo de contestar (não que eu fosse). Suas mãos estão pelo meu corpo novamente, apertando meus seios, minhas cochas e minha cintura. Eu gemo quando ele encosta na minha tatuagem, que recentemente anda coçando pra caramba.

— Desculpa... Tinha esquecido – ele pede, desconcertado.

— Tudo bem – eu digo, rindo. – Ela só tá... Coçando.

“E ardendo como o inferno” eu penso comigo mesma.

Ele passa suas mãos por debaixo da minha blusa vermelha, e então a tira pela minha cabeça. Exibindo meu sutiã cor-de-rosa com nuvens azuis... Eu estou começando a pensar em marcar quando eu for transar com Alex porque minhas roupas íntimas do dia-a-dia são brochantes.

Não que isso pareça perturbá-lo.

Ele parece bem divertido, enquanto abre o meu sutiã e o passa pelos meus braços, com cuidado para não bater no curativo. E então beija meu pescoço, enquanto suas mãos cobrem meus seios e os apertam. Eu quase não consigo respirar, enquanto seus lábios descem pelo meu pescoço e vão para os meus seios.

A sensação de quando ele cobre um deles com seus lábios é incrível. Sua boca é tão úmida e quente, que quando ele passa a língua pelo meu mamilo, todo meu corpo se arrepia e eu seguro um gemido. Então eu o sinto fazer o contorno de minha auréola, só com a ponta úmida, enquanto ele me observa arfar.

Quando ele troca de seio, o rastro de saliva que ele deixa cria uma sensação deliciosa em minha pele. Quando aquele calor se acumula entre minhas pernas, eu as esfrego uma na outra como se isso melhorasse minha excitação. Mas não consigo fazer nada por ele, então eu coloco minhas mãos em seus cabelos macios, e as desço para tentar tirar sua camiseta (o que é difícil quando só uma de suas mãos tem força e movimento para tentar tirar a camiseta de alguém).

Ele me ajuda a despi-lo e então eu sinto aquela pele quente, macia e tatuada em meus dedos. Deliciosa. Realmente, uma obra de arte. Da vontade de passa a língua novamente, de sentir a textura de sua pele na ponta dos meus dedos e na minha boca.

Os lábios dele descem mais pelo meu corpo. Pela linha do meu diafragma, deixando um rastro molhado e quente por onde passam. E então ele lambe meu umbigo desliza minhas saia por minhas pernas, tocando-me por sobre a minha calcinha fina.

Soltei um gemido de prazer.

Sua boca desce para minha virilha, fazendo-me gemer novamente.

Ele tira minha última peça de roupa também, mas não dá continuidade ao caminho de beijos que ele estava dando até então. Ele apoia uma de minhas pernas em seu ombro, e beija a parte interna dela, fazendo com que eu me arrepie completamente e solte o ar que eu estava prendendo.

E só então ele me beija ali.

Eu arfo novamente, quando sinto sua boca em mim. Talvez porque eu saiba o quanto Alexander é habilidoso com ela. Sua língua faz coisas incríveis em mim. Eu o sinto me lambendo, me chupando, me provando e é uma das melhores sensações que eu já senti. Eu solto um gemido quando ele suga meu clitóris para dentro de sua boca, e quando o solta roça a língua nele várias vezes. A sensação é como fogo sendo espalhado pelo meu corpo. Como um incêndio e Alex não é o bombeiro.

Quando seus lábios se afastam, ele coloca um dedo dentro de mim, fazendo-me gemer e o move em movimentos excitantes. Depois ele coloca outro, e então seus lábios voltam para o meu clitóris, chupando-o. Meu suspiro sai alto, misturado com um gemido.

Eu me sento na cama, apoiando-me só em um braço, olhando para aqueles cabelos ruivos entre minhas pernas e a vontade de acaricia-los é incontrolável. Quando levo minha mão machucada à eles, Alexander levanta o rosto tirando os lábios de mim, mas os dedos habilidosos sempre trabalhando.

Eu mordo o lábio inferior e fecho os olhos quando ele coloca mais um.

E quando os abro de novo, ele está me encarando. Com aqueles intensos olhos cinzentos, muito claros e muito perturbadores. Eu o vejo, esfregar sua boca na parte interna da minha coxa, antes de sair distribuindo beijos por ali. Me arrepiando completamente. Não consigo mais olhar para ele. Deixo meu corpo cair na cama, e arquejo com o seu toque em mim.

— Se você visse como fica sentindo prazer... – ele murmura para mim, fazendo-me arrepiar. – Eu podia fazer isso por horas.

— Eu quero você – eu digo. – Agora.

Não sei se meu tom parece muito urgente, ou muito desesperado. Só sei que ele mostra aquele meio sorriso (que sempre me deixa em dúvida sobre o que ele realmente está pensando ou sentindo) e então se levanta. Para tirar sua calça e a cueca, e colocar a camisinha.

Parte de mim realmente queria ajudá-lo naquilo, mas não era como se eu tivesse mãos para isso. Quem diria que um pulso torcido fosse fazer tanta diferença?

Ele cobre o meu corpo com o seu, encaixando-se em mim quase perfeitamente. Passo meus braços por suas costas e vibro de prazer quando ele me penetra, preenchendo-me com ele. Solto um longo gemido de satisfação, que faz coro com o dele próprio. Então sua mão agarra uma de minhas pernas e me aperta para mais junto dele, de seus quadris e ele entra mais fundo.

Minhas mãos se fecham em suas costas, arranhando-o.

E então ele sai devagar de mim, para entrar novamente com mais força, fazendo-me vibrar novamente. Dando início à uma sequência de vai-e-vem ritmada, quase como uma dança que me faz gemer. E então suas mãos sobem pelo meu corpo, apertando-me por onde passam e pousando em meus peitos.

Eu puxo seu rosto para perto e o beijo, mordendo sua boca quando ele entra de um jeito, que é insano. Simplesmente insano. Todo meu corpo volta a se arrepiar, como se eu fosse feita de estática e eletricidade. Sentia como se eu estivesse muito perto de gozar novamente. Muito perto...

Que quando volto a encostar minhas costas nos travesseiros, seus lábios descem pelo meu pescoço e para os meus seios. E então o ritmo aumenta. Mais rápido; mais frenético. Como se tentasse acompanhar as batidas de nossos corações e de nossas respirações ofegantes.

A sensação do orgasmo é diferente da outra vez.

Eu ainda consigo ver as estrelas diante dos meus olhos, enquanto eu gemo e meu corpo treme em êxtase. Junto a ela vem um sentimento de paz; aquele sentimento de que estava tudo bem, novamente. Eu ia ficar bem e estava tudo bem. Um momento em que não penso em nada, porque meus pensamentos estão nublados, focados em sintetizar tudo o que eu senti naquele momento.

Eu sinto os músculos da costa de Alexander estremecendo de prazer. Um leve momento de tensão antes de gozar e se deitar em cima de mim. Ou melhor, apenas apoiar a cabeça nos meus seios, porque eu provavelmente morreria se Alex de jogasse ou deitasse em cima de mim. Não que ele fosse enorme, era só que eu era muito pequena.

— A sua boca... É incrível – eu me ouço dizendo, sem fôlego.

— Seus olhos são incríveis – ele responde, sem fôlego.

Um sorriso se esgueira pelos meus lábios enquanto eu encaro o meu teto.

Com movimentos letárgicos, Alex sai de cima de mim e se deita no meu lado, para ficar vendo o teto do meu quarto também. Precisamos de um minuto ou dois para nos recuperarmos daquilo.

— Tudo bem com o seu pulso? — Ele perguntou preocupado.

Eu concordo com a cabeça.

— Mas senti saudades de fazer... coisas – eu respondi, corando.

Como é que se diz “Senti saudades de agarrar os seus cabelos e não soltar mais”, ou “Senti saudades de segurar o seu pau nas minhas mãos” na cara de um garoto?

Um sorriso se esgueira no seu rosto novamente, como se ele pudesse ler minha mente, então ele pega o meu braço machucado com cuidado e analisa o curativo que fizeram. Eu analiso seu rosto, tentando descobrir o que ele está pensando. Nossos olhares se cruzam, quando ele me olha, e então ele acaricia minha mão e beija meus dedos.

Um arrepio percorre minha espinha.

— Olha o tamanho desse pulso... Consigo segurar só com meu indicador e meu polegar – ele diz, ilustrando com o gesto: segurando meu antebraço só com o polegar e seu indicador. – Um cara machucar isso é covardia.

Eu fico vermelha. Sério, ele devia só deixar para lá.

Mas estou cansada de pedir, então fico em silêncio.

— Uma vez, quando Sasha namorava o meu irmão, eu a encontrei com um curativo na testa e chorando muito – ele comentou. – Eu perguntei o que foi e ela disse que caiu e tinha batido a testa na quina da mesa, só... E eu acreditei. Mais tarde minha irmã contou que eles haviam brigado e que ele a havia empurrado, não caído como ela disse.

Minha garganta se fecha.

— Eu deveria ter desconfiado... Sasha não é desastrada e ela não choraria tanto só por causa de um machucado na cabeça – ele diz, como se isso fosse algo que ele ainda guardava algum remorso. – Se eu tivesse conhecimento que ela apanhava do meu irmão, eu poderia ter feito algo para ajudá-la... antes que ficasse pior.

Eu franzi o cenho.

— Mas a Sasha tá bem... – Eu digo.

Ele faz uma expressão grave.

— Ela não estava bem ano passado – ele respondeu. – Quando foi parar no hospital com fraturas na costela e hematomas pelo corpo.

Eu fico em choque. Não sei o que dizer.

Quero perguntar como é capaz de uma história assim ter acontecido com Sasha (logo com ela! Que parece tão forte e destemida), mas não tenho coragem. Não tenho coragem porque não sei como Alex pode gostar de falar sobre isso sendo ele o irmão do agressor. Deve ser no mínimo, constrangedor, eu imagino.

Eu mordo o lábio inferior.

— Não consigo imaginar Sasha apanhando de alguém – É tudo o que consigo dizer.

— É, eu também não via – ele responde. – Hoje em dia, ela obviamente não apanha de ninguém mais... Pelo menos ela aprendeu alguma coisa com essa confusão... Mas é frustrante. Ver que um amigo seu não está bem e não poder fazer nada sobre isso. Estou te contando isso, Bell, não para ser chato. Mas é que eu realmente me preocupo... E não consigo parar de pensar “e se tivesse sido pior?”.

Ficamos em silêncio. Um silêncio tenso.

— Me conta como foi? – Ele pediu com seriedade. – Como chegou ao ponto dele te machucar? Como é que alguém chega ao ponto de te machucar?

Eu me encolho, porque eu realmente não estava confortável falando naquilo. Mas se havia algo que Alexander havia conseguido, era me fazer sentir culpada por não lhe contar nada. Ainda mais agora que ele havia me contado essa história de Sasha. Deixá-lo sem saber de nada... parecia maldade.

— Eu... Não sei... Sinceramente – respondi. – Eu estava andando pelas quadras do campus, quando vi ele. Tentei ignorar e fingir que não vi, mas ele veio atrás de mim... Me segurou pelo braço e ficou com raiva porque eu fingi que não o ouvi... Ele disse um bando de besteira e não me soltou, quando eu retruquei, ele... Ficou com muita raiva.

Alex franziu o cenho.

— O rosto dele... Me deu medo, e quando eu comecei a tentar me soltar da mão dele, ele me segurou com mais força ainda... Confesso que... Por um instante, achei que fosse levar um soco na frente de todo mundo – eu admito, um pouco constrangida e receosa.

— Espera, tinha gente vendo? – Ele perguntou confuso.

Eu concordo com a cabeça.

— E ninguém fez nada? – Ele pergunta estupefato.

Eu dei de ombros.

— Acho que eles acharam que era só uma das garotas do Mike brigando porque ele não é dela... Não parece grande coisa, né? Ver um cara gritando com uma garota segurando o braço dela – eu digo. – Ele só me soltou porque o técnico do time dele reclamou que ele havia largado o treino para tirar satisfação comigo... Aí ele foi embora.

Alex fica em silêncio, e não sei como interpretar isso.

— Ele achou que eu estava com você só para provoca-lo... E que eu havia ido na cafeteria com você só para esfregar isso na cara dele... – eu comentei revirando os olhos. – Ele disse que “estava pouco se fodendo para quem eu dava ou deixava de dar”... Mas parecia muito o contrário. Foi perturbador.

Alex passa a mão no próprio rosto como se custasse acreditar.

— Me desculpa, Bell – ele pediu, virando a cabeça para mim.

Não entendo porque Alexander está pedindo desculpas, mas acho que se ele está dizendo isso é porque ele realmente acha que ele é culpado por alguma coisa. O que não faz nenhum sentido... Alex é a única pessoa que não tem culpa de nada naquilo tudo.

— Pelo quê? – Eu pergunto. – Você não fez nada...

— Se eu não tivesse provocado ele... Talvez ele te deixasse em paz – ele diz. – Eu tinha visto ele, então eu coloquei o braço em volta de você e ainda provoquei... Ele deve ter ficado com raiva e descontou em você...

Eu nego com a cabeça.

— Para começar eu não tinha o que estar fazendo nas quadras então...

— Você tem todo o direito de ir aonde quiser – ele me interrompe.

— E você tem todo o direito de colocar o braço em quem você quiser – eu retruco. – Quer dizer, desde que a menina queira que você coloque o braço envolta dela, né.

Alex mostra um meio sorriso, e eu me deito de bruços, para ficar mais perto dele.

— Você fica gata com esse curativo ai – ele diz. – Até parece que você é durona.

— Eu sou durona – eu digo. – Quer levar um soco?

— Nem deve doer – ele retruca.

— Não me provoque, Alexander. Eu posso morder a sua canela.

— Nossa, que medo... Prefiro que você me morda eu outros lugares – ele diz com aquele meio sorriso safado no rosto. Eu fico vermelha.

E são essas provocações que nos levam a ficar mais uma vez, até a hora dele ter que ir embora. Dessa vez, é meio diferente. Como se houvesse uma tensão no ar, entre nós dois, e, ao mesmo tempo, como se uma barreira houvesse se quebrado. Como se, ter conversado sobre isso de maneira tão franca, houvesse nos aproximado um pouco mais. Quer dizer, agora eu sei que posso conversar sobre assuntos tensos com ele (sem medo de ofendê-lo).

E tudo bem ficar próxima dele, não é? Ou será que eu corria risco de me apaixonar por ele quanto mais nos aproximássemos? Um arrepio percorreu minha espinha só de pensar.

Quando nos despedimos, trocamos um beijo meio indecente no corredor. Sei lá, tem alguma coisa estranha quando eu vejo Alex do lado de fora do meu quarto, que me dá vontade de não deixá-lo ir tão cedo... Acho que estou me viciando no nosso sexo.

Quando o solto, ele deseja que eu melhore e vai embora, mas tudo no que eu consigo pensar é que, se o Alex fosse meu enfermeiro, eu não duvido nenhum pouco que ficaria boa rápido... Ainda mais se seu tratamento fosse como os da última hora e meia.

Sério, Bell, da onde estão saindo esses pensamentos?!

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P.O.V. ALEXANDER

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Às vezes, a vida era uma megera. Ela não se contentava em ver você numa constante montanha-russa, subindo e descendo (de feliz à com raiva em questão de segundos) como tinha sido minhas últimas uma hora e meia. Ela tinha que colocar um loop para você sentir como é ter a vida de cabeça para baixo.

Eu já sentira aquela sensação uma vez, e agora sentia de novo.

Encarei o famoso Michael Furey abrindo a porta do seu carro, estacionado comodamente do lado do meu. Se isso não for um sinal divino para que eu esfregue aquele rosto arrogante e convencido no asfalto, não sei mais o que é. Só sei que eu quero encher esse loiro aguado de socos, mesmo que eu me considere uma pessoa bem pacífica.

Minha mão coça.

Quando ele percebe que estou encarando-o, ele me encara de volta. Com uma onda de estranhamento. A tensão entre nós é tão espessa que é quase palpável. Porém, não esboçamos qualquer reação para quebrar aquela distância. Ele apenas fica me encarando abrir o emu carro, ao lado do seu, e eu fico encarando de volta ele abrir o seu.

A sensação é a de dois inimigos se estudando.

Ele podia ser maior que eu, mas eu já havia mandado gente maior que ele para o hospital. Às vezes, uma briga, não era questão de tamanho, mas de resistência e do elemento surpresa.

— Então você não tem coragem de arrumar briga com alguém do seu tamanho, né? – Sou eu quem quebra aquela trégua e não me sinto culpado. – Bom saber que você não passa de um filho da puta covarde, Michael Furey.

Gente como Michael não merece uma trégua.

Tudo o que eu consigo pensar, é: “Olha o tamanho desse cara e olha o tamanho da Bell”. Se disser que aquela foi uma discussão justa, mentiu. E a prova é o pulso torcido que ela ganhou. Só porque queria ficar na dela... Sério, as vezes ela me lembrava os filhotes que eu cuidava no abrigo. Isso era preocupante. Era quase como ver um tigre que fora criado o tempo todo em cativeiro, ser jogado de repente no meio da savana para sobreviver.

Isabelle era o tipo de pessoa que me preocupava desde que pus os olhos nela.

Não porque eu não confiasse na capacidade dela se proteger (e eu não confiava muito mesmo), mas porque era o tipo de pessoa que preferiria ficar calada e não arrumar problemas (talvez porque ela não saiba lidar com problemas) a encarar os fatos: hoje foi o pulso, amanhã pode ser ela a segunda pessoa que me faça ir ao hospital por ter sido agredida por um ex-namorado.

A simples lembrança de Sasha me faz sentir raiva. Muita raiva.

— Não sei do que você está falando – ele responde.

Pergunto-me se ele realmente é burro ou apenas se faz.

— Estou falando da sua discussão com a Isabelle hoje – eu respondo.

O loiro solta uma risada de incredulidade e revira os olhos. Então era assim que ele conseguia fazer as garotas se sentirem um lixo depois de largá-las? Aquele desdém é tóxico e, no mínimo, de uma arrogância tremenda.

— Sei que pode ser chato para você, ouvir isso, mas... O que eu discuto com a minha namorada é problema nosso – ele responde com atrevimento. – Não é da sua conta.

— Ela não é mais a sua namorada – eu digo.

— Até onde eu sei, ela não pediu para terminarmos – ele responde convencido.

Estou começando a achar que, sim, ele era burro.

— Bem, acho que tem coisas que são tão óbvias que não precisam ser ditas — eu respondo. – Isto é, ao menos que você não tenha neurônios no cérebro... O que eu acho que é exatamente o seu caso.

Michael fica puto. Dá para ver pelo modo como ele aperta os dentes e fecha a porta do seu carro com força, antes de andar até mim e me encarar cara-a-cara. Acho desnecessária a pouca distância entre nós a menos que ele quisesse me dar um beijo, mas sei que ele só está tentando me intimidar. Ele realmente acha que seu tamanho (só um pouco mais alto que eu) me intimidaria.

É uma das técnicas de intimidação de Musashi. Em alguns casos pode-se ganhar uma discussão só se aproximando de seu inimigo, esticando-se e então intimidando-o. Não que isso fosse funcionar comigo. Poucas coisas me davam medo.

— Você deve estar querendo muito arrumar problemas – Michael diz entredentes. – Não acredito que a piranha saiu correndo para contar a você.

Apertei os meus punhos, sentindo novamente aquela vontade de esfregar a cara desse cretino no asfalto, mas eu não vou agredi-lo primeiro. Digo a mim mesmo que sou superior a isso. Não sou mais o cara que fica brigando em estacionamentos, apesar de já ter tido minhas cotas de brigas.

— Ela não precisou me contar. Eu vi no pulso que você torceu – eu digo, tentando me controlar ao máximo. – Você só pode ser um monstro mesmo para machucar uma garota que não tem nem metade do seu tamanho...

— Eu não sei o que aquela mentirosa contou para você, mas eu só segurei o braço dela. Não torci nada. Ela que é uma garota dramática, sempre foi – ele responde. Então se afasta e diz: — Não sei porque estou te dando satisfações. Você não tem nada a ver com essa história.

Esse jeito dele me irrita.

Ele fala como se ele sempre estivesse certo e os outros estivessem errados. Ele distorcia tudo de um jeito que fazia parecer que ele sempre tinha razão. Isso me parece manipulador e doentio, pergunto-me como era que a Bell lidava quando eles brigavam.

— Escuta aqui, se pensa que eu vou ver um cara babaca como você machucando minha amiga e ficar quieto, você está muito enganado – eu aviso, empurrando-o. – Está avisado. Se você chegar perto da Bell, ou simplesmente dirigir a palavra a ela, eu vou te bater tanto que você não vai mais destilar esse veneno por aí.

Ele fica puto com a minha ameaça, mas não faz nada enquanto me afasto e abro a porta do meu carro. Quando estou de costas, vejo pelo retrovisor que ele vem para cima de mim. E é graças a isso que eu consigo me esquivar do seu golpe, segurar o seu braço e empurrá-lo contra o meu carro. Amassando o rostinho bonito dele contra o capô.

Como eu disse, às vezes era questão de elemento surpresa.

— Atacando por trás? Legal hein. Porque eu não estou surpreso vindo de um babaca como você? – Eu perguntei ironicamente.

— Me solta – ele exige, borbulhando de raiva.

— Tenho certeza que hoje ela disse isso e você não a soltou, por que eu deveria? – Eu respondo. Oliver sempre disse que eu era um justiceiro um tanto sádico, e isso explicar a satisfação que eu tive ao amassar o rosto dele ainda mais contra o meu carro. — Está avisado, Mike. Chegue perto dela de novo e eu te corto em pedaços.

Relutando, eu o solto e a satisfação que eu sinto quando ele se afasta com pressa, chamando-me de “esquisito”, “aberração” e nenhum xingamento novo, não tem preço. Eu realmente espero que ele tenha entendido a mensagem. Se não houvesse, eu iria fazê-lo entender direitinho.

E não seria tão paciente.