Good Gone Girl

9 Capítulo 9 - O Sorriso Enigmático


Notas iniciais
OI OI OI ADIVINHA QUEM VOLTOU PRA FAZER VOCÊS SOFREREM?!??!? Isso mesmo, eu :)) Curtam o capítulo ai suas lindas ♥ Tem bastante Alexander pra todo mundo! UHULLL o/ ps: Pra quem acompanha, voltei a escrever nosso nome na lista e vou tentar terminar o cap pra postar o quanto antes :P

CAPÍTULO 9 – O SORRISO ENIGMÁTICO.

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“Calma, calma. Não comece a tremer, nem a ficar vermelha e nem a esquecer como se respira, por favor” eu digo a mim mesma, todavia, não adianta. Eu começo ficando vermelha... Depois me esqueço como se respira e então eu começo a tremer. A timidez e o nervosismo sempre me atacam dessa forma, não necessariamente nessa ordem. Tento respirar fundo.

Viro-me para ele, apesar de todo meu corpo querer sair correndo, e aceno também.

Ele se levanta e vem até mim e de repente eu me sinto idiota porque, já que ele estava sentado, eu era quem devia ir até ele, não era? De toda forma, eu fico parada perto do espelho, feito uma planta, enquanto ele se aproxima e diz:

— Eu precisava ver como você estava.

Eu franzo o cenho e estou confusa. Por que ele precisava ver como eu estava? Será que ele me seguiu do prédio onde tenho aula até aqui? Acho impossível, ele parecia estar me esperando... Será que ele estava falando de algo que aconteceu sexta-feira? Será que Sasha disse alguma mentira para ele só para ele vir me ver aqui?

— Como eu estou? Por quê? – Pergunto enfiando as mãos nos bolsos.

Não quero que ele veja que estou tremendo.

— Sexta-feira? Você encheu a cara? – ele responde, mas parece que está fazendo perguntas. – Você se lembra disso, não se lembra?

— E você vem se eu estou bem quase uma semana depois? – Questiono.

— Desculpa... Eu devia ter vindo antes? – Ele responde parecendo confuso. Acho que eu o deixei confuso apesar de sua vinda me deixar confusa. Talvez, nós dois estejamos confusos. Ele respira fundo e diz: — Quando eu te deixei no seu quarto, eu pedi para você me ligar quando acordasse. Deixei o número em cima da caixa de remédio e você não ligou... Sasha me disse que você parecia bem, mas eu precisava ter certeza.

Eu franzo o cenho.

Por um instante, sinto uma pequena vontade de sorrir.

— Eu... Me desculpa – eu peço. – Eu não me lembro de como terminou a sexta-feira. A última coisa que eu me lembro, com certeza, foi do show. O resto... É meio confuso. Quase um borrão... Quando eu acordei, eu tomei o remédio, mas não vi nenhum número em cima dele... Me desculpa. Foi você quem deixou o remédio e a água?

O ruivo solta um suspiro e abaixa o olhar. Ele está vestido com um casaco xadrez, uma camiseta preta e calça jeans. Bem casual. Consigo ver muito bem as tatuagens de seu pescoço. Elas se destacam bastante na pele pálida dele, e ainda mais quando você não está em um ambiente escuro e barulhento. Elas roubam quase toda a minha atenção.

— Foi – ele responde. – Você não se lembra mesmo? Só do show?

Não sei se ele quer que eu responda que me lembro de nós nos beijando, mas não tenho coragem de admitir isso. Só de pensar, meu rosto já fica vermelho e eu começo a hiperventilar. Provavelmente, se eu comentar algo como: “lembro de você enfiando a língua na minha boca sim” eu vou cair dura no chão.

— Hum... Lembro de eu pedir para ir para casa... E de você se oferecendo para me levar – eu respondo. – É a última coisa que eu me lembro: De nós dois deixando o Pub Irlandês...

Ele morde o lábio e balança a cabeça. Não sei o que isso quer dizer e fico apreensiva. Por um instante, até me pergunto se realmente quero saber.

— Você tem tempo agora? – Ele pergunta, colocando as mãos nos bolsos.

— Acho que sim...

— Posso te pagar um café?

Sou pega tão de surpresa que não sei o que responder. Na verdade, tudo o que eu for responder sei que vou falar gaguejando (no mínimo) já que meu coração está entalado na garganta. Como não consigo dizer não (e eu realmente não tenho nada urgente para resolver) eu confirmo com a cabeça.

Ele dá um daqueles sorrisos contidos, que não chega a ser um sorriso de verdade, e caminhamos para fora do prédio juntos. Nosso silêncio me incomoda, ainda mais porque não sei o que ele veio fazer me procurando no dormitório.

Quando acho que já posso falar sem gaguejar, eu digo:

— Você... acabou de sair da aula?

Ele olha para mim e confirma com a cabeça. Ele é bem mais alto que eu, suas pernas são mais longas, logo, ele tenta não andar mais rápido. Eu consigo perceber a sua tentativa de acertar nossos ritmos de caminhada.

— Tenho que voltar daqui a meia hora – ele responde.

Eu fico surpresa e chego até me sentir mal porque parece estranho que alguém tão “ocupado” tire um tempo para me pagar um café. Parecia errado, na verdade. Ele não precisava ter esse trabalho para falar comigo, ao menos que estivesse bastante preocupado... Ou se, se sentisse responsável pelo meu bem-estar.

— Parece puxado – eu comento, abaixando o olhar.

— É sim – ele responde, cerrando os lábios numa forma pensativa. – Mas acho que vale a pena, certo? Se é algo que eu gosto.

Eu confirmo com a cabeça, mesmo sabendo que ele não espera uma confirmação.

Ficamos em silêncio novamente. Pergunto-me se esses silêncios são a prova da minha total falta de habilidade social, ou se é a prova da total falta de habilidade social de Alexander em dar continuidade às conversas. Ou talvez seja a prova de que nenhum de nós dois é bom nisso e acho que pensar assim é bem mais justo com ambos.

— Você parecia triste quando entrou no alojamento – ele comenta. – Está tudo bem?

Eu fico vermelha por ele ter visto nem que fosse um momento de minha situação deplorável, mas então respiro fundo e concordo com a cabeça. É no mínimo gentil perguntar isso, mesmo que nós não nos conheçamos bem.

— Acabei de ter uma conversa difícil – eu respondo, deixando reticências no ar.

Ele percebe que eu não quero entrar em mais detalhes.

— Ah – é tudo o que ele diz. Então acrescenta em tom impessoal: — Conversas difíceis podem magoar, mas são inevitáveis.

Eu concordo.

— O problema... É que eu não agi como a maioria das pessoas normais agiriam – eu digo fazendo uma careta. Pareceu que eu era uma pessoa maluca. – Se eu te explicasse, você não ia entender...

— Por isso você nem tenta – ele retruca.

Quando olho para Alexander, ele está com aquele sorrisinho que não é bem um sorriso, é mais uma vontade de sorrir. Percebo que ele está me provocando e isso me faz relaxar, só um pouco, e rir.

Quando chegamos à cafeteria do campus, que era quase uma imitação um pouco mais pobre do Starbucks, ele abre a porta de ferro e vidro para mim e vai comprar dois cafés enquanto eu vou me sentar em uma mesa para nós dois. Escolho aquela perto da porta, que dá para ver o movimento do campus pelas largas janelas. Mesmo que o movimento seja muito pequeno, já que várias aulas já terminaram.

Estou esperando com o queixo apoiado no punho quando ele volta com dois cafés quentes e se senta do meu lado. Eu não lhe digo que não gosto muito de café porque foi o que ele me ofereceu e também porque não quero que ele pense que sou chata.

— Obrigada – eu lhe agradeço, dando um gole pequeno.

Está amargo e forte e eu começo a colocar o açúcar que o tornará palatável.

— Então... – ele diz, limpando a garganta. – Quer dizer que você não se lembra de como terminou a sexta-feira... Isso quer dizer que você não se lembra do que me disse no meu carro?

Eu sinto meu rosto ficar vermelho novamente e eu começo a suar. Meu Deus, o que eu teria dito no carro dele? Por favor, que não tenha sido nada constrangedor. Por favor. Só a ideia de eu ter dito algo constrangedor, me fazia querer morrer.

— O-o que eu d-disse? – pergunto gaguejando.

Ele deu um sorriso maldoso.

— Você realmente quer saber?

Alexander me provoca de um jeito que me lembra de Sasha.

Eu não respondo, porque eu não sei se quero saber. Mas enquanto estou pensando em vinte cenários diferentes que possam ter me constrangido, ele está tranquilo bebendo do seu café e parecendo achar graça do meu sofrimento.

— No meio do caminho para o campus você me contou que pegou o seu namorado te traindo com a sua melhor amiga – ele diz. Ele abre a boca para dizer mais alguma coisa, mas então ele pensa melhor e meneia com a cabeça. Como se fosse melhor esquecer. – E foi basicamente isso. Você chorou o caminho de volta todo por causa do seu ex.

Eu fico constrangida por isso.

Eu beijei esse cara (não uma, ou duas vezes, mas tenho certeza que foram várias) e depois fiquei chorando no carro dele sobre o término do meu namoro? Não entendo como ele não está chateado comigo. Não entendo quem tem coragem de cuidar de mim depois dessa cena vergonhosa, na verdade.

— Aí eu percebi o quanto você devia estar bêbada e resolvi comprar um remédio para a sua ressaca – ele continua, já que eu fico em silêncio. – Quando chegamos, eu te deixei no seu quarto e pedi para você me ligar quando acordasse... O que você não fez.

— Sinto muito – as palavras pulam da minha boca.

Alexander sorri e olha para o seu copo de café.

— Eu pensei que você não tinha me ligado porque não queria falar comigo – ele comenta. – Mas aí Sasha me disse que você não se lembrava de quase nada de sexta-feira, então eu supus que você poderia ter se esquecido...

— Hum... Obrigada – eu digo, sem graça. – Obrigada por ter cuidado de mim e me desculpa por ter te feito sentir responsável, sei lá. E me desculpa... Por tudo isso. Deve ter sido muito estranho. Eu ficar chorando por causa de ex-namorado...

O ruivo dá um riso e diz:

— Foi divertido, na verdade.

Eu franzo o cenho, perguntando-me o que teria de divertido em todo esse incômodo que eu lhe causei. Mas ele está com aquele olhar maldoso quando diz:

— Eu não vou te contar a parte engraçada da história. Você vai ter que se lembrar.

Tenho medo de não me lembrar, mas não lhe digo isso. Apenas dou mais um gole no café e peço desculpas novamente, por ter dado tanto trabalho para um estranho. Porém, parte digo a mim mesma que estou sendo injusta com ele. Afinal, quantos estranhos eu já havia beijado numa festa? Ele já podia ser considerado, no mínimo, meu conhecido. Bem conhecido.

Como ficamos em silêncio, eu bebo mais um pouco do café.

— Então... O que você tem feito? – Pergunto.

Alexander arqueia uma sobrancelha e eu tenho que me controlar para não ficar vermelha diante da idiotice da minha pergunta. Em minha defesa, não é como se eu conhecesse ele bem o bastante para conversarmos sobre coisas mais produtivas e interessantes e eu também não sabia falar de outra coisa que não livros e filmes.

— Acho que o de sempre... Cuidando de animais, da minha irmã e do bar – ele responde dando de ombros, sem muito interesse. – Minha vida não é muito interessante.

— Hum – eu respondo. Então eu limpo a garganta e digo: — Q-quem olha para você... Não imagina que você faz veterinária... E q-que fica cuidando de bichinhos.

Ele ri, dessa vez, de verdade. Não sei se foi porque eu gaguejei ou se foi porque eu disse “bichinhos” (sério, quem fala assim? Uma criança de oito anos?), mas sinto um pouco satisfeita quando ele ri, já que o nunca o vi fazer antes.

— São as tatuagens, né? – Ele pergunta.

— Talvez – eu respondo dando de ombros, mas o tom de voz diz “óbvio”.

De repente eu quero perguntar sobre a irmã dele, sobre o irmão que namorou Sasha, sobre os animais e o que ele é, exatamente, no Pub Irlandês. Pergunto-me se é íntimo de mais falar sobre isso, ou se eram bons assuntos para se conversar com alguém que você está conhecendo. Porém, são tantas coisas para perguntar que nem sei por onde começar. E então Alexander se levanta e diz que tem que ir para a aula daqui a pouco.

— Eu te acompanho até o seu alojamento. Fica no caminho – ele se oferece.

Eu concordo com a cabeça e me levanto.

Enquanto caminhamos, ele pergunta:

— O que você achou da banda que tocou no Pub?

Eu dou de ombros.

— Eu curti... Mas acho que o nome “The Petshop Boys” é muito fofo para uma banda Screamo – eu respondo. – E também achei que tinha umas partes Screamo que não dava para entender o que ele estava gritando.

“The Petshop Boys” é um nome temporário – O ruivo diz. – E eu também achei um nome temporário muito ruim... Eu sugeri “Doom and Gloom” mas eles disseram que era Emo demais para a nova proposta deles.

Eu sorri.

— É um nome sonoro. “Doom and Gloom”— eu respondo. – Talvez numa música?

Alexander dá aquele sorriso-não-é-um-sorriso (vou começar a chamar de “sorriso enigmático”) e fica em silêncio. Eu tenho certeza que já disse isso, mas ele tem um rosto muito bonito: maçãs do rosto altas, queixo quadrado e olhos estreitos. Eu acho que nunca vi um nariz tão reto quanto o dele.

Ele se vira para mim de repente, e eu me pergunto se estava muito óbvio o que eu estava pensando porque ele parece se divertir com alguma coisa.

— Chegamos – ele avisa, apontando com a cabeça para a enorme construção de tijolos laranjas. – Hum... Eu posso te pedir o seu telefone? Já que você perdeu o meu uma vez, não quero que o perca de novo.

Meu rosto fica vermelho por um instante e eu esqueço de respirar.

Meu deus o que está acontecendo aqui?

— Eu não sei meu número de cor – eu respondo.

Ele arqueia uma sobrancelha e de repente eu me dou conta do quanto isso pode soar ridículo. Que tipo de pessoa não sabe o seu próprio número de celular, não é mesmo? Infelizmente, eu sou esse tipo de pessoa: aquele tipo que não é bom em decorar números e que não é bom com números (em geral). Meus professores de matemática chegaram a cogitar que talvez eu tivesse algum problema... Algo como uma “dislexia” só que com números.

Eu também sou péssima com datas.

— Então tá... Acho que fica para a próxima – ele responde coçando a nuca.

Ele parece tão desconfortável que ele parece um cara que acabou de levar um fora... Meu Deus! Será que é isso o que está rolando? Eu estou dando um fora nele? Não que isso seja possível porque eu nunca precisei dar fora em ninguém, e também porque Alexander não parecia o tipo de cara que paga o café para alguém e fica pensando em “uma casa, dois filhos e um cachorro”.

De qualquer forma, eu me sinto tal mal por seu desconforto que puxo o meu celular do bolso da calça e lhe passo o meu número. Eu sempre o tenho anotado na agenda eletrônica, pelo motivo citado acima.

— Pensei que você estava mentindo sobre não saber o seu número de cor – ele diz, anotando no seu smartphone o número que lhe ditei.

— Por que eu mentiria? – Pergunto, mas eu sei a resposta e por isso faço uma careta.

Ele dá aquele sorriso enigmático.

— Você não seria a primeira garota bonita a dizer: “nossa, legal te conhecer, mas vou para um lado e você para o outro, ok?” – ele responde.

Há duas coisas no que ele diz que me fazem corar. Uma delas, é ele claramente dizer que me acha bonita. Essa afirmação é o suficiente para que meu coração pareça subir pelo meu corpo até martelar na minha garganta. A segunda coisa é mais implícita e discreta, mas está lá com toda certeza: ele tem interesse em mim. E não sei como reagir diante disso. Parece tão absurdo e fantasioso quanto minha imaginação quando eu tinha catorze anos.

Respiro fundo e guardo o meu celular.

O que fazer?

Bem, a resposta era óbvia: “diga a ele que você não quer gostar de ninguém no momento, mas que ele é um cara bonito e legal”... Mas há aquela voz, um tanto aventureira, que quase me sacode e diz: “Qual é o seu problema?! Por que você se recusa a se divertir e a se jogar na vida?!”, "Não é como se seu ex-namorado houvesse pensado o mesmo antes de enfiar a língua na boca da sua melhor amiga"...

Tenho certeza que essa voz não existia até conhecer melhor Ellie e Sasha e elas começarem a colocar coisas na minha cabeça.

Eu estou tão perdida em pensamentos (perdida nesse “conflito interno”) que quando Alexander se inclina para se despedir, eu me assusto e digo rapidamente:

— Nãoqueromeapaixonar.

Desse jeito. Tão rápido que parece uma única palavra.

Se fosse possível alguém morrer de nervosismo, eu teria caído dura ali no chão. O que eu havia dito? Eu sou burra? Qual era o meu problema? Quem havia falado em se apaixonar? Quem havia falado em romantismo? Oi? Que que ta acontecendo comigo?

Eu não consigo olhar para o ruivo de tanta vergonha, mas sou pega se surpresa por uma risada abafada e um sorriso enigmático. Quando ergo o olhar, devagar, vejo que ele está entretido e parte de mim retruca dizendo: “que bom que alguém está achando graça dessa situação mortificante”. Mas então ele se aproxima muito de mim.

Consigo sentir seu hálito quente no meu rosto, e sentir suas palavras como se elas viessem de encontro a mim quando diz:

— Então não se apaixone.

E depois ele me beija na boca.

Notas finais
KYAHHHHHHHHHHHHH! Eu amo reler o capítulo antes de postar, minha nossa HUARFHUARFA As risadas que dei e o constrangimento que senti... —----------------------------- COMENTEM PLOX!