Good Gone Girl

4 Capítulo 4 - Petshop Boys.


Notas iniciais
Obrigada aos comentários de: — Matry-chan —Theury — Bella — Mente Bugada — Sweezy Desculpa eu não poder responder, vou deixar esse capítulo no "programar postagem" porque vou viajar esse fim de semana, mas quando eu voltar, prometo responder à todos.

CAPÍTULO 4 – Petshop Boys.

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Sasha me deixa apresentável depois que encontra uma roupa que mamãe me deu de aniversário. Eu não gostava dela, porque nunca achei que era bem o meu estilo (a usaria como uma blusa, no máximo), mas essa ideia não agradou a minha Personal Stylist. Ela disse que isso faria desperdiçar o potencial da roupa. Pensei em perguntar que “potencial” poderia ter numa roupa, mas não sei se estou pronta para a resposta.

Quando Ellie volta, estou vestida e maquiada.

— Olhem, tem pelo menos três festas legais hoje – ela diz agitada com três panfletos nas mãos. – Nossa, que vestido bonito, Bell!

Por mais curto que fosse, eu tinha que admitir que era de bom gosto. Era um vestido preto de alças finas de couro que faziam um “x” na minha costa, enquanto caía (marcando a cintura) num corte que é mais longo atrás que na frente, até dois palmos acima dos joelhos. Era simples, discreto, sensual e de bom gosto. Mesmo que o tamanho me deixasse incomodada. Sinto que eu passaria a noite puxando-o para baixo.

— Mas essa maquiagem... – Ellie olhou com reprovação para o meu rosto. Entregando todos os panfletos para Sasha, ela tirou meus cabelos escuros do meu rosto e analisou. – Tá muito simples... Você vai à uma festa não à uma missa.... Aff, senta aí!

Ela me senta na cama, e puxa um delineador e um batom da sua bolsa pequena preta. Sem permissão, ela começa a passar o delineador em meus olhos com uma destreza de uma desenhista profissional. Consigo sentir seus traços firmes e me pergunto como ela faz isso, se minha mão sempre treme quando eu mesma me maquio.

— Olha! Vai ter uma apresentação no Pub Irlandês da banda Petshop Boys— Sasha comenta animada. – Esse convite aqui é perfeito.

— Você conhece eles, Sasha? – Ellie pergunta.

Meu coração quase para e eu penso: “não borra meu olho, por favor garota”.

— Já fui a alguns lugares onde eles se apresentaram – ela responde. – Eles são bonitinhos, por isso sei que ao menos vai ter gente bonita lá.

Ellie ri, enquanto passa para o meu outro olho.

— Acho que vai ser perfeita porque é um programa mais leve para a Bell. Tipo, não é bem uma festa. É um pub, saca? – ela comenta. – Sem contar também, que é um show beneficente. Parte da verba vai ser doada para um abrigo de animais.

— Own, que fofo – comenta Ellie.

— Realmente é fofo – eu concordo.

— Shh, você não pode falar. Eu posso – Ellie me repreende.

Eu aperto os lábios, enquanto ela continua a riscar meus olhos. Não sei como ela consegue conversar e se concentrar ao mesmo tempo. Algo me diz que isso era prática.

— Claro que é fofo. Só não é mais fofo do que o cara que eu estou querendo pegar há um mês que, olha que coincidência, é dessa banda! – Sasha responde com malícia.

Eu me pergunto como é que Sasha faz para juntar o útil ao agradável. Não sei se é só sorte ou se ela planeja tudo com antecedência, de alguma forma que eu não sei como. Pela expressão que Ellie faz, percebo que ela está pensando em algo muito similar.

— Toma, passe esse batom – ela manda, mudando de assunto.

Pego o batom da mão da garota loira e ergo uma sobrancelha ao perceber que ele é muito vermelho. Vou ficar parecendo uma vampira: vestida de preto, com delineador nos olhos e batom vermelho nos lábios.

— Sério? – Eu pergunto.

— Bell, nada muda mais o ar de uma garota do que delineador e batom escuro – ela responde em um tom que deixa claro que ela sabe de tudo sobre isso. – Passa logo. Você vai ficar incrível. Estou até vendo.

Sasha não insiste do mesmo modo que Ellie, na verdade, ela está retocando sua maquiagem no espelho do meu pequeno armário. Eu não havia percebido que, querendo ou não, elas já iam sair. A maquiagem de Ellie não era muito forte, só contava com um olho caprichado e uma roupa arrumada, sua boca estava pintada de rosa chiclete, e Sasha me parecera tão autêntica que não precisava de um motivo para se arrumar.

Vou até o armário e divido o espaço com Sasha, mas, antes disso, sinto um choque de leve. A garota que está refletida no espelho parece outra pessoa. Ela não parece se chamar Isabelle, e ser uma garota tímida e quieta, sempre preocupada no bem dos outros. Há algo na espessura de seu delineador, que estreitam seus olhos grandes e azuis gélidos, que a deixa com uma aparência confiante.

Ela não sou eu. Não pode ser.

Mordo o lábio inferior, até esqueci de passar o batom pesado.

“Girl, girl, girl, don't be afraid of feeling sexy,

You know they're wrong and you know that maybe,

They just don't see your true beauty,”

You say you're fine, but you lie, and you cry,

Let me see how you really smile, girl!

Olho para Sasha pelo canto do olho. Ela só pode estar de brincadeira.

Ela apenas dá um risinho divertido e me lembra que tenho que passar batom.

O batom vermelho (quase vinho, na verdade) dá um desenho estranho para a minha boca. Um destaque que eu acho que ela não deveria ter por ser muito pequena e cheia. Todavia, de um jeito estranho, parece que fica bonito e exótico. E pela expressão que Ellie e Sasha fazem, sei que elas aprovam.

— Eu pareço uma vampira – eu digo.

Ellie ri.

— Se isso quer dizer que você está sexy e poderosa, então você parece – ela responde, passando-me um casaco que pegou do meu armário.

— Só não está mais sexy e poderosa que eu porque, vamos ser sinceras, leva tempo para superar a mestre – ela diz em um tom arrogante, que não sei se é brincadeira ou de verdade. Ellie ri, então eu rio também. – Vamos, garotas. A noite é uma criança que a Bell negligenciou por muito tempo.

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Eu não faço ideia de onde fica o Pub Irlandês, porém as garotas sabem. Pergunto-me se há algum lugar que elas não conheçam. Meu coração começa a ficar maluco quando percebo que não fica na cidade universitária, mas sim numa cidade vizinha. Digo a mim mesmo que está tudo bem, porque sei que as duas estão comigo e elas sabem das coisas. Só não posso me separar delas ou me perder.

Mesmo assim, eu fico nervosa quando pegamos o ônibus quase vazio – com exceção de alguns grupos de jovens universitários, que estão saindo para uma noitada também. Outra coisa que me deixa nervosa, é o medo de me encontrar com Michael. Sei que ele gosta de sair, e estou com medo de pegarmos o mesmo ônibus. “Para de ser ridícula, quantos ônibus existem no campus?” eu pergunto a mim mesma, tentando me acalmar, mas não funciona.

Eu tenho que ficar limpando as mãos na borda do vestido de cinco em cinco minutos, mas isso não as impede de ficarem geladas. Quando digo a mim mesma que só vou relaxar quando analisar cada pessoa nesse ônibus, crio coragem e olho por sobre o ombro. Há vários garotos loiros, mas nenhum deles é Michael. Sinto-me soltar a respiração só um pouco, e relaxar os ombros tensos.

— Você está muito séria – Ellie diz, me dando um empurrão no braço.

— Eu estou só nervosa – confesso. – Nunca saí do campus à noite.

Sasha ri de uma maneira quase escandalosa.

— Relaxa, não é um filme de terror. Não tem nenhum lobo querendo te devorar – ela responde. – Nós te prometemos que você vai voltar inteira para o seu dormitório.

— Sim, sã e salva – Ellie concorda.

— Não. Sã não – Sasha corrige com um sorriso malicioso. – Mas salva, sim.

Eu engulo em seco e sinto um embrulho no estômago.

Não é um embrulho daqueles que faz parecer que você vai vomitar. É mais como a subida de montanha-russa antes de despencar com tudo. Uma excitação, eu percebo. Uma espera pela melhor parte do brinquedo. Nunca pensei que fosse me sentir assim.

Quando o ônibus para, meia hora depois, parece que estou num mundo totalmente novo. Até o ar parece diferente (um pouco mais frio, talvez). Encolho-me dentro do casaco, perguntando-me que ideia brilhante de sair de vestido na primavera foi essa. Deve está fazendo pelo menos doze graus e eu estou gelando até os ossos. Pergunto-me como Ellie e Sasha conseguem andar sem sentir frio.

Elas me guiam pelas ruas até pararmos na que parecia ser a rua mais frequentada da noite. Estava cheia de jovens, como nós, mais ou menos a mesma idade, talvez porque fosse onde tinha mais opções para curtir: boates, pubs e restaurantes. Tudo junto num único bairro cheio de luzes e pessoas.

O ar até parecia mais quente. Era tão cheia de vida e de cores, que parecia meio-dia, e não sete horas da noite.

O Pub Irlandês ficava no fim da rua. Era uma enorme construção antiga (talvez do século XX), pintada de tons escuros e janelas largas. Há várias pessoas lá fora, fumando na rua, e sinto que todos nos olham quando passamos para entrar no estabelecimento. Minhas mãos voltam a suar novamente e eu as limpo no vestido.

— Você tá muito nervosa, relaxa – Ellie diz, balançando meus ombros.

Lá dentro está mais quente, o que me faz meu corpo parar de tremer, menos as minhas mãos. Essas suam e tremem sem que eu possa controlar.

— Imagino como você fica quando transa – Sasha comenta maldosamente.

Faço uma careta, contendo a vontade de dizer que eu ficava muito bem quando transava, na verdade. Mas me parecia errado comentar essas coisas, então fico quieta e dou o meu casaco para a mulher do guarda volumes guardar. Ela me entrega uma senha, que eu guardo num bolso quase invisível do vestido.

Lá dentro é quente e pequeno.

Nós chegamos um pouco cedo,

Há uma parte nos fundos, em frente ao bar, que é cheio de mesas e cadeiras. À frente desta parte, fica uma pista com um pequeno palco, onde uma banda tocava umas músicas até que legais. Era o tipo de rock que eu gostava, apesara de não conhecer a banda. Era um rock de som pesado que conseguia não partir para a gritaria.

— São eles? – eu pergunto à Sasha. – A banda que você quer ver.

— Não seja boba – ela responde. – Eles só entram lá pela meia noite.

Ellie segura o meu braço, não sei se é porque ela sabe que estou nervosa ou porque ela tem medo de eu ficar para trás. De qualquer modo, Sasha escolhe um bom lugar para ficarmos, apesar de não haver cadeiras para nos sentarmos. Pergunto-me qual a sua funcionalidade ali até olhar ao redor: ela só serve para você ter onde colocar a sua bebida. É, parecia incômodo mesmo você colocar cadeiras em frente ao palco, na pista.

— Vou comprar bebidas – Sasha diz antes de se afastar.

— Tudo bem ela ir sozinha? – eu pergunto à Ellie.

A garota loira concorda com a cabeça.

— Claro – ela responde. – Esse é o sinal de que ela vai procurar alguém. Geralmente é o cara que vai fazer os esquemas para ela poder pegar quem ela quer.

Eu solto uma risada incrédula.

— Como ela consegue fazer isso? – eu pergunto.

— Acho que deve ser um dom – Ellie responde. – Conseguir o que quer.

Eu concordo com a cabeça, sem conseguir rir desta vez e olho por sobre o ombro. Ela está conversando com um cara alto e ruivo perto do bar. Pergunto-me se ele é o cara que ela quer pegar, ou se é o cara que vai lhe ajudar com isso. Por um instante, ele se vira para trás, para a nossa mesa, e então percebo o como Sasha tem bom gosto.

Ele deve ser o cara mais bonito que já pisou por esse lugar, mesmo que de uma maneira que parece surreal. Pois eu nunca vira um cara com tantas tatuagens como ele na minha vida. Ou com os olhos tão claros.

Viro-me assustada e constrangida por ser pega analisando-o.

Há algo muito constrangedor em “trocas de olhares”.

— Caramba, todos os caras que ela pega são tão bonitos quanto o que ela está conversando ali? – Eu pergunto à Ellie.

A loira olha por sobre o ombro e ri.

— São tão bonitos como, mas ela não vai pegar aquele ali não – Ellie responde em tom divertido. – Aquele é o Alex, é o irmão do ex-namorado de Sasha. Ele é uma boa pessoa, bem diferente do irmão... Mas é um daqueles caras que você nunca conhece de verdade, sabe?

Eu não consigo falar que “não, não sei”, porque, eu sinto que nunca conheço as pessoas de verdade. Ellie ainda está olhando para ele quando ele nos olha de volta. Ela lhe dá um aceno simpático e em resposta recebe um aceno com a cabeça. Obviamente, ele a conhecia, mas talvez por não me conhecer, faz o rapaz me olhar de novo com curiosidade.

Ele tinha o rosto bonito e eu conseguia ver isso mesmo há cinco metros de distância. Todavia, tinha aquelas manchas no pescoço e no dorso da mão esquerda (que segurava uma cerveja)... Percebi só depois que eram tatuagens.

Há algo no modo como Sasha o trata, rindo e provocando-o, que me lembra a como minha irmã mais velha me tratava quando ela estava comigo. Ela coloca umas bebidas sem suas mãos e me pergunto se ela as está pagando para ele, até que os vejo caminhando em nossa direção.

Apesar de nervosa, tento parecer que estou calma porque Ellie está. Pergunto-me porque estou nervosa também, se é só um amigo de Sasha, apesar de eu saber o porquê: meu jeito com desconhecidos era horrível, principalmente com garotos.

Quando eles chegam à nossa mesa, estou tão tensa quanto uma porta.

— Ellie, olhe quem está por trás do tema de hoje – Sasha diz, apontando para o rapaz ao seu lado.

Ele está colocando as duas bebidas sobre a mesa, quando diz:

— Culpado. A ideia de doar o lucro para o abrigo foi minha.

— É uma boa ideia – Ellie diz. – Vai para o abrigo que você trabalha, não é?

Ele confirma com a cabeça e olha para mim. Talvez porque eu estivesse calada e tão rígida quanto uma pedra. Eu evito contato visual porque não sei se estou inclusa na conversa deles, ou se eu devo lhe olhar, ou se vou ser mal interpretada. Finjo que estou olhando o ambiente ao redor.

— Ah, é. Bell, esse é o Alex. Um grande amigo meu – Sasha, enfim nos apresenta. E então eu me obrigo a olhar para ele. – Alex, essa é a Bell. É a primeira vez que ela sai para se divertir à noite, fora do campus... Então ela está nervosa.

Há algo no modo como Sasha me apresenta que me deixa ainda mais constrangida. Mas Alex não diz nada (graças à Deus) só cumprimenta com a cabeça e eu faço o mesmo. Acho que ouço meus músculos estalarem.

— Isso é para você – Sasha diz empurrando um copo para mim.

É um copo muito pequeno, um pouco menor que meu punho, em cima de um pequeno prato com sal e limão. Sinto cheiro de pegadinha no ar. O copo é muito pequena e é pouca bebida para não deixar bêbada. O líquido é tão transparente que nem parece bebida, parece água.

— O que é isso? – pergunto desconfiada.

— Tequila – a ruiva responde.

— Você não pode estar falando sério – Ellie protesta, apesar de estar rindo.

— Estou – Sasha diz, com o seu sorriso maldoso. – Eu vou tomar a minha primeiro e depois você me imita, Ok?

Tudo bem, se Sasha vai beber isso também, então deve ser seguro, não é? Olho para Ellie, pedindo um sinal, mas ela somente ergue as mãos e dá de ombros. Não sei o que isso significa e eu odeio sua falta de instruções. Observo o como Sasha bebe aquilo: colocando o sal na boca, depois virando o copo e mordendo o pedaço de limão logo depois.

Ela não faz careta, o que me leva a crer que deve ter um gosto bom. Mesmo que eu ache muito trabalho para beber.

— Viu? – ela pergunta.

— Vi, mas não sei se consigo – eu respondo. – Parece muito complicado para mim.

Alex se engasga e algo me diz que ele riu, na verdade. Mas eu não estava preparada para chegar virando uma bebida num gole só, por menor que seja a quantidade.

— Se você quiser, a gente dá uma cerveja para ela e eu bebo a tequila... – ele propõe.

— Não – eu digo, porque agora eu me sinto ofendida e pressionada. Não parece certo eu dar o que Sasha comprou para mim para outra pessoa. E também, não quero que eles fiquem pensando que eu sou fresca, ou que eu sou “diferente” deles. – Tudo bem. Eu consigo.

Eu estou nervosa. Não quero passar vergonha na frente deles, mas estou pensando em vinte maneiras diferentes para isso acontecer: eu me engasgando com a bebida, a bebida ser ruim e eu cuspindo-a, eu vomitando porque foi muito rápido... Todavia, tento calar essa voz e tento, simplesmente, não pensar em nisso.

Coloco o sal na boca e viro o copo.