Good Gone Girl

37 Capítulo 37 – Não É Apenas Sobre Amor.


Notas iniciais
Oláaaaa To tentando postar desde ontem de tarde, mas a internet no meu quarto não chega! Consegui agora de madrugada e com um bando de problemas que tive que resolver. Enfim, antes tarde do que nunca, não é? Obrigada a todo mundo que comentou^^ — Carina — Escritora de Araque — Bea — Olhos Castanhos — Floredilla — Flor Eaton — Hakuna Matata — Paulinha3 — Accio Panda — Sandrinha — Caroline (obrigada, antes tarde do que nunca e você sempre é bem-vinda ^^) — Mente Bugada Obrigada!!! Bisou ♥ Belle.Époque

Capítulo 37 – Não É Apenas Sobre Amor.

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Quando eu chego no dormitório, Chris já não estava lá.

Não sei se isso é um alívio ou algo ruim. Era um alívio porque eu não queria explicar para ninguém o estado deplorável em que eu havia chegado ao alojamento: derrotada, com lágrimas nos olhos e o rosto inchado. No entanto, tudo o que eu queria naquela noite era alguém para deitar comigo na cama e dizer que ia ficar tudo bem, que estava tudo bem e que tudo se resolveria amanhã, com um novo dia e sobriedade.

Porque meu coração em pedaços apenas dizia “não está tudo bem”.

A cada passo que eu dou em direção à minha cama, eu sinto os cacos se mexendo, perfurando-me os pulmões, e o que quer que tivesse pelo caminho. Era tão doloroso, que já estou encolhida e chorando de novo quando me jogo na minha cama e desejo dormir imediatamente para não revirar as palavras dele na minha mente. Meu deus, eu não me lembrava que doía tanto assim ser desiludida e humilhada em uma única madrugada.

Como não durmo, eu penso em como aos poucos nosso relacionamento perfeito havia passado para um completo pesadelo naquela madrugada insana. E para me ajudar, faço até um esquema na agenda do meu celular. O passo a passo de como Isabelle White havia sabotado o seu próprio final feliz:

Quer dizer: tínhamos uma amizade colorida, O.K.;

Então, depois do melhor sexo da vida dela, a idiota aqui percebeu que iria se apaixonar. Que, na verdade, ela já estava se apaixonando há muito tempo.

Então, ela tentou fugir. Tentou acabar antes que tudo ficasse pior.

Cometeu o erro de ficar com um amigo. Por que teve ciúmes do outro.

E não teve forças o suficiente para ficar longe do outro. Então acabou voltando para ele. Posso dizer que, em sua defesa, o outro parecia ser o cara mais incrível da face da Terra. Não importava o que as pessoas diziam dele, ele era atencioso e cuidadoso.

Mas ela teve que confundir tudo.

Aos poucos, esse status de amizade colorida não era o bastante para ela.

O outro a tratava como uma “amiga” para todo mundo.

O outro não a apresentava para familiares sem ser pressionado.

Isso doía.

Porque ele obviamente não sentia o mesmo que ela.

Então, ele a vê recebendo um abraço do seu amigo e fica puto.

Mas ele não lhe diz nada. Deixa-a cozinhando e se perguntando o que diabos poderia ter feito para irritar alguém tão perfeito quanto ele. E no como ela era boa em destruir tudo de bom que acontecia na vida dela.

Então, ele chega bêbado e diz que dói gostar dela.

Dói porque quando ele pensa que está tudo bem entre eles, ela faz coisas que o confundem. Diz que pensa que talvez ela não saiba o que quer. Mas ele sabe o que quer.

Eu paro de escrever por um instante e penso nisso. E pela primeira vez me pergunto o que ele quis dizer quando disse “sempre que eu acho que está tudo bem entre a gente, você faz essas coisas que me machucam, que me deixam confuso? ”. O que ele quer dizer com “eu acho que está tudo bem entre a gente”? Seria um momento em que ela (eu) respeitava a linha da amizade colorida?

E depois me pergunto o que ele quis dizer com “talvez por isso me machuque, porque eu sei o que eu quero”? Então pela primeira vez eu me pergunto: o que será que Alexander quer? Manter a amizade colorida confortável como antes?

Não sei, porque eu logo me lembro do resto. De como aquilo terminou:

Ele diz que a viu com outro cara.

E joga na sua cara que ela já transou com ele uma vez.

E então, hesita quando ela lhe diz que foi apenas um abraço de amigos.

Ele não acredita. É claro nos seus olhos que ele não acredita.

E isso a magoa.

Isso a destrói.

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Eu só consegui dormir depois que meus olhos pesaram de cansaço e depois de tomar um calmante. E mesmo assim, contra tudo o que eu quis acreditar na madrugada passada, nada parecia melhor. Nada parecia ter um jeito. Quando eu acordei e vi a cama de Chris do outro lado do quarto, quase quis chorar.

E então tinha aquele som irritante e abafado ecoando em algum lugar do quarto. Um som irritantemente feliz e fofo que cantava: “Oh oh oh Okay! / I love you / I love you / I do / I need you / I need you / I do” que somente me dava vontade de gritar e me encolher debaixo das cobertas.

Só não o faço porque percebo que na verdade é o toque do meu celular.

Merda.

Parte de mim acha que pode ser Alexander (uma parte bem idiota na verdade), então eu hesito antes de me esticar para fora das cobertas e pegar o meu celular. Sinceramente, eu não sei se estava preparada para lidar com ele agora. Havia muita raiva e mágoa no meu coração. Não sei como eu lidar com aquilo.

Graças a deus, quando checo o celular, percebo que não é ele.

E também fico decepcionada. Queria que fosse ele.

Mas a vida era assim, não era? Merdas aconteciam e ela não parava para ninguém.

— Professora Mahogany, boa tarde – eu atendi.

— Boa tarde – Ela respondeu. – Você tem um tempo agora?

Eu franzi o cenho, e olhei para meu reflexo no espelho. O que você iria fazer hoje, Bell? Chorar e pensar em Alexander. E então o que mais? Pensar em Alexander e então chorar mais um pouco, porque, afinal, parecia que nunca era o suficiente, certo?

— Tenho...

Ótimo. Hoje quando chequei meus e-mails vi seu manuscrito e, como não tinha nada para fazer, dei uma lida. Preciso conversar com você sobre o que achei dele— ela diz, suas palavras me deixando apreensiva por um segundo. – Podemos nos encontrar para tomar um café e conversar? Preciso conversar com você também a respeito de usar um pseudônimo no concurso...

Eu não estava com vontade de me levantar. Muito menos de tomar um café.

Se eu fosse sincera, minha vontade era de me esconder debaixo do cobertor e só sair de lá quando o mundo do outro lado explodisse, até não restar mais nada. Nem Alexander, nem Mike, nem Robert.... Talvez nós pudéssemos fazer um lugar legal apenas com mulheres, garotas como Sasha, Ellie e Chris. Poderia ser um lugar interessante.

No entanto me ouço respondendo:

— Claro. Podemos sim. Daqui a meia hora?

Ótimo. Nos vemos lá então— ela respondeu, antes de desligar.

Eu coloco o celular de volta no criado mudo e então encaro o meu teto.

Alexander não ligou. Não mandou mensagens... me pergunto se ele tem consciência de que eu realmente havia ido embora do apartamento dele de madrugada. No entanto, nada. Apenas silêncio. E isso dói. Dói tanto que eu sinto que estou prestes a chorar de novo. Porque sinto que talvez... eu realmente não signifique muito para ele.

Como eu também não signifiquei para Mike.

Essa era Isabelle, a garota que não significava nada para ninguém.

Lágrimas se acumulam em meus olhos, e sinto que estou para ter outra crise de choro quando me lembro que não posso perder tempo chorando. Eu tinha que me arrumar para dali a meia hora estar na cafeteria. Eu não podia perder tempo rolando na cama e chorando como eu fizera quando cheguei. E é esse tipo de pensamento que faz com que, mesmo com lágrimas escorrendo pelos meus olhos, eu me levante e vá para o banheiro.

O reflexo que vejo no espelho parece um reflexo do meu estado de espírito.

“Que maravilha acordar se sentindo um lixo” pensei.

Eu tento me arrumar o melhor que consigo. Tomo um banho, arrumo meus cabelos ondulados, tento esconder minha cara de choro atrás de uma máscara de cosméticos, coloco uma roupa confortável e quente. No entanto, ainda estou me sentindo um lixo quando encontro minha professora na cafeteria. Como sempre ela está elegante e arrumada e dá um sorriso discreto quando me vê também.

— Você não vai pedir nada? – Ela pergunta, quando me vê sentando à sua frente.

Eu olho para a atendente solitária e entediada atrás do balcão e nego com a cabeça.

— Estou bem – eu disse, virando-me para ela. – Na verdade, estou ansiosa.

E eu realmente estava. Meu corpo estava todo tenso e eu havia cruzado minhas mãos trêmulas sobre o colo. Eu sempre ficava assim quando ela me chamava para dizer o que havia achado do que eu havia escrito. Ainda mais quando se tratava de um trabalho tão pessoal. Não era apenas a sensação de estar frente a frente com o seu público, mas sim a sensação de estar falando com uma mulher que entendia do assunto, alguém exigente e que sempre exigiria o meu melhor.

Acho que a minha insegurança a diverte, pois ela sorri e diz:

— Muito bem – Então pega o tablet com pequenas anotações e diz: — Numa maneira geral, achei esse conto que você me enviou... surpreendente.

Minha boca se abre em surpresa.

— Surpreendente de um jeito que eu confesso que não esperava nem de você – ela continuou. – Quer dizer.... Há algo muito verdadeiro, no que você escreve, isso eu já sentia. Mas nessa história... eu senti tanta ternura, tanta... – Ela hesita, como se não tivesse palavras. – Senti como se ela falasse para o meu coração: “tudo bem, se não é agora, continue tentando. Um dia vai ser”.

Eu franzi o cenho, sem saber ao certo se eu tinha entendido.

— Vamos por partes – ela diz, rindo da minha expressão. – Você começa a história contando sobre a história de amor do pai e da mãe da personagem principal. Do como eles eram românticos e de que, no dia em que se conheceram, seu pai deu uma rosa à sua mãe pedindo para que ela cuidasse bem dela. E você mesma diz que no início, foi o que ela fez. Ela ficou tão empolgada com a flor que plantou uma roseira no jardim. No entanto, mais para o meio do seu conto, no dia em que você conta a separação do casal, você escreveu: “e ela deixou para trás o seu amor e uma roseira murcha e malcuidada”.

Professora Mahogany faz uma pausa dramática, como se voltasse a pensar sobre isso. Então ela ergue o olhar para mim com curiosidade e pergunta:

— Enquanto eu lia a sua história, eu supus que as rosas que você comenta era uma maneira de expressar o amor. Por exemplo, nessa parte, no início, todo mundo cuida de cuidar e manter esse amor que mantém um casal junto... até que aos poucos, você vai deixando de cuidar... e encontra a roseira murcha e malcuidada.

Eu concordei com a cabeça.

— Essa... era meio a minha intenção mesmo – eu confessei, corando. – Eu li na biblioteca... aquele livro de Antoine de Saint-Exupéry, chamado O Pequeno Príncipe, e tinha aquela frase: que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E eu achei que seria interessante colocar essa visão. E mais que isso, abordar o amor... não apenas como algo entre um homem e uma mulher, mas também entre qualquer um que esteja disposto a cuidar dele.

Ele me encarou, intrigada, tirando os óculos.

— Na história, a heroína conta que o pai dela fica arrasado pela partida da mãe dela e mais que isso, também conta o como ele ficou arrasado por ver a roseira que antes lhe era tão incrível e perfeita, num estado tão triste – Eu expliquei. – E então ela mesma decide que cuidar disso por ele. Vai cuidar da roseira para vê-lo feliz.... Ela sabia que não era a mesma coisa; sabia que sempre que as roseiras desabrochassem, ele arrancaria uma e a enviaria por correio para a sua mãe..., mas era assim que ela o veria feliz. Essa era uma forma de amá-lo também.

— Eu achei essa cena muito bonita, por sinal. Eu chorei – ela respondeu, levando uma mão ao peito. Então ela coloca os óculos de grau de volta e diz: – Se um homem desses aparecesse na minha frente eu só agarrava e não soltava mais.

Eu fico um pouco constrangida... porque eu meio que me inspirei no meu pai. Tipo, de verdade, mas não tenho coragem de lhe dizer isso. Ainda mais porque, a história da roseira, sendo metáfora ou não, era verdade. Tínhamos uma roseira que mamãe amava na nossa casa em Washington, e meu pai enviava uma rosa para ela pelo correio sempre que desabrochavam. Elas chegavam murchas? Chegavam, mas o cheiro impregnava o envelope e sua mãe uma vez dissera que só por isso já valia a pena.

— Isso o que você me contou, faz muito sentido agora – a professora comentou, maravilhada. – E explica perfeitamente o fim da história!

Seu tom de voz era de quem não havia percebido isso antes.

— Quer dizer, sua personagem cresce com essa ideia que ela deveria dar uma rosa da roseira sempre que gostasse de um garoto. E então ela se envolve com esses três garotos: o primeiro, ela não tem coragem de lhe entregar a flor, porque é um amor platônico; o segundo, não cuida porque acha estranho querer cuidar de uma flor; e o terceiro... bem, ele é o mais cruel de todos. Ele finge que cuida dela, mas a verdade é que ele não se importa. Descobrimos mais tarde que ele a jogou fora no primeiro dia.

Então ela passa o documento, soltando um suspiro, e continua:

— E então vem o fim da história. Quando a roseira dela adoece e aparecem essas pessoas, amigas da personagem, pessoas que entendem o quanto é importante para ela manter aquela roseira viva e saudável... pessoas que a ajudam a cuidar da planta... – Ela solta um suspiro. – Essa cena, quando elas aparecem na casa dela para ajudá-la é tão bonita... tem a ver com isso o que você disse antes, certo? Não é apenas o amor entre um garoto e uma garota. Se tratou também de amizade.

Eu concordei com a cabeça.

— E tem esse cara... – ela comentou, com um sorriso malicioso. – Que está ajudando-a a cuidar da roseira também, junto com suas amigas. Ele pede para ficar com uma das rosas, como recompensa por ter ajudado a salvá-las. Ela hesita. Não quer dar o braço a torcer, mas ele é muito convincente, não é?

— Aham... – eu disse, reticente, abaixando o olhar. – Você não sabe o quanto...

De repente, Professora Mahogany, abre o documento que lhe enviei por e-mail no tablet e aponta para a frase do final, onde estava marcada com o iluminador amarelo.

— Na verdade, você escreveu “charmoso” – ela comentou. – Tipo assim, umas vinte vezes: “Ele deu aquele sorriso charmoso, charmoso, charmoso, charmoso, charmoso..., e a guardou no bolso, perto do peito”.

Eu arregalei os olhos para o documento e de repente eu quis me enterrar no chão de vergonha. E eu acho que ela percebeu isso porque ela soltou uma gargalhada. Como se o meu rosto vermelho e mortificado fosse muito engraçado. Mas tudo o que eu conseguia pensar era: MEU. DEUS. Eu realmente havia escrito “charmoso” umas vinte vezes em um documento para a minha professora?!

— Acho que essa hora eu estava meio alterada – eu murmurei.

— Tudo bem. Era a última frase, não vai ser difícil apagar o loop infinito de sorrisos charmosos – ela comentou, dando uma piscadela, que só me deixou ainda mais nervosa e envergonhada. – Como você pode ver, achei uma história muito emocionante. Incrível na verdade.... Foi uma das melhores que eu li, com toda a sinceridade. E você a ambienta muito bem. Não parece que se trata de um outro mundo onde flores são subitamente importantes... trata-se do quanto flores são importantes para ela.

Eu corei.

— Obrigada-...

Ela se inclina sobre a mesa, voltando a tirar os óculos do rosto, e então me encarando como se eu fosse alguém muito interessante de repente. E isso me deixa nervosa. Muito nervosa. Como se eu estivesse sendo avaliada.

— Sabe... eu sabia que você ia me apresentar um bom trabalho – ela disse, com sinceridade. – Mas isso... está ótimo. Eu sentia, pelas suas histórias, o quanto você se importa com isso. O quanto é pessoal para você. E, principalmente, o quanto você sente tudo tão intensamente... O que me leva a querer perguntar... – Ela hesita. – Por que você quer usar um pseudônimo?

Eu fico envergonhada, mas eu acho que ela merecia saber a verdade, principalmente porque ela havia disponibilizado muito tempo comigo.

— Hum... eu ouvi alguns colegas de classe dizerem que eu poderia ter.... “vantagens” em relação a outros alunos... porque meu pai é.... Paul White – eu confessei, como se fosse uma garota derrotada. – Achei que... me sentiria melhor... se usasse um pseudônimo.

Para a minha surpresa, a vejo revirar os olhos.

— Meu Deus, elas reclamaram para você também? – Questionou incomodada. – Eu as ouvi reclamando disso a semana toda.

Sou pega de surpresa.

Não acredito que elas já haviam reclamado para a professora!

— Mas, Isabelle, eu não escolhi você por ser filha de quem for. Eu acompanho seus trabalhos em sala. Suas redações. São impecáveis. Não é à toa que você tem a maior nota de todos os meus alunos – Ela disse, com sinceridade. – Você é um talento que seria muito desperdiçado se ficasse fora desse concurso.

Por algum motivo, suas palavras criam uma estranha sensação no meu peito. Como se eu fosse capaz de sentir a sinceridade nelas e, mais do que isso, confiança. Sabia que ela estava sendo sincera... porque ela não era do tipo de professora que mentia sobre isso. Esse era um dos motivos pelo quais eu a admirava tanto.

Então, eu sorri. O primeiro sorriso do dia.

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Minha professora e eu ficamos até quatro da tarde tirando os vinte “charmoso” do fim e me inscrevendo oficialmente no concurso. Nossa reunião acaba quando enviamos o documento, e ela me dá um aperto de mão, como se fôssemos duas sócias fechando negócio e isso me faz rir um pouco. E então ela vai para a sua casa e eu vou para o alojamento. No entanto, mudo de ideia no meio do caminho e então ligo para Sasha e Ellie. Eu sentia que, apesar dos pesares, deveríamos sair para comemorar.

Oi, Bell! – Ellie atende, muito animada. – Tudo bem?

— Hum... tudo – eu respondo, hesitante. Estava nada bem, na verdade. – Eu só estava pensando se vocês não gostariam... de passar um tempo comigo. Sei lá. Acabou de acontecer uma coisa boa e eu queria comemorar. Estou aqui pelo campus...

“E sem vontade nenhuma de ficar sozinha” completei mentalmente.

Há um momento de silêncio em que a ouço sussurrar algo com Sasha.

Hum... claro!— Ela concordou. – Vamos dar uma volta por aí! Espera a gente perto do nosso apartamento. Já vamos descer!

Eu sorrio ao ouvir a voz dela, então caminho até o apartamento que as duas garotas malucas dividiam. Há poucas pessoas no campus durante o fim de semana, ainda mais naquele horário. Parecia que a maioria preferia ir para a cidade, se divertir, e eu me perguntei como não percebi isso antes. Talvez porque eu preferisse ficar trancada no meu quarto durante os fins de semana.

Nós passamos algum tempo juntas e em nenhum momento elas perguntam se está tudo bem entre mim e Alexander, ou porque eu estou no campus quando ultimamente estive “passando o tempo” no apartamento dele. Eu estranho o silêncio delas no que dizia respeito ao ruivo, mas também agradeço por isso, porque falar sobre ele era a última coisa que eu queria fazer naquele momento.

Na verdade, assim que percebo que estou pensando nele, eu me sinto mal.

Meu peito volta a doer como se houvesse uma infecção se espalhando lá dentro.

Meu bom humor se esvaí e isso é visível.

— É! Exatamente! Aí eu disse algo tipo-... – Ellie se interrompeu de repente, quando olhou para mim, e sua expressão tornou-se triste. – O que foi Bell?

Eu mordi o lábio inferior e neguei com a cabeça.

— Nada. Não é nada – é o que eu respondo, tentando me fazer de forte.

No entanto, ela olha para Sasha, como se quisesse confirmar que a ruiva estava vendo o mesmo que ela. Então sou surpreendida com um abraço das duas. Um abraço em grupo. Nunca pensei que um dia Sasha iria me abraçar, porque ela era descolada demais para isso, no entanto, antes que eu pudesse observar mais alguma coisa, percebi que eu estava chorando. Chorando feito uma criança nos braços de Sasha e Ellie.

Parecia que havíamos voltado à situação de dois meses atrás.

Notas finais
"Capítulo 38 – Você Está Muito Fodido — Onde está o caderno?! – Ele grita, agarrando-me pelo pescoço. – Eu sei que foi você! Lauren te contou onde eu escondia e você foi lá bisbilhotar, não é?! Eu não consigo respirar direito. Mike segura meu pescoço com força, como se isso não fosse nada para ele. Como se eu não fosse nada. Eu não consigo lhe responder como ele merecia. E novamente, me surpreendo com a falta de medo em mim. Eu devia me jogar aos seus pés, implorar misericórdia e dizer que devia estar com Robert, mas ao invés, eu só sentia mais raiva e nojo por aquele ser à minha frente. Tirando forças não sei de onde, eu consigo dizer: — Você está... apavorado, né?"