Good Gone Girl

3 Capítulo 3 – A Tragédia do Primeiro Amor.


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários das belíssimas: — Sophia — Bella — Matry-chan — Mari — Nathalia S — Theury — Sweezy OBRIGADA MESMO ^ ^ Espero que vocês continuem comentando ♥

CAPÍTULO 3 – A Tragédia do Primeiro Amor.

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A primeira vez que eu me apaixonei, foi uma tragédia.

Eu gostava daquele tal de Norman Rubrick, como pelo menos metade das garotas que estudavam comigo, assim como Jeanine também. Só que ela era do tipo de garota que sabia o que queria e como conseguiria. Talvez por isso eu a admirasse tanto, ou fosse porque ela era o tipo de garota que você quer ser: destemida e madura. Nós éramos “amigas”, mas não de verdade. Ela sabia que eu era tímida e não dizia “não”, assim como sabia que eu não tinha amigos por ser tímida e “estranha”.

Para ela, eu era um peão fácil de manipular e por isso ela me mantinha por perto. Enquanto, para mim, ela era a garota que fazia todos me deixarem em paz no meu canto.

Então, um dia, Jeanine chegou no banheiro, feminino e anunciou à todas as suas amigas, especialmente para mim, que ia ao Baile do Ginasial com Norman... Ele a havia convidado no fim de semana e ela não pensara duas vezes antes de aceitar.

— Tudo bem, ne Bell? – Ela perguntara, voltando-se para mim. – Sei que você gosta dele... Mas, sendo sincera, nós sabemos que você não tem a mínima chance.

Ela expôs meus sentimentos para as suas outras amigas com tanto desdém que me fez ficar vermelha e quase chorar de constrangimento. E elas riram, concordando totalmente com Jeanine (quem discordaria, afinal?). Todo mundo sabia que entre eu e ela, eu era nada. Na verdade, ninguém entendia também o porquê de eu ficava lambendo o chão que ela pisava quando ela era tão má comigo.

Agora que olho para trás, nem eu entendo o que pensava naquela época.

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Ellie e Sasha conversaram com alguns amigos e conseguiram arrumar um lugar para mim em outro dormitório, mais perto do prédio da área de Saúde, logo, um pouco longe do prédio de onde eu tenho aulas, mas parece um preço justo a se pagar para nunca mais me esbarrar com “os traidores”, já que Lauren fazia jornalismo e Michael fazia contabilidade.

Pensando nela, ela me procurara inúmeras vezes no Whatsapp. Mandava-me mensagens toda hora, ainda mais quando via que eu estava online no aplicativo. Deixá-la falando sozinha me trazia uma sensação de culpa, mas eu esperava que ela entendesse que eu precisava de um tempo. Toda vez que sua foto sorridente aparecia no topo das conrversas, eu me lembrava dela se agarrando com o meu namorado.

Gosto de pensar que nunca fui possessiva (nem com ela, nem com Michael). Gosto de pensar que sempre fui alguém razoável e aberta ao diálogo, disposta até a mudar para não perder nenhum dos dois, mas como eu conversaria com alguém que fez o que ela fez? Que me traiu tão descaradamente? Como eu conversaria com o coração tão cheio de mágoa, tristeza e raiva?

Simplesmente não dava.

Não sei o que me feria mais: o silêncio de Michael ou a insistência de Lauren.

Por isso eu decido sumir desses meios de comunicação. Exclui meu Facebook e exclui o Whatsapp do celular. Disse a mim mesma, que o melhor jeito de lidar com isso, era cortando todos os laços com eles. Desapegando-me e parando de ter notícias deles (acho que vi um vídeo de alguém falando sobre isso, mas não me lembro). Foco-me no que realmente importa: as leituras obrigatórias e meus projetos literários.

As primeiras semanas foram horríveis.

Sou um ser humano de rotinas. Toda manhã, eu acordava e Lauren estava ali, toda suada e cansada de sua corrida matinal, ela ia tomar banho enquanto eu me arrumava e íamos tomar café da manhã juntas. Eu pesava minhas tardes nas aulas e então eu ia para o dormitório de Michael, onde passávamos a noite juntos... Nas primeira semanas, eu não sabia o que fazer à noite, ou onde tomar café-da-manhã. Tudo parecia estranho.

Estranho e vazio. Nunca tinha percebido o quanto eu era solitária.

Talvez, mais que um pau-amigo, eu precisasse de amigos.

Mas como se fazia amigos? Eu nunca fui muito boa nisso.

— Ei, Bell – minha nova colega de quarto me chama, de repente.

Eu estava tão reflexiva, que volto meio perdida. Era raro os momentos em que Chris estava no quarto (na verdade, eu estava praticamente morando sozinha), pois ela vivia na biblioteca ou na casa do namorado. Ela geralmente só voltava para dormir ou para tomar um banho, como era o caso de hoje. Os fins de semana ela passava exclusivamente com o namorado. Eles quase moravam juntos nos finais de semana.

— Você viu o meu casaco azul turquesa? – ela pergunta, de uma maneira meio desconfiada. – Tipo, aquele que tem bordados de corações.

— Está dentro do seu armário – eu respondo, fechando o livro que eu parei de ler quando me perdi em pensamentos. – Você o deixou jogado no meio do chão do quarto e levei para lavar ontem.

Ela pisca, parecendo muito surpresa.

— Sério? – ela pergunta.

— Uhum. Fiz o mesmo com a sua calça jeans – eu respondo. Então de repente eu percebo o quanto posso ter sido inconveniente por mexer nas coisas dela. – Meu Deus, desculpa por mexer nas suas coisas. Juro que só peguei o que estava no chão. Eu achei que seria melhor deixar o quarto arrumado e levar suas roupas para lavar, já que você é muito ocupada.

Ela ainda está muito surpresa, mas não parece chateada, o que faz com que eu me sinta um pouco melhor. Quando ela encontra seu casaco no armário, ela apenas meneia com a cabeça e me agradece.

— Eu realmente nunca tenho tempo para isso... – Ela confessa. — Obrigada.

Eu apenas sorri, deixando a conversa morrer ali.

Meia hora depois ela sai para ver seu namorado e eu fico sozinha com o livro que não me prendeu a atenção. Na verdade, é um livro bobo, do tipo “jovens adultos”, como chamam hoje em dia. Talvez por isso não tenha me prendido a atenção: a história é ridícula e mal escrita. Fala de uma moça que tem uma paixonite de infância por um cara, ela basicamente abdicou de sua vida sexual e amorosa vivendo na fantasia de que ele um dia a notaria ali. Mas ele nunca notou.

Obviamente, no fim ele vai notar e todos vão ser felizes para sempre.

“Eu faria isso?” Pergunto a mim mesma, “Pararia de viver, de sair com outros caras, só por causa de um ‘amor verdadeiro’?”. Bem, se eu, de alguma forma, ainda não morri depois do que Michael fez, certamente é porque não sou tão frágil quanto achei que fosse (e acredite, depois que você passa duas semanas chorando à noite por um cara, você pensa que é tão frágil quanto vidro). Mesmo que minha vida amorosa e sexual tenha se estagnado depois do que houve... Gosto de pensar que eu tenho coisas melhores para fazer do que procurar alguém para “substituir” Michael.

Estou pensando nisso, quando escuto alguém bater na porta.

Soltando um gemido, levanto-me e abro a porta do quarto.

— Você sumiu! – Ellie grita em tom de reprovação, enquanto me abraça com força. – Meu Deus, tínhamos que ver como você estava! Você não entra no Whatsapp há três semana! E você excluiu o seu Facebook há cinco semanas! Pensamos que você tivesse morrido!

Eu me sinto mal por deixar ela preocupada. Não pensei que “sumir” a deixaria preocupada, já que nunca fomos muito “amigas” desde o dormitório (tudo bem que eu mandava mensagens desejando bons feriados e tudo o mais).

— Só para deixar claro, ela quem achou. Eu só vim pela zoeira – Sasha admite com um meio sorriso. – Podemos entrar?

Apesar da pergunta, ela não está de fato pedindo permissão. Ela nem espera minha resposta antes de me empurrar para o lado e entrar no quarto menor que sua sala de estar. Ellie entra logo depois. E de repente meu quarto parece muito pequeno com nós três ali: paradas no meio do estreito corredor entre as duas camas. Ellie se senta na minha cama enquanto Sasha se senta na cama da minha colega de quarto.

— Desculpa, por eu ter sumido – eu peço, com sinceridade. – Eu só... Percebi que me fazia muito mal, ter todas essas redes sociais... Eu tinha fotos e notícias de Michael e Lauren o tempo todo...

“E eu acabava chorando” penso em completar, mas deixo em silêncio.

Era como se a ferida quisesse sarar, mas alguma coisa insistia em deixá-la aberta. Pior do que ser perseguida ou ignorada, era olhar no Facebook deles e ver que nada mudara. Ver que Michael aceitou de bom agrado a vida de solteiro (se metendo em festas cheias de universitárias gostosas e disponíveis) e que Lauren continuava postando fotos de seu rosto em vinte ângulos diferente, toda maquiada e bonita enquanto, por dentro e por fora, eu me sentia horrível.

Talvez tenha sido isso que Michael viu nela: bonita, arrumada e cheirosa, enquanto eu era um ser humano que tinha meus momentos “nem tão bonitos assim”.

— Eu imaginei – Sasha confessa, tranquila como sempre. – Quando acabamos um relacionamento, tudo o que menos queremos é alguma coisa para guardar “cadáver”.

— Guardar cadáver? – Ellie pergunta.

— É. Tipo, ficar remoendo a história – Sasha responde. – Faz parecer que nunca terminou porque você fica sempre pensando nisso.

Ellie solta um “Hum”, e então me olha.

— Como você está? – ela pergunta.

Eu dou de ombros. Não sei como estou me sentindo. Parece que não há muito o que sentir quando você só tenta aguentar um dia depois do outro. “Não tenho ninguém para comer comigo, então bora fazer outra coisa”, “não tenho aonde ir à noite, então vou ficar aqui lendo esse livro”, “e a todo custo não pense no que você poderia estar fazendo se estivesse com Lauren e Michael”... É só isso que tenho feito nessas semanas.

— Eu... Não sei como me sentir depois do que houve – eu confesso. – Então acho que vou ficar bem... Eu só estou tentando não pensar.

Elas ficam em silêncio e não sei se foi porque eu disse algo muito pesado ou se, simplesmente, elas não têm o que dizer. Não sei se elas já passaram por algo parecido para terem uma experiência como essa, mesmo que eu imagine que não.

Ellie era tão amável que não consigo imaginá-la terminando ruim com algum garoto... Assim como Sasha era tão segura de si, que acho mais provável ela ter traído o namorado do que o contrário. De repente, sinto que sou a única pessoa nessa terra que é traída desse jeito: namorado com a melhor e única amiga.

— Eu acho que você faz bem em tentar não pensar – Ellie diz. – Mas acho que faz muito errado ficando trancada nesse quarto com o nariz enfiado em livros.

Eu ergo uma sobrancelha, perguntando-me como ela sabe disso. Estou pensando em ninjas espiões quando eu percebo que sou muito burra. Uma vez que Ellie tenha me arrumado o quarto, era óbvio que ela deveria conhecer a minha colega. De qualquer forma, sinto-me perturbada em perceber que até mesmo a garota que não aparece aqui sabe das minhas rotinas.

— Isso é verdade... Quer dizer, você é jovem e bonita... E é sexta-feira à noite e você está aí, lendo... Argh, “Louca Por Você”— Sasha faz uma expressão de nojo. – Esse livro é podre. Esse é um livro que romantiza o relacionamento abusivo. Eca.

Ela solta o livro como se ele tivesse contaminado e limpa a mão na blusa.

— Eu já percebi – respondi. – Senti vontade de parar quando ele chama ela no escritório dele, e de raiva começa a quase estuprar ela ela. Primeiro, quem se excita com alguém quando está com raiva? Quando eu estava com raiva, eu queria dar um soco em Michael!

— E não é mesmo? E, tipo, ela só tentou realizar o sonho dela de ser uma cantora! Você não precisa rasgar o vestido dela, a calcinha e enfiar o dedo nela por isso! Por mais raiva/excitado que você esteja – Sasha responde.

— Meu Deus, ouvi dedos sendo enfiados?! Qual o nome do livro mesmo? – Ellie pergunta, completamente perdida sobre o tema.

Sasha e eu acabamos rindo, e Ellie também.

— Mas sério, Bell, você é bonita e jovem de mais para murchar nesse pequeno quarto numa sexta-feira à noite – Ellie volta ao assunto, usando um tom de voz maternal que me deixa tensa. – Nós devíamos marcar de fazer alguma coisa...

— Agora? – eu pergunto.

— Por que não? – Sasha responde, levantando-se da cama.

Eu gostaria de dizer que tenho muitas coisas para fazer, todavia, eu já terminei tudo o que tinha para fazer. Esse era o mal de ter que tentar sempre ocupar a mente. Você acabava fazendo tudo e ficando sem desculpas para quando você não queria fazer alguma coisa. Ainda estou pensando o que fazer, quando Ellie revira os olhos e diz:

— Admite logo que você não tem nada melhor para fazer.

Eu fico vermelha, e confirmo com a cabeça.

— Não tenho nada melhor para fazer – admito, soltando um suspiro. – Mas... Sei lá... Não gosto de festas. Eu sempre me sinto deslocada ou... Sei lá. Estranha.

“Estranha” era a palavra que descrevia exatamente o que eu sempre sentia.

E, mais do que isso, como eu era: estranha.

— Para de se fazer de coitada. Você vai estar com a gente. Não tem problema em se sentir “estranha” – Sasha responde, levantando-se da cama de Chris. – E você vai sair com a gente hoje à noite. Vamos à uma festa. Você vai ficar bêbada até o cú. E vai curtir muito. Arrumar um garoto para dar aqueles pegas gostoso, ou eu não me chamo Sasha Elizabeth Vaugh.

Eu fico atônita pelas palavras que ela usa. Elas me fazem querer rir.

— É sério que esse é o seu nome? – pergunto.

— Só não espalha, gata – ela responde, me dando uma piscadela. – Ellie! Vá até o quadro de avisos na sala comum e veja quais são as festas badalas que vão rolar hoje!

Ellie faz continência e diz:

— Sim, chefe!

E sorrindo, ela sai do quarto como uma criança que ganha o que pediu de natal.

Deixando-me sozinha com Sasha.

— Quanto a você... Bem, eu vou te arrumar para você ficar uma Deusa. Se essa é a primeira festa da sua vida, você precisa estar lacradora – ela diz, mas há um quê malicioso em seu tom de voz que me deixa receosa.

Não sei se seria melhor eu ter dito que aquela não é a primeira festa da minha vida.

Notas finais
"Garota, garota, garota, não sinta medo de se sentir sexy Você sabe que eles estão errados e você sabe que eles talvez Não consigam ver sua verdadeira beleza. Você diz que está bem, mas você mente, e você chora Deixe-me ver como você realmente sorri, garota"