Good Bad

2 Capítulo 2 - Uma conversa bem estranha


No dia seguinte, Stacey chegava no colégio com seu carro quando avistou novamente os “populares” no estacionamento. Quando ela saiu do carro começaram com o deboche.

- não acredito que esse é carro é seu. – disse Rô caindo na gargalhada.

- tão brega quanto à dona. – complementou Kelly.

- você que fez a pintura mal feita? – disse um menino que as acompanhava.

- boa Alex. – disse o outro menino comemorando.

Stacey olhou pra eles com desprezo e se retirou em ida pro colégio. Quando chegou na sala se sentou distante de Ursula que veio até ela perguntar o porque dela estar sentada longe.

- o que foi? Por que não senta ali comigo? Nós podemos fazer o trabalho de hoje juntas.

- não estou afim. – respondeu ela seca enquanto desenhava algo na carteira da escola.

- foi por causa de ontem?

- é foi. Você disse o meu nome que eu não queria que dissesse pra elas.

- mas elas iam saber de qualquer jeito. Seu nome está na chamada esqueceu?

- é, mas deixava elas sem saber na hora. Não queria fazer a vontadezinha dessas esnobes.

- foi mal. Eu só queria te ajudar. – e voltou pro lugar onde estava sentada. Stacey se levantou e sentou ao lado dela.

- tudo bem, esquece o que aconteceu. Sei que todos aqui tem medo daquela cérebro de pomba. Então esquecemos o que aconteceu.

- tá. – disse abrindo um sorriso. – quer saber um segredo? Gostei do apelido que deu a ela. – e as duas riram juntas.

A aula foi bem tranqüila. Stacey teve que ouvir algumas piadinhas do grupo esquerdo a respeito de seu carro, mas nenhuma briga entre Stacey e a tal da Rosângela.

Assim que saiu do colégio, Stacey foi pro seu trabalho numa lanchonete. Ela trabalhava lá de terça à sexta.

A lanchonete vivia cheia. Mas nesse dia veio alguém que ela não esperava e que nunca tinha visto antes por ali. Ele mesmo, seu ex-amigo de infância, Gerard. o antigo bolo-fofo que agora era o cara mais quente de todo o colégio onde ela estava estudando. “essa não!” pensou Stacey quando o viu entrar pela porta da lanchonete. Ela se virou tentando se esconder dele e fingiu arrumar algo na prateleira, mas em vão.

- ei. – Stacey percebeu que era com ela e não tinha outra alternativa e se virou pra atende-lo.

- pois não. – disse ela o encarando.

- vocês têm torta floresta-negra aí?

- temos.

- me vê duas fatias e uma coca-cola.

- “pelo jeito o apetite não mudou nada” – pensou. – ok, é pra comer agora?

- sim.

- ta bom. – e pegou o pedido e entregou no balcão onde ele estava sentado.

Stacey ficou fingindo limpar o balcão alguns metros de distancia dele só pra ficar olhando pra ele. Ela pensava em como ele estava mudado, estava tão bonito, alto, forte. Foi quando ele olhou pra ela e ela disfarçou virando o rosto.

- ei. – ela olhou pra ele que lhe acenou, então ela largou o pano e foi até lá. – eu te conheço...

- é? – perguntou achando que ele enfim viu quem era ela, sua antiga amiga de infância e esperou que ele dissesse.

- você não é lá do colégio? Acho que já te vi lá.

-: ah...sim. – respondeu com um pouco de desapontamento, ele não lembrara dela. – é de lá sim. É, eu sou do grupo dos “rejeitados”. – disse num tom sarcástico e fazendo as aspas com as mãos em rejeitados.

- Deus! – e começou a rir.

- é...isso é patético.

- acho esse negocio ridículo.

- também achei bastante ridículo. E a historia da maldição delas?

- você acredita nisso?

- lógico que não. Sei que é tudo pressão pro pessoal aceitar calado.

- o pior é que todos acreditam. Até os professores tem medo. – disse ele rindo.

- eu não tenho. Fala sério...

- engraçado...você é bem diferente dos outros rejeitados. É esperta pelo menos.

- nossa! Essa foi fundo.

- não quis te ofender. Mas é que nunca teve alguém do outro lado que tivesse esse gênio seu. Foi você que brigou com minha namorada não foi?

- é foi. Por que? você vai querer revidar? – disse com deboche.

- não. Eu só queria confirmar mesmo. Não sabe o que tive que suportar por sua culpa.

- minha culpa? Ela começou.

- eu sei disso. Ela sempre faz isso com todos os novatos. E qual foi seu apelido?

- um apelido bem original: brega.

- isso é um apelido?

- eu disse que foi bem original.

- nossa. Elas se superaram dessa vez. – e eles começaram a rir juntos.

- olha só...- Ela fez uma pausa pra pensar e continuou. — agora me dei conta que estou falando com o namorado de uma das meninas que eu mais odeio no colégio e falando mal dela. e isso não é nem um pouco legal. O que você pretende com isso?

- nada. Eu não posso reclamar de vez em quando da minha namorada?

- pode. Mas ninguém reclama da namorada com alguém que ela odeie.

- namorar alguém não quer dizer que eu não possa às vezes ficar de saco cheio dela. E além do mais não tenho ninguém pra conversar.

- e seus amigos?

- estão na detenção.

- escapou dessa?

- por pouco. Colocamos uma malvina no escritório da diretora. Por sorte eu cheguei do lado de fora do colégio a tempo. Fui mais esperto, pulei o muro.

- quanta esperteza. Isso que é inteligência.

- isso foi um sarcasmo?

- não. Não seria capaz de fazer isso com você. – disse bem sarcástica.

- sabe você tem razão...

- tenho? – perguntou ela desentendida.

- não devia estar falando com uma estranha sobre minha vida. – e tirou o dinheiro do bolso e colocou sobre o balcão. – muito obrigado. Fique com o troco. Tchau. – e deu as costas.

- ã? – Stacey ficou olhando pra ele de boca aberta sem entender nada. Depois pegou o dinheiro e foi colocar no caixa.