Gone

3 Capítulo 02 - Férias


10 meses depois

O carro do pai de Michael estava parando em frente à casa da família Brooks. Ele dirigindo e Michael ao seu lado. Estava voltando para casa depois de um ano cansativo. Finalmente férias.

Quando o veículo parou, ele desceu. O pai saiu logo em seguida e abriu o porta-malas. Michael pegou uma mala grande e sua mochila e, logo em seguida, seu pai o fechou.

– Sua mãe deve estar louca te esperando – Disse ele.

– Mal posso esperar para ver todo mundo – Falou Michael – Não sei se consigo voltar depois dessas férias.

– Nem diga isso, você tem que ser o médico da família!

Os dois entraram pelo portão da cerca da frente e Michael viu o jardim de sua mãe, florido como sempre havia sido.

– Esse jardim fica cada vez mais lindo.

– Sua mãe tem o dom, mas ficou em segundo lugar esse ano, melhor nem tocar no assunto.

– Sério, quem passou? Não me diga que foi a Sra. Terrence!

– A própria.

– Não gosto daquela mulher.

Os dois entraram pela porta e encontraram dois homens conversando no sofá da sala, enquanto, na TV, passava um jogo de futebol. Um deles era seu irmão Simon, agora com 24 anos. O outro era o marido de sua irmã, David.

– Oh, olha quem chegou! – Disse Simon, quando viu seu irmão.

Michael caminhou até ele e o abraçou.

– E aí David? – Disse ele, depois.

– Tudo bem, e como tem sido na Europa?

– Muito bom, a universidade é maravilhosa e a cidade é linda!

– Michael! – Exclamou uma mulher atrás dele. Quando o garoto se virou, viu que era sua irmã, Heather. Ela correu e o abraçou, dando um beijo em sua bochecha – Que saudades!

– Eu também estava morrendo de saudades, como vão as coisas por aqui.

– Tudo bem, mas você já deve saber que a Sra. Terrence venceu a mamãe, né?

– Aquela velha rabugenta!

– Michael! – Ele ouviu a mãe chamar. Reconheceu que era da cozinha.

Heather o acompanhou até lá e ele encontrou a mãe cozinhando algo no fogão. Ela parou o que estava fazendo e correu para abraçá-lo.

– Eu nem acredito que você está aqui! – Exclamou ela – Eu senti tanta saudade!

– Eu também mãe!

– Odeio ter que falar pela webcam, ainda bem que você está aqui.

Neste momento, o pai dele também chegou à cozinha.

– Aliás, quando você vai? – Perguntou ele.

– Dia 3 de janeiro.

– Vai passar o ano novo aqui?! – Heather ficou animada.

– Onde está o Patrick? – Perguntou Michael, referindo-se ao seu sobrinho.

– Está lá em cima, tirando uma soneca – Respondeu Heather – Você quer vê-lo?

– Claro que sim... Ele já fala alguma coisa?

– Ele já falou “papai”, fiquei decepcionada, mas superei – Brincou ela, enquanto os dois passavam pela sala e subiam as escadas.

***

– Oh meu deus, ele parece ainda maior do que nas imagens – Dizia Michael, enquanto olhava maravilhado o seu sobrinho dormindo no berço – Parece um anjinho.

– Está mais para diabinho – Falou Heather – Você vai ver quando ele acordar, já está começando a andar, sai derrubando tudo na casa.

– Eu não acredito que ele já está andando!

– Esse ano foi maravilhoso, uma pena você não ter estado aqui.

Neste momento, Patrick abriu os olhos e viu a mãe e o tio. Rolou no berço e segurou-se nas barras de madeira. Em seguida se ergueu, ficando em pé.

Michael riu.

– Que coisa mais fofa.

A criança olhava para ele com estranhamento.

Heather o pegou nos braços e ele apontou para o tio.

– É o tio Michael, Patrick, não está reconhecendo?

– Posso segurá-lo?

– Claro.

Ela o entregou a Michael e o garoto não chorou, olhou para ele estranhando novamente, então Michael passou as mãos pelos cabelos macios dele e ele sorriu, metendo o dedo no olho do tio.

***

No fim da tarde, depois de assistir ao jogo dos Knicks, a mãe de Michael, com a ajuda de Heather, estava recolhendo a tigela de pipocas – agora vazia – em cima da mesinha de centro, junto aos copos vazios.

O bebê brincava feliz com seus brinquedos em seu tapete felpudo.

– Mãe, eu vou sair um pouco, volto mais tarde, tudo bem?

– Tudo bem, mas não demore muito.

Ele cruzou a sala e saiu da casa. O postes já começavam a iluminar a cidade sem nem mesmo ter anoitecido. Michael caminhou pela passarela de pedra até sair pelo portão da cerca, atravessou a rua e foi até a porta da casa vizinha. Tocou a campainha e esperou, nervoso, alguém abrir.

Alguns segundos depois, uma pessoa abriu. Victoria. Os dois abriram grandes sorrisos ao se verem. Ela o abraçou e deu-lhe um grande beijo na boca. Enquanto ela o tocava, nada mais importava no mundo. Que tipo de magia era aquela?

– Finalmente – Disse ela, quando o largou.

– Eu estava com medo de que não me recebesse assim – Confessou ele.

– Sempre que você bater à minha porta, eu te receberei assim.

– Você não sabe o quanto isso me tranquiliza.

– Ah, eu quase não te convidaria para entrar... Vamos, entre.

– Seus pais estão em casa?

– Não, eles vão ficar fora por dois dias, na verdade, você queria que eles estivessem?

Ele sorriu, acanhado.

Os dois entraram.

***

– Quanto tempo vai ficar aqui? – Perguntou ela, enquanto os dois estavam sentados no sofá da sala, com a TV ligada em um episódio de Friends.

– Dois meses.

– Sério? – Victoria ficou surpresa.

– Sim.

– Que maravilha! Mas mudando de assunto, como é a Inglaterra?

– Ah, é o que dizem... Pálida, cinza, fria, mas realmente bonita... A comida é terrível.

– Você está gostando da faculdade?

– Muito! Lá é perfeito, os professores são ótimos, as aulas de anatomia são do jeito que eu imaginava, mas sinto falta de todos por aqui.

– Deve ser duro.

– Pois é, mas e você? Como está?

– Ah, eu vou começar a cursar arquitetura em Winston mesmo.

– Parabéns! – Exclamou ele.

– É legal porque é bem perto... Ah sim, lembrei de uma coisa.

– O que?

– Eu encontrei o Hector na rua, ele perguntou se você tinha chegado, eu respondi que sim... Ele tá bem ansioso pra te ver.

– Que saudades, quero ver a galera, amanhã eu vejo todo mundo.

– Por que amanhã? Você poderia sair com eles hoje.

– Eu tenho outros planos para hoje à noite.

– Posso perguntar quais são?

– Minha mãe vai dar um jantar hoje e chamar alguns amigos dela, você deveria ir.

– Talvez...

– Mas essa não é a melhor parte... Depois do jantar, nós poderíamos sair para tomar um sorvete de coco e mirtilo no Wendy’s.

Ela sorriu.

– Você lembra do sabor que eu gosto.

– Você sempre pedia esse, eles deveriam batizá-lo com o seu nome.

– E depois? – Perguntou Victoria, olhando-o com seu sorriso sereno.

– Depois eu viria pra cá, se eu puder, e poderia dormir aqui, sei lá.

– Nós nunca...

– Eu sei – Ele sorriu – Mas você não acha que está na hora?

Ela ficou em silêncio.

– Eu não quero forçar a barra – Disse ele – Nem sei se deveria ter...

Ela o calou com outro beijo.

– Isso te responde?

Michael abriu um grande sorriso.

– Sério?

Ela balançou a cabeça, em afirmação.

***

Horas depois, Michael e Victoria haviam acabado de sair da casa dele, do jantar de sua mãe. Os dois agora estavam andando pela rua bem iluminada do centro da cidade, onde alguns carros passavam. A sorveteria ficava do outro lado da rua, com uma grande placa vermelha e letras amarelas brilhantes dizendo “Wendy’s”.

– Está do mesmo jeito – Disse ele.

– Pouca coisa mudou por aqui neste ano, esqueceu que nossa cidade é atrasada, provavelmente as mudanças deste ano acontecerão no ano que vem.

Os dois riram.

***

Minutos depois, os dois estavam dentro, sentados em uma mesa. Um de frente para o outro. Victoria com seu sorvete de coco e mirtilo e Michael com um sorvete de chocolate, cheio de M&M’s e granulados.

– Eu sei tanta saudade – Disse ele.

– Você nem imagina o quanto eu senti também – Falou ela – Mas eu preciso te perguntar uma coisa.

– O que?

– Houve outra garota durante esse tempo em que você passou fora?

– Você está perguntando se eu fiquei com outra pessoa? – Michael sorriu.

– Por que é engraçado?

– Porque você tem uma mente fértil... É claro que não houve outra pessoa, mas não posso dizer que não havia pretendentes.

Ela deu um tapinha na mão dele e sorriu.

– Eu tive medo de isso acontecer.

– Não precisa se preocupar – Ele segurou sua mão – O que nós temos vai durar muito tempo... Eu consigo nos ver com 70 anos em uma casinha no campo, com nossos cinco filhos já adultos nos visitando e nossos netos brincando no campo.

– Cinco filhos? Isso é muito... Talvez três.

Ele voltou a tomar seu sorvete.

– Você nos imagina com netos? Pensei que só mulheres fizessem planos para o futuro.

– Isso é um pensamento muito sexista, moça.

Victoria sorriu.

***

A cidade tinha pouco movimento e a noite estava bem tranquila quando eles voltavam para a casa de Victoria. Já estavam na frente da casa, e ao invés de ir para a de seus pais, Michael a acompanhou.

Os dois entraram e ela fechou a porta. Michael a beijou, abraçando sua cintura. Ela retribuiu, mas logo cessou.

– Venha – Disse, subindo as escadas.

Ele a seguiu até o quarto. O cômodo estava com a luz apagada, iluminado apenas pelo abajur ao lado da cama. Ela parou bem na frente dele.

– Você tem... – Ela se sentiu envergonhada e quase não conseguia dizer a palavra, mas ele tinha entendido. Preservativos.

– Sim, não se preocupe.

Michael sorriu e eles voltaram a se beijar, enquanto ela tirava a camiseta dele e ele fazia o mesmo com ela. Victoria deitou-se na cama e ele tirou sua calça, deixando apenas com roupas íntimas.

Ele a beijou na boca e em seguida desceu para o pescoço. Começou a descer mais, beijando sua barriga.

Michael sentou na cama e ela sentou em suas pernas, de frente para ele, e os dois continuaram aos beijos. Victoria sentiu as mãos do namorado passearem por suas costas até chegarem até o sutiã. Ele o abriu e tirou, jogando em algum lugar fora da cama sem olhar. Ambos estavam com os nervos à flor da pele. Corações batendo rápido. Eles sabiam que algo indescritível iria acontecer ali.

Cessaram o beijo. Respirações ofegantes. Ele conduziu-a a deitar, observando seu corpo semi nu. A pele branca e macia, seios redondos e mamilos rígidos. Pele arrepiada. O olhar inocente agora se transformava em um misto de medo e desejo.

Michael tirou o cinto que prendia sua calça e rapidamente desabotoou-a, tirando em questão de segundos e ficando apenas com uma cueca preta, que ele tirou logo em seguida. Ele pegou no criado-mudo sua carteira e de dentro sacou uma pequena embalagem quadrada. Rasgou o plástico com o dente e tirou o preservativo. Em seguida começou a deslizar pelo seu membro. Victoria observou. Ele estava nervoso, era a primeira vez que ela o via sem roupas. Ela sentia o mesmo.

Quando terminou, ele começou a beijá-la, enquanto tirava sua calcinha. Quando tirou a peça, jogou no chão, onde já estavam todas as roupas.

A uma distância pequena do rosto dela, ela embaixo, ele por cima, sentindo sua respiração ofegante, Michael disse:

– Pode doer um pouco, se quiser eu posso parar ou ir mais devagar, apenas peça.

Ela balançou a cabeça em afirmação e ele posicionou seu pênis na entrada da vagina dela. Em seguida, lentamente começou a deslizar para dentro. Ela fez uma careta de dor, mas ele continuou devagar.

– Está doendo?

– Sim.

– Quer que eu pare.

– Não, não pare.

Ele continuou. Ela soltou um gemido de dor e prazer ao mesmo tempo. Agora estava com as mãos nas costas dele, arranhando sua pele com as unhas. Michael gostava.

Depois que a dor diminuiu, Victoria só sentiu prazer. Os dois. Eles voltaram a se beijar e Michael aumentou a velocidade, mas ainda ia devagar, com medo de machucá-la mais. Ele esperava aquele momento mais do que tudo, nada podia dar errado.

Corações acelerados, gemidos de prazer, os arranhões nas costas dele e os beijos quentes. Foi perfeito.

***

Alguns minutos depois, os dois estavam deitados na cama, enrolados com um lençol azul marinho. Cansados e suados, ainda nus. Michael virou de lado.

– O que achou? – Perguntou, sorrindo e um pouco nervoso. Ele sabia que ela tinha gostado, podia ver isso estampado no rosto dela. Mas precisava ouvir.

– Foi melhor do que eu esperava – Ela respondeu, também sorrindo.

– Eu estava com medo de te machucar, agora você sabe que tenho um instrumento avantajado.

Ela riu.

– Você se acha demais, não?

– Precisamos tomar um banho – Disse ele, mudando de assunto – Quem vai primeiro?

– Os dois – Respondeu ela, sorrindo maliciosamente.

– Ótima ideia – Falou Michael, levantando-se da cama.

Victoria se levantou também e os dois caminharam até o chuveiro. Sem roupas.

Ela acendeu a luz e entrou no box, que estava aberto, abrindo o chuveiro com água quente. Começou molhando as mãos. Ela olhou para o lado e percebeu que Michael estava na porta, observando-a, olhando seu corpo de cima abaixo. Agora com a luz acesa podia ver que seu corpo era ainda mais perfeito.

– Pare de ficar me olhando – Disse ela, acanhada.

– Por quê?

– Sei lá, me sinto estranha.

– Você é perfeita.

Ele entrou no chuveiro, junto a ela. Os dois ficaram abraçados, ele atrás, ela na frente, enquanto a água quente percorria pelos dois corpos.