Gone

4 Capítulo 03 - Até Logo


Durante os dois meses que Michael passou na casa de seus pais, ele e Victoria fortaleceram ainda mais o relacionamento. Os melhores dois meses da sua vida. Mas um dia precisava chegar ao fim.

***

Em uma tarde ensolarada, Michael e Victoria estavam sentados em um banco embaixo de uma grande árvore com pequenas flores brancas. Um pouco à frente deles, uma fonte com uma sereia e atrás, o grande campo, onde adolescentes jogavam futebol e famílias faziam piqueniques.

Victoria tomava um milkshake de baunilha, enquanto Michael se deliciava com um sorvete de chocolate com granulados, como ele sempre tomou. Estavam ali há quase meia hora, conversando, até ela tocar no assunto que precisava falar.

– Está chegando o dia... – Disse ela, depois de sugar pelo canudo o final do milkshake.

– Pois é – Falou ele, abaixando a cabeça – Essa é a pior parte.

– Dizer adeus nunca é fácil.

– Mas não é um adeus, Vic, é um até logo.

Ela sorriu.

– Até logo não, até daqui a dez meses.

– Eu queria poder ficar – Michael disse, vendo a tristeza nos olhos dela.

– Eu também queria que você ficasse, mas pelo menos você escolheu o lugar certo para a despedida – Brincou Victoria.

– Me sinto à vontade aqui, não que isso diminua meu medo de dizer adeus, mas alivia.

– Então é isso... Mais dez meses sem se ver.

– Sem se ver pessoalmente... Vamos continuar nos falando sempre, como fizemos durante este ano.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, até ela quebrar o gelo.

– Ainda temos quatro dias até você ir, certo?

– Eu vou sair bem cedo, então três, por quê?

– Durante esses três dias, nós vamos esquecer isso e nos divertir.

– Tipo o quê? Não tem nada para se fazer nessa cidade.

– Poderíamos chamar a galera ir à cachoeira.

– Ou... Poderíamos ir sozinhos, nadar pelados.

– Nadar pelado? Você tá louco?

– Por que não?

– E se alguém chegar?

– Sei lá, vamos estar dentro da água, não vão ver nada.

– Não, Mike, espero que esteja brincando.

– Tá, vamos chamar todo mundo, podemos nadar pelados depois.

***

No dia seguinte, Michael, Victoria e alguns amigos estavam indo à cachoeira na caminhonete do pai de Andy. Três pessoas iam na frente, ele, Sarah e Kayla, enquanto o resto da galera estava na parte de trás, segurando as bolsas para o vento não levar. Victoria estava sentada no relevo que indicava onde era o pneu, Michael estava sentado no “chão” do carro, assim como Tyler, George e Melanie.

Andy passou em um buraco e eles se assustaram, caindo na risada logo em seguida. Michael bateu no vidro que dividia a cabine da parte traseira e Andy olhou para ele, sorrindo.

– Quer nos derrubar? – Perguntou ele, brincando.

O amigo o respondeu mostrando o dedo do meio.

Eles sentiram o carro parando e viram que estavam chegando. A placa que dizia “Rio Springfield” estava lá, na entrada da larga trilha.

Andy entrou na trilha com a caminhonete e dirigiu alguns segundos, até chegar a um local amplo, com uma areia escura.

O carro parou e todos desceram.

Lá estava a cachoeira, forte, bela e um pouco barulhenta. A água continuava com uma bela cor azul bem escura. Estava tudo do mesmo jeito de quando ele vinha. Tudo escondido no meio de várias árvores. O sol apenas chegava em uma parte da água.

Ninguém costumava ir muito ali, diziam ser perigoso, mas a cachoeira era seu lugar favorito na cidade.

As garotas foram logo tirando suas roupas para ficar de biquíni, menos Victoria, e os garotos tiraram suas camisetas. Tyler foi o primeiro a se jogar na água, seguido por Kayla, Andy e Sarah, George e Melanie.

Michael sentou ao lado de sua namorada em uma grande pedra na beira do rio.

– Não vai entrar na água? – Perguntou ele.

– Agora não, estou com frio. Pode ir, eu juro que vou depois.

– Se você não for eu te puxo.

Ele se levantou e tirou a camisa.

– Sai da frente! – Gritou ele, antes de mergulhar na água fria.

***

No fim da tarde, quando voltaram para casa, Andy deixou Michael e Victoria em frente à casa dela e despediu-se, acelerando o carro em seguida.

– Vamos dormir lá em casa hoje – Disse ele.

– Acho que posso mentir para meu pai um pouco...

– Como assim?

– Sempre que vou dormir com você aviso a minha mãe e ela me dá cobertura, dizendo que fui dormir na casa da Sarah.

– E se ele descobrir, o que acontece?

– Ele te mata.

– Eu posso correr esse risco.

Ela o beijou.

– Vou tomar um banho, jantar e chego em uma hora, certo?

– Estarei esperando.

– Tchau.

– Tchau.

Ela entrou em casa e Michael atravessou a rua, indo para a casa dos seus pais.

Quando entrou, encontrou sua mãe sentada no sofá, assistindo a uma novela.

– Cadê a Heather? – Perguntou ele.

– Já foi para casa... Você perdeu, Patrick conseguiu ficar deu os primeiros passos hoje!

– Oh meu deus, sério?

– Sim, o seu pai filmou tudo, ele já está chegando para a gente jantar.

– A Victoria vem dormir aqui hoje, tudo bem né?

– De novo? – Perguntou sorrindo – Parece que vocês estão aproveitando esses dois meses hein...

– Pois é, nem acredito que já vai acabar.

– Mantenha contato com ela, filho, não a deixe escapar, ela é uma garota incrível.

– Não se preocupe, mãe.

– Tá, agora silêncio porque eu vou descobrir quem matou a Ashley! – Exclamou ela e virou-se para a televisão novamente.

Michael subiu para o seu quarto e fechou a porta. Deitou-se na cama e balançou os pés até os sapatos saírem voando para o canto do quarto. Estava exausto, mas a noite seria ainda mais exaustiva. Victoria dormiria lá novamente.

***

Poucos dias depois, no dia de ir embora, Michael e seu pai estavam percorrendo o estacionamento do aeroporto. O garoto levava consigo a mochila, nas costas, e arrastava uma imensa mala pelo chão.

– Quer comer alguma coisa? – Perguntou o pai.

– Não, e nem daria tempo mesmo.

Sr. Brooks olhou no relógio, faltava pouco menos de vinte minutos para o avião partir.

– É, desta vez chegamos um pouco tarde.

Os dois entraram no aeroporto, cujo clima estava um pouco mais agradável do que o de fora. Caminharam até um dos atendentes para fazer o check-in.

Dezessete minutos depois, o voo estava partindo.