Notas iniciais
Olá! Seja muito bem vindo a fic. Informo a você, caro leitor. Que Golden Years está finalizada, entretanto está sendo corrigida aos poucos. Então, possa ser que encontre uma grande mudança no corpo do texto de um capítulo para o outro. Então já sabe, não é? Está sendo revisada e reescrita. Mas não irei mudar o Plot, apenas pretendo retirar umas redundâncias, melhorar e corrigir os erros de português. E deixar a leitura mais agradável. Enfim, é isso! Boa leitura.

Sakura P.O.V

Dizem que quando maior a idade, maior são as responsabilidades. Não tenho dúvida sobre isso, mas vamos deixar essa pauta para ser discutida depois. A única observação que tenho a fazer sobre responsabilidade é que ela atormenta a vida de todo mundo. Ainda mais daqueles que não nascem em berço de ouro como é o meu caso.

Que azar, não?

Eu que diga! Apenas as manutenções da tintura do meu cabelo já me custam o fígado e vou dizer este órgão não está em alta no mercado negro. Não sei o que deu na minha cabeça em pinta-lo de rosa. Um acesso de loucura ou um erro de cálculo, talvez. Entretanto não dá para voltar atrás. Porque gosto dele assim e raspar está fora da lista de alternativas.

Tenho uma vida normal. Como de qualquer outra garota nos anos de 1992. Dezessete anos, uma vida escolar obrigatória e afins. Não tenho muito o que reclamar somente reclamo do básico. Isso é de praxe! Todos Haruno são ótimos reclamadores. Por que comigo seria diferente, não?

Meus pais moram em outra cidade próxima da minha, sendo assim sou a reclamadora das mazelas da vida em Konoha, cidade onde fixei residência.

A cidade das folhas! As quais, diga-se de passagem, são um perigo! Tem que tomar muito cuidado, caso contrário uma folha pode cega-lo caso ande com as cabeças nas nuvens! Resultado: vender o olho no mercado negro está fora de cogitação.

Não que eu tenha algo contra as folhas, não é isso! Elas até atribuem um ar romântico e meloso para finais de filmes, sabe? É filmes!

Quando o playboy nota a mocinha sem sal e rola aquele drama básico que te faz chorar horrores. Apaixona-se por ela que na verdade não é sem sal e tem muito conteúdo, mas já é tarde demais e não tem como os dois ficar juntos, pois o ego do garotão é muito forte.

Por fim ela está indo embora e cai a ficha do otário. Sobre está deixando o amor da sua vida escapar pelos seus dedos e para sempre. Aquela bobagem de sempre, sabe?

Então ele corre atrás dela na rodoviária por exemplo. Ela fica de costas para ele esperando a ação seguinte do “amor” da sua vida. O vento bate em seus cabelos longos fazendo um movimento suave atribuindo um encantamento na cena.

É então que as folhas entram em cena! Apenas os dois numa rodoviária. Agora um de frente para o outro. Ele com cara de cachorro que caiu da mudança, arrependido! Ela com um sorriso fraco esperando uma explicação plausível ou até mesmo não querendo escutar absolutamente nada. As folhas passando entre eles e claro sem perfurar o olho de ninguém ou enroscar no cabelo sedoso da mocinha.

Rola aquela conversa cheia de desculpas e toca à musica mais romântica da face da terra. Ela aceita as desculpas e a cena mais esperada pela mulherada acontece. O beijo romântico, o qual geralmente acontece na chuva.

Então é praticamente isso. Eu gosto de morar em Konoha o que não gosto muito é de estudar, mas isso é normal, não é? E claro, ainda mais quando você não é a popular do colégio. Faço parte do povo excluído da nata escolar. Os populares que todo mundo puxa o saco! Me excluo desta função.

Na verdade, prefiro que todos eles, os populares, sumam. E são eles um dos meus motivos para adorar tanto as férias. Período magico em que não vejo nenhum e essa é a melhor parte. Tenho certeza, chega até superar o horário de levantar da cama macia e gostosa.

Estudo na Lions de manhã e trabalho na lanchonete Donna a tarde. Resumindo minha vida não tem nada de extraordinário, na verdade é bem ordinária. Por exemplo agora estou no chuveiro pensando na minha vida e cheguei a esta conclusão.

Hoje é o primeiro dia do retorno das férias. O castigo continua. São seis da manhã e já estou atrasada. Mas não estou preocupada com o atraso, afinal as primeiras aulas são do Kakashi e ele sempre falta ou se atrasa. Só acho que ele podia avisar quando não vem, não é? Não tire conclusões precipitadas apenas penso assim, pois seria muito legal da parte dele não me deixar com o traseiro colado na cadeira dura da escola.

Não tenho um consolo nesta vida. Acabo de ser notificada que meu secador queimou e meu cabelo rosa está pingando água. Está calor mesmo, não é? Quem precisa secar o cabelo! Apenas irei morrer de frio, quando pôr os pés para fora do meu apartamento detonado. Pensarei pelo lado positivo: ao menos a luz não foi cortada! Ainda.

Olho no espelho ainda de roupas intimas. Analiso o meu corpo e digo que ele não está nada ruim. Ou que não possa ser consertado. Rir das próprias piadas é muita idiotice? Se for estou perdida.

Fito o relógio e vejo que meu tempo já se foi. São seis e meia. Resumo: vou ter que ir voando para a escola. Pelo menos o uso do uniforme não é obrigatório, isso não é demais? Visto minhas roupas de sempre. Está frio, eu não sei como a mulherada da minha classe suporta usar saia. Sei que poderia me arrumar mais, porém a sobrevivência grita mais alto. Não vou passar frio nem a pagando.

Meu cabelo está molhado e este estado impossibilita o uso do meu gorro. O qual é motivo de piada, às vezes, entretanto não me importo. Ai que droga!

Fito o relógio novamente e este já está apontando seis e quarenta e cinco. Só uma palavra: atraso. Não tenho mais tempo para nada!

Tomar café? Nem pensar. Secar o cabelo? Como o secador quebrou, lembra? Ir de carro? Que carro? Está delirando querida!

Ir para o inferno parece uma boa ideia agora. Ah! Estou indo para lá. Vou dar um fora da caixa de sapato que chamo de casa antes que resolva voltar para minha cama quentinha. Como eu amo ela!

Costumo usar a bicicleta como meio de transporte e hoje não será diferente. Irei para escola pedalando, mesmo que a escola se situe praticamente do outro lado da cidade. Certo que Konoha não é muito grande, mas pedalar é cansativo. Ao menos meus fios irão ficar secos. Meu relógio de pulso indica que são sete e quinze e agora sim está tudo perfeito! Costumo ser bem irônica, afinal. Sakura Haruno está atrasada – como o de costume, quinze minutos no primeiro dia de retorno as aulas. Nada que o professor Kakashi não supere.

O sol já nasceu, mas os seus raios estão fracos visto que estamos no inverno, o qual está acabando finalmente! Posso ver a escola da onde estou e poderia continuar se não fosse o carro que passou próximo numa velocidade desnecessária. O carro mais badalado do colégio. Não devido ao seu modelo e muito menos pelo motor de oito cilindros! E sim por conta de seu dono.

Paro de pedalar para contemplar o Corvette ano 1982 na cor preta. Perfeito! Aparentemente o oposto de seu dono seguindo os boatos que vivem por aí. Mesmo estudando na mesma classe, Sasuke nunca falou comigo e também nunca me dei o trabalho de tentar puxar assunto. Amizades para quê? Mesmo meu círculo de amizade tendo somente eu e mais ninguém! Entretanto o vendo chegar atrasado considero me bem normal, pois, moro do outro lado da cidade. Sendo assim meu atraso é compreensível, mas o dele? Ele mora praticamente dentro da escola!

Após mais umas pedaladas lentas. Sim lentas! Já estou atrasada mesmo, uns minutos a mais ou a menos agora não vai piorar ou melhorar a situação. Desço da minha bicicleta de cor laranja e coloco no estacionamento de bicicletas. A minha não é a única.

Agora é apenas rezar para o professor não estar na sala, caso contrário irei visitar a diretora. Isso é um problema!

Não gosto desta escola! E para agravar este sentimento a cor da instituição é verde e não combina nada com o chão. Chumbo e verde? Sinceramente, isso aqui não aparenta ser um ambiente acadêmico. E a prestar atenção nestes detalhes percebo que a diretora não mandou pintar a escola como sempre. Verifico isso a ver uma pichação, a qual se consiste em uma declaração de amor – Sasuke, te amo, feita a tinta vermelha e em letras garrafais. Isso que dá sair arrasando corações da metade do colégio.

Finalmente chego no segundo andar, onde situa-se a sala onde estudo. Terceiro ando F, sala 43. F de fracassados. Só pode! Tenho que parar de rir das minhas piadas internas, pois não é todo mundo que compreende ver uma pessoa rindo aparentemente do nada.

Paro em frente a porta da sala e agora sim sinto um pequeno receio. A classe está silenciosa, isso significa que o Kakashi já chegou.

Droga, droga, droga!

Irei visitar a Tsunade no primeiro dia de aula? Espio pela pequena janela de vidro fixada na porta e não consigo ver o professor em sua mesa ou passando conteúdo no quadro negro. Seguro a maçaneta na intenção de abrir a porta, mas desisto antes de abri-la. Estou ferrada! Se Kakashi estiver na sala.

— Vai entrar ou não? Sai da minha frente. – Paro com minhas reflexões quando uma voz, aparentemente, do além vem me perturbar até mesmo nas decisões mais simples. Entretanto a virar-me vejo que é apenas Sasuke. Pessoa para qual dou passagem sem pensar duas vezes. Fico o vendo girar a maçaneta e meu intimo começar a torcer, para que, Kakashi esteja presente apenas para ele se ferrar. Poderia vender minha alma ao diabo, mas acho que este golpe não funciona duas vezes, apenas para ver o arrasador de corações ir ver a Senju no primeiro dia de retorno as aulas.

Sasuke me ignorou, abriu a porta e entrou. É agora! Sasuke fechou a porta e não ouvi nenhuma repreensão. Espero mais um tempinho, pois Kakashi demora a repreender tem vez. Deixo um sorriso escapar! Acho que o professor ainda não chegou. Vou entrar!

O meu grande momento chegou! Pela primeira vez não irei ser repreendia por conta de meus atrasos tão frequentes como o nascer do sol. Abri a porta de forma discreta e pela fresta pude constatar que realmente Kakashi não está! Perfeito.

— Onde pensa que vai senhorita Haruno? – Escutei a pergunta antes de pôr meus pés para dentro da sala. Meu sorriso morreu completamente ao reconhecer a voz. Qual é? Não podia esperar sentar-me em minha cadeira para chegar, Kakashi? Não me dei o trabalho de responder, apenas virei o meu corpo ficando de frente para o professor e comecei a andar pelo corredor rumo a direção.

— Espere, Sakura. – Kakashi fala de forma calma. – Hoje você irá ganhar um desconto. Pode entrar, mas é a última vez que tolero seus atrasos.

Kakashi abre a porta para mim. Professor, seu gesto de piedade e compreensão será anotado na minha agenda de boas ações.

— Obrigada, professor. – O agradeço e Kakashi afirma positivo mantendo-se encostado no batente da porta. – Não me atrasarei mais.

Mentira! Atrasos são coisas inevitáveis. Vejo ele assentir e então observo os alunos que dividem a classe comigo. Alguns visivelmente com sono e outros dormindo descaradamente. Sigo para minha carteira, na verdade para a última que sobrou. As mesas são para duas pessoas e agradeço por ficar sozinha. Deixo minha mochila no assento vago.

A carteira que estou ocupando situa-se bem no meio da classe. Dividindo o povo da frente – os estudiosos e o povo do fundo – os baderneiros. Viro para trás para vê-los e nisto dou de cara com o Uchiha.

— Bem-vindos, novamente, as aulas. Vocês já sabem que eu sou. Nossas aulas serão de matemática, biologia e física. Fiquem felizes, irei passar bastante tempo com vocês neste semestre. – Kakashi diz de forma descontraia. E eu torço a cara em desgosto. Como vou conseguir chegar cedo em quase todos os dias da semana?

— Ah! -Todos os alunos fazem um coro em brincadeira com o professor. Gostamos dele apesar dos pesares. Observei que até a garota mais quieta da sala sorriu.

Retiro meu material da mochila marrom, afinal estou aqui para estudar. Vários alunos aderem ao ensino, mas não são todos hoje. Kakashi já escrevia no quadro negro quando alguém bateu na porta. Deixo o conteúdo para fitar a porta feito todos os outros estudantes. Curiosidade é um mal, afinal!

Kakashi colocou a caderneta na mesa e bateu as mãos na calça para retirar o giz. Foi até a porta e abriu com calma. Sorriu. Kakashi sorrindo? Isso apenas pode ser sinal de tragédia eminente.

— Diretora, já nesta sala? – Fecho um olho ao perceber quem é a visitante da vez no terceiro F. O que essa mulher já está fazendo aqui? Destino toda a minha atenção a ela. Tsunade, não diga que veio por mim e pelo simples e pequeno atraso que tive.

Confesso que tenho inveja dos seios dela. Eles ficam tão bonitos naquele decote. Eu não faria diferente. Vejo ela passar os olhos na classe e parar em mim. Oh, não!

— Bom dia alunos. Bom dia Kakashi. – Ela começa calma demais. Isso é um bom sinal, caso contrário ela estaria elevando uns decibéis da sua voz. — Estou aqui para apresentar um aluno novo.

Um alivio sem tamanho me toma. Ainda bem que a visita não tem nada comigo. Aluno novo? Será que ele é bonito? Podia, não? Ou pelo menos legal. Isso já seria algo bem positivo para essa sala. O silêncio predomina, quando o tal do aluno novo aparece. A minha cabeça vira automaticamente em direção a uma certa mesa feito dos outros alunos. Lugar este, especificadamente, onde Naruto costuma sentar-se e hoje não está presente.

Aposto, que como eu, todos esperavam que Naruto o convidasse com sua voz estridente o aluno novo para sentar-se ao seu lado. Como ele faz com todos os novatos que entram na classe. Acho que até a diretora esperava por isso, pois notei ela questionar a ausência do Uzumaki para o professor, o qual não soube responder.

— Facilitem para o rapaz. Entre, Sabaku. – Tsunade coloca a não no ombro do garoto ruivo. — Até mais alunos e não espero ver nenhum de vocês na direção tão cedo.

Simplesmente lançou a bomba e foi embora. Acredite, também não quero ver sua cara na direção. Agora o aluno novo é o alvo de todas as atenções, inclusive a minha. Ele continua parado rente à porta e então lembro que têm poucos assentos vagos incluindo o que minha mochila está usando. É impossível não notar sua beleza, entretanto ele não parece muito sociável. Não que isso seja problema para mim, aliás não faz diferença nenhuma. Ele está usando preto com exceção da camisa branca. Acho que isso o deixa um pouco fúnebre. Causa até um medinho bobo e sem fundamento. Escolhe o assento do Uzumaki! Não senta aqui comigo não.

Kakashi indica as carteiras e ele marcha em silêncio. Quando vejo que o assento ao meu lado foi o escolhido da vez retiro a minha mochila e ele senta em completo silêncio. Viro-me completamente para frente. Não vou sorrir e nem tentar falar algo. O sociável e amigável desta sala está ausente. Não irei pagar um de Naruto.

— Não quer se apresentar? – Kakashi inqueri ao novato. E sua questão faz cessar os murmúrios das panelinhas espalhadas pela classe. Principalmente das garotas concentradas em um dos cantos da sala. O vejo levantar e retirar a mochila.

— Meu nome é Gaara. – Olha só! Ele sabe falar, mas pelo visto será a única coisa que pretender dizer. Bom, já é um progresso. Gaara retornou a sentar-se.

— Silêncio! – Kakashi bradou e retornou a passar conteúdo no quadro negro e eu a copiar os exercícios. Observei o aluno novo com o canto dos olhos. Ele parece ser bem discreto, mas mesmo assim aparentemente tem uma tatuagem quase no couro cabeludo. Impossível de ler devido os fios escarlates. Mesmo assim não é tão peculiar como o meu cabelo. Deixo um riso escapar e Gaara me olha rapidamente. Depois morro e não sei o porquê!

O vejo abrir o caderno aparentemente já usado e copiar a matéria logo depois. Sem mesmo questionar qual bendita matéria era. Percebo a falta de alunos no primeiro dia. Então lembro que apenas os ferrados vêm no primeiro dia de aula. Muitos ainda devem estar regressando das viagens glamorosas. Sou bolsista e talvez seja por isso que ninguém conversa comigo. Bem, também não preciso da amizade dessas pessoas afortunadas.

As aulas ocorrem normalmente no primeiro período. Sem muitas emoções – trocando em miúdos: um saco! Em minha opinião a vida poderia seguir tão bem sem as aulas. Fazer minhas atividades corriqueiras. Ir trabalhar e depois ir dançar! A única coisa bacana na minha vida diga se de passagem. E elas, as aulas de dança, são um dos motivos de meus atrasos. E não pretendo abrir mão disto. Fazer o que, não é? Nada é perfeito!

Não sai da sala nos quinze minutos que chamam de intervalo. O que dá para fazer com este tempo? Deslizo na cadeira e apoio a minha cabeça no encosto da cadeira. Não estou com fome, pois neste horário ainda estaria dormindo. Poderia até mesmo dormir, caso o barulho de plástico fosse menor. Hinata – acho que este é o nome dela, está comendo alguma guloseima. Somos as únicas na sala. Até poderia puxar assunto e questionar como foram as férias e viagens que deve ter ido. Entretanto não vou.

Não irei estragar os minutos de silêncio que temos numa conversa desnecessária. Fecho meus olhos e o maldito sinal toca: indicando o término do intervalo. Logo escuto as risadas altas das garotas. Oh, que barulho dos infernos! Abro meus olhos por conta dele e fito o rosto do Uchiha passando no corredor feito pelas carteiras. Logo some da minha vista e me arrumo na cadeira assim que Gaara senta-se ao meu lado.

Não tenho nada contra ele, mas também não tenho nada a favor. Sasuke é indiferente para mim e fico feliz por não pertencer ao fã clube eloquente dele. Apenas tenho que dizer que hoje não está sendo o meu dia. E vou culpar alguém por isso. Deixe me ver! Kakashi.

Hinata P.O.V

O intervalo terminou e o primeiro período já se foi. Agora tenho mais duas aulas. Gosto de estudar e gosto desta escola, entretanto acho que seria melhor se houvesse amigos. Não tenho nenhum. Pensei em fazer diferente este semestre, o qual será o meu último. E tentar fazer amizades, mas quando fiquei sozinha com Sakura minha timidez impossibilitou que eu dissesse um A. Acho ela tão original e provavelmente sua vida deve ser o máximo. O que me faz pensar que ela me destinaria atenção? Afinal, ela nem parece se importar com o pessoal da Lions.

E também acho que não temos nada em comum. Iriamos conversar sobre o que? Deixo um suspiro escapar. Hoje as aulas estão piores do que o normal, deve ser porque Naruto faltou. Ele sempre anima as aulas com suas observações e brincadeiras. Não somos amigos, na verdade nunca troquei uma silaba com ele. Faço parte do grupo dos excluídos. O sistema de amizade é um pouco deprimente para mim. Funciona assim: tem que pertencer a uma panelinha, um grupo de amigos, caso contrário fica sem abrir a boca para falar um A o ano inteiro.

Não faço parte de nenhuma e até pensei em mudar de escola. Quem sabe os alunos das outras são mais simpáticos? Pensei sinceramente em falar com meu pai sobre isso, mas o sermão que iria receber como resposta me fez ficar quieta. Bom, agora só falta este semestre e nunca mais volto para a escola Queria que hoje as aulas terminassem depressa mesmo não querendo ir para casa, mas também não quero ficar aqui.

Vejo o aluno novo entrar na sala. Nem mesmo pude ver a reação da Sakura quando ele se sentou ao lado dela, pois minha carteira é a primeira da fileira localizada no centro da sala. Não converso com a menina sentada ao meu lado. O nome dela é Matsuri e pertence a panelinha do fundo, mas acho que deve ter ficado sem lugar hoje e por isso está sentada aqui.

Sasuke é um dos últimos a entrarem na sala e como sempre todos prestam atenção nele. Logo atrás do Uchiha vem a professora sorrindo, a qual eu não conheço e provavelmente é nova na escola. Vejo ela arrumar suas coisas na mesa destinada aos professores e aguardar o barulho cessar.

— Bom dia, como podem ver sou nova nesta instituição. Meu nome é Shizune e vou lecionar Química. – A professora informa animada desconsiderando o tedio da maioria. Escuto um suspiro logo atrás de mim. Compreendo: Química não é o forte de muita gente e muito menos matéria favorita.

— Bom que tal vocês se apresentarem. – Ela sugere. — Começando da fileira da esquerda.

Apontou para a menino sentado próximo a janela que mexia em suas coisas, quando percebeu que era com ele que falavam e se prontificou a falar.

— Meu nome é Rock Lee. – Manifestou se de forma contida. Shizune inqueriu se era apenas isso e Lee concordou. Acho que ele não está disposto hoje. Algo raro de se ver. As apresentações prosseguiram. Os mesmos nomes de sempre e alguns novos até chegar na panelinha do fundo.

— Meu nome é Karin e sou a namorada de Sasuke. – Namorada? Virei-me para trás para ver a expressão de Sasuke. Notei que não fui a única. E encontrei a sensação da escola afirmando positivo com a cara fechada de sempre e Karin ao seu lado sorridente.

— Bom, próximo! — A professora cortou os sussurros dos alunos. Sasuke e Karin não eram namorados antes das férias e creio que este fato novo acarretou nos comentários. Deixei minhas observações de lado a ver o dedo da professora apontando para mim. Ah! Eu não quero me apresentar.

— Meu nome é Hinata. – Informei.

— Não te escutei. – A professora sorri e sinto minha garganta fechar. Odeio exposições!

— Hinata. – Forço a voz e recebo um sorriso acolhedor da professora, a qual aponta para Matsuri com a cabeça apoiada nas mãos.

— Nossa a Hyuuga falou, que milagre. – Matsuri estava preste a se apresentar, quando alguém interrompeu. Escuto meu sobrenome, mas não sei dizer a quem pertence a voz. Entretanto aposto que foi Shion. Não irei virar para trás. Sinto um mal-estar ao ouvir as risadas baixas do grupo do fundo. Ainda não compreendo por que ela insiste em pegar no meu pé de vez em quando.

— Meu nome é Matsuri e ponto. – Matsuri informa em seu tédio nada costumeiro.

— Meu nome é Chouji e este do meu lado é o Shikamaru. – Escuto-o e viro me para fita-lo. Chouji é um rapaz muito legal, mas mesmo assim não interajo o tanto que gostaria. Vi ele apontar para o rapaz ao seu lado. Shikamaru dormindo na carteira descaradamente. Algo que fez a professora rir e afirmar positivo. Foram poucas as palavras que troquei com ele. Shikamaru dorme em todas as aulas.

— Sakura. – A garota do cabelo rosa informa e viro-me para frente.

— Gaara. – Escuto a voz baixa de Sakura ser coberta pela voz grave do aluno novo. As apresentações prosseguiram e logo a professora pegou o seu livro assim que apontou para última aluna a não se apresentar.

— TenTen. – Virei-me para olha-la e logo escutei o bater do giz contra a lousa.

— Bom é um prazer conhecer vocês, agora abram o caderno e vamos aprender sobre a divisão do átomo. – A professora disse com uma certa empolgação e não recebeu protestos. A aula prosseguiu de forma silenciosa. Um milagre na minha opinião, afinal a mentalidade de alguns alunos é menor mesmo a idade sendo compatível.

Voltei minha atenção para TenTen, quando acabei minha tarefa. E a vi usando lápis de cor por alguma razão. Ela entrou no início do ano na classe. Não conheço ela desde da quinta série feito a maioria nesta sala. TenTen parece ser uma pessoa legal, mas não posso afirmar, pois também nunca conversei com ela. Ela é uma pessoa reservada e não provoca ninguém.

Entretanto ela vive recebendo provocações. As meninas pegam no pé dela. Vivem dizendo que ela parece mais um homem do que uma garota – algo que discordo totalmente. TenTen apenas não parece se importar tanto como nós. Nem mesmo usa maquiagem e as roupas costumeiras das patricinhas. Saio dos meus devaneios, quando percebo que ela está me encarando, pois eu estava a encarando no automático. Espero que ela não pense que também estava reparando nela.

Sinto meu rosto queimar e viro-me para frente rapidamente. Não quero criar problemas. Retorno a copiar a matéria. Não quero que TenTen pense que sou outra garota chata e importuna.

Os minutos correram e a professora já tinha explicado a matéria. Falta apenas quinze minutos para acabar as aulas e ela liberou a classe para conversar sobre as férias. As panelinhas se concentraram e apenas alguns alunos ficaram em suas carteiras. Olhei para trás e vi a Sakura enfiando todo o material dentro da mochila.

Gaara apenas esticou seu corpo na mesa. TenTen também guardava se material e Chouji acordava o Shikamaru. Notei que Ino não veio para aula, talvez ela tenha mudado de classe. Não sei.

Sasuke está com Karin e as meninas. E o amigo dele, o garoto de cabelo branco também não veio. Lee acenava pela janela. Olho para a garota loira do seu lado ela está concentrada em um romance policial. O nome dela é Temari. Existe muitos boatos sobre ela, mas não creio que não sejam verdadeiros.

Acho que irei passar na biblioteca antes de seguir para casa e assim esperar o total esvaziamento de alunos, os quais se concentram em frente da escola para conversarem. O sinal toca anunciando o fim das aulas. Guardo meu material de forma paciente e observo a movimentação intensa para deixar a sala. Um empurra-empurra sem fim. Olhei para professora com uma expressão nada agradável na face devido a aglomeração na porta.

Grite professora para eles formarem fila, como na pré-escola! Acabo por sorrir ao pensar assim. Ainda tem pessoas esperando a passagem ficar livre como eu espero. Entretanto um grupo ainda obstrui a passagem e sinceramente não quero passar entre elas.

Foi quando Gaara passou por mim e seguiu até a porta. Vi o sorrindo acolhedor das meninas. E entendi que era ele que elas aguardavam. O novato.

Shion tentou dizer algo, mas o ruivo praticamente passou por cima dela sem dar a mínima atenção. Sakura ainda está na sala observando a cena na porta, como eu. Abafou o riso e saiu logo depois. As garotas mais populares também se foram em seguida. Arrumei meu caderno rente ao peito e sai da sala. Espero que o corredor já esteja vazio.

O corredor não está como um formigueiro. A maioria já tinha dissipado do local. Ando devagar, não tenho nada para fazer no período da tarde. As únicas pessoas lá de casa estão fora. Hanabi está na escola de período integral e meu pai na empresa. Resumindo: vou ficar sozinha naquela casa gigante.

Sinceramente eu gosto da minha casa. Ela é enorme e as chances de me encontrar acidentalmente com meu pai são reduzidas, mas não tem como fugir na hora do jantar. Chego em frente ao portão e o vento bagunça meu cabelo longo, minha faixa azul escura não impede que os fios ir de encontro com meu rosto.

Como conclui anteriormente os alunos populares da escola estão concentrados do outro lado da rua. Vejo a Sakura pedalando em sua bicicleta distante e rapidamente. Ela deve ter algo para fazer no período da tarde.

Olho para o oposto da direção da Sakura e vejo TenTen dobrando a esquina numa corrida veloz. Pelo visto todos têm algo para fazer, menos eu. Vejo o carro da empresa Hyuuga apontar do outro lado da rua. Pretendo pedir para meu pai permissão para regressar para casa a pé após as aulas, mas duvido que consiga.

Abro a porta traseira e recebo um sorriso do motorista. Sento próximo a janela e encosto minha cabeça no vidro. O motorista da partida no carro e seguimos para minha casa. Observo o caminho, a cidade é bonita, tem bastante árvores e as ruas são bem cuidadas.

Um carro ultrapassa o que estou usando e segue na mesma direção que o meu. Para área nobre da cidade. Minutos depois o vejo estacionado em frente da enorme mansão Uchiha.

Eu e Sasuke moramos na mesma rua, entretanto minha residência fica no final da avenida e a de Sasuke no início. Somos colegas de rua e de classe. Quando menor, sua mãe as vezes visitava a minha, mas depois que ela morreu as visitas acabaram. Não somos amigos, nem converso com ele, contudo brincávamos juntos quando crianças.

Desço do carro e o motorista segue para empresa. Entro pela porta principal e dou de cara com a Nane. Nane é a governanta de casa, mas para mim ela é da família. Foi ela que cuidou de mim e da Hanabi quando minha mãe faleceu. Ela lança me um sorriso que já conheço bem. Beijo sua face e tiro o casaco.

— Foi normal, Nane. As matérias de sempre e os alunos de sempre. — Respondi à pergunta que ela iria fazer. Nane sorriu enquanto nós seguimos para cozinha.

— Sei, vamos! Vou preparar o seu almoço. O que deseja comer? — Me perguntou enquanto batia a mão no avental branco.

— O que estiver pronto. — Respondi e entrelacei meu braço no de Nane, coloquei meu caderno e a mochila pendurada no meu ombro livre. Os deixando em sequência no sofá branco e fui com a Nane para cozinha. A minha única amiga já tem sinais de idade na face branca. Eu simplesmente a amo.

Meu pai considera muito Nane, deve ser porque ela foi o maior apoio que ele recebeu quando mamãe morreu. Me alimentei sozinha e lavei os utensílios que usei deixando-os no escorredor. Meus dedos não vão cair por lavar um simples prato e uns talheres, mas Nane diz que sim.

Subo para meu quarto após recolher meus pertences no sofá. Caso eu os deixe aqui papai irá chamar minha atenção. Suba as escadas, vire para direita e na terceira porta do corredor é meu quarto, entrei e visualizei tudo em perfeita ordem, bem diferente de como o deixei.

Depositei meu material na escrivaninha em frente a janela e me joguei na cama. Olhando para o teto branco do meu quarto percebo que tenho tudo, mas ao mesmo tempo não tenho nada. É estranho pensar assim. Abraço o travesseiro.

E a ver as cores inexistentes no meu quarto comparo com minha vida social. Tudo branco e preenchível de outras cores. Olho meu cobertor lilás, única peça que salva da mare branca deste cômodo. Tudo é uma completa monotonia em minha vida. E apenas por alguns detalhes minha vida poderia ser perfeita.

Sinto meu corpo amolecer e o cheiro agradável. Pretendo dormir e quem sabe quando eu acordar meu cobertor não seja a única coisa colorida nesta minha monótona adolescência.

Notas finais
Até o próximo! O qual ainda não está corrigido! Pretendo corrigi-lo o mais rápido possível.