Notas iniciais
Olá, queridos! Primeiramente espero que gostem do capítulo. Algumas coisas podem parecer fora do eixo e meio inusitadas. Algumas revelações foram feitas, mas parcialmente. Creio eu que não precipitei em coloca-las neste capítulo, mas eu sou lelé da cuca, então possa ser que sim. hahaha. Enfim, boa leitura!

Hinata POVs

As xícaras são levadas aos lábios em completo silêncio. Esta casa é tão sem graça, papai está mais sério que o costume. Os olhos de Nane me fitam querendo que eu diga algo a respeito da minha última saída.

Shikamaru me deixou em casa e não lembro de muita coisa, apenas do semblante sério de Nane ao me ver. Resumindo: papai não sabe de nada, apenas perguntou como foi a competição de exatas e descaradamente eu afirmei que vencemos. Não é mentira, mas faltei com a verdade mesmo que parcialmente.

E agora estou aqui, fingindo que nadinha aconteceu. Hanabi sai da mesa sem ao menos se despedir, este fato não é estranho e sim meu pai não tirar os olhos do jornal e chamar sua atenção. O que será que está acontecendo com ele? Seus olhos desviam par aminha direção e eu volto a prestar atenção em meu prato.

— Hinata, vamos conversar. – Larga o jornal e me olha sério. Será que ele soube? Eu vou morrer agora. Mas tem algo errado em suas atitudes, parece estar constrangido com algo.

— O que foi, papai? – Questiono, pois sua demora mostra que não será uma chamada de atenção e sim outra coisa.

— Hinata, você já tem dezessete anos e as garotas desta idade começam a se interessar por garotos. – Sinto o fervor atingir meu rosto, não pensaria que meu pai iria querer ter este tipo de conversa comigo. Nunca o vi tão embaraçado como no momento. Na verdade, não esperava que ele quisesse conversar sobre isso, mas até que faz sentido. Hiashi abre a boca apenas para repreender ou orientar.

— Então eu quero que... – Os saltos de Nane faz ele cessar e eu agradeço imensamente por isso. Pelo jeito não vai ser agora que vou ter que contar sobre o Naruto. E só de pensar nele esqueço que estou neste castelo de gelo e Nane me olha interrogativa pelo sorriso idiota nos lábios.

— Senhor Hiashi. O senhor Kimimaro já está presente e lhe aguarda no escritório. – Ele desvia os olhos para ela, levanta-se e arruma seu terno, sem mesmo fazer seus típicos rituais antes de deixar a mesa.

— Depois terminamos está conversa. – Parte rumo a sala me deixando sozinha, Hanabi retorna e senta-se na cadeira sorrindo despreocupadamente.

— Hina, você já viu o investigador que o papai contratou? –Investigador? Nego com a cabeça, o que meu pai quer com um investigador? Levanto indo para o quarto, mas desvio para o escritório do meu pai. Como previ a porta está fechada, mas o silêncio é grande demais e escuto a conversa baixa.

Nunca quis saber o que meu pai faz ou deixa de fazer, mas confesso que está história que precisa de investigador é no mínimo estranha. Empurro a porta com cuidado e a mesma não range, para minha sorte. Olho pela fresta recém-aberta e vejo o homem sentado na cadeira... não parece ser um investigador. Ah, fui dar crédito as palavras de Hanabi.

— Então presumo que esteja em Konoha. – Escuto a voz calma, meu pai levanta e passa a mão pelo queixo. Quem está em Konoha? Vejo o suspiro de meu pai... ele parece tão cansado com algo.

— Sinto muito pela sua perda Hiashi, seu irmão queria que seu sobrinho se aproximasse de você. — É inevitável não arregalar meus olhos, afinal do que estão falando? Meu tio está morto...sobrinho.

— Obrigado, entendo, mas pelo visto o garoto não quer. – Provavelmente estão falando do tal sobrinho... será que seria ele? O homem de cabelos brancos sorri e logo se levanta da poltrona.

— Neji não é um garoto fácil, como advogado de seu irmão pude conviver um tempo com ele. Acredite, vá com calma e a melhor coisa a se fazer.

O afirmar positivo de meu pai aparece, mas eu sei que não vai agir com um pingo de calma. Olho o apertar de mãos e percebo que é hora de sair. Encosto a porta e suspiro aliviada... que medo de ser pega em flagrante. Corro para meu quarto.

Não acredito que ele realmente é meu primo... bem, estava meio que na cara, mas ele é tão diferente de nós. Tenho certeza que Hiashi irá procura-lo assim que o advogado ir embora. Mas por que será que ele não quis nós falar? Por que não me disse, estamos convivendo a mais de dois meses e sequer me dirigiu a palavra. Quais são seus motivos para não querer fazer parte desta família?

Acreditei que nós já fossemos amigos, claro que Neji tem laços mais fortalecidos com os outros, mas eu considero como amigo, contudo ele não parece partilhar da mesma ideia. Isso é frustrante e agora confirmando nosso parentesco me sinto pior, pior por não ter feito mais para se aproximar e se sentir um Hyuuga como ele é.

Sem dúvida ele é estranho. E agora, o que será que vai acontecer? Não sei se devo avisa-lo, seria como trair meu pai, pois no final eu sei que seu irmão significa muito para ele. Como também Neji irá significar, afinal é filho do Hizashi.

Mas não sei se quero que meu pai o veja, aliás nem Neji quis e algo a se pensar, uma dúvida cruel. Vejo meu pai passar por onde estou totalmente absolvido em seus pensamentos, nem mesmo me nota. Não consigo avaliar se isto é negativo ou positivo.

Neji não é cara mais legal que conheci, mas também não é o pior. Certamente meu pai não irá pactuar com seu estilo de vida e deve ser por isso que não quis se envolver conosco...nos excluir. Todavia eu desejo isso, como também meu pai deseja e não quero que o primeiro encontro deles não seja um completo desastre. Irei avisa-lo, mesmo que ele não dê-me a mínima.

Ligo para o número residencial de Ino, eu não sei se consigo fazer isso sozinha. Mas ela não atende e depois da quarta vez desisto e suspiro para ver se meu nervosismo passa. Neji Hyuuga, isso foi um golpe duro de receber e estou louca para saber suas razões por ter feito a escolha de não fazer parte da família.

— Boa tarde, gostaria de falar com Uzumaki Naruto. – E como se fosse uma menininha tola, que sou ligo para o único garoto que pode me ajudar. Não como namorado e sim como amigo, aliás não somos isso, não enquanto ele não findar seu namoro com Shion, o qual ainda permanece.

Minha cabeça está borbulhando ao esperar na linha telefônica sua voz soar e um raio de luz me indicar uma linha consistente e visível que me faça entender seus motivos, Neji.

Naruto POVs

E isso está sendo mais complicado do que pensei. Olho o relógio sobre a porta novamente e ela está atrasada, mas até aí tudo bem porque seu forte sempre foi me deixar esperando. E eu devia estar aliviado a ver sua silhueta pela vidraça do meu quarto, mas um desespero me preenche. Eu adiei este momento por tanto tempo e agora tenho um motivo muito concreto e ele tem nome, idade e endereço.

— Naruto, espero que seja importante. Estou faltando no meu treinamento e Karin vai ficar fula da vida. – Vejo seus olhos quando sem mesmo me cumprimentar senta na cama na minha frente. Sua impaciência poderia ser tocada de tanto que é. E novamente me pego encarando o relógio, nunca fui bom e terminar relacionamentos por isso nunca tinha entrando em um antes de Shion.

— Shion, eu a chamei aqui, pois...

— Eu sabia, você está arrependido de ter me largado para ficar com seus amigos novos, mas está tudo bem meu amor, eu lhe perdoo. – Me corta e levanta da cama preste a partir pela porta. Não a seguro e puxo ar pelos pulmões, eu não irei de decepcionar Hinata, eu não irei me decepcionar.

— Shion! Não é por isso que a chamei aqui. – Vejo seu cenho franzir e imagino a explosão que irá ocorrer nos seguintes segundos.

— Foi para que então? – Ela cruza os braços e me consome com os olhos. Vamos Naruto, você é uma pessoa que tem vontade própria, siga em frente.

— Eu, quero dizer, nós não podemos ficar mais juntos. – Escuto sua risada fraca não entendendo a mensagem, isto está sendo mais complicado do que pensei.

— Claro que podemos, quem irá...

— Não Shion, eu não quero mais este relacionamento. – Os lábios curvados em um sorriso convencido vai se desmanchando e o semblante calmo vai ganhando feição furiosa. Vejo ela tirar o fino casaco e levar a mãos na cintura, como se no meio deste silêncio ela aguardasse minha redenção, o meu retrocesso na minha decisão.

— Naruto, eu não tenho tempo para suas brincadeiras. – A encaro sem perder a paciência, seu rosto está congelado e suas expressões ignoram tudo o que acabei de dizer.

— Não estou brincando Shion, não gosto mais de você. – Ela começa a caminhar pelo meu quarto e passar as mãos nos objetos com cuidado apenas para não me encarar, como se o termino fizesse alguma diferença.

— Ah! E quem é a nova sorteada? – Me surpreendo a escutar isso e um sorriso inconveniente escapa pelos meus lábios. Em vez de se preocupar que, supostamente o cara que ela gosta está deixando a, Shion se preocupa com a outra.

— Não tem ninguém Shion. Eu apenas não sinto o mesmo que antes e não pertencemos mais ao mesmo espaço. – Meus argumentos parecem poeira que ela deixar abaixar e fingi não ver.

— Ah, é claro! Agora você tem um novo círculo de amizade. Ah e deixei me ver quem faz parte. – Vejo ela levar a mão no queixo e olhar para cima como se realmente estivesse se esforçando para lembrar de meus novos amigos. Onde quer chegar Shion?

— Ah! Lembrei e ela está nele, não? Como aquela garota se chama mesmo, Naruto? Lembrei, Hinata Hyuuga. – Seu escárnio chega a doer e ela parece cuspir as últimas palavras em meu rosto.

— Ela não tem nada com isso, Shion! Pare de criar paranoias. – E minha paciência começa a se esvair. E eu deveria saber que ela colocaria a Hinata no meio disto tudo.

— Claro, me diga que sou louca também ou acha que não sei dos passeios românticos em Rayon? Eu tenho olhos e ouvidos atrás de você, Naruto. Por que acha que não estou surpresa com sua decisão de terminar nosso relacionamento? Por que acha que não estou chorando litros na sua frente? Eu já sabia que você iria correr para os braços daquela sem sal. Eu via o jeito que você olhava para ela e acha mesmo que sou tola o suficiente para não perceber?

Enfim a reação que aguardei aparece e fico pensando como Shion consegue ser tão dissimulada, mas me sinto mal por ter lhe traído. Na verdade, me sinto péssimo por ter traído as duas, tanto Hinata como Shion. A primeira por me envolver com ela sendo que ainda tinha a questão Shion para resolver.

— E agora se você pensa que irei te entregar de mãos beijadas, vá sonhando! – Finalmente se exaltada me fazendo olhar para sua face, ela está repleta por fúria.

— Shion, eu não sou uma droga de um objeto para você me entregar a ninguém. Eu disse que Hinata não tem nada com isso. Eu não quero mais este relacionamento e você me cobrando de fidelidade, um pouco contraditório, não? Mas isso não importa mais, eu só quero terminar isso da melhor forma possível.

Seus olhos estão estatelados e a boca entre aberta puxa ar para seus pulmões. Sua feição está em fúria, mas a absorver meu rompante ela vai se transformando em uma expressão de dor e tristeza.

— Naruto, não me culpe pela sua ausência, pois quando você deveria estar me tratando como sua namorada, você estava mais preocupado a se esfregar com aquela santinha. Agora me ouça, você não pode e não vai me deixar, está me entendendo?

Não consigo mais olhar para esta criatura. Todo respeito que tinha por ela acabou de evaporar, ela se refere a Hinata como se ela fosse uma de suas amiguinhas pegajosas.

— Saí daqui Shion e não quero mais saber de você. – Digo após respirar profundamente, ela realmente consegue me deixar com raiva. Ela começa a rir e pega blusa fina pronta para deixar meu quarto com o rosto vermelho e lágrimas de raiva nos olhos quando a porta recebe leves batidas.

— Olá Shion, não sabia que estava aqui. Está tudo bem? – Minha mãe aparece no vão da porta e me olha questionadora pelo estado que Shion se encontra. Seu cabelo está preso em um coque e ainda está com a roupa do trabalho, deve ter acabado de chegar.

— Claro que sim senhora, além disto como poderia estar diferente? Seu filho é um homem maravilhoso. – Shion diz e abre o sorriso mais largo que já vi. Observo minha mãe séria afirmar positivamente. É obvio que ela sabe que não está nada bem.

— Obrigada, Naruto a senhorita Hinata Hyuuga lhe aguarda no telefone, parece ser importante. – Uma corrente elétrica passa pelo meu corpo e observo Shion cerrar os punhos segurando sua raiva até quando minha mãe resolve nos deixar a sós. O bater da porta foi o anúncio do fim dos tempos.

Agora a cabeça da loura que continua plantada no meio do quarto deve estar explodindo nas mais variadas ideias, a vejo acender um cigarro e tragar trivialmente e fitar a janela e soltar um longo suspiro.

— Não vai atender? E aproveite que irá fazer isso e siga para o inferno. – Sua voz calma excede a raiva e acaba por gritar a palavra inferno. Pega um retrato sobre a cômoda e o lança contra o chão em um rompante de fúria. Levanto da cama e a encaro com os olhos lacrimejantes e fervendo em ódio.

— Claro que irei e não, não irei para o inferno, pois estarei saindo dele agora mesmo. – Bato em retirada antes que ela revolva palavras espinhosas e sujas, desço a escada correndo e vou para o escritório do meu pai e atendo o telefone ainda afetado por Shion.

— Hinata ainda está aí? – Questiono idiotamente, mas demorei tanto que é prudente perguntar e logo escuto sua voz macia.

— Olá, Naruto. Está muito ocupado? Eu preciso resolver uma questão e gostaria muito que você estivesse comigo. – Sua voz do outro lado parece afetada.

— Claro, estarei em frente à sua casa em dez minutos. – Ela se despede e devolvo o telefone a seu gancho. Retorno para sala e fito a escadaria de madeira. Será que meu diabo já se foi? Subo e vou para meu quarto que está completamente vazio e deixo a tenção de meu corpo aliviar.

Pego a chave do meu carro e ao sair pela porta principal, vejo o olhar de minha mãe. Seu sorriso nos lábios deixa evidente que não está furiosa.

— Eu gosto mais da filha do Hiashi. – Ela ri me fazendo a acompanhar e a deixo sozinha logo em seguida. É mãe, eu também gosto mais dela. E agora por algum motivo ela me chamou e isso me faz feliz, pois ela poderia ter chamado qualquer outro.

Antes de estacionar a vejo em frente ao portão gigantesco andando de um lado para o outro. Está apreensiva, como se tivesse em uma encrenca maior que a minha.

— Obrigada por vir. – Ela mal entra no carro e diz. Seu rosto está avermelhado e sua respiração descompassada. O que será que houve?

— Está tudo bem, Hina? – Ela coloca o sinto e me encara por um instante me fazendo parar o carro e esperar a grande revelação deste alvoroço interno dela.

— É o Neji! – Ela engole um pouco da água de uma garrafa que estava consigo quando entrou em meu carro. E um pingo de preocupação me toma, o que será que aconteceu com o cabeludo?

— Ele é o meu primo! – Vê-la atônita assim não está sendo meu esporte favorito. Uau! Nem preciso dizer que para ela deve estar sendo um choque mesmo. O cara é um grosseiro, ainda mais com ela. Isso explica uma série de fatores.

— Bem, estava meio que na cara, não? – Digo pela semelhança entre eles e ela ri por um instante afirmando positivamente, pelo jeito ela descobriu isso agora.

— E quer falar com ele? – A instigo, pois ela está dividida em euforia pela descoberta e tristeza reflexiva, certamente se questionando o que leva a Neji ser do modo que é.

— Sim e não seria muito lhe pedir que me acompanhasse? – Afirmo negativamente já sabendo para onde eu devo ir. Nem mesmo falo que acabei tudo com Shion, mas que ela não pensa assim. Vou deixa-la absorver o impacto do parentesco com Neji e depois a informo dos problemas que iremos enfrentar, caso ela queira ficar ao meu lado.

Por que ficar ao lado dela é uma das únicas certezas que tenho de agora em diante.

Gaara POVs

Acordo um pouco perdido em tempo e espaço, mas vejo a luz solar entrar através da janela com cortinas escancaradas e percebo que acabei dormindo na cama de Neji e o mesmo está ao meu lado com Coral sobre seu colo e um livro na mão, lendo pela quinta vez a mesma história para garota.

“ A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:

— Por favor...cativa-me! – disse ela.

—Eu até gostaria –disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

—A gente só conhece bem as coisas que cativou –disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

— Que é preciso fazer? –perguntou o pequeno príncipe.

— É preciso ser paciente –respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

—Teria sido melhor se voltasses à mesma hora –disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! ”

A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Está frase ainda ressoava em minha cabeça quando recebi um leve tapa na testa. Olhei para Neji que acabava de ouvir reclamações da garotinha por ter cessado a história.

— Acordou bela adormecida? Amanhã, eu termino de ler. – Disse colocando o livro no criado mudo do seu quarto e a Coral sumiu, indo destruir qualquer móvel da casa. Neji coloca um travesseiro no rosto e deita por completo na cama e eu apenas levo meus braços para trás da cabeça.

Ele parece tão resolvido com si próprio. Ainda lembro quando nossa querida e amada Sakura abriu aquele bocão o denunciando e satirizando suas emoções, ações que lhe custaram caro, já que Neji se prontificou a zoar devido ao Uchiha e sua relação com Sakura e eu fiquei a observar um rindo da cara do outro até o assunto vir para meu lado.

E eu não admiti feito Neji que pouco se importa com as opiniões dos outros, mas também não precisei pois está estampado na minha cara o tanto que gosto dela.

— Gaara, você tem que me ajudar. – Escuto sua voz dramática e um desespero me toma. Nunca vi Neji pedindo ajuda. A coisa deve ser no mínimo muito séria.

— Cara, estou doente por ela. – Ao ouvir isso é impossível não deixar escapar minha expressão de incrédulo e eu pensando ser coisa séria.

— Fala sério, Neji. – Sua risada é audível e concluo que ele estava apenas brincando. Eu deveria pedir ajuda. Estou em uma espécie de relacionamento que não a limita, não a priva e isso é tudo culpa minha. A insegurança de levar um não gigantesco quando propusesse uma relação mais definida a Ino. Me sinto um completo idiota ao pensar deste modo, mas ela é a única coisa que quero, que penso, que me faz bem. Ela deveria saber que a linguagem é uma fonte de mal-entendidos, a Coral sabe.

— Com licença, estou entrando. Pessoas peladas cubram-se! – Escuto uma voz vir do corredor e logo a figura feminina aparece na porta do quarto. Vejo ela levantar a sobrancelha provavelmente formulando alguma piadinha devido eu estar deitado ao lado de Neji.

— Eu sabia! – A entonação em sua voz faz Neji lançar o travesseiro em sua direção antes que ela termine sua frase, a qual iria propor que somos um casal. E ela ri divertida e vem em nossa direção logo se deitando entre nós. Suspira e o silêncio retorna com os três fitando o teto.

— De repente está cama ficou pequena, não? – Neji murmura afundado na preguiça enquanto Sakura leva as mãos para o alto e fita as unhas esmaltas na cor laranja. Está cor me faz lembrar o Naruto.

— Não reclame Neji, me diz quando vai ter a oportunidade de nos ter aqui novamente? Eu e Gaara? – Sakura argumenta e eu acho isso estranho, o que ela pensa que está falando? Por que dizer isso soa estranho, como se nossos laços fossem se desfazer.

— Seus melhores amigos lhe dando apoio emocional e motivacional a afundar na preguiça? – Rir, só pode se rir das coisas que ela fala em um tom sério que chega a doer.

— É Neji, seus melhores amigos. Eu sei que você preferia que foste a TenTen, mas é o que tem no momento deve se contentar com nós. – Digo após o cutucão que recebo de Sakura bem nas costelas e claro que não poderia deixar a oportunidade de zoar passar em vão.

— Nós não somos amigos. – Escutar isso sair da boca de Neji de forma séria e seca não é a coisa mais agradável do mundo. Se não somos amigos não sei o que somos.

— Ah é! Somos o que então? – Sakura diz fazendo bico, como se aquelas palavras a afetassem diretamente. E não posso dizer que não afeta, pois me afeta.

— Somos uma família, seus doidos. – O silêncio permeia depois que o cabeludo argumenta. Família, isso soa agradável e um sorriso tonto aparece. Sem dúvida a composição familiar mais estranha, entretanto não deixa de ser família. E pela primeira vez deixo de pensar que tenho só a Temari.

— Neji, você está um doce depois da TenTen. Aí que lindo, somos uma família! – Sakura agarra Neji em um abraço e ali fica recebendo carinho naquele cabelo rosa que apenas ela tem.

— Não se acanhe Gaara, vem aqui. – Neji diz fazendo graça e me obrigando a mostrar-lhe o dedo do meio.

— Se fosse a Ino ele até que pensava em vir, Neji. – Sakura gargalha. Até ela pegou está mania de ficar rindo da minha relação com a loira. Ela puxa o cobertor azul como se estivesse com frio em uma tarde quente de primavera.

— Tem razão Sakura. A única coisa que não entendo é como ela pode gostar dele, olha só a cara de psicopata que ele tem. – E eu mereço estes dois. Dou as costas para eles não ligando para suas brincadeiras, afinal nem eu sei como ela pode.

A claridade do quarto é a única coisa que me impede de dormir e a Sakura também. Essa garota não pode ser sozinha no mundo. Observo Neji a acariciar seu cabelo e tenho dúvidas se ele gosta mesmo da TenTen, contudo Neji é imprevisível, não dá para saber o que passa em sua cabeça. Sakura parece angustiada com algo, como se quisesse conversar, desabafar. E acho que isso tem ligação com Sasuke.

Levanto da cama e Neji me questiona com os olhos, faço sinal que vou sair e ele afirma. Deixo aqueles seres estranhos no quarto e sigo para o chuveiro e me flagro pensando onde ela está neste momento. Tenho minhas apostas e ao acabar meu banho seguirei para lá. Por algum motivo Ino quis entrar para o clube de natação, o qual eu sei que está em funcionamento hoje. Pois eu não posso esperar até amanhã ou até mais tarde, quando ela resolver vir até aqui, caso resolva para vê-la.

Por que acabei me afeiçoando a ela, bem após ouvir aquela história mais de duas vezes acho que achei um termo mais correto: deixei me cativar e por algum motivo eu quero ser a sua redoma de vidro ou seria ao contrário?

Neji POVs

Me arrependo de não ter fechado as cortinas e muito menos a porta. Está certo que não posso reclamar, afinal a liberdade cedida a estes seres foi uma ação minha. Entretanto fica difícil ser mais rude com ela e desprezar Gaara, a minha alma gêmea por assim dizer.

— O que foi, Sakura? – Questiono seu silêncio. Silêncio e Sakura não combinam, são coisas antagônicas, ouso dizer palavras quase rivais.

— Acho que estou um tanto confusa. – Mais? Se é que isso é possível. Mas eu sei que não deve estar sendo fácil aceitar que gosta do Sasuke. É um golpe duro de receber.

— Com relação a Sasuke? – Um pouco previsível questionar isso já sabendo que sim. E vejo seu afirmar positivo.

— Em termos, acho que me precipitei ao provoca-lo. E a constatar que, em termos meus interesses possam ser correspondidos. – Abro um sorriso, afinal não sei porque ela encaixou a palavra termo em sua frase. Eu tenho certeza que irão ser correspondidos.

— Mas é tão divertido provoca-lo, tirar ele do sério. – Escuto ela rir e sentar na cama para fitar meus olhos. Ainda usa o uniforme da lanchonete e minha curiosidade em relação ao seu passado aumenta. Ela não quis falar e eu nunca perguntei e vise versa. Ela se deixou cativar por aquele abominável galã.

— Isso é errado, não é? Mas isso acabou sendo meu esporte favorito e agora estou com medo de quebrar a cara. – Ela leva a mão no rosto e suspira logo em seguida. E fico me perguntando, ela não deveria falar estas coisas para Ino ou para Hinata? Mas não tenho tempo para resposta, pois seus olhos verdes exigem uma resposta imediatamente. E eu fico sem saber o que responder, pois certamente Sasuke não é o melhor homem do mundo e nem o pior. E quase tenho certeza que Sakura irá ficar no mínimo chateada com suas ações.

— Eu não sei Sakura, porém é um risco a correr. – Então apenas digo isto e vejo seu sorriso. A vida é feita de escolhas, umas certas e outras nem tanto. E não me venha com aquela frase de efeito que escolhas erradas fazem nós apreender. Na verdade, a gente acaba quebrando a cara mesmo e aprende não repetir a besteira duas vezes, apenas isso.

— É melhor ter momentos dourados do que não ter nenhum. – Ela argumenta, tentando justificar seus sentimentos. Sakura, faz como eu e admiti logo que gosta do Idiota do Sasuke.

— É claro! – E eu forneço combustível, pois eu sei que ela é esperta o suficiente para saber o momento de parar.

— Você é um ótimo conselheiro, já pensou em ganhar dinheiro com isso? – Apenas consegue se rir com as coisas que ela diz em tom sério demais.

— Quem sabe? Agora dê um fora daqui. – Ela torce o rosto e logo sai da minha cama comunitária. Finalmente sozinho! Contudo escuto batidas na porta e espero alguém vir comunicar o motivo desta algazarra toda, mas ninguém aparece.

Sigo para a porta que irá ser posta a baixo e quando abro vejo nada mais e nada menos que Naruto. O que será que houve desta vez? Ele entra depois que dou passagem e logo atrás vejo Hinata. É, a coisa deve ser no mínimo seria para ela estar aqui.

— Neji, a Hinata precisa conversar com você. – Escuto Naruto falar e vejo o passar de sua mão nos cabelos. Está apreensivo com algo. Puxa Hinata para sentar-se ao seu lado no meu sofá e ela suspira antes de me encarar.

— Naruto, obrigada por me acompanhar, mas quero fazer isso sozinha. – Aí caramba! Fala que não é o que estou pensando? Acendo um cigarro enquanto vejo a ceninha romântica do casal. Naruto solta sua mão e segue para fora do apartamento, provavelmente foi infernizar a Sakura.

— Neji, por que você não me contou? – Acho que está é a frase mais longa que ela me direcionou, acho não, tenho certeza. Será mesmo que precisava ser agora, agora que tudo estava indo tão bem? Que aceitei está competição, que arrumei minha vida e estou a passos certos em caminhar para TenTen. Droga!

— Não te contei o que? – Desvio, tento atrasar este dialogo no mínimo embaraçoso. Vejo seus olhos vacilarem. Provavelmente com receio de receber palavras nada aveludadas.

— Não se faça de desentendido. Que você é meu primo! – Sua exaltação em falar sem pausas me assustada por segundos. Sua expressão é um misto de decepção e magoa por não ter lhe dito, creio eu. Mas não fazia sentido, conta-la e viver em completa harmonia sendo que não aceito este laço sanguíneo. Estaria vivendo em uma completa contradição.

— Eu sei e meu pai também. – Escuto ela murmurar e um gelo sobe pela minha coluna. Tinha que ser agora? Sinto minha cabeça doer apenas em pensar as discussões que irão acontecer. E olhando para ela, sentado com uma postura impecável, trajando seu vestido leve e seu cabelo arrumado esperando uma resposta descente que justifique a decisão de não querer conviver com ela e sua família, me leva a pensar que não deveria ter omitido. Contudo vê-la toda educada enquanto deveria estar no mínimo gritando comigo, penso que não conseguiria me adequar a este estilo na verdade, eu confirmo.

—Nós iriamos ficar felizes de ter você conosco. Meu pai sempre idolatrou o seu, Neji. E iria amar recebe-lo em sua vida. – Não consigo sustentar o olhar a ela sendo que os dela são tão parecidos com os meus. Eu deveria ter pensado nela. Eu não sei o que pensar e como agir em relação a ela. Não tinha planejado está conversa.

— Pode até ser Hinata, mas eu não me sentiria bem vivendo sob o mesmo teto em que Hiashi. Não conheci nenhum de vocês, não me sinto como membro da família Hyuuga. Meu pai não procurou o seu nem no momento em que estava morrendo, não se preocupou de fortalecer ou reatar os laços familiares. O que a leva a pensar que, eu poderia entrar naquela casa, esquecer de tudo o que vivi e conviver com completos estranhos, dos quais nunca tive interesse em saber?

O silêncio procede de formar perturbadora após meu rompante de explicações e me sinto mal, muito mal ao vê-la assim absorvendo as informações e tentando formular algo que me faça a ter outra conclusão.

— Sabe, eu não esperava ter contato com você, não esperava participar do mesmo grupo ou estudar na mesma classe. Não esperava sair junto com as mesmas pessoas que você, ter os mesmos amigos, lhe ver sorrir, te ver beber e passar mal logo em seguida. Não esperava ficar, no mínimo chateado a saber que alguém te magoou ou te pregou uma peça como Shion fez. Eu só queria cumprir com umas tarefas que foi imposta e seguir em frente...

— Ah e você também esperava que eu fosse tola o suficiente para não notar nossa semelhança? Que talvez eu não gostasse de ter a droga de uma pessoa da minha idade dentro daquela casa para suportar as loucuras do meu pai? Para me divertir naquela mansão vazia assombrada por um projeto de uma família feliz? De ter mais alguém neste mundo que não fosse minha irmã e meu pai? Se teu pai te mandou vir para Konoha, acho que ele se importava um pouco com nossos laços.

Estático, estou completamente surpreso com a explosão da Hyuuga. E algo me diz que meu equívoco irá causar mais problemas. Sim, um equívoco. Talvez eu esteja equivocado em relação a eles.

— E por que raios você pensa que minha presença iria mudar alguma coisa? – Nervoso, me sinto nervoso por estar equivocado em termos na minha decisão. Sim, eu não pensei em você, Hinata. Nem mesmo lembrei da sua existência por que eu estava preocupado demais comigo.

— Não iria mudar quase nada. – A sua voz parece entalada na garganta, como se estivesse decepcionada com suas próprias ilusões. E tudo o que ela disse me faz repensar na minha visão distorcida dos fatos.

— Pois todos naquela casa parecem fantasmas que se unem somente a mesa para ficarem calados encarando uns aos outros. Talvez você esteja certo, Neji. Certo em não querer fazer parte da família Hyuuga, em não ser mais um móvel daquela casa. Entretanto você é! E nós poderíamos ter tentado, sabe? Talvez fosse diferente, na verdade ainda podemos tentar.

Ela despeja suas palavras como se tivesse acabado de pensar em sua família, como se não tivesse percebido isso antes e me atordoa. Parece que uma bomba foi posta em minhas mãos e dependendo da minha decisão a bomba explode ou é desarmada.

Assim está sendo ao ouvir tudo o que Hinata acaba de dizer com cautela e mais uma vez me sinto mal. Entretanto confirmo minha tese sobre a possível reprovação desta família. E eu não sei o que dizer e agir. Então apenas acendo mais um cigarro e fico olhando para minha prima, pois querendo ou não ela é.

O silêncio permanece e assemelha se a um abismo colossal entre nós. Hinata parece refletir sobre o que me disse e me sinto um egoísta. Um completo egoísta, pois em nenhum momento eu pensei nela e em Hanabi. Deixei a rincha idiota dos adultos interferir nos únicos laços que ainda tenho. Mas eu não consigo ver diferente, por outro ângulo. Projetar a cena em minha cabeça está sendo complicado. Complicado em imaginar a convivência pacifica e amorosa naquela mansão da Avenida Europa.

E olhando para este lugar percebo que ganhei muito mais em ter tomado esta decisão. Ganhei Coral, Sakura e Gaara. E chego a pensar que estes laços são mais importantes do que o outro e eu não consigo idealizar minha vida sem eles, pois caso eu tivesse seguido o roteiro eu não os conheceria. Não iria me apegar a Sakura, a Gaara e deixar meu coração na mão daquela menina de seis anos. Não iria participar das loucuras da Tsunade, pois eu seria somente mais um garoto com problemas familiares.

— Meu pai vai esperar um tempo para falar com você. Ele foi orientado a ir com calma e eu achei que você deveria saber que ele já confirmou suas suspeitas. Diferente de você que decidiu me excluir da sua vida, Neji.

Hinata levanta do sofá e segue para porta visivelmente magoada. Excluir? Sim, excluir. É isso o que eu estou fazendo, pelo menos era o que eu queria fazer.

— Espera Hinata, me desculpe. – Eu deveria explicar minhas razões ou ao menos admitir que fui um completo egoísta em não pensar nelas como uma família. Mas a única coisa que consigo fazer é pedir desculpa, como se a decisão que tomei fosse errada e prejudicial. Ela para no batente da porta e abre um pequeno sorriso.

— Não tem que se desculpar, afinal você fez uma escolha e eu tenho minhas dúvidas se ela não foi a correta. Afinal você é um Hyuuga e apenas pensamos em nós mesmos, mas não é por isso que te digo isso. Por que se eu pudesse também trocaria de lugar, escolheria morar em um lugar que não parecesse uma maquete com bonequinhas de porcelana jogadas em um cômodo qualquer. E você têm razão em escolher não ser isso, mas se quiser tentar...seja bem-vindo a família Hyuuga, Neji.

Suas palavras parecem tapas em minha face. Eu não aguardava tal reação dela na verdade, apenas me preocupei com Hiashi. Vejo ela sair porta afora e me deixar plantado no meio da sala. Ela se deu o trabalho de me avisar enquanto eu nem mesmo me preocupei com seus sentimentos.

Excluir e excluir, está palavra fica ecoando na minha cabeça. E sinto me obrigado a reparar a droga de um erro, pois excluir ela da minha vida seria um erro, mas apenas ela. Contudo Hinata está inclusa em um lindo pacote e deixa-la fazer parte da minha vida e o mesmo que permitir o ingresso dos outros. Minhas conclusões talvez estejam mais equivocadas e erradas do que pensei, afinal não quis ouvir o outro lado da história, mesmo já sabendo que prefiro a do meu pai.

A encontro no final da escadaria, quase chegando ao saguão um pouco abandonado e seus olhos me olham surpresa, como se não esperasse que eu fizeste isto, em correr atrás de pessoas que devem ser importantes...que são mesmo que eu prefira enxergar ao contrário.

— Eu sinto muito, está legal? Eu não pensei em vocês droga. Pois eu só tinha o meu pai e ele se foi me jogando para pessoas completamente estranhas, as quais ele mesmo se afastou e esperava o que? Que eu aceitasse de primeira o meu tio e aquela quantia enorme de dinheiro que vocês têm?

— Que nós temos, Neji! – Ela me interrompe para reafirmar algo que já sei e não me interesso nenhum pouco.

— Que seja, mas eu não enxergava razão para essa aproximação fundada apenas por conta de sangue e sobrenome. Mas acho que estou errado, para não perder o costume. – Ela escora na parede e vejo o lacrimejar de seus olhos.

— Por que não criar laços com você é um erro, uma completa loucura. – Por que no final das contas acabei te cativando também. Sinto o seu abraço desajeitado, como se isso resolvesse uns pares de questões.

— Então quer dizer que iremos ser uma família? – Sua voz está embargada pelo choro, suspiro sabendo que isso trará consequências em meus planos e afirmo positivamente. E a abraço mesmo que minha razão grite, para que, eu não faça isso. Vejo Naruto e Sakura ao pé da escadaria nos observando. Naruto está com um sorriso nos lábios e Sakura nos olha sem entender, como se tivesse perdido o último capítulo da novela e não conseguisse encaixar os fatos.

— Eu vou fazer o possível para você não se arrepender. — Diz e seus braços afrouxam e soltam me. Observo os traços tão parecidos com o meu e dou razão a Gaara. Deveria cortar meu cabelo, qualquer dia irei ser confundido com ela. Bem-vinda a família de uma pessoa só, Hinata. Ou talvez quatro ou cincos pessoas. Concluo a ver Coral pendurando se na perna esquerda da titia Sakura. Nem preciso ser um gênio para prever que isso vai dar um problemão.

Ino POVs

Está sendo uma eternidade vestir este maiô azul colante e após muito esforço finalmente consigo. Quinta-feira está sendo as atividades do clube de natação, o qual me inseri após discutir com Tsunade a fazendo ceder na permissão, pois eu quero relaxar e nadar me faz relaxar.

Sigo para piscina onde está o restante da equipe de natação. Os corredores estão vazios e uma paz paira neste ar, como se não houvesse patricinhas, valentões e todas pessoas no mundo fossem compreensivas.

Chego a piscina e retiro o roupão também azul, cor que Gaara não gosta. E pensando nele, o que será que está fazendo? Ele está sendo uma das melhores coisas que me aconteceu até agora. Ainda lembro da sua fala mais romântica e chego a concluir que palavras neste estilo são ditas por ele uma vez na vida e outra na morte.

Deixo ele de lado e o sorriso também para encher os pulmões de ar. E mal salto na água um tanto gelada, sinto a energia percorrer meu corpo e os movimentos que faço libera-la desfazendo a acumulação de energia. Ao submergir na outra borda da piscina meu corpo relaxa imediatamente, isso é maravilhoso.

Abro meus olhos e todo prazer se esvai com a imagem que vejo. Mal coloco ar nos pulmões novamente e suspiro. Saio da piscina fingindo não a ver.

— O que foi? Desistiu de ficar no mesmo grupo que Sasuke? – Meu corpo arrepia, quando Karin começa deste jeito eu já sei como termina a conversa. Olho as pessoas que estão saindo e não podem ouvir o que ela diz. Observo seu uniforme de torcedora, o cabelo ruivo bem cuidado e sedoso preso em um rabo de cavalo.

— Karin, com licença. – Digo e pego minha toalha, hoje não vai! Não acabe com meu momento de paz. Procuro por suas capangas, mas não a encontro nenhuma.

— Está em forma Yamanaka! Será que estaria com este corpinho, caso...

— Cale a boca, Karin. Não estou com tempo para aturar suas tolices. – Mantenho a calma, ela não vai me afetar. Mordo meu lábio, quando novamente ela para na minha frente. Garota, qual é seu problema?

— Vamos, me ajude não sou muito boa em matemática. Teria dois ou três meses? – A vontade de xinga-la, destruir sua face bonita me toma, mas não do modo que suas palavras me afetam. Sinto ela passar a mão em meus cabelos úmidos. Ela está tão próxima que sinto sua respiração bater em meu pescoço. Vejo umas pessoas nos observando ao longe e Karin também percebe, mas ela não tem limites e continua a provocar.

— Ah, não! Seria recém-nascido. – Meus olhos ardem quando seu sussurro invade meus ouvidos. Seus olhos estão muitos pertos, me observando como se eu fosse coisa de outro mundo e eu apenas consigo cerrar os punhos.

— Você não tem o direito de fazer isso, Karin! – Luto para conseguir engolir a vontade de chorar e de sair correndo para parecer forte o suficiente e acabar com está tortura de vez.

— Tem razão Ino, eu não tenho direito. Mas, como sou sua amiga tenho o dever de te alertar para ter cuidado desta vez, já que fiquei sabendo sobre sua nova aventura. – Suas palavras parecem farpas. A empurro para longe sem me importar com a plateia ao longe e ela gargalha se divertindo com meu sofrimento.

— Sabe, eu fico pensando como ele seria? – A expressão de interrogativa de Karin, como se ela realmente se importasse me doí. Eu também queria saber, sua vaca.

— Vá para o inferno! – Acerto um tapa em sua face fazendo seus óculos voarem, as pessoas me olham como se eu fosse uma criminosa, provavelmente supondo o motivo por qual estapeei Karin que se diverte.

— Ino, eu tenho meus palpites, acho que era um menino. – Escuto ela dizer enquanto pega os óculos e eu não consigo me mover. Olho para as pessoas ao longe que cochicham entre si. Observo a ruiva fita-los e sorrir ao perceber que conseguiu o que queria, me humilhar novamente. Ela abre a boca novamente para deferir outra palavra venenosa, mas o semblante divertido some e ela arregala os olhos.

— Você acha que era o que, Karin? – Não me viro para trás, não vou consegui-lo encarar, será que ele ouviu tudo o que ela disse?

— Nada Gaara! Eu já vou Ino, foi um prazer conversar com você. – Karin sorri forçadamente e deixa o local, as pessoas que assistiam a cena já se foram. Passo a toalha no rosto, não quero que me veja chorando outra vez. E acho que suas palavras irão doer mais do que as da Karin.

— Não dê importância para aquela garota, Ino. – Vejo ele me dar o roupão e não consigo desfazer a expressão de surpresa.

— A quanto tempo você está aqui? – Os olhos verdes me fitam questionadores, provavelmente se perguntando se aquilo tem importância.

— Apenas ouvi a última frase da ruiva se é isso o que quer saber. – Meu corpo estremece com sua voz séria demais. Ele deve estar questionando internamente o que aquilo significa e minha reações. Sinto sua mão agarrar a minha e começar a me puxar. E eu o sigo, no automático, pois não consigo parar de pensar nas palavras da ruiva. Ele iria ser lindo.

Um nó entalado em minha garganta está preste a se desfazer em lágrimas, mas eu não iria suportar suas perguntas e muito menos sua raiva e rejeição após receber as respostas.

Mas minha tentativa idiota de segurar o choro foi em vão e aqueles olhos verdes intensos me observa e engolir os soluços está sendo difícil. Mas mais difícil que isso é sentir o medo do seu julgamento, o medo de perder Gaara por um fato inalterável, enxergar a repulsa em seus olhos. No cara que estou apaixonada e romper este laço seria uma tarefa extremamente difícil.

A cada olhar que me direciona eu vejo suas sobrancelhas se juntarem devido a raiva que deve estar sentindo, mas eu não sei o porquê desta raiva. Ele parece que vai espancar qualquer um que passar em sua frente e outro medo me toma. Gaara iria enlouquecer ao saber que quase fui mãe? Iria me abandonar como todos fizeram? Como Sasuke fez?

Iria jogar na minha cara que não passo de uma tola descuidada qualquer? Como ele irá reagir? Será que irá segurar minha mão de forma firme e forte como agora? Ou vai me amaldiçoar e bater a porta em meu rosto?

— Ino, não está me ouvindo? –Assusto me com o leve sacudir de meus ombros. Gaara suspira e aponta para o vestiário, afirmo que sim sem entender e entro no vestiário. E ao me olhar no espelho me sinto péssima. Meus olhos estão avermelhados, meu rosto vermelho e inchado, parece que levei uma surra na verdade, eu levei só que de palavras.

Depois de tomar um banho longo e me arrumar me encontro num impasse, numa decisão de sair ou não pela porta e o encontrar me esperando, caso ainda esteja lá fora. Olho novamente no espelho procurando coragem na minha própria imagem para responder tudo o que Gaara quiser saber.

— Isso vai ser complicado. – Saio em um rompante e o encontro sentado no chão me aguardando, Gaara está muito bem vestindo suas costumeiras roupas sem cores e seu xadrez inseparável. Ele levanta os olhos quando percebo que estou esperando e segue em minha direção sem pressa. Cada passo seu parece ser o minuto decrescente para explosão de uma bomba que está em meu peito. E agora descubro que gosto dele mais do que pensei, pois não é assim? A gente só descobre a importância das pessoas quando as perde.

— Já estava indo te arrancar de lá. – O som da sua voz é normal, sem alterações ou muito menos apresenta resquício da curiosidade presentes em seus olhos a pouco tempo. Ele me deixa plantada sem dizer mais um A e sigo suas costas pelo corredor largo. Ora em outra ele virá para ver se estou o seguindo e isso me faz sorrir. O que será que ele está fazendo aqui?

— Gaara, eu queria te explicar algumas coisas. – Apresso o passo para ficar ao seu lado e ao ouvir o que eu disse ele apenas me olha.

— Você não precisa me explicar nada, aliás não precisa explicar nada a ninguém. – Sua mão agarra a minha e retornamos a andar e como se seu toque fosse amnésico deixo as lembranças de lado. Aperto sua mão e me sinto mal por um momento. Ele está aqui, após ver a cena ridícula envolvendo a Karin e não questionou nada, absolutamente nada.

Isso poderia ser confundido com despreocupação, mas eu sei que com ele é diferente e agradeço mil vezes por ele compreender me, sem que eu tivesse que explicar. Mas aquela sensação de mal-estar revira meu estômago, como se a omissão de fatos a ele seria uma completa traição.

E ao ouvir o motor do carro retorno a realidade, puxo o cinto e vejo Gaara jogar minhas coisas no banco de trás sem delicadeza. Mesmo que não tenhamos dito o que somos, está mais que visível e eu deveria estar muito contente por isso. Mas isso não é certo, não é certo Gaara sofrer os pré-conceitos e a estereotipização junto comigo, ele precisa saber e então a escolha será dele se quer continuar o prosseguir ao meu lado.

— Gaara. – O chamo com cautela, ele desvia os olhos da pista para que eu me perda neles por um instante. Meu estômago revira e sem desviar meus olhos tento desfazer o nó que me impedi de notifica-lo. Uma sensação, um pressentimento ruim grita em meus ouvidos, que está vai ser a última vez que irei vê-lo tão de perto. Seguro sua mão mais uma vez e uso o último fio de coragem para encara-lo.

— Eu perdi um bebe e tudo o que dizem é verdade. – Minhas palavras saem falhadas. Vejo seu cenho franzir e o refrear brusco do automóvel. Seus olhos verdes apresentam um misto de tristeza e raiva. Sim, ele está furioso. E termino assim, vendo suas orbes furiosas e seu silêncio colossal. E dentro daquele verde consigo ver a repulsa e nojo. Agora a escolha é sua Gaara.

O silêncio permanente grita que este é o fim para nós dois. Um silêncio que se tornará um abismo entre nós e tenho certeza que depois de hoje ele voltará a não gostar de azul do modo que eu não gosto de vermelho.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Este trecho em itálico pertence ao livro O pequeno príncipe, mas vocês sabem disto. É isso gente! Dona Ino ficou grávida, mas não para por aí não, viu. Irá ocorrer mais revelações de agora em diante. Eu admito, não consigo deixar meus personagens felizes por muito tempo. Não sei se saiu o que vocês esperavam do passado dela e do Uchiha, espero que sim. E vou avisando que isso vai causar um problemão. Aceito criticas construtivas. Quem não apareceu neste capítulo, vai aparecer no próximo. Enfim, beijos para vocês e até o próximo capítulo.