Golden Years
36 Epílogo - Tudo pode acontecer novamente
Notas iniciais
Epílogo – Tudo pode acontecer novamente
O celular em sua bolsa tocava freneticamente, entretanto ela não dava atenção. Observava os corredores verdes da escola, finalmente as aulas tinham acabado. Suspirou ao passar pela vitrine de troféus. Não continuou o seu caminho. Suas amigas percebendo sua demora a esperaram de perto.
— O que foi, Coral? – A adolescente de dezesseis anos não escutou, pois observava com atenção uma fotografia onde ela também estava. Uma de suas amigas também fitou a foto. A maioria das pessoas estavam fazendo cara feia, outras sorrindo. A garota de cabelo castanho e olhos da mesma cor escutou novamente o celular tocar.
— Não vai atender? – Outra amiga questionou Coraline, a qual apenas fez bico e cruzou os braços deixando claro que não iria atender o celular.
— Deve ser minha mãe. – Falou despreocupadamente arrumando a bolsa no ombro. – Papai chega hoje de viagem e ela quer que eu esteja presente.
Concluiu sua frase e sua amiga sorriu. No final do corredor puderam ver a antiga diretora da escola conversando com a nova. Coral puxou sua amiga pelo uniforme na tentativa de fugir da visão das duas mulheres, mas fracassou.
— Ai! Coral, para que fazer isso? – Sua amiga de cabelo estranhamente ruivo claro questionou.
— Minha tia vai pegar no meu pé por que briguei de novo com minha mãe. – Coral, a qual esperava pacientemente Hinata e Tsunade se aproximarem explicou a situação.
— Não sei o porquê vive discutindo com ela. – Suspirou. – Sua mãe é tão legal! Ela é praticamente uma estrela do futebol.
Coraline escutou as mais sinceras palavras de Kagome. Sua amiga desde dos sete anos. Revirou os olhos e quando retornou olhar para frente pode ver o semblante acolhedor de Hinata e o furioso de Tsunade.
— Coral, eu vou indo agora. – Kagome se despediu. – Com licença!
— Ei! Amanhã não se esqueça que combinamos de ir ao shopping. – Coral a fez recordar e a outra apenas afirmou positivo.
— Como pode ser tão mal-educada como o pai nesta idade? – Tsunade questionou afim de chamar a atenção da garota. Hinata sorriu pela comparação, pois na sua opinião Neji era bem pior. – Já vou indo, Hinata. Até mais!
— Até, Tsunade. – A voz mansa chamou a atenção de Coral. Hinata ficou observando a menina de perto. Provavelmente deduzindo o porquê daquele bico enorme. – O que aconteceu desta vez, Coral?
Hinata a puxou pelo braço e fez com que a garota conseguisse ficar próxima. Começou a andar para o estacionamento. Iria para casa. Ouviu o suspiro da adolescente. Coral a olhou com os cantos dos olhos. Sua tia era tão linda. Em sua roupa comportada e corte de cabelo perfeito.
— O de sempre. Mamãe insiste em dizer que é cedo para me relacionar com garotos. – Hinata escutou as palavras com atenção. Aquele embate era intenso e ficava imaginando se sairia tão bem como TenTen quando fosse sua vez de falar com Himawari e Boruto.
— Me diz, Coraline. – A voz suave fez a garota largar o celular. – Você prefere que seja o seu pai a te repreender ou sua mãe?
— Mil vezes minha mãe. – Riu junto de Hinata. – Papai é tão chato como o vô Hiashi.
— Então tente a compreender, Coral. – Hinata tinha chegado onde queria na conversa. — Ela só quer o seu bem.
— Mas tia, eu tenho quase a mesma idade de quando ela conheceu o meu pai. – A garota rebateu ao abrir a porta do carro de Hinata e pôr o cinto de segurança. – Por que ela pode e eu não?
— Por que você não é a sua mãe. – Hinata respondeu. – E alias os tempos são outros. E tem tantas coisas para fazer, tantas coisas para viver. Conhecer novos lugares, novas pessoas. Ainda é cedo para pensar em namorar.
Começou a dirigir em rumo a casa de Neji para deixar Coraline como o de costume. Passaria na creche depois para pegar Himawari e por fim iria para própria casa. E rezaria para que Boruto já estivesse com seus deveres em dia e não na frente do videogame e Naruto em casa.
— Tia Hina. – Escutou a garota lhe chamar com calma. Desviou rapidamente os olhos da pista para fitar os olhos castanhos. – O Kiyomaro também vai vir?
Hinata desviou os olhos da rua para coloca-los em Coral. Tentou conter o sorriso, mas falhou miseravelmente.
— Então é ele, Coral? – Questionou a ver o embaraço da garota.
— Não, tia! Eu não gosto daquele idiota. – Esbravejou e Hinata firmou positivo.
— Eu não disse isso. – Coral ao perceber que tinha se denunciado ficou quieta.
— Mas então. – Começou um tanto hesitante. – Ele vai vir ou não?
Hinata sorriu. A confraternização anual entre os amigos ocorreria hoje à noite. Hinata não soube dizer se o garoto estaria presente ou não.
— Sua mãe sabe que é dele que você gosta? – Questionou direta. Os anos tinham levado sua timidez. Coral negou. – Bem, acho que nem ela e nem seu pai seriam contra de você tentar se relacionar com o filho de Itachi. Acho que Sasuke irá trazê-lo.
O silencio permaneceu, pois, o destino de ambas tinham chegado. Hinata estacionou o carro em frente ao gramado verde. Uma casa elegante e aconchegante esperava a menina. Hinata observou ela descer e se lembrou da sua adolescência. Naquela época jamais teria a coragem de Coral.
— Coral, desce aqui agora! – Chegou a tempo de ver TenTen repreendendo a garota que subia as escadas correndo. Os olhos castanhos deixaram a escada para fitar Hinata em silêncio. Todos sabiam do relacionamento complicado entre mãe e filha.
— Eu não sei mais o que fazer com ela. – TenTen começou. Hinata olhou para sua barriga saliente. TenTen estava em sua primeira gestação, preste a ter o seu primeiro bebê. – Ela não me escuta, Hina. Aquele garoto é dois anos mais velho que ela. Ele apenas quer se aproveitar!
Hinata deixou visível que não tinha tanta propriedade para tratar sobre o assunto. Os únicos a terem filhos adolescente eram Neji e Sasuke, por assim dizer.
— Um pouco preocupante. – Hinata se aproximou da bancada da cozinha, onde TenTen preparava o almoço. – Alias você não sabe da maior. A filha mais velha da Karin ficou gravida.
TenTen largou a faca ao ouvir aquilo. E o desespero que tinha em relação as atitudes rebeldes de Coral subiram de nível. E se acontecesse a mesma coisa com ela? Hinata era uma psicopedagoga e estava à frente da instituição de ensino da família Senju, escola onde estudou. E como era diretora a vida de seus alunos era notificada a ela. Não muito diferente de quando Tsunade exercia sua função.
— Ser mãe é muito complicado. – TenTen comentou após olhar para escada. – Ela deveria compreender que eu já fui adolescente, todos nós. Ela deveria me escutar. Sasuke deve estar passando mal bocados cuidando do filho de Itachi.
Tanto Hinata e TenTen riram, pois, o adolescente era a cópia perfeita de Itachi, mas tinha o mesmo comportamento rebelde de Sasuke quando mais jovem. E do reboliço que a família Uchiha passou na época ao descobrirem da existência do garoto. Hinata sorriu e lembrou do que Coral tinha lhe dito. A garota lhe contava segredos como se fossem amigas, mas ela era vista como tia e então agiria feito uma.
— Você sabe de quem ela gosta, não é? – Hinata começou enquanto escorou no balcão. TenTen colocou as mãos na cintura e afirmou negativo. Coral não costumava contar nada a ela. – Eu não sei se fico aliviada ou preocupada.
Hinata cessou ao se lembrar do comportamento do sobrinho de Sasuke. Para simplificar ele era o a projeção perfeita do Uchiha quando adolescente.
— Fale logo, Hinata! – TenTen estava ansiosa. Dependendo de que nome foste dito seu sono iria sumir por completo. Hinata suspirou um pouco preocupada e sua expressão lhe denunciou. TenTen cerrou os olhos. Aquilo não podia ser possível. – Por Deus! Ela gosta do Kiyomaro? Logo dele? Com tantos meninos para gostar. Mas eu pensei que ela estava interessada no filho do Kakashi. O que eu vou fazer?
Hinata assistiu o desate da amiga de longa data quieta. Não saberia o que fazer na mesma situação. Viu TenTen fincar a faca na tábua de madeira. Ela não podia ficar nervosa daquele modo.
— E você sabe se é reciproco? – TenTen questionou assim que saiu de suas análises. Hinata negou, mas tinha suas hipóteses.
— Bem, pelo jeito que ele provoca ela lembra muito do jeito que o Sasuke provocava a Sakura, não acha? – TenTen fez uma expressão chorosa. Aquilo significava que o sentimento era reciproco. Não que não aprovasse o garoto, mas todo cuidado era pouco. Bem pouco.
— Eu vou ligar para o Sasuke. – TenTen disse e partiu para o telefone. E ao digitar o número residencial do Uchiha, Hinata a impediu.
— Calma, Ten. – Hinata tirou o telefone de sua mão. – Estaremos aqui para orienta-los. Coral não é uma garota desinformada.
— A filha da Karin também não é. E olha no que deu! – TenTen levou a mão até a testa. – Se algo do tipo acontece com a Coral. Neji mata o Kiyomaro, Sasuke e eu de uma vez só.
Hinata riu. Não era divertido, mas nunca pensou que veria aquela cena. Viu a aflição de TenTen e chegou à conclusão que não poderia dizer o mesmo que dizia aos pais desesperados pelos seus filhos rebeldes.
— Então conte a Neji antes que algo aconteça, mesmo achando que isto não ocorreria. – TenTen retornou para sua tarefa reflexiva e resignada.
— Claro! Daí o Kiyomaro nunca mais vai pôr os pés aqui em casa. – Na cabeça de TenTen tudo se encaixava perfeitamente. – Dormir então! Jamais.
Se repreendia por não ter percebido o interesse da filha. Hinata percebeu o horário, estava atrasada.
— E eu reclamando pela falta de interesse de Boruto em estudar. – Arrumou a bolsa no ombro e TenTen sorriu imaginando o que aconteceria com a compreensível e dócil Hyuuga, quando foste a vez dela a lidar com adolescentes. E um fio de esperança passou em sua cabeça. Saberia a quem pedir ajuda. Hinata vendo a expressão de descoberta de TenTen se preocupou. Teria posto Coral em mau lençóis?
— Ainda bem que a Temari vai vir hoje. – TenTen sorriu aliviada. – Qualquer coisa ela dá uma lição em Coraline. Por que o Neji a mima tanto que nem isto ele é capaz.
Era um pai coruja. Hinata sorriu, aliás a maioria era. Mas de todas as crianças o que mais passava apuros era Shikadai. Filho de dez anos de Temari e Shikamaru. Sua mãe não maneirava.
— Aproveite que Gaara estará aqui também, se este é o caso. – Hinata beijou o rosto da mulher e passou a mão na barriga saliente. Trocaram um olhar cumplices. Ter uma família e ser responsável por ela era uma tarefa em tanto. – E só de pensar que você irá começar tudo outra vez.
Hinata se referiu ao bebê que nasceria em poucas semanas. Se despediu para ir buscar a sua menina. E ao chegar no carro sorriu aliviada, pois quando chegasse a sua vez, TenTen estaria ao seu lado para ajudá-la e com bastante propriedade sobre o assunto.
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— É pedir muito? Hein! Shikadai, estou falando com você. – Escutava a voz elevada de longe. Colocou a almofada no rosto e fingiu estar dormindo, quando escutou o som do salto alto da mulher da sua vida vir para sala. Temari era pior ou igual a sua mãe. – Shikamaru! Ajuda o Shikadai achar o seu sapato. Anda! Não posso fazer tudo sozinha.
Temari arrancou a almofada do rosto do marido. E foi então que ele viu os olhos verde agua furiosos da linda administradora de empresas. Ela fez aquele típico sinal de que não falaria novamente. Estavam atrasados.
— Está bem, mulher. – Shikamaru levantou preguiçosamente e passou a mão no próprio cavanhaque reflexivo. Tinha vez que Shikadai não facilitava a sua vida e pensava que era de propósito.
Viu o quadril se afastando para longe e voltou a deitar no sofá. Mas então o seu filho apareceu apenas com um tênis no pé e de cara emburrada.
— Pai, me ajuda a achar o outro pé antes que a mãe grite de novo. – Cruzou os braços. O menino era um pouco maduro para sua idade. – Ela vai arrancar o meu couro.
Shikamaru colocou os olhos no garoto. E esticou os braços em direção ao mesmo, o qual entendeu que era para se aproximar. Sentou-se de forma desajeitada próximo ao pai.
— Não fale assim. – Passou a mão na cabeça do menino. Na maioria das vezes quem passava a mão na cabeça de Shikadai era ele. Temari dava uns ótimos gritos, era verdade. Mas nunca tinha levantado uma mão para bater em seu filho. – Ela está estressada e precisamos ser bonzinhos com ela.
— Está bem. – O garoto sorriu para o pai. Shikamaru cedeu espaço no sofá de sua casa. Ser analista de finanças era uma ótima profissão e devido a ela tinha bastante tempo para ficar com Shikadai. – Deita aqui com o pai.
O menino franziu as sobrancelhas, pois pelo que se lembrava tinha que achar um tênis e imediatamente. Entretanto deitou ao lado do pai. Se tinha uma coisa que tinha herdado do pai era a preguiça.
Temari retornou para sala remexendo na bolsa e a pôr os olhos sobre os dois dormindo no sofá, suspirou. Levou a mão até a testa ao perceber que estava atrasada. Quando TenTen ligou pedindo para ela chegar mais cedo sem dizer o porquê sabia que teria que conversar com Coral, mas vendo aquela cena onde seu filho não a obedecia achou que era incapaz de colocar juízo na cabeça da adolescente.
Pensou em acordar os dois no grito, mas ficou em silêncio. Sentou-se no outro sofá e observou a cena. Ela faria tudo de novo se tivesse uma segunda chance. Quando retornou para Konoha um tempo depois de ir embora encontrou o Nara do mesmo modo. Esperando-a como ele tinha falado.
E agora vendo a família que eles tinham formado, não imaginava que seria tão trabalhoso, mas ao mesmo tempo tão gratificante.
Inspirou ar pronta para acordar ambos no grito, mas ao ver Shikamaru apontando para debaixo da estante de livros cessou. Olhou na mesma direção e achou o tênis que deveria estar no pé do seu menino de dez anos.
— Não brigue tanto com ele. – Shikamaru partiu em defesa do garoto. – Ele ainda é apenas uma criança.
Temari levantou para pegar o tênis enquanto Shikamaru a olhava quieto. Certo, que o garoto as vezes a tirava do sério, mas não precisava ser austera a todo momento. Chegou a pensar que ser linha dura era mal de família dos Sabaku. Mas para a sorte de Shikadai, a paciência dos Nara equilibrava bem a situação.
— Eu sei, vegetal. — Shikamaru levantou uma sobrancelha. Temari não o chamava daquele modo a um bom tempo. Ela sorriu após calçar o tênis no pé do dorminhoco. – Eu só quero o bem dele.
Temari passou a mão no cabelo do garoto. E a ver que o sono era continuo se estressou. Shikamaru deixou uma expressão de desespero escapar ao ver o semblante furioso de Temari.
— Está vendo? – E as vezes que levava a bronca por Shikadai tinha chegado. – Olha o horário e veja como ele está dormindo. Se ele não ficasse a noite inteira na frente do video game ele teria o sono regulado. E a culpa é de quem, Nara? E você quer que eu pare de pegar no pé dele?
Temari se levantou e arrumou novamente a bolsa no ombro. Ela iria enlouquecer antes de atingir a casa dos trinta. Shikamaru fitou Shikadai fingindo estar dormindo. Sorriu pelo seu filho ter apreendido sua técnica infalível. Pois Temari sempre gostou de vigiar o seu sono.
— O acorde e vamos. – Temari chamou saindo pela porta da frente. Shikadai levantou o rosto olhando para o pai.
— Fiz certinho, não é pai? – Shikamaru sorriu. E como tinha feito.
— Sim, mas agora vamos antes que ela volte aqui. – Shikadai saltou de seu colo.
— Pai, eu posso dormir na casa da tia Hina? – O menino questionou. – Eu e o Boruto vamos jogar a noite inteira.
Shikamaru lembrou do que Temari tinha acabado de falar. Engoliu a seco enquanto o seu filho o olhava. E chegou à conclusão que realmente era muito complacente com ele. Diante disto decidiu fazer o que sempre fazia em situações como aquela.
— Pergunte a sua mãe.
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Empurrou a porta com cautela. Os olhos verdes fitaram a sala arrumada demais, silenciosa demais. Observou os porta-retratos, um com uma foto dos seus dois sobrinhos de cara emburrada. Shikadai e Miriam. A última sendo filha de Kankuro.
Gaara tirou o paletó e colocou atrás da porta. Deixou a maleta sobre o sofá após retirar os calçados. Olhou para o telefone que não indicava nenhuma mensagem. Ser um executivo de uma empresa que estava a mais de cinquenta anos no ramo alimentício era cansativo.
Sentou-se no sofá e apreciou aquele silencio infindável. Pôs a cabeça no encosto e cerrou os olhos na sua completa solidão. Poderia dormir tranquilo ali mesmo, mas então junto do barulho característico do salto dela lembrou que tinha compromisso mais tarde.
Sentiu as mãos acariciarem os seus ombros e em sequência o beijo na testa. Resolveu abrir os olhos e encontrou duas pedras azuis turquesa. Encontrou os olhos dela.
— Está muito cansado, não é? – Escutou a pergunta de Ino, a qual saiu detrás do sofá e seguiu para o seu lado. E ele ficou a observar. Observar o seu cabelo demasiadamente comprido, mas que adorava. Ficou a observar a saia tubo preta, a regata lilás soltinha demonstrando que já tinha retornado a tempos do consultório de psiquiatria, onde ela exercia a sua profissão. O colar que ele tinha a presenteando no terceiro ano de casamento. Ela era perfeita. Não tinha nada de errado nela.
— Um pouco. – Ino apenas escutou a voz forte. Abriu um sorriso. Poderia ficar o resto do dia ao lado daquele homem vestido socialmente e formalmente. Afrouxou a gravata do Sabaku, colocou os olhos sobre o relógio e depois fitou a escada que seguia para o segundo andar na casa onde moravam em Konoha.
Gaara seguiu os seus olhos e uma ideia passou pela sua cabeça. Abriu um sorriso malicioso o que Ino conhecia bem. Mas ao perceber que não era aquilo que Ino sugeria ou muito menos verificava o horário para ver se tinham tempo para aquilo, deixou sua insatisfação em evidência.
— Sério que você pensou isso? – E Ino o conhecia suficientemente bem para saber decifrar cada gesto de Gaara. – Vou dizer o que eu estava fazendo.
Gaara cedeu atenção a Yamanaka. Ela o conhecia dos pés à cabeça. E para ele, Ino ainda era uma incógnita.
— Estou ouvindo. – Ele segurou a sua mão e neste gesto a atenção dela voltou para ele. Ino prestava atenção em tudo e a todo momento.
— Afrouxei sua gravata para você relaxar, olhei para o relógio para verificar se estamos atrasados e olhei para a escada. – Ino cessou, pois retornou a olhar para a escada, como se estivesse esperando algo descer por lá. E Gaara segurou o riso, pois sabia exatamente o que a loira iria fazer. – O porquê daqueles três estarem tão quietos.
Gaara a soltou e relaxou ainda mais no sofá enquanto Ino levantou do sofá deixando o seu semblante calmo para sustentar uma expressão severa na face. Foi neste mesmo momento que escutou passos apertados descer a escadaria e logo sentiu um peso atingir o seu colo.
Ino observou Gaara deixar escapar uma expressão de dor, mas não repreendeu Naomi nem mesmo com os olhos. A menina de quatro anos, ruiva e de olhos azuis estava com o rosto banhado em lagrimas e um semblante triste de partir o coração.
— Pai! O Inochi e o Rasa mataram o Bob. – Gaara escutou a voz chorosa e depois olhou para Ino, a qual parecia ter recebido uma péssima notícia. E como tinha. O Bob em questão era o urso que Naomi carregava para cima e para baixo.
E a pequena Naomi cruzou os braços como se esperasse uma atitude severa do seu pai para com os seus irmãos, mas na verdade apenas esperava que seu pai trouxesse o seu urso de volta.
Ino viu os seus dois filhos gêmeos não idênticos descerem a escada devagar demais, receosos. Como se soubessem a bronca que iriam receber. Olharam de forma piedosa para a mãe, a qual negou com a mão. Deixando claro que não iria interceder desta vez.
— O que vocês têm a declarar sobre isso? – A voz era calma demais. Sem severidade, sem dureza. E Rasa direcionou os olhos verdes para Inochi em cumplicidade e encontrou um par de olhos azuis sem saber o que fazer.
— Foi sem querer. – Inochi disse rapidamente e com um medo desnecessário. Afinal, Gaara nunca tinha levantado um dedo para bate-lo. Entretanto não era dele que ele sentia medo e sim de sua mãe o olhando feio.
— É foi sem querer. A gente estava brincando e acabamos puxando a cabeça do urso e rasgou.- Os dois se olharam. Um segurava a cabeça e o outro o corpo do urso com a espuma branca aparecendo. – A gente tentou costurar, mas não deu certo.
Naomi aumentou o choro a ver seu ursinho de pelúcia sem cabeça. Deram ambas partes do urso a Ino, a qual sentou-se ao lado de Gaara passando a mão na pequena cabeça da garota. Os dois garotos observaram a cena quietos. Estavam em mau lençóis, pois não era a primeira vez que fizeram algo do tipo.
— Mãe! – A voz da pequena menina saiu engasgada com soluços. – Pede para tia Hina fazer a cirurgia nele de novo.
Ino colocou o urso atrás das costas, quando Naomi a olhou nos olhos. Iria ser maior escândalo se ela visse o urso novamente sem a cabeça. Como da vez que ele perdeu o braço esquerdo.
— A mamãe vai levar agora mesmo. – Gaara falou o mais baixo possível. – Vai pegar sua blusa para a gente leva-lo.
— Peçam desculpas a sua irmã. – Ino ordenou de forma ríspida e a menina não demonstrou reação. Era tão introspectiva feito o pai. As bochechas róseas demais, o corpinho pequeno se aninhava no peito do pai. Os olhos azuis fitavam os irmãos esperando as desculpas, antes que eles lembrassem que ela tinha jogado todo os soldadinhos de plástico pela privada.
— Desculpa, Naomi. – Ambos se desculparam e ficaram em pé esperando uma resposta da irmã mais jovem. – Não vamos fazer de novo.
Desceu do colo do pai e saiu com um bico enorme subindo devagar a escada com os pés descalços para pegar a blusa. Foi a pequena e ruiva cabeça sumir que Inochi e Rasa se entreolharam. Um cutucou o outro com o cotovelo como se quisessem dizer algo.
— Eu pedi da última vez. – Rasa rebateu diante do gesto de Inochi. Meninos tão arteiros feito o Boruto. Inochi suspirou, tinha ganhado o nome de seu falecido avô materno, entretanto não parecia em nada com ele.
— Mãe, a gente quer dormir na casa da tia Hina. – Disse pausadamente. Morrendo de medo.
— Vocês acham que merecem dormir lá depois do que fizeram? – Ino questionou brava.
— Mas foi sem querer, mãe. – Rasa se apressou. Gaara olhava o impasse quieto. Aqueles dois eram terríveis. Ino olhou para ele, como se fosse sua tarefa dar o ultimato.
— Eu acho que eles deveriam passar um tempo com a tia Temari, o que acha Ino? – Gaara questionou e Ino sorriu. Reação bem diversa dos dois garotos.
— Temari iria adorar. – Ino fomentou a ideia, apenas para apavorar ainda mais seus filhos.
— A tia Temari não. – Os dois protestaram rapidamente. Passar um tempo com a tia Temari era o mesmo que ficar de castigo. Os dois nem mesmo aguardaram a resposta e saíram correndo.
— Não é para subir correndo! – Ino os repreendeu, mas já era tarde demais. Todos sumiram. Se jogou ao lado de Gaara. Olhou para o urso e depois para Gaara.
— Que tal mais um? – Gaara a questionou e Ino arregalou os olhos. Ele riu devido sua reação.
— Acho que já é o suficiente até o momento. – Ino comentou. – Vamos esperar a adolescência dos três então conversamos.
Ino colocou o urso na bolsa. Teria que pedir para Hinata dar um jeito de novo. Gaara escutou novamente os passos apertados.
Levantou do sofá, pois o seu tempo tinha acabado. Ino olhou sua filha no pé da escada. Vestia o casaco, mas os pés continuavam descalços. E depois observou os outros dois arrastando uma mochila escada abaixo. Aquela era a sua família.
— Por que o da bolsa? – Gaara ficou a vendo sair de seu lugar. Suspender a menina do chão e os dois meninos sorrirem amarelo. – Eu não disse que vocês podiam dormir na casa da Hinata.
— Gaara, me ajuda! – E o silencio se foi. Ino sumiu da sua visão. Ele então chegou a uma conclusão. Se fosse com ela, ele poderia começar tudo outra vez, quantas vezes ela quisesse.
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Olhou para o relógio. Estava muito atrasada. Desceu do seu carro deixando o automóvel na rua. Quando saiu da casa de TenTen e pegou Himawari na creche recebeu uma ligação. E devido a ela teve que retornar para a escola.
E agora em frente a própria casa sentia relutância em entrar. Dentro da casa de faixada elegante e com grandes portões. A mesma casa onde ela cresceu, deveria estar bem diferente de como era em sua infância. Deveria estar uma completa bagunça.
Hinata bateu a porta do carro e tomou coragem para entrar. Naquele momento apenas estaria seus filhos e seu marido em casa. Mal abriu a porta e a babá com uma expressão desesperada lhe estendeu Himawari.
— Que bom que chegou senhora Hinata. – Hinata pegou sua filha nos braços, a qual por algum motivo chorava continuamente. – Himawari já tomou banho, Boruto não quer sair da frente do videogame. Não dei o jantar ainda pois o senhor Uzumaki disse que iriam jantar fora. Está no meu horário, boa noite.
Hinata observou a mulher se evadir do local abismada. Não era para qualquer um cuidar daquela família. Seguiu para dentro com sua filha aos berros. Pisou em uma peça de lego e se desiquilibrou. Mal se recompôs e o enorme cachorro da família veio recepciona-la.
— Naruto!
— Ganhei de novo. – Escutou a provocação do próprio filho ao perder novamente uma partida de futebol no videogame da última geração. – Ops! Acho que a mãe chegou.
Naruto escutou o seu nome sendo chamado e largou o controle no chão. Boruto já sorria amarelo denunciando que tinha culpa no cartório.
— Eu soltei o cachorro. – Naruto trincou os dentes ao ouvir seu filho.
— Moleque sua mãe vai me matar. – Naruto correu para fora do quarto sendo seguido por Boruto. Chegaram na sala e viram Hinata prensada contra a parede pelo enorme labrador tentando afastar Himawari o máximo possível do cão.
Naruto puxou o cão pela coleira e Hinata o olhou feio. Passou os olhos na sala. Aquilo estava uma bagunça sem fim. Era peça de lego, peça de quebra-cabeça, boneca sem cabeça, caneta de colorir entre outras mil e umas coisas.
— Passou um furacão aqui. – Hinata comentou. Era sempre assim quando chegava em casa. – Por que minha menina linda está chorando tanto?
Balançou a menina de cinco anos nos braços enquanto Naruto olhava a cena de perto. Os olhos lilases cruzaram com os azuis pela primeira vez em uma completa repreensão. Hinata o viu ainda com a roupa do trabalho, quando já deveria estar arrumado para sair. Olhou para Boruto totalmente desarrumado. A única arrumada era Himawari.
— Naruto, esqueceu que temos que ir para casa de TenTen? – Questionou paciente. Quando começou a namorar com Naruto já sabia que ele era daquele jeito.
— Não, mas acabei me entretendo no jogo. – Naruto depositou um beijo superficial nos lábios da sua esposa. – Boruto vai se arrumar. Me dê ela aqui, vai tomar o seu banho.
Naruto pegou sua filha nos braços e Hinata o olhou quieta. Mesmo com sua rotina intensa Naruto a ajudava a cuidar dos filhos.
— Está bem! Será rapidinho, já volto. – Hinata correu escada acima após tirar o salto alto. Era o seu momento de relaxar. Naruto sorriu aberto ao ver a cena e mais ainda quando Himawari cessou o choro. Olhou para Boruto largado no sofá.
— O que você está fazendo aqui ainda? – Questionou para o garoto. – Vai para o seu banho antes que sua mãe volte aqui.
— Onde a gente vai? – Boruto ignorou a ordem e Naruto franziu o cenho tentando descobrir o porquê de Boruto acatar somente as ordens de sua mãe.
— Na casa da TenTen. – O menino pareceu despertar diante da informação. Naruto viu o sorriso de seu filho sem entender a sua animação repentina. – Por que?
— A Coral vai estar lá, não é? Já que é a casa dela. – Naruto olhou sério para o filho. Coral era sete anos mais velha que ele.
— Ela não é muito grande para você não? – Naruto questionou rindo diante dos interesses amorosos de seu filho.
— É, mas é maior gata. – Naruto riu do próprio filho. Onde ele estava aprendendo aquelas coisas? Se a mãe do mesmo o viste falando assim teria um belo problema. Ele era apenas uma criança.
— Não quero ver você repetindo isso. – Chamou a atenção de Boruto mesmo de forma descontraída. – Bem que desconfio ser de outra garota que você está falando.
Observou Boruto ruborizar por um instante. Riu alto, quando finalmente fez o filho sumir da sua vista devido ao constrangimento que sentiu. Atitude similar à de sua mãe quando adolescente. Seu riso alto fez a quieta Himawari retornar a chorar. E com um certo desespero fitou a escadaria. De repente o rapidinho de Hinata estava demorando demais.
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O silêncio no automóvel era grande. Pelo retrovisor ele conseguia fitar os olhos tão similares com o seu. Não sabia dizer se estava feliz ou triste com o que tinha acabado de escutar. Feliz por saber que, ele, seu sobrinho confiava nele a ponto de contar sobre o relacionamento secreto com a filha de um dos seus melhores amigos. E bem, esta era a parte do triste.
— Kiyomaro, com tantas meninas para você se interessar tinha que ser logo pela Coral? – Questionava um pouco desacreditado, pois aqueles dois eram como cão e gato. Uma briga sem fim. E quando Neji descobrisse... por Deus. Não conseguia nem mesmo imaginar o que iria acontecer.
— Não pai. – O adolescente de dezessete anos fitou o espelho desconfortável. – Desculpe tio, eu sei que não gosta que eu chame desta forma.
Sasuke ficou em silêncio. Na verdade, não era que não gostava, mas queria que Kiyomaro soubesse que seu pai, era o seu irmão. Seu adorado irmão. Itachi Uchiha. Mas era ele, de certa forma, que o havia criado, quando Itachi não pode fazê-lo. Seu adorado irmão havia se ausentado definitivamente.
E tanto Mikoto e Fugaku não acreditaram, quando acerca de oito anos atrás uma senhora bateu a porta da mansão Uchiha com um menino do lado. Itachi, com seus quinze anos tinha cometido o mesmo deslize que ele aos dezesseis. Mas diferente da situação de Sasuke, onde a família ficou sabendo imediatamente, sobre Kiyomaro ficaram sabendo sete anos depois. Quando a mãe do garoto faleceu em um acidente.
E a única pessoa que o restou foi o pai, o qual nem sabia de sua existência. Aquela notícia foi um baque em tanto para Fugaku, mas ele não pode gritar nos ouvidos de Itachi, pois ele já havia partido. E Sasuke, com seus dezoito anos decidiu que seu pai não estragaria o menino. Decidiu torna-se o seu irmão mais velho, entretanto acabou se tornando algo a mais.
— Não, não é isso. – Sasuke chamou sua atenção um pouco depois. – Bem, vamos voltar à pauta principal. Quando pretende falar para os pais dela?
Aquele garoto era a cópia de Itachi, mas mesmo assim Sasuke se via nele com uma facilidade gritante.
— O mais rápido possível. – Os olhos negros fitaram a paisagem para além da janela. – Eu queria o seu apoio.
Sasuke parou o carro para olhar diretamente na face do sobrinho. Ele não tinha ninguém para apoia-lo aos dezessete. E Itachi não estava mais ali.
— Vou dizer, não vai ser fácil. – Fez uma pausa ao ver que a porta foi aberta e antes que a pessoa que a abriu entrasse ele resolveu demonstrar o seu apoio. – Mas pode contar comigo.
— Oi, pai! – Escutou a menina de cabelos negros o cumprimentar enquanto colocava o cinto de segurança no banco do passageiro. – Oi, Kiyomaro! Vamos pai, eu quero ver o tio Neji!
— Olá, Sarada. – Sasuke a respondeu. Havia retornado de viagem horas antes de Neji e a única pessoa que sua filha queria ver era Neji? Tinha algo errado naquilo. Dirigiu em silêncio, bastante diferente da filha no banco de trás. Estacionou minutos depois em frente à casa da família Hyuuga.
Viu Naruto com sua filha no colo enquanto Hinata arrumava Boruto desnecessariamente. Do outo carro desceu a família Nara. E ao ver Shikadai, Boruto abandonou sua mãe de imediato. Olhou no relógio, não estava tão atrasado como pensou. Sarada desceu do carro sem permissão e foi de encontro com os dois garotos da sua idade. Permanecendo somente ele e Kiyomaro dentro do automóvel.
— Vamos, então. – Desceu do carro com o garoto em seu encalço. E seguiu para dentro da casa de TenTen pacientemente. Reconheceu a linda menina dos Sabaku pulando no sofá despreocupadamente assim que pôs os pés no tapete da sala.
— Sasuke, que bom que chegou. – TenTen surgiu do nada. – Temos que conversar imediatamente.
Sasuke já tinha uma ideia de qual era o assunto da vez. Olhou para seu sobrinho sentado no sofá. E para a adolescente no pé da escada.
— O Neji não chegou ainda, não é? — TenTen afirmou positivo. O retorno dele significava tantas coisas. – Então vamos resolver isto nós dois.
*************
Dirigia devagar. De momento em momento desviava os olhos da pista se questionando internamente o que ela estava fazendo ali? Ah, então se recordou. Ela estava tentando o convencer de algo. Absurdo aos seus olhos. E era por causa daquela conversa que ele estava irritado.
— Você podia ter esperado eu chegar em casa, ver minha família para depois acabar com minha paciência, Sakura! – A mulher o fulminou com os olhos.
— Não fique tão bravo comigo, Neji. – Sakura cruzou os braços. – Devia ficar feliz de eu ter lhe buscado no aeroporto.
— Corrigindo. Você estava retornando de uma viagem e por pura “coincidência” retornamos no mesmo avião. – Sakura não conseguiu segurar o riso.
— Isso não importa agora. – Sakura o rebateu séria. Será que em toda a sua vida a relação de ambos seria daquela forma? – Então, eu quero que você não perca a linha com o meu sobrinho. Ele gosta mesmo da Coral.
Ah! E novamente ele lembrou o porquê de ser interceptado pela sua amiga da adolescência ainda no aeroporto. E acredite, aquele assunto o tirava do sério.
— Coral ainda é muito jovem para se relacionar ainda mais com o... — Neji deixou a frase morrer. Sakura não deixaria ele chamar o menino de delinquente na sua frente. – Os dois ainda são muito jovens.
— Ah! Neji! – Sakura parecia ter perdido a paciência. – Por acaso se esqueceu o que nós fazíamos nesta idade? Eu ajudei a cuidar dela, tenho direito de opinar sobre o que é melhor para ela. E não é por que o Kiyo age feito o Sasuke quando jovem que ele irá cometer os mesmos erros.
— Corrigindo novamente. – Aquela discussão estava assídua. E ninguém tinha chegado a um acordo. – Você estragou o pouco de educação que dei a ela. E olha ela agora. É tão inconsequente e rebelde como eu era. Ouso dizer até mais.
O silêncio permeou por um instante. E assim que Sakura viu as luzes de Konoha sorriu. Finalmente estava em casa depois da grande final de um campeonato de dança. E poderia voltar a dar aulas na sua própria escola de dança. Poderia voltar a estragar a educação dos filhos de seus amigos e poderia voltar para Sasuke.
— Dê uma chance para eles. – Sakura tentou mais uma vez. – Estaremos de olho. A todo momento.
— Não! E sei que TenTen concorda comigo. – Neji a mencionou e Sakura se calou. TenTen era a juíza daquele tribunal. Se ela concordasse com Neji, por maior que fosse o esforço nada mudaria a situação.
— E Sasuke comigo. – Sakura não tinha tanta certeza do que falava. – E o que pretende fazer? Irá fazer igual a Hiashi? Ao mandar Hinata para longe de Naruto naquela época. Você viu que não adiantou muita coisa, não é?
— É diferente, Sakura! – Neji realmente estava disposto a permanecer firme em sua ideia. – Coral é só uma menina.
— Eu também era. Hinata também era, Ino também era. E ah! Deixe me ver TenTen também era! – Sakura arregalou os olhos como se descobrisse um crime e Neji não conseguiu conter o riso. – Oh Meu Deus, Neji! O que fizemos?
Sakura parou de rir. Ela também tinha suas dúvidas, claro. Mas tudo estava em família. Não tinha erro naquela equação.
— Pense Neji. É mais fácil ficarmos dos lados deles do que contra eles. – Neji escutou com atenção. – Você sabe que sua oposição não será barreira nenhuma para Coral. E sabe que Kiyomaro o respeita o suficiente, mas que também não te dará muita bola. É só um namorico. Eles não vão casar mês que vem, não irão formar uma família. Coral quer ser arquiteta, Kiyomaro quer conhecer o mundo.
Sakura fez uma pausa. Toda aquela confusão lembrava muito a sua adolescência. Neji concordou com sua amiga. E tinha dúvida se conseguiria negar algo a Coral. Era muito complicado ser responsável por alguém. Era muito complicado ser adulto.
— Você sabe que eu não quero perde-la de novo, Sakura. – A Haruno escutou com cuidado a declaração do Hyuuga. – Foi muito difícil conseguir ela novamente. Paguei um preço alto.
— Mas no final não deu certo? – Sakura sorriu. Eles tinham vivenciado momentos difíceis em uma fase em que deveriam se preocupar apenas com os estudos.
— Mas eu não quero que dê certo apenas no final para ela também. – O silêncio permeou o ambiente. Neji observou as luzes acesas da sua casa. Estacionou o carro em frente. Sakura desviou os olhos de Neji para pôr sobre a porta principal sendo aberta abruptamente. E por ela sair a filha menor de Gaara, sua própria filha Sarada e Himawari.
Se olharam uma última vez. Sakura sorriu em cumplicidade. Neji acenou positivo como se adivinhassem os pensamentos da mulher.
— Eu sei que nada fica a mesma coisa. – Sakura chamou sua atenção. –Mas se você quiser.
— Podemos começar tudo novamente. – Neji concluiu sua frase. Sakura bateu em seu ombro um pouco emocionada. Sim, eles podiam começar tudo novamente. Por que tudo poderia se repetir.
O bebê espirra
A mamãe agrada
Papai entra de repente
— Tio, mataram o Bob. – Neji desceu do carro e agarrou a garotinha do seu melhor amigo nos braços. Sakura escutou a reclamação da pequena Naomi em um completo sussurro. Aquilo tinha acontecido novamente.
— Não acredito que isso aconteceu! – Neji levantou para o alto. E fingiu severidade na voz. – Eu não permitirei isso jamais!
— Oi, meu amor! – Sakura passou a mão na cabeça da própria filha. Que correu para Neji. Então pegou a pequena Himawari nos braços para encher a garota de beijos. A qual apenas esticou os braços em direção a Neji. – O que você tem de especial para todas correrem para você?
Neji olhou para Sakura fingindo estar magoada. Pois esteve o mesmo tempo fora e nenhuma criança queria ficar em seus braços.
—Todas garotas gostam de mim. – Sakura revirou os olhos e pegou a bolsa. Finalmente havia voltado para casa.
— Vamos entrar um doce de pessoa. – Sakura o chamou. – E por favor, considere o que eu te disse.
É tudo tão bom na teoria
Tão romântico
Tão desnorteante
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— Eu não permitirei isso jamais! – Sasuke e TenTen se olharam rapidamente após escutar a voz severa de Neji fora da casa. Coral deixou em evidencia sua tristeza. Será, que eles, os adultos nunca iriam te compreender?
— E por favor, considere o que eu te disse. – Escutaram o rebater de Sakura. Todos ficaram em silêncio na sala ampla. Ino olhou para Gaara e Temari esperou que Shikamaru desse seu parecer silenciosamente. Aqueles dois batendo boca não era a programação preferida de ninguém.
— Calma, Coral. – Hinata chamou a adolescente que correu para o segundo andar, mas ao ouvir Hinata cessou nos degraus.
— Ele nunca vai me entender. – Disse em alto e bom som. – Alias nenhum de vocês dois. Afinal, nem meus pais vocês são de verdade.
TenTen levou a mão até o peito, quando pela escada ela se foi e Neji entrou pela porta a tempo de escutar a declaração ferida da menina que ele criou. Sasuke viu Sakura depois de um tempo e nem mesmo sorriu. A situação estava um pouco complicada.
— Eu vou falar com ela agora. – Neji desceu Naomi dos braços. Mal cumprimentou os presentes. TenTen negou com a mão.
— Não. Quem vai sou eu. Chega disto. – Ninguém a rebateu, afinal ninguém era doido o suficiente par isso. Todos ficaram a observar ela subir a escada em silêncio.
Naruto sentou se no sofá e passou a mão nos cabelos. Olhou para a filha e depois para as crianças quietas demais.
— O que aconteceu? – Sakura questionou um pouco perdida. Afinal ela tinha conseguido convencer Neji sobre a melhor coisa a se fazer naquela situação.
— Nem sei por onde começar. – Sasuke a respondeu. A Haruno teve que conter o sorriso, pois diferente de Sasuke que soube sobre o interesse de seu sobrinho somente horas antes. Ela, Sakura sabia a meses e de ambos os lados.
— Eu apenas não sei por que ela ficou tão brava e magoada, pois nem mesmo soube que o cabeça dura ali tinha permitido. – Neji a olhou feio pelo modo que Sakura falou. Sasuke não se surpreendeu, afinal Sakura sempre conseguia tudo o que queria.
— Então acho que seja prudente alguém ir atrás da TenTen. – Temari pontuou. – Antes que ela acabe com a raça da menina.
O silêncio ficou ainda maior. Todos se entreolharam. Quem seria a pessoa com coragem suficiente para aquilo?
— Não é para tanto. – Naruto comentou e todos concordaram. Ela saberia o que fazer, tinham certeza disto. Ou quase isso.
— Então! Vamos arrumar o jantar! – Ino disse na tentativa de quebrar o clima tenso instaurado no ambiente. E como se fosse uma ajuda envia dos céus Inochi e Rasa quebraram um vaso enorme posto perto da saída para o jardim de inverno ao jogarem bola dentro de casa.
— Eu não tive nada com isso mãe. – Shikadai se adiantou, mas Temari não obteve tempo nem mesmo para fulmina-lo com os olhos, pois Himawari empurrou Naomi sem querer. E como se fosse ensaiado as duas caíram no choro. E aquele fuzuê de sempre, aquele mesmo que sempre tinha quando todos estavam juntos, começou.
Sakura riu e abraçou Kiyomaro quieto demais. Sasuke suspirou e segurou Sarada no colo. Hinata correu para acudir sua filha. Ino saiu atrás de Rasa e Inochi. Shikamaru escondeu Shikadai atrás de si. Naruto sentiu falta de Boruto, o qual rabiscava as fotos da família Hyuuga com canetão. Gaara agarrou Naomi. Temari foi para a cozinha. Neji subiu pela escada.
Aquilo iria começar tudo outra vez.
Eu sei que nada fica a mesma coisa
Mas se você estiver com vontade
Podemos começar tudo novamente
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Parou em frente a porta do quarto de Coraline. Suspirou e passou a mão na saliente barriga. Dentre algumas semanas seu bebê viria ao mundo. Pela fresta da porta pode ouvir os soluços devido ao choro.
Empurrou a porta e Coral levantou o rosto vermelho. Ao ver quem era apenas enfiou o rosto novamente no travesseiro. Tinha sido cruel com seus pais. TenTen sentou-se na beira da cama e passou a mão no cabelo castanho. Iguais aos seus. Coral virou o rosto e encontrou um par de olhos achocolatados. Iguais aos seus.
— Desculpa, mãe. – Enxugou as lagrimas e observou o sorriso reconfortante.
— Está tudo bem. – TenTen começou. – Mas não fale isso novamente, você sabe como ele fica ao ouvir aquilo.
— Eu sei. – Coral cedeu espaço na cama para TenTen. – Foi sem querer.
— Eu sei. – Tenten respondeu e se ajeitou como pode na cama. Aquele barrigão apenas complicava mais esta função. – Ui! Acho que esta cama está pequena para nós três.
Coral sorriu a ouvir a mãe. Olhou para barriga enorme. Ela estava ainda mais linda. Desviou os olhos para o teto divagando em suas lembranças.
— Mãe. – Tenten virou para fita-la. – Você nunca terminou de contar aquela história.
— Que história? – TenTen questionou rapidamente.
— A sua e do papai. – Tenten sorriu. Aquela história realmente era longa, pois além daquela parte especifica tinha também as dos outros.
— Nunca falou o que aconteceu com o Sasuke e Sakura e nem mesmo com a tia Hina e o tio Naruto.- Coral se posicionou para ficar alisando a barriga de TenTen.
— E por que você quer saber disto agora? – TenTen questionou. Já fazia muito tempo desde do dia que deixou Konoha para trás.
— Para ver se eu te entendo um pouco. – Coral a respondeu. Não era exatamente por isso, na verdade ela gostava de ouvir.
— Você estava lá, não se lembra? – TenTen viu a adolescente negar. Ela era muito pequena. Não se recordaria. TenTen colocou o indicador sobre o dedo como se quisesse se recordar de algo.
— Onde eu parei? – Coral a fitou e logo abriu um sorriso.
— Parou quando a Temari e o Shikamaru reataram. – TenTen concordou.
— Então vamos lá! – TenTen começou. – Quando Temari e Gaara retornaram eu ainda não estava no país. Mas eu fiquei sabendo mais tarde de como aconteceu. Primeiro você tem que saber que os dois são práticos e que eles se amam de forma mutua. Então não são dados a dramas, certo?
Coraline acenou positivo. Ela via no decorrer do cotidiano aquelas características no relacionamento de Temari e Shikamaru.
— Ele estava aqui para ela quando Temari retornou. Dizem que ela apenas socou o seu ombro esquerdo e disse: Pronto vegetal, minha paciência acabou.
Tanto TenTen e Coral riram. Temari era mesmo daquele jeito.
— Então não precisou muito para eles retomarem de onde pararam. Apenas um abraço apertado e um beijo acalorado. – TenTen sorriu. – E com Temari veio Gaara. Tenho que dizer, que eles, Ino e Gaara são meu casal favorito desta história. Com eles não foi tão prático assim, sabe? Primeiro Ino o repreendeu por não ter se esforçado o suficiente mesmo sem saber do relacionamento ótimo entre ele o pai. Mas sabe, eu acredito que ela desatou a falar por que estava nervosa. Bastante nervosa, por que ninguém tinha voltado para ela como Gaara fez e disse que faria. E ele voltou e como voltou. E decidiram que mesmo longe os dois permaneceriam juntos. Já que Ino tinha se esforçado para seguir com seus estudos. E quem partiu foi ela, mas mesmo assim os dois sempre estavam juntos. Principalmente no final de semana.
TenTen fez uma pausa para organizar as ideias. Era engraçado ela saber de tudo aquilo, pois afinal ela foi a última a regressar.
— E lembro de Gaara me dizendo algo do gênero: Eu não queria ser o amor de final de semana dela, mas posso tolerar. – Coral riu, pois TenTen tentava imitar a voz de Gaara. – Ele queria que Ino ficasse o tempo todo e a toda hora com ele. Então não foi surpresa os dois se casarem no modo relâmpago. Ainda me pergunto o porquê de Ino topar aquilo mesmo sabendo que ela nunca quis entrar de véu e grinalda na Igreja. Por que não tinha ninguém contra o relacionamento dos dois.
— Nem o pai do Gaara, mãe? – Coral a questionou. TenTen fixou os olhos nos da menina e negou com a cabeça.
— Nem o Rasa. – Fez uma pausa. – Ele morreu um ano depois que Gaara e Temari se foram. Por isso um dos gêmeos tem o mesmo nome. Mas retornando ao desfecho principal. Mesmo os dois se casando sem cerimônia anos mais tarde Ino entrou na Igreja e desta vez de véu e grinalda. Disto você lembra, não?
Coral acenou positivo. Nunca tinha visto uma noiva tão linda como aquela. Mas os casamentos consecutivos depois daquele gerava uma ótima disputa de qual era a noiva mais bonita que já tinha visto.
— E foi aí que começou o segundo capítulo da história dos dois. E o final? Ainda não temos, mas pelo visto segue tudo bem. – TenTen piscou para ela. – E anos antes, quando perdemos a final do campeonato, quando pensamos que não tinha mais espaços para momentos tristes o seu avô Hiashi resolveu que ainda era pouco. Mas eu o compreendo agora, sabe? Sei que ele apenas queria o bem de Hinata. E por isso ao descobrir que o campeonato de exatas era, na verdade de música daquela forma foi um baque em tanto para ele. Primeiro ele ficou furioso, pois a filha dele tinha omitido algo importante, mas como águas passadas não movem moinhos ele deixou isso de lado.
— E o tio Naruto? – Coral a interrompeu, pois não se recordava de Hiashi daquele jeito. TenTen a olhou pedindo calma. Iria chegar lá.
— Mas quando Hinata disse que estava em um relacionamento sem o seu consentimento o caldo entornou outra vez. Neji me disse que nunca tinha visto Hinata agir com tanta coragem como naquela noite. Ela o enfrentou, como você está fazendo agora, mas você sabe que com Hiashi ninguém podia. E foi então que ele mandou Hinata prosseguir com seus estudos fora do país com o propósito de afastar os dois.
TenTen deixou visível a nostalgia que sentia de sua adolescência. Nada seria como antes.
— Mas ao que parece o universo sempre foi a favor daqueles dois. – TenTen sorriu. – Quando Naruto disse a Hinata que também iria estudar fora, plano traçado pelos pais dele. Não teria jeito, os dois não poderiam ficar juntos como queriam. Entretanto, quando Hinata sentou-se na sua poltrona do avião. Não sabia que três fileiras para trás tinha um garoto vestindo uma blusa extremamente laranja. Apenas soube, quando ele começou um miniescândalo, pois pelo o que parece Naruto tem medo de altura.
Coral abraçou TenTen e caíram no riso juntas. Era engraçado tentar imaginar a cena. Coral ficou em silencio, para que, TenTen prosseguisse com a história.
— Então desceram no mesmo local, estudaram na mesma universidade e dividiram o mesmo apartamento. Não preciso dizer que anos mais tarde Hinata entrou pela Igreja de braço entrelaçado com Hiashi e no altar a aguardando estava nada menos e nada mais que Uzumaki Naruto. Pois você estava lá, não?
Coral afirmou positivo. Recordava perfeitamente deste dia. Hinata estava linda. E todos estavam lá. Ficou ansiosa pela continuação, pois a seu ver agora era a parte mais emocionante da história toda.
— E agora chegou a vez do Sasuke e da Sakura. – TenTen passou alisar o cabelo da adolescente. – Quando Sakura entrou por aquela porta da sala de cirurgia após ver Sasuke em sua sucinta declaração, ela chorou. E ele ficou, do lado de fora, pois não podia entrar mais no hospital esperando notícias dela. E horas mais tarde ele ficou sabendo que ela estava bem. Bastante bem. E ele retornou para Konoha sem mesmo vê-la, pois cumpriria a sua segunda promessa. Agora que ele, Sasuke tinha cumprido com a primeira. Que ficaria ao lado dela, ele decidiu que cumpriria com a segunda: Estaria lá para quando ela voltasse.
— Está parte é linda, mãe. – Coral pontuou como se estivesse ouvindo sobre a parte de um livro de romance.
— É sim, mas quando Sakura retornou ele não estava lá. – Coral a olhou rapidamente como se estivesse descobrindo algo horrível. – Por que Sasuke foi enviado para a mesma escola militar que Itachi. O pai do garoto que você gosta, mocinha.
Tenten apertou o nariz dela, como se quisesse dizer que já sabia sobre Kiyomaro. E Coral se envergonhou. Não deveria ter omitido nada a ela.
— Entretanto como sempre tem um Mas na história. Foi a vez da Sakura ir atrás dele, mas isso também não ocorreu. Itachi, da maneira mais dolorosa, conseguiu fazer Fugaku retroceder na sua decisão e interceder por Sasuke uma última vez. Ele morreu em combate depois de se tornar um oficial e Fugaku decidiu que não queria aquele fim para o Sasuke também.
— Mas e a doença da Sakura, mãe? – Coral a perguntou.
— Você ainda vê que ela toma medicamentos regularmente, não? Sakura teve seu tumor removido mais duas vezes depois daquela e então ele se foi. Entretanto ainda cuidamos, para que, ele nunca mais retorne. – TenTen sorriu. Sakura levava uma vida difícil, mas mesmo assim permanecia firme. – E quando Sasuke voltou, quem estava lá para ele era a Sakura. E como os únicos Haruno e Uchiha que não se davam bem no início era Sasuke e Sakura, os pais de ambos não foram opostos ao relacionamento.
— Então agora é sobre vocês, não é? – Coral a questionou ansiosa. E TenTen sorriu. Entretanto antes de começar a sua parte Neji entrou pela porta.
— Eu não quero que tenha distorção nos fatos. – Se ajeitou entre as duas enquanto TenTen o olhou feio. Ele estava ouvindo tudo durante todo este tempo?
— Como se eu fosse mudar alguma coisa. – TenTen respondeu. Coral olhou para os dois e pensou que não poderia ter pais melhores.
— Continuando. – TenTen retornou a falar. – Despois que eu recebi uma ligação de Ino, a qual denunciou todo o esquema deste senhor aí eu fiquei, no mínimo, feliz. E depois muito brava e magoada. Por que se Neji tivesse pedido para mim partir assim eu faria. Não precisava armar todo aquele circo.
— Ah iria sim! Como iria. – Neji disse ironicamente e ele riu sendo acompanhada por Coral. – Acredita nela?
Coral negou com a cabeça e Tenten, novamente, o olhou feio.
— Tudo bem. Minha carreira como jogada de futebol feminino estava indo bem, sabe. Um ano depois acabei fechando um contrato bilionário com outro time de futebol e por conta disto eu estava novamente mudando de país. Confesso que nem lembrava mais desta criatura aqui.
TenTen apontou para Neji, o qual negou com a cabeça. Aquilo não era verdade.
— Ah! Claro que não. – Neji começou. – Ela só pergunta de mim todas as vezes que ligava para Ino.
— Claro! Seria falta de educação. Eu perguntava de todo mundo. Não perguntar de você seria chato.
Coral ficou vendo o bate-boca prosseguir. E então se recordou o motivo de nunca ter ouvido o final daquela história.
— Foi então que eu a encontrei no aeroporto. – Coral escutou a voz de Neji. Já tinha desistido de ouvir o restante. Prestou atenção nos dois. Era como se um contasse ao outro a sua versão. A ignorando por completo.
— Ela estava linda. E fiquei com medo de levar outro tapa se me aproximasse, pois, sua mãe gosta muito de fazer isso.
— Mas ele se aproximou mesmo assim. – TenTen o cortou. – E eu lhe dei outro tapa. No meio de todo mundo mesmo. Por que ele não podia sair tão lindo por aí vestido daquele jeito, contudo ele pensou que era por outra coisa e me pediu desculpas.
— Eu pedi desculpas sim, mas foi por que eu derrubei café em você depois que me bateu. – Neji parecia irritado. TenTen riu.
— Foi então que chegou uma mulher, sabe? Aquelas que a gente vê em capas de revista e tudo mais. Disse que era a namorada dele.
TenTen o fulminou e Neji ficou quieto. Como se ela ainda estivesse magoada por aquilo.
— E segundos depois chegou outro cara, como era o nome dele mesmo, TenTen? – Neji a lembrou que ela também já tinha se envolvido com outra pessoa como Neji gostava de pensar.
— Era Tenji e não, ele não era meu namorado. – TenTen aumentou o tom de voz. Pois pelo visto Neji tinha ciúme até mesmo do passado. – Mas vai convencer o cabeça dura aí? Vai morrer tentando e não vai conseguir.
— Vocês não se resolveram de imediato? – Coral questionou. Por que aqueles dois tinham que ser daquele jeito?
— Olha para sua mãe. Está vendo como ela é maleável? – Neji prosseguiu. – Tire suas próprias conclusões.
— Então. Eu não sei muito bem o que aconteceu, mas quando dei por mim Neji estava ao meu lado no avião. Indo para o mesmo lugar que eu. – TenTen piscou para Coral e diminuiu o tom de voz. – Você sabe que ele demora a tomar uma atitude, mas quando toma sai de baixo.
— Como é que é? – Neji perguntou.
— Então ao que parecia ele decidiu que não iria mais se desgrudar de mim. – TenTen o olhou por um instante. A tempo de ver ele conter o sorriso e abaixar a cabeça. – Me seguiu até que eu o perdoasse. Disse que eu poderia chamar a polícia se eu quisesse.
— Ela chamou a polícia. – Neji a interrompeu e TenTen riu. – E depois foi tirar a queixa na delegacia. Fui liberado.
— E eu estava te esperando do lado de fora.
— Estava.
Os dois cessaram. Coral ficou vendo ele tirar uma mecha do cabelo sobre o rosto de TenTen. E como se Neji se lembrasse que estava ali retornou ao normal.
— Entende agora, Coral? – TenTen questionou. – Não queremos que você sofra sem necessidade. Queremos apenas o melhor para você. Eu sei que nesta fase parece que o mundo vai acabar em qualquer momento, mas não. Não vai meu bem.
TenTen não prosseguiu em falar a decisão que tinha tomado junto a Sasuke. Que permitiria o namoro dos dois, pois não tinha conversado com Neji ainda.
— E se você quer mesmo namorar com Kiyomaro, eu e sua mãe. – Neji também cessou, mas até ver o afirmar positivo de TenTen. – Permitiremos.
A garota olhou para TenTen e depois para Neji. Levantou da cama abruptamente como se não entendesse a mudança repentina de decisões.
— Mas pai você disse que não permitiria isso jamais. – Coral se adiantou em explicar sua reação. – E mãe você nem sabia que era o Kiyomaro.
— Quando eu disse isso? – Neji questionou.
— Antes de entrar em casa. – TenTen o informou. – Por isso ela perdeu o juízo e falou aquilo.
Neji concordou e depois riu. TenTen olhou para Coral sem entender.
— Eu estava falando da novela do Bob desmembrado. – Referiu se ao urso de Naomi. – O Gaara deixa isso acontecer sempre. Se eu fosse ele já fazia um estoque daquele urso e toda vez que o Rasa e Inochi acabasse com um, já o substituía por outro.
Tanto TenTen como Coral o olharam abismadas. Era muito pragmatismo para uma pessoa só.
— Mas quero dizer que estaremos de olho. – TenTen retornou para a pauta principal. – E de perto.
— Bastante de perto. – Neji concluiu e Coral saiu correndo do quarto. Não se aguentando de felicidade.
— Não exagera vai. – TenTen o repreendeu.
— Quero ver quando for o Hizashi aqui. – Neji passou a mão barriga saliente. – Vai arrasar corações.
— Hum! – TenTen levantou. – Para de ser convencido. Você nem sabe se ele vai parecer contigo ou comigo.
TenTen o recordou de uma de suas brincadeiras tolas, as quais consistiam em dizer que o bebe seria sua cópia.
— Ele vai arrasar corações, mas apenas se aparentar com você. – TenTen negou com a mão e deixou o quarto sorrindo. Aquelas adulações eram tantas por parte dele que ela nem mais dava credito. Bastante diferente de quando eram adolescentes.
— Anda logo! – Neji escutou a voz se distanciando no corredor. – Desce para o jantar.
Você paga o vendedor
Conserta a torradeira
Dá um beijo de adeus nos anfitriões
Neji cessou perto da escada. Observou as crianças brincarem sobre o tapete da sala. Gaara e Naruto discutindo sobre os negócios. Riu ao ver Hinata costurando o Bob enquanto Naomi segurava a mão do urso numa completa consolação.
Então você quebra uma janela
Queima um suflê
E grita uma canção de ninar
Observou Shikamaru tentando prestar atenção no noticiário sem conseguir, pois, Shikadai estava debaixo do sofá o perturbando. Viu Sakura e Sasuke abraçados rindo em um canto. Enquanto Ino colocava a mesma e conversava com Temari.
Eu sei que nada fica a mesma coisa
Mas se você estiver com vontade
Podemos começar tudo novamente
Naruto adulando TenTen e seu enorme barrigão. Fez um gesto que solicitava distância entre Coral e Kiyomaro. Sentou-se no degrau da escada e viu Sarada correr em sua direção. E logo todos seguirem o mesmo rumo.
Então não se importe se eu cair aos pedaços
Pois há mais espaço em um coração partido
— O que está acontecendo? – Neji questionou. Viu Sakura sentar se ao seu lado e o restante chegar mais devagar.
— Eu tenho que sair no meio. – Naruto protestou e Neji continuou sem entender. – Quero ficar bonitão na foto.
— Será que ele não muda nunca? – Ino perguntou e se aproximou.
— Esse aí? – Sasuke disse. – É uma causa perdida. — Escutou a risada descontraída do Uchiha.
— Não fale assim dele, Sasuke! – Hinata o repreendeu e logo caiu no riso.
— Apenas verdades, Hinata. – Shikamaru defendeu Sasuke.
— Eles não vão mudar mesmo, não é? – Escutou Sakura o questionando.
— Não. – Gaara respondeu e pegou sua filha no colo.
— Junta mais! – Temari gritou após posicionar a câmera fotográfica no tripé da sala. – Senão não vai sair todo mundo.
— Da última vez que fizemos isso não tinha tanta gente. – TenTen comentou. Era verdade. Eram somente dez.
— Digam X! – Temari gritou e correu para junto do grupo. Alguns sorriram. As crianças não olharam para câmera. Ino gritou com seus filhos gêmeos no momento. Boruto derrubou a sua mãe. TenTen sentiu a sua bolsa romper. Temari caiu ao tropeçar em uma peça de lego. Gaara riu da cena. Sasuke beijou a Sakura. Neji tampou os olhos de Sarada.
E a única pessoa que ficou bem na foto, na verdade não era uma pessoa. Naomi levantou o Bob, o urso. Para que ele saísse bem na foto.
Eu acredito no amor
Mas o que mais eu posso fazer
Mas se você estiver com vontade
Podemos começar tudo novamente
E está acontecendo novamente
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