Golden Heart
15 A cura
Notas iniciais
*Willian*
Não fazia nem um dia que nossa equipe havia se formado e já estávamos quase perdendo dois membros. Que legal.
Rosie estava com uma queimadura na barriga que eu sentia arder só de olhar. Pouco depois, Ciborgue foi buscar Kathy, Kane e Dan, que chegou quase no mesmo estado de Rosie. Ravena se esforçava para encontrar alguma poção ou magia de cura em livros e Jen examinava o sangue deles, murmurando coisas que ninguém entendia. Enquanto isso, Robin, Ciborgue, Mutano e eu tentávamos fazer algum curativo “quebra-galho”.
– Não tenho ideia do que a gente pode fazer. – Disse Jen em pânico. Ela parecia mais pálida do que o normal. – Isso é tão frustrante!
– Calma, Jen. – Eu disse. – Você se sente melhor quando me explica seus experimentos. Então tenta me explicar o que você está pensando, assim talvez você tenha alguma ideia genial.
– Está bem. – Ela respondeu respirando fundo. – Eu não sei o que aquele homem fez, mas as moléculas no sangue deles estão se agitando tão rápido que produzem energia cinética e liberam calor, dando essa sensação de “queimar por dentro”. Mas não tem nada que eu possa fazer para ajudar... – Ela parou e pensou um pouco. Depois, olhou para Kane, que estava farejando uma cadeira. – Espera... Havia água onde vocês encontraram Kane?
– Sim... Por quê?
Ela agachou e passou uma mão delicadamente pelo seu corpo.
– Ele é azul... Estava perto da água e tem essas membranas entre os dedos... Ravena, você tem algum livro que fala de dragões?
– Sim... Vou buscar. – Ela foi e poucos segundos depois voltou com um livro antigo que Jen esfolheou rapidamente.
– Isso! Encontrei a solução! – Ela falou animada e depois colocou Kane ao lado de Daniel.
O dragão olhou para a queimadura em seu braço e se aproximou.
– Jen... – Dan se esforçou para falar. – O que você está fazendo?
– Confie em mim.
Kane começou a se transformar. Ficou cada vez mais mole e transparente. Quando percebi, ele havia se transformado em água e estava penetrando na queimadura de Dan.
– Er... A sua solução é colocar água? – Perguntei.
– Não. – Jen respondeu. – Dragões da água têm poder de cura. Ele está diminuindo a temperatura de sua “mamãe” e curando o ferimento.
Realmente, Daniel parecia melhor agora. Aos poucos, a queimadura foi ficando mais clara. Instantes depois, só havia sobrado uma leve cicatriz por onde Kane havia saído.
– Como você está? – Perguntei.
– Bem melhor. – Ele respondeu e se sentou. – Kane, você pode curar Rosie, por favor?
Jen colocou o dragão ao lado de Rosie e ele fez a mesma coisa. Transformou-se em água e, aos poucos, curou a queimadura e diminuiu a temperatura dela. Nós nos assustamos um pouco, porque ele demorou um pouco mais.
Kane se transformou em dragão de novo e nós esperamos poucos minutos em um silêncio tenso. Quando ela começou a abrir os olhos, uma onda de alívio percorreu pela sala.
– Rosie? – Jen perguntou com cuidado. — Como você está?
Ela se sentou, olhou à sua volta e colocou a mão na cabeça.
– Parece que a minha cabeça vai explodir, mas estou bem.
– Você se lembra do que aconteceu?
– Mais ou menos... A gente foi ajudar o Dan e... – Ela ficou mais séria de repente. – Aquele homem... Desculpa, eu estraguei tudo.
– Não foi culpa sua.
– Eu paralisei. Fui covarde. Se eu não fosse tão medrosa, vocês teriam conseguido pegar aquele cara.
– Não pense assim. – Disse Robin. – Muito provavelmente ele teria matado todos nós se você não estivesse lá. E você não é medrosa. Você escolheu vir com a gente, mesmo sabendo que iria ser perigoso.
– Agora que está todo mundo bem, vamos dormir. – Disse Ciborgue. – Já são três e meia da manhã e hoje foi um grande dia.
– Está bem. – Respondeu Daniel. – Mas antes, vou comer sorvete.
– Vou com você. – Respondeu Rosie.
Eu pensei que estava sem sono, mas assim que encostei a minha cabeça no travesseiro, meus olhos fecharam e eu dormi.
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