Golden Heart
9 A busca - parte 1
Notas iniciais
*Daniel*
Antes de eu sair da torre dos Titãs, Will me chamou para uma conversa rápida na sala de treinamento.
– Você sabe lutar? – Ele perguntou enquanto mexia em uma caixa grande no canto da sala.
– Sim.
– Sua mira é boa?
– Provavelmente sim... Por quê?
– Quero que fique com isso. — Will respondeu segurando um arco e um par de luvas. – Eu fiz para casos de emergência. Já que eu prefiro espadas e punhais, pode ficar com esse arco e essas luvas.
Eu hesitei. Onde estavam as flechas?
– Ravena colocou um feitiço nesse arco. Agora você tem infinitas flechas. – Ele disse como se lesse meus pensamentos e puxou a corda, fazendo com que uma flecha aparecesse. Depois, olhando para mim, atirou no meio de um alvo que estava ao seu lado esquerdo. – Eu usei um material diferente no arco. O metal é flexível o suficiente para atirar as flechas sem quebrar ao meio, mas resistente e pontudo o suficiente para você usar como espada. Na lateral eu coloquei uma flecha presa ao arco por um fio mágico que não arrebenta e alcança a medida que você quiser. É só você atirar essa flecha e quando quiser que o fio encolha, segure esse botão. – Ele disse mostrando um botão que eu conseguia alcançar com o polegar. – Espero que você não tenha que usar, mas se precisar ele é todo seu. As luvas são feitas de Titânio de alta densidade, dez vezes mais forte do que o aço. É o mesmo material da capa do Robin, então com certeza vão proteger suas mãos. Eu teria feito mais peças de roupa com esse material, mas é difícil de fazer e de encontrar o material certo.
– Tudo bem. – Respondi rindo. – Obrigado.
Coloquei as luvas e desejei ter ganhado aquilo enquanto aprendia a lutar sozinho. Elas eram confortáveis e não esquentavam demais, além de fazerem com que eu me sentisse seguro. Peguei o arco e saí para a missão.
Andei por cerca de meia hora, até encontrar o vilarejo. Continuava exatamente igual: várias casas formavam um círculo cuja entrada era um portal de madeira onde estava escrito “Harewood” em alto relevo. O centro do círculo era uma praça onde ficava uma árvore de 25 metros de altura. No topo do tronco, flores azuis cresciam na horizontal e se ramificavam para baixo, ficando penduradas como se fossem vários cachos de uvas juntos que faziam sombra nas casas e serviam de abrigo para borboletas e pássaros.
As casas estavam iluminadas, com fumaça saindo pelas chaminés naquela noite fria de inverno. Cheiro de bolo caseiro pairava no ar enquanto crianças brincavam de pega-pega em volta da árvore. Quem não conhecia o vilarejo jamais imaginaria que o lugar havia sido atacada por um monstro. Até mesmo a casa do Will e a minha estavam ocupadas como se nós nunca estivéssemos lá.
Eu pensei em visitar algumas pessoas que eu havia reconhecido, mas foram eles que expulsaram o Will e o obrigaram a morar nas ruas depois de ver o pai ser morto de forma violenta. Antes que me vissem, me escondi atrás de uma casa e tentei lembrar para qual lado ficava a caverna.
– Tem certeza de que quer fazer isso? – Ouvi um homem falando.
Duas pessoas encapuzadas se escondiam atrás da casa ao lado. Agachei atrás de um vaso de planta e comecei a ouvir.
– Claro que sim! – Respondeu o outro homem, que tinha uma voz familiar. – Eu preciso do dragão para que todos me respeitem quando me tornar um rei. E nós não temos muito tempo.
– Você quer que te respeitem ou que tenham medo de você? Isso tudo pode dar errado.
– Isso tudo não vai dar errado, idiota. Nós falhamos sete anos atrás, mas agora nós vamos conseguir por bem ou por mal. Agora, detecta logo o dragão!
Havia um tom ameaçador em sua voz. Como eles sabiam de Kane? Sete anos atrás... Sete anos atrás o vilarejo foi atacado pelo monstro. Mas se eram eles que queriam o ovo, por que foi o pai do Will quem atacou?
– Então? Encontrou? – A voz familiar interrompeu meu raciocínio.
Coloquei o capuz do casaco para esconder o rosto e comecei a observá-los por cima do vaso. O homem mais baixo estava segurando uma máquina pouco menor do que um tijolo, cheia de botões e com uma antena.
– Mais ou menos. A máquina detectou ondas produzidas por um dragão, mas estão fracas. Ou o dragão está morrendo, ou não está mais nesse vilarejo.
– Onde mais estaria?
O homem mais baixo circulou um pouco e depois parou.
– Na floresta. – Ele respondeu.
Eu tinha que encontrar Kane antes deles. Quando recuei, um graveto quebrou sob meu pé.
– Tem alguém nos espionando! – Falou o homem com voz familiar. – Vamos pegá-lo!
Eu saí correndo para a floresta tentando despistá-los a cada curva, mas os dois continuaram me seguindo. Enquanto pensava em um plano, tropecei na raiz de uma árvore e os dois me alcançaram. Malditas árvores, pensei.
– O que você ouviu da nossa conversa, garoto? – Perguntou o mais alto.
Tentei ver quem era, mas não consegui por causa da sombra que o capuz fazia em seu rosto.
– Eu... Nada... – Tentei falar ofegante.
– Sinto que você ouviu demais... – Ele disse enquanto o mais baixo mostrava uma espada. – E que meu parceiro vai te matar.
O homem mais baixo teria me cortado ao meio se eu não tivesse rolado para o lado. Levantei rapidamente e atirei uma flecha, mas ele desviou.
– Você não tem chance. – Ele riu. – Você acha mesmo que uma flechinha iria me derrotar?
Ele tinha razão. A minha mira era boa, mas não perfeita. Eu sabia lutar, mas não a longa distância. Eu era rápido, mas não suficiente. Mas. Então o único jeito era usar as pontas do arco e lutar a curta distância, como eu estava mais acostumado.
O homem veio em minha direção novamente, mas dessa vez não desviei.
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