“Antes de ser poeta, sou criança
Antes de escritor, sou pintor
Pintor, construtor, arquiteto
Médico, bombeiro, policial
Fui de tudo e mais um pouco,
Nenhum dia era igual.

Mamãe trabalhava, mas eu nunca estava só
Avô, avó. Pais de meus pais,
Mas também meus pais
Uma confusão genealógica, mas infância feliz
Eu posso dizer que tive.

Brincava na lama, rolava na cama
Jogava futebol, peteca, tostava a pele no sol
Era brincalhão como macaco em galho
Era vivaz, alegre, pimpolho, sagaz.

Como passam os anos!
Faz tanto tempo que não me dou ao trabalho
De só sentar na cadeira de madeira velha
Carvalho, me disseram
Ao som da chuva a cair, ouvindo as gotas a tocar
Sua própria melodia, cada uma delas tem,
Se você parar para escutar.

Os anos não voltam, nem devem voltar
O que passou, não pode ficar
O que perdeu, não vai encontrar
Mas é bom que seja assim.

Fugaz, vivaz
Se você olhar pra trás,
Vai encontrar
Um bolo de memórias
Tenaz!

E eu me pergunto, agora
Por quem será
que esse bolo aguarda
Com suas velas ainda a soprar?”

10/01/2017, S.S. Leroy

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