Notas iniciais
Desculpe a demora ao postar, mas é que não recebi nenhum review, felizmente pelo apoio de Sofia Kenobi me senti motivada a continuar.

Nossa,algo me diz que não vou gostar daqui.


Minha primeira aula é a de física. Não acredito que vou voltar a estudar essa matéria fatídica. Daqui a pouco, no meu atestado de óbito, em causa de morte vai estar escrito: ócio. Antes de começar, que tal um pouco de diversão? O senhor colega de quarto deve ter muitas coisas interessantes por aqui. Uma espiada não fará mal. Contanto que ele não saiba, mas quem vai contar?

Começando pelas gavetas. Meias, cuecas, blusas, uniforme... Acho melhor eu ir para a aula de física. Olha só, uma coisa interessante. Um CD infantil. Pelo menos algo que quebrasse as regras do impecável ele deveria ter. Que sem graça.

Agora as portas. Ora, não é que ele tem um gosto literário legal? Talvez eu até possa pegar uns emprestados. Ha! É até um pouco engraçado, um cara que está mais para diretor do colégio ter a maioria dos livros com gênero fictício.

Ou mais contraditório ainda ser uma pessoa tão organizada, mas ter a atitude de um bad boy antissocial qualquer. Típico homem difícil com qual você nunca deve tentar se envolver, segundo as regras. Pois é, mas tem um ditado que diz ‘regras foram feitas para serem quebradas’, ou algo do tipo. Vamos ver no que dá.

Nossa, esse menino não tem nada de interessante nesse armário. Subi na parte baixa do cômodo para tentar alcançar a prateleira acima de mim. Erro que espero nunca mais cometer, mas até que trouxe algumas vantagens. Achei um fundo falso. Pequeno, dentro dele havia uma pequena caixa ornamentada com desenhos delicados que me pareciam chineses. Aparentemente, não havia cadeado algum, mas ao virar a pequena caixinha para baixo encontrei uma abertura que parecia caber uma chave.

Agora estou surpresa, uma coisa para quebrar a rotina chata e sem graça de uniformes e roupas casuais cinzas e brancas, com cuecas boxe pretas naquele armário marrom envernizado. O que me despertava mais anda a curiosidade era o fato daquela que parecia ser uma decoração de vovós ricas e peruas estar em um fundo falso no armário (coisa extremamente suspeita) e conter uma abertura para chave. Infelizmente, em minha busca por algo interessante em seu guarda-roupa não havia aparecido chave alguma.

Quando olhei o relógio percebi que, em minha busca incessante por algo novo, perdi vinte minutos da primeira aula, o que não era exatamente ruim, mas para deixar uma boa primeira impressão nesses professores, que, pelo perfil do colégio, parecem ser chatos e sem graça, dando assuntos mais complicados que a árvore genealógica dos deuses gregos, chatos e sem graça, deveria, ao menos, comparecer a primeira aula na hora certa.

Correndo, me arrumei e peguei livro, caderno e estojo e corri, seguindo meu mapa, até a sala.

Chegando lá, percebi algo que me incomodaria bastante nesse ano. Obrigatoriamente, todos os colegas de quarto são da mesma sala, e se sentam juntos na aula. Como que por reflexo, olhei em volta para ver se tinha um lugar vazio, mas ao voltar meu olhar para o destino que me aguardava, vi uma plaquinha dourada na cadeira com meu nome. É, não tinha erro. O que mais me irritou era o sorrisinho irônico em seu rosto, li instantaneamente o que ele queria dizer: Encontramo-nos de novo, e vai ser assim por um bom tempo...

Ignorando seu olhar, sentei-me e comecei a viajar assim que o professor recomeçou a falar como se não houvesse tido interrupção alguma. Realmente não gostava de física.

Periodicamente, apenas para provocar, ele jogava o próprio grafite no chão, ou esbarrava “sem querer” no meu estojo, e é claro, pedia para eu pegar.

Quando a aula finalmente acabou, caminhamos até o dormitório e quando ele já se encontrava com a mão na maçaneta, percebi: O quarto estaria da mesma maneira que deixei ao sair apressada para a aula. Não tinha tempo suficiente de enrola-lo e arrumar tudo. Quando ele abriu a porta, olhou-me de lado, com os olhos ameaçadores. Novamente consegui ver as palavras que seu olhar expressava. Você está morta, era o que diziam.

Sua segunda reação foi a de surpresa, ao ver as boxes pretas desdobradas e espalhadas pelo chão.

- O que diabos você fez aqui, com isso?

Não consegui responder, congelei no minuto em que vi seus olhos revirando o resto do quarto. Questão de tempo até ver o fundo falso quebrado e a bonita caixinha logo abaixo. Realmente estava morta.

Notas finais
Ao meu único leitor até agora, gostaria de saber sua opinião sobre esse capítulo. Até mais, coisas!