Notas iniciais
*Esse capítulo vai mostrar um pouquinho o que ocorreu nos dois meses de treino de cada Mestre/Discípulo que saíram do santuário, os fatos mais importantes serão relatados aqui. A partir do próximo capitulo, a fic volta ao santuário, os cavaleiros retornam de seu treino e todas as tramas seguem normalmente *Esse vai ser um pouco diferente, a narrativa vai ser em primeira pessoa, em sete partes: Mu / Aldebaran / Aiolia / Shaka / Milo / Camus / Saga, mais ou menos como era na minha outra fic. Boa leitura!

Parte 1 – Amadurecimento (Mu e Kiki já treinavam há um mês nas florestas do Canadá)

O sol invadia o quarto pelas pequenas frestas da janela de uma cabana que alugamos para ficar, em meio a uma floresta do Canadá. Levantei e observei meu discípulo dormindo na cama ao lado imerso em seu sono. Ao longo destes últimos dias, pude pegar mais pesado nos treinamentos com Kiki. Dei um tempo na sua telecinese, que já estava bem avançada e foquei no aspecto físico.

Seu cosmo era grandioso, como quase todo lemuriano ele tem uma facilidade imensa em liberar seu poder oculto. Só precisa saber melhor como e quando usá-lo. Confesso que tenho muitos receios quanto a isso, afinal, mesmo já tendo 13 anos, ele se comporta de uma forma bem imatura, diferente de mim quando tinha a sua idade.

Levantei e fui até o banheiro lavar o meu rosto pra eliminar de vez o sono que insistia em voltar. Os dias estavam sendo mesmo cansativos... Se são até para mim, imagine para o pobre Kiki? Neste momento lembrei-me do Seiya, aquele que foi o maior guerreiro de Athena e agora está privado de usar o seu cosmo por ferir um Deus. Ele é um tanto quanto imaturo quando está fora das lutas e é mais velho que Kiki, no entanto, quando está em missão, age de uma forma mais correta. Será que meu discípulo tem esse discernimento? Nunca tinha parado para pensar.

Sequei o meu rosto com a toalha e fui até a cozinha. Em cima do sofá estavam os relatórios os últimos dias de treino. Todos sobre controle do cosmo e algumas sessões de treino de resistência. Noções de batalha em geral, nada psicológico. Naquele momento tive uma espécie de epifania... Nunca tinha testado o senso de justiça e dever de Kiki. Já o meu, sempre tive claro em minha mente desde a infância, Shion mal precisou me orientar, e no fim, acabei tomando para mim que Kiki não precisava disso e ignorei completamente. Foi então que decidi que aquele seria o dia em que eu iria testá-lo. Bolei um plano rapidamente e logo chamei Kiki.

As oito da manhã estávamos nós dois no meio da floresta, treinávamos ali. Mesmo em meio às árvores, era bom que ele tivesse obstáculos, nem sempre as lutas com inimigos ocorrem em um campo aberto.

‘’_Kiki, hoje não iremos treinar. ‘’ Falei calmamente, notando a expressão de estranheza do garoto.

‘’_Como assim? Treinamos até nos domingos nesse último mês... Qual é? Você não falou antes que ia ter dia de folga, eu nem precisaria ter acordado! ‘’

Aproximei-me do meu discípulo e lhe entreguei um saquinho de pano e um papelzinho com um endereço. ‘’_Pegue. Aqui tem 200 pratas. ‘’

‘’_Agora eu recebo por tempo de treino? Que maneiro! ‘’ Kiki arrancou o saquinho da minha mão e começou a pular de alegria.

‘’_Ei, calma aí. Isso aí é o dinheiro para pagar o aluguel da cabana. O proprietário mora em uma cidade que fica nesta região e quero que leve até ele. ‘’

O garoto desanimou-se ‘’_Ah, sabia que não era coisa boa... ’’

‘’_Aí tem 200 pratas, o aluguel deste primeiro mês foi de 150, devemos pagar hoje para não corrermos o risco de ele nos expulsar daqui. Vão sobrar 50 pratas... ‘’

‘’_50 pratas que o senhor vai dar como recompensa, né? ‘’ Os olhos de Kiki brilharam

‘’_Que ganância, Kiki. Deixe-me explicar: Você não usará o teletransporte, portanto gastará isso com o ônibus. ‘’

‘’_Como assim, por quê não posso usar o teletransporte? ’’

‘’_Em determinadas batalhas, sua energia já estará tão gasta que não terá forças suficientes para usar o teletransporte, então precisará caminhar. Quero que aprenda a ir a grandes distâncias sozinho e voltar. Parece fácil, mas você não faz isso sem a minha companhia desde aquela vez em que foi levar a armadura de Pégaso e Dragão para os cavaleiros na batalha contra Ikki, e naquela vez você usou teleporte. ‘’

‘’_Acho esse teste meio inútil... ‘’ Kiki exclamou.

‘’_E tem mais: A passagem de ônibus custa 15 reais a ida, e mais 15 na volta. Portanto, dos 50 restantes vão sobrar apenas 20 reais. Que você irá trazer para mim. ‘’

‘’_O quê?! ‘’

‘’_Deixe de ser ganancioso. Você precisa de dinheiro para quê? Apenas encare isso como uma missão. A propósito, o ônibus sai daqui à meia hora, vá até a estrada logo ou perderá. ‘’

‘’_E você vai ficar aqui, senhor Mu? ‘’

‘’_Eu vou aproveitar pra dormir. ‘’ Dei um sorriso e me afastei, Kiki ficou chateado, não gostou daquilo. Eu sabia que ele reagiria assim.

Eu o segui com meu cosmo oculto e me escondendo entre as árvores, assim que ele entrou no ônibus me teletransportei para cima do veículo. Iria acompanhá-lo para ver como ele reage a diferentes situações que eu mesmo provocaria.

Depois de uma hora, o ônibus chegou à cidade. Me teletransportei para a sacada de um prédio e fiquei observando Kiki sair da condução.

Percebi-o conversando com uma velhinha na rua e pedindo informações sobre a localização da rua e do bairro escritos no papel que lhe dei, com o endereço do proprietário da cabana que nós estávamos.

Depois de pedir informações seguiu caminho, sempre parando alguns pedestres para perguntar sobre a localização exata do lugar.

Logo chegou à casa do sujeito. Sentado em um prédio em frente ao local, eu o observei entrar e depois de alguns minutos sair. Pelo jeito ele pagou e estava tudo certo. Agora estava na hora de começar o verdadeiro teste.

Enquanto Kiki caminhava mais tranquilo, entrei em um bar barra pesada ali por perto e vi um grupo de homens mal encarados. Dei uma quantia de dinheiro para eles em troca de obediência.

Ordenei que atacassem o garoto e pegassem o saquinho, que nele tinham 35 pratas, e trouxessem até mim no fim da tarde.

Eles não entenderam o meu motivo, mas logo o fizeram. Me teleportei para cima de um prédio e apenas observei a praça central, onde Kiki caminhava. Paralisei o garoto com meu cosmo e logo os meliantes o atacaram, sem poder fazer nada, Kiki recebeu três socos no estômago e o bandido pegou rapidamente o saquinho e saiu correndo.

Depois de alguns minutos, quando ele já tinha perdido a vista dos bandidos, retirei a paralisia.

Kiki se levantou sem problemas, como o esperado, os socos mal fizeram efeito nele, seu corpo era resistente. Mas em seu rosto estampava-se uma expressão de dúvida misturada com desespero. ‘’Por quê não consegui me mover ao ser atacado?’’ Ele deve estar pensando nisso. Não sabia pra onde ir e o que fazer. Até deve ter pensado em usar o teletransporte, mas não usou, provavelmente lembrou-se da minha ordem. Ficou parado ali, olhando para os lados. Será que ele sabia que eu estava o observando ou realmente entrou no desafio e quis provar a si mesmo que iria terminar aquilo sem o teleporte?

Sem dinheiro algum, Kiki fez a última coisa que eu imaginaria. Sentou ao lado de um mendigo na praça, que tocava violão e deixava seu chapéu virado no chão para que quem passasse colocasse alguma moeda.

Será que ele vai roubar o dinheiro do cara? Não, ele não seria capaz... Kiki é travesso, mas já é quase um adolescente. O músico tocava uma canção qualquer enquanto Kiki apenas ficava sentado, esperando. Queria que algum pedestre tivesse compaixão e lhe desse alguns trocados...? Será?

Foi então que meu plano foi por água abaixo. O morador de rua ao lado de Kiki começou a conversar com ele, e logo estava lhe dando 35 pratas que havia arrecadado. Não pude escutar o diálogo, precisaria chegar mais perto e poderia correr o risco de ser visto. Não sei como, mas Kiki conseguiu a simpatia do velho e ganhou o dinheiro, estava pronto para voltar pra casa.

O observei em toda volta até a rodoviária e perto dali notei um incêndio que acabava de começar, no mesmo bar que eu havia entrado antes para contratar os dois caras que atacaram Kiki.

Diversos pedestres correram para o outro lado da rua, com medo, e observavam atônitos o incêndio aumentar. Em cima de uma casa, eu observava tudo. Escutei comentários de pessoas que não iriam ligar para os bombeiros, somente para se vingar dos bandidos que freqüentavam o local. Vi apenas um homem com a preocupação de ligar para o corpo de bombeiros e salvar aquelas pessoas que não conseguiam sair de lá pro causa das chamas.

Kiki passava por ali bem na hora e parou. O que será que ele faria?

Notei o garoto encarar o bar em chamas, percebendo que ainda tinham pessoas lá dentro. Será que ele está se questionando sobre o correto a fazer? Salvaria as pessoas ou ia ignorar?

Ele não conseguiria entrar ali sem usar o teletransporte, percebi que devia estar se perguntando se deveria ignorar a minha ordem para não usar o teletransporte ou se devia salvar aquelas pessoas. Ao menos esse é o questionamento que eu queria que Kiki fizesse.

Em poucos segundos, parece que ele decidiu. Usou o teletransporte para resgatar os três homens que não conseguiram sair do local por causa das chamas.

Apesar de ele ter quebrado a minha ordem, foi por uma boa causa, eu estava orgulhoso.

Foi então que me surpreendi ainda mais. Kiki se aproximou do velho que acabou de salvar e que chorava, pude escutar de longe que se lamentava por ter perdido o seu bar. Foi então que o garoto me espantou de vez, pude escutar nitidamente o que ele falou para o velho dono do bar destruído.

‘’_Sei que não é de muita ajuda, mas fique com essas 35 pratas. Não é quase nada, mas vai dar pra começar a reconstruir. ‘’

‘’_Você está são, garoto? Está me dando todo o seu dinheiro? ‘’ O velho interrompeu seus lamentos.

‘’_Um cara me ajudou hoje quando eu estava na pior, eu não posso fazer muito, mas espero que aceite a minha ajuda. ‘’

Kiki entregou o dinheiro ao homem e foi se teletransportando para casa. Usei meu teleporte para chegar antes dele. Percebi que eu estava enganado quanto a Kiki e que ele já tinha amadurecido o suficiente e se portou como um cavaleiro de Athena. Poderia voltar enfim ao nosso treino normal.

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Parte 2 – Problemas (Aldebaran e Kron treinavam em uma pequena cidade do Japão)

Kron melhorava a cada treino. Estava disposto e parecia querer sempre se superar. Será que estava tentando chegar ao nível de alguém no santuário ou só tinha gosto pelas batalhas?

Naquela tarde depois de mais de um mês de treino intensivo, Kron disparava rajadas de cosmo contra mim. Mesmo não conseguindo acertar nenhuma, graças a nossa enorme diferença de poder, ele se esforçava para cada vez chegar mais perto disso.

Nossas relações tinham mudado muito desde que saí do cativeiro na França e voltei ao santuário. Pelo jeito aqueles dias com um Dohko de Libra totalmente possuído foram horríveis para ele e agora até me tratava com mais entusiasmo.

Suas habilidades físicas aumentavam consideravelmente a cada dia. Estava bem mais forte, resistente e veloz do que antes. O campo aberto em que treinávamos já estava com diversos buracos decorrentes de suas poderosas rajadas de cosmo que às vezes atingiam o solo.

Naquela noite eu resolvi me deitar antes. Estávamos hospedados em uma pequena pousada perto do campo que treinávamos.

Kron geralmente ia jantar em um restaurante ali perto, eu não estava acostumado àquela comida então pegava um lanche e ia para a pousada, depois de um tempo, ele aparecia. Entretanto, ele demorou mais para voltar àquela noite. Aonde poderia ter se metido?

Esperei mais meia hora e decidi ir procurá-lo. Não estava no restaurante. Voltei até a pousada e perguntei para o porteiro.

‘’_Ele acabou de sair com a minha filha, disse que iam se divertir. ‘’

‘’_Ele falou para onde ia? ‘’

‘’_Disse que iam até o campo onde ele treinava. Eu só permiti por que me disseram que não me demorariam... ‘’

Ele estava de olho na filha do porteiro há alguns dias e achou que eu não tinha percebido. De fato, a garota só aparecia às vezes, eu não liguei muito para as olhadas dele para ela, já que não atrapalhava nosso treino, mas Kron deveria dormir cedo aquela noite para treinarmos no dia seguinte. O que diabos iria fazer com uma garota quando já era quase meia noite?

Fui até o campo e escutei alguns gritos de longe. Era a garota. Os barulhos vinham de um pequeno casebre que tinha por ali, eu invadi destruindo a porta com meu punho e entrei.

‘’_Quem está aí? É você Kron? ‘’

‘’_Droga, o que você quer?! ‘’ Ouvi Kron reclamar e então olhei para a esquerda, perto de uns móveis velhos, onde ele estava.

Ele tapava a boca da garota com a mão enquanto abusava dela.

Como assim... Esse garoto estava ficando maluco? Nunca pensei que chegaria tão longe, mesmo sendo agressivo.

‘’_Kron, você está doente?! ‘’ Usei minha velocidade para derrubar o garoto e segurar a menina, que logo levantou sua saia.

‘’_O que está acontecendo aqui? Pode me explicar, Kron?! ‘’ Olhei nos olhos do garoto, o repreendendo.

‘’_Viemos nos divertir aqui, você não precisava ter atrapalhado. ‘’

‘’_Então por quê a coitada estava gritando?! ‘’

‘’_Ela é uma chorona... ‘’ Kron debochava enquanto se levantava e ia até a porta.

‘’_O que aconteceu, garota? ‘’ perguntei, enquanto Kron saia. Ela estava nervosa e em meio a lágrimas, não conseguia falar.

A tranquilizei com meu cosmo e então ela falou ‘’_Ele é... Um psicopata! Estava me tratando como um cavalheiro e quando chegou aqui me agarrou e não me deu chance de sair! ‘’

‘’_Não se preocupe, ele não fará isso de novo. Nunca mais o verá, pode ter certeza. ‘’

‘’_Muito obrigado por evitar que ele me machucasse, senhor. ‘’

A menina oriental era respeitosa, era uma garota de família e provavelmente nunca tinha passado por uma coisa como aquela. Eu prometi que manteria segredo e iria embora dali com Kron naquela mesma noite.

Ao chegar ao hotel e pegar minhas coisas, sem contar nada ao porteiro, tentei repreender Kron no quarto, mas ele me ignorou solenemente. Não iria mudar de nenhum jeito, não tinha nada que eu podia fazer.

Como alguém assim poderia se tornar um cavaleiro? Ele já tinha parado de causar confusões desde que Máscara da Morte de Câncer havia lhe castigado com uma surra tempos atrás... Será que eu precisaria tomar medidas extremas? Não posso continuar treinando um garoto assim. Preciso mudá-lo ou mandá-lo embora do santuário.

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Parte 3 – Fiscalização (Aiolia e Yoshihiro treinavam em uma cidade litorânea do Brasil)

Treinei Yoshihiro de forma diferenciada nas últimas semanas. A evolução foi significativa, apesar de só ser notada quando ele chega ao seu limite. Quando está cansado e pensando em desistir, ele consegue tirar forças do nada e continuar treinando.

Minha relação com ele melhorou depois que Marin abriu o jogo e ele ficou sabendo de tudo. Apesar de ainda ter minhas dúvidas se ele sente algo por ela, prefiro ignorar isso e treiná-lo sem preocupações, afinal, ele jurou que ia esquecer este assunto.

No Domingo decidi dar uma folga e fomos até a praia. Yoshi logo foi para o mar, enquanto eu fiquei sentado na areia observando e refletindo sobre tudo que avistava por ali.

Chegamos as 07h30min e as 09h00min o lugar começou a encher de gente, e o sol raiava forte.

Perdi Yoshi de vista no meio de tanta gente. Logo, mulheres com biquínis minúsculos caminhavam por ali e eu não conseguia olhar para outra coisa.

Logo uma adolescente, que parecia ser bem diferente das outras, sentou ao meu lado. Tinha os cabelos negros e lisos, bem compridos. E era mais magrinha que as outras ali. Sua pele era bem mais branca, não tão bronzeada. Até parecia que não era daquele lugar.

Ela puxou assunto e disse que realmente não era dali, que estava a fim de conhecer a cidade. Meio sem jeito, respondi que também não morava ali e conhecia pouco, continuamos conversando, até eu sentir uma mão tocar meu ombro.

‘’_Mestre, acho que já podemos ir. ‘’

Era Yoshi, surgiu do nada, nem o vi se aproximar.

‘’_Bem, Jenny, preciso ir. ‘’

‘’_Tão cedo... Mas tudo bem. ‘’ A garota parecia chateada.

‘’_Até mais. ‘’ Estendi a mão para cumprimentá-la formalmente, mas ela se levantou e me deu um beijo no rosto. Enrubesci e retribui, mesmo com vergonha. Não eram comuns estas intimidades na Europa.

Saí então com Yoshi, percebi que o garoto me tirou de lá por eu estar conversando com uma mulher. Será que Marin tinha pedido que me fiscalizasse ou ele fez isso por amizade? De qualquer forma, não acho que eu fosse sair da linha só por a garota ser bonitinha.

Não toquei no assunto e fomos pro hotel descansar, para continuar os treinos no dia seguinte.

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Parte 4 – Intrigas (Shaka e Akash foram treinar na Sibéria)

Não posso mudar a essência deste garoto.

Akash fala o que vem em sua mente e esse é o seu jeito. Aprenderá a se controlar e notar os perigos disso com o tempo, não posso fazer absolutamente nada.

Os treinos têm fortalecido o seu corpo mais que o normal. Treinamos dia e noite, e nas horas vagas ele sempre acaba arranjando algum desentendimento pelas redondezas por asneiras que diz.

Mas não é possível, não posso mudar a essência desse garoto. Só ele poderá.

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Parte 5 – Tentativas (Milo e Asuka foram treinar na África do Sul)

Cada dia me sinto mais feliz ao lado dessa garota. Não poderia existir uma aprendiz melhor.

Asuka está aprimorando seus movimentos, consegui ensiná-la a lutar no meu estilo, além disso, ela está desenvolvendo sua primeira técnica especial, os ferrões. A técnica é semelhante a minha Agulha Escarlate, mas sem as propriedades do escorpião que retiram os sentidos, causam uma hemorragia e matam na décima quinta agulhada.

Na verdade, inicialmente o golpe é semelhante, mas tem outra funcionalidade: Asuka dispara de seu dedo uma rajada de vento que acerta o inimigo e afeta seus órgãos internos do local em que foi atingido. Com um pouco de treino a técnica pode ser aprimorada e é isso que estamos fazendo nesses dois meses que dedicamos somente ao treino.

Depois da viagem a França, a nossa relação mudou um pouquinho. Apaguei da minha mente o episódio de que Asuka me beijou. Aquilo foi estranho. Ela também parece ter esquecido e isso é muito bom, pois focamos somente nos treinamentos e não perdemos tempo com essas besteiras, meu tempo disso já passou, tenho outras prioridades agora.

Depois daquele incidente com Saori, não consigo pensar em outra garota. Ela não me atrai mais que fisicamente, mas aquilo foi bom pra eu esquecer qualquer coisa que poderia ter acontecido com a minha discípula, que devo somente treinar e orientar!

Depois de um exaustivo treinamento durante a tarde, voltamos para a aldeia que estávamos. O vilarejo tinha pouca gente, mas eram bem receptivos com estrangeiros.

‘’_Será que eu já estou no mesmo nível de Júlia? ‘’ Ela me perguntou, enquanto íamos até a nossa morada.

‘’_Não fique se comparando com os outros discípulos. Você é tão forte quanto ela, mas isso não significa nada se não souber lutar direito. ‘’

Asuka ficou quieta.

Resolvi perguntar ‘’_Ou só falou isso por que ela é discípula de Camus? ‘’

‘’_O que tem Camus? ‘’ Asuka ficou desconfiada de repente.

‘’_Nada. Só que ele tem a fama de ser um mestre rígido. ‘’ Logo, chegamos à pequena casa que estávamos ficando.

‘’_Vou tomar um banho. ‘’ Fui até o lado de fora. Aquela casa só tinha um chuveiro na parte externa, perto de uma piscina. Apesar de humildes, aqueles africanos sabiam como combater o calor.

Iria tirar minhas roupas, mas notei algumas mulheres observando ao longe enquanto passavam com algumas sacolas, então decidi ficar ao menos com a roupa de baixo.

Liguei o chuveiro e senti a água tirando as sujeiras do meu corpo. Treinar sem armadura dá nisso.

Fiquei algum tempo ali, e depois me afastei para me secar. Logo, Asuka apareceu.

‘’_Vou tomar um banho de piscina, quer vir também? ‘’

‘’_Não, obrigado. ‘’ Não deixei de reparar no biquíni preto, contrastando com sua pele alva.

‘’_Ah, por quê? Desde que chegamos é só treino e sem diversão! ‘’ Ela mostrou-se indignada com isso. Queria brincar sabendo que viemos apenas para treino? Eu não estava com saco para piscina, queria dormir logo para amanhã treinar novamente.

‘’_Pode ir na piscina, eu sento aqui fora e ficamos conversando então. ‘’ Respondi, colocando uma bermuda preta que tinha ganhado de presente de Marin no último aniversário.

‘’_Ah, que sem graça... ‘’ Asuka tentava mostrar-se chateada. Eu já estava cansado dessas tentativas dela de se divertir comigo. Somos mestre e pupila, até somos amigos, mas esses vínculos mais fortes podem causar problemas se acabarem se tornando aquilo que não devem. De qualquer forma, é só um banho de piscina... Estou começando a analisar tudo friamente como Camus, e isso não ta me fazendo bem.

Dois moradores do vilarejo chegaram e entraram na piscina naquela hora. Pude notar os olhares dos dois para Asuka, que conversava comigo e ainda fora da água. Ela é totalmente diferente das mulheres de lá, esses caras deviam estar muito ‘’curiosos’’ pra não pararem de olhar para minha aprendiz.

‘’_Acho melhor deixar a piscina para amanhã. Aí eu vou com você. ‘’ Peguei uma camisa azul que eu quase nunca usava e vesti, enquanto voltava para dentro de casa.

‘’_Eu to com vontade hoje. Mas tudo bem se não quiser. ‘’ Asuka se rendeu cedo demais. Percebeu que eu não gostei nem um pouco daqueles caras a observando e quer provocar. Sempre os mesmos joguinhos batidos...

Escutei ela pular na água e resolvi ignorar. Ela poderia ficar ali com os caras sem problemas, eu não dou a mínima.

Fui até a sala e liguei a TV. Nada que eu gosto estava passando, então resolvi tirar um cochilo. Nada do sono vir. Olhei para o relógio e não tinham se passado nem três minutos de que eu entrei na casa, ainda estava pensando em Asuka sozinha naquela piscina com aqueles caras. Que ciúme bobo, putz, ela é só minha discípula...

Eu precisava tirar ela de lá, para o meu próprio bem. Fiz um teste rapidamente com cinco perguntas sobre a função dos guerreiros de Athena e fui chamá-la para resolver.

‘’_Asuka, preparei um teste para você solucionar agora. ‘’

‘’_Como? ‘’ Ela se aproximou nadando da borda. Notei que nem estava falando com os caras, eles estavam descansando em outro canto. Mas ainda a observavam, e não disfarçavam os olhares.

‘’_Isso mesmo que você ouviu, garotinha, venha e se seque. ‘’

‘’_Putz, você precisa estragar meu repouso, né? ‘’ Asuka subiu pela borda e foi pegar uma toalha. Observei-a com seu corpo molhado, ela estava magnífica. Ficou bem definida em pouco tempo.

‘’_Não reclame, é bem rápido. ‘’ Tentei parecer que não estava incomodado com a situação.

Absorto em pensamentos sobre a situação, não notei Asuka se aproximar e se lançar sobre mim, me derrubando junto a ela dentro da piscina.

‘’_Ei, O que pensa que fez? Molhou toda a minha roupa, garotinha! ‘’ Gritei, emergindo da água.

‘’_Hahahaha! Você tinha que ver a sua cara, estava muito distraído! Anda pensando demais, assim não vai conseguir me treinar direito! ‘’ Asuka estava bem animada, e realmente, naquele momento percebi que eu estava sendo um chato... Eu não era assim. Eu sou responsável, mas não preciso ser um babaca completo.

‘’_Você venceu, vou ficar na piscina, mas só essa vez! ‘’ Dei um sorriso, Asuka retribuiu, então saltei sobre ela e a puxei para dentro da água, ela se debatia para se soltar. Brincava como uma criança. Percebi que estávamos precisando mesmo daquilo.

Depois de meia hora na piscina, decidimos sair. Peguei minhas roupas molhadas e coloquei para secar. Asuka tomou um banho no chuveiro ali de fora, enquanto conversava comigo, que estava sentado na borda da piscina, observando aqueles dois homens, que não paravam de comê-la com os olhos.

Entramos e fomos enfim, descansar, para no dia seguinte voltar ao treino pesado.

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Parte 6 – Cristais (Camus e Júlia foram treinar em uma parte da China)

Finalmente comecei a despertar as habilidades e dar uma característica final ao estilo de luta desta menina.

Ela chegou para mim há algum tempo, discípula de Afrodite, já desenvolvia um estilo de luta ágil e furtivo, que aproveitei para combinar com uma poderosa técnica de ataque que ensinei.

Júlia tinha potencial para aquilo: Conseguia conjurar Cristais com o seu cosmo na forma de diversos objetos, como espadas, machados e outros utensílios de combate. Ainda demandava muito cosmo e ela precisava se concentrar, mas com o tempo estaria mais adapta e só bastaria a prática para aperfeiçoar-se.

Apesar disso, Júlia parecia mais triste longe do santuário. Não gosto de entrar nestes assuntos, mesmo que com discípulos, mas era fato que ela estava sentindo falta de algo. Resolvi não interferir, somente no caso de isso dificultar nossos treinamentos ao longo destas semanas.

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Parte 7 – O Nascimento de um guerreiro (Saga e Nick foram treinar no Caribe)

Sentado em uma rocha, ao lado de uma fogueira, fitei o guerreiro potencializar o seu cosmo e socar diversas rochas, as destruindo por completo.

Finalmente, seu poder adormecido despertava.

‘’_Já está bom por hoje, Nick, venha descansar. ‘’

‘’_Não, eu posso ser mais do que isso! ‘’ Nick saltou e com seu punho lançou uma poderosa rajada de vento que destruiu diversas rochas ao redor! ‘’_Haaa! ‘’ Com o seu cosmo latente, fazia a areia voar ao seu redor.

‘’_Não demore muito, precisa repousar o suficiente para amanhã! ‘’

Esse garoto é um gênio. Duvido que outro cavaleiro de ouro conseguiria liberar todo o potencial dele como eu estou fazendo, isso é incrível!

Foi difícil para mim saber o que tinha levado um garoto como Nick para o santuário. Quando eu o observava nos treinos de Marin, não passava de um menino deslocado, subjugado facilmente pelos outros, sem aptidão alguma.

Seu corpo era magro e não parecia ter a mínima capacidade de superação, iria ficar eternamente naquilo se eu não interviesse. Por sorte, Nick mostrou-se receptivo apesar de sua timidez.

Aos poucos inspirei confiança no menino e ele me contou o motivo de estar no santuário. Nick só tem 15 anos e tudo ocorreu recentemente: Ele estudava em um dos melhores colégios de uma região da Espanha e estava prestes a conseguir uma bolsa de estudos, era considerado um gênio pelos seus colegas, professores e familiares, mas não conseguia se expressar muito bem, sentia-se pressionado, o que agravava sua timidez.

O problema foi que alguns meses atrás, um castelo surgiu no meio da área da sua escola, destruindo todas as casas ao redor, inclusive a sua. Tudo foi perdido, a maioria dos habitantes morreu na hora, mas Nick, seu pai e sua mãe sobreviveram e conseguiram escapar. Desolado pela perda de seu futuro e seus estudos, Nick, que havia escutado dos soldados misteriosos que surgiram sobre a existência de um ‘’santuário’’, decidiu fugir e procurar o local. O Grande Mestre Aioros percebeu seu cosmo oculto e o guiou até nosso recinto, quando começou a ser treinado por Marin há alguns meses.

Nick também me contou que o tal castelo e os soldados que devastaram tudo usam um tipo de magia que encobre a existência deles e mostra uma ilusão de que tudo está no seu devido lugar, para quem vê de longe. E quem tenta se aproximar acaba sendo atacado e morto.

Ele até poderia ter pedido para o santuário intervir desde o início, mas não era isso que queria. Depois de muito tempo tentando, consegui arrancar dele a verdade: Deseja destruir estes inimigos com suas próprias mãos para se vingar.

Expliquei para ele que seria difícil ele poder enfrentá-los tão logo sem um treino consistente, mas poderia colaborar conosco na missão. Desconfiei que o inimigo pudesse ser do mesmo estilo dos últimos, soberanos que desejam destruir o santuário. O castelo indicava isso.

Desde então, temos treinado duramente esses dois meses e eu tenho liberado o cosmo grandioso deste garoto, que, aos poucos, muda o seu jeito de ver o mundo na medida em que cresce o seu desejo de fazer justiça.

Notas finais
E aí, o que acharam? Sobre o nível de força de cada aspirante no fim desses dois meses de treino, vou tentar resumir: Kiki: Já é treinado há bastante tempo e tem muitas habilidades, com esse treino hardcore chegou a superar um cavaleiro de bronze comum. Kron: Já era poderoso desde o início, tanto que, mesmo pelas costas, desmaiou Marin já nos primeiros capítulos com um golpe. Tem o nível superior a de um cavaleiro de bronze comum e sabe lutar de forma violenta. Nick: Está liberando seus poderes ocultos, não duvide se ele mostrar um nível maior que o normal para os aspirantes. Yoshi:Ainda está abaixo de um cavaleiro de bronze, mas sua força de vontade pode levar o seu poder a superar seus limites. Além disso, sua técnica de luta é agressiva e não costuma deixar nenhum inimigo escapar facilmente. Akash: Luta de forma esperta. É ágil e forte ao mesmo tempo, seu nível de poder é baseado no aumento de sua energia que se transfere para o corpo, aumentando cada vez mais sua força, portanto é variável, podendo atingir a força de um cavaleiro de bronze quando está revigorado mas de um mero soldado quando está cansado. Asuka: Ela luta com um estilo mais rápido e acrobático. Abusa dos saltos para esquivar e ataque apenas quando acha uma brecha. Apesar disso, também tem habilidades de luta corpo a corpo. Seu poder está quase no nível de um cavaleiro de bronze comum. Júlia: Seu estilo é mais traiçoeiro na batalha, não hesita em jogar sujo, e sempre consegue sair do campo de visão do adversário. Além disso, pode conjurar cristais que o ajudam na batalha. Seu nível de poder está quase no patamar de um cavaleiro de bronze. *Esse capítulo foi diferente (somente esse), eu estava meio sem ideias, nem iria mostrar o que ocorreu de mais importante nesses dois meses, mas o pessoal achou que seria legal ver o que os cavaleiros e seus discípulos fizeram nos treinos, então coloquei essas cenas. Algumas não fazem muita diferença como a de Shaka e Aiolia com seus discípulos (não tinha muito que acrescentar aqui, eles vão mostrar mais quando chegarem ao santuário), já a parte do Mu foi bem legal escrever, Milo e Camus com suas discípulas foi só como um complemento. E a parte de Saga e Nick que deve ser o foco principal, já que conta o passado recente do garoto. Comentem o que acharam do capítulo e no próximo podem saber que voltamos ao santuário e as tramas começam a pegar fogo! Deixem reviews no capítulo anterior também quem não deixou, me motiva a postar mais rápido, agora tenho tempo de sobra. Beijos :*