Gold Eyes

23 Capítulo 23


Minene estava errada sobre os outros sobreviventes que haviam se escondido na rua da minha casa. No começo, eles eram uma ameaça sim, no entanto, o que aquelas pessoas ainda não sabiam era que precisavam juntar forças com cada vez mais gente, isso se quisessem sobreviver mesmo nesse mundo após o Fim. Enquanto seguíamos o carro do homem vestido de preto, Kobashi nos disse que ele foi "recrutado" por esse sujeito, cujo nome era Gilbert, quando ele o ajudou naquele dia em que Kobashi lutava contra os zumbis. E, desde então, os dois resgataram os outros moradores e todos vieram para cá, para ajudarem nessa grande e importante batalha que seria travada com os mortos-vivos.

"Esperemos que esse barulho atraia mais pessoas", Gilbert disse a mim, logo que levou eu e meus amigos para a segurança do Convento, "E mais zumbis também. Precisamos acabar com quantos deles nós pudermos". Agora, seríamos soldados ali dentro, descansando e se preparando para o próximo ataque aos mortos-vivos. Não sei se foi a melhor opção aceitar fazer parte daquele mundo que ainda teríamos que aprender todas as suas regras e leis, mas estávamos à salvo ali, juntos, e acima de tudo, vivos. Não tiraram nossa liberdade quando entramos no Convento, pois foram os próprios zumbis aqueles que a tiraram de nós. Vagar sem rumo era suicídio; ser um soldado naquele lugar que nos acolheu era aprendizado.

Quando o sol nasceu após o caos, eu me encontrava sozinho na sacada do quarto que eu agora podia chamar de meu. Depois de um bom e demorado banho, eu olhava através da janela os corpos dos zumbis espalhados pelo chão. Se eu olhasse atentamente ao longe, eu podia ver, pouco a pouco, mais deles se arrastando até o Convento. Deixando minha toalha pendurada por sobre os ombros, deixei que a água que escorria de meus cabelos inundassem aquele tecido macio, de uma brancura que eu jamais imaginei encontrar mais uma vez.

Assim que bateram na minha porta, quando o primeiro raio de sol alcançou o interior de meu quarto, me convocaram para o café-da-manhã e em seguida para a a aula de tiros. Coloquei meu colete à prova de balas, presente de Gilbert, e segui Kobashi e Scorpio. Minene, Nagisa e Yuri já estavam no grande pátio quando nos encontramos com elas. Foi maravilhoso ver o sorriso de paz em suas faces quando me sentei perto delas.

Senti o cheiro do pão quente, das frutas frescas dispostas na mesa. É, realmente eu havia me enganado sobre aquele lugar, ou melhor, sobre os próprios humanos que ali se refugiaram — eles conseguiram criar, sim, um lugar seguro que podiam chamar de lar. Não era nenhuma utopia. Olhei para as outras pessoas sentadas ao redor de mim e abri um sorriso verdadeiro a cada uma delas. Ainda havia muito a se fazer, muitos zumbis a serem aniquilados ainda, mas todos ali estavam naquele lugar justamente por saberem que erámos mais fortes juntos, que apenas unidos tínhamos força o suficiente para transformar o Fim num novo Começo, no Nosso começo.

Gilbert apareceu para cumprimentar a todos nós, os novatos, e sentou-se tranquilamente ao meu lado. Lentamente, ele tirou as lentes escuras que cobriam seus olhos e me encarou. Era a primeira vez que eu o via sem óculos, seus olhos tinham uma estranha cor de âmbar, tão rara que eu achava estar estinta por entre os humanos que sobreviveram.

–Está um belo dia, não, meu caro Shiro? — ele me perguntou, servindo-se de uma fatia generosa de pão com geleia.

Sorri a Gilbert, olhando para o céu brilhante e claro acima de nós. Nenhum resquício da chuva e da escuridão de ontem jazia mais naquela imensidão azul sem nuvem alguma.

–Tem razão — me servi de um pedaço de fruta, me deliciando com o aroma que chegava rapidamente até mim — Hoje vai ser mesmo um belo dia.

FIM.

Notas finais
Fim digno de uma continuação, não?!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!