Gold Eyes
15 Capítulo 15
Naquela noite, depois de quase dois meses depois que se instalou o Fim, comemos macarrão instantâneo com frango pela primeira vez. O gosto do tempero e da proteína da carne pareceu nos dar força novamente. Estávamos tão felizes com a chegada de Scorpio e a tomada de minha casa de volta que, por um momento de pura euforia, nos esquecemos dos zumbis, nos esquecemos de Minene. Era como se o mundo tivesse se resumido a nós: cinco aventureiros descansando à luz de velas, num jantar quente que eles achavam que não experimentariam nunca mais.
Quando já era noite demais para que qualquer atividade fosse permitida, me esgueirei para o meu quarto, resgatei ansioso minha preciosa espada e arrastei meu colchão escada abaixo. Tínhamos decidido dormir todos no mesmo lugar, e como a sala era o maior e mais aconchegante cômodo da casa, escolhemos passar a noite ali, nos permitindo — ou melhor, nos esquecendo — até mesmo de colocar alguém de vigia naquele dia.
Não sei quanto aos outros, mas bastando que eu ouvisse a respiração de cada um deles, consegui pegar no sono naquela noite e dormi como uma pedra, sem sonho ou pesadelo algum. Só fui acordado horas depois, por uma respiração ofegante que, quando abri os olhos, tudo o que eu via, assustado e imóvel, era uma faca a me prender a garganta.
–Minene... — consegui sussurrar assim que descobri quem é, mas percebendo que a garota escondida nas sombras diante de mim parecia não me reconhecer.
–Shh — ela diz baixinho, apertando a faca ainda mais sob meu pescoço — Venha comigo.
E então, sem fazer barulho para que os outros dormindo ao redor de mim não acordassem, caminhamos escada acima, eu ainda assustado e sem compreender quem era aquela Minene diante de mim.
Chegamos até meu quarto, a janela aberta lançando a luz da lua cômodo adentro.
Sentamo-nos no chão, a faca afiada na mão da garota voltando a alçancar meu pescoço.
–Você sabe que sangue atrai mais deles, não? — falei, tentando encontrar minha amiga naquela figura estranha ao lado de mim.
–Quieto — ela intensificou o aperto, olhando subitamente preocupada para algo além da janela.
Fiquei quieto, incapaz de conseguir me imaginar machucando aquela garota.
–Droga — de repente, Minene murmurou, pegando um objeto distinto próximo ao meu guarda-roupa e seguindo sorrateira até a janela.
Vi ela olhar para o lado de fora, seu corpo logo em seguida se posicionando para o ataque. Só reconheci o objeto que ela tinha em mãos quando ela o ergueu à luz da lua.
–Um arco e flecha... — falei, olhando admirado para minha amiga.
Minene, não parecendo me escutar mais, levou uma das flechas ao arco e o dispara pela janela.
–Vocês deviam ter deixado alguém de vigia. O barulho que fizeram vai atrair ainda mais deles.
–Então você escutou a bomba? — perguntei.
A garota riu, pela primeira vez se permitindo sair da casca rude que havia criado ao redor de si.
–Quem não ouviu o barulho, Shiro? Vocês vão ser procurados pelos grupos maiores e mais fortes em breve. Eles vão querer arrancar cada arma das mãos de vocês — se virando para mim, os olhos de Minene pareciam escuros como as trevas. — Vocês precisam sair daqui, antes que eles venham caçar cada um de vocês.
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