Gold Eyes

1 Capítulo 1


A realidade é como a chuva que cai

Acumulando-se como destroços,

Para onde irão minhas emoções?

Atendo-me a uma esperança destruída,

Coloquei a chuva vermelha de lado ao fugir em transe

Ao final dessas emoções destruídas,

O que vejo? O que existe? Ainda não sei.

Todas as efêmeras canções

Continuam se desdobrando silenciosamente em frente a meus olhos.


–Shiro, Shiro — vagamente, alguém chamava por mim dentro da escuridão.


Olhei para baixo, camuflado pelas folhas da árvore da qual eu estava, só consegui ver um pequeno corpo humano esperando por mim.

Quase sem fazer barulho algum, coloco meu rifle por sobre o ombro e desço com cuidado da árvore. Olho para os lados mais uma vez antes de encarar aquela que estava a minha frente.

–Vim te substituir — Nagisa disse, seus olhos se encontrando diretos com os meus.

–Eu estou bem — falei, acenando com a cabeça — Pode ir dormir.

–Você que precisa ir dormir, Shiro — ela disse, colocando as mãos sobre meus ombros e os apertando levemente — Você está exausto.

Eu abri a boca para contradizê-la, no entanto, alguma coisa por trás das lentes de seu óculos, de seus olhos e toda sua expressão facial, que tornaram-se rígidos e solitários desde que o Fim começou, impediu minhas palavras de saírem. Ela sabia o porquê de eu não gostar de dormir, mesmo assim, jamais me permitia ficar de vigia por tempo demais. Ela dizia que aquilo não me fazia bem.

–Não queremos perder você. Vá dormir, por favor.

E foram esses seus dizeres — ou o modo pelo qual ele foi dito?! — que me calaram a boca. Contra Nagisa, eu sabia que meus argumentos não tinham validez nenhuma.

Esfregando os olhos e encarando brevemente o céu ainda escuro, observei Nagisa escalar a árvore e tomar posse de seu posto antes de eu voltar caminhando em silêncio até o acampamento.

Não havia ninguém acordado. Nenhum dos meus amigos (aqueles que sobreviveram) permaneciam acordados como eu em mais uma noite fria dentro da floresta como aquela.

Adentrando minha barraca, que agora eu não dividia com mais ninguém, me esgueirei para dentro do saco de dormir e tentei fechar os olhos. Mas mesmo que eu me esforçasse, eles não se fechavam jamais. E era justamente por saber o motivo que eu não me permitia simplesmente cerrá-los assim...

Por mais que aquelas lembranças corroessem minha mente, eu não lembro direito daquele dia. Eu apenas dormi, como se estivesse morto...

Notas finais
Zumbis... muito clich esse tema?!
Aguardo comentrios de vocs.