Gold Eyes
9 Capítulo 9
-Não podemos fazer isso — séria, Nagisa foi a primeira a ficar contra a ideia — Não podemos deixar ninguém para trás.
Se jogando contra a porta quando o primeiro zumbi tentou abri-la, Kobashi encarou a garota.
-Dê uma ideia melhor — sua voz saiu firme, perigosa — E depressa, porque como pode ver, estamos ficando sem tempo.
Vi uma faísca de ódio sair dos olhos de Nagisa, mas quando tentei me aproximar para acalmar os dois, Yuri foi quem nos salvou.
-Eu tenho esse bastão de alumínio aqui — ela disse, tirando dois pedaços de metal de sua mochila e os unindo rapidamente — Acho que isso segura a porta.
Então, enquanto a porta e as costas de Kobashi eram socadas pelos zumbis, Yuri, incrivelmente calma e confiante, colocou o metal entre a porta e a parede e o encaixou até encontrar a posição ideal.
-Sou uma gênia, podem falar — ela sorriu, um "V" de vitória se formando em seus finos dedos antes dela subir o primeiro degrau.
Ainda receoso, Kobashi demorou alguns instantes antes de se afastar completamente da porta. Quando percebeu que aquilo poderia mesmo funcionar, ele se juntou a nós e todos corremos escada acima.
Dentro de um vídeo-game eu achei estar. Subindo as escadas antigas de pedra, o que não te contam é o cheiro de podridão no ar, o sentimento de desamparo que toma conta de você assim que a luz começa a se afastar cada vez mais. Podíamos estar indo na direção dos céus, mas porque só havia escuridão por toda a parte? Alguma coisa tinha se perdido na lógica após o Fim...
-Vocês estão escutando esses gritos? — Yuri murmurou, numa voz repleta de pena e solidão.
-Sim... — respondi, a cada passo que dávamos, escutávamos cada vez mais o caos que unia aqueles presos dentro da igreja.
-Se eles soubessem fazer silêncio e distrair os zumbis, talvez conseguissem fugir — Nagisa argumentou, sem paciência.
-Ou talvez eles gritam exatamente por não terem para onde ir — retruquei, percebendo apenas nesse momento que podia ser justamente isso.
Ficamos em silêncio, o som da nossa respiração em conjunto e de nossos passos dançando nas escadas nos tornou fantasmas barulhentos por um raro instante.
Quando vimos a silhueta dos sinos no alto da torre, o brilho forte do sol reluzindo no metal dourado dali, por um momento não passamos de cegos.
Na eternidade que pareceu levar até nossos olhos se acostumarem com aquele brilho, ficamos todos, juntos e imóveis, no último degrau esperando que Scorpio desse as caras em nossa frente. Mas pouco a pouco abrimos os olhos, além do silêncio, nada mais parecia haver ali.
-Scorpio? — tentei, esperançoso.
Aguardamos. Porém não houve nenhuma resposta.
Nos espalhamos naquele ínfimo espaço e, enquanto todos olhavam para além das janelas, eu me dirigi para o centro da torre, e olhei para o pequeno espaço aberto abaixo dos sinos. Foi ali, iluminado pelos raios de sol no alto daquela majestosa Catedral, que eu tive uma das surpresas mais assombrosas de toda a minha vida.
O centro da estrela... Então era ali.
Eu o havia encontrado.
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