Gold Eyes
18 Capítulo 18
Era incrível o quanto estávamos ficando rápidos para tomar nossas decisões e escolhas, mas estava sendo também cada vez mais preocupante a capacidade e a agilidade com que os zumbis detectavam nossa presença. Nesse ritmo, tive medo de pensar no que mais eles ainda podiam nos surpreender.
-Vou para o andar de cima — Nagisa disse, antes de ser seguida por Minene — Esperem a gente aqui sem fazer barulho, por favor.
E, então, nossas melhores caçadoras com armas de longa distância seguiram corajosas para o outro andar. Nós, enquanto isso, terminamos de fechar nossas mochilas, demos uma última mordiscada na carne que havíamos preparado e guardado na noite anterior, e esperamos. Em silêncio, podíamos ouvir as flechas de Minene e as ádagas de Nagisa a acertarem os zumbis. Deixando nossas armas em mãos, só aguardávamos pelo sinal delas.
Depois de quase 15 minutos de espera, o barulho dos socos no portão pareceu parar e, poucos instantes depois, as duas desceram correndo as escadas para se juntarem a nós.
-Vamos — Nagisa disse, apertando sua mochila nas costas e seguindo para a garagem da minha casa.
Alcançando Nagisa, esperei todos os outros estarem ao redor de nós para que eu enfim pudesse abrir o portão. Yuri e Kobashi tomando a frente de grupo, ambos esperaram pelo meu sinal assim que abri a porta.
-Não tem nenhum zumbi ainda — Kobashi murmurou, abrindo o porta-malas do Amarok.
Atravessando os corpos dos zumbis caídos no chão, jogamos nossas mochilas ali dentro e, um a um, entramos no veículo.
-Acho que não vai caber todo mundo -Yuri disse, pulando para o colo de Nagisa, enquanto mantinha preocupada os olhos no movimento da rua.
Quando fechamos o porta-malas e faltavam apenas eu, Scorpio e Kobashi para entrarmos no carro, fomos detectados mais uma vez. Mas o detalhe é que não havia apenas um ou dois zumbis a virarem a rua e seguirem em nossa direção, e sim dezenas deles estavam ali.
-Droga! — Scorpio gritou, puxando-me pelas costas da camisa para entrar no carro.
Estando eu e ele no banco da frente, só faltava Kobashi a se dirigir para o volante.
Aproximei-me da janela, abaixando depressa o vidro. Kobashi acertou o primeiro dos zumbis, sua cabeça sendo fatiada ao meio com a espada dele.
-Kobashi! — exclamei — Vem logo!
Mas meu amigo apenas deu alguns passos para frente, gritando pelos zumbis para atrair a atenção deles. Acertando mais dois mortos-vivos, ele olhou para trás, um sorriso indecifrável lhe preencheu os lábios. Só entendi o que aquele sorriso significava quando ele olhou diretamente para mim e me jogou as chaves do carro.
Estiquei as mãos para fora da janela, o objeto caindo certeiro entre elas.
-Vão, eu vou ficar aqui e distrair eles!
-Não vamos sem você — falei, não me permitindo aceitar a ideia de deixá-lo ali.
Kobashi acertou outros três zumbis, dando um passo para trás e nos olhando uma última vez.
-Vão, porra! — ele gritou, sua voz ficando autoritária subitamente.
Scorpio, tomando as chaves de minha mão, ligou o Amarok e me sacudiu pelo ombro.
-Pisa fundo, Shiro!
Olhei uma última vez para Kobashi, que agora sorria para nós. Pisando fundo na embreagem, engatei a ré e mudei para o acelerador. Tínhamos todos os olhares e sentidos fixos na a multidão de zumbis atraídos por Kobashi enquanto nos afastávamos dali cada vez mais.
Nosso amigo havia feito a escolha dele. Por nós, Kobashi havia mesmo ficado para trás.
-Nós voltaremos para te buscar — sussurrei, selando ali uma promessa para mim mesmo.
Fale com o autor