- Cecília... Acorda... – Sussurrou Rafael no ouvido da irmã, balançando seu ombro suavemente.

- O que foi...? – balbuciou a menina, sem abrir os olhos.

- Acorda logo, vem ver uma coisa aqui no computador – pediu o menino, falando baixinho no ouvido da garota. Sem receber resposta, continuou. – Vamos! Abre os olhos! – ele disse, um pouco mais alto dessa vez.

A menina abriu os olhos devagar, fazendo repentinamente uma careta, incomodada com a claridade do quarto.

- Apaga essa luz!... – ela reclamou, quase caindo no sono novamente.

- Então tá, você não precisava saber mesmo que eles tão vindo pra cá próximo mês... – Rafael falou indiferente, levantando-se da cama.

- Eles quem? – a menina perguntou de repente, sem entender a quem o irmão se referia.

- Eles quem?! Como eles quem?! Eu deveria saber que aquilo tudo não passava de uma paixãozinha de adolescente mimada.

- Você tá falando de McFLY?! Oh meu Deus! Você deve estar brincando, né?! – Cecília exclamou, agora completamente acordada.

- Essa sim é minha irmãzinha... – ele falou sorrindo. – Não estou mentindo... Eles vêm! Acabou de ser confirmado! Por isso que eu estava pedindo pra você vir olhar o computador... Queria que você visse com...

- SÉRIO?! – Cecília saltou da cama, interrompendo o irmão. – Ah, não, você tá tirando onda com a minha cara! ELES VÃO VIR PRA CÁ! – Gritou a menina, pulando em cima do garoto, fazendo com que os dois caíssem no chão.

- Você tá bem? – ele perguntou assim que escutou os soluços da irmã e sentiu o ombro molhar.

- Eu só tô... Feliz! – disse Cecília, levantando a cabeça para fitar os olhos de preocupação do garoto. Ele riu quando uma lágrima dela caiu em seu rosto e puxou-a novamente para ele, acariciando seus cabelos. – Aff, parece que eu não dormi nem uma hora...

- Você dormiu durante quarenta e cinco minutos. – falou Rafael, com um sorrisinho torto no rosto.

- Que horas são?! – Perguntou a menina assustada, esticando-se para pegar o despertador na sua cômoda, em frente à cama. – Ah, não acredito... Meia noite agora. Você não podia ter esperado eu dormir umas oito horas, não? Foi o que a psicóloga aconselhou.

- Você ia mesmo querer esperar para saber? – o garoto indagou, tirando-a em cima dele e levantando-se.

- É... Pensando por esse lado... – ela disse, fazendo uma cara de pensativa enquanto sentava-se na beira da cama, e enxugava as lágrimas que ainda restavam em seu rosto.

Rafael saiu do quarto e voltou poucos minutos depois, com as mãos para trás, escondendo algo da menina, que pareceu não perceber. Ele parou de frente a ela e se ajoelhou — ficando quase da mesma altura da garota -, esperando que a irmã olhasse em seus chamativos olhos azuis, que tantas vezes ela comparara aos de Danny — guitarrista/vocalista de McFLY.

- Que foi? Por que você tá me olhando assim? – ela perguntou, desconfiada.

- Sabe que dia é hoje?

- Hum... – a garota parou para pensar, e depois seus olhos castanhos iluminaram-se, e um sorriso enorme apareceu em seu rosto. – Claro! Meu aniversário!

- Você quer dizer: o dia em que a menina mais chata e irritante veio ao mundo... – ele falou, balançando negativamente a cabeça.

- Ah! Fala sério! – ela exclamou, dando um tapa em seu ombro.

- Bem, isso não vem ao caso. – e estendeu a mão que trazia um pacote lacrado.

- Ai que fofo! Obrigada! – ela agradeceu, arrancando o pacote da mão do garoto e em seguida sorriu, dando-lhe um beijo rápido na bochecha. Depois se ocupou em abrir o presente. A menina tentou retirar o papel envoltório delicadamente, mas esse insistia em não sair.

- Rasga logo. – sugeriu o irmão, enquanto observava o esforço da garota em abrir o pacote.

Cecília seguiu a recomendação e rasgou, entusiasmada, o papel de presente, não acreditando no que viu a seguir. Uma caixa preta, com letras em roxo indicava que ela segurava aquilo com o qual mais havia sonhado nas últimas semanas.

- Oh meu Deus, Rafa! Obrigada! Você sabe o quanto eu queria esse DVD! – ela exclamou, com seus olhos enchendo-se de lágrimas novamente, enquanto admirava o DVD de McFLY – Live at Wembley em suas mãos, que segurava como se fosse algo importante demais para ficar longe de sua proteção.

- Não vai chorar de novo, hein? – ele pediu rindo. — Veja o making-off depois. Vale a pena, é engraçado. – ele concluiu, levantando-se e se dirigindo a porta.

- Ei, espera... – disse Cecília quase que impulsivamente. – Fica, eu quero assistir com você.

- Você não precisava das suas oito horas de sono? Recomendadas pela sua psicóloga? – ele indagou, sorrindo debochadamente.

A garota fez uma careta, mas depois falou sorrindo:

- Deixa o sono pra depois... Agora eu preciso ver “Live at Wembley”! – ela exclamou com os olhos brilhando.

Ele logo se jogou na cama; estava tão ansioso quanto a irmã para ver aquele show.

A menina colocou o DVD e, depois de pegar algumas almofadas que estavam espalhadas pelo chão, foi se acomodar ao lado do garoto, que havia se sentado com as costas apoiadas na parede. Ele passou o braço sobre o ombro dela e sussurrou em seu ouvido um ‘parabéns’, logo em seguida deu um beijo na sua testa, fazendo a menina sorrir; exatamente nessa hora, começou a tocar ‘One for the radio’.

Rafael olhou a irmã com um sorriso triste, enquanto a via cantar e gritar como se estivesse no show. Virou a cabeça para olhar pela janela e decidiu que deixaria as notícias tristes para depois.

Notas finais
Preview do próx. cap.: "- Acontece que daqui a três semanas começa a turnê de McFLY pelo Brasil... O show que você esperou tanto tempo para ver... – falou a amiga. – E aí? Você vai visitar seu irmão ou vai preferir acompanhar a turnê de McFLY?"

Esse é só o começo... Espero que gostem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.