Going Down

34 33 - Déjà vú.


Notas iniciais
Aeeeeeeeeee, essa até que foi rápida né gente? u.u Espero que gostem (:

Déjà vú.

Essa a palavra que ecoava dentro da cabeça de Rose enquanto entrava cada vez mais fundo dentro da delegacia. Ela tinha sido levada para uma daquelas na noite em que Jesse fora assassinada. Policiais silenciosos a colocaram em uma sala e a deixaram sentada lá, ainda completamente em choque, por horas até que um detetive viesse e conversasse com ela.

É claro que dessa vez a recepção tinha sido bem mais amigável. Todos pareciam estar a ponto de se curvar enquanto Dimitri atravessava os corredores, a cabeça erguida e sua mão bem agarrada a dela, lançando sorrisos e cumprimentos a maior parte das pessoas. Era como ser a maldita primeira-dama.

Mas o humor daquela situação não estragava a sensação de abelhas em seu estomago que estar em uma delegacia lhe causava. Elas eram todas iguais e a cada passo Rose sentia que alguém iria lhe tirar dos braços de Dimitri a força e a colocar dentro de uma sala fria de novo. E estava mais do que preparada para lutar com unhas e dentes com qualquer um que chegasse perto demais.

O corredor em que estavam desembocava em um tipo de salão com múltiplas portas. Havia um banco de madeira junto a parede e absolutamente nenhuma decoração, o que fazia o lugar parecer um pouco mais assustador do que deveria. Pequenas placas estavam pregadas contra as portas, indicando uma sala de interrogatório, alguns escritórios e um corredor não identificado. Ela suspeitava que aquele corredor terminaria nas celas, mas antes que pudesse perguntar reconheceu o cabelo loiro brilhante da garota sentada no banco de madeira.

Lissa se levantou trazendo Christian junto dela. Seu rosto parecia tenso, mesmo mascarado sob o sorriso inocente. Um homem surgiu de trás de uma das portas e os alcançou antes que o casal pudesse fazê-lo. Seus olhos atentos percorreram toda a figura de Rose antes dele se virar para Dimitri. Ela ergueu uma das sobrancelhas sem nem ao menos tentar esconder o ultraje.

–Detetive Belikov. Estamos prontos para o interrogatório. –Dimitri assentiu educadamente e o homem se retirou em silencio. Rose queria socar a cara dele. Odiava quando homens agiam como se ela não fosse importante, ou burra demais para entender o que acontecia ao seu redor, e infelizmente isso tinha acontecido com certa frequência em seu passado.

Homens não se importam com o que as prostitutas escutam. E tinha sido assim que ela aprendera a ser tão manipuladora quanto podia ser. Raramente usava esse “talento” já que a maior parte de seus clientes lhe dava tudo o que ela pudesse querer em troca de uma simples punheta, ou que ela deixasse que tocassem seus seios, mas ela era boa em conseguir o que queria, não importando os métodos que tinha de usar para isso.

E naquele momento ela estava pensando em quais seriam as probabilidades de que Dimitri a deixasse enfiar seu salto no meio da testa daquele desconhecido. Com ele não haviam jogos então a coisa era bem mais fácil, e ao mesmo tempo extremamente difícil. Ela perguntava, ele respondia. Se a resposta fosse sim Rose fazia o que queria e todos seguiam em frente. Se fosse um não... Ela tinha suas formas de controlar seu marido também mas na maior parte das vezes não tinha um resultado positivo. Ele era inteligente demais para isso.

–Você quer bater nele não é? –A voz do russo desceu por sua pele em uma caricia divertida. Ela se virou para ele com uma das sobrancelhas erguidas e os braços cruzados ao redor do peito. Dimitri sorriu e olhou descaradamente para o decote simples de sua camiseta fazendo-a revirar os olhos. Ele era impossível quando queria ser.

–Engraçado como você consegue ler minha mente mesmo olhando para os meus peitos. –Ele ergueu os olhos para encarar o rosto dela.

–Não preciso olhar dentro dos seus olhos para saber exatamente o que se passa dentro dessa cabecinha. Te conheço Roza, melhor do que você mesma talvez. E é por isso que tomei a liberdade de chamar Lissa, achei que fosse precisar de algum apoio. –Rose revirou os olhos e bufou.

–Já disse que estou perfeitamente bem com isso.

–Agora. Você insistiu que queria assistir o interrogatório e não vou te impedir, é a sua escolha. Mas lá dentro as coisas vão ser diferentes. Eu não vou medir esforços para conseguir o nome de quem quer que tenha encoberto a morte dele e te encontrado, e não sei que tipo de coisa ele vai dizer. Então não posso prever como você vai reagir e infelizmente também não vou poder estar lá ao seu lado. Lissa é sua melhor amiga, vai te fazer bem. –A morena apoiou ambas as mãos contra o peito dele, sentindo a forma como seu coração batia sobre sua mão. Ela esfregou as pontas dos dedos contra o tecido e respirou fundo.

–Você está certo. Eu tento mas... Ainda é difícil não pensar nele como o meu amigo de infância. –Dimitri segurou o rosto dela em suas mãos. Exatamente como ele costumava fazer sempre que ela parecia realmente chateada. Ela descansou a cabeça, apoiando a bochecha contra a palma da mão dele e lhe lançando um olhar necessitado. Linda como uma boneca.

–Ninguém diz o quanto nossas vidas vão ser complicadas. Mas vai passar. Sempre passa. E quando isso tudo acabar vamos aproveitar ao máximo aquilo que nos resta. –Rose sorriu e beijou a mão dele.

–Obrigada pela lição zen camarada, agora posso cochilar perfeitamente durante o interrogatório. –Ele lhe deu um beijo casto na bochecha e se afastou.

–Tenho que ir.

–Tudo bem, vá fazer suas coisas de detetive fodão. –Dimitri riu mais uma vez. Era quase impossível se afastar dela, principalmente quando sua mania de ironia atacava e ela começava a lançar tiradas que o faziam rir por horas. Ele deu mais uma olhada para o rosto de sua esposa, tentando guardar a forma como seus longos cílios faziam sobra sobre a maçã do rosto, ou os lábios vermelhos das próprias mordidas.

Mason era aquele que estava sendo interrogado, mas a tortura era dele.

Ainda não conseguia entender como tinha vivido tantos anos sem sua pequena deusa do sexo quando agora mal podia se afastar dela por alguns minutos. Ele se lembrava de todas as vezes em que tinha pensado no quanto aquela mulher iria destruí-lo. E estava completamente certo. Rose era sua fraqueza e estava acabando com todo o homem que ele costumava ser. Um pouco a cada dia, o detetive calculista que ele era tinha desaparecido, deixando apenas um homem sedento pelo amor dela.

Ele não tinha certeza se podia entrar naquela sala e fazer o que tinha de fazer. Não queria magoa-la, dizer ou fazer a coisa errada e acabar perdendo uma das poucas coisas que ainda importava em sua vida. Rose via a luta interna dentro de seus olhos. Como uma tempestade em alto mar. Ela sorriu e passou a mão pelo cabelo dele, colocando os fios soltos para trás.

–Amo você camarada. Agora vá até lá e salve a sua princesa porque ela está realmente ficando ansiosa e impaciente para aquelas aulas de tiro que você prometeu. –Ele beijou uma de suas mãos antes de desaparecer dentro da sala onde o homem — a quem ela tinha carinhosamente apelidado de “babaca ignorante de merda” – tinha entrado antes.

–Está tudo bem? –A voz feminina veio acompanhada por uma mão delicada contra o ombro de Rose. Ela colocou um sorriso em seu rosto e se virou para Lissa.

–Comigo ou com ele? –Lissa passou um dos braços ao redor de sua cintura e apoiou a mão contra a bolsa que trazia no ombro esquerdo.

–Com você é claro. Dimitri é feito de aço, pode aguentar qualquer coisa. Mas ele me disse que você quase perdeu o controle ontem a noite.

–Ele é um linguarudo do caralho, isso é o que ele é. –Ela revirou os olhos. Se não tivesse passado muito tempo com Rose quando eles estavam em Detroit, Lissa poderia até mesmo pensar que a raiva dela era real. Rose ficava brava e esbravejava com facilidade, mas quase nunca durava mais do que alguns minutos, principalmente se tratando de Dimitri. Ela sabia que eles “brigavam” todos os dias, mas Rose sempre se esquecia do porquê, ou simplesmente seguia em frente no meio da discussão – a menos que a coisa fosse realmente séria, nesse caso ela lutaria até o fim -. E aquilo era uma benção. Ela não sabia realmente como acabar com aquele abismo que tinha surgido entre as duas nas ultimas semanas e o senso de humor daquela que ela esperava que ainda fosse sua melhor amiga podia vir a calhar.

–Ele só está preocupado com você. Sydney ainda não se mudou oficialmente então achei que eu poderia ajudar. Sei que não temos conversado muito desde o que aconteceu no seu aniversario, mas o posto de melhor amiga de Rosemarie Hathaway ainda é meu. Ao menos eu espero que seja. Então me diga, você está bem? –Rose encarou seus pés.

Estava usando lindas botas de couro lustrado, completamente lisas e confortáveis, apesar do calor que fazia naquela cidade. Tinha sido um dos muitos presentes de seu pai, de quando ainda estavam em Overland. Parecia fazer tanto tempo que ela mal podia se lembrar da garota que era naquela cidade. Ela levantou o rosto e encarou Lissa enquanto tentava não deixar tudo escapar para fora de sua boca.

–Não estou bem Lissa, e acho que nunca vou ficar. Até ontem eu tinha muita coisa na minha cabeça... Minha doença, Dimitri, Abe, minha mãe... Isso era minha prioridade. Recomeçar. E agora que consegui isso e finalmente parei para pensar em tudo o que está acontecendo... É loucura. Pessoas estão morrendo por minha causa, mas honestamente? Eu não me importo. Só quero que nos deixem em paz. Não quero ser o motivo de uma guerra, não quero saber dos números que meu marido e meu pai vem escondendo de mim, não quero me mudar de novo, não quero ter de lutar contra o meu melhor amigo de infância pela minha vida, ou qualquer uma das coisas que eu fui obrigada a fazer o ano inteiro. É pedir demais ter uma vida normal?

Lissa deu um sorriso cansado. Estendeu os braços para segurar as mãos da garota a sua frente. “Um pouco de conforto nunca é demais.”, era o que sua mãe costumava dizer quando ainda estava viva.

–Sinto muito em lhe dizer isso Rose, mas no seu caso é sim pedir demais. É a sua família. A menos que queira dizer adeus a eles e desaparecer no mapa de novo vai ter de aguentar até que a pior parte tenha passado. –Rose piscou rapidamente. Seu peito estava esmagado com a pressão das lagrimas retidas e ficava cada vez mais difícil respirar.

–Eu sei. Estou apenas sendo uma vadia chorona. –Ela balançou a cabeça e forçou um sorriso amarelo.

–Não se preocupe, você tem esse direito hoje. –Lissa respirou fundo ao ver a forma como Rose continuava a morder os lábios. Ela era a mais “fraca” das duas e sabia disso, mas as vezes Rose tinha de ser a que precisava ser consolada. Aquela era a hora de colocar seus próprios e grandiosos problemas para trás. –Você precisa de um abraço? –Rose assentiu tão fervorosamente que fez seus cachos saltarem de forma cômica.

Ela enterrou o rosto na curva do pescoço da loira e deixou que a barragem de concreto que tinha construído dentro de si desmoronasse por completo. Chorou pela vida pacata que nunca teria. Pelos nomes riscados que tinha visto na lista que Dimitri escondia dela. Pelas famílias que tinham perdido alguém por culpa dela. Pelas pessoas que tinham desistido de tudo para seguir as ordens de seu pai. Por sua mãe. E pelo amor de seu marido, que faria qualquer coisa para mantê-la segura.

–Ainda quer entrar? Christian e eu podemos te levar de volta. –Rose levantou a cabeça e respirou fundo. Balançou as mãos para se livrar do torpor que tinha dominado todo seu corpo e secou as lagrimas com as costas das mãos.

–Vou entrar. Tive muito tempo para pensar nisso tudo durante a madrugada e decidi aceitar tudo o que o universo está me oferecendo. Por muito tempo mantive esse conflito em segundo plano, sem me importar com o que estava acontecendo. Agora eles vão ver o que acontece quando você deixa a filha de um mafioso muito brava. Isso acaba agora, nem que eu mesma tenha que atirar no filha da puta que começou isso tudo.

***

Rose apoiou o ombro esquerdo contra a parede fria da pequena sala. Lissa estava em seu lado direito, segurando sua mão em silencio enquanto Dimitri trocava palavras baixas com Mason. Uma vez, quando estavam em Detroit, ele tinha explicado a ela como aquele tipo de coisa funcionava e agora ela sabia que aquilo fazia parte de uma das técnicas de interrogatório.

A sala em que eles estavam era pequena, desprovida de decorações além da mesa de madeira no centro, um par de cadeiras de um lado e outra cadeira solitária do outro, e a lâmpada no teto. A cadeira “extra” estava ocupada pelo mesmo homem a quem Rose ainda queria socar enquanto Dimitri parecia bem relaxado em sua própria. Já Mason parecia doente. Sua pele branca demais na luz forte da sala contraria.

Ele se apoiava sobre a mesa, a cabeça baixa fazendo com que seus cabelos ruivos lhe caíssem sobre o rosto. Não era uma posição culpada. Era quase como se ele estivesse entediado. Algumas vezes seus olhos vagueavam na direção do espelho falso e Rose estremecia. Ele sabia que ela estava ali, escondida nas sombras, como se pudesse vê-la a sua frente. Isso a assustava.

–Você ama Rose? –A pergunta pegou todos de surpresa. Mason levantou a cabeça e encarou o homem a sua frente com um sorriso no rosto.

–É claro que sim.

–Desde quando a ama?

–Desde que eu tinha doze anos e não havia nenhum dos cafajestes que ela amou para atrapalhar. Sabe, ela já era bonita naquela época, mas ninguém via isso. Só eu. Sempre fui eu. Mas acho que ela nunca me amou de volta não é? –Seu sorriso era tão doentio quanto o brilho em seu olhar. Rose se aprumou na pequena “sala”, chegando o mais perto que podia do vidro que os separava.

–Por que a atacou então? –Ele balançou a cabeça negativamente.

–Eu não a ataquei. Eu queria protegê-la. Isso é o que eu faço, eu protejo ela. Quando todos vocês falharem eu vou estar lá camarada. –O tom de escárnio fez Dimitri cerrar os punhos sob a mesa. Seu rosto permaneceu imaculado, sem expressar qualquer centelha da raiva que corria em suas veias. Ele queria arrebentar o rosto daquele moleque de uma forma que precisariam reconstruir tudo, mas não o faria.

Dimitri se levantou e caminhou até o garoto parando ao lado dele. Essa era uma técnica que funcionava muito bem todas as vezes. Sua altura era intimidante para qualquer um, ainda mais quando a pessoa estava algemada a uma mesa de madeira. Mason voltou seus olhos azul gelo para ele acompanhando as linhas de seu corpo com um olhar analista.

–Então, da primeira vez, você simplesmente decidiu que ela estaria mais segura com você. Que você poderia leva-la para um lugar que apenas você conhecia, e que ninguém iria encontra-la. Queria fugir não é? Mas do que? De mim, ou de alguém mais perigoso? Acho que você é um covarde Mason...

–Não sou covarde! –Ele rosnou. Dimitri bateu a mão aberta contra a mesa com força. O som alto ecoou pela sala, soando ainda mais assustador.

–Eu estou falando garoto. Vai ter a sua vez. –Ele circundou a cadeira e parou do lado oposto dele. –Acho que você não percebe que é o verdadeiro perigo aqui. Você é um psicopata Mason, qualquer um pode ver isso. Não conseguiria proteger Rose nem de si mesmo.

–Eu jamais a machucaria. Eu a amo, por que tocaria nela? Sou o único que a ama de verdade. Você pensa que a conhece detetive, mas não sabe nada sobre ela. Só eu sei. Só eu. –Ele começou a se balançar levemente para a frente, extremamente perdido nas palavras que continuava a murmurar. Dimitri respirou fundo tentando se impedir de olhar para o espelho. Apenas esperava que Rose estivesse bem. Ele caminhou de volta a sua cadeira e deixou que seu corpo caísse pesadamente sobre ela.

–Veja, eu acredito em você. Eu a conheço muito bem, e também a amo, mas sei que os anos que vocês passaram juntos te deram outro tipo de conhecimento sobre ela. Mas se você a ama e só quer o melhor para ela, por que tentou sequestra-la de uma festa perfeitamente segura? –Mason o encarou em silencio absoluto por cerca de três minutos. Seus olhos continuavam a se mover por toda a sala e a corrente das algemas fazia um barulho irritante contra a madeira. Finalmente ele parou de respirar pesadamente e deixou sua mascara de loucura cair.

–Ele disse que estava vindo por ela. Você não o conhece, não sabe do que ele é capaz. Eu sei. Só eu. Eu posso proteger ela. Me deixe protegê-la. –Dimitri se inclinou sobre a mesa.

–Quem? Quem está vindo? O mesmo homem que encobriu sua morte? –Mason negou euforicamente.

–Não vou dizer. Não. Não. Ele está ouvindo. Ele vai vir atrás dela, não entende? Ele vai matar todos nós se não a levarmos para bem longe.

–Me dê um nome. É só o que eu preciso. Ninguém vai tocar nela se você me der o nome dele.

–Não! –Ele gritou e se jogou para frente com violência. A cadeira caiu para trás batendo com um baque alto no chão no exato momento em que Dimitri estava de pé, segurando-o com força pela nuca.

Rose sentiu mãos fortes a segurando no lugar enquanto Christian se postava atrás dela. Ele sabia muito bem que ela estava a ponto de sair correndo daquela sala e invadir a vizinha. Ela agarrou a mão de Lissa com força, xingando baixinho enquanto observava os dois homens colocando Mason sob controle de novo.

Dimitri e o outro homem saíram da sala logo em seguida, deixando-o sozinho. Ela se afastou do vidro ainda sentindo os olhos dele queimando em suas costas. Alcançou a maçaneta e abriu a porta em um rompante, quase indo de encontro ao peito de Dimitri. Ele a segurou pelos braços e a puxou para a virada do corredor, para que Lissa e Christian não acabassem escorregando um por sobre o outro.

Os três se reuniram ao redor dele, como crianças esperando uma historia de ninar, mas seus olhos estavam completamente focados em Rose.

–Não sei o que aconteceu com ele desde que foi dado como morto, mas alguém mexeu profundamente com a cabeça dele. Estou falando de lavagem cerebral. Esse não é o mesmo projeto de psicopata que arquitetou um plano elaborado para te pegar sozinha em Detroit.

–Acha que é essa tal pessoa de quem ele tanto tem medo? –Christian perguntou sem hesitar.

–Muito provavelmente. Posso ver nos olhos dele, o garoto está aterrorizado. Acredita mesmo que estava protegendo você e duvido muito que ele vá falar qualquer coisa além do que acabamos de ouvir.

–Posso tentar? –Dimitri baixou os olhos para Rose novamente. Ela o encarou de volta, os olhos levemente arregalados.

–O que?

–Posso tentar falar com ele?

–Roza...

–Ele vai me dizer coisas que nunca diria a você e sabe disso. Por favor. Me deixe tentar ao menos ajudar a pegar quem quer que seja que esteja acabando com o único momento feliz da minha vida. -Ele respirou fundo e passou ambas as mãos pelo rosto. Aquela não era uma boa ideia. Estava escrito no rosto dela que Rose estava planejando alguma coisa que poderia ter grandes consequências. E ainda sim era a escolha dela.

Maldita garota teimosa.

–Tem certeza disso? –Ela assentiu prontamente. –Se ele tentar avançar pra cima de você eu vou enfiar esse teaser tão fundo que ele vai precisar de uma cirurgia de remoção.

–Esse é o seu jeito carinhoso de dizer para tomar cuidado?

–É o meu jeito violento de dizer que vou acabar com ele se ele te machucar. –Rose sorriu ao tocar o rosto dele. Seus olhos se encontraram mais uma vez, apenas por um segundo, antes que ele abrisse a porta para ela. Aquele um segundo tinha sido o suficiente.

Ela estava pronta para o espetáculo de sua vida.

Dimitri se colocou contra a parede, bem ao lado da porta. O outro homem se sentou novamente na cadeira enquanto Rose caminhava até Mason. Ela correu os dedos por seus cabelos ruivos, arrumando-os o máximo que podia. Ele levantou a cabeça no mesmo segundo, seus olhos brilhando com pura admiração.

Rose sentiu seu coração se apertar. Ele realmente a amava e doía que estivessem em tal situação, e que ela não pudesse ama-lo da mesma forma. Quem sabe, se tivesse descoberto antes... As coisas poderiam ter sido diferentes. Ela mordeu o lábio. Não, é claro que não seriam. Não importando o que poderia ter acontecido no passado ela sempre seria atraída para Dimitri. Era seu destino.

Aproveitando-se do brilho que esse pensamento deu a seus próprios olhos – como sempre fazia -, ela se ajoelhou ao lado dele. Agradecendo por estar usando jeans, Rose se apoiou contra as coxas e estendeu a mão para tocar o rosto dele. Mason parecia miserável, implorando por seu carinho enquanto ela continuava a correr a palma da mão por sua bochecha. Engoliu o choro que começava a se formar em seu peito e forçou as palavras para fora.

–De quem você estava falando Mase? Por favor, me diga. Eu posso ajudar você. –Ele negou. –Eu o conheço não é? Por isso não quer me dizer quem é? –Mason mordeu os lábios. Sua postura curvada o fazia parecer ainda mais baixo do que realmente era. Rose aproximou seu rosto do dele, implorando com olhos chorosos que ele dissesse o maldito nome. –Meu pai é poderoso, eu vou cuidar de nós. Eu vou ajudar você. Tudo o que precisa fazer é me dar um nome.

–Nós achávamos que ele estava morto... Eu vi o corpo dele. Ele deveria estar morto.

–Quem? De quem você está falando?

–Jesse.