Going After Her
24 Epílogo
Obs 1: Para quem não conhece “Trent” ele é personagen da série de livros de Resident Evil do Perry. Fundador de Terceira Organização e por motivos obscuros, sempre aparece em contato ajudando os nossos heróis ou não....rs
TRENT
Estava atrasado. Estava nervoso. Seu patrão poderia matá-lo, sua esposa também. Aliás, quem no mundo poderia imagina-lo uma situação assim, ele, correndo para ver a esposa parir? O patrão lhe deu licença do trabalho só para acompanha-la de perto, e ela, já o esperava no quarto.
Parou em frente a recepção.
“ – Eu vim para ver a minha mulher.” – Perguntou mandarim.
“ – Qual é o seu nome senhor?”
“ – Trent. Alex Trent.”
A mulher que até então dava mais atenção ao computador do que a ele, arregalou os olhos e pôs-se de pé.
“ – Senhor Trent. É uma grande honra.”
Claro que sim, depois da fortuna que receberam! – Era outra paranoia... sua esposa era uma mulher incrivelmente saudável, forte, a gravidez foi surpreendentemente tranquila e sem qualquer intercorrência, não entendia o motivo de todo esse exagero. Um andar inteiro daquele hospital reservado só para ela, com a melhor equipe médica da China e todos os funcionários do andar cuidadosamente selecionados para cuidar só dela. Eram muito ricos e definitivamente não queriam – e nem podiam – chamar a atenção, mas não havia necessidade de um hospital tão importante, poderiam perfeitamente levar a equipe médica para casa, não? Acabaram gastando três verdadeiras fortunas, uma pela mão de obra, duas pelo sigilo e três pelo local.
Não, não poderiam em casa. Sua esposa era geniosa e não queria que o filho nascesse “naquela casa”. Em contrapartida, acabou sendo necessário todo esse circo para que ela pudesse parir em outro lugar.
As enfermeiras guiavam-no, contentes enquanto o olhavam de maneira curiosa. Alex Trent não é chinês. É um homem tipicamente russo, se sangue e aparência e provavelmente o único louro dos olhos claros naquele hospital. Chegaram até o vestiário e lhe entregaram uma muda de pijama de hospital e pantufas. De roupas trocadas, foi conduzido – finalmente – até o quarto onde sua esposa, Ping Trent, o aguardava.
E então ele a viu, usando uma camisola de hospital que amarrava atrás, por baixo um top de lycra e sem usar nada em baixo. Ela estava com a barriga bem mais baixa que a ultima vez que ele olhou, ela caminhava de um lado para o outro fazendo exercícios de respiração, se preparando para um parto na água.
“ – Querida, cheguei.”
“ – Aliócha!” — Ela riu. E faziam séculos que ela não o chamava pelo apelido de infância. “ – A bolsa já estourou. Tem uma hora. E a dilatação já está quase comple....” – Ela fechou os olhos de repente, com dor, levou as mãos na barriga e apoiou na cama. Quando a dor passou, ela ficou de pé outra vez. “ – Ele já encaixou pra nascer, e as contrações estão de 5 em 5 minutos.”
“ – Senhora Trent, a banheira já está pronta.”
“ – Achei que não fosse chegar a tempo, Aliócha. ” – Ela resmungou antes de seguir a enfermeira.
Trent riu, sua esposa não estava brava, pelo contrário, parecia muito feliz e confiante, afinal o dia tão esperado chegou.
Ela tirou a camisola e entrou só com o top dentro da água. O doutor a acompanhava com toda a atenção de maneira que ela encontrasse a melhor posição para aguardar a vinda do nenê.
“ – Se aproxime senhor Trent, ou não vai querer cortar o cordão?” – Disse o médico.
Sim, as vezes ele simplesmente esquecia o que um marido e pai deveria fazer alí.
Uma enfermeira massageava as costas de sua esposa com uma bolinha de borracha. “ – Quer tentar?” ela ofereceu-lhe o lugar. Meio receoso, acabou aceitando. Massageava as costas dela e também a molhava com a água morna. Mais uma contração veio, e o medico disse que ela fizesse força para empurrar. Ela estava de joelhos, apoiada de bruços na beirada da banheira. Alex Tret serviu de apoio quando ela resolveu segurar em seus ombros também. A enfermeira disse que ele continuasse massageando, que aliviaria a dor e Trent assim o fez, mesmo quando a contração parou.
Então vieram outras. Sua esposa estava tão tranquila, tão valente. Chegou ali preparado para estourar os tímpanos com os gritos dela, mas não, ela no máximo soltava uma gemido delicado.
“ – Respira Ping, respira.” – dizia o médico.
Agora ela mudou de posição, depois de muitas contrações e ter feito muita força, finalmente, agora parecia estar perto. Ela continuou de cócoras, mas de costas para a beirada da banheira, Alex Trent a abraçou e ela deixou que a cabeça caísse nos ombros dele.
“ – Empurra! Ping, empurra!”
A mulher trincou os dentes e fechou os olhos, a água tingiu de rosa pouco a pouco e uma bolinha cabeluda apareceu lá em baixo e logo depois, o resto do corpinho estava na água. Ping Trent abriu os olhos, aflita, buscou ver o filho e se soltou do marido tomando o bebê nos braços antes mesmo que o médico o pegasse.
Um chorinho ecoou pelos quatro cantos, e pela primeira vez na vida, Trent viu a mulher chorar.
“ – Oh filhinho. Finalmente.” – Ela o beijou, mesmo com aquele cabelo todo gosmento. Ele tinha o cabelinho preto e o nariz chatinho e pequeno da mãe, era gordinho e tinha uma boca enorme agora que chorava a plenos pulmões depois que sugaram toda a secreção que ele tinha no narizinho. Ainda no colo dela, o médico amarrou o cordão e deu a Trent uma tesoura.
“ – Faça as honras papai.” — E assim ele o fez.
Trent riu, o garoto era saudável, forte e parecia ser bem esperto já virando o rosto e abrindo a boca, procurando desesperadamente as tetas da mãe que estavam cobertas pelo top. “ – Você fez querida.” – Ele disse. “ – Quem diria, justo você.”
Ela estava exausta e respondeu apenas com um sorriso afetuoso. Ambos olharam para o rebento outra vez, ele tinha olhos pequenos, mas agora, talvez pela ânsia de achar os peitos da mãe e a raiva por não conseguir, ele finalmente resolveu olhar o mundo a primeira vez, abrindo as pálpebras e revelando dois olhinhos azuis.
Trent apenas abraçou a mulher mais uma vez, agora que ela caiu em prantos.
O HOMEM DO INVERNO...
Frieza. Era a melhor armadura para se esconder, o mundo lá fora te machuca. Mesmo quando há beleza, amor, ternura e esperança, mesmo sem mentiras e traições... esse planeta sempre encontra uma maneira de te machucar.
A dor, a tristeza e solidão não são meras possibilidades, são certezas. São destinos que te espreitam e te alcançam, sempre, não importa o quanto você fuja. Sendo assim, era melhor se esconder e não mais sentir.
Sem Ada não fazia mais qualquer sentido continuar naquela Agência, aceitou a proposta tão somente porque ainda estava preso as amarras do passado e queria saber mais sobre o homem que o gerou, embora nem de longe, tenha sido pai. Depois, continuou ali somente pela espiã de vermelho, porque se apaixonou por ela, porque ela foi a brisa de verão que lhe aqueceu e acolheu no momento em que ele estava mais perdido, sem Sherry, frustrado e se achando a última das aberrações criadas por Wesker. Talvez devesse sair, talvez não. A verdade era que ainda não estava pronto para abandonar a única prova material que uma dia, Ada existiu. Não tinha coragem de voltar á Mongólia, muito menos de procurar Long-Meng, não teve coragem nem ao menos de procurar saber o que fizeram com o corpo. Não estava pronto para lidar com a morte dele de frente, mas continuar trabalhando para aquelas pessoas, o fazia recordar dela em vida. E disso, ele não queria abrir mão.
E menos de um ano, Ada o transformou em um homem melhor, que sentia orgulho de si mesmo, que ao poucos foi se tornando mais seguro de seus sentimentos e suas atitudes. Jake pela primeira vez na vida, acreditou que seria verdadeiramente feliz quando ela o olhou nos olhos e disse que o escolheu. Ela era tão linda, tão inteligente, tão única... ela teria um filho do homem que ele mais invejou a vida inteira, e mesmo assim, ela escolheu Jake.
O inverno era rigoroso na Sibéria, apesar dos agentes muito bem qualificados, não eram todos que conseguiriam completar a missão com tanta destreza em um ambiente tão inóspito. Mas Jake podia.
Antes de partir, uma mulher entrou na tenda onde ele terminava de se vestir e se armar. Jake percebeu como ela o olhava, já havia semanas. Ele sabia as intenções dela. A mulher caminhou até ele de maneira provocante, mas para Jake pareceu tão forçado, tão anti-natural... Ada cheirava a sensualidade, era natural para ela, a espiã conseguia ser sexy até quando não tinha a menor intenção de ser. Nenhuma seria igual a ela.
“ – Agente Muller.” – Ela passeou a mão esquerda sobre os ombros fortes de Jake, acreditando provocar nele alguma sensação boa. Parou ao lado dele, e com a mão direita, acariciou-o no abdome. “ – Estarei esperando você voltar, acho que depois dessas semanas, eu já provei ser mais do que capaz de trabalhar ao seu lado.”
Não queria ser bruto, mas foi. E por puro reflexo. Num rápido movimento segurou a mulher pelo rosto, já era tarde quando percebeu que a apertou mais do que devia. Aquele joguinho de sedução barato o irritava, mas fazê-la acreditar que teria êxito, infelizmente, fazia parte da missão. Não podia estragar tudo. O jeito agora, era fingir que tal ato não foi necessariamente de repulsa, mas sim, que ser bruto não era nada do que o jeito dele... fazer as coisas...
Não conseguiu forçar um sorriso, mas a encarou no fundo dos olhos. A mulher nunca saberia entender a expressão no rosto do ruivo, o olhar por cima das sobrancelhas, os músculos da mandíbula contraídos. Assim como ele pensou, ela tinha sim, alguma coisa de sádica... porque depois do susto inicial, ela pareceu excitada. De uma maneira nada delicada, ele a soltou. “ – Sim. Talvez.”
Não a olhou novamente, apenas vestiu sua máscara de esquiador e seus óculos de neve, abandonando o local.
O ANIVERSÁRIO VERMELHO
Segundo a tradição chinesa, o primeiro aniversário de uma pessoa é quando ela completa um mês de nascida, afinal, se conta um ano do calendário lunar a partir da concepção e não, a partir do nascimento. Durante esse um mês, a casa deve ser fechada à visitas e a mãe, não é permitido sair de casa – algumas não saem nem do quarto – a criança, não poderia ter seu nome divulgado, pois os maus espíritos ainda estão na espreita, para conhecê-la ceifar-lhe sua ainda tão frágil vida. Muitas tradições e muitas superstições criadas numa cultura milenar, graças a grande quantidade de bebês que morriam antes de completar um mês de nascido.
Ada Wong não acreditava em nada disso, mas seu pai sim. Estava isolada do mundo há um mês, trancada na mansão de Long-Meng, com pouquíssimos empregados e mais ninguém da família lá, exceto ele mesmo. Hoje era portanto, o aniversário de um ano de seu filho, quando ele ganharia um nome e seria apresentado ao resto do mundo. Até hoje, o garoto foi escondido e trancado, para Long-Meng, um simples olhar poderia matá-lo e o pior que é, Ada Wong sabia que isso nada tinha a ver somente com superstições... era a mais pura verdade.
Alguém bateu à porta, Ada ficou feliz. Depois de um mês em que tudo o que ela fazia era dormir, comer e amamentar, era ótimo finalmente ver um outro ser humano conhecido outra vez.
“ – Entra.”
Alexei entrou. Eram amigos há tantos anos, Ada mal sabia dizer quantos. A espiã chegou a trabalhar para o pai de Alexei antes mesmo de conhecê-lo. Filho de Victor Darius – também conhecido como Trent — e uma agente russa da KGB. Ada conheceu ambos, Trent e Natasha, uma mulher linda, que sempre exigia muito de Alexei ao mesmo tempo que sempre o chamava carinhosamente de Aliócha.
“ – Adivinha quem está finalmente liberada para receber visitas?”
A espiã sorriu. Quando soube que estava grávida, desejou do fundo do coração que fosse uma menina, se assim tivesse sido, hoje ambas estariam bem longe dalí e Ada estaria vivendo e criando a filha à seu modo. Quando soube que era um menino, sentiu um frio na espinha, sabendo que somente esse fato poderia ameaçar toda a pouca liberdade que conquistou e lutou muito para conseguir. Com a morte de Syaoran, o ultimo prego foi fincado... Ada chegou a achar que talvez pudesse encontrar uma saída, ou um plano até o dia em que seu pequeno filho resolvesse vir ao mundo, mas não pôde. As Tríades, é mais que a Organização, é mais que A Familia... é mais que a Asia e agora, ela estava de volta.
“ – Nós precisamos mesmo participar disso?” – Ela perguntou olhando para o filho que estava acordado. Ele tinha olhos azuis brilhantes que o avô ainda não conhecia. Long-Meng acreditava que se visse o menino antes do aniversário, os maus espíritos descobririam o quanto o garoto era precioso para ele e o levariam embora. Com sete dias de nascido, o umbigo do nenêzinho caiu, e Long-Meng enviou uma funcionaria antiga, uma senhorinha bem velha, para pegar o coto, enrola-lo numa fita vermelha com orações e levasse o embrulho até ele, para que ele mesmo pudesse esconde-lo em um lugar da casa que Ada nunca saberia onde. Quanto aos perigos mundanos – para Ada, o único perigo que importava – A mansão estava cercada de capangas escolhidos a dedo por Long-Meng e desde que foi presa lá, aos sete meses de gestação, até a comida de Ada era provada por duas pessoas antes que ela mesma pudesse comer. Hoje era o grande dia, quanto teoricamente, toda a ameaça acabaria. Mas também era o dia em que estaria presa As Tríades e a própria família, para todo o sempre.
O cabelinho muito preto e muito liso de Long – outra superstição chinesa, de dar a criança um nome falso até que ela ganhe um definitivo, para confundir os maus espíritos. – já tinha caído quase todo, deixando um rastro de uma penugem escura bem ralinha, era um menino agitado, quase nunca dormia e estava sempre com fome. É comum que recém nascidos percam peso nas primeiras semanas de nascido, pois ainda estão se adaptando e algumas mães demoram a pegar o jeito para amamentar. Mas não o pequeno Long, que mamava o tempo inteiro e só engordava cada dia mais.
Long chorou, seus intervalos entre as mamadas eram curtos, 2 em 2 e até de 1 em 1 hora. Ada o pegou nos braços e ofereceu-lhe um seio, o menino se agarrou a ela desesperadamente como se não comesse há dias e sugava com tanta força que as vezes engasgava.
Alexei riu alto. “ – Ada... ele virou um boi!”
“ – É eu sei.”
O Agente estendeu a ela uma muda de roupinhas vermelhas, era tudo vermelho, até os sapatinhos e o chapéuzinho, com algumas figuras de dragões bordados com fios de ouro. “ – Você sabe que precisa ir.” – Ele respondeu com a voz séria.
De fato, não chegou até aqui para no final, se acovardar. Pôs Long para arrotar e então vestiu-o com as roupinhas de festa. Com o menino nos braços e olhou no espelho uma ultima vez retocando o batom e então partiu.
Chegou ao grande salão com o filho no colo e Alexei ao seu lado. Ela reconhecia muito bem todos ali presentes, os mais altos membros das Tríades ao redor do mundo. Apesar dos inúmeros presentes que seu filho ganhou e todos os votos de boas vindas, ela sabia, eles não estavam ali “só” por isso.
Os olhos escuros de Long-Meng brilharam quando viu o neto pela primeira vez. E Ada percebeu a expressão de surpresa em todos no salão quando ele sorriu. – Long-Meng nunca sorria. – O velho se aproximou devagar, tirou o chapeuzinho vermelho do menino e acariciou a rala penugem escura que ele tinha na cabeça, devagar e admirado, como se quisesse ter certeza que ele era real.
No meio deles, estava a esposa de Long-Meng, assim como o genro dele, ambos com uma expressão visivelmente insatisfeita.
“ – Ele é enorme. Olhe essas bochechas rosadas.” – Disse ele. “ – Dê-me.” – E não foi um pedido. Ada entregou o menino. Long-Meng fez uma expressão surpresa quando carregou o neto. “ – E gordo!”
Nisso o pequeno Long se remexeu no colo no avô, chutando um sapatinho para longe, com isso uma chuva de irmãos juramentados, capangas e empregados entraram numa batalha tragicômica para ver quem resgatava o sapatinho primeiro e o entregava de volta. Long-Meng soltou uma gargalhada. E isso sim foi surpreendente, a gargalhada de velho provocava um misto de choque e medo em qualquer alma viva dentro daquele salão. Então o pequeno abriu os olhos...
... Os olhinhos pequenos de Long-Meng ficaram ainda mais pequenos, rastreando cada milímetro do rosto do neto e então ergueu uma sobrancelha num olhar curioso para Ada, que apenas deu de ombros e sorriu. Ela sabia que a curiosidade de Long-Meng foi às alturas após ver os olhos tão azuis do neto.
“ – Afinal quem é o seu pai, heim rapazinho?” – Disse o velho – “ – Quem é o papai, hã? Quem é o papai?”. E como se ver Long-Meng brincar com uma criança já não fosse surpresa o bastante...
“ – Ada, agora que chegou o dia, gostaria de saber, quem terá a honra de escolher o nome do meu neto?”
Ada sabia que o pai queria que essa pessoa fosse ele. Assim como todos daquele salão também esperavam por isso, é outra antiga tradição deixar que algum familiar mais velho escolha o nome dos bebês. Mas ela não seria Ada Wong se não fizesse algumas afrontas de vez em quando.
“ – Serei eu mesma. Pai.”
“ – Hn.” – O velho murmurou decepcionado. “ – E qual nome você escolheu?”
A espiã sorriu gentilmente. “ – Noel...” – E então lançou a bomba. “ – Noel Albert Wong”
O velho patriarca ergueu o queixo, e por longos minutos de silêncio pareceu meditar profundamente. Olhou para o neto outra vez e disse. “ – Um nome ocidental... ele precisaria de um de qualquer maneira...” – Era muito comum qualquer chinês de família abastada adotar um segundo nome ocidental, para usar nos negócios ou na universidade. A própria Ada tinha um nome tipicamente chinês, mas que nunca usava. “ – Mas será o único nome dele? E justo... esse nome?”
“ – Sim.” – Ada sabia da vergonha que o pai sentia pela falha dela em Raccoon, e sabia que depois de tudo carregar o nome do policial com quem ela se envolveu em Raccoon, era uma afronta.
“ – Não vai se importar... caso eu o chame só de Noel, certo?”
“ – Claro que não.”
Long-Meng finalmente sorriu. “ – Eu fiz muito mal em deixar que a avó materna de Syaoran escolhesse o nome dele. Um a criatura tão ínfima como um lobinho... nunca seria capaz de assumir o lugar de um dragão!” — Os sons incômodos das pessoas cochichando pelo salão não abafaram a voz do patriarca. “ – Mas um Albert... por algum motivo me soa incrivelmente tentador. Que o meu novo herdeiro seja tão bravo e ousado quanto o ultimo Albert que cruzou o meu caminho.”
Então o grito de uma mulher ecoou.
“ – O que está fazendo, Long-Meng! Perdeu o juízo?”
Ao lado da legítima esposa de Long-Meng, estava o genro, cunhado de Ada, vermelho de ódio. “ – Não pode fazer isso!”
“ – Quem você pensa que é, para me dizer o que eu devo ou não fazer, homem? Quer me jogar a tradição chinesa ou as leis das Tríades como argumento para deixar que você tome conta do meu dinheiro? Pois eu vou lhe ensinar algo sobre as leis das Tríades.” – Rapidamente entregou o pequeno Noel de volta para os braços da mãe – “ – Tragam o homem!”
A porta principal do salão de rompeu em um forte estrondo, homens armados invadiram o local, arrastando com eles um homem amarrado que deixava um rastro de sangue no chão. Quando o colocaram bem no centro do salão, lhe arrancaram o capuz. O homem estava muito machucado, não tinha os dedos das mãos ou dos pés, lhe faltavam os dentes, estava cheio de hematomas e estava ensopado. Esse homem era Qin Mao Shi.
Ada fazia ideia do terror que o homem passou em seu cativeiro, a essa altura, já estava louco e foi mantido vivo tão somente para que agora servisse de exemplo.
“ – Conhece este homem, meu caro genro?”
“ – Não sei do que está falando.” – Foi tudo o que respondeu. Mas tanto ele, quando a sogra já sabiam o que os aguardava.
“ – Que decepção, minha querida esposa. Eu sabia ter casado nossa filha com um homem burro, mas você? Como pôde matar meu filho?”
A mulher, provavelmente em algum tipo de loucura pré-morte esbugalhou os olhos, suas feições eram de uma pessoa descompensada. “ – Eu te dei uma filha legítima! Como põve você ignorar a nossa família para herdar aquele bastardinho?! E agora... para beneficiar o bastardo dessa rameira que você chama de filha!”
“ – Mulheres...” – Disse o velho. “ – A rameira foi capaz de fazer aquilo que você não pôde, ter um filho homem! E o bastardinho que você matou, mesmo bastardo ainda era superior a filha obtusa que você me deu! Eu iria preferir herdar um de meus irmãos juramentados, do que uma filha do seu sangue e já estava inclusive preparado para isso, mas Ada apareceu com a novidade, a boa nova que veio para salvar a minha linhagem.”
Ada observou o cunhado explodir também. “ – Eu e minha sogra assumimos tudo. Sim, fomos nós! Mas não diga tal bobagem sobre a sua filha Long-Meng. Ela ainda é sua filha... a mãe das suas netas!”
Long-Meng tinha um olhar sombrio. “ – Que filhas? Que netas? Está falando... delas?”
Um dos irmãos juramentados abriu um saco de pano e jogou o conteúdo no chão, as cabeças de uma mulher adulta e duas crianças. O choque foi coletivo, inclusive em Ada Wong. Ela sabia, seu pai era um homem perigoso... com Long-Meng não se brinca, e ele precisava ser cruel, para que servisse de exemplo e ninguém nunca mais ousasse lhe trair. Mas nunca... jamais sequer pensou que ele iria tão longe... era a irmã que Ada nunca conheceu... e suas sobrinhas que nem chegaram a fase adulta. Era em momentos assim, que Ada lembrava com mais clareza, porque nunca odiou Wesker e porque inclusive sentia remorso por tê-lo traído. Por mesmo sendo seu pai, foi de um homem como Long-Meng que Albert a protegeu.
“ – Sinto muito, querido genro. Mas o seu sangue maldito não podia continuar, nem o da sua amada sogra.”
Ao contrario do esperado, Ada não estava feliz por ver os assassinos de seu irmão pagarem, muito menos pela constante ameaça que eles seriam para o pequeno Noel ter acabado. Ada sentiu medo, medo da ira de Long-Meng, caso um dia ela o provocasse. E teve ainda mais certeza de que escolheu o caminho certo quando forjou a própria morte.
Espadas dos irmãos de Long-Meng caíram sobre os traidores, e o salão de festas virou um mar de sangue. E era isso mesmo que o velho queria, chocar, para que assim ninguém nem ao menos pensasse em desafia-lo ou cruzar o caminho dele, e de seu herdeiro.
Quando Alexei tocou-lhe nos ombros, Ada tremeu. Noel comia a mãozinha avidamente a mãe o abraçava com toda a força.
“ – Vamos linda. Acho que vocês não precisam ficar para ver isso.”
De volta ao quarto, Noel chorava a plenos pulmões, Ada ainda tremendo verificou a fralda e viu que ele estava seco. Ele tinha era fome outra vez. Sentou-se na cama e o colocou para mamar, a medida que o menino mamava, Ada tentava se acalmar. Agora era somente ela e o filho, tinha que ser fria, cuidadosa e calculista. Essa seria sua vida dali em diante. Não sabia se o filho seria feliz, mas estava disposta a lutar para que não se tornasse como o avô, o que já era um começo. Noel não foi planejado, foi um inocente colocado em tal situação graças a um descuido e muitos questionariam sua decisão de ter ficado com ele, foi por isso inclusive que escondeu a gravidez enquanto esteve na base, por medo que a obrigassem a abortar. Ela não podia fazer isso... Ada nunca poderia fazer mal a algo tão precioso, um pedacinho do único homem que amou, Noel não foi planejado, mas foi feito com muito amor. Além do mais, não queria mais um inocente na sua lista de mortes...
Lembrou de tudo o que já foi capaz de fazer para proteger Leon, policial, padeiro ou agente do governo... Leon NUNCA estaria a salvo se Long-Meng soubesse, quando recebeu a proposta do louro, chegou a vislumbrar que talvez, algum dia, quando Long-Meng se fosse, seria seguro ambos finalmente ficarem juntos, afinal o pai já estava velho. Talvez antes, se Leon aceitasse forjar a morte e assumir uma nova identidade... não seria tão arriscado se fosse bem feito. Mas nunca, Long-Meng poderia saber que o homem com quem ela se envolveu em Raccoon era Leon Scott Kennedy e não, Albert Wesker. A escolha do segundo nome do menino teve justamente esse propósito, todos estariam prestando muita atenção no Albert e ignorariam o Noel, um anagrama de Leon. Poderia ter simplesmente escolhido um outro nome nada a ver... mas Ada não estava pronta para abrir mão de dar ao menino a única ligação que ele poderia ter com o pai. Plus, confirmaria na mente maquiavélica de Long-Meng que de fato Wesker ainda era importante para ela e tiraria da cabeça do velho qualquer ideia de tentar investigar quem era o pai do menino.
“ – Mais calma?” – Alexei perguntou.
“ – Sim.” – Noel arrotou e adormeceu. Ada o colocou no berço cuidadosamente.
“ – Não fica assim. Acabou. Não existe mais ameaça, agora o menino está seguro aqui, melhor do que lá fora, com você levando a vida que levava... Quanto a você... aguenta firme, seu pai é um homem velho, quando ele se for, você voltará a cuidar da própria vida, como sempre fez.”
Alexei tinha razão. Ada já passou por situações piores na vida, o seu único problema era o remorso que sentia pelo filho e por Leon... Uma vez, pensou em contar a Leon do bebê, explicar a situação, e encontrar uma maneira de ficar os três juntos sem que Long-Meng ligasse os pontos, descobrindo que o homem ao seu lado e o policial de Raccoon, eram a mesma pessoa. Mas então o encontrou com Helena... fazendo com que ela quisesse ter e criar o menino sozinha. Quando Syaoran morreu, Ada já sabia que sua situação que já era ruim, ficou ainda pior, pois agora, toda a atenção de Long-Meng viria para ela... durante algum tempo, alimentou a esperança de que conseguiria escapar, mas o tempo foi tão curto... e agora, cá está.
Acabou por tomar a decisão mais segura. Leon acreditava que ela estava morta, seguiria sua vida e não pensaria mais nela, não procuraria por ela, com o tempo, iria parar de falar nela também.. e com ela de novo sob o teto de Long-Meng ela trabalharia nos detalhes para que ele nunca desconfiasse de Leon. E Jake... seu pobre e querido Jake. Quando Ada fechava os olhos ainda podia sentir o cheiro dele de alguma forma impregnado nela, sentia falta do calor dele em sua cama todas as manhãs quando acordava, era como se ainda pudesse ver o vermelho do cabelo dele brilhando sob o sol, se apaixonou por ele e sabia que ele também se apaixonou por ela, mas ela precisava liberta-lo.
Ada tinha experiência de vida o suficiente para saber que paixão não é amor, e que o rapaz ainda amava Sherry, ela precisava dar a ele a chance de se arrepender de suas falhas ir atrás da loirinha e tentar consertar as coisas. Ela gostava dele, sem dúvidas teriam sido muito felizes juntos e os anos de solidão que aguardam por ela não serão fáceis, mas Ada também sabia que por tudo o que Jake significou, ele merecia mais. Ela não teve um futuro com Leon, mas Jake ainda poderia construir o dele ao lado da loirinha que ele ama.
“ – Eu sei. Eu só não esperava que ele fosse matar a filha e as netas... honestamente, eu já ví de tudo nessa vida, inclusive dele, mas mesmo sabendo o que eu sei, mesmo sendo quem eu sou, as vezes eu esqueço quem é o meu pai...”
“ – Normal... ele sempre tratou você e sua mãe de maneira diferenciada. Você conhece a parte boa do velho. E isso te traí as vezes.”
“ – Alexei... eu posso saber que merda foi aquela no complexo, no Cazaquistão?”
“ – Do que você está falando?”
“ – Suas ordens eram de tirar Leon e Jake do local... no entanto, os dois quase morreram!”
“ – A coisa saiu do controle, detonaram os explosivos na montanha antes da hora, o SkinHead correu pra te buscar e o bonitão foi logo atrás, eu não podia segurá-los sem parecer suspeito. Quando Jake ficou preso, só me restou botar o Leon pra dormir. Aliás, nós nem sabíamos que ele estaria lá... isso estragou tudo, talvez eu pudesse apagar Jake e carrega-lo... mas não pude deter os dois.”
“ – E deixou-os desacordados... sozinhos?”
Alexei não discutiu mais. E ela sabia, ele não arriscaria a própria vida para salvar dois homens que não significavam nada para ele. “ – Eu não podia deixar que ninguém te visse fugir, pois a intenção era espalhar a noticia da sua morte para os quatro cantos... foram as minhas ordens.”
“ – Foi parte das suas ordens... você não cumpriu o resto.”
Ada foi até a mesa de almoço e serviu duas taças de suco.
“ – Olha...” – Alexei começou. – “ – No final tudo deu certo. O seu amorzinho está são e salvo em Washington e Jake.. que a propósito eu não entendo porquê você não ficou com ele, já voltou inclusive a trabalhar.”
“ – Sim, mas em momento nenhum eu disse que você deveria forjar os corpos dessa maneira, eu fui bem clara com você, que eles deveriam encontrar somente as arcadas dentarias.”
“ – Eu achei que a mulher grávida daria mais veracidade...”
“ – Sim, e isso me custou um teste de DNA positivo do “meu bebê” com o Leon.”
“ – Claro eu mesmo forjei.”
“ – Agora imagine se o meu pai vê isso.” – Ada rosnou, olhando-o ameaçadoramente. Depois entregando-o uma taça de suco.
Alexei bebeu-o em largos goles. “ – Não se preocupe com isso, você sabe, eu sou a única testemunha.”
Ada contou um minuto em silencio... “ – Sim, eu sei.”
O Agente sentiu um breve desconforto no peito...
“ – Alexei... eu soube que o meu pai te ofereceu um lugar como Mestre do Incenso.”
Ele abriu um botão da camisa, tentando respirar melhor. “ – C... como você soube?”
“ – Eu estou trancada Alexei. Eu não estou morta.”
A essa altura, O Agente já percebeu o que ela fez. O olhar dele era uma mistura de raiva, surpresa, indignação e tristeza.
“ – Ada... por...quê?”
“ – Meu pai nunca te ofereceria um lugar alto nas Tríades a troco de nada. E como você mesmo disse... você é a única testemunha viva do único segredo que o meu pai nunca poderá saber.”
Alexei caiu no chão, vermelho... tentando falar em vão, pois a dor no peito e a falta de ar não deixava.
“ – Eu sinto muito, Aliócha... Mas eu cometi um erro ao arriscar tanto a vida dele quando confiei em você. Um erro que eu nunca mais vou cometer.” — Os olhos verdes de Alexei ficaram sem vida aos seus pés. – “ – E quanto a você, eu sou uma Wong, afinal. Não devia ter confiado em mim.”
MANUELA
Não sabia dizer se estava feliz por estar ali, ou se estava envergonhada. Não foi uma decisão fácil. Cinco anos após o incidente no Cazaquistão, ela viu o marido e o único homem que amou entrar numa depressão profunda e depois, o que voltou daquele buraco foi um homem irreconhecível...
Durante cinco longos anos, Manuela assistiu a criatura mais humana e nobre que já conheceu se transformar num pessoa assombrada pelo passado, que suportava o peso da culpa só Deus sabe como e que parecia viver tão somente porque ela dependia dele. Perdeu a conta de quantas promessas fez, para todos os santos que conhecia. Rezou com toda a fé, ia a igreja todas as manhãs quando ele saia para trabalhar. Sentia ela mesma, um remorso horrível cada vez que ele tentava agrada-la de alguma maneira, porque ela sabia que tudo o que ele queria era sofrer em paz, mas até nisso ela o ocupava, forçando-o o tempo inteiro e se preocupar com ela também.
Ela viu o marido ficar grisalho, não só no cabelo mas também na barba que ele agora usava. Ela mesma a aparava na altura do queixo e rente à pele. Durante todos os dias, ela pensava por si mesma e também perguntava a Deus, o que ela poderia fazer para que Leon entendesse que a vida continua, que ainda havia alguma felicidade guardada para ele, caso ele se permitisse. Mas a resposta nunca chegou.
Até que um dia, a resposta veio... Manuela nunca soube exatamente do que o seu corpo era ou não capaz, só sabia que ela tinha sim, total controle sobre o vírus, mas quais seriam as consequências de levar seu plano a diante sem nunca, nem por um momento contaminar o inocente envolvido? Ela teria que estar com o vírus completamente inativo... e Manuela sabia muito bem o quão arriscado era.
E foi assim que ela decidiu parar de tomar os anticoncepcionais pelas costas de Leon. A verdade era que Manuela nem sabia se era fértil. E sua vida sexual com o marido não era tão... frequente. Mas graças a Deus, e a Virgem Maria, com apenas dois meses de tentativa, Manuela foi abençoada com o único presente que ela talvez pudesse dar ao marido e ele voltasse a sentir alguma alegria em viver.
Foi engraçado ver a cara dele quando ela deu a noticia. Ele estava tudo, menos feliz. Mesmo assim foi engraçado. Ele olhava para ela como se a tivesse feito um mal enorme, olhava para si mesmo como se fosse algum tipo de criminoso. Ele ficou horas pedindo perdão e mais um milhão de pedidos de desculpas, mesmo depois dela ter confessado que fez de propósito. Ele parecia um menino perdido, com medo de ser punido pelos pais depois de ter quebrado algo muito caro. Demorou muito para ele se acostumar com a ideia, e durante muito tempo, meses, ele mal olhava para ela nos olhos, tão grande era a sua vergonha.
Foi aí que Manuela teve medo de ter dado um tiro no pé, quando a barriga começou a crescer, Leon teve alguns episódios de pânico, tinha medo que ela saísse de casa, não dormia direito sempre verificando se ela estava bem, frequentemente saia da agencia no meio do dia, porque segundo ele “teve um mal pressentimento” e precisou ir em casa ver se ela estava bem... ele emagreceu muitos quilos de todos aqueles que ele demorou muito para recuperar e estava sempre uma pilha de nervos.
Hoje, tudo parece ter chegado ao fim. Manuela olhou para a filha no colo da enfermeira, ela era uma bebêzinha pequena e linda. Graças a Deus, saudável. A cesariana tinha sido um pouco complicada, o anestesista soltou seus braços, a enfermeira colocou o bebê em seu colo, e saiu para chamar Leon. Durante um momento do parto, Manuela começou a perder muito sangue e os médicos acharam melhor que ele saísse para não ver caso... caso acontecesse o pior.
Quando Leon entrou, ele parecia muito assustado. Manuela sorriu e mostrou a filha. Um bebezinho rosado e careca.
“ – Quer segurá-la, Sr. Kennedy?” – Perguntou a enfermeira.
Então algo inacreditável aconteceu, um brilho antigo que tinha nos olhos azuis de Leon, eu já não brilhava a muitos anos voltou a aparecer. “ – Sim.” – e quando ele tomou a menina nos braços, Manuela sentiu o maior alívio que Deus poderia lhe dar, ele sorriu. Aquilo era mesmo um sorriso, um daqueles largos e cheios de dentes. Há cinco anos, que Manuela não vê o marido dar um único sorriso... nenhum. Só isso já fazia qualquer sacrifício ter valido a pena.
“ – Senhor Kennedy, precisamos levá-la para a incubadora.”
Por um segundo ele pareceu inseguro de entregar a menina de volta. “ – Quer ir com ela?” – A enfermeira perguntou. Leon apenas sorriu sem graça e entregou a menina.
“ – Não, está tudo bem, eu vou ficar com a minha mulher.”
Manuela apertou a mãos de Leon quando ele segurou a dela.
“ – Obrigado.” – disse ele.
Ela queria ter mais tempo para aproveitar a felicidade dele, queria conhecer a filha, mas não se pode ter tudo. Seria lindo continuar ao lado dele, do verdadeiro Leon e não da sombra do que ele um dia foi. Manuela sabia o que tinha de errado com ela, e sabia o preço que custava consertar isso. E tal preço, ela não estava disposta a pagar. Nunca, nunca usaria o vírus outra vez! Nem que pra isso...
“ – Enfermeira, rápido, traga a bandeja para a histerectomia. Dr. Cloover, por favor converta a anestesia para geral. Alguém, peça mais 3 bolsas de sangue!” – Pedia o médico.
Não... geral não... eu ainda tenho algo a dizer....
“ – Leon.” – Manuela puxou o marido para perto.
“ – O que está acontecendo?” – ele perguntava.
“ – Senhor, precisamos que se retire mais uma vez, nós o chamaremos outra vez quando terminarmos.”
“ – Espera!” – Manuela gritou. “ – Leon, me e escuta...” – Ele parecia bem atento e ao mesmo tempo apavorado. “ – Eu sei o que você vai pensar... mas por favor não pense. Você sabe, a Sherry te contou, eu poderia sair dessa, se eu quisesse...”
“ – Então saia!” – Ele implorou. Manuela sabia que ele entendeu, ela falava sobre o vírus.
“ – Não. Você me conhece, melhor do que ninguém. Eu não quero, e não vou, ser uma aberração. E eu estou disposta a pagar o preço que for, pra me manter assim, até o fim.”
“ – Não diga uma coisa dessas.”
“ – Apenas me prometa.”
“ – Mas Manuela...”
“ – Psiu... apenas me prometa, que vai cuidar bem dela, que será feliz com ela. Promete que não fará a chegada dela ter sido em vão.”
“ – Eu não vou prometer nada, você não vai mor...” – Ele já tinha os olhos vermelhos e molhados.
“ – Por Favor, promete, Leon.” — Pediu já beirando o desespero.
“ – Eu prometo.”
Quando escutou essas palavras, uma paz súbita tomou conta de seu peito, talvez a maior paz que algum dia ela já sentiu. Leon salvou a sua vida, te todas as maneiras que ela poderia ser salva e ela nunca teve a oportunidade de retribuir. Agora, ela finalmente o fez. E por tal decisão não se arrependeu nem por um momento. Viveu e morreu, finalmente... como uma mulher normal.
ADA
O clima de luto tomava conta de toda a propriedade, de cada um dos empregados e até os objetos da casa pareciam em luto por causa de Long-Meng. Aos 109 anos de idade, finalmente a doença foi mais forte e o patriarca da família Wong jazia a uma semana numa luta inútil contra a morte... mas o velho era teimoso...
Hoje a luta parecia ter chegado ao fim. Ada corria pelos longos corredores até finalmente chegar no quarto do pai. La entrando, encontrou Noel de joelhos frente ao leito de morte do avô, segurando a mão fria do velho entre as dele. O rapaz se mantinha ali insistentemente, sem abandona-lo, velando-o por sete dias e sete noites, até que agora... finalmente ele se foi.
Quando se aproximou, Noel ergueu os olhos para ela, olhos azuis, vermelhos, chorosos e com olheiras. “ – Máma...” – Levantou e foi até ela, abraçando-a. Ada o abraçou de volta. Ela sabia, o filho não era de mostrar muito seus sentimentos e ainda bem cedo o avô o ensinou a “não chorar”. Mesmo rígido, Long-Meng sempre foi afetuoso com o menino e ambos eram muito mais do que próximos e agora, ficou difícil para ele segurar.
Depois de longos minutos abraçados e em silêncio, Ada saiu do abraço, secou os olhos do filho com as mãos e usou os dedos para ajeitar o cabelo preto dele. Um rapaz de dezesseis anos e já estava maior que ela, uma sombra de bigode já aparecia ali, assim como uma sombra de costeletas nas laterais do rosto, graças aos sete dias sem raspar. Noel tinha o bico de viúva do pai, e o mesmo rodamoinho na frente, que no pai jogava a franja dele para o lado, em Noel levanta um topete de cabelo arrepiado.
“ – Vem filho. Vamos deixar que cuidem do seu avô. Ainda há muito para ser feito.”
Caminharam juntos até a cozinha e lá chegando as senhoras pareceram chocadas em vê-los ali, afinal, agora Noel era o “senhor” patrão. Ada pediu que lhes servissem um café da manhã reforçado, muito embora Noel insistisse em dizer que não estava com fome.
“ – Você precisa comer, não come direito a dias. Muito em breve os amigos de seu avô começarão a chegar e você terá um milhão de compromissos. Não pode parecer abatido na frente deles, pode?”
Noel pegou uma maçã e mordeu.
Ada sabia do potencial do filho, era disciplinado, estudioso, aplicado, bom nas artes marciais, bom em línguas, nas letras e na matemática. O avô vinha preparando-o exaustivamente para quando finalmente esse dia chegasse, e infelizmente, chegou trade demais... Noel acabou absorvendo mais da personalidade do avô, do que Ada gostaria. E Long-Meng soube ser rígido... tudo para que o rapaz não crescesse “fraco como Syaoran”.
Noel seria iniciado em breve... e não havia nada que Ada pudesse fazer para impedir. Simplesmente por agora, essa era a vontade dele. Sendo assim, só sobrou ficar ao lado dele, protegê-lo e orienta-lo... pelo menos até onde ele aceitasse. Honestamente, Ada não sabia qual era o resultado exato dessa soma Leon + Ada + Long-Meng... mas algo lhe dizia para ter cuidado, pois poderia ser potencialmente perigoso.
E ele ainda é uma criança...
Depois de terminar um copo de leito. A voz do menino ecoou calma, mas firme pela cozinha. “ – Deixem-nos.”
As senhoras se entreolharam e saíram imediatamente.
O rapaz a encarou, e então perguntou de uma vez. “ – Quem é o meu pai?”
“ – Você quer saber isso agora?” – Era sempre essa mesma conversa...
“ – Você disse que não podia me contar por causa do meu avô. Pois bem, ele tá morto. Agora me conte.”
Definitivamente, o velho ter participado tão ativamente da educação de Noel teve seus pontos negativos... era uma menino deveras autoritário.
“ – O que pretende fazer com essa informação?”
“ – Meu avô me contou sobre você e... Albert Wesker. Depois você namorou o filho dele. Jake Muller... eu levantei a ficha dele.” – Mas que merda garoto, qual é a graça de levantar a ficha de quem fodeu ou não fodeu a sua mãe? – “ – O meu pai... é tipo eles?”
Ada sabia o que era isso. Um menino sempre quer saber quem é o pai, quem é o homem que o gerou... sempre quer saber quem deve admirar ou o exemplo que deve seguir. Jake foi assim, mesmo tentando evitar, volta e meia ele encontrava em Albert Wesker algum tipo de justificativa genética para tudo o que ele um dia fez de errado. O que será que Noel faria, se soubesse quem realmente é o pais dele?
“ – Eu nunca fui amante do Wesker, filho. Albert foi um amigo e deixar que seu avô acreditasse que era ele o meu amante, foi um jogo, para proteger o seu pai.”
“ – Mas isso foi anos antes de...”
“ – Exatamente. O seu pai e eu... nossa estória foi longa. Ele não era um capitão, nem um homem importante e poderoso. Eu me apaixonei por um guarda recruta, depois que ele salvou a minha vida levando um tiro por mim.”
“ – Um recruta?!”
Ada sorriu com a surpresa dele.
“ – E o melhor policial que eu já conheci. Também o homem mais humano e generoso, honesto, íntegro, honrado. Um home que seria facilmente esmagado como uma mosca pelo seu avô se eu não tivesse evitado.”
“ – Você... arruinou a missão.. e quase morreu... por um guardinha??????”
“ – Sim, Long-Meng neto, o que pretende fazer agora, matar o seu próprio pai?” – Disse em tom de deboche. “ – Não fale assim do seu pai. Ele é melhor do que eu, você e o seu avô juntos!” – ela viu o filho apertar os punhos com raiva. “ – O seu pai não é só um sobrevivente, ele é um herói. Depois de Raccoon ele já salvou muitas vidas. É um sujeito no time dos mocinhos, Noel. E se você quer saber, ele teria muita vergonha, de mim e de você!”
Levantou-se e deixou o rapaz sozinho na mesa. Assim como ela imaginou, Noel era uma criança... e uma criança que embora muito madura para a idade, foi bastante mal criado pelo avô. E quem era ela para julga-lo? Basta olhar como era a velha Ada Wong, antes de conhecer Leon.
Chegou na área externa da casa e pôs-se a observar o jardim, quando sentiu alguém lhe abraçar por trás.
“ – Desculpa máma...”
“ – Não acho que devo falar mais sobre ele com você. Não até que você seja merecedor de saber sobre ele. Qualquer garoto no mundo inteiro teria muito orgulho de ter o pai que você tem!”
“ – Eu só estou tentando entender! Eu não falei por mal.”
“ – Me responde, Noel... quando você souber quem ele é, o que pretende fazer? Quer ir atrás dele? Olhe para nós, filho. Você será iniciado... e... não podemos voltar atrás e você sabe disso, até porquê, você não quer voltar atrás. Eu não sei se há lugar para pessoas como nós na vida de um homem como o seu pai.”
Ela sabia que Noel entendeu muito bem o que ela queria dizer. As Tríades... o submundo... a ilegalidade... onde isso combinaria com um policial bonzinho?
Noel tocou-a no ombro, carinhosamente. Ele estava determinado. “ – Confie em mim, Máma. O nome dele, por favor.”
“ – Agente Kennedy.” – Ela disse. “ – Leon Scott Kennedy”
LEON
Ainda com os olhos semi abertos, com seu subconsciente ainda no mundo dos sonhos e apenas metade de seu consciente no mundo real, Leon ainda pensava que continuava a dormir ou acordava de vez. Sonhava com Ada Wong e isso era horrível. Uma porque o fazia parecer muito mais maluco do que já se sentia, afinal... foi há tantos anos... duas, porque sentia que desonrava a memória de Manuela...
Não podia sentir culpa... não podia se deixar abater... fez uma promessa...
Ainda decidia se voltava a dormir ou não e a porta do quarto se abriu num estrondo. Quando era um homem sozinho, imediatamente levaria as mãos na pistola que dormia em cima da cômoda... mas nem uma pistola no baixo ele podia ter casa, e a causadora do estrondo imediatamente se revelou, pulando na cama e fazendo-a ranger.
“- PAAAAIIIIIIIIII!!!!!!”
O corpo de Leon sacudia a medida que a menina continuava a pular.
“ – ACORDA!”
Ela deu um berro quando num golpe rápido Leon a derrubou no colchão. “ – O que eu te falei sobre subir de sapato na cama?” – Ela gargalhava enquanto ele lhe fazia cócegas. “ – Vê se isso é atitude de mocinha! Ah quer respirar é? Então pede penico!” – A menina perdeu o fôlego mas Leon não parou as cócegas. “ – Pede penico!”
“ – Penico!”
“ – Pronto.” – Leon saiu de cima dela e depois a ajudou a levantar. Se espreguiçou longamente e caminhou arrastando os chinelos até o banheiro e trancou a porta, caso contrario Hilda entraria para lhe pentelhar até na hora do mijo. Aquele era o banheiro de sua suíte, Hilda tinha a dela, mas ter uma menina em casa o ensinou modos, não importa em que banheiro esteja, Leon sempre levanta a tampa antes de mijar e abaixa depois. Fez a barba, escovou os dentes, trocou de roupa e então saiu para seguir o barulho que vinha da cozinha.
Leon tirou férias, mas a filha só entraria daqui há três dias, sendo assim, ele acabou por não ligar o despertador e quase perdeu a hora de leva-la à escola. Ela terminou o cereal, não sem antes jogar quase 100 litros de leite por toda a mesa e depois se atrapalhando inteira para conseguir limpar.
“ – Papai, depois da escola você me leva na livraria?”
“ – Amanhã eu levo docinho. Esqueceu que hoje nós temos compromisso?”
“ – O quê?”
Leon tirou um envelope que estava preso na geladeira e atirou para ela. A menina abriu sem muito cuidado e então pareceu lembrar. Era o aniversário de Michael.
“ – Papai, mas por que o filho da Tia Sherry é preto? O marido dela é ruivo.”
“ – Porque ele é adotado.”
Jake e Sherry estiveram lá duas semanas antes com Michael de 13 anos. Aquilo foi um grande passo, depois do ocorrido no Cazaquistão, Jake Muller sumiu e quando ele reapareceu e reatou com Sherry, Leon não o queria ver nem pintado de ouro. Leon foi convidado para o casamento e fez questão de não aparecer. Demorou muitos anos... longos dezesseis anos para que Leon conseguisse deixar suas diferenças de com Jake Muller de lado. Há alguns meses, o casal adotou um adolescente, o tipo de menino que nunca seria adotado. Não apenas por causa da cor, mas por causa da idade e por já ter passado por medidas disciplinares antes... um péssimo histórico escolar, agredir colegas, pequenos furtos, filho de pai detento e mãe morta de causa violenta. Leon sabia o que era isso... Sherry não podia ter filhos e Jake não via ninguém, se não ele mesmo naquele menino. Michael era assustador para a maioria dos casais que queriam um filho, mas para um casal como Jake e Sherry, foi amor a primeira vista. Era obrigado a admitir... no fundo... mas bem lá no fundo, Jake era um cara legal.
O barulho de um sininho veio da porta e era Snot, a criatura feia, meio Beagle, meio Poodle que Hilda se apaixonou logo na primeira lambida. Fruto de um vizinho com um Beagle fujão e uma vizinha com uma Poodle não castrada que ficou desesperada depois tentando arrumar donos para os filhotes mais feios do universo, aqueles “Pooagles”.
Quando Hilda completou três anos, Leon vendeu o apartamento que tinha e mudou-se com ela para o subúrbio. Uma criança merecia crescer em um lugar melhor que um apartamento. Ela merecia quintal, merecia amiguinhas para sair com ela de bicicleta, merecia tocar a campainha dos vizinhos e correr... merecia Snot...
“ – Papai, vamos levar Snot conosco.”
“ – Então apanha a coleira dele.”
Durante o caminho da escola, Hilda corria na frente e para variar, Leon vinha atrás com a mochila, a lancheira e Snot, um cachorro surtado que latia para todos os carros, queria correr atrás de todos os pneus as vezes parava de caminhar para tentar comer o próprio rabo.
De repente Leon ouviu o grito agudo da filha, logo após ela dobrar a esquina.
“ – Papai!!!!”
Leon correu até lá arrastando Snot pelo pescoço, quando viu aliviado que o problema não era com ela. Havia um garoto estirado no chão, usando um par de patins e nenhuma proteção.
“ – Segura ele meu anjo.” – Disse Leon entregando a guia do cachorro para Hilda. Em seguida ajudando o garoto a deitar de costas. “ – Tudo bem rapaz?”
“ – Ele estava voando no patins, e se esborrachou de cara no chão, Papai.”
Leon riu e o rapaz franziu o cenho para a menina. Ele machucou a testa, esfolou as mãos e os dois joelhos. “ – Qual é o seu nome?”
“ – Albert.”
“ – Certo Albert. Eu sou Leon e essa é a Hilda. Que dia é hoje?”
“ – 23”
“ – E quantos dedos tem aqui?” — Perguntou mostrando dois dedos.
“ – Dois.”
“ – É, eu acho que você vai sobreviver. Quer ajuda para levantar?”
“ – Eu queria tirar os patins primeiro...” – O menino tentou se esticar até os pés, mas a dor o fez voltar a posição deitada.
“ – Espera aí, eu ajudo.” – Leon desafivelou as botas do patins e os retirou com cuidado.
“ – Obrigado, acho que posso levantar agora.”
Leon segurou firme as mãos do rapaz e num movimento rápido o botou de pé. O menino era alto, tinha um corpo esguio e embora tivesse um inglês perfeito, com o sotaque dava pra perceber que era estrangeiro. “ – e de onde você é, Albert?” – Velhos hábitos... policiais gostam de conhecer toda a vizinhança e aquele ali era novo.
“ – Hong Kong. Eu estou fazendo intercâmbio. Eu... acho que me perdi.”
“ – Está matando aula, garoto?”
O garoto franziu o cenho outra vez, Leon percebeu que o garoto o fitava de cima a baixo.
“ – É... você me pegou.” – Albert forçou um sorriso.
“ – Touché.” – Leon respondeu debochado piscando um olho. “ – Consegue andar?”
Albert forçou alguns passos para frente e depois voltou. “ – Sim, tá tudo certo. Obrigado, Senhor...?” – Perguntou estendendo a mão.
“ – Kennedy. Mas me chama de Leon.” – Aceitando o aperto de mãos. Admirando com o aperto firme do rapaz, que era daqueles que te aperta a mão olhando nos olhos. “ – E da próxima vez, não esquece de usar proteção.”
O garoto bateu continência bem humorado. “ – Sim senhor. Ai!” – e tocou bem no corte da testa.
“ – Rapaz...” – Leon segurou o garoto pelo queixo. “ – Isso tá sangrando. Escuta, eu moro logo aqui nessa calçada, não quer vir comigo e limpar essa bagunça? Você pode ligar para casa e pedir para alguém vir te buscar.”
O garoto tinha olhos puxados, mas nesse momento eles aumentaram de tamanho, só então Leon percebeu que eram olhos azuis. O garoto parecia tentado a aceitar. Olhava para Leon e depois para Hilda... mas respondeu.
“ – Não. Tá todo mundo no trabalho e... eles vão descobrir que eu não fui pra escola. Melhor não.”
“ – Tem certeza?” – Hilda abraçava Snot.
“ – Tenho sim. Olha eu não vou te atrasar mais. Obrigado, Senhor Kennedy. Eu to bem.”
“ – Hn.” – Leon pensou por um momento, não gostava da ideia de deixar o rapaz voltar só de meias e todo ralado pra casa. “ – Já sei, vou chamar um taxi.” – Tirou o celular do bolso e ligou para um numero conhecido.
“ – Não precisava. É serio, eu estou bem.”
“ – Relaxa, nós estamos atrasados e precisamos de uma carona sua até a escola, né Hilda?”
“ – Estamos beeeem atrasados!” – Ela respondeu.
Em menos de dez minutos o taxi chegou. Hilda entrou na frente com Snot, Leon ajudou o garoto a entrar e segui-o logo após. Durante o percurso, Leon percebeu que era constantemente observado pelo rapaz, de uma maneira ligeiramente desconfiada. O que era até bom, afinal ele estava machucado e aceitando carona de um estranho, toda atenção nos dias de hoje, é pouca. Quando chegaram na frente da escola de Hilda, Leon enfiou a mão no bolso e tirou duas notas de vinte, com mais dez de gorjeta. “ – Acho que isso é o suficiente, se ficar faltando, você sabe onde me achar, certo?”
“ – Certo, Senhor Kennedy.” – Respondeu o motorista.
“ – Ok, agora leva o nosso amigo Albert que deveria estar na escola, para casa.” — virou-se para o rapazinho outra vez. “ – Até outro dia Albert. Foi um prazer. Tchau. Juízo, heim!”
Albert apenas sorriu de volta e disse: “ – Tchau.”
Leon viu o carro se distanciar, até finalmente sumir.
NOEL
Os joelhos ardiam, mas Noel podia, sim, andar depressa. Ao longe observou o carro preto e de vidros escuros que o aguardava logo em frente. Chegando lá, abriu a porta da frente e jogou os patins á dentro, em seguida abriu a porta traseira e entrou no carro.
Sua mãe o aguardava com um olhar curioso.
“ – Por Deus Noel... se jogar do patins daquele jeito... queria tanto assim chamar a atenção dele?”
“ – Eu só calculei errado.” – O motorista lhe ofereceu uma caixinha de primeiro socorros. “ – Nos tire daqui.” – O motorista prontamente atendeu.
“ – Sei.” – Ela sorriu. “ – E porque não entrou com ele em casa, achei que quisesse conhecer o seu pai.”
Ela sabia muito bem tudo o que ele já revirou sobre o próprio pai, desde documentos secretos da CIA até pesquisas no Google. “ – Eu queria ver ele, máma. Ver.” – Molhou uma gaze com álcool e usou um espelho para limpar o corte na testa. “ – Escutar a voz dele e saber que eu o encontrei, mesmo que só uma vez. Se eu entrasse lá ele ia ficar fazendo... perguntas. Ou olhando muito para mim. E a propósito, ele é bem perguntador e desconfiado também. Não... foi melhor eu ir embora o quanto antes.”
“ – Então você já sabe quem puxou.” – Ela riu.
“ – Não tem graça.” – Então aquele homem era seu pai. Tudo o que a sua mãe disse, era verdade. Ele era um herói. E era gentil e parecia ser um bom homem. Do outro lado, estava ele... não necessariamente o tipo de filho que ele sonhou em ter. Pelo menos, Leon tinha sua meia irmã... parecia uma menina tão... normal.
“ – Filho...”
“ – Oi.”
“ – Você está bem? Nós... estamos bem?”
Noel olhou para a mãe, e percebeu que era alvo do olhar preocupado dela. Um segundo depois percebeu que os olhos dele estavam molhados. Não gostava de chorar. Principalmente na frente dela, mas se sentia triste, porque sabia que mesmo agora que o avô está morto, o mais sensato seria continuar bem longe de Leon... mesmo que ele seja o seu pai e o pai que todo garoto gostaria de ter. Seu lugar era bem longe dalí.
Abraçou a mãe e deixou que ela o acolhesse. “ – Agora não Máma. Mas daqui a pouquinho vai ficar. Vamos pra casa.”
FIM
OBS 2 – Vocês REALMENTE acharam que a Ada morreu? Sério mesmo? Jura? Cara a mulher morreu nos braços do Leon, o cara tava com ela morta no colo... pula um jogo e a muié aparece viva outra vez! Serio? Quando eu quiser matá-la eu foi fincar uma estaca de madeira no peito dela, encher a boca dela de alho, separar a cabeça do corpo e depois incinerar tudo. Os se tratando de Ada Wong, só assim pra ter certeza! Hahahahahahahaha
OBS 3 – Sorry, eu matei a Manuela. Se isso fosse um jogo e tivesse uma estória seguinte, talvez ela pudesse reviver. Afinal eu já até ressuscitei ela pra fazer essa fic, poderia fazer de novo, né? Mas como esse fic NÃO TEM continuação, essa foi o fim dela. Morta.
OBS 4– Vcs realmente acreditaram que teria um final feliz com casaisinhos juntos? Ah é... o Jake e a Sherry ficaram juntos e foram felizes para sempre.
OBS 5– Hilda é o nome da mãe da Manuela.
MUITO OBRIGADA a todos vocês que acompanharam a fic até aqui. Obrigada pelos elogios, pelas criticas, por tudo mesmo. Muitissimo obrigada!!!!!!
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