Going After Her
4 Capítulo 4
ADA
Ainda escutava o barulho da descarga enquanto terminava de lavar o rosto com água gelada. Acabara de esvaziar completamente o estômago dentro da privada. Depois do vinho misturado a bomba de remédios que tomou após sua luta com Jake, estava difícil não botar tudo o que comia pra fora. Foi há apenas dois dias, sabia que estaria bem outra vez em breve. Levantou o queixo e tocou as marcas no pescoço, ainda estavam lá.
Terminou sua higiene pessoal, partiu para o centro de informática da base, era tudo o que lhe sobrou para fazer até que suas costelas estivessem no lugar. O braço já estava melhor e dispensou a tala por conta própria. Gastou toda a manhã mapeando os movimentos da Al-Zayn e estudando as possíveis modificações na biologia celular das B.O.W’s usadas por eles.
Quando chegou a hora do almoço, não sentia a menor fome mesmo assim decidiu ir ao refeitório comer. Sua barriga doía na região epigástrica – onde levou um dos golpes – ainda havia um hematoma ali, e pra piorar, os remédios deixaram seu estômago bem nervoso. Mas precisava comer, não seria nada bonito sair desmaiando por aí.
Chegando no refeitório, apanhou uma bandeja e preparou seu prato, talheres e um copo. Seguiu rumo ao Buffet e tentou decidir o que pegar. As massas, carnes, sopas... tudo parecia simplesmente horrível para ela, no fim colocou apenas uma de salada de alface, um pouco de grão de bico, umas torradinhas salgadas e um copo d’água. Ao longe avistou Jake... achava engraçado como ele ficou tímido com ela depois do ocorrido. Para falar a verdade, ela estava tão chapada por causa dos remédios – que lhe aplicaram contra sua vontade – e do vinho, que nem se lembrava muito bem de como tudo aconteceu. Mas lembrava que Jake estava tonto... muito tonto!
Jake estava sentado com outros dois agentes. O rapaz tinha três pratos cheios, um com o almoço propriamente dito, outro com um apanhado de pães, manteiga e geleia e um terceiro, cheio de frutas.
“ Claro, muita comida, para manter alguém com todo aquele tamanho em pé.”
Ada nunca iria esquecer, do dia que foi “brincar de faca” com aquele brutamontes. 135 quilos de músculos e ossos, ambos bem mais fortes do que o de um homem normal, distribuídos em 1,90cm de altura.
“ – Senhor Muller. O que acha de chegar pro lado e dar espaço para uma mulher em convalescência?”
Ele ergueu os olhos em sua direção com o garfo ainda a caminho da boca. Imediatamente jogou o garfo de volta no prato e deu espaço para que ela sentasse. Ada achou graça no comportamento dele, era um misto de vergonha e medo. Sentou à mesa e molhou as alfaces com um pouco de shoyu.
“ – Está melhor, Wong?”
“ – Sim Roberto, obrigada. Mas por favor, da próxima vez, não ofereça vinho à uma pessoa morrendo de dor. Por sua causa eu ganhei uma enxaqueca e um estômago raivoso. Além do mais, bêbados sempre passam vergonha, não é, Senhor Muller?”
O ruivo engasgou com o suco e tossiu um pouco.
“ – É Muller, participa da conversa. Afinal, isso foi tudo obra sua.” – Disse Roberto, apontando o dedo para Ada e rindo.”
Ada comeu a primeira garfada e logo sentiu que a comida não lhe caiu muito bem. Tentou uma torrada, mas não obteve um resultado diferente. Decidiu não forçar mais e empurrou a bandeja para longe, ficando apenas com o copo d’água.
“ – O que foi?” – Perguntou Roberto.
“ – Já disse, meu estômago.” – Passou a mão na barriga e Jake olhou para ela quando o ronco saindo da barriga dela foi mais alto.
“ – Toma. Pega isso.” – Jake lhe oferecia uma maça. “ – Você precisa comer e maçã as vezes alivia o estômago.”
“ – Obrigada.” – Respondeu, segurando a fruta vermelha e suculenta entre as mãos. Quando deu a primeira mordia e comeu, sentiu um alívio estranho. Ele tinha razão. Conseguia comê-la sem querer botar tudo pra fora quase que imediatamente, como estava sendo com as outras comidas. E era uma maçã grande, estaria bem alimentada por algum tempo. Sentiu o suco escorrendo no canto dos lábios, estava gostosa, nem se preocupou em pegar um guardanapo... pela primeira vez em dois dias, algum alimento finalmente lhe deu vontade de comer.
“ – Mas come devagar.” – Avisou ele lhe estendendo um gardanapo.
A espiã sorriu. Nada como as dicas gastronômicas de um mercenário bronco.
LEON
Abaixou o volume da T.V. quando escutou a campainha. Calçou os chinelos que estavam em baixo do sofá e correu até a porta. Era Sherry. Ela o cumprimentou com um abraço e um beijo no rosto.
“ – Entra, senta lá no sofá, Sherry.” – Disse correndo até a cozinha e pegando duas latas de cerveja, uma para ela e uma – mais uma – para ele. Não pôde deixar de pensar que até bem pouco tempo atrás – pelo menos na sua cabeça, era pouco tempo – Sherry era só uma menininha, e hoje, oferece cerveja a ela.
Sentados um ao lado do outro enquanto assistiam a um jogo de baseball qualquer, Leon tocou no assunto.
“ – Eu vi Jake Muller na Bélgica.”
Sherry lambeu a cerveja dos lábio e o encarou curiosa. “ – Onde? O que ele fazia lá?”
“ – Eu não sei.” – Foi tudo o que conseguiu responder. Lamentou não ter perguntado sobre ele a Ada. Sabia Sherry estava preocupada sem noticias do rapaz. Mas quando finalmente se encontrou a sós com a espiã, a última coisa que lhe passou pela cabeça foi conversar a respeito do rapaz.
“ – Como ele estava?”
“ – Bem, eu acho. Estava até dançando.”
“ – Dançando? Onde?”
“ – No jantar de confraternização da ONU.”
A jovem – mesmo com 29 anos de idade, para Leon, ela sempre será uma jovenzinha – suspirou longamente. “ – Leon... Jake sempre foi um mercenário, o que ele estaria fazendo num lugar desses? Espero que não esteja fazendo nada errado.”
O Agente ficou quieto. Ele também já se flagrou pensando a mesmo coisa. Afinal, Jake estava dançando com a Ada... Era obvio que o filho de Albert Wesker estar acompanhado de Ada Wong no jantar de confraternização da ONU não podia ser uma simples coincidência. Mas Leon preferia não contar essa parte a Sherry, um motivo era a moça ser demasiadamente preocupada com o ex-namorado, outro motivo era Ada Wong, ela ainda era uma espiã, e ele não queria expô-la.
“ – Como vão as coisas na agência?” – Mudou de assunto.
“ – Bem.” – Ela respondeu olhando fixamente para o jogo, visivelmente ainda pensando em Jake.
“ – Talvez eu me demita.”
“ – O quê?!”
Ela estava em choque.
“ – Calma Sherry. Não há nada errado. Eu só... estou cansado.”
“ – Mas... Leon...”
“ – Você sabe por que eu aceitei trabalhar para o governo, não sabe?” – Sherry ficou em silêncio. – “ – Você também sabe tudo o que essas pessoas fizeram com você. Eu... eu não consigo achar uma boa razão para continuar agora que Adam está morto... eu não confio em ninguém.” – sorriu e então a abraçou. “ – Além do mais gatinha, você está crescida, já pode se cuidar sozinha... né?”
“ – Por favor Leon. Diga que não está depressivo por causa do presidente e decidiu largar tudo.”
O loiro riu alto. “ – Não Sherry. É o contrário. Acho que agora eu estou finalmente livre... E... eu nunca estive tão feliz.”
JAKE
Hoje completam sete dias que estavam naquela base. Ada ainda não podia retomar os treinos físicos, mas já voltou a atirar. Cada um em sua cabine, com os protetores auriculares, usavam suas pistolas para acertar o alvo de papel a metros de distância.
Depois do ocorrido no quarto de Ada, com todo aquele vinho, Jake sentiu medo de ter arruinado tudo. Agora, estava aliviado por ela não ter dado importância alguma ao fato. Ada era uma mulher linda, apesar da diferença de idade, eles não aparentavam isso, algumas vezes, achava inclusive que ela parecia mais jovem que ele. É claro que seria ótimo se ela tivesse correspondido aquele beijo. Há quanto tempo foi a ultima vez em que esteve com uma mulher?
Aliás, apesar da pose de arrogante se super seguro de si, Jake sabia muito bem que nunca o foi. Em seus vinte e dois anos de idade, sua experiência com o sexo feminino é a mais desastrosa possível. Até o fim da adolescência, sempre foi o rapaz alto demais, estranho demais, branco demais, sardento demais, ruivo demais... tudo demais! Além dos cabelos muito ruivos, cheios e totalmente rebeldes pelos quais acabou decidindo por raspar, seus dentes inferiores eram tortos e nunca teve a oportunidade de conserta-los. O que fazia Jake raramente sorrir mostrando os dentes. E para piorar a situação, ganhou uma enorme cicatriz bem no meio da cara...
Jake não se sentia bonito, muito embora Sherry sempre dissesse o oposto, ele sempre acreditou que se não fosse a situação em que se conheceram, se não fosse tudo o que passaram juntos... uma garota como ela nunca, jamais, nem nos seus melhores sonhos, sequer olharia para ele. Sherry era uma menina educada, bem nascida, que embora tenha passado por momentos difíceis também, ainda estava numa camada seleta da sociedade da qual Jake estava convencido de não pertencer.
Como mercenário, viajou o mundo, já convivendo e se comportando como um adulto... as mulheres que teve durante essa fase não valia de parâmetro, bastava oferecer mais uma nota, e elas lhe diriam qualquer coisa... até que ele era bonito.
E quanto a Ada? Ela era linda, forte, sexy, inteligente, independente... enfim, era um verdadeiro furacão. O que uma mulher assim iria querer com alguém como ele?
“E acostume-se Jake, aquele beijo roubado é o máximo que você conseguirá chegar perto de uma mulher como ela.”
Lembrou que estava preocupado com ela durante esses dias. As dores de cabeça, as tonturas, os vômitos... De três dias para cá, Jake sempre carregava uma maçã consigo para oferecê-la sempre que ela enjoava ou passava horas sem comer. Mas... não era só isso...
Jake se viu sem munição e saiu de sua cabine correndo até a dela. Ela cessou os tiros quando ele entrou.
“ Olá?”
Ele não respondeu. Apenas pôs-se a encarar a mulher diante de si de cima a baixo. Ada era uma mulher alta e esguia, mas de... curvas generosas. Qualquer homem que for de fato um homem repara naquele corpo logo na primeira vez em que o vê, e com ele não foi diferente. Ela não tinha seios grandes, mas eram firmes e enfeitavam bem o decote, a cintura era fina e os quadris eram largos, a bunda empinada...
Mas agora tinha algo diferente. Ela emagreceu visivelmente devido aos enjoos e a restrição alimentar, no mínimo quatro kilos, mas as curvas dela estavam chamando bem mais a atenção. Os seios estavam quase gritando que queriam saltar para fora do decote, o quadril estava mais arredondado...
“ – Senhor Muller, vai falar alguma coisa ou vai ficar aí plantado olhando pros meus peitos?” – Ela disse bastante irritada.
Jake apertou os lábios sem desviar o olhar. “ – Sim, Dona. Eu estou olhando pros seus peitos! E não é de hoje. E estou olhando pra sua bunda também. Isso tudo deveria estar sumindo, já que você está comendo feito um passarinho, e não, crescendo. Quando foi a sua ultima menstruação?”
“ – Ok, Jake, Dr. Ginecologista, você adivinhou que eu estou inchada por que estou para ficar menstruada, e daí?”
O ex-mercenário permaneceu sério, para ele, aquilo não tinha a menor graça.
“ – Eu te perguntei, quando foi a ultima você que você menstruou!”
“ – Isso não é da sua cont...” – Ela interrompeu o que ia dizer e quase imediatamente ficou pálida, quase em pânico.
“ – Eu sabia...” – O pânico nos olhos dela respondiam tudo, ela estava atrasada além da conta. Somando aos seios cheios, os enjoos, as tonturas... Ada. Você tá grávida.”
Continua...
Fale com o autor