JAKE

“ – A polícia local ainda investiga a fuga do prisioneiro mais ilustre da cidade. Responsável por matar o então filho do prefeito há quase quinze anos, Teng Tsu, acabou caindo no esquecimento após sua polêmica prisão, onde afirmava que a vitima teria então estuprado sua filha de trezes anos Mandhuhai Tsu e usando desse discurso para justificar seu crime. Não se tem qualquer pista sobre como ocorreu a fuga, sua cela foi encontrada aberta e vazia, não há sinais de arrombamento ou qualquer vestígio do prisioneiro.” – Jake terminou de ler a reportagem no jornal mongol e então sorriu para a espiã que brincava com a espuma e a aguá morna em sua banheira atenta a leitura.

“ – Eu estou impressionada Jakob. Sua leitura no idioma local está perfeita.”

“ – Eu ainda não acredito que você entrou naquela cadeia, depois de ter roubado a arma de dois policiais e soltou aquele senhor.” – Observou sem nem ao menos piscar a mulher emergir da água, surgindo nua na frente dele como se fosse a própria Vênus.

“ – E eu ainda não acredito que você o conduziu até a fronteira com a esposa e a filha e depois deu-lhe uma parte do dinheiro que eu te dei.”

Jake tinha uma enorme toalha branca e felpuda em mãos, ele mesmo envolveu Ada assim que ela saiu da banheira. Então a abraçou forte. “ – Se o meu benzinho quer o homem livre, então ela terá o homem livre.” – e beijou-a, usando a toalha para puxa-la ainda mais para si.

“ – Suponho que o nosso dia de crimes naquele cidade tenha sido algo produtivo, afinal?”

Seguiram aos beijos até o quarto. “ – Produtivo seria você ficar assim, pelada o dia inteiro. Não é produtivo ficar se enchendo de roupas só pra eu tirar.” – Já estava com ela na cama outra vez e não tinha qualquer intenção de sair dali, para falar a verdade, ainda lamentava tê-lo feito uma hora atrás. Jake já tentava usar sua melhor gama de argumentos físicos e químicos para convencê-la a ficar, e chegou a rosnar de frustração quando ela se esquivou e pôs-se de pé indo até o guarda roupas.

“ – Alexei está vindo, ele não sendo muito atraído por você e absolutamente nada atraído por mim, eu prefiro manter nossos assuntos privados longe das vistas dele. Ou você gosta de plateia, Senhor Muller?”

Jake não deixou de perceber o olhar malicioso da espiã por cima do ombro antes dela começar a escolher uma roupa. A verdade é que ele não apenas detestaria uma plateia, como só a hipótese de alguém, seja lá quem for, colocando os olhos no corpo de Ada, não interessa por qual motivo, já o fazia tremer de raiva.

Ele era sim, muito ciumento. Foi ciumento com a mãe, onde não suportava ver qualquer homem se aproximar dela, uma mulher linda e visivelmente numa situação delicada com um filho pra criar e sem nenhum centavo... para Jake todos os homens que se aproximavam dela tinham somente as piores intenções, nesse aspecto era até bom ela sempre estar em “luto” eterno pela “perda” do filho da puta do Wesker... poupou muitas brigas, afinal Jake não precisou ganhar muita idade para que finalmente começasse a colocar todos eles para correr e ela era linda, tão linda que mesmo sem querer, deu trabalho, Jake lembrava muito bem de quantos dentes e narizes alheios ele teve que quebrar por causa dela. Foi ciumento com Sherry, extremamente ciumento, não foi exatamente o motivo da separação mas com certeza foi um dos motivos para o desgaste do mesmo.

E agora tinha Ada. Estavam ali naquela casa, quase sempre isolados do resto do mundo, mas mesmo assim Jake já percebeu que precisava ser cuidadoso. Se flagrou inúmeras vezes torcendo os lábios e fechando os punhos para cada homem que ao menos olhou pra ela, foi de cara amarrada com ela para o médico porque achava que seria um homem e por fim, se via constantemente corroendo uma raiva imensa do homem que ele nunca nem ao menos viu, o homem que fez um filho nela e que por mais de uma vez ela falou dele com tanto carinho, quase uma devoção. Por isso tinha que ter cautela, Jake sabia que seu temperamento era explosivo, sabia que era um bruto incorrigível, só que dessa vez a outra parte não era sua mãe e muito menos a Sherry. Era Ada Wong e uma mulher como ela não se sujeitaria a discussões calorosas, portas batendo, gritos, copos quebrando e qualquer tipo de demonstração de autoritarismo por parte de um homem. Ele sabia, ela era uma mulher livre, acostumada a viver sozinha... e além de tudo, estava grávida e merecia ficar em paz. Se ela soubesse como ele era ou se ele pisasse na bola... a chinesa sairia correndo como o Diabo foge da cruz.

“ – Eu nunca estive num quarto de menina antes.” – Disse debochando. Jake decidiu mudar o rumo da conversa e de seus pensamentos. Ficou a admirar a fissura da chinesa por borboletas, elas estavam pelo quarto inteiro, na cabeceira da cama, penduradas no teto, desenhadas no abajur, bordadas nas cortinas. Então ela voltou ficando de pé ao lado da cama, ela tinha o vestido com a parte superior ainda por vestir e pedia ajuda para abotoar o top preto de lycra. Jake a ajudou com o top e depois a amarrar as cordas do vestido vermelho e malha que ia somente até o meio das coxas. Jaka achou o vestido muito decotado mas guardou o comentário pois logo ela vestiu um casaquinho preto por cima deixando-o semi-aberto abotoando somente os dois botões do meio.

“ – E o quarto da Sherry?’

Jake não entendia, como era tão fácil para ela tocar no nome da ex-namorada dele. Como se todos estivessem sempre juntos e fossem todos amigos. Ada falava de Sherry sem um pingo de ciúme, raiva ou reserva, enquanto ele, sentia o corpo tremer de raiva só de pensar em qualquer outro que ela teve antes. “ – Eu nunca estive no quarto dela.” Respondeu apenas. Fitou a espiã de pé perto da penteadeira separando a maquiagem que iria usar. Jake podia sentir o cheiro do perfume e do hidratante dela lhe invadindo as narinas, focou a atenção nas pernas longas torneadas, os pés pequenos e descalços e por fim aquela bunda que já era de fazer qualquer homem torcer o pescoço e agora então, estava bem mais redonda e bem mais gostosa... e naquele vestidinho, então... O mercenário sorriu enquanto levantava devagar, queria chegar nela de surpresa, a vontade que tinha era de agarra-la ali mesmo. Ada deu um grito e soltou uma gargalhada quando ele a puxou por trás e a beijou na nuca... foi quando escutaram uma chamada no radio de Ada.

“ – Ei, vocês dois. Sou eu, já estou esperando há quinze minutos, vão me deixar entrar ou querem me usar como cobaia pra testar todas as armadilhas mortais que o skinhead montou por aqui?”

“ – Alexei!” – Ela exclamou e estava feliz. Jake bufou... não estava nada satisfeito.

Assistiu quieto sua borboleta voar para o andar inferior enquanto contava alguns minutos antes de descer atrás dela. Lembrou que estava sem camisa, foi até onde era o seu quarto e buscou uma vestindo-a sem muita pressa. Talvez fosse bom dar alguns minutos sozinha para a espiã – antes que ela o chutasse para bem longe. Calçou seus coturnos com toda a calma e então finalmente desceu.

Ao contrario do que esperava, Ada e Alelxei não estavam rindo ou falando besteiras como sempre. “O Agente” pareceu tão sério que por um momento Jake pensou se deveria ou não entrar na conversa, acabou por decidir sentar ao lado de Ada, afinal ela não mencionou nada sobre esconder de alguém o que havia entre os dois.

“ – Alexei.” – Cumprimentou-o antes de passar um braço em volta dos ombros da espiã.

O Agente riu de maneira amarga. “ – Que bom, eu estava certo afinal. Vocês fazem um casal bonito. Infelizmente as noticias que eu carrego não são boas o suficiente para eu abrir uma garrafa de vodca com o nosso querido Jake e comemorar.”

Jake gostaria de lançar qualquer comentário sobre o desprezo que sentia sobre a maldita bebida russa mas preferiu ficar calado quando percebeu que Ada pareceu aflita. Ela tinha o rosto sério e mantinha a calma como sempre, porém se tem uma coisa que a proximidade física e a intimidade lhe proporcionaram foi capacidade de sentir a tensão de Ada apenas percebendo os músculos dos ombros dela se contraindo embaixo do seu abraço.

“ – Fala.” – Disse ela, seca.

“ – Syaoran está morto.” – Jake sentiu ela tremer quando Alexei proferiu a noticia. – “ – Foi assassinado.”

Ada pereceu esquecer de respirar por alguns segundos, até de finalmente soltou um longo suspiro. Jake se perguntava quem era essa pessoa, e porquê Ada pareceu tão abalada. Depois chegou a conclusão que deveria ser alguém importante, pois agora, Ada estava chorando.

Agora ele estava de fato preocupado. Ada cobriu a a boca com as mãos e fechou os olhos o mais forte que podia. Jake sabia o quanto ela era avessa a demonstrar emoções, contudo essa noticia foi forte o suficiente para ela não conseguir se segurar embora ainda tentasse. Tentou conforta-la apertando o abraço mas ela simplesmente se levantou bruscamente indo em direção a lareira, evitando olhar para ele ou para Alexei.

“ – O que aconteceu Alexei? Quem era Syaoran?”

Alexei abriu a boca para dizer algo, mas Ada o interrompeu bruscamente, ainda sem se virar para Jake. “ – Era o meu irmão.”

“ – E não é só isso.” – Alexei completou. – “ – Ada, seu pai quer te ver.”

LEON

Foram poucos dias dividindo o apartamento com Manuela até então, portanto, cedo para dizer que estava tudo dando certo, mas a verdade é que até o momento Leon não tinha do que reclamar. Tudo bem que nesses poucos dias ele mesmo vinha se esforçando para ser menos bagunceiro e mais anfitrião, mesmo assim, Manuela parecia ser aquele tipo de pessoa que para ela, tudo está sempre bom.

Quando chegava cedo em casa, tinha jantar pronto esperando por ele. – Leon nem se lembrava quando foi a ultima vez que comeu comida de verdade, aquelas, frescas, saudáveis e feitas em casa – quando chegava tarde, a comida dele estava dentro do forno pronta para por no micro-ondas, a casa limpa e ela já dormindo, quietinha. No dia seguinte, ela sempre passava tão silenciosa pela sala que nunca o acordava, quando ele o fazia, era por causa do cheiro de café fresco vindo da cozinha, depois de comerem, ela sempre se despedia dele alegremente antes dele sair pro trabalho. Não tinha muita certeza sobre como eram as tardes dela, Sherry aproveitava as férias na Agência Nacional de Segurança para sempre ir até o apartamento e levar Manuela para sair ou fazer alguma coisa juntas. Contudo, as férias de Sherry não durariam para sempre, e Leon achava muito inseguro Manuela sair circulando por aí sozinha, e por outro lado, ficar trancada em casa pode acabar virando um novo inferno para ela.

De qualquer forma, isso são preocupações futuras. Hoje era sexta feira, e sexta feira era dia de relaxar. Ele merecia isso no fim das contas. Deixou a agência no fim do expediente, e seguiu rumo a pub irlandês que não ficava tão distante dalí. Ao entrar no local, procurou pelos cabelos castanhos de Helena no meio de tantas outras cabeças que ali estavam, sorriu para ela quando finalmente a encontrou, o seu banquinho ao lado dela já estava devidamente guardado com a bolsa dela, que ela imediatamente tirou quando ele chegou.

“ – Que feio. Sua primeira sexta feira a noite com a esposa, e você vem encher a cara comigo.” — Ela zombou.

Leon pediu uma cerveja e sorriu para a jovem aos seu lado. “ – Pra você ver o quão ridículo eu sou. Você nem topa fazer tudo o que uma outra faz.”

“ – Espero que ainda se lembre que agentes da imigração podem estar te vigiando, antes de tentar alguma besteira, Kennedy.”

“ – Ora! E quando foi que eu tentei fazer alguma coisa com você, Helena? Quer dizer... tirando aquela vez no Cazaquistão... mas você sabe os meus motivos.”

“ – Exatamente! Você nunca tentou antes... mas antes, você tinha alguém com quem você dava as suas escapadinhas com uma certa frequência nos últimos dois anos. Agora você se amarrou num casamento celibatário por pelo menos os próximos cinco anos, eu não quero você na secura e caindo de bêbado perto de mim.”

Leon sabia muito bem do que ela estava falando. Não tem mais Ada... não tem mais ninguém... e pelos próximos anos não poderia namorar. Helena o conhecia, ela era bonita e ele frequentemente bebia demais. Leon não estava afim de perder outro dente. E chegou a essa conclusão enquanto passava a língua pelo buraco do molar que estava faltando graças ao gancho de direita dela.

“ – Eu consigo me controlar.”

“ – Se você não se controlar, eu te controlo. Estou mais preocupada com a bonequinha que você tem em casa...”

“ – Do que você está falando?”

“ – Por Favor, Leon. Vocês dois sozinhos... e casados. Depois de seis meses, oito meses, um ano sem sexo... provavelmente sem qualquer noticia da Ada, mas com aquela esposinha linda esperando por você todos os dias, jura mesmo que você não pensou nisso?”

Estaria mentindo se dissesse que não pensou. Mas o que Helena queria que ele fizesse? Que deixasse a menina à própria sorte? Então respondeu, com toda a honestidade que podia. “ – Helena, em um ano, tanta coisa pode ter acontecido. A verdade é que, eu não faço planos tão longos. O que eu posso te jurar de todo o meu coração é que agora, nesse momento, eu não penso e nem quero tocar num só fio de cabelo da Manuela. Eu não olho para ela dessa maneira.”

Helena terminou uma dose de uísque e então virou-se para ela, dando o seu melhor sorriso, aquele que sempre o fez pensar desde os eventos em Tall Oaks, que se ele já não estivesse com alguém, com certeza tentaria beija-la. “ – A pergunta, meu amigo é: Como a Manuela olha pra você?”

Leon engoliu em seco antes de terminar sua cerveja. “ — Eu acho que preciso de algo mais forte.” – Pegou uma dose de uísque.

Nessa noite, chegou bem bêbado em casa. Isso não era novidade. A diferença é que ao invés de cair na cama, caiu no sofá. Seus olhos já estavam fechados, ele não sentia, mas sabia que cheirava a bebida. Tudo oq eu precisava era dormir e descansar para dor de cabeça que viria amanhã. Foi quando sentiu alguém lhe tirar os sapatos e depois o cobrir com cuidado. Leon abriu os olhos e com muita dificuldade, olhou para o relógio e viu que já passava muito da meia noite. A pessoa que o cobriu não estava mais lá, mas ele sabia que foi Manuela.

ADA

“ — Se preferir ficar Jake, não há problema algum. Acredite, eu vou estar em um lugar bem seguro.”

“ – Se é assim tão seguro, porquê não foi pra lá desde o começo? Teria economizado uma nota preta.”

“ – É... complicado.”

Ela viu o ruivo revirar os olhos. Ela sabia, ele odeia essa resposta.

“ – É obvio que eu vou com você. Por quê acha que eu iria preferir não ir?”

“ – Você parece infeliz.” – disse fechando a ultima mala.

Fechou os olhos quando Jake a abraçou por trás e sussurrou-lhe ao pé do ouvido. “ – Claro que eu estou. Estávamos tão bem aqui, só nós dois. E então o seu pai te chama... eu vou ter que ficar longe de você? Ele sabe que você está grávida?” –Jake a virou de frente para ele e ela novamente se perdeu naqueles ferozes olhos azuis enquanto ele a olhava cheio de malícia. “ – Ele vai querer me matar?” – disse rindo.

Ada sorriu pela primeira vez em horas puxando o ruivo para um beijo. “ – Sabe. Se o motivo for só esse, então talvez você deva mesmo ir. Mas eu não vou te dizer nada sobre o papai Wong. É melhor não estragar a surpresa.”

Partiram em um helicóptero ainda naquela tarde rumo a China, depois de cruzar a fronteira, tomaram um jato particular até a província de Guangdong. E lá, em algum lugar escondido depois de longos quilômetros quase desertos e o surgimento da primeira floresta, estava aquele, onde um dia foi seu lar. Já era noite e Ada já tinha escutado uma ou outra indireta de Jake sobre a viagem ser longa para uma grávida. De fato, ela estava muito cansada. Mas dadas as circunstâncias, não teria um único minuto livre antes de conversar com o pai.

Homens armados, porém muito respeitosos os receberam e os conduziram até a casa principal. Ada não conseguia evitar de olhar sempre para Jake e estudar suas reações. Era engraçado, ele estava maravilhado com o local, era um verdadeiro palácio chinês, cercado por fontes e jardins típicos, muito bem guardado por homens armados até os dentes.

“ – Acho que você não estava brincando sobre aquela parada de imperador e cabeça de dragão..” – Ele disse.

“ – Silêncio.”

Passaram por longos corredores ricamente recorado com grandes vasos chineses, dragões e tigres, todos cobertos à ouro. Tapetes e mais tapetes, quadros e outras obras de arte muitas com preço incalculável. Todos os seguranças e funcionários que passavam por eles mostravam respeito e uma certa reverência. Entraram finalmente em um enorme salão onde havia uma enorme mesa com mais de trinta lugares, e na extremidade, havia uma ceia muito rica e farta para quatro pessoas.

Ada buscava esconder a tensão. A última vez que viu o pai foi há quatorze anos... quando ele a perdoou por sua falha... Desde então ela trabalha para ele outra vez, direta ou indiretamente, a Tríade não era a dona da Organização, mas era uma das principais financiadoras, juntamente com o próprio governo chinês e russo. Agora estava ali outra vez, ele a veria quatorze anos mais velha, grávida e com o filho do Wesker ao seu lado. Houve uma época, em que por muito menos, aquela reunião terminaria num banho de sangue...

Então, finalmente chegou um homem magro, alto, com a barba branca impecavelmente feita e um bigode farto, o cabelo liso e branco impecavelmente penteado para trás. Ele tinha a coluna ereta e andava de maneira imponente, embora gostasse muito dos trajes típicos chineses, hoje usava uma roupa ocidental, a calça social e a camisa de botão azul com as mangas dobradas até os cotovelos. Então ele finalmente chegou perto, e a encarou.

Long-Meng Wong era um homem de muito poucas rugas, pele morena, embora os olhos parecessem negros como o de um típico japonês, quando se olhava com cuidado via-se que eram castanhos escuros. Tinha uma ótima constituição física, quem o olhava, dizia ter no máximo sessenta e cinco ou setenta anos, gozando de boa saúde. Esse era o seu pai.

“ – Ada...” – A voz dele era grave e ao mesmo tempo suave como veludo. Ele olhou fixamente para a sua barriga, a expressão dele era indecifrável. “ – Quantos meses?”

“ – Cinco.”

“ – E o que é?”

Ada sentiu as pernas tremerem, ela sabia, esse era o momento mais temido desde que soube que estava grávida, mas sabia que essa hora iria chegar, inevitavelmente e aceitou seu destino desde que soube o sexo da criança. Lutou para não demonstrar fraqueza e respondeu de maneira firme: “ – É um homem.”

Long-Meng sorriu. Era um evento muito... muito raro. O pai nunca sorria. Ele então olhou para Jake, em momento nenhum se mostrou nem ao menos impressionado com o tamanho do rapaz. Os olhos escuros e pequenos varreram o mercenário de cima a baixo e então finalmente o encarou no fundo dos olhos. “ – Wesker Junior!” – Jake também não mostrava medo, mas estava visivelmente admirado. “ – É você o autor disso?” – perguntou apontando para o ventre de Ada.

“- Eu s...”

Jake tinha uma resposta pronta que ele ia soltar imediatamente, mas Ada o interrompeu. “ – Meu filho não tem pai.”

“ – Eu perguntei para ele.” – Disse calmamente, mas nenhum homem em sã consciência o desafiaria outra vez. Ele esperava uma resposta de Jake.

“ – Eu sou o que a sua filha quiser.”

Long-Meng revirou os olhos. “ – Por Buda, Ada. Como é que você sempre consegue fazer isso com eles?” – Estendeu a mão para Jake, finalmente e os dois se cumprimentaram. “ – Long-Meng Wong. Mas para você, Senhor Wong e definitivamente não é um prazer conhecê-lo. Mas é bem vindo em minha casa, Senhor Muller.” – Fez sinal para que todos se sentassem à mesa. “ – Oh sim...” – Virou-se novamente para Ada “ — Suponho que depois de tanta luta pra renegar sua natureza, finalmente resolveu aceitar que é uma mulher então. Agora será mamãe.” – Virou-se novamente para Jake “ — Como vocês ocidentais chamam... algo como, Relógio Biológico e... Produção Independente... suponho.”

Somente quando o pai usou os termos “Relógio Biológico” e “Produção Independente” em inglês, Ada percebeu que estavam todos conversando em cantonês esse tempo todo. Sabia que o mandarim de Jake era perfeito, mas nunca tinha o escutado falar cantonês antes e era igualmente perfeito.

“ – Quem o matou, e por quê?” – Ada quis ir direto ao ponto. Não viajou tanto para chegar ali e começar a falar sobre sua vida sexual ou sobre o bebê, muito embora, no fim, querendo ou não, seu filho acabaria metido nisso até o pescoço antes mesmo de nascer.

“ – Seu irmão está morto por um único motivo, por você não ter nascido homem. E você sabe disso.”

“ – Oh. Me desculpe por isso.” – Ela respondeu sarcástica.

“ – Seria muito mais fácil te perdoar por você não ter nascido com um pau, se ao menos você tivesse me obedecido há dezessete anos atrás, quando eu arranjei o seu casamento com um Simmons.”

Não precisou olhar para Jake para saber o quanto ele estava surpreso. “ – Fácil falar quando não seria você a ficar com aquele porco.”

“ – Pensa assim porquê é uma mulher, embora se negue a viver como uma mulher deve. Se fosse homem, pensaria em todos os benefícios que essa união traria, quando a minha filha Ada Wong estivesse intimamente infiltrada na Família.”

“ – E de quê isso valeria hoje?”

“ – Se você não tivesse fugido, Derek não teria enlouquecido e o poder da Família nunca teria entrado em colapso. Em pouco tempo teríamos os Simmons e consequentemente todos os Estados Unidos nas mãos. Aquele energúmeno estava louco de amor... você teria feito qualquer coisa dele.” – Virou-se para Jake outra vez. “ – Aliás, devo um agradecimento especial ao senhor seu pai por isso, Muller. Sem a ajuda dele, ela nunca teria conseguido fugir e se esconder por tanto tempo. Que o diabo o tenha.”

Jake olhou para ela cheio de dúvidas, Ada apenas ignorou, já tinha problemas demais e não queria nem pensar nas explicações que Jake inevitavelmente iria pedir. “ – Agora podemos, por favor, falar do Syaoran?”

“ – Eu estou velho, Ada e vou morrer. Meu único filho foi assassinado porquê eu estou vulnerável e alguém planeja um golpe para ficar no meu lugar. E é nessa parte que você ter nascido uma mulher faz toda a diferença!”

“ – Então você não sabe quem foi?”

“ – Não. Ainda... mas vou descobrir e para isso eu preciso de você, Ada. Eu sei que sempre tivemos nossas diferenças, mas você foi a única nessa família que puxou pelo menos um pouco da minha inteligência. Syaoran foi um bom rapaz, mas era fraco, além de burro igual a mãe. Agora mais do que nunca, essa família precisa de você.”

Ada sabia. A luta acabou. Ela não tinha mais para onde fugir. Primeiro Leon foi embora, agora Syaoran a abandonou também. Ela estava sozinha e tinha um filho a caminho e se ela não ajudasse o pai, até o seu menino estaria em perigo também. Chegou a hora de aceitar que perdeu. Ela é uma Wong.

Continua...

Pessoas, sim, eu era louca por Sakura card Captors^^ vamos falar um poquinho sobre o significado dos nomes chineses.

Syaoran: Pequeno Lobo

Long: Dragão

Meng: “selvagem””energético” “bravo”

Mais detalhes sobre a família da Ada e sobre a morte do Syaoran vem nos próximos capítulos!