Gods of cultivation
6 Capítulo quatro: A cidade fantasma - Os portões infernais se abrem! Parte: três.
Notas iniciais
Capítulo quatro: A cidade fantasma — Os portões infernais se abrem! Parte: três.
Os olhos grandes estavam fixos na figura albina. De repente, interessados demais no que via. Jimin sentiu o olhar analítico desde que proferiu aquelas palavras, mas sua postura não vacilou em momento algum, deixando o olhar alheio ainda mais aguçado ao que o retribuía com coragem.
O silêncio perpétuo por um momento foi semelhante a eternidade. Jimin começava a ficar ansioso embora não demonstrasse isso, contudo enfim a pequena criança desviou seus olhos, focando agora em seu subordinado, que também parecia o observar. A verdade é que o Deus tinha uma grande quantidade de seres o fitando, mas entre todos era as írises negras e profundas que o deixava aflito.
Além disso, todos fora a criança e ele mesmo usavam máscaras, não necessariamente permitindo que Lanbaoshi fosse capaz de ver as expressões que foram e ainda são lhe lançadas. Tal evento não poderia ser mais conveniente, de fato. O Deus, por fim, aguardou pacientemente o desenrolar daquilo que provavelmente decidiria se ele viveria ou não.
— Chúnjìng-De... O que você acha? — Jimin imediatamente fitou aquela pessoa. Sua cabeça voltando a girar assim que se lembrou daquele rosto.
Ele imediatamente procurou se reter às memórias, mas foi inevitável não se sentir levemente enjoado. Por outro lado, aquele subordinado se moveu em direção ao seu mestre enquanto tirava sua própria máscara. Ninguém alí deixando de notar o quão rápido o Deus desviou o olhar.
— Este subordinado forçadamente não enxerga outra forma. Entretanto, ainda tenho minhas dúvidas. Ele diz ser um Deus literário, mas possue movimentos de um Deus marcial. Talvez ele esteja mentindo sobre sua verdadeira indentidade. Chúnjìng-De pede para que vossa majestade pense cautelosamente. Seja o que decidir, este subordinado apoiará. — O homem tão pálido quanto a neve agora tinha os olhos fixos no Deus. Uma feição estranha surgindo em seu rosto.
Jimin fingiu não notar. Simplesmente cruzou os braços e continuou olhando para o lado contrário. Se assustando no segundo seguinte quando viu uma criatura gigante e fortemente armada se aproximar. Os olhos sanguinários fixos em si. Ele parecia querer come-lo vivo.
" Como pude me esquecer desse cara?!" — Lanbaoshi quase bateu em si mesmo. Mas se conteve, instantaneamente preparando uma desculpa para todas as acusações que muito em breve surgiria.
— Vossa majestade! — O Orc, líder da guarda, chamou. Sua voz soando verdadeiramente impotente.
Um sorriso azedo nasceu nos lábios do Deus.
" Oras, não foi você há pouco tempo que simplesmente tremia ao ver sua alteza? Por que tanta coragem súbita?! "
— Gasgomoto? — O rei franziu o cenho. — O que faz aqui? Pensei que estava ajudando Orken e Arkan a vigiar os portões infernais. — O Orc se ajoelhou.
— Meu senhor! Este sargento pede para que vossa magnitude reconsidere o que ouviu deste Deus ardiloso. Este homem mente para sua alteza descaradamente!
— O que quer dizer?!
" É, o que quer dizer?! " — Jimin pensou, indignado. Dessa vez, olhando fixamente para o Orc. Seu semblante não deixava nítido. Mas é verdade que ele ficou com raiva desta criatura. Ele pode simplesmente desmenti-lo assim, como se soubesse de alguma coisa?
— Este Deus diz ser um ser divino com funções simples como cuidar de arquivos. Mas este Orc nunca viu um Deus literário ter a força de Deus marcial capaz de matar um dos guardiões dos portões infernais. — Jimin não pode discordar totalmente, embora tenha se sentindo ofendido por seus companheiros.
Ser um Deus literário não se definia como “simples”. Se não fosse por eles, o mundo e o próprio céu seria um caos. Eles praticamente cuidavam de tudo, enquanto Deuses marciais não passavam de brutamontes que serviam apenas para lutar. Lanbaoshi realmente tinha respeito para com todas as posições no céu, seja da mais baixa a mais alta, então ele não poderia apenas tolerar que um Deus literário fosse rebaixo assim.
— Onde no mundo você ouviu que um Deus literário não pode lutar como um Deus marcial?! — Jimin soou verdadeiramente ofendido! — Tudo bem que passo a maior parte do meu tempo resolvendo assuntos em um escritório, e raramente luto. Mas isso não significa que não posso ser forte. Um Deus continua sendo um Deus. Independente de suas funções. — Ele indagou, cruzando os braços. Ao mesmo tempo que se atentava a qualquer mudança considerável nas expressões do rei.
Lanbaoshi já havia visto como esta criança era poderosa. Não poderia simplesmente permitir que ele decidisse o matar de repente. Porém, apesar de toda cautela para com esse ser, sua verdadeira preocupação estava na pessoa ao seu lado. Mesmo quieto, aquele suposto subordinado lhe dava uma sensação de perigo, então estava mais atento à ele do que à outra parte que demonstrou grande poder.
Talvez aquele rosto estivesse o afetando em seu julgamento. De qualquer forma, cada detalhe que pertencia ao Yoongi que conhecia e estava cravado naquele à sua frente não poderia ser mais tão estranhamente diferente. Não é apenas igual, mas o mesmo rosto. E mesmo assim, ainda não é aquele que ele conheceu.
Quando Jimin percebeu que estava o encarando demais, voltou sua atenção à criança. Ela pareceu um pouco surpresa, mas esta mudança aconteceu tão rápida que quase o fez questionar se não foi uma impressão sua ou não. Lanbaoshi, no entanto, sabendo de sua própria habilidade em permanecer inexpressivo em qualquer situação, ele concluiu sem pestanejar que sim, havia o surpreendido. De longe ele acreditava que positivamente.
Orken era uma criatura rara e poderosa. Mata-la não é só um desperdício, mas uma prova absurda de que ele não é qualquer um. Além disso, embora seu argumento fosse válido, ainda é questionável. Que Deus literário teria tanta força para desafiar um guardião histórico, se não um extremamente forte?!
— Está me dizendo que este Deus fraco matou Orken?! — Jimin quase pode apalpar a nota de dúvida que preencheu o timbre da criança. Logo, ele apontou para o Deus, claramente nervoso. — Você ousa mentir para mim?! — Lanbaoshi não pode não juntar o sobrolho.
" Vossa alteza. Você é mesmo volúvel. "
— É verdade que matei este guardião. Mas isso não significa que eu seja forte.
O Orc dessa vez pareceu furioso.
— Que merda está dizendo. Por acaso está insinuando que o mestre Orken é tão fraco quanto você, e somente por isso o venceu?! — A fera se virou para criança. — Meu rei, me permita mutilar este intruso. Ele está mentindo para o senhor! Além disso, não podemos deixar vivo aquele que não só matou Orken, mas que também foi a causa de você estar assim! — O rei o encarou estranho.
— Hm... O que quer dizer?
— ... — O Orc travou. — Alteza... Se este Deus nunca tivesse criado este cubo amaldiçoado. Vossa majestade jamais estaria com uma imagem digna de piada!
O Deus instantaneamente fitou o Orc. Um sorriso maligno quase despontando em seus lábios carnudos.
— É muita coragem. — Ele murmurou, com a intenção de que todos o ouvissem. Na verdade. — Um mero subordinado exigindo algo de sua alteza, como se pudesse simplesmente fazê-lo. Tirando sua face publicamente. E ainda falando claramente que seu senhor tem uma aparência digna de pena. Céus. Um rei, cujo seus subordinados sentem pena. Pfff... — Jimin levou a mão até a boca para esconder o sorriso técnico.
A verdade é que este Deus estava apenas atuando e usando as palavras do Orc ao seu favor como um verdadeiro manipulador. Aquela criança já havia perdido a face ao ficar com aquela aparência diante de todos seus súditos. O orgulho despedaçado ao perceber que sim, algo no mundo foi capaz de amaldiçoa-lo, e que por causa disso, teria que se negar a matar um invasor. Um Deus! Este rei não poderia estar tão insatisfeito quanto agora, e sendo visível o quanto sua imagem o afetava diretamente. Jimin, sendo trapaceiro como é, não deixaria com que essa informação valiosa fosse má aproveitada.
Se ele soubesse como usar seu temporário dedo de ouro, as vantagens que conseguiria além da própria vida intacta seriam únicas. Logo, Jimin tinha um outro olhar. Aquele rei parecia muito mais atrativo do que pensava.
— Você ousa?! — A criança guinchou, tão furiosa que suas bochechas ficaram rubras. Os olhos do Orc aumentaram de tamanho, mas as coisas só pioraram quando ouviram da multidão:
— Claramente ele está querendo ser mais...
— E ainda tem a cara de se dizer com pena de nosso rei? Isso não é muita petulância?
De repente, uma coisa levou a outra, e estavam todos inacreditavelmente concordando com Jimin, que com sua deixa, permaneceu em silêncio e tentou apagar o máximo possível de sua presença após jogar a faísca à lenha.
Ele olhava com certa curiosidade as bochechas inchadas do rei quando percebeu o olhar fino do falso Yoongi. Esta pessoa parecia realmente esperta e o Deus não pode deixar de se sentir vigiado. Claramente, seu problema seria com ele. Uma verdade cômica, se não fosse trágica. Considerando seu passado.
Jimin fingiu o ignorar. Não vendo que com isso, foi capaz de fazer com que um mero corte surgisse nos lábios retos do subordinado.Talvez, ele não fosse o único manipulador entre eles.
— Isso não é uma grande idiotice?! Do que estão falando?! Eu sou Gasgomoto! Jamais desrespeitaria vossa majestade. — Este Orc estava tenso, e em momento de desespero, se lembrou daquele Deus. — É ele, ele está nos controlando. Vejam, ele claramente é um Deus marcial. Se tem dúvidas, pedimos que ele invoque sua arma espiritual![1]. Ele pode faze-lo se não tem nada à esconder. Normalmente, Deuses literários possuem ferramentas espirituais[2], devido seus espíritos não serem compatíveis com armas. E ele claramente possue uma espada. — Esta criatura estava sendo verdadeiramente irritante, mesmo que sua inteligência seja surpreendente.
— Farei o que manda. Se este for o desejo de sua alteza.
— Pois bem! — O rei exclamou. — Se você estiver certo, matarei este Deus e aceitarei independente de tudo, esta forma. Mas se estiver errado. — Os olhos da calamidade eram como duas chamas intensamente vermelhas e destrutivas. Ele sorriu e ditou, violentamente: — Matarei com essas mãos dignas de pena seus filhos, esposa e após isso, destruirei seus meridianos para que nunca mais seja capaz de cultivar! —Jimim imediatamente lamentou pelo Orc.
Ele, sendo de fato um Deus marcial. Tinha sua arma espiritual. No entanto, Jimin não estava apenas nessa categoria ou foi limitado à um brutamontes que só é útil em um campo de batalha. Lanbaoshi foi um Deus nascido e crescido no céu. Seus poderes e habilidades estavam além da compreensão, e entre ser e não ser, tornar-se Deus marcial foi uma escolha particular sua, uma vez que seu espírito é compatível com ambas posições ditas como insubstituíveis no céu.
Ele só foi quem foi devido sua necessidade em se aventurar e taxar-se como herói. Depois que foi expulso, condenado, e mal tratado após ter perdido a memória. Ele percebeu que como Deus literário, seria ainda melhor do que já foi um dia. Se fosse assim, talvez ele nunca tenha deixado os céus e o... conhecido.
— Gasgomoto aceita essas condições.
— Você, pequeno Deus. Invoque sua arma imediatamente. E não queira saber o que farei com você caso estiver mentindo para mim! — Jimin sorriu, pequeno, e articulado.
— Primeiro, espero que entendam que meu Ki não é um dos maiores. — Enquanto falava, uma ofuscante luz esbranquiçada nasceu do chão. — Então, explicarei resumidamente o motivo de ter tido sucesso em matar Orken.
" Antes disso, quero dizer que não tinha a menor intenção de faze-lo, no entanto, quando um Deus está em perigo e é atingido por um forte sentimento, ele perde temporariamente a consciência e seu ki momentaneamente os consome. É um mecanismo de defesa selado no núcleo de todo Deus.
Então, quando fui atacado por Orken, foi impossível que o selo não fosse ativado, uma vez que estava de frente à morte. Claro, nada nesse mundo é de graça e um preço é pago. Quando entramos neste estado, nosso núcleo de energia é queimado, e nos faz perder toda energia Yin acumulado em nosso corpo. Dependendo da situação, ou força, nosso cultivo pode ser completamente destruído.
Como podem ver não é o meu caso, mas claramente fiquei mais fraco do que fui uma vez." — Quando terminou de falar. Uma gquin[3] longa e esbranquiçada flutuava rente a figura albina.
A quem olhasse, podia se ver que o Deus possuía uma beleza sobrenatural, mas naquele momento, ele ofereceu algo além de sua aparência; efêmero e inalcançável, Jimin podia ser descrito como uma perfeição dos céus. Sua expressão vazia e sem vida contudo ainda o deixava como uma incógnita cujo a beleza ia além de sua figura angelical e isenta de impurezas.
Sua inocência, sua pele marcada ou seus desejos mais profundos. Sua forma indescritível de ver o mundo ainda seria capaz de encantar o mais frio dos seres; à mais cruel das criaturas. Ele é como uma rosa; delicado como suas pétalas, e afiado como seus espinhos. Profundo quanto o próprio oceano, e tão traiçoeiro quanto o canto de uma sereia.
Lanbaoshi é, definitivamente, o céu no inferno.
Mas como o pecado que todos teriam o maior prazer de provar, ele não estava ao alcance de meras mãos, como gostavam de imaginar. Todos que tinham o prazer de conhecê-lo, — seja homens ou mulheres, Deuses ou Demônios — ansiavam por querer se afogar em seu nome; em sua pele imaculada carregada de história e significados nos mais belos traços.
Eles queriam aprofundar-se em sua alma. Em sua existência. No entanto, sua alma não pertencia à ninguém. Nem à ele mesmo.
Jimin é, de fato, intangível. Singular. Um verdadeiro mistério de Deus, ou se não, do próprio diabo. Seja como for, é irrefutável negar que, ele estava além da imaginação.
Levando uma das mãos pálidas até o instrumento, ele tocou sutilmente uma nota sem qualquer carrego de energia. Foi apenas comum, para mostrar que a Gquin não estava carregada. Não demorou muito para que ela se desfizesse, e assim como Fuyu, desaparecesse em flocos de gelo. Jimin bufou.
— Como podem ver, não tenho energia restante sequer para manter meu instrumento espiritual. Se o mecanismos de defesa não tivesse sido acionado, seu guardião provavelmente estaria vivo. Ao contrário de mim... — O Deus lançou um olhar para o rei demônio. Como quem pergunta o que ele irá fazer.
— Chúnjìng-De, leve Gasgomoto ao pavilhão de cobre[4]. — O Orc imediatamente arregalou os olhos. — Faça-o pagar por suas palavras.
— Que assim seja, meu rei. — Com essas palavras, o falso Yoongi se aproximou do ser. Não havia nada em seu semblante, no entanto, Gasgomoto não podia simplesmente aceitar que as coisas terminassem daquela forma.
Ele seguia fielmente — ou pelo menos é assim que ele gostava de dizer a todos — seu rei. Matava e destruía os seus para ter reconhecimento e poder. Fazendo de tudo apenas para estar naquela posição, Gasgomoto poderia ser facilmente chamado de escória somente por não ter limites para alcançar aquilo que ele almejava. Ele tinha facilidade em trair, assassinar e torturar para se mostrar leal e para ser visto como alguém superior.
Sendo o típico bajulador daqueles mais fortes, enquanto tramava secretamente contra eles em sua mente ordinária. Obviamente, esse Orc não era confiável, apesar disso, ele ainda fazia tudo que seu rei ordenava sem pestanejar. Como de repente, ele estaria pagando por algo após ir contra um Deus? Que absurdo maldito é esse! Não suportando essa idéia, Gasgomoto simplesmente agiu por impulso. Seus olhos raivosos focado naquele que considerava o culpado desses acontecimentos.
Jimin pode sentir violentamente o ódio cravado nas entranhas da criatura. Não se surpreendendo quando ela rugiu e avançou agressivamente em sua direção ao que erguia sua espada rumo ao seu corpo. O Deus o deu apenas um último olhar indefinido antes de Chúnjìng-De surgir entre eles. Com um único toque nos ombros daquele Orc foi o suficiente para fazer ambos desaparecerem.
— Este Deus agradece vossa majestade. — Jimin se curvou em suas palavras, demonstrando respeito ao rei. Algo que, demônio algum viu um dia um Deus fazer.
Um ser divino se prostando à um ser infernal?! Eles só podiam estar alucinando juntos.
— A vontade de viver desse Deus realmente supera o orgulho divino. — Um dos demônios mascarados soltou, baixinho, mas devido o cultivo avançado de Park, ele pode ouvi-lo muito claramente.
Seu rosto contorceu-se em resposta. Afinal, que orgulho é esse? Fazia mesmo muito tempo que Park não o sentia. Ele sequer se considerava um Deus agora. Tudo bem que em suas memórias ele foi realmente um; poderoso, benevolente e puro. Mas hoje? Com todas suas vivências humanas frescas e construídas... Como ele poderia aceitar e ser o que um dia foi?
É verdade que muitas coisas que fazia atualmente o incomodava depois que recuperou a memória, seus antigos sentimentos o deixavam em conflito constante consigo mesmo, ele porém não podia negar suas cicatrizes ou seus setecentos anos vivendo como um “mortal” incapaz de morrer.
Foi exatamente por essa confusão mental que Jimin decidiu aceitar o que era e quem era antes que seus antigos paradigmas o gravassem. É, contudo, irritante ouvir certos comentários. Park estava continuamente se contendo e sinceramente ouvir palavras como àquelas o deixavam ligeiramente pensativo. De uma forma não muito boa.
Ele verdadeiramente queria mandar todos calarem a boca. Afinal, quem são eles para decidirem como um Deus deve ou não agir?! Se Jimin desejasse se ajoelhar diante de, e para um ser infernal, assim ele faria. Quem teria o direito de contrária-lo? Aonde quer que fosse, seja no céu, ou nos confins do limbo, sempre acabaria encontrando criaturas desprezíveis que não conseguiam fazer o mínimo; guardar seus pensamentos para si mesmo.
Quando se ergueu novamente, nenhum de seus pensamentos foram passados por sua face. E exatamente essa falta de emoção que deixou o rei curiosamente interessado. O que Park não sabia, ou pelo menos não imaginou, é que nada daquilo contra Gasgomoto foi por causa de sua ótima atuação e jogo de palavras. A criança, que parecia a maior parte do tempo estar sendo movida pelos instintos na verdade já procurava um bom motivo para se livrar daquele Orc. E com a ajuda não intencional daquele Deus, ele não só conseguiu o que queria como não feriu sua reputação para com seus súditos.
Depois de tudo o que aconteceu, toda cidade infernal compreenderia os motivos de sua alteza punir um dos comandantes de sua tropa, e mesmo que questões fosse levantadas uma hora ou outra, o medo, a falta de empatia, e a fidelidade para com o seu rei de um monstro falaria mais alto que a situação em si. Além disso, todos sabiam da dupla face de Gasgomoto. Uns até se perguntavam como sua majestade ainda o mantinha sobre seus comandos. Era quase como alimentar a cobra esperando que ela não te coma um dia.
Certo que o Orc jamais seria capaz de vence-lo. Mas uma coisa que seres infernais sabem e conhecem como a palma de suas mãos é o quanto eles podiam ser ardilosos e trapaceiros. E cortar o mal pela raiz é uma prática sempre bem vida, até mesmo para demônios. Jimin continuou analisando meticulosamente a situação, mas quando um sorriso macabro surgiu cortando os lábios daquela criança seu corpo todo tremeu.
Antes que algo fosse feito, Chúnjìng-De reapareceu. Nada realmente incomum em sua figura, além de sua própria aparência. Ele olhou ao seu redor e bufou.
— Vocês, voltem aos preparativos do evento. Já perderam tempo demais parados aqui.
Ninguém ousou retrucar, e aos poucos, os seres foram se dispersando. Até mesmo aquele homem rinoceronte aproveitou a deixa para recolher suas coisas e sumir da visão periférica do rei. Tudo estava agitado novamente, e Jimin sentiu-se aliviado. Aparentemente, sobreviveria dessa vez. Ele olhou para a criança, e sorriu gentilmente.
— Vossa majestade, como devo chamá-lo? — Jimin abaixou à sua altura, posicionando em sua frente.
— Por favor, mantenha distância.
— Ooh, seus cabelos são tão belos e escuros, posso toca-los?
— Não seja imprudente.
— Essa aparência caí tão bem em sua alteza. Você não pode simplesmente ficar assim para sempre? — Yoongi imediatamente agarrou a criança em seu colo, se afastando rapidamente alguns passos.
Jimin dessa vez não pode ignora-lo. Bem como não pode esconder sua expressão azeda ao ver aquele rosto. Ele estalou a língua no céu da boca e deu de costas.
— Não é como se eu pudesse fazer algum mal para ele. — O Deus resmungou. — Não há porque ser tão entediantemente protetor.
— É meu dever manter a integridade da alma, do coração e do corpo do meu rei! Não há porque, particularmente você, se incomodar com algo assim! — Ele soou como se fosse óbvio. E Jimin até tinha uma olhar desdenhoso e zombeteiro no rosto, mas tudo mudou quando ele finalmente decidiu levar seus verdadeiros objetivos à conversa.
O rei, que tinha um olhar estranho em sua direção logo também ajustou a expressão.
— Eu abrirei os portões. Mas não entendo exatamente o motivo para que eu o acompanhe nisso. — Com isso, qualquer dúvida relacionado à ele ser ou não uma calamidade foi sanada.
— Isso é simples. Veja bem, meu cultivo está em frangalhos. Não posso lutar ou me defender decentemente. Logo, como poderia eu sobreviver meia hora no inferno? — Jimin encarou friamente a criança. — Meu objetivo é encontrar dois velhos amigos que estão do outro lado. Mas em meu atual estado... É por isso que preciso de vossa majestade, e é também por isso que fui petulante o suficiente para persuadir veementemente o senhor. Assim que eu concluir minha missão, tratei de volta sua verdadeira imagem, e assim, você poderá escolher se deixará meus amigos e eu partir ilesos ou não. — Apesar dos buracos em sua história, o Deus foi sincero em suas palavras.
— Está dizendo que há pessoas, especificamente, que são algo para você que estão no inferno? — O albino assentiu, vendo como o rosto do subordinado estava confusa.
Ou ele era tão bom em atuar como Park. Ou nem mesmo ele sabia que duas pessoas foram capazes de atravessar os portões.
— Oh... Então aqueles dois Deuses que me procuraram há algum tempo atrás são seus amigos?! — O rei lançou, batendo um punho sobre a palma da outra mão.
Tanto Yoongi quanto Jimin arregalaram os olhos. Mas foi o subordinado dessa calamidade que brangiu primeiramente suas palavras.
— Do que diabos você está falando, Jungkook?!
O rei encolheu-se.
— Eu devo ter esquecido de te falar. — O agora citado Jungkook sorriu, e Park não pode deixar de notar o quão bonito foi esse sorriso.
Fofo... Realmente fofo.
— Como assim?! — Yoongi pousou a criança suavemente no chão para pressionar as têmporas. — Meu rei, o que mais esconde de mim?
— Claramente muitas coisas. Um escravo não precisa saber tudo sobre seu mestre. — Seu subordinado pareceu ter envelhecido uns cinquenta anos quando deixou escapar uma respiração pesada e cheia.
— Então você realmente os conheceu? — Jimin tinha um brilho em seus olhos de repente. Sua mente rapidamente trabalhando para criar o que realmente aconteceu com Namjoon e Taehyung.
— Se estas pessoas são dois Deuses, um certinho demais, e outro extremamente irritante. Este Demônio claramente os conheceu. Lembro-me vagamente de seus rostos, mas eles tinham o mesmo objetivo. Adentrar os portões infernais. — A calamidade sorriu com malícia e maldade no olhar. — O céu deve estar realmente turbulento para neste momento, três Deuses procurarem atravessar os portões. Eu apenas gostaria de saber... O que vocês esperam encontrar no quarto mundo. — Seu sorriso aumentou, dessa vez ele se tornando assustadoramente empolgado. — Me pergunto se eles ainda estão vivos! Pareciam tão fracos e patéticos. É vergonhoso, como vocês Deuses não tem nada para apresentar. — Jimin limpou um pouco do sangue seco que pintava seu rosto. Ele estava à tanto tempo com aquilo em seu corpo que o tom sanguinário quase podia fazer parte de sua cor.
— Lamento por ter deprimido vossa majestade. Mas realmente não somos muita coisa. — Dessa forma, a conversa teve seu fim momentâneo. Jimin foi levado aos aposentos do rei, e não pode ter ficado mais impressionado.
Não porquê este local era um palácio ou castelo, mas porquê este aposento não passava de um templo antigo no centro da cidade. Ele claramente tinha um aparência digna, com todos os seus ornamentos e talhados à mão destacando cada mínimo detalhe de sua decoração exuberante. Seus tons em vermelho e branco trazia intensidade e ao mesmo suavidade ao ambiente, sendo quase confortável estar alí. Por dentro o templo foi trabalhado com ainda mais detalhes, e sua beleza estava acima de um palácio cujo nem mesmo a aparência extravagante é capaz de conter o vazio em cada corredor.
Jimin se sentia muito mais confortável naquele tipo de ambiente rústico. Enfeitado com tecidos transparentes, ouro e pedras. Alguns desenhos na tapeçaria soavam agressivos, mas ao mesmo tempo, graciosos. Antes de partir, Park foi instruído a se lavar, e enquanto o fazia nesse exato momento, a pintura de um leão impotente foi exibido em seus traços, chamando sua atenção.
Este leão estava manchado de sangue, e ao seu redor uma pilha de cadáveres montavam um à um, o cenário rubro cheio de melancolia e desolação. Em frente ao animal, uma criança menina o encarava profundamente. Ela não parecia temer a fera, mas muito pelo contrário, parecia admira-la. O mais interessante nesta criança, é que sua mãos estavam tão carmesins quanto a pelagem da criatura, e em seus lábios, o sorriso macabro manchava sua imagem angelical. O leão, ao contrário dela, tinha um olhar profundamente triste.
— O senhor gostou da pintura? — O Deus não se assustou, por algum motivo, havia sentido a presença daquele subordinado antes mesmo que algo fosse dito.
— A criança... — O falso Yoongi o fitou atentamente.
— Sim. Ela matou todos. — Ao dizer isso, os olhares de ambos se cruzaram. Vendo a determinação nos olhos alheios, Park não ousou desviar.
Desde que ele passou a deixar claro sua insatisfação para com o subordinado do rei, a quarta calamidade, Jeon Jungkook, a tensão que ele criou se sustentava sempre que ambos se olhavam. Esse subordinado no entanto estava curioso. Como alguém no mundo poderia saber seu verdadeiro nome fora o seu mestre?
— O leão pertencia ao chefe deles. Este animal lutou bravamente para proteger aqueles que seu mestre considerava, mas ele acabou falhando miseravelmente. A criança à olha com admiração porque ele foi o único a durar numa batalha contra ela por muito tempo. Em respeito a besta, após mata-la, a menina enterrou todos da vila, e esculpiu sua imagem na entrada desta. Meu rei particularmente gosta dessa pintura. — Jimin não se surpreendeu.
— Não é exatamente isso que seu rei é? Ele não está apreciando aquilo que ele mesmo faria? — Yoongi ficou estranhamente sério. Olhando-o de soslaio, e sorrindo desdenhoso, murmurou:
— De fato. — Ele escondeu a expressão desagradável, e tornou seu sorriso um pouco mais gentil. — De qualquer forma, estou aqui para lhe entregar isso. — Com essas palavras, um robe branco e prata foi levado em sua direção. — Meu rei o escolheu. Disse que esta cor é mais adequado para suas vestimentas, do que as extravagantes que estava vestindo mais cedo. — Os olhos de Jimin cresceram levemente. Mas um segundo depois, ele não pode não sorrir. Talvez, um pouco verdadeiro demais.
— Elas de fato eram. — Disse baixinho, lembrando-se de suas jades. Taemin e Hoseok realmente gostavam de vesti-lo como uma espécie de imperador. Ou algo que lembrasse o sol. Mesmo que Jimin fosse, na verdade, como a neve, neste momento.
Claro que, nem sempre foi assim. Apesar dos cabelos albinos, ele era caloroso como um dia ensolarado na primavera. É uma pena que não seja mais assim...
Chúnjìng-De percebeu as mudanças rápidas de expressão, mas não ousou dizer ou demonstrar algo. Por mais que, neste momento, estivesse o achando cada vez mais interessante. O que aqueles olhos translúcidos e vazios de fato escondiam? Ele realmente queria saber. Não é atoa que Jeon de repente estivesse agindo como quem não estava no controle da situação.
— Irei me retirar a partir de agora. Quando terminar, naturalmente irei aparecer, e o levarei até o meu rei. — Dessa forma, o falso Yoongi desapareceu. Esta habilidade o lembrando vagamente de Taemin.
" Espero que estejam bem... " — Com esse pensamento, Park mergulhou à fundo no líquido cristalino. Seus olhos estavam abertos, e ele conseguia ver com clareza o teto acima dele.
Um sentimento infeliz aos poucos amargando o gosto em sua boca, e enchendo as extremidades miúdas de lágrimas que se misturavam instantaneamente à água que o cobria. Um flash de memórias o fazendo morder os lábios e o forçando a imergir de dentro da banheira com violência. Ele sentia algo estranho, e não demorou muito para que notasse o que acontecia.
— SAIA DA MINHA MENTE AGORA! — Jimin gritou, o vapor da água aquecida em harmonia com uma gargalhada diabólica de repente tomando forma. A forma de Yoongi.
Não havia cor, ou corpo físico, mas Jimin sabia. Sabia que aquela imagem pertencia ao Min Yoongi que conhecia.
" Depois de anos, é assim que reage ao me ver? " — A risada dele cresceu, e Jimin estava prestes a avançar contra aquele corpo de fumaça quando ela se desfez. — " Tsc, Tsc... Não seja assim meu querido. Você não quer que suas jades paguem por sua desobediência, quer? " — O corpo acinzentado reapareceu. Em seus lábios traçados por vapor, um sorriso libidinoso foi perfeitamente estampado em seu semblante.
— Não tente me enganar Yoongi! Eu sei que você não pode machuca-los! Se ousar tocar em um único fio de cabelo deles você... Você sabe o que acontecerá! — Aquele sorriso sumiu.
" Eu estava apenas brincando... Querido. Você sabe, eu jamais tocaria minhas mãos nos seus cães de estimação. Estou apenas os usando para chegar até você... Apenas isso. "
— Você está forçando uma comunicação mental. Se continuar indo contra a vontade deles assim...
" Eu sei... Não se preocupe, querido. "
— Não me chame assim. Deixe meu templo imediatamente! Desapareça, vamos! Quero vê-lo apenas quando puder mata-lo de verdade! — O outro gargalhou ainda mais alto do que foi a primeira vez.
" Você parece mesmo irritado comigo... Significa que não me ama mais, que não faria mais nada por mim? — Ele se aproximou, levando a destra até o rosto de Jimin. — Por que não volta e fica ao meu lado? É assim que tem que ser, querido. Nós dois governando o céu. Não importa o que estiver planejando, nada vai mudar. Então esqueça e apenas me ame mais uma vez. " — Yoongi se aproximou para beija-lo. Lanbaoshi contudo virou seu rosto.
Seus punhos estavam fechados com força. Suas unhas gradativamente fincando forçadamente em sua palma como pequenas lâminas. As veias em seu pescoço, mãos e testa saltavam quase como se fossem explodir, e o frio em suas pupilas eram ainda mais friorentas em comparação ao inverno. Seu coração por outro lado, não parecia bater. Sim, esse era o verdadeiro Yoongi. O que amou, apoiou e cuidou. O que odiou, e agora... simplesmente, não sentia mais nada. Jimin respirou fundo. Min realmente havia o tornado em uma casca vazia, e aceitando este destino, por que não mostra ao seu criador, o resultado de suas experiências?
— Um lixo como você... — Jimin sorriu desdenhoso. — Em pensar que você não passava de um pequeno e insignificante humano fracassado. E agora... Você só conseguiu provar o que sempre foi. Você realmente pensa que é um Deus?! NÃO ME FAÇA RIR! ESTE PODER... TODO ESTE PODER QUE VOCÊ TEM HOJE... FUI EU, EU QUE TE DEI, MIN YOONGI! — O olhar sombrio de Park instantaneamente desapareceu. Os resíduos de um sorriso deixando completamente de existir. Ele olhou fixamente para a figura, vendo sua expressão se contocer quando disse: — E tudo que te dei... Chegou a hora de tomar. — Com isso, uma luz branca rompeu todo cômodo. Fazendo com que todo vapor fosse dissipado.
Vendo que estava sozinho outra vez, as pernas de Lanbaoshi cederam. Seus fios elegantemente brancos o seguiram na queda, mas antes que pudesse cair de fato no chão, sentiu alguém agarra-lo e cobri-lo em seus braços. Devido o uso indevido de sua energia, Jimin cuspiu um bocado de sangue, ficando imediatamente com sua mente confusa e sonolenta. Ele desmaiou logo em seguida, sem poder ver o rosto daquele que o capturou.
Quando acordou, Park primeiramente olhou atordoadamente ao seu redor. Se assustando ao sentir, no entanto, braços envolverem sua cintura. Ele travou no local e pensou. Ao se lembrar do que havia acontecido, sua destra cobriu rapidamente sua outra mão. Ele estava trêmulo, e lembrar-se dos acontecimentos anteriores realmente o deixava inquieto. Se o Min deliberadamente o encontrou através de uma formação de comunicação, só podia acreditar que ele fez algo que forçasse Taemin e Hoseok a colaborar.
Este tipo de contato só poderia ser feito por suas jades, e Jimin sabia que eles jamais o fariam se tivessem escolha. Logo depois, ele queimou seus meridianos[5] o suficiente para forçar o uso do ki recém acumulado em seu núcleo. O que de certa forma, prejudicou seu corpo, mente, e espírito. Em seguida... Ele estava prestes a desmaiar e... Alguém o aparou?
Jimin se virou. Calmamente, notando como um corpo minúsculo se agarrava à ele como se fosse algo realmente precioso. A face de Lanbaoshi escureceu e umm segundo depois, empalideceu.
" Mas que diabos?! O-o que estou fazendo deitado ao lado de u-uma calamidade! Pior! Do rei da cidade infernal?! " — Park estava congelado quando notou que a criança se mexia. Ela levou o dorso da mão até os olhos grandes e coçou. Ainda sonolenta.
Os olhos escuros se abriram e eles naturalmente encontraram os seus.
— Você... — Jungkook começou. — Não ouse morrer antes de me devolver minha verdadeira aparência. — Ele ditou seriamente. Mas Jimin estava tão concentrado nas expressões mimadas e bochechas fartas e vermelhas que não se conteve em apertar uma delas.
— Tão fofo. — Ele murmurou. Apertando e puxando a tez alheia. Jimin não percebeu, mas o rei estava desprezando fielmente suas atitudes, embora o olhar arregalado e a ponta de suas orelhas estarem rubras fossem um indício de surpresa e vergonha.
— Vo-você ousa... Realmente ousa!!!! — Antes que pudesse se dar conta. Os dentes desse rei estavam cravados no antebraço do Deus, que levou dois segundos para absorver o que tinha acabado de acontecer.
— AAAAAAAAAAAAAAAH!!!
(...)
— Eu nunca vi alguém gritar tão alto. Eu realmente pensei que o mundo estava acabando. — O subordinado do rei disse, muito bem humorado. Aparentemente, ele estava muito feliz em ver Jimin cheio de mordidas.
Claramente, a calamidade não havia se contentado com apenas uma.
— O que há de tão engraçado para rir? — Park resmungou insatisfeito, mas ao ver o sorriso e os olhos brilhantes do outro, voltou a encarar o nada enquanto massageava seus braços.
Aquele monstrinho realmente o mordeu com gosto, e ele só parou quando Jimin não tinha nenhuma parte do corpo intacta. Ele ainda terminou com um: " não seja tão petulante da próxima vez". Ele, por algum motivo acha que haverá uma próxima vez? Desde o acontecido, Park não vê a hora de se livrar daquela coisa minúscula que haje como um maldito cachorro.
— Depois de tudo. Você ainda consegue ser ingrato? — Chúnjìng-De falou como quem não quer nada. O Deus estava tentando evita-lo fortemente, mas depois dessas palavras, ele arregalou os olhos e se virou em sua direção.
— E por que seria ao contrário?! Olhe para mim! Não parece que um porco espinho me atacou! — Jimin estava verdadeiramente intrigado. Por que ele estava sendo ingrato?! Em que momento eles fizeram algo por Jimin, a ponto de ser chamado de ingrato?!
— Durante o seu banho, você teve um desvio de ki. Não se lembra? — O Deus o encarou minuciosamente. — Foi Jeon quem conteve sua energia e o ajudou a circula-la por seus meridianos novamente. Por que acha que ele estava deitado ao seu lado? — A respiração do Deus estarreceu e ele não pode mais respirar.
Aquele monstrinho realmente o ajudou? Ele realmente havia tido um desvio de ki? Julgando pelo seu corpo agora, não seria capaz de dizer com clareza, mas de fato sua circulação de ki estava funcionando bem e seu núcleo parecia incrívelmente restaurado.
" Oh, então demônios podem ser misericordiosos também? " — Jimin se perguntou, mas se lembrou das palavras do rei assim que acordou. — " Ahr, ele claramente só estava preocupado com o fato de permanecer naquela aparência para sempre ".
Lanbaoshi rolou os olhos, se assustando logo em seguida ao ouvir a voz da criança em questão preencher o atual cômodo em que estavam. Depois do ocorrido, Yoongi o levou para o salão de jantar, onde uma grande mesa de doze lugares se estendia elegantemente pelo espaço em tons rubros. Enquanto o Deus resmungava, e o subordinado ria de sua cara, ambos esperavam pacientemente o rei. Que em seu quarto, procurava se acalmar.
Não demorou muito, mas o suficiente para Jimin querer quebrar o pescoço daquele ser irritante parecido com Yoongi. Não apenas porquê tinha aquele rosto, mas porquê conseguia ser tão atrevido quanto um certo Deus arrogante que conhecia bem.
— Chúnjìng-De, eu o perdoei a primeira vez que me chamou pelo nome na frente deste Deus. Mas se continuar a cometer o mesmo erro, de novo e de novo, quem sabe o que pode acontecer...
— Este subordinado pede desculpas. Me puna se assim desejar! — Yoongi o respondeu quase que imediatamente, curvando-se assim que este se aproximou.
Ele esteve de pé este tempo todo ao lado de Jimin, mas ao notar que a calamidade estava pronta para se sentar no centro da mesa, ele dasapareceu. O Deus permaneceu parado, convicto de que não olharia para o rei em questão, contudo, um pensamento arteiro correu por sua mente. Uma inesperada vontade de sorrir o atingiu mas ele imediatamente se conteve. Limpando a garganta e se virando em sua direção, ele chamou:
— Vossa Al...te...za? — A voz de Jimin morreu. Ele permaneceu encarando a criança. Os olhos levemente arregalados ao que uma expressão de confusão era desenvolvida.
Tudo se acalmou no entanto, ele se levantou e se aproximou do corpo pequeno que lutava bravamente para subir na grande cadeira estofada que era exclusivamente reservada à ele. Ela era alta e de madeira maciça. O estofado tinha a cor do vinho, e parecia tão aveludada que é facilmente visível sua maciez. O rei, estando em um corpo tão pequeno, não alcançava totalmente a cadeira, e para se sentar, ele precisava se jogar totalmente contra o estofado enquanto usava a força dos braços. Normalmente, Jimin com toda certeza não ficaria tão sério ao ver aquela cena cômica. Mas ficou.
Ao alcança-lo, o Deus o segurou pelos braços e o colocou sobre a cadeira calmamente. O rei o encarou, e Jimin muito instintivamente sorriu com os olhos. Sua destra indo em direção aos cabelos curtos da criança.
— Apenas peça ajuda da próxima vez, se não puder fazer isto sozinho. Jungkook.
(...)
Lanbaoshi acaraciava uma das bochechas quando Yoongi finalmente voltou com a comida. Jungkook estava resoluto em seu lugar, sem qualquer defeito ou expressão que denunciasse algo, ao contrário do Deus, que tinha o sobrolho franzido. Os lábios crispados, e a bochecha vermelha com uma clara marca de mordida. Este subordinado organizou toda mesa com um sorriso em seus lábios. E Park notou. Ele, realmente, precisava se livrar de sua presença.
A noite, Jimin passou a maior parte do tempo pensando. Ele de fato já tinha um plano em mente, mas para isso precisaria desenterrar memórias ruins. Claramente, se para tudo tinha um preço, a sua paz era sua a moeda de troca. Ele ficou um bom tempo fitando o nada quando se agarrou à um sono profundo. Não esperava que estivesse tão cansado até que se apegasse à ele. Dessa forma entretanto, ele pode finalmente descansar.
No dia seguinte, Park foi acordado pelo falso Yoongi. E, rever esse rosto assim que acordou o deixou inevitavelmente mau humorado durante o restante do dia. Com o passar da horas, no entanto, Jimin acabou notando que este subordinado estava sempre ao lado dele. Se não o provocando, o analisando. O que o deixou redondamente irritado. Não tinha visto uma única vez aquela criança mimada, e o sol da cidade fantasma aos poucos se punha em seu céu não muito diferente da dos humanos.
Jimin estava sentado no gramado do jardim, vendo os insetos infernais voarem por alí enquanto assistia quase que fixamente um corrente de água escorregar por um lado do bambu e pesar no outro, levando a água até às plantações selvagens do jardim. Do lado de fora do templo, o Deus conseguia ouvir uma grande comoção, e a cada minuto que passava, o céu escurecia e a cidade se iluminava nos mais belos tons de vermelho. Dali, contudo, a visão apesar de bela, conseguia ser um pouco assustadora. A cidade fantasma parecia estar em chamas.
Yoongi, no único momento de complacência que teve, fez o favor de explicar à ele o que estava acontecendo. Se tratava do festival das máscaras. Acontecia que, durante esse festival, a cidade precisava estar embuida em vermelho, enquanto todos precisam ter uma máscara escondendo seu rosto. Nesse dia, será feito um desfile e a passagem para o inferno deveria ser aberto. Todos os monstros passariam pelos portões, atravessariam a ponte que ligava ambos mundos e em seguida retornariam a cidade. O rei, exclusivamente, respeitava essa tradição acima de qualquer um. E devido à esse evento, ele continuou ocupado. Afinal, seria ele diretamente o responsável por abrir os portões.
Park soube que no dia anterior, a calamidade estava apenas aproveitando seu dia de folga. Uma vez que, mesmo que adorasse épocas festivas, pouco se aproveitava delas. E de fato. Dentro do templo estava uma loucura. O Deus ouvia vossa majestade aqui, vossa majestade lá. Mas sem nunca de fato o vê-lo. Querendo se livrar de toda barulheira, e do seu aparente vigia, ele adentrou o jardim. Talvez o único local pacífico em toda cidade.
O Deus estava vestido com as roupas fúnebres que o rei havia escolhido. Estranhamente se sentindo mais confortável com elas. Seu antigo trage foi lavado e agora estava perfeitamente dobrado em sua bolsa dimensional. Jimin estava surpreso com a quantidade de coisas que Hoseok havia colocado lá dentro, e apesar de muitas coisas alí serem úteis. Nada ajudava o Park a manter-se vivo, caso fosse atacado por algum demônio. Se perguntava se suas jades pensavam nisso. No fato de que ele praticamente era um inválido em uma luta real. Ele não poderia continuar queimando seu núcleo! O que seria dele se não fosse minimamente inteligente?!
O Deus bufou. Se contentando com: “pelo menos ainda estou vivo”.
Ele olhou um pouco mais, quando sentiu algo ser posto em seu rosto. Por um momento, sua visão ficou escura, mas ela logo se acentuou aos pequenos espaços bifurcados. Acontece que alguém havia colocado uma máscara em seu rosto. Jimin no entanto sabia de quem se tratava, e imediatamente fechou a cara.
— O que você quer?! — Yoongi sorriu. Jimin não viu, mas o ouviu. E talvez esse som tenha o afetado, vendo que ele abaixou sua cabeça, focando sua visão no gramado esverdeado.
— Está quase na hora. Precisamos nos juntar ao Jungkook. — Jungkook... O Deus pensou e pensou nesse nome. É um nome forte, mas é ainda mais gentil. Combinava perfeitamente com a figura pequenina, dentuça e mimada do rei. Se perguntava se sua verdadeira forma se encaixava tão bem à esse nome tão pouco usado.
De todos, via apenas Chúnjìng-De o chamando assim. Na verdade, ele é o único que tinha permissão para chamá-lo assim. Além disso, ele sequer podia faze-lo na frente dos outros. Embora de qualquer forma, ele o fizesse sempre que sua alteza não estava presente. Jimin estava quase se costumando com isso também, desde que Yoongi falava dele mil e uma vez a cada frase.
Lanbaoshi ignorou completamente suas palavras. Dessa vez, voltando-se ao subordinado. Ele não usava máscara. Seu rosto era pálido como à do próprio Jimin, talvez até mais. Seus cabelos bagunçados e escuros. Era diferente do que conheceu, ainda é contudo, muito bonito. Os cabelos do Yoongi que conheceu eram longos, loiros. E a cicatriz que marcava seu olho direito permaneceria imaculando sua tez pela eternidade. Não só para lembra-lo, mas para futuramente fazê-lo se arrepender. Se o Min realmente desejava governar o céu infinitamente, quando teve a chance, ele deveria sim ter matado Jimin. Não feito o contrário... Embora que... Essa mesma cicatriz é um empecilho para o Park.
Vendo que este Deus o encarava em silêncio, este Min afiou o olhar e se aproximou.
— Como sabia meu nome? — Ele finalmente perguntou o que tanto o atormentava. — Por que age como se já me conhecesse e me odiasse? — Ele se aproximou ainda mais, ficando à poucos centímetros da máscara. — O que você quis dizer com “shuangbaotai”? — Nesse momento, Jimin arregalou os olhos. Ele não sabia?
Fitando fixamente aqueles olhos, o Park pensou. O Yoongi que ele conhecia... Também não tem idéia? Fuçando em suas memórias, Park procurou algo que indicasse que o seu Min sabia da existência desse Yoongi. Seus olhos arregalaram-se, a razão... A razão para ele querer tanto poder... Por um momento, ao olhar para aquele subordinado, Lanbaoshi o odiou verdadeiramente. Sentia o seu sangue correr por sua veias como se fosse ácido, e seu peito pulsar como se seu coração quisesse deixar a caixa torácica.
Yoongi, o seu Yoongi. Ele queria poder para reviver seu irmão. Jimin nunca soube o seu nome, mas o ajudou a ter esse poder. O que ele não esperava é que por trás disso, esta pessoa tivesse outros planos...
Eles procuraram por anos a alma desse suposto irmão, e quando o Min não o encontrou, ele finalmente desistiu e enlouqueceu. Park sabia que era amado de volta, sabia da reciprocidade entre eles, mas um amor de Eros jamais seria mais forte que o amor de Ágape. E amor nenhum, seria mais forte que a raiva, a mágoa, o ódio. E este Yoongi odiava, odiava todos os Deuses. E para ser mais do que eles, ainda mais poder foi necessário...
Se esta pessoa não existisse, talvez.... Talvez o seu Yoongi...
De repente, o mundo ao seu redor desapareceu. Em um ambiente completamente branco. Em sua frente não jazia mais o subordinado, mas dois homens com a mesma aparência que a sua. Um se vestia como um Deus, e outro era tão triste, que sentia pena apenas por ter que olha-lo naquele estado. Ambos o encaravam. E ambos não tinham mais vida em seus olhos. Aos poucos, o mundo monótono e límpido como a neve se despedaçava, mas ele não fez nada. Nenhum deles fez absolutamente nada.
Com essa visão, Jimin pressionou os punhos. Sua própria energia parecia querer engoli-lo. Com isso, ele levou ar ao pulmões e encarou minuciosamente aquelas duas imagens. Ele não era mais nenhum dos dois. Mas ainda tinha suas memórias, seus sentimentos. Com muita calma, qual não havia tido até então, ele tentou conter o seu ki.
Park, por fim, decidiu ir em direção ao Deus. Não sabia porquê ele o atraía, mas ele era como um ímã o chamando para cada vez mais perto. Ao chegar próximo o suficiente para toca-lo, ele simplesmente o abraçou. O Deus caiu em prantos, e Jimin apenas o acolheu. Cada memória que ainda estava confusa, surgiu, uma à uma.
— Eu sei... Você o amava... — Jimin sussurrou para si mesmo. — Mas vocês não podiam viver apenas disso. Está na hora de esquecer, ou de procurar um motivo para inocenta-lo. Você viu, Yoongi não é mais aquele nós conhecemos. Talvez, ele nem mesmo se chame Yoongi. — Com um sorrisinho melancólico, este Deus parecia desfazer-se em seus braços.
— Eu só queria... só queria que ele fosse feliz... — Essas foram suas últimas palavras antes dele desaparecer definitivamente em seus braços.
Park sentiu um forte aperto em seu corpo. Ele caiu de joelhos, e notou que chorava. Toda dor que guardava, transbordando violentamente. Uma mão pálida levada em sua direção outrora o surpreendeu. A pior parte do seu eu atual, o ajudava a se levantar. Uma escória vazia e tão melancólica quanto aquele Deus. A pior... E a mais humana.
— Se continuar assim... Você será consumido. —Jimin o fitou, e o outro sorriu. Esse sorriso era gentil, mas seus olhos ainda estavam mortos. — Apenas viva com isso. Seu passado, seu presente, seu antigo amor. Viva com isso, e aceite. Você não pode mudar o que aconteceu, mas pode compensar, não é? Pode acertar dessa vez. Então, acorde, e contenha-se antes que sucumba. — Ao ouvi-lo, Lanbaoshi entendeu que estava passando por um desvio de ki, e neste momento sua mente estava tentando evitar que ele se perdesse.
O desvio de um Deus é muito mais agressivo do que à de um cultivador comum. Mas enquanto eles manterem a sanidade, talvez eles possam se controlar no processo. Jimin ficou muito tempo sem cultivar, e por bons anos, sua energia permaneceu estagnada. Tanto uso imprudente do ki em junção à tantos pensamentos e sentimentos foi um estopim para que seus meridianos entrassem em colapso. Para retomar o controle, Park só precisaria se acalmar e praticar novamente o uso básico do ki. Seu corpo precisava se acostumar com tamanho poder novamente.
Respirando profundamente, ele tentou conter-se. Enquanto se concentrava, podia sentir que outra energia circulava e restaurava seus pontos vitais. Era o mesmo tipo de energia que sentiu antes, então logo supôs que aquele rei estava novamente o ajudando. Talvez ele estivesse criando dividas de mais com uma calamidade, mas no momento, tentou não pensar nisso. Entrando numa grande zona de concentração, Jimin percebeu que o mundo ao seu redor se refazia ao mesmo tempo que desaparecia. Quando seus olhos criaram foco novamente, avistou Yoongi ao longe, seus dedos juntos enquanto ele recitava um mantra que mantinha uma formação ao redor deles.
Lanbaoshi se surpreendeu, mas sua expressão só mudou de fato quando sentiu algo agarrado nele e uma dor escruciante em seu pescoço que o fazia querer gritar. Ele abaixou a cabeça levemente, e estava prestes a reagir quando aquele ser pequeno retirou suas presas cravadas na curvatura de seu pescoço. A criança olhou e o encarou. Os olhos grandes e penetrantes engolindo-o gradativamente.
— Eu disse a você. — As írises escuras de repente ficaram intensamente vermelhas. — Morra somente depois que devolver minha verdadeira forma! — Jimin sentiu as mãozinhas ao redor de seu pescoço aperta-lo e ele quase que se sentiu confuso.
" Vossa majestade, mesmo se eu morrer, você irá recuperar sua aparência em alguns anos. Então pare de agir como se realmente se preocupasse comigo. Me salvando assim tantas vezes de mim mesmo. " — Claramente o Deus não disse isso em voz alta, mas ele inesperadamente sorriu e aconchegou a criança melhor em seus braços.
—Por acaso está tão preocupado comigo, que não pode sequer me ver sofre um desvio de Ki, Jungkook? — Jimin disse muito petulante e convicto. Os olhos da criança dobraram de tamanho, e seu rosto inevitavelmente tomou um tom avermelhado. — Não se preocupe, este Deus não irá morrer tão cedo enquanto você estiver ao seu lado. — Assim, as mãos de Lanbaoshi foram em direção aquelas maçãs faciais. E com um aperto firme, seus olhos se fecharam com um sorriso.
(...)
— Você mereceu. — Yoongi sussurrou ao seu lado. Ganhado a atenção de Jimin. Ninguém podia ver, mas ele tinha exatamente cinco dedinhos marcados perfeitamente em seu rosto.
— Calado. — Ele resmungou. Mau humorado. Ele só estava brincando um pouquinho, quem diria que aquele rei fosse tão narcisista e fresco. E pior... Tivesse tanta força física com um corpo tão pequeno.
Ele ouviu a gargalhada de Yoongi farfalhar entre eles. Mas quando a calamidade, alguns passos à frente dele os encarou sobre a máscara Youkai que cobria seu rosto, ambos ficaram quietos novamente. Voltando a posição inicial, ao redor de uma grande multidão de monstros, eles marchavam em direção aos portões infernais. Jimin, finalmente, adentraria o inferno.
— Mas devo dizer, você tem coragem. — Yoongi soltou subitamente. Mas não o olhava. — O título que ele possuí, e até mesmo quem ele é... Ninguém tem coragem o suficiente de se aproximar de Jungkook por muito tempo, nem mesmo de criar algum vínculo que não seja profissional ou com segundas intenções. Ele viveu com os outros o temendo, ele viveu tendo tudo, e não tendo nada... Alguém como você... Ele pode acabar se apegando. E se isso acontecer, talvez eu precise te matar. — Jimin ergueu as sombrancelha.
— Acha que vou usá-lo? — O subordinado negou.
— Você já está fazendo isso. Mas o que me conforta é que ele sabe. Sabe que por enquanto, você é apenas como os outros. — Jimin não pode não sorrir desdenhoso.
— Vocês seres infernais. Sempre agindo diante dos Deuses como uma raça empática e compreensiva para com os seus. Como se não fossem apenas monstros desvairados em busca de matança e poder...
— Por favor não nos compare com demônios de mentalidade inferior. — Yoongi disse seriamente, mas pareceu verdadeiramente irritado com o comentário de Jimin.
— Não se preocupe. Os Deuses também não são muito diferentes. — Com isso, o subordinado voltou a olha-lo de soslaio. Jimin não viu, mas um sorriso surpreso surgiu nos lábios finos do Min. — A propósito. Você tem um irmão gêmeo.
— Hã? — Com a surpresa estampada nos olhos felinos. Jimin se aproveitou desse momento para arranca-lhe a máscara num movimento rápido e sútil. E, ao ver o rosto alheio em completa descrença, ele sorriu e jogou a máscara para ele novamente, embora fosse tarde demais.
— Desculpe. Mas o que eu disse é verdade, há um Deus chamado Min Yoongi. Ele tem sua aparência. E governa o céu no lugar do grande Deus Seokjin. Aparentemente, no início, sua intenção era encontar a alma de seu irmão e revive-lo. Seus esforços foram em vão, e com isso ele tomou o céu para si. — Park se afastou, afinando um pouco de sua voz para parecer uma mulher falando. — KYAAAAA, HÁ ALGUÉM SEM MÁSCARA! — Assim, todos se viraram em direção ao grito, todos avistando o subordinado direto do rei, sem nada em seu rosto.
Todos pareciam surpresos. Yoongi era sempre perfeito em seu trabalho, e jamais errava. As vezes, era o próprio Min que os salvava das mãos de seu rei. Como alguém, sempre tão responsável, cometeu uma garfe como àquela?! Acontece que, durante o desfile, absolutamente ninguém deveria retirar a máscara. Caso o fizessem, essa pessoa seria expulsa antes de adentrarem os portões, e presa no pavilhão de cobre com os poderes selados até que o festival desse finalmente por encerrado. Só que, quem entre eles, seria capaz de se voltar contra Min Yoongi. O braço direito de sua alteza.
Yoongi, que ignorava as pessoas ao seu redor, tinha os olhos fixos em Jimin. Um sorriso macabro surgindo no rosto do subordinado a ponto de fazer sua espinha gelar. O Deus claramente sentiu que havia irritado verdadeiramente aquele subordinado. Mas de qualquer forma, sua intenção nunca foi tê-lo ao lado dele em sua viagem com sua alteza. Ele pensou todas as formas possíveis de se livrar desse Min, e quando finalmente descobriu sobre as regras do festival, ele não poderia apenas deixar essa chance passar.
— Aproveite esse tempo para encontrar as respostas do que acabei de te falar. Aqui... — Jimin fez com que um ponto de luz surgisse, e fosse em direção ao subordinado. Essa luz pousou em seu braços, e marcou sua pele com um símbolo de sol. — Você poderá entrar no meu templo com essa marca. Lá, você conhecerá minhas duas jades. Pergunte a elas a situação no céu, você entenderá assim que ver. — O Deus sussurrou, mas nos ouvidos de Yoongi cada palavra soava nítida.
Seu olhar claramente não foi um dos melhores. Mas quando seu rei se aproximou, Yoongi se ajoelhou.
— Este subordinado cometeu um grave erro. Meu rei, faça como pede as regras, para que nunca mais este subordinado volte a errar. — A calamidade o fitou por longos minutos antes de dizer em alto e bom som.
— O levem para o pavilhão. O restante, continuem o desfile. — O rei olhou em direção à de Park, que com um sorrisinho cínico, se curvou. — Você, ao meu lado.
— Claro, vossa majestade. — Jimin prontamente reagiu. Quando se viraram para partir, assim que ele passou pelo subordinado ajoelhado, ele murmurou: — Não deixe que esta pessoa parecida com você descubra sua existência. Para o bem de todos. Até mesmo, à do seu rei. — Quando ele finalmente alcançou a criança, o Deus posicionou-se ao seu lado. Parecendo saltitante em seus passos.
— Apesar de ser fraco... Você é como uma serpente peçonhenta. — Essas palavras vieram do rei ao seu lado. O Deus no entanto não se sentiu nenhum pouco ofendido, e com um sorriso deveras assustador, num ato petulante, Jimin puxou a criança para seus braços.
— Meu rei não deve andar como um mero súdito durante o desfile. Permita que este Deus o carregue durante o trajeto. — O rei estava pronto para rebater, mas ao perceber que de fato ser carregado era bem mais confortável, ele não disse nada. Apenas olhou para aquele Deus como se pudesse ver além de sua máscara.
Naquele momento, o sorriso amigável que ambos carregavam forçando-os a alcançar os olhos, desapareceu. Provavelmente, ambos conheciam à si mesmos.
Quando finalmente chegaram em frente dos portões, Jimin pode ver ao longe uma criatura parecida com Orken, e ele imediatamente à associou a Arkan. Involuntariamente, ele apertou a criança em seus braços. Arkan tinha a aparência de uma mulher. Os cabelos curtos e escorridos. Os traços fortes e intensos. Ela tinha um olhar profundo, e um corpo musculoso. Parecia ser mais forte que Orken, e era, de fato, mais assustadora em comparação à ele.
Lanbaoshi engoliu em seco, e apertou a criança em seus braços.
— Não se preocupe. Ela pode te odiar, mas não fará nada a você.
— Isso realmente não me deixa nem um pouco aliviado, Jungkook.
— Você ousa continuar à me chamar assim...
— Não é o seu nome? — Jimin se preparou mentalmente para levar uma mordida. Mas a criança não o fez.
Ele a olhou como se esperasse alguma coisa, mas a calamidade apenas se desprendeu de seus braços e caminhou em direção aos portões. Arkan se aproximou dele, o reverenciando. E em seguida, esta criatura de pele negra e brilhante o ergueu. Com a lâmina da arma da besta infernal, este rei cortou a palma de sua mão sem ao menos pestanejar. O sangue manchou os relevos dos portões, e quando a criança os empurrou, fazendo aquela estrutura parecer tão leve quanto uma pena, Jimin se aproximou. Finalmente, ele passaria pelos portões. Ele lançou uma olhadela para a pequena criança e esperou que ela fosse para seu lado de novo.
— Venha cá. — O Deus chamou, mas não deu tempo o suficiente para que Jungkook respondesse. Ele o pegou no colo, e fitou sua mão. Analisando o corte profundo meticulosamente. — Não se corte assim, de modo tão imprudente! — Com essas palavras, ele soprou um ar gelado em direção à ela. Uma corrente fria o envolveu, e na carne exposta, um camada de neve o cobriu, sugando todo o sangue. Aquela neve ganhou um tom carmesim e flutuou como um floco de neve ao redor deles. O corte, por outro lado, desapareceu como se nunca tivesse existido.
— Seu poder de cura é impressionante. — O rei deixou claro. Mas logo franziu o cenho, embora não tenha dito nada.
— Fico horando que vossa alteza pense assim. — E sorriu.
— Humpf. Pois bem, agora ande. E hipótese alguma, respire antes que passemos da ponte. — Jimin assentiu. Todos voltaram a caminhar, e assim que o primeiro pé de Jimin tocou a madeira da suposta ponte. Ele prendeu a respiração, e tudo ao seu redor ficou escuro.
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