Gods of cultivation

2 Capítulo um: Revelação - O Deus da criação desperta.


Notas iniciais
Olhando para eterna sombra Que as estrelas deixaram em seu despertar Quando elas esqueceram como brilhar ... Passando na órbita carmesim Nós ainda somos crianças inocentes que nada sabem Tudo o que fizemos foi vagar pela noite ininterrupta ... A fraqueza de perder aquilo que não pode ser perdido A fragilidade de perder a fé em tudo Mesmo que eu não possa me manter em pé O destino continuará a progredir. — Aimer ( Brave Shine )

Capítulo um: Revelação — O Deus da criação desperta.

Em setecentos anos Jimin sinceramente nunca pensou nem mesmo uma vez no dia em que teria garantia que ao anoitecer estaria debaixo de um teto prestes a dormir em uma cama que não fosse de madeira e feno.

Tão pouco pensou que seria abençoado com um banquete assim que terminasse de tomar o melhor e mais duradouro banho de sua longa, arrastada, e infeliz vida.

Ele não notou, mas assim que Hoseok e Taemin adentrou o quarto, ambos carregando uma bandeja — com uma variedade de comida e fruta — em cada mão, seu semblante desinteressado e gélido teve uma sútil oscilação.

Depois de desfrutar com veemência todo alimento, vez ou outra engasgando-se vergonhosamente devido a velocidade que comia, o Grande mestre já não tinha mais uma face para sustentar. Aos poucos, sua expressão monótona foi tendo alguns flash's de luz, incitando uma sorrateira maldade.

Escondendo aquilo que seria seu mal caráter, Jimin teve diversos pensamentos sombrios sambando em sua mente. Mas o ponto ficou em uma única dúvida; no quanto ele poderia se aproveitar de sua súbita e inesperada ascendência antes que fosse levado a terra novamente.

Porque de uma coisa ele não tinha dúvida, uma hora ou outra, seria convidado à retornar ao mundo mortal.

Deuses precisavam demonstrar serviço e utilidade para com os afazeres do céu, contudo, não havia nada em que Jimin pudesse complementar alí. Seu único talento de fato era atuar sua própria morte e saber a diferença de um lixo de valor, — que poderia por sinal sanar sua fome — para um lixo inútil. Como ele mesmo.

Jimin parou e pensou.

Se agora ele era um Deus, queria dizer que as riquezas ao seu redor naturalmente pertenciam à ele? Aquela situação realmente estava se tornando aos poucos mais interessante. Com certeza não faria mal algum levar consigo alguns utensílios de ouro, faria?

Se ele estava naquela posição agora, alguma coisa em seu destino deveria mudar, certo? Então porquê se não, sua pobreza?!

Este Grande mestre que acabou de ascender certamente não tinha ambições muito altas. Tendo o que comer no dia seguinte e condições o suficiente para mantê-lo durante alguns anos já seria bem mais do que poderia pedir ou esperar de sua maldita sorte.

— Grande mestre?! — Este imediatamente arrumou sua postura desleixada quando Hoseok entrou no cômodo novamente com um sorriso meigo em seu rosto.

— Sim, shidi? — Park franziu o cenho. Confuso com suas próprias ações e palavras.

Por que estava sendo tão formal para com o Jung? Ele sequer era seu mestre de fato.

Além disso, fazia tempo que ele não agia "de cabeça erguida e mãos limpas". Sinceramente, não fazia parte do seu estilo ser educado. Mas com esta pessoa ainda era um pouco diferente, Hoseok tinha a personalidade brilhante, os olhos gentis e preocupados sempre que seus olhares se encontravam.

Ele o fitava constantemente como uma criança fita seu pai. Cheio de admiração e alegria, quase como se esperasse ver algo extremamente incrível por mais infeliz que fosse a pessoa em sua frente.

Era visivelmente um rapaz bem criado. Bondoso, fiel e justiceiro. Sem malícia ou crueldade em sua personalidade cativante. Um ótimo perfil para se trair e ao mesmo tempo, decair ainda mais às portas do inferno.

De qualquer forma, esse tipo de gente que vinha à ser seu oposto é o que ele mais detesta.

Jimin tinha sim prazer e facilidade de tirar o doce de alguém como ele mesmo. Ele no entanto não seria capaz de tirar esse mesmo doce de uma criança, por mais que o sangue que corresse em suas veias fosse dessa outra pessoa qual possuem tamanha semelhança.

O Jung também, apesar de mal conhecê-lo, o ajudou e respeitou e não só o tratou como gente, mas como alguém que estava acima dele. Não que este novo Grande mestre gostasse desse termo ou visão, contudo, após tanto tempo sendo tratado como lixo, "uma gota no deserto ainda matava a sede" daquele que nem por esse milagre esperava.

Park concluiu dessa forma que gostava de Hoseok. Embora contudo o gostar de uma “escória” como ele ainda seja perigoso de se confiar. O próprio Jimin "não mataria e mostraria a arma do crime" pra ter certeza do quanto nele, alguém podia acreditar.

— Seu cabelo, apesar de limpo, continua embaraçado. E por que ainda não tirou essa barba horrenda? — O rapaz se aproximou, embora uma careta vislumbrasse em sua expressão serena. — Sendo um Deus, Grande mestre, você precisa estar impecável em sua aparência... Por favor, permita que este discípulo penteie seus cabelos. — O Grande mestre que acabou de ascender não havia gostado daquela idéia, mas ao notar o olhar cheio de expectativa alheia, bufou, incrédulo.

— Tem... a minha permissão. — O sorriso que Hoseok tinha nos lábios rosados não poderia ser simplesmente descrito, porém, para Jimin, a simplicidade dele ainda era uma de suas maiores vantagens contra o Park.

Enquanto este discípulo sorria como se fosse o próprio sol, Jimin percebeu num curto pedaço de tempo que o Jung poderia pedir o que quisesse que ele cederia aos seus caprichos com uma facilidade suspeita.

Recusava-se a acreditar nessa sua fraqueza para com pessoas de coração límpido. Sendo inevitável, no entanto. Seu complexo por pessoas meigas, heróicas ou choronas ainda seria o motivo de muitos problemas. Com certeza. E embora naquele momento não quisesse pensar nessa conclusão, foi incapaz de não imaginar alguma das situações que provavelmente entraria caso deixasse levar.

Está realmente tão grande quanto da última vez... — Este rapaz comentou por alto, mas baixo o suficiente para que não fosse ouvido com nitidez.

Com suavidade, o discípulo desfez o coque mal criado, assistindo com os olhos brilhantes aqueles fios albinos caírem sobre as costas cobertas por um robe branco e livre de relevos. O Park entretanto não era nem um pouco inconsciente do que acontecia ao seu redor, e embora quisesse violentamente sanar suas dúvidas, conteve-as na ponta de sua língua.

Ainda com o sobrolho levemente franzido, Jimin deu um grande gole na taça de vinho que lhe foi servido junto com seu jantar, engolindo não só suas palavras, mas todas suas perguntas afinal, ele não poderia deliberadamente expor-se para pessoas que havia acabado de conhecer.

— Você quer corta-los um pouco? — Hoseok perguntou com cautela, chamando por fim sua atenção.

O peso e o tamanho de seus cabelos — que apesar de estarem limpos, cheirosos e leves — ainda incomodavam muito, Park outrora nunca realmente teve coragem de corta-los.

Ele sempre dava um jeito de pentea-los e limpa-los, e por mais incômodo que fosse, o Grande mestre que acabou de ascender tinha um apego incomum para com suas madeixas. Nunca pensou em corta-las realmente, nem mesmo quando se irritou o suficiente para de fato fazê-lo.

Agora que os sentia cem por cento limpos, os fios escorriam com facilidade e moviam-se com mais liberdade, alcançando o chão enquanto seu dorso inteiro era coberto. Mas supondo que não desfrutaria dessa mordomia por muito mais tempo, arrepiou-se. Senti-los sujos a ponto de tornarem-se uma bucha havia se mostrado um dos maiores medos de Jimin no momento.

Com um suspiro cansado, concordou. Ter cabelos longos daquela forma é realmente um estorvo em sua realidade.

— Permita-me abusar desse jovem mestre um pouco mais. — Hoseok assentiu, mas logo o corrigiu com sutileza.

— Este jovem Shizun da seita e templo de Il-Seong a partir de hoje não passa de seu discípulo e subordinado, Grande mestre. Será um prazer tê-lo como meu Shiaong mais uma...

— Grande mestre, aqui estão suas roupas novas. — Ambos homens encararam o outro que acabará de sair de um portal e invadir o quarto sem preocupações.

— Taemin! Quase me matou do coração. — Hoseok tinha a mão destra sobre o peito enquanto mantinha os olhos arregalados.

Jimin não demonstrou de fato, mas estava tão assustado quanto. Embora não tenha se surpreendido com esta habilidade de criar portais, ainda era um pouco surpreendente uma pessoa que não estava com você até então surgir do nada.

Taemin também parecia ser extremamente quieto e sorrateiro. O que não ajudava nem um pouco.

— A-Hoseok, você já não deveria estar acostumado? — Refutou com um sorrisinho mal criado nos lábios, enquanto Hoseok rolava os olhos em resposta.

— Eu nunca irei me acostumar com esse tipo de coisa.

— Certamente. — Taemin tirou os olhos do Jung. — Grande mestre, essas roupas são do seu agrado? — O Lee desdobrou a peça com cuidado, deixando-a aberta diante de seus olhos. — Essa roupa foi especialmente feita para o Shihan, o Deus da criação, de Il-Seong; Lanbaoshi.

" Quantos títulos desnecessários esse Deus da criação tinha." — Jimin imediatamente rebateu, mas não ousou dizer isso em voz alta.

— Tal relíquia poderia ser usado por alguém como eu? Uma escória que ascendeu acidentalmente? — Questionou com clara ociosidade, mas Taemin educadamente sorriu pequeno.

Os olhos fechando sutilmente por causa disso.

— Esta pessoa não irá se incomodar se este Grande mestre que acabou de ascender à usar. Tem minha palavra. — Jimin concordou em silêncio, olhando fixamente para o trage nas mãos do Lee.

Esta vestimenta era um Hanfu de alta qualidade. Claramente.

O robe inferior era branco, mas suas mangas largas e bicudas tinham tons amarelos vivos.

Por cima, ainda sendo do mesmo tecido, colado a cintura, uma saia longa no estilo gladeadora caía branquissima como a neve; suas fitas adornando o robe inferior com suas extremidades douradas elegantemente.

O robe superior em contrapartida tinha mangas curtas e quadradas, o colarinho contendo uma fita ainda mais dourada seguindo essa parte central do trage.

Ao contrário da parte de baixo, o trage superior era curto com a barra redonda verticalmente. A extremidade dessa saia era de um azul quase lilás que combinava perfeitamente com a encharpe longínqua entrelaçada a cima da manga amarela.

Jimin respirou fundo e analisou com ainda mais cuidado. Notando que sobre o antebraço de Taemin uma longa fita de cetim dourada caía graciosamente complementando a quantidade exorbitante de peças.

Apenas a alta sociedade usava aquele tipo de robe, e ter de repente acesso à esse tipo de roupa estranhamente o incomodou bastante. O que não fazia sentido nenhum, uma que ao obter aquelas peças, poderia vende-las por duas ou três pesos de ouro.

Ele analisou a vestimenta mais uma vez.

" Eu posso mesmo usar isso? "

Um pouco mais preocupado, Park se questionou novamente.

O robe visivelmente havia sido feito sob medida para uma divindade não só poderosíssima, mas totalmente graciosa. Profanar esse fato o levaria para o inferno mais rápido?

— O Grande mestre gostou?

— Impossível não gostar. — Jimin comentou baixinho. Um pouco tocado e levemente tentando.

Tantos anos se passaram e ele precisou ascender ao céu para dormir em uma cama decente; tomar um demorado banho, vestir-se como alguém digno e cuidar-se sem qualquer preocupação.

Parecia cômico essa situação novamente se repetir, porque assim como foi quando adentrou naquela seita, seria aqui. Logo que começasse a nutrir o mínimo de esperança, normalmente, seria obrigado a voltar à sua realidade. E dessa vez ele literalmente iria cair das nuvens.

Engraçado.

Sem pensar, Jimin continuou a beber o vinho. Optando por aceitar as vestes e vende-las assim que possível, contudo, seus pensamentos não estagnaram somente no que fazer com aquelas roupas. O que o deixou momentaneamente em silêncio.

Satisfeito com a reação do Park, Taemin voltou a dobrar as peças calmamente para logo em seguida deixa-las sobre uma escrivaninha de madeira maciça e mais uma vez desaparecer.

Obviamente, ele não deixou de se despedir de Jimin, mas este Grande mestre sequer fez esforço para prostar-se de volta. Hoseok por outro lado, estava tão concentrado em cortar os fios adequadamente que não falou mais.

A bebida gradativamente começará a fazer efeito, e quando o álcool finalmente o atingiu, seus olhos pesaram gradativamente.

— Grande mestre, terminei!

— Hm? — Park se virou, os cabelos albinos seguindo seu movimento. — Pelo menos não estão mais tocando o chão. — Aparentemente, aqueles fios ainda estavam grandes o suficiente para cobri-lhe a cintura, mas é como disse. Ao menos os fios não iam ao chão.

— Está com sono Grande mestre? — Jimin concordou sem pensar duas vezes.

— Eu não fico bêbado com facilidade. Mas depois de uma grande quantidade de álcool, fico cansado. — Foi sincero.

— Compreendo. Se quiser, o senhor pode ir se deitar, deixamos sua barba para fazer no próximo dia.

— Não, tudo bem. Vamos acabar logo com isso. — E de fato, Jimin lutou contra o sono até que Hoseok terminasse completamente de barbea-lo.

E se quer saber, ele não se sentiu nenhum pouco envergonhado por outro homem estar fazendo sua barba. Muito pelo contrário, daquele ângulo, ele conseguiu ver com uma riqueza de detalhes a beleza genuína do Jung. Firmando ainda mais seu interesse pelo garoto, que fazia tudo com muita paciência e cuidado.

— Por que está me tratando assim?

— O que? — Jung bateu a lâmina num utensílio de prata cheio de água antes de se voltar para seu rosto. Tirando os últimos resquícios de pelo.

— Desde que cheguei aqui tem me protegido e cuidado de mim. Taemin também está fazendo o mesmo, mas com você... É diferente. — O jovem homem sorriu.

— Talvez seja porque eu sou a primeira jade do Grande Deus da criação. O primeiro Shidi da seita Il-Seong à ascender e a servir Lanbaoshi diretamente no templo e na cidade divina. O primeiro com o dever de não só protegê-lo, mas cuidar de sua aparência, saúde, estado mental e emocional. O primeiro que ele viu como... amigo.

— Você o ama? — Murmurou, extremamente sonolento.

— Obviamente.

— Mas eu não sou Lanbaoshi. Sou Park Jimin.

— Lanbaoshi é apenas um título para realçar suas características, Park Jimin é o seu verdadeiro nome. — Os olhos caídos do albino abriram-se subitamente, mas assim que estava prestes a rebater, seu corpo pesou e pendeu para o lado.

— Hoseok o que... — Com essas últimas palavras, o Grande mestre que acabou de ascender caiu em um sono profundo.

— Por que o sonífero demorou tanto para fazer efeito?

— O Grande mestre parece naturalmente ter conseguido combater o efeito da droga. Mas consumindo-a sem parar através do vinho, nem mesmo ele seria capaz de suportar conte-la por tanto tempo. — Taemin explicou quando pegou o corpo caído de Jimin, e arrumou devidamente na cama.

— Hunf, você deveria saber que Lanbaoshi não iria sucumbir à um sonífero estúpido.

— Esta outra jade e segunda opção errou. — Taemin debochou.

— Não me diga que está com ciúmes da verdade?

— Eu realmente não estou. Sei que Lanbaoshi me amava tanto quanto te amava.

— O que?! Só pode ter enlouquecido. — Hoseok grunhiu, mas o Lee apenas sorriu.

— Eu vou tentar quebrar os selos que prendem os portões de energia Yin do Grande mestre. Mas não garanto que conseguirei fazer o mesmo com os selos que bloqueiam sua memória. Talvez eu apenas consiga liberar alguns fragmentos...

— Isso é o suficiente. O Deus, príncipe sem trono de Lian Ge; Taehyung, saberá o que fazer assim que eles se encontrarem. O abismo sem fim está próximo de se abrir, não podemos permitir que o Grande Deus Namjoon... Digo... Que o Demônio Kim Namjoon, se torne uma calamidade infernal. — Assentindo, o Lee se levantou e se prostou contra a cama.

Quando seus olhos se fecharam, raios azuis correram por suas veia internas, iluminando parcialmente seu corpo. Quando suas pálpebras se abriram, seus olhos estavam azuis e seus cabelos tinham singelas mechas albinas o pintando.

Taemin encarou o corpo adormecido de Jimin, e com um olhar triste, juntou ambas as mãos.

Os quatro dedos maiores se encontraram, mas foi quando a ponta de seus polegares se firmaram dobrados por baixo que uma corrente de energia Yin envolveu suas mãos como uma cobra envolve-se na jugular de suas vítimas.

Hoseok fitava ao longe, sem conseguir conter os sentimentos ruins que subiam por sua garganta assim que viu os selos invisíveis surgirem nitidamente por quase todo corpo de Jimin. Ele queria xingar, como fazia constantemente antes de conhecer o Deus da criação, mas manteve a postura por respeito aquele que salvou sua vida.

Lanbaoshi havia feito brotar amor no lugar de ódio, gentileza no lugar de ignorância. Delicadeza no lugar de grosseria.

Mas vê-lo naquele estado, sem lembrar-se de quem era enquanto penava na terra como uma alma desgarrada era inaceitável. Imperdoável...

Hoseok acompanhou sua vida nesses setecentos anos sem poder se aproximar ou fazer qualquer coisa para ajuda-lo, cada uma das cenas estavam marcadas em sua memória como grandes feridas expostas aos ratos. E graças à ela, um velho sentimento aos poucos o envolveu.

— Hoseok, você precisa se acalmar. A energia que está liberando acidentalmente está me interrompendo. — Finalmente o Jung despertou, o que automaticamente conteve sua irá e sua energia.

Ele ainda tinha rancor em seu coração, mas para que isso não se tornasse um problema, Hoseok selou essa vontade em buscar vingança num lado obscuro de sua alma.

— Deixei me levar pelas memórias ruins. Perdoe essa jade.

— Uh. — Taemin murmurou, desviando sua atenção para o Park novamente. — Não se preocupe Grande mestre, desta vez, será essas jades que irão te salvar.

(...)

Quando Jimin finalmente demonstrou resquícios de estar recuperando a consciência, suas pálpebras pesadas tremulavam gradualmente enquanto uma das mãos automaticamente iam em direção a sua cabeça com a intenção de diminuir a dor latente com a pressão de seus dedos.

Todo seu corpo doía como se em algum momento tivesse levado uma verdadeira surra, mas a súbita angústia crescente em seu peito foi o real motivo para que permanecesse imóvel por alguns segundos.

Ele tentou se levantar mas sentiu como se o mundo ao seu redor estivesse inconstante da realidade. O Grande mestre tinha a sensação de que seu corpo havia perdido a gravidade ao mesmo tempo que, embora não estivesse enxergando, seu espaço vinha dando voltas e voltas como um maldito catavento sem parar.

Foi inevitável para si segurar tudo que havia comido antes de desmaiar em seu estômago. E se para toda ação existe uma reação, consequentemente Jimin não soube como privar-se de por-se impulsivamente de lado, mirando sua cabeça para baixo enquanto sentia um líquido amargo preencher seu paladar e em seguida, vazar por sua boca como uma cachoeira.

— Mestre Lanbaoshi? O senhor está bem? — Jimin ainda expulsava aquela gosma fétida quando reconheceu a voz de uma de suas jades.

— Essa pergunta não poderia ser mais óbvia, Hoseok. — Ele disse com firmeza, mas logo em seguida Jimin foi tomado por uma confusão sem precedentes.

Por que de repente este Grande mestre que acabou de ascender tinha uma expressão, postura, e fala completamente diferente da antiga?

Talvez ele estivesse ficado louco de vez, no entanto, antes que pudesse fazer qualquer comentário ou dar-se conta de algo, uma grande quantidade desse mesmo resíduo estomacal subiu por sua garganta o impedindo de falar.

Sua recuperação levou alguns minutos, e quando voltou para se jogar na cama novamente, uma série de memórias expandiu-se em sua mente; preenchendo e ocupando completamente sua visão.

Jimin por um momento teve milhares de flash's que mudaram completamente sua visão sobre quem e o que era. E todas essas imagens, cada uma delas, o deixou a beira de um colapso.

Apesar de ter um teto cheio de adereços acima dele, seus olhos apenas enxergaram nitidamente aquilo que Park por setecentos anos perdeu; sua identidade, seu coração, sua imagem, sua essência, sua... Vida.

Há muito tempo atrás, quando acordou pela primeira vez no mundo mortal como um suposto humano, a única coisa que conseguia se lembrar era de seu nome. Conquanto, o que ele exatamente valia se não existia absolutamente nada por trás dele?

Park claramente se alegrou por ter um nome naquele dia, mas não tardou mais de sete luas para ele entender que aquele nome não passava de uma letra em conjunto com outras letras; de uma denominação que não tinha valor algum para aqueles que o proferiam ou ousavam dizer em voz alta.

Muito pelo contrário.

Esse seu nome era motivo para que todas as noites fosse espancado por um de seus supostos donos. Afinal, naquela época, sem saber ou entender a razão, Jimin acidentalmente tornou-se escravo de uma família nobre no reino de Silla.

Park Jimin era bastante conhecido por agregar a imagem de jovens garotas. Normalmente, apenas àquelas que viviam na alta sociedade possuíam um nome tão louvável, e por não entender nem conhecer essa regra abstrata do mundo em que estava vivendo, este jovem recém desperto e sujo tornou-se chacota.

Este mestre, entretanto, ainda tinha uma beleza sobrenatural. O que consequentemente despertou a irá do primogênito da família que servia e o interesse do senhor da casa.

O jovem homem, que hoje muito provavelmente não teria nem mesmo o pó de seu corpo empregnado na terra simplesmente havia feito o inferno para esta bela criatura de olhos límpidos como o mar e cabelos brancos como a neve.

E o inferno, infelizmente, não poupava a alma daqueles que pisavam tragicamente em seu território.

Essa alma muito antes feita em pedaços portanto foi consumida pelo fogo avassalador da inveja, cobiça, luxúria e ganância.

Lapidando em sua passagem pelo mundo mortal longos anos de sofrimento e maus tratos. Cada dia vivo para Jimin era como perder o último e singelo resquício de esperança.

Cada dia sendo escravizado por aquela família, para Jimin, era como perder completamente a vontade de continuar vivendo...

| 500 anos atrás, dois anos depois de Jimin acordar no mundo mortal. |

A sala gélida tinha um cheiro fétido predominando os seus quatro cantos. Era escura e assustadoramente claustrofóbica. No entanto, o Park ainda tentava decidir qual era a real origem do cheiro horroroso que o fazia querer vomitar sempre que era trancado alí dentro por Lu Shi, o primogênito da família Lu, — ou em outras palavras — seu atual dono.

Ele não desistiu, sem pensar muito, e até mesmo ignorando sua situação deplorável, continuou, minuciosamente, a analisar o espaço minúsculo em busca do catalisador daquele odor pestilento.

— Grr, desisto! — Balbuciou, claramente indignado.

Com um bico nos lábios e com o nariz de botão crispados, ele jogou-se novamente no chão sem se importar com as feridas recentes em seu corpo. Jimin cruzou os braços e as pernas suavemente, olhando ao seu redor para que as horas no mínimo passassem o mais rápido possível.

O rapaz já havia decorado cada mínimo detalhe daquele lugar uma vez que Lu Shi normalmente o trancava alí depois de espanca-lo, mas esperar as horas passando ainda conseguia ser tão entendiante que Park não deixava de procurar algo para ocupar a mente.

E por mais que tenha feito essa mesma coisa dois dias atrás, ou até mesmo uma hora atrás. Ele à repetia sempre que sentia a necessidade de enganar-se.

— Bom, aqui com certeza é melhor do que o quarto de Lu Shi... — Jimin voltou a resmungar, olhando ao seu redor mais uma vez.

As paredes que o cercavam tinha tons desbotados pelo tempo que jazia a falta de manutenção da construção, algo que consequentemente fazia com que a tintura — agora — grosseira, descascasse gradativamente dia após dia.

Havia uma porta de ferro ao seu lado. Mas ela só se abriria depois de três à quatro dias então, procurou fingir que ela sequer existia. Ter uma porta e não poder abri-la na hora que bem tendia era tão ou mais incomodativo que o cheiro podre que pairava naquele ambiente funesto.

Também existia uma janela extremamente pequena — que não deixava de ser uma somente por seu tamanho — do seu outro lado, logo no meio da parede coberta por musgo. E essa mesma janela, — qual era protegida por barras de ferro — era sua principal fonte de luz durante o dia e consequentemente, à noite.

Apenas por ela Jimin conseguia distinguir quando era dia e quando era noite. Em que estação do ano estava, e quais eram seus cheiros. Como era o céu ao amanhecer e ao anoitecer, de como era a chuva, e de como ela deixava o céu no seu mais belo tom de cinza.

Claro que o Park já sabia de tudo isso, mas todas essas maravilhas da natureza se tornavam ainda mais grandiosa quando estava trancafiado, sem poder de fato, alcança-las.

Sempre que os raios solares alcançavam a janela e à atravessavam entre os feixes das barras de ferro. Jimin, tendo adquirido alguns vícios desde que se tornou escravo da família Lu, sentava-se em frente à ela enquanto olhava fixamente para a imagem precária do céu que a janela permitia ver com certa fascinação.

As vezes, tinha a sensação de que — assim que os raios pousavam em sua pele — braços suaves e protetores o envolviam completamente como faz uma mãe em busca de proteger seu filho.

Os olhos de Jimin perderam o brilho gradativamente ao perceber que apenas naquelas ínfimas ocasiões poderia provar da tranquilidade limitada. A paz não costumava fazer parte de sua vida de qualquer forma, então, ligeiramente comovido e desesperançado, ele se perguntou se algum um dia seria acolhido ou cuidado por alguém que realmente se importava com ele.

A resposta contudo era clara.

— Lixo! — A pele de Jimin tremeu sobre o robe em trapos sujos. Não ousando se mexer quando ouviu o som do trinco sendo destravado, e o ranger agonizante de ferrugem denunciar quando a porta foi finalmente aberta.

O Park se encolheu no próprio corpo, pressionando um dos braços manchados por hematomas roxos e esverdeados com certo tremor nas mãos. Suas pálpebras tremulavam, ficando cada vez mais baixas e inativas, quase como se quisesse se fecharem completamente.

Com muita dificuldade, Jimin sussurrou baixinho, a voz falhando em uma duas palavras:

— M-mestre... A-aconteceu alguma coisa?

— Lixo inútil, isso não é da sua conta! — Antes que este escravo pudesse se desculpar, um dos pés de Lu Shi haviam selado suas costas com um golpe agressivo. — Eu venho vê-lo quando quiser! — Outra pesada foi desferida sobre suas costas. — Não tenho que dar resposta nenhuma à você! — Outro golpe, dessa vez ainda mais forte. Jimin prendeu o gemido de dor na garganta, encolhendo-se ainda mais em si mesmo. — Lixo! lixo! Você tem sorte que meu pai gosta de você, caso contrário, enchia essa sua cara gorda de socos. — O escravo não se moveu um único centímetro, mas foi inevitável para ele não franzir o cenho, incrédulo.

A linha tênue que separava o gostar e ser obsessivo para com alguém quando se tratava do mestre Lu Han, pai deste jovem mestre, era bastante instáveis. Assim como o filho, este homem agredia fisicamente Jimin como um maldito sádico, no entanto, ao contrário do mais novo, ele não tinha coragem de acertar o belo rosto do Park.

O homen mais velho sempre dizia que o amava como um filho, e que por isso estava o educando devidamente, para que no futuro ele fosse alguém honorável; que a beleza surreal de Jimin foi oferecida à ele por uma única razão:

Park deveria servir a família Lu até os últimos dias de suas vidas. Como um bom filho de sua linhagem faria.

Mas Lu Han era um verdadeiro louco doente. Assim que tinha chance, trancava o escravo em seus aposentos e o forçava a tirar suas roupas em sua frente. Com a desculpa de que o rapaz estava muito sujo e que para permanecer ao seu lado, precisava estar limpo.

O homem nunca o tocou com malícia, mas isso de fato nunca o privou de encarar Jimin como um predador encara sua presa sempre que assistia-o tomar banho.

Quando se vestia. Park era obrigado à se sentar de costas para o mais velho. Que com uma demonstração duvidosa de afeto, penteava por horas à fio seus longos fios albinos. O homem insistia dizendo que Jimin era sua benção divina, um presente dos Deuses inteiramente para ele, e que por causa disso, ele protegeria o mais novo de todos que estivesses de olho em sua aparência angélica.

— Você entende, não é? Este Sr. Lu irá protegê-lo de qualquer um que ousar imacular a pureza de seus olhos, fios e pele. Mas para isso, preciso que este escravo se entregue a mim. Que permita apenas que esse Sr. Te toque do modo que bem entender... — Assim que Park decidiu dar total liberdade sobre si para seu senhor, o jovem mestre Lu finalmente conteve suas agressões, mas isso de forma alguma significava que ele havia deixado de apanhar.

Lu Shi podia fazer o que quisesse com ele, contanto que não danificasse seu rosto efêmero e os fios brancos em sua cabeça. Obviamente, este jovem mestre não gostou nenhum pouco das ordens de seu pai, e até mesmo ousou desobedece-lo uma vez, contudo, Lu Han parecia tão obcecado para com a aparência de Jimin que logo quando notou uma marca avermelhada incomum no rosto do albino, sua loucura ultrapassou a relação para os direitos de um pai.

O jovem Lu apanhou do mais velho no centro do hall da mansão Lu. O Sr. Han o obrigou a se despir e chamou cada um dos empregados para, em suas palavras, demonstrar como é que se educava um filho de verdade.

Jimin quase não pode acreditar na cena que se desenrolava em sua frente, mantendo-se calado o tempo todo. Depois dessa humilhação pública, o mais novo decidiu que a culpa não podia ser de ninguém mais além do escravo albino.

Se não fosse por ele... Se não fosse...

— Vamos, sua aberração, levante-se! Estamos perdendo tempo demais, logo visitas importantes chegarão e meu pai está realmente muito ansioso com isso. Ele finalmente vai poder mostrar seu animalzinho de estimação para seus amigos da alta sociedade. Eles ficarão espantados quando verem um espécime tão fabuloso... Vamos, levante-se, rápido, rápido! — O garoto imediatamente o obedeceu.

O que Lu Shi não esperava no entanto era que nessa mesma noite, Jimin tivesse roubado ouro de seu quarto e juntado coragem o suficientes para deixar a mansão Lu para nunca mais voltar.

Park realmente nunca havia corrido tanto em sua vida. Mas quando o caminho se tornou penoso de seguir em frente a ponto da neve que cobria os seus pés descalços se tornarem tão gélida, sendo capaz de queimar, este jovem sem muitas esperanças de sobreviver à um inverno rigoroso daqueles, desmaiou, sentido seus pulmões implorarem por oxigênio e calor humano.

Naquele dia, Jimin havia sido salvo por um senhor marcial que procurava por espíritos malignos durante a temporada de caça. Este homem o deu de comer e um lugar para dormir em uma cabana simplória no meio de uma floresta densa coberta por neve. E, por algum motivo, o desconhecido o tratava como quem tratava um ser divino.

Ele nunca entendeu o olhar e o cuidado daquele homem para consigo, mas hoje, ao despertar nesse quarto no templo de Il-Seong, com as memórias ainda bastante deformadas, Jimin entendeu parcialmente o porquê de tamanha bondade à um estranho.

Claro que Park sempre se achou extremamente bonito à um nível assustador, no começo entretanto, ele nunca parou para pensar no porquê de apenas ele no mundo — ou até onde conheceu dele — ter cabelos albinos. Nunca parou para entender o porquê de todos olharem para ele como se fosse uma aberração, ou um espécime raro.

Sua beleza era de fato inexplicável. Encantava homens e mulheres. Tanto boas, quanto ruins.

Enfim, Park Jimin havia descoberto o que estava por trás desse nome; por trás de sua beleza e por trás das memórias arcaicas que lhe foi arrancada impetuosamente antes de acordar no mundo humano... Descobriu o que ele significava, de onde e como toda sua melancolia e sofrimento tornou-se feroz a ponto de machuca-lo fisicamente quando na terra.

A verdadeira história de Jimin no entanto não conta sobre como ele era poderoso, benevolente ou apreciado.

Mas de como, miseravelmente, ele perdeu tudo. Inclusive, o amor de sua vida e seu esplendor.

Desde o início dos tempos, os quatro grande Deuses tinham para com a humanidade uma relação única.

Amigável e familiar.

Foi assim por muito tempo.

E essa relação só tendia à melhorar quando os Deuses permitiram que os humanos que levassem a vida cultivando pudesse ascender.

Lanbaoshi foi um dos primeiros dos três Grandes Deuses restantes à concordar com essa ideia de Seokjin. E embora tenha sido complicado convencer os outros, não demorou para que eles mudassem de idéia e concordassem.

Assim que a cidade divina surgiu, o primeiro humano ascendeu aos céus como um Semi-Deus. E dessa forma, aqueles que ascendiam, pouco a pouco, popularam os céus.

Vendo como tudo ia bem por anos, aos poucos, Lanbaoshi foi relaxando. Tudo no céu e na terra caminhavam prosperando até onde a balança do equilíbrio celestial exigia, e entre um serviço ou outro, como o próprio Seokjin, Jimin descia ao mundo mortal sempre que tinha a chance de fugir de seus afazeres.

O Deus da criação era conhecido como uma criança em constante crescimento por seus irmãos. Ele sempre estava disposto a conhecer coisas novas, assim como cria-las. Era experiente e sábio na maioria das vezes. Um romancista incurável, e um guerreiro intenso quando preciso.

Jimin era um Deus marcial que além da agressividade em sua arte de lutar, conduzia com perfeição seus passos e golpes quase como se ele estivesse dançando com o vento.

Sua graça estava além da compreensão, e entre os quatro Grandes Deuses, Lanbaoshi não era só considerado o mais belo, mas o mais ágil e o mais gentilmente receptivo.

Havia algo neste Deus que atraía todo tipo de pessoa ao seu redor, seja por seu sorriso simplório que em simetria com seus olhos fazia com que seus cílios semelhantes à penas de ganso batessem uns nos outros, deixando apenas um véu branco os separando. E por seus cabelos que caíam como cascatas sobre seu corpo, cobrindo-o completamente como uma cortina de seda esbranquiçada.

Ou por sua personalidade genuinamente cativante.

Por onde passava, Jimin era bem visto. No mundo humano, era conhecido como o Shihan da seita de Il-Seong. Mas também no mundo humano, era o Deus da criação.

Não que os humanos soubessem dessa última informação, já que com o passar dos anos, os Deuses acabaram escondendo suas identidades imortais, contudo, este Shihan ainda era visto com muito prestígio pelos que o conheciam.

Jimin nunca encontrou algo que não pudesse fazer, muito menos alguém que não morresse de amores por ele. Dessa forma, ele era visto tanto no céu quanto na terra como alguém que merecia respeito e adoração.

Sua facilidade em atrair o interesse de todos ao seu redor no entanto também chamou a atenção de pessoas inescrupulosas e mal intencionadas. Sendo uma delas, inclusive, a pessoa por qual Jimin jurou proteger, amar e acolher.

A mesma que ele acreditou ser o seu par, e o amor de sua vida.

(...)

Com os olhos incrédulos e trêmulos, ele pode sentir uma vaga lágrima escorregar de seus olhos gélidos e correr por sua face esbranquiçada enquanto fragmentos do seu passado aos poucos consumia seus pensamentos embaralhados.

Este Deus encarou minuciosamente essas memórias antes de enxugar o rosto e erguer-se da cama.

Apesar dos resquícios das correntes límpidas que furtivamente preencheram o canto de seus olhos, as orbes sutilmente vermelhas e brilhantes, ainda estarem alí, era possível notar uma súbita mudança na expressão de Jimin.

Ele parecia em conflito consigo mesmo. Por um momento, teve a impressão de não saber mais quem era, e ao mesmo tempo, soube definitivamente quem era.

O Deus da criação é aquele que buscava a paz, sem se dar conta que sua bondade era demais para seu próprio bem.

E o Jimin, aquele que viveu como humano não passava de um ser vil cujo a alma foi vendida.

Ambos no entanto ainda eram o mesmo. Cada um no seu mais belo tom de branco.

Lanbaoshi realmente viveu coisas que nunca pensou que viveria, e isso pode até ter manchando seu nome, mas ele sabia que nunca realmente havia perdido sua essência. Muito pelo contrário, ele apenas experimentou um caminho que embora o tenha ferido, o ensinou.

O Deus da criação, ao seu ver agora, era na verdade muito ingênuo. Alguém que apesar de inteligente, não enxergava as consequências de seus próprios atos e escolhas. Jimin definitivamente cresceu nesses setecentos anos, só não esperava que ele teria que perder toda sua luz para isso.

E embora ainda se sentisse um humano miserável, também se sentia como um Deus. Um Deus que do ouro, foi ao cobre. E do cobre, foi ao alumínio.

Park por ventura, naquele momento, simplesmente decidiu a ser quem ele era agora. Foi realmente muito feliz sendo o Deus da criação, mas infelizmente, assim como o raio não cai no mesmo lugar, e a mesma chama não se ascende duas vezes, ele não poderia apenas ser o mesmo de antes.

Concluindo dessa forma, Jimin aceitou todos os seus antigos sentimentos, mesclando-os gradualmente com sua atual personalidade que, por sinal, achou extremamente cômico o quanto ele poderia ser azarado. Deus da criação?! Que piada. Ele deveria ser conhecido como o Deus do infortúnio. Claramente.

— Deve ter sido difícil para vocês dois. — Jimin soltou numa lufada de ar pesada.

Priorizando olhar fixamente as jades que notou há muito tempo estarem de joelhos ao lado de sua cama. Park porém não ergueu a cabeça, antes ele não olhava para nada direitamente, mas o arranjo[1] de rosas em tons de branco cintilante que envolvia seus pulsos realmente chamou sua atenção.

— Grande Deus da criação, Lanbaoshi, perdoe essas Jades por sua incompetência em desperta-lo antes do setecentos anos! — Hoseok foi o primeiro a disparar, sem ousar erguer a cabeça do chão.

Jimin sorriu tranquilamente e finalmente levou seu olhar para os dois homens.

— Não é algo que pudesse ser quebrado com tanta facilidade... Por que ainda estão ajoelhados? Levantem-se logo. É completamente estranho vê-los fazendo isso.

— Mas Lan...

O Park ergueu sua mão. Pedindo silenciosamente para que ele, Taemin, se poupasse.

Sendo sua Jade mais séria e obediente, precisaria deixar claro o mais rápido possível que aquilo não era sua culpa. Não havia culpados além daquele que manipulou, enganou e usurpou o trono de Seokjin no céu.

Este ser era o único culpado, e ninguém entre todos que sofreu em suas mãos, deveria se sentir incompetente ou fraco. Eles estavam apenas despreparados para com uma traição. Antigamente, todos os Deuses e familiares[2] tinham plena confiança entre si, nunca ninguém imaginou que entre eles iria existir um imposto.

Uma criatura que estava disposta à tudo somente para ter o céu sob seu total controle.

— Vocês não precisam remoer o passado. O que aconteceu não poderia ser evitado. Não há porque carregar a culpa ou o "e se". — Jimin se levantou, aproximando-se de suas Jades e erguendo suas cabeças quando se prostou igualmente de joelhos. — Estamos no presente, e nesse momento, precisamos focar em como vamos tornar o futuro próspero.

Taemin foi o primeiro a assentir, e rapidamente se erguendo, estendeu sua destra para ajudar seu Deus a se levantar, no entanto, Hoseok avançou contra o corpo albinos sem aviso, o que consequentemente o desequilibrou e o levou ao chão.

— Hoseok, não haja dessa forma. Não é digno de uma Jade. — Taemin informou, sem de fato esperar que ele parasse.

Enquanto afundava seu rosto na curvatura do pescoço alheio, Jung conseguiu sentir Jimin o abraçando de volta ainda com certa hesitação, mas quando Lanbaoshi finalmente cedeu, esta Jade não pode não sorrir.

— Grande mestre Jimin, finalmente o senhor está de volta.

— Sim... Eu finalmente voltei. — Quando os olhos do Park se abriram, Hoseok estava se afastando calmamente.

Seu rosto estava vermelho e inchado, anunciando que enquanto o abraçava, deixou com que suas lágrimas banhassem sua tez de cor de mel. Jimin sorriu minimamente apreciando a expressão chorosa do Jung, mas ela logo foi substituída por uma careta contorcida.

— Taemin, eu me recuso a limpar aquela coisa! — Tanto Jimin quanto Taemin miraram a poça gosmenta e transparente ao lado da cama e automaticamente a face daquele que a provocou escureceu.

— Deixou em suas mãos, Taemin. — O jovem apenas assentiu sem modificar um único músculo de sua expressão suave porém séria.

E desapareceu quando fez com que um portal surgisse ao seu lado. Quando voltou, tinha um tecido úmido em mãos e um vaso de louça pequena na outra. Assim que Taemin finalizou a limpeza, levou de volta para onde quer que ele tenha tirado os objetos, e voltou como se nada tivesse acontecido. A roupa e os cabelos parecendo tão impecáveis quanto antes.

— Oh, Taemin é realmente uma Jade implacável. — Jimin comentou com gosto, mas seus sorriso se tornou trêmulo ao perceber os olhos flamejantes de Hoseok. — Não à porquê ficar com essa cara, você em um campo de batalha é feroz! — Jimin afagou os cabelos bagunçados do rapaz ao ter um lampejo de memória.

Suas Jades eram completamente o oposto uma da outra, e desde que se viram pela primeira vez, Jung tem criado uma competição que era, básicamente, disputada sozinha. Taemin no entanto, era tão educado e afetuoso, que fingia provoca-lo e atiça-lo somente para não desanimar ou apagar o brilho nos olhos dessa criança obssecada.

— Eu realmente sou. — Hoseok se vangloriou. — Está vendo, Taemin. Eu sou feroz! Não há outro no campo de batalha como eu. Você deveria largar seus livros e se tornar meu discípulo. Não será tão bom quanto eu, mas pelo menos poderá fazer alguma coisa além de estudar o dia inteiro.

— Tenho um zelo maior para com minha inteligência, do que para com os meus músculos. Isso é para animais como você, não para estudiosos como eu. — Jimin observou a briga dos dois com um sorriso meigo enfeitando seus lábios carnudos, outrora ele aos poucos foi desaparecendo até não sobrar mais um único resquícios de que um sorriso esteve alí.

Seu olhar voltou para os selos em seus pulsos, e em seguida, notou que esses mesmos arranjos circundavam seus tornozelos. Aquelas coisas de alguma maneira o lembrava da época em que era um escravo. Ele não tinha corrente em suas mãos, mas sua liberdade efêmera tinha prazo de validade.

O azul translúcido de suas íris perderam ainda mais cor quando se lembrou vagamente do interlocutor responsável por àqueles selos. Não de lembrava de seu rosto, mas seu nome estava gravado em sua mente como uma faca de ponta para cima. Ele ousava se aproximar dela, mas sabia que se a tocasse, cortaria a ponta de seus dedos.

Pronunciar aquele nome era como implorar de joelhos para que as lágrimas de sangue presas em seu interior banhassem sua face e pintassem de vermelho suas tonalidades. Como pressionar a faca contra o próprio coração, e golpe-lo.

Jimin claramente não sentia mais o mesmo. Não sabia como era ama-lo, ou como e porque um dia o amou. Não sabia como era sua voz ou seu toque, mas sabia que sua suavidade era como o rastejar de uma serpente cobrindo-o calmamente pelo pescoço para que na hora certa sua verdadeira força fosse contemplada.

Pensar nessa pessoa deixava-o sufocado, e ao mesmo tempo, não o fazia sentir absolutamente nada. Nem mesmo ódio, mágoa ou rancor. Talvez ele sentisse mais pelos outros, do que por ele mesmo. Era como se desse amor, o que restasse fosse apenas as memórias com um estranho.

— Lanbaoshi, você está bem?

— Minha energia Yin... Não está fluindo normalmente. — Jimin ergueu a cabeça, vendo ambos homens entristecerem-se de repente.

— Esta Jade foi incapaz de romper totalmente os selos responsáveis por conter seus poderes. No momento, você só será capaz de usar dez por cento de toda suas energia.

— Entendo. Não fique triste com isso. Vocês também tiveram seus poderes selados, além de estarem presos no céu. Eu ter recuperado boa parte da minha memória até agora já é o suficiente. — Jimin levou a destra até o queixo, parecendo pensativo. — Aparentemente eu fui o único a chegar até aqui... — Nesse momento, Taemin e Hoseok se entreolharam.

— Na verdade, Grande mestre... — O Jung começou, mas foi o Lee quem terminou suas palavras.

— O Deus, príncipe sem trono, Taehyung, ascendeu primeiro que o Grande mestre.

— O-o que?! Taehyung foi o primeiro a ascender?! — Jimin exclamou subitamente. — Estou de fato no fundo do poço. — Respirou fundo, um pouco atordoado, até um sorriso estranho nascer em seus lábios ao concluir: — Aquela cobra venenosa é o mais rico entre os quatro Grandes Deuses, se eu puder entrar em seu templo uma única vez, talvez eu possa... — O sorriso de Jimin ficou ainda maior. Seria como matar dois coelhos numa cajadada só.

Ao invés de roubar do seu próprio templo, por quê não roubar de um maldito mesquinho que desde os tempos antigos, não havia conseguido criar qualquer tipo de vínculo verdadeiramente amigável? Esses Deuses eram bons uns para os outros. Mas com Taehyung e Jimin especificamente ainda era um pouco diferente. Eles lutavam lado a lado enquanto lutavam entre si. Algo parecido com Hoseok e Taemin, só que pior.

Claro que agora que se lembrava de quem era, a idéia de roubar alguém lhe parecia abominável, mas há muito tempo Jimin havia deixado de seguir os paradigmas da ética moral então o que alguém que havia perdido tudo, tinha de perder?

O Park ficou realmente tentado, estava até mesmo planejando como deveria tratar Taehyung assim que o visse, no entanto, suas Jades, notando que seu Deus agia estranho, chamou sua atenção:

— Grande mestre?! Está tudo bem? — Este Deus engasgou-se como quem acabou de ser pego com as mãos no ato, outrora antes que qualquer questão fosse levantada por sua súbita mudança, Jimin endureceu a face e encenou.

Forçando um pigarro, ele disse:

— Sendo assim, devemos imediatamente entrar em contato. Precisamos encontrar Namjoon e... — Jimin deixou suas palavras morrerem assim que viu o semblante sombrio de suas Jades.

— Lanbaoshi, sobre isso... — Hoseok mordeu os lábios apreensivo, contudo, o ambiente de repente pesado tornou-se ainda mais denso quando Taemin e o Jung automaticamente se viraram. — Grande mestre você precisa partir!

— O-o que?!

Taemin do outro lado, tão rápido quanto o vento, já recitava um mantra, fazendo com que cada particula de energia Yin que flutuava invisível pelo quarto fosse uma à uma destruída.

— Nós realmente iríamos te explicar com mais detalhes. — Enquanto falava, Hoseok rapidamente tirou um saco dimensional[3] que estava preso em sua cintura para enxe-la tanto de comida quanto de algumas peças de roupa. — Mas aquele maldito está à caminho!

— Espera, você quer dizer que Min...

— Não fale o nome dele! — Hoseok gritou de repente, assustando Jimin. — Desculpe Grande mestre! Esta Jade levantou sua voz, mas neste momento, peço que me entenda. Este falso Deus colocou um selo em toda cidade divina, incluindo os quatro picos. Se alguém, no céu ousar pronunciar seu verdadeiro nome, ele automaticamente saberá onde e quem o disse. Se neste momento você dissesse o seu nome, ele saberia imediatamente que voltou ao céu.

— Então é isso... — Jimin pressionou os punhos. — Ele continua usando selos proibidos. — Jimin murmurou, quando sentiu as mãos quentes de Taemin, que havia terminado o mantra.

— Lanbaoshi, se vista. — Ele disse, já com a vestimenta em suas mãos. — Este discípulo destruiu todos os fragmentos que denunciavam sua presença aqui. Mas assim que ele pisar no templo, saberá que está aqui, então por favor, se apresse. — Sem tempo para contestar, o albino fez tudo que suas jades pediam com velocidade. — Grande mestre. Vou manda-lo para onde senti as últimas partículas de energia do Deus Kim Taehyung pela última vez.

" Antes de tudo, no entanto, você precisa entender onde está o Príncipe sem coroa. Assim que ascendeu, este Deus de alguma forma já tinha se libertado de todos os selos, e a primeira coisa que ele fez foi esconder sua presença e ir sorrateiramente atrás do Gandre mestre, Deus da sabedoria, Kim Namjoon, com a esperança de que ele fosse o primeiro a ascender.

Entretanto, algo que ele não sabia na época, e que nem mesmo você sabe, é que, este Deus, Kim Namjoon, antes mesmo de ascender, caiu e tornou-se um Rei Demônio.

Ele tem a intenção de se tornar uma calamidade infernal. E ao descobrir isso, Taehyung foi imediatamente atrás dele. Mas assim que ele adentrou os portões infernais, não tivemos mais contato.

Assim como suas Jades, estamos insetos de saber o que realmente aconteceu com ele depois que adentrou o inferno ".

— Grande mestre, tome. Isso te ajudará em sua jornada. — Hoseok lhe entregou o saco e por nada mais além de instinto, Jimin o agarrou. — Seus cabelos, você deve esconde-los também. — O jovem indagou, prendendo facilmente seus fios em um coque como se já fosse acostumado fazê-lo e logo em seguida os cobrir com um tecido branco e estampado por desenhos cinzas tribais que cotrastava perfeitamente com seus olhos translúcidos, sobrancelhas e cílios albinos. — Vamos estar te esperando... — O jovem homem beijou a testa de seu Deus e se afastou, despedindo-se.

Contudo, apesar de ter ouvido tudo atentamente. Os acontecimentos de repente rápidos demais não fizeram sentido em sua cabeça. Jimin não entendeu quando foi jogado para dentro de um dos portais de Taemin, tampouco quando ouviu as últimas palavras de Hoseok antes do ambiente ao seu redor mudar completamente. No fim, o que restou de suas Jades fora apenas a frase dita com agitação pelo Jung:

— Grande mestre Lanbaoshi. Encontre o príncipe sem coroa, e ao lado dele, impeça que o mestre Namjoon se torne uma calamidade! Boa sorte, mestre!

(...)

(...)

— Ahn? — Jimin murmurou, olhando fixamente para os grandes portões vermelhos à sua frente.

Notas finais
[1] Arranjo = Uma formação mágica. Pode ser desenhada no chão, ou pode ser formada por energia Yin. [2] Familiares = Alguém diretamente ligado à uma determinada pessoa. Seja de sangue, ou conectados pela alma. [3] Saco dimensional = É um saquinho pequeno por fora e extremamente grande por dentro. Cabe grandes quantidades em seu interior. Mas para isso, é preciso ser alimentada com energia Yin constantemente.