Notas iniciais
Eu (Yukari_Rockbell) peço desculpas pela demora! Estou muito atarefada nesse fim de ano e por isso esse cap demorou para ser betado. Desculpem!!!

Lie parou de andar quando entraram num beco escuro, deixando que os outros avançassem um pouco à frente dela e notassem sua parada. Não caminharam tantos metros, pois Envy dera rapidamente por sua falta. Ele olhou para trás e cutucou Lust e Pandora, que tagarelava sem parar, como uma criança conversadeira.

- O que foi, Lie? – ele perguntou.

Os olhos do homúnculo não paravam de fitar Lust enquanto ela colocou as mãos na cintura e respirou fundo.

- Agora me diga. Como diabos você está viva?

- Eu já disse que é melhor esperar até chegarmos. Só assim vai entender. – ela respondeu.

Lie balançou a cabeça.

- Você morreu na minha frente. Espera que eu deixe isso para lá, simplesmente?

- Você é muito impaciente, pode tentar se acalmar?

- Não – rosnou. – Quero saber agora! E quem é essa garota afinal? – ela apontou para Pandora.

- Ela é outro homúnculo Dela.

- Dela? Dela quem?

- Daquela que me trouxe de volta.

- E quem, droga, te trouxe de volta, sua velhota lerda?!

- Juno-sama! – Pandora respondeu por Lust. – Juno-sama trouxe a mim e a Lust-san de volta de um lugar horrível mesmo depois que morremos, Lie-onee-san!

- Onee-san? – Lie franziu o cenho, mas Pandora limitou-se a sorrir amigavelmente. Ela estava começando a pensar que o homúnculo que acabara de conhecer tinha algum tipo de transtorno bipolar, ou algo do gênero. Num minuto ela faz Alphonse Elric desmaiar sem nem manter contato visual com ele – seu semblante estivera demoníaco naquele momento – e no outro, está sorrindo e chamando-a de onee-san. Não fazia sentido. Ou ela era sádica, ou infantil, precisava se decidir.

- Hm – fez Lust. – Bom que a pequena goste de você, pelo menos terá alguma companhia além do inútil do Envy depois que Juno terminar de trazer os outros de volta.

Lie pretendia se atrever a perguntar quem era Juno, ou como ela terminaria de trazer os outros de volta, ou quem eram os outros, mas preferiu se atrever a puxar as adagas do rosto e partir para cima de Lust por chamar Envy de inútil. Lust defendeu-se como pôde, mas Lie estava segurando aquilo há um bom tempo desde que ela aparecera novamente. “Fora que eu sempre quis chutar o traseiro dessa vadia desde o primeiro momento em que pus os olhos nela”, Lie pensou.

Lust virou-se para esquivar de um ataque, mas Lie chutou-lhe as costas de modo que a outra caiu no chão. Lie girou uma adaga na mão, mas quando pretendia fincá-la no pescoço do homúnculo, foi obrigada a parar, pois Envy entrou bem em sua frente.

- Lie, não. – ele pediu.

Ela parou, arregalando os olhos e então franzindo o cenho.

- O quê?! Não o quê? Prefere defender essa vadia a me defender? Porque você não abriu a boca para dizer uma palavra a meu favor desde que ela apareceu do mundo dos mortos!

- Uh, não é nada disso. E pare de dizer bobagens porque tudo o que eu faço é por você! – ele disse erguendo o dedo indicador para ela.

Ela atirou sua mão para o lado.

- É mesmo? Porque fui eu quem te salvei todo esse tempo, se você não percebeu.

- Percebi sim! Você é que não percebe que eu até agora estive tentando mudar por você!

Lie parou de falar, revendo seus atos. Mudar? Quando ela o obrigou a mudar? Ele não mentia, ela podia sentir, mas o que ele estivera tentando mudar por ela? Não precisava, ela o achava perfeito do jeito que ele era. Do que estava falando?

- Ah, sim, como eu imaginava – ele disse. – Você não notou, não é? Eu não mato ninguém há um ano e você sabe que sou um sádico. Bem, eu falei para você que estava com saudade das coisas como elas eram. Posso eu decidir o que nós vamos fazer pelo menos uma vez?!

Ela ficou apenas encarando-o por um longo momento. E então forçou seu cérebro a sair do estado de choque e mandar mensagens neurológicas para sua cabeça assentir. Envy pareceu satisfeito com a resposta, mas ainda muito incomodado por estar brigando com ela novamente. Ele começou a caminhar na frente, espreguiçando-se, e Lust levantou, lançando um olhar vencedor à Lie antes de acompanhá-lo.

- Lie-onee-san? – Pandora, quase num sussurro, perguntou-lhe quando ela não seguiu em frente. – Você está bem?

Lie sorriu para a garota, sentindo uma onda repentina de afeição por ela e até começando a gostar de ela chamá-la de onee-san.

- Estou sim, obrigada, Pandora. Vamos.

O lugar era um prédio extremamente alto – o mais alto da Central, depois do Quartel General. Havia sido durante muito tempo um hotel, mas passou a ser o depósito da fábrica que ficava ao lado depois que o investimento faliu. O elevador era dos mais velhos, mas ainda tinha uma grade de segurança quando as pessoas entravam. Pandora divertia-se vendo os andares passarem até que chegaram ao último.

- Juno-sama! – ela exclamou, pulando fora do elevador e saltando feliz até uma figura de longos cabelos negros que examinava o lado de fora de uma janela. – Juno-sama! Eu consegui! Eu os trouxe para cá!

De alguma maneira desagradável ela me lembra do Gluttony”, pensou Envy, franzindo os lábios. A sala era ampla e todas as paredes eram brancas. Havia dois sofás de três lugares e uma poltrona, uma janela mais ao fundo, um piano preto e uma parede com duas portas, ambas abertas. A primeira mostrava um quarto vazio, com somente uma cama e a outra era um banheiro. Havia um espaço enorme entre as duas portas, no qual a parede estava com marcas recentes de alquimia.

- Muito bem, Pan. Posso dizer que isso corrige seu erro de hoje mais cedo. – Juno limitou-se a dizer em resposta, voltando seus olhos lindamente azuis para os visitantes. – Bem vindos.

Juno era baixinha, com cabelos longos até a cintura e olhos azuis. Um tipo comum que poderia ser julgado uma filha de algum militar, mas só caso seus cabelos não estivessem rebeldes como estavam: caindo por todos os lados, inclusive no rosto. Suas vestes consistiam numa calça folgada e uma camiseta grande demais para ela em que a gola expunha um ombro pálido.

Os presentes na sala ficaram se encarando por alguns minutos. Lie não gostava do olhar de Juno fuzilando-a, mas não disse nada. Nem foi necessário.

- Você não gosta de mim. – ela disse, olhando diretamente para Lie.

- Esperta. Como notou?

- Eu sei tudo.

Lie soltou um meio sorriso e arqueou uma sobrancelha.

- Um pensamento um tanto egocêntrico, não acha?

Juno não respondeu, mantendo sua expressão nula.

- Quem é você? – Envy perguntou.

- Eu estava esperando que ela perguntasse isso, já que está mais curiosa quanto a isso do que você, embora menos empolgada para saber.

Envy e Lie se entreolharam.

- Como sabe de tudo isso? – ele perguntou.

- Porque eu sou Deus. – ela disse.

Lie ergueu ambas as sobrancelhas e começou a rir.

- Você é Deus? – repetiu. – Não me faça rir.

Juno caminhou até a poltrona e se sentou de frente para Lie, como se estivessem tendo uma conversa normal.

- Você vai acreditar, mais cedo ou mais tarde. Mas por hora pode ver com seus próprios olhos, homúnculo. Como acha que Pandora e Lust voltaram de suas terríveis e dolorosas mortes?

O sorriso de Lie se esvaiu.

- Exato. – Juno continuou com satisfação. – Eu as trouxe de volta de um modo bem simples... para mim.

- Isso é alquimicamente impossível.

- Nada é impossível. – Envy murmurou ao lado dela. Quando Lie virou-se para ele, recriminando-o com o olhar, ele notou o que falara. – Er, desculpe. Só me lembrei do Greed.

Lie franziu o nariz e voltou a olhar para Juno.

- Só quero saber como você o fez, estou curiosa.

- Para isso você precisa primeiro saber o que eu sou. – um raro sorriso, embora minúsculo, apenas nos cantos dos lábios, surgiu no rosto de Juno. – É uma longa história, não seria melhor sentar-se?

O Führer ergueu seu punho e bateu na mesa, erguendo-se na mesma hora.

- O que está me dizendo?! – perguntou a Fallman, parado à sua frente.

- Desculpe senhor, mas é isso mesmo. – o homem disse, hesitante. Ele estava desconfortável por mentir, ou melhor, omitir o fato de Havoc ter dormido durante o serviço, mas estava recebendo um suborno bom demais para não comentar sobre o assunto. Muito menos na presença de Hawkeye, que estava ao lado de Mustang com uma prancheta. – Os homúnculos fugiram – continuou. – E atacaram uma dúzia de homens no caminho. Apenas cinco sobreviveram, mas estão no hospital.

Mustang cerrou os punhos e voltou a se sentar.

- Eu sabia. Tinham que ter sido aqueles dois!

- Er – Fallman continuou. – Parece que Alphonse Elric também estava presente, mas por incrível que pareça, não o feriram.

- Alphonse? O que ele estava fazendo lá?

- Não tenho ideia, senhor.

O Führer apoiou os cotovelos sobre a mesa e entrelaçou os dedos em frente à boca, pensativo. Soltou um suspiro longo e cansado e disse:

- Isso é tudo, Fallman. Obrigado.

O oficial prestou continência e saiu caminhando da sala, fechando a porta do gabinete atrás de si.

- Creio que foi um pouco duro com aqueles homúnculos – Hawkeye comentou. – Eles acabariam fugindo, afinal, segundo o que diz, eles negaram até o fim.

- Ela tentou te matar, por que está dizendo isso, Primeiro Tenente?

Ela suspirou pelo que pareceu ser a enésima vez.

- Eu já disse que não foi ela. Deve ter sido outro homúnculo, apesar de ela ter a mesma altura da pessoa que me atacou.

- Você não pôde ver o rosto, não é mesmo?

- Estava coberto por uma capa preta e ela parecia estar descalça. Mas posso ter certeza de que era uma mulher. Por que tem tanta certeza de que foram aqueles dois? Lie prometeu que colocaria Envy nos eixos e não duvido dela.

- Não é questão de duvidar. Além de não acreditar em sua palavra, não acho que ele fosse se deixar ser controlado e limitado assim.

Ela olhou pela janela, distraída.

- De qualquer modo, não acho que esses assassinatos se devam a um caso de rebeldia por parte de dois homúnculos.

- O que quer dizer?

Ela deu de ombros.

- Minha intuição me diz que é algo bem maior. Maior até que o senhor, Führer.

Ele se levantou da cadeira e ela o encarou.

- Especulações e intuição não são provas o suficiente para me convencer, Primeiro Tenente. Os principais suspeitos são aqueles homúnculos até que se prove o contrário.

Ela assentiu.

- Como quiser, senhor.

Mustang começou a ir em direção à porta.

- Onde está indo?

- Vou ver se consigo alguma informação por aí – disse simplesmente, deixando bater a porta atrás de si.

Hawkeye fitou a passagem por onde ele saiu durante mais algum tempo, especulando. Não achava bom ele andar sozinho por aí, pois a pessoa que tentara matá-la provavelmente iria atrás dele também. Entretanto, não adiantava discutir, Roy era muito teimoso.

Ela se virou para a janela e voltou a observar a paisagem, contemplativa, e imaginando quem seria o próximo a ser morto com um leve tom de pesar no olhar. Quem estaria por trás de tudo isso?