Godan
9 Diário
Notas iniciais
PARTE I – O ataque no jardim
Ishikawa, Gondir – abril de 699 D.C.
De fato esse está sendo o pior dia da minha vida, acabo de descobrir que meu pai foi preso, não sei o que farei agora, talvez Balder me proteja de novo... Balder Thorpe, eu cresci junto a ele, fomos separados pelo treinamento dele, bom, pelo menos ele se tornou o Krïeger. E eu continuo o príncipe... Esperando pelo trono de pedra em Mijolnir, mas não haverá trono para esperar se a situação continuar como está.
-Começou. – Disse Balder olhando para mim após um grande estrondo no interior do castelo. – Precisamos fugir rápido!
-E para onde iremos? Meu pai está preso. – Falei entrando em desespero.
-Os Takahashi... Eles têm uma casa aqui perto.
E assim que Balder terminou de falar o portão dos jardins fora arrombado e surgiram seis homens orientais com armaduras vermelhas e katanas.
-Samurais! – Gritou ele sacando sua longa espada de Krïeger. – Esconda-se!
Então eu corri e me escondi atrás de uns arbustos, foi assim que observei pela primeira vez as habilidades dele... Os Samurais eram rápidos, mas Balder defendia todos os seus golpes e não atacara, por que ele não matou esses hereges logo? Finalmente eu entendi o que ele planejava, os Samurais pareciam cansados, então Balder acabou com os seis com poucos cortes, exterminando os orientais como se fossem feitos de papel.
-Levante-se, George. – Disse ele olhando para mim com o rosto sujo de sangue. – A casa dos Takahashi não é perto.
* * *
Após horas de caminhada no meio da confusão de Ishikawa, finalmente chegamos, era uma casa pobre e discreta, como isso poderia pertencer a um nobre? Então Balder começou a esmurrar a porta, até que um homem alto e ruivo abriu.
-Quem são vocês? – Perguntou Benjamin Takahashi.
-Nos deixe entrar, desgraçado. – Resmungou Balder.
-Oh, meu Deus! – Disse ele escancarando a porta. – Entrem logo!
PARTE II – O esconderijo de Takahashi
-Foram os Storm... – Disse Bem sentando em um banco de madeira na casa pobre. – Eles prenderam nosso rei.
-Então os Vikings realmente tomaram o castelo vermelho? – Indaguei retoricamente enquanto andava de um lado para o outro.
-Precisamos de um plano. – Falou Balder sem se sentar. – Onde está sua família, Bem?
-Lutando. – Respondeu ele com orgulho. – Minha mulher está escondida no norte de Godan... Ela está grávida
-E onde estão seus primos? Os Takahama? – Perguntei.
-Eles... Estão na vila Takahama. – Respondeu Bem hesitando. – Vossa alteza, eles nos traíram.
-O quê?! – Exclamei irritado.
-Os Samurais fizeram acordo com eles, os Takahama serão vassalos dos Suzuki em troca do território completo em que se localiza a vila Takahama. – Concluiu Benjamin com ar de desprezo.
-Nathan nunca aceitaria isso! –Continuei — Nathan Takahama é amigo de meu pai!
-Nathan era, mas o filho dele não. Nathanael matou o próprio pai para que ele se tornasse o líder patriarca da família, com isso... Ele pode tomar decisões.
-E... Ele tinha um irmão, Keiph, não é? – Perguntou Balder coçando a cabeça. – Onde ele entra nessa história?
-Ora, Keiph é só um garoto de quinze anos, ele fugiu com um grupo de homens que se denominavam mercenários.
-Encontre-o, Balder. – Falei olhando para ele. – Quero todos que tenham o nome de “Takahama” mortos!
-Meu senhor... – Disse ele tocando meu rosto com as pontas dos dedos. – Ele é só um garoto...
-O que porra você está fazendo? – Falei dando uma tapa em sua mão. – Mate todos no vilarejo Takahama e traga-me a cabeça do maldito Nathanael!
-E quanto ao plano? Precisamos nos organizar...
-A minha ideia é o seguinte. – Disse Ben interrompendo Balder. – Voltamos para Mijolnir, tomamos o castelo de volta. Mais da metade do nosso império é temente a Deus, faremos um exército de fiéis, usaremos o símbolo da igreja para atrair as pessoas para a nossa causa, usando o argumento de que todos os que não seguem o santo caminho devem ser punidos.
* * *
PARTE III – A cabeça de Nathanael
Mijolnir, Godan. – Outubro de 700 D.C.
Balder finalmente havia encontrado a casa em que Nathanael Takahama estava escondido. Socou a porta por cerca de trinta segundos, até que um homem de meia idade loiro abriu.
Assim que Nathanael abriu a porta, Balder sacou sua espada e cortou o braço do homem, derramando muito sangue.
-Balder! – Berrou ele pálido.
-Onde estão os outros traidores? – Indagou Balder sem baixar a espada. Nathanael hesitou por dois segundos e então Balder fez um corte em suas coxas.
-No norte! – Respondeu o homem se encolhendo. – Norte de Mijolnir... Estão todos se escondendo! Sabiam que uma hora ou outra os Takahashi nos entregariam e você viria atrás de nós!
Assim que Nathanael parou de falar, Balder o abraçou cravando a espada em sua barriga; então um filete de sangue escorreu da boca do loiro e Balder disse:
-Você sabe que fez escolhas erradas... A família Erick ainda vive, o clã dos Humanos se reerguerá.
* * *
Sentado no sofá velho de outro esconderijo antigo, me pergunto onde está Balder, sinto sua falta, eu o mandei atrás de Nathanael e Keiph, contudo sinto receio de ele não retornar.
Ouvi batidas na porta, e então Bem abriu, era Balder, ele entrou encapuzado e carregando um saco de pano que pingava um líquido vermelho, Deus, como fedia.
Então ele jogou o saco na mesa de madeira e o abriu, levei um susto quando vi a cabeça de Nathanael Takahama.
-Morto. – Disse ele baixando o capuz exibindo a cabeleira castanha e a barba que já estava cheia. – Keiph deve estar longe, precisamos nos preparar para a invasão do castelo vermelho.
-Já temos quase tudo preparado, a guarda real está escondida aqui na cidade mesmo. – Disse Ben.
-Então o objetivo é invadir, resgatar o rei Erick II e sair? – Indagou Balder.
-Isso. O resto vai depender do resultado da missão. – Concluí coçando a barba loira e rala em meu rosto.
* * *
PARTE IV – A noite da invasão
Durante a noite, nós nos vestimos de preto com armaduras de metal fosco e a guarda real estava reunida em dez homens de preto com símbolos de cavalos no peito.
-O que diabos vocês estão vestindo? – Perguntei olhando para os soldados.
-Eles são o esquadrão que faltava em nosso finado exército, Os cavalos; eles foram treinados para operações especiais como esta, são furtivos como gatos e muito secretos. – Concluiu Bem.
-Mas nós já temos...
-Não, senhor, temos a cavalaria; é diferente. – Interrompeu Balder.
-Viu? São tão secretos que nem o senhor sabia da existência. – Concluiu Ben. – Vamos seguir!
* * *
Horas se passaram e nós já estávamos no meio da confusão no castelo, matando tudo o que fosse vivo no caminho, infelizmente houve um imprevisto. Outro “grupo de preto” invadiu o castelo, no entanto não estavam do nosso lado.
Eles carregavam no peito um símbolo de um escudo com uma faixa vermelha bordados com linha vermelha nas camisas pretas, eram os mercenários de quem ouvi falar. Liderando eles, havia um garoto loiro correndo com um punhal de ouro, era Keiph Takahama, eu mesmo irei matá-lo.
-Traidor! – Gritei investindo contra ele com minha espada curta. – Por que voltou?
-Para buscar você! – Falou o loiro narigudo. – Fomos contratados pelos Storm para proteger o castelo, te encontrar foi sorte, na verdade.
Então corri, corri para baixo, desci escadas, corri como se fosse meu último dia de vida.
Entrei nas masmorras e quando vi, estava encarando a cela de meu pai, ele estava em estado deplorável, cabelos e barba grandes e brancos, estava magro e pelado, sujo dos próprios excrementos e sangue, olhei para trás e vi Keiph segurando seu punhal, ele correu e cravou em meu ombro esquerdo, caí pesadamente; o sangue ensopou minha camisa em questão de segundos.
Avistei Keiph correndo até a cela de meu pai, ele arrombou o cadeado com o cabo de seu punhal, mas graças a Deus, Balder apareceu para me salvar.
-Keiph! – Berrou ele atacando com a espada. – Eu não deixarei você matar mais dos nossos!
Apesar do discurso de Balder, Keiph era mais ágil e se esquivou de três golpes, em seguida abaixou e deu uma rasteira em Balder, que por sua vez caiu com força no chão, com isso, Keiph subiu nele e colocou seu punhal no pescoço de Balder.
-Vai me matar... E depois? – Falou Balder sem medo da morte. – Vai matar o Imperador?
-Não vim aqui por você, vim para matar apenas Bill Erick.
-E o que você ganha matando um velho incapacitado?
-A morte dele servirá como um símbolo para o mundo, as pessoas saberão e não temerão mais a tirania de um império que lhes tirava comida para alimentar os nobres. Eu sei que virão outros tiranos, mas a democracia será melhor valorizada, uma vez que surgirão outros clãs no futuro. Então... É isso o que eu e gerações no futuro “ganhamos”. – Encerrou Keiph socando com força o rosto de Balder, fazendo o mesmo desmaiar.
E essa foi a última coisa que eu vi antes de desmaiar também. !
* * *
-Senhor... – Ouvi ecos enquanto abria os olhos. Era Bem sujo de sangue. – Precisamos fugir.
-Balder... Onde está Balder? – Sussurrei ainda grogue.
-Desacordado. Precisamos sair logo, toda a tropa dos cavalos está morta, o imperador foi degolado... Consegue andar?
-Meu ombro... Dói muito... – Então apaguei de novo.
* * *
PARTE V – A fonte da juventude
Em algum lugar de Geri, capital de Godan:
Bem Takahashi e Balder Thorpe carregam o príncipe George Erick nos braços até o palácio dos Magos na capital, onde encontram um Mago mascarado.
-O que desejam? – Perguntou o Mago na recepção olhando para os viajantes encapuzados.
-Temos um homem ferido... – Disse Balder abaixando a cabeça. – É urgente.
-Não somos curandeiros, somos Magos. – Respondeu ele com grosseria. – Infelizmente...
-Ora, o que temos aqui? – Perguntou outro Mago mascarado interrompendo o anterior, enquanto olhava para Erick desacordado coberto por capas como um cadáver.
-Nosso... Amigo foi esfaqueado. – Respondeu Ben gaguejando. – Ele está assim faz dias, provavelmente a ferida infeccionou e...
-Eu já disse, não curamos pessoas. – Repetiu o primeiro Mago.
-Cale-se, Nixes. – Interrompeu o segundo Mago. – Vocês dois, sigam-me.
Então eles foram para o interior do castelo, em uma sala que parecia ser um grande armário de vassouras, com uma mesa retangular no centro. O Mago fechou a porta assim que os viajantes entraram.
-Coloquem o homem na mesa. Meu nome é Tsuki, podem confiar em mim. – Disse o Mago retirando sua máscara e exibindo profundos olhos azuis, cabelos negros e uma barba rala em seu rosto jovem. – Quem são vocês?
-Eu sou John. – Mentiu Balder sem retirar o capuz. – Este do meu lado é Hank, e nosso amigo ferido é Brandon. Somos Humanos vítimas da guerra civil em Mijolnir, nosso amigo foi ferido no ombro, precisamos de sua ajuda urgente!
-Tudo bem, curarei o garoto. – Disse Tsuki descobrindo o corpo de Erick, que estava pálido. – Mas quando eu terminar, vocês me darão explicações. Uh... John, retire a camisa do rapaz, e Hank, Pegue aquela bolsa de couro para mim, por favor.
Então os guerreiros Humanos obedeceram. Tsuki Pegou a bolsa e retirou um cristal alaranjado, até que olhou o ferimento.
-Droga, isso aqui tá necrosado! – Exclamou ele. – Ou amputamos o braço, ou então...
-Não, Jamais! – Berrou Balder. – Não há outra opção?
-Bem... – Hesitou o Mago.
-Podemos lhe dar o que quiser! Somos importantes em nosso clã, eu e Hank lutamos na guarda real!
-Na verdade... – Iniciou Tsuki. – Acho que vocês podem me dar algo que me interessa.
-Qualquer coisa – Disse Ben. – Contanto que cure o nosso... Amigo!
-Eu estou com problemas com meus superiores, por causa de ações como vocês viram, tenho tratado meus irmãos de forma... Desrespeitosa. E isso acarretou em punições para mim. – Disse Tsuki coçando o queixo — Eu estou sem nada, digo, tenho dinheiro, mas não tenho poder. Entendem onde eu quero chegar?
-Meu senhor, não podemos lhe dar poder! – Disse Balder com tom de súplica. – Nosso clã está em ruínas.
-Então eu tive uma ideia. – Recomeçou o Mago. – Salvo seu amigo, em troca de ajudar a reconstruir o seu clã, e quando o reerguemos, terei um posto de aliado, e direitos em seu território, além de poder de decisão em alguns casos. Claro que isso levará tempo, na verdade anos, mas... – Falou dando uma risada sarcástica. – Tempo não é problema para mim.
-Como você pretende salvá-lo? – Perguntou Balder.
-Garoto, apesar dessa sua barba me parece que você conhece pouco da vida. – Disse Tsuki rindo novamente. – Como acha que mesmo sendo três vezes mais velho que você tenho esse rosto novo? Mergulhei na fonte da juventude?
-Dá para ser mais direto? – Falou Benjamin se irritando.
-Tenham paciência... – Respondeu Tsuki exibindo uma expressão de tédio. – Basicamente... Eu mergulharei seu amigo na “fonte da juventude”. Os Magos são eternamente jovens, pois a magia circula em nossas veias, e o excesso do uso retarda o envelhecimento de forma absurda. Para aplicar isso no seu “amigo”, eu precisarei injetar minha própria magia diretamente em seu coração, junto à magia de um cristal de cura. Deu para entender?
-Sim... – Disse Balder pensativo. – Eu aceito seu acordo, se puder fazer em mim também.
-Não, não dá. – Respondeu Tsuki. – Só posso fazer nele, como eu disse, terei de usar minha energia interior, e eu só tenho energia para um adulto e uma criança, o resto eu preciso para não cair desacordado.
-Então aplique nele e o resto da energia em mim. – Continuou Balder. – Use o quanto puder em mim.
-A energia para manter a infância de uma criança é diferente da energia para tornar um adulto jovem para sempre, se eu usar em você essa energia, você não rejuvenescerá, apenas continuará com o mesmo rosto e físico por uns quarenta anos, e depois voltará a envelhecer. – Respondeu Tsuki. – Você tem certeza?
-Sim, tenho. – Concluiu Balder.
Assim Tsuki segurou o cristal de cura com sua mão esquerda e estendeu a mão direita paralelamente. A mão direita brilhou num tom vermelho, então ele juntou as duas, o que Fez o cristal quebrar, liberando uma energia alaranjada em forma de fumaça, envolvendo a mão brilhante de Tsuki. Então, o Mago encostou sua mão direita no peito de Erick, fazendo a energia vermelha e a fumaça penetrar no local. O príncipe começou a se contorcer e ter uma convulsão leve por alguns segundos, até que a energia entrou por completo.
Balder olhou para o ombro de George, e estava intacto, o ferimento negro havia desaparecido.
-Droga... Isso cansa. – Falou Tsuki alongando o braço direito. – John, retire a camisa...
Então Tsuki repetiu o processo em Balder, porém durou um pouco menos. Após alguns minutos de descanso, Tsuki começou as perguntas:
-Enfim... O que aconteceu? Como seu amigo se feriu? Onde está o rei? A guerra foi perdida?
-Nós invadimos o castelo que foi tomado pelos Vikings da família Storm, um grupo que se intitula “mercenários” invadiu o castelo para proteger os inimigos. Perdemos toda a tropa, conseguimos resgatar o Rei, mas ele morreu com alguma doença respiratória, tossia muito. O Príncipe Erick está morto junto aos outros guerreiros da guarda real e o Krïeger... – Hesitou Benjamin em sua mentira.
-Desaparecido. – Concluiu Balder. – Perdido Em Ação.
PARTE VI – Destino
Era por volta da metade o dia quando eu, Balder e Benjamin voltávamos para os campos nos arredores de Mijolnir. Ainda estávamos na capital, e Balder agia estranho, como se estivesse ouvindo alguma coisa.
Andamos mais uns metros quando Balder disse:
-Ouviram isso?
-O quê? – Perguntou Bem achando esquisitas as atitudes de Balder.
-Essa voz... – Continuou ele parando de andar. – Sério... Esperem, irei verificar uma coisa.
* * *
Balder entrou em um beco sozinho, sacou sua espada, e seguiu um vulto branco que passava entre as outras vielas.
-Balder... – Falou uma voz masculina em sua cabeça.
-Quem está ai?!
-Mantenha a calma, estou falando com sua mente. – Respondeu a voz
-Identifique-se!
-Não importa quem eu sou, mas sim o que tenho a dizer.
-E o que você tem a dizer? – Perguntou Balder quando virou numa esquina de uma viela e deu de cara com uma porta de carvalho que se abriu sozinha como que por magia. Balder entrou e avistou uma enorme sala iluminada pela luz do sol, mal podia ver o fundo, lá havia várias estantes de livros, centenas delas. Balder caminhou alguns metros e, se súbito, apareceu uma figura em sua frente, surgindo do nada. Era um homem encapuzado, quase 1, 80 de altura, um pouco maior que Balder; o homem se aproximou lentamente de Balder e deu a sensação de estar encarando a alma do guerreiro Humano.
-Sou um viajante... De outro tempo. – Falou o homem. – Meus cabelos brancos te provariam isso.
-E quem é você?
-Sou a morte... Ou melhor, não ainda. – Muitas coisas precisam acontecer, e eu estou aqui para lhe entregar uma mensagem. Esta é a biblioteca perdida de John Lockwood; vários segredos aqui selados serão redescobertos num futuro próximo, mas você não viverá para ver as mudanças.
-Se você vem de outro tempo, deveria saber que eu viverei bastante! – Exclamou Balder guardando sua espada.
-Cuidado, Balder. A linha do destino está traçada, modifica-la é quase impossível, o futuro é certo. – Continuou o homem encapuzado erguendo para Balder uma pequena caixa. – Pegue.
Balder segurou a pequena caixa de madeira simples e a abriu. Lá estava uma espécie de amuleto redondo feito com um metal dourado que ele desconhecia.
-O que é isso?
-Eu chamo de primeiro ciclo. – Respondeu o homem. – Há vários desses escondidos por ai, mas este em especial... Eu fiz para você.
Então Balder pegou o amuleto, assim que tocou, todo o local mudou.
Balder estava no topo de uma torre olhando para o horizonte, era Mijolnir, mas estava diferente... Haviam corpos por todos os lados.
-A retomada é certa. – Disse a voz do homem encapuzado como num sussurro nos ouvidos de Balder. Então o cenário mudou. Erick estava sentado num trono de pedra. – O príncipe se torna rei. – Novamente tudo muda e ele observava um castelo negro. – Os Encapuzados serão cautelosos em sua vingança. – Desta vez ele estava de volta na torre. — Um vulto preto vem rapidamente em sua direção e crava uma espada em seu peito. – E o mais forte morrerá... .
* * *
Onde está Balder? Começo a em preocupar e vou atrás dele com Bem. Após algumas vielas, lá estava ele, encostado em uma parede sentado no chão com os olhos arregalados.
-Balder! – Chamei por ele, mas seus olhos estavam vazios; até que uma lágrima brotou em seu olho esquerdo e ele pareceu me encarar de verdade.
-Erick... Precisamos retornar. – Disse ele por fim.
PARTE VII – Mijolnir
Anos se passaram... Eu estou sentado no trono de pedra no esconderijo de meu pai em Mijolnir, recentemente descobrimos uma rede de túneis construídos por meus antepassados para fugir em tempos de guerra, hoje eu uso este que liga uma sala subterrânea de descanso até um alçapão no meio dos campos do estado, alguns quilômetros da cidade onde os Vikings reinam.
Descanso meu corpo aqui mais um dia, imerso nos meus próprios pensamentos, alheio a tudo que acontece na superfície... Creio que não posso confiar em mais ninguém, mesmo com todo o exército que estamos formando com a ajuda de Ben e Balder... Ah, Balder... Meu amigo, meu melhor amigo, a única pessoa que esteve ao meu lado por todos esses anos, aguardo sua visita, ele viajou para Ishikawa, no castelo que hoje está abandonado e rodeado por Camponeses e outros hereges, preciso muito dele, a saudade me consome cada dia mais, mesmo trocando cartas... Não é a mesma coisa.
Então a porta de madeira que fica na entrada da sala se abriu, de lá entrou um homem encapuzado e um soldado vestindo uma armadura prateada com roupas negras, era Ben e Balder, finalmente Balder!
-Meu senhor... – Disse Ben se ajoelhando junto a Balder.
-Não, Balder! Não se ajoelhe amigo. – Falei abraçando ele.
-Oh George! – Exclamou ele me cumprimentado.
-Todas as cartas estão escondidas lá no castelo, todos os seus registros, eu estou pronto para assumir o posto de Erick III. – Flou Balder com postura. – Direi que sou sobrinho de seu pai, eles não se importarão qual o ramo da família, direi que sou John Erick e eles aceitarão.
-Quanto a mim? – Perguntou Ben. – Devo continuar na guarda real? E minha família?
-Benjamin, teu filho Kazuki será treinado para ser do mais alto grau da guarda real. E você, deverá ir para o sul. – Continuei. – Tenho uma grande suspeita de que os Goblins roubaram o livro das espécies de John Lockwood. Você está encarregado de se infiltrar no território deles, investigar o grupo recentemente fundado de cientistas naturais e tentar descobrir algo.
-Mas por acaso o senhor tem algum nome? – Perguntou o ruivo.
-Flinx. – Respondi. – É tudo o que eu sei.
Então Ben se retirou, sobrando apenas Balder me encarando.
-Tem algo para me dizer? – Perguntei ansioso.
-Na verdade tenho... – Respondeu ele desviando o olhar. – Há alguns anos, quando estávamos saindo da capital, eu recebi uma mensagem que a princípio achei que fosse alguma brincadeira, mas a pessoa que me disse... me entregou isto: — Disse ele me entregando uma caixinha de madeira, então eu abri e toquei o amuleto que tinha dentro.
Após ter todas aquelas visões, eu finalmente entendi o que ele quis dizer com isso tudo, imediatamente uma angustia encheu meu coração, como o sentimento de perda antes mesmo de perder.
-Balder... – Sussurrei quando acordei do transe. – O que...
-É exatamente o que está pensando... – Respondeu ele olhando com tristeza. – Passei anos tentando interpretar, hoje vejo que não há saída... Logo nosso tempo de amizade terminará, juntamente com minha vida. Talvez eu viva mais alguns anos, mas já está quase tudo pronto na construção da torre móvel da biblioteca, e a visão do acampamento de Mijolnir... Anos atrás, estes lugares que eu observei na visão não fariam o menor sentido, hoje fazem. Percebo agora que só em resta sentar e aguardar minha morte...
-NÃO! – Berrei. – Se você não se mobilizar... Eu agirei.
-Mas Erick... – Continuou ele. – Não há saída, o destino é imutável, o homem que me entregou isto me disse que é quase impossível mudar tudo assim...
-Quase... Nada é impossível até que se prove o contrário, eu não deixarei você morrer assim, podemos montar um plano, enganaremos o destino, mas não permitirei sua morte! Isso está fora de cogitação.
-MAS ENTÃO O QUE PODEMOS FAZER? – Exclamou ele. – SOMOS APENAS HOMENS... HOMENS DE MERDA!
-Não Balder... Somos grandes homens, nós mudaremos isso!
-E como você pretende...
-A visão diz que o mais forte morrerá, então ela se refere ao Krïeger, não necessariamente a você. – Falei pensativo. – Com você no posto de rei... Podemos eleger outro Krïeger no futuro, quanto tivermos um exército fixo.
-Mas eleger um Krïeger para quê? – Perguntou ele em tom de súplica. – Pra sacrifica-lo em meu lugar?
-Às vezes... Sacrifícios são necessários.
-Mas por quê, Erick? – Minha vida não significa NADA!
-Por que eu te amo.
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