God of Mischief | Loki
29 Capitulo bônus: Agonia Fantasma
Notas iniciais
Loki era capaz de sentir os olhos dos soldados, enquanto era conduzido pela Bifrost. Não importava. Já estava acostumado aquele tipo de olhar. E na verdade nada importava. Thor mantinha a mão em seu ombro. Ele não sabia se para conduzi-lo ou impedi-lo de cair.
Odin marchava as suas costas com tranquilidade. Soberania. Ele não se importava. Humanos eram descartáveis. Loki sentia vontade de lhe fazer gritar.
Ele seria executado ao final do dia. Em praça pública. Um príncipe humilhado. Exposto. Serviria de exemplo àqueles que sequer pensassem em traição. Frigga não estava ali para impedir dessa vez. Loki não se importava. Desejava a execução.
Odiava ser capaz de sentir. Odiava a dor. Ele havia passado tanto tempo tentando livrar-se de uma fraqueza como aquela. Apenas a mãe havia restado por muito tempo. Então ela se foi e ele não era mais fraco. Não tinha nada a perder. Até que aquela ruiva havia se embrenhado em seus pensamentos. E não apenas neles. Havia trazido à tona sentimentos que ele não lembrava ser capaz de sentir. Havia lhe feito dizer palavras doces, que ele não sabia ser capaz de falar. Havia feito com que se importasse.
Liana havia levado tudo dele. Tudo. Nada havia restado. O deus olhou para as próprias mãos enquanto caminhava. O sangue estava secando. Fechou os olhos com força reprimindo uma onda de fúria. Tentou focar seus pensamentos em algo bom, mas simplesmente não existia nada. Tudo levava a ela. Seu sorriso. Seu cheiro. Seus olhar. Tudo apagado. Reduzido a nada. Ele desejou ter morrido também.
– Loki! – Uma voz feminina chamou muitos metros adiante. Loki ergueu os olhos e achou que tivesse ficado louco. Era bem provável. Alguns guardas se entreolharam confusos, assustados. O moreno se debateu contra as mãos de Thor. Correu em direção a ela a envolvendo em um abraço desesperado. Ele não entendia como era possível, mas não importava. Ela estava de volta. Frigga estava de volta.
Ambos choravam e riam como loucos. Ela acariciava o rosto dele com gentileza. O filho lhe beijava as mãos, quase não enxergando com as lagrimas. Thor e Odin correram na sequencia. Por um segundo pareciam realmente uma família. Por um segundo tudo parecia perfeito.
Loki percebeu que sua mãe estava completamente nua e rapidamente, puxou a cota de couro para cobri-la. Odin o afastou com a mão, jogando sua capa sobre ela. A deusa o olhava com uma expressão preocupada. Ela sabia.
– Mãe? Como isso é possível? – Thor perguntou confuso, numa voz embargada pela emoção. Todos estavam assim.
– Depois, querido. – Ela cortou. Ainda olhava para Loki. Ele estava coberto com o sangue de Liana. Ela segurou a mão dele com firmeza. – Odin dispense os guardas, providencie os velórios. Thor ajude seu pai. – Comandou no controle da situação. Claramente queria ficar sozinha com o mais novo. O rei normalmente protestaria contra receber ordens diretas na frente de seus homens, mas dadas as circunstâncias fez exatamente como ela pedia. Estava atordoado demais para sequer tentar discutir.
Frigga puxou a cota de couro da mão do filho e a vestiu grata. Sempre tentando remediar as grosserias de Odin. Puxou-o em direção ao castelo. Loki a acompanhou em silêncio. Estava tão chocado com tudo que achava que talvez sua sanidade estivesse comprometida pelo resto da vida. Que, até onde ele sabia, duraria no máximo ao pôr do sol.
As pessoas na rua soltavam gritos aos vê-los passarem, algumas desejavam correr e a abraçar, mas a deusa caminhava firme sem olhar para os lados. Chegaram aos jardins e os atravessaram chocando mais algumas dúzias de guardas. Foram diretamente para o quarto da mulher no alto de uma torre.
Ela o colocou sentado em uma poltrona dourada. Pegou um vestido azul simples de seu armário que havia permanecido intocado, devido à incapacidade de Odin em livrar-se das memórias dela. Vestiu-se no banheiro em questão de segundos e voltou trazendo uma bacia cheia de água e uma toalha. Se ajoelhou diante do filho e começou a limpar o sangue das mãos e do rosto dele. Ambos permaneceram em silêncio. Ela limpava lagrimas junto ao sangue.
– Como? – Questionou em uma voz fraca.
– Ela desejou sua felicidade. Eu sabia que ela faria isso. – A mulher lhe respondeu breve. Ele a olhou chocado. Felicidade. Liana poderia ter desejado mil coisas. Havia desejado que ele fosse feliz? Como poderia ter dado tão errado?
Sentia-se profundamente chocado pelo retorno de sua mãe. Sentia-se tão feliz com sua volta que mal poderia expressar em palavras. Mas sentia-se destruído. O último desejo dela havia sido a felicidade dele. Seu último ato tinha sido preocupar-se com ele. Liana havia lhe devolvido a mãe. E não estava ali para que ele pudesse agradecê-la. Como dois sentimentos como alegria e dor podiam coexistir? Mesmo que a amasse, ela não era o bastante para suplantar a dor.
A humana tinha sido sincera com ele em cada gesto. Em cada palavra. Em cada segundo. Quando dissera que o amava quisera dizer exatamente isso. Quando o beijara havia mais do que paixão. Quando se entregara a ele havia mais do que volúpia. Ele havia se recusado a aceitar. A sequer acreditar. Apoiou a cabeça nas mãos, consternado.
– Querido, não... – Frigga, disse gentil puxando as mãos dele.
– Você viu isso? – Perguntou numa voz dolorida. Ela franziu as sobrancelhas. Ele sabia que a mãe compartilhava o luto com ele. A mulher assentiu lentamente. – Você sabia que... ela morreria?
– Me desculpe. – Frigga, pediu com voz partida. Mesmo que quisesse ele não poderia odia-la. Sua mãe apenas via o futuro, não o controlava. A culpa era dele, não dela. – Eu sabia... mas se não fosse feito você estaria morto, Jane Foster estaria morta e Malekith teria conseguido seu intento.
– Quem bom que tudo deu certo para Thor não é? – Rebateu amargurado. Mais uma vez o irmão tinha tudo. As joias deviam ter confundido os irmãos.
– Meu anjo... eu precisava te proteger. Precisava ajudar os dois. Precisava te manter vivo. – Ela falava num tom magoado, com a falta de compreensão dele.
– Eu estou morto. – Loki rebateu. A expressão de Frigga tomou-se de dor. Ela o abraçou.
– Me desculpe, por favor! – Ela pedia nervosamente. Ele retribuiu. A adorava. Não a culpava. Ela não tinha matado Liana. Sabia que isso aconteceria, mas não havia visto outra opção razoável. Ele compreendia os motivos dela, assim como ela compreendia a dor dele. – Tudo vai ficar bem. Você é tão bonito. Tão jovem. – Ela dizia atrapalhada, numa tentativa torta de o consolar.
– Mãe. Chega. – Ele falou frio. Frigga calou-se. Não pelo pedido dele. Mas porque Odin havia chegado ao quarto. A mulher se levantou e foi até o marido. Ele a beijou com carinho, o único olho marejado. Então voltou-se para Loki.
– Vim buscar você. – Falou indiferente. Loki se pôs de pé, sentindo o corpo pesado. O luto era um fardo pesado demais. Odin o aliviaria ao pôr do sol.
– Buscar? – Frigga, questionou se colocando no caminho do marido. – Buscar para quê?
– Execução, mãe. – Explicou simples. Indiferente. Pouco importava. Não havia sentido em continuar. Frigga estava viva e bem e isso o tranquilizava. Mas não o alegrava. Nada mais o alegraria.
A deusa se empertigou fitando o marido com seriedade. Não era a rainha ali. Era a esposa. Loki quase sorriu ao ver que o pai tinha uma mulher enfurecida diante de si. Ao invés disso desejou sair dali. Para qualquer lugar.
– Ninguém vai tocar nele. – Falou pausadamente. Odin tentou acariciar o rosto dela, num gesto ponderador, mas a esposa se afastou. – Ninguém. – Repetiu seca. Ela podia ser tão dura quanto fosse preciso.
– Meu amor, você sabe o que ele fez? – Perguntou severo.
– Enganou a todos. Mas não trouxe prejuízo a ninguém. – Ela rebateu. – Assumiu o trono enquanto você esteve em seu Sono. Ninguém se prejudicou disso. Reuniu as joias, mas Asgard continua intacta.
– Quantas pessoas morreram Frigga?! – Ele perguntou exasperado.
– Você é rei de Asgard, não de Midgard! – Ela revidou seca. Ninguém tocaria nele. Se ela tivesse que lutar para o proteger ela faria. Se tivesse que matar todos os guardas do reino ela faria. Ninguém iria ferir seus filhos.
– Soldados morreram! – Ele disse, sua voz subindo dois tons.
– Seguindo as ordens de seu rei! — A mulher gritou em resposta. Odin bufou exasperado. Não havia como discutir com ela. Ele não queria discutir com ela. Estava tão realizado com sua volta que não queria nada além de seus sorrisos. Mas ele ainda era o rei e ela lhe devia obed... – Se você quer executa-lo, vai ter que me executar também. Afinal eu vi tudo e não alertei ninguém, não é? – Loki teria sorrido em algum outro momento. A mãe era perspicaz. Quase tanto quanto ele. O homem se pegou encurralado pelas palavras da mulher. Voltou-se irado para o filho adotivo.
– Você nunca mais sairá de Asgard. Não desposará ninguém. Não deixará descendência. Não tem mais seus títulos. Será como se estivesse morto. – Odin sentenciou friamente. Frigga bufava de raiva. O rei saiu do quarto batendo a porta.
A mulher voltou-se para o filho chorando nervosamente. Loki a abraçou, sentindo remorso por ter aceitado tão mansamente tudo que o pai havia dito sobre executa-lo. Aquilo havia colocado Frigga em pânico. Sua mãe mal tinha retornado. A sentença de Odin não o incomodava. Ele não tinha a menor intenção de ir a lugar nenhum. E a ideia de desposar alguém lhe soava ridícula. Apenas a queria tranquila.
Beijou a testa da mãe. Ela estava de volta. Ela aliviava a dor. Ela voltaria a ser sua paz. Liana havia proporcionado isso a ele. Era um feito tão grande que ele sabia que aquilo eternizaria ao menos o nome dela em sua memória. Aquilo eternizaria a dor em seu coração.
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Loki acordou agitado. Suava e tremia. Mesmo após 12 meses não havia uma única noite bem dormida. Não havia uma única noite em que o rosto dela não o assombrasse em seus sonhos. Às vezes eram tão vívidos que quase podia sentir o cheiro adocicado de sua pele. Quase podia ouvir sua risada ácida e divertida.
Hoje não havia sido diferente, quase tinha sentido o toque de seus cabelos. Mas o som de tiros o tinha acordado. Mais uma vez. Aquilo o enervava e o agoniava. A agonia era constante. Tudo lhe lembrava ela. Liana era um fantasma ao seu redor. Ele sofria sua ausência, mas não queria esquecer. Não aceitaria esquecer.
Às vezes ouvia risadas que lhe lembravam a dela. Ele próprio não sorria. O sol ao se pôr quase tinha a cor bonita dos cabelos ruivos. As flores que insistiam em levar ao quarto eram sempre vermelhas. Ele nunca sabia se deveria joga-las fora ou não. A flauta sempre soava triste quando ele decidia toca-la. Ele evitava os livros. Poesias lhe agoniavam.
Esfregou as mãos no rosto, irritado. Sentia um peso no peito. Ele resolveria aquilo ainda hoje. Antes que enlouquecesse. Não importava o quanto fosse perigoso. Ele faria. Estaria ao lado de Liana mais uma vez. Sorriu diante desse pensamento. Traria alívio ao seu sofrimento.
Levantou-se e olhou no gigantesco espelho que estava encostado a uma parede. Estava vários quilos mais magro. Não podia mais se sentar a mesa principal, comia recluso em seu quarto. Não que realmente tivesse fome. Os cabelos estavam terrivelmente grandes, mas ele não tinha paciência para corta-lo. Não se importava.
Seu quarto ficava em uma torre alta e era tão grande quanto uma casa. Ele sempre havia sido recluso por opção, mas nos últimos meses sair do quarto era uma tortura. Preferia ficar sozinho em seus pensamentos mórbidos.
Tomou um longo banho na banheira de mármore, repassando tudo que faria hoje. Não falharia. Vestiu-se rapidamente. Armadura completa. Lembrou-se de como ela se atrapalhava com travas. Suspirou dolorosamente. Pegou uma espada dourada de sobre a mesa e a prendeu à cintura. Sua lança havia ficado abandonada em Midgard. Não sabia que fim tinha levado e passara longos meses tentando conseguir alguma arma útil. Por fim a mãe tinha traficado a espada de Alfheim.
– Irmão. – Thor falou entrando no quarto sem bater. Aquilo fez o moreno revirar os olhos. O loiro também vestia armadura completa. Iriam juntos. Assim tinham mais chances de não morrerem. Loki o cumprimentou com um meneio da cabeça. O elmo lhe protegia mais uma vez. Uma vez a tinha protegido. Tudo lhe lembrava Liana.
– Heimdall? – O moreno questionou.
– Conversando com Frigga. – Thor disse piscando marotamente.
– Isso é tão pouco usual de você, irmão. Agindo na surdina. Se esgueirando pelos cantos. – Comentou apático enquanto saiam do quarto. Era muito cedo. Todos ainda dormiam.
– Eu ando com más companhias. – Thor respondeu, espreitando a um canto antes de dobrarem. Por mais que tivessem seus problemas, ele não podia deixar de considerar o loiro um bom irmão. Quando ele precisara de ajuda para salvar Jane Foster, Loki tinha acudido. Agora era ele quem precisava e o deus do trovão nem sequer cogitara recusar.
Atravessaram os jardins a passos largos. Chegaram a Bifrost após alguns minutos, onde um planador de Frigga os aguardava. Loki os levaria mais uma vez por suas passagens secretas.
Odin não havia conseguido separar os reinos. Por um detalhe mínimo. A Morte havia emprestado o Ego à Liana, até o momento de sua morte. Quando isso acontecesse a joia voltaria à dona. Sem todas as partes o poder da Manopla era grande, mas ainda mantinha limitação. Todas as peças eram necessárias, mesmo as mais fracas. Odin havia se frustrado imensamente. Tudo que pode fazer depois disso foi redistribuir as joias entre os reinos e ordenar que redobrassem a proteção. Humanos não eram mais invisíveis. As armadilhas eram ainda mais mortais e cruéis. Mas Loki não queria as joias. Pelo menos não por enquanto.
O rei de Asgard agora colocava guardas para vigiarem o trabalho de Heimdall. Algo extremamente ofensivo. Mas aquilo era uma garantia. Thor nunca devia retornar a Midgard. Loki nunca devia deixar Asgard. Rei tolo. Seus filhos eram diferentes e uma combinação perigosa, mas bastava que se desse um objetivo comum e trabalhavam como se fossem um só. Thor o ajudaria. E depois fugiriam para Midgard. Um plano idiota. Mas traria felicidade por mais 70 ou 80 anos. Ou até que os achassem. Nunca seria o suficiente. Mas seria melhor do que nada.
Ao passarem pelo portal, irromperam em um grande salão, onde o planador atingiu o chão com impacto. Estavam em Valhala. Saíram apressados e o guardaram na forma de disco. Os guerreiros estavam nos campos batalhando, agora que o dia havia começado. Não viram nenhuma Valquíria nos arredores, mas isso não lhes garantia segurança. Estavam ali para roubarem uma guerreira. Normalmente mulheres iriam ao palácio de Freya, mas Liana era uma guerreira e como tal devia estar ali batalhando. Saíram para os campos e antes mais nada dois homens os atacaram com pesados machados. Thor os derrubou com Mjonir. Eles tinham uma aparência etérea e suave, mas de força muito real. Os homens tornaram a levantar sorrindo.
– O poderoso Thor! – Cumprimentou um dos guerreiros. A batalha corria solta ao redor. – Você ainda não faz parte de nosso exército! – Constatou, acertando uma machadada na nuca de um guerreiro que passou correndo. Ele caiu no chão e tornou a levantar rindo e partindo para o ataque de alguém mais ao longe.
– Não, não faço. – Thor respondeu lançando Mjonir contra um grupo que vinha a cavalo. Os animais empinaram derrubando e pisando os homens. Loki usou a espada para degolar um rapaz que tentou lhe acertar pelas costas. A cabeça tornou a se unir e ele o elogiou em finlandês pelo belo golpe, antes de retornar a luta. – Estamos procurando uma mulher. – O loiro informou.
– Vieram ao lugar errado. – O outro guerreiro disse. – As mulheres mortas em batalha vão para o castelo de Freya.
– Essa era guerreira. – Loki disse acertando a coxa e em seguida o tórax de um homem alto. Ele se refez e retirou-se com uma reverencia. – Liana Schroeder Stark. Ruiva. Arqueira.
– Uau! – Os dois guerreiros disseram impressionados.
– Eu teria notado uma guerreira assim. – O de aparência mais velha comentou rindo. – Não me admira que estejam atrás dela.
Os irmãos se entreolharam confusos. Thor atingiu dois meninos de uns treze anos que vinham pelas costas de Loki, os jogando longe. O moreno respondeu, empalado um homem de aparência idosa que tentava o mesmo movimento sorrateiro às costas do irmão.
– Perguntem as Valquíria. – Um dos guerreiros sugeriu se retirando. O outro os cumprimentou e fez o mesmo.
– E mande minhas lembranças à guerreira ruiva! Diga que sento na mesa cinco durante as festas da noite! – Falou rindo de se acabar. Loki o olhou mau humorado. Antes que sequer pudessem se mexer, uma lança gigantesca quase arrancou a cabeça de Thor. O deus da trapaça a aparou no último segundo.
Uma linda loira de cabelos cacheados e olhos infinitamente azuis, vinha em armadura completa e os atacava montada em um pégasus. O cavalo tinha quase três metros de altura. Os dois deuses, se ajoelharam imediatamente e atiraram as armas a seus pés. Ela desmontou reconhecendo a rendição.
– Audaciosos e atrevidos! – Ralhou irritada. – Sabeis que não vos é permitido vir a Valhala! Principalmente tu! – Acusou apontando para Loki. Todos sabiam que ele não deveria deixar Asgard.
– Buscamos uma guerreira, minha nobre senhora Skuld. – O moreno falou com deferência desviando-se da acusação.
– Uma guerreira? Temos poucas guerreiras aqui. – Ela informou curiosa.
– Sabemos, nobre senhora. – Thor concordou. – Estamos atrás de uma guerreira chegada recentemente. Arqueira e ruiva. De nome Liana.
– Pois vieram ao lugar errado. Nenhuma arqueira de nome Liana luta aqui. – Informou. Loki sentiu o coração parar. Sua mãe havia interpelado Freya sobre a chegada de Liana a seu castelo. Metade dos guerreiros iam para lá, junto das mulheres mortas em guerra e a outra metade vinha para Valhala. Mas ela certamente não estava com Freya.
– Nobre senhora, tem certeza disso? – Loki perguntou em um gesto de ousadia. Não importava. Ele passara um ano planejando rouba-la da Valhala. Faria o que precisasse. A mulher bateu a lança no chão irritada com a pergunta.
– Hrist! – Ela gritou. Uma segunda Valquíria, ainda mais loira que a primeira surgiu diante deles. – Liana. Arqueira. Ruiva.
– Nunca vi tal guerreira, minha nobre irmã. – A mulher informou olhando os homens com curiosidade, mas sem nada perguntar. – Não estaria com Freya?
– Não, nobre senhora. A própria deusa nos confirmou. – Thor informou. Ele podia ver o irmão empalidecendo ainda mais a seu lado. Loki estava nervoso e agitado. Algo estava dando terrivelmente errado ali.
– Perguntem a mais uma. – O moreno pediu sem meneios. – Se confirmarem iremos embora agradecendo imensamente pela sua gratificante paciência. – Acordou em uma voz falha, recobrando o tratamento adequado.
– Como queiras... Skeggjold! – A segunda Valquíria chamou. Uma exuberante morena surgiu diante deles. Ela tinha a mesma expressão de suas irmãs. Belicosa mas tomada pela curiosidade.
– Nobre senhora, buscamos por uma guerreira de nome Liana. Uma mulher jovem, ruiva e arqueira. – Thor repetiu. – Ela não está com Freya. – Adiantou a informação.
– E tampouco está aqui. – Informou firme. O loiro olhou para o irmão. Ele encarava o chão inexpressivo.
– Como disse a vos. Tal guerreira não batalha em nossos campos. – Skuld repetiu. Thor fez menção de se levantar, apressado para retornarem a Asgard antes que notassem a ausência de Loki. Antes que as mulheres pusessem em palavras o que ele mesmo pensava. – Se ela não está aqui e nem com Freya...
– Ou não era guerreira. – Hrist disse.
– Ou está viva. – Concluiu Skeggjold. Loki agradeceu fazendo uma reverência. Saíram como dois furacões ao subirem no planador. Skuld bateu a lança no chão e um portal se abriu os levando.
Retornaram ao palácio em silêncio. Ninguém pareceu ter notado a pequena fuga de ambos. Subiram à torre do moreno, enquanto tiravam as armaduras. As mãos de Loki tremiam tanto que ele mal conseguia fazer aquilo. Seus pensamentos corriam como um turbilhão. Onde ela estava? Aquilo era como perdê-la outra vez. O cheiro de sangue lhe vinha à memória. Os ganidos de dor. O desespero. A derrota.
Loki se escorou em uma parede antes de entrar no quarto. Fechou os olhos por um segundo. A armadura caiu de sua mão trêmula. Thor o apoiou pelos ombros. Os olhos verdes e frios encontraram os azuis e nervosos.
– Onde ela está? – Perguntou reprimindo a fúria e a dor em sua voz. Poderia matar mil guerreiros agora. Ambos a tinham visto morrer. Ele havia segurado seu corpo inerte nos braços. Havia se sujado em seu sangue.
– Não sei, irmão. – O mais velho respondeu parecendo tão confuso quanto ele. Abriu a porta do quarto empurrando a armadura do chão com o pé. Loki passou pela porta e atirou a espada contra a parede um urro escapando de seu controle. Errou Frigga, apenas porque ela se desviou.
A mãe ainda estava em suas vestes de dormir. Aproximou-se dele e o abraçou. Sorria. Loki franziu as sobrancelhas, confuso. Então a deusa lhe empurrou um papel nas mãos.
– Sif esteve em Midgard e trouxe para Thor. – Ela disse. – Mas achei que seria mais útil a você, então surrupiei dela. – Ela disse de um jeito travesso. Ele o desdobrou sem perguntar nada.
Uma página de jornal. Jane Foster aparecia em uma grande foto com um anuncio de que estava encerrando suas pesquisas sobre outras dimensões. Sif claramente teria trazido aquilo na intenção de mostrar a Thor que a humana o tinha esquecido. Aquilo não era verdade. Heimdall sempre relatava que ela passava horas olhando para o céu e lendo livros antigos sobre eles. Ela devia ter um motivo para abandonar o trabalho. Mas não foi isso que chamou a atenção do deus.
Na parte baixa da folha havia uma pequena coluna, com uma foto redonda e mínima. Uma ruiva usando um vestido preto e curto onde se liam as palavras ‘’Stark Industries’’, estava em uma pista ampla com alvos ao fundo. Tinha um arco nas mãos e mirava com olhos castanhos muito sagazes. Chamou-lhe atenção que ela não possuía nenhuma cicatriz na perna. A notícia dizia que Liana Stark de 22 anos, tinha retomado os treinos aquela semana, após o acidente de carro e estava se preparando para as Olimpíadas. Dizia que estava mais em forma do que nunca. Dizia que estava viva.
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