God of Mischief | Loki
12 Capítulo 11: Festa e manipulação
Notas iniciais
Quatro dias se passaram desde a praia e eu estava de volta a minha rotina. Tinha voltado aos treinos e havia visitado Tony que parecia estar novo. Ele iria construir novas armaduras, mas agora seu centro de energia ficaria apenas na máquina.
Steve havia me ligado duas vezes. Uma delas eu não atendi, apenas pedi a Jarvis que deixasse cair na caixa postal. Mas no dia seguinte iríamos a uma festa de gala da S.H.I.E.L.D juntos.
Por isso, Natasha estava me esperando na saída do treinamento já que ela havia decidido que eu precisava de um vestido novo para a ocasião. Ela estava usando uma calca jeans e uma camiseta social azul e carregava uma pasta nas mãos. Qualquer um diria que ela era minha assessora ou algo assim. A espiã me cumprimentou com um sorriso simpático e seguimos para o carro que ela havia estacionado em frente. Que milagre ela tinha feito para conseguir a vaga eu não sabia.
Nós seguimos pelas avenidas e para minha completa surpresa, Natasha encontrou uma vaga perfeita em frente à Channel. Eu rapidamente entendi o motivo, ela havia ligado com antecedência avisando que ‘’a Senhorita Liana Stark, iria fazer compras ali e seria bom que a vaga da loja fosse preferencialmente dela.’’ Claro que as vendedoras contavam com um gordo extra.
Natasha me fez provar uns dez vestidos e mesmo as vendedoras pareciam muito satisfeitas de fazer provar vários e vários. Verde, azul, dourado, rosa, preto, branco... vários. Entre um prova e outra nosso assunto entrou em terreno perigoso.
– Liana, como foi que você acabou encontrando aquele verme? – Quis saber. Primeiro achei que ela falasse do homem no beco, mas era óbvio que era de Loki. Afinal eu tinha saído no jornal almoçando com ele. Me virei para ela fechar um zíper, procurando uma resposta. Vi minha mochila de metal apoiada na parede. Bingo.
– Ele apareceu no Centro de Treinamento e disse que era um patrocinador. Que queria um almoço de negócios para discutir sobre a possibilidade. – Falei. Ela pareceu pensativa.
– Definitivamente não. – Ela disse. Me assustei achando que ela estava duvidando do que eu falava, mas ela se referia ao vestido roxo que eu provava. – Mas você parecia de muito bom humor naquela foto. – Comentou. Eu não me lembrava porque estava sorrindo na hora, mas tinha a impressão que a expressão de alívio dele quando achamos estacionamento havia sido responsável.
– Bom, ele é um homem bonito. – Falei numa resposta básica e tentando soar deslumbrada. Não era realmente difícil. Me lembrando agora com mais calma, ele realmente era bastante bonito. Afastei o pensamento bobo da cabeça e me concentrei na conversa. — Sabe, eu estou solteira tem um tempinho já. – Aquilo a fez rir. Deduzi que foi uma boa resposta.
– Parece que o Capitão America tem a intenção de resolver isso para você. – Ela falou bem humorada. Duas das vendedoras que nos alcançavam vestidos deram gritinhos empolgados e uma quase derrubou as taças de champagne que trazia. Era uma loja muito, muito chique, mas o efeito de homens de uniforme que são bonitos e heróicos acabava com a classe que as vendedoras deveriam ter.
– Esse vestido! – Natasha falou embora sem empolgação. As vendedoras assentiram felizes. Me olhei no espelho e realmente tinha que ser aquele. Eu parecia uma modelo que tinha acabado de sair de alguma grande premiação como o Oscar ou o Grammy. Concordei e mandei que embalassem. Pagamos e saímos da loja antes que as vendedoras continuassem me enchendo de perguntas sobre Steve. Engraçadinhas.
Natasha me avisou que não precisaria comprar o seu porque havia ganhado um de presente e iria usar na festa. Me perguntei se seria presente do Barton. Nos despedimos na porta do meu prédio e combinamos que amanhã, se os Avengers não fossem muito solicitados durante a festa, ficaríamos juntas.
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Por volta das oito da noite do dia seguinte, Steve chegou para me buscar. Ele pareceu realmente admirado quando me viu. Sorri por dentro agradecendo por Natasha ter me ajudado a escolher aquele vestido. Se dependesse de mim eu teria comprado o primeiro que me servisse.
Ele era de um tom de vermelho vivo, justo no corpo, com uma faixa de cristais marcando a cintura, um único ombro com decote diagonal que ajudava a disfarçar que eu não tinha seios muito grandes e uma fenda na perna. Era sexy sem dúvida. Meus cabelos estavam mais ondulados que o normal, num efeito de salão bastante bonito. Minha maquiagem era em tons de marrom e dourado. Eu usava a pulseira e o bracelete do arco, porque incrivelmente ficava ótimo com aquela roupa. Me sentia realmente bonita como raramente acontecia e parecia que Steve concordava, porque ele soltou um ‘’Uau’’ quando me viu.
Ele abriu a porta do carro para mim e se sentou ao meu lado. Steve não dirigia, então era um carro da empresa.
– Você está realmente linda. – Elogiou. Eu sorri, entre a timidez e o orgulho. Ele segurou minha mão e riu do quanto estava gelada. A festa seria no Plaza Hotel, que não era exatamente longe então em uns quinze ou vinte minutos chegamos. Ele saiu da limusine e me ofereceu a mão.
Flashes espocaram de todos os lados. A festa da S.H.I.E.L.D não era exatamente discreta, porque haviam centenas de fotógrafos do lado de fora do hotel. Olhando a decoração em frente percebi que o tema da festa era a Batalha de New York. Aparentemente o Diretor Fury queria exibir o quanto a ação dos Avengers havia sido bem sucedida. Isso era pura política, já que ele tinha infringido metade das ordens de superiores, precisava mostrar que suas decisões haviam sido melhores. Eu desci do carro tentando sorrir, já que aquilo possivelmente iria sair no jornal. Que ótimo. ‘‘Capitão América praticando relações internacionais, comparece em festa acompanhado pela alemã Liana Stark’’ Eu podia até imaginar. Pelo menos eu esperava que a notícia fosse essa já que Steve sim era uma celebridade. Seria bastante ruim se eles divulgassem que era o segundo homem visto comigo em menos de um mês. E a mídia sabia ser bem maldosa quando queria, por isso fui simpática e acenei para aqueles que gritaram meu nome.
Entramos no saguão do hotel e seguimos para o salão onde a festa estava acontecendo. Para meu completo choque, as paredes estavam decoradas com fotos gigantes de cenas da batalha, que eu não fazia ideia de como tinham sido tiradas em meio ao caos. Haviam fotos de Steve recuperando seu escudo no ar, Thor invocando raios do céu, Tony voando com a armadura toda arranhada, Hulk atirando um carro, e Natasha aparecia derrubando um Chitauri com um golpe, enquanto Clint atirava uma flecha protegendo-a de outro que vinha voando. Mas o que me deixou chocada foi a foto gigantesca que havia no meio do salão onde todos pudessem vê-la. Loki algemado com uma mordaça na boca.
Eu já havia visto aquela imagem em centenas de lugares como se fosse um troféu a vitória americana. Ou um alerta aos inimigos. Mas ninguém ali sabia o que se seguira aquela foto. Senti meu estômago embrulhar, diante dos olhos verdes, raivosos e desafiadores de Loki direcionados para um lugar qualquer.
Uma música animada tocava e Steve parecia estar falando comigo, mas eu havia ficado momentaneamente surda. Olhei para ele meio aturdida e forcei um sorriso. Ele sorriu de volta e foi em direção ao bar. Acho que ele devia ter se oferecido para me buscar uma bebida.
– Parece que você conseguiu o Capitão, não é? – Uma voz grave perguntou. Eu me virei para olhar e era Nick Fury. Não havia como confundir com qualquer outra pessoa, com aquele tapa-olho. Eu sorri constrangida. – Eu acho bom. Ele precisava de alguém, é um bom homem, mas andava meio sozinho. Acho ótimo manter ele por perto, entende? Entre os Avengers. – Ele disse. Eu entendia muito bem o que ele queria dizer. Até provassem o contrário eu era uma Stark e se ele estivesse comigo, Tony e Steve permaneceriam ligados e por perto. Eu era a corda que os mantinha amarrados. Para Fury isso era excelente. Eu detestava aquele homem.
Me lembrava que uma vez Tony havia dito que os segredos de Fury tinham seus próprios segredos. Ele não era confiável de nenhum ângulo.
– Você acha mesmo que sua equipe é tão desunida? – Perguntei áspera, indicando a ele que eu havia visto suas intenções por trás das palavras.
– Acho que minha equipe tem fins comuns e luta por eles. Mas quando esses fins não são claros, eles são desunidos como água e óleo. – Falou como um professor faria, o único olho bom passeando pelo salão. – Então para mim é interessante quando eles achem algo em comum para mantê-los unidos.
– Você acha o quê? Que eles se matariam pelas costas? Eles são amigos, pelo amor de Deus! – Respondi irritada. Fury me olhou sério.
– As pessoas não são leais umas as outras, menina. As pessoas são leais apenas aos seus próprios interesses. Enquanto seus interesses forem comuns eles lutarão como um só. – Ele disse impaciente. O que indicava claramente que na opinião dele, caso os interesses dos Avengers divergissem, eles se matariam como selvagens. Ele estava parado de costas para a foto de Loki, as mãos paradas atrás das costas e me olhava sério.
– Isso foi uma diferença de interesses? – Perguntei me referindo ao tapa-olho.
– Diretor. – A voz de Steve cumprimentou. Olhei para ele feliz, por poder me livrar daquela conversa. Ele alcançou uma taça de champagne, enquanto o diretor lhe deu dois tapinhas no ombro respondendo ao cumprimento. Para minha surpresa Tony e Pepper vieram caminhando em meio à multidão. Ela estava linda, num longo azul petróleo com as costas de fora. Ele usava um terno simples com camisa rosa e gravata vermelha. Sorri como uma criança quando os vi e eles retribuíram meu sorriso.
– Uau irmãzinha. – Cumprimentou Tony. Eu ri e lhe dei um tapa no braço. Os olhos de Tony encontraram a mão de Steve na minha cintura e se estreitaram. – Achei que eu tivesse te ensinado a não se meter com os mais velhos! – Falou debochado. Pepper sorriu dando de ombros. Steve o encarou sério. – Em especial com idosos! – Completou.
– Cala a boca, cabeça de alumínio. – Respondeu Steve num tom entre a brincadeira e a ameaça. Pepper e eu trocamos um olhar nervoso.
– Vou ficar de olho em você. – Avisou Tony. Antes que Steve tivesse tempo de responder aquela provocação Clint e Natasha chegaram. Ela usava um longo preto com uma fenda enorme na perna, onde ficava visível o coldre com sua glock.
– Vai ficar de olho em quem, Stark? – Perguntou Clint, bem humorado.
– No meu champagne que já acabou. – Respondeu Pepper entregando o copo vazio para ele e pegando o cheio que ele tinha nas mãos, dando empurrõezinhos para que ele fosse buscar mais. Clint puxou um assunto qualquer com o capitão e com Fury, enquanto Pepper, eu e Natasha começamos a caminhar pelo salão. Então pude perceber que haviam ali pessoas do governo, não somente americano, e mais vários outros agentes.
Conversamos trivialidades, enquanto eu a todo custo tentava não olhar para a extremidade do salão.
– E Banner? – Perguntei, me lembrando dele repentinamente. Pepper respondeu.
– Ele costuma evitar aglomerações. Problemas com o temperamento sabe? – Eu e Natasha sorrimos. Era bem lógico. – Mas e você e o Capitão?
– Ah... bom, nada demais... – Tentei desconversar. Ambas sorriram. – Um beijo só! — Falei cedendo. Natasha parou de andar.
– Então teve um beijo? – Perguntou num tom divertido. Eu fiquei vermelha como um pimentão, o que fez Pepper rir.
– Vamos deixar ela em paz. – Disse ela. A olhei eternamente grata. – Até por que o Steve está vindo ali. – Completou olhando para ele, que abria espaço em meio às pessoas que o cumprimentavam. Ele sorriu para mim e para as outras. Estendeu a mão para mim sorrindo. Tocava uma música mais lenta ao fundo, o que deixava claro que ele queria dançar comigo. As duas sorriram quando eu segurei a mão dele, aceitando.
Ele me conduzia com desenvoltura, como se fizesse aquilo todo dia. Eu raramente havia dançado com alguém então estava bastante insegura. Apoiei minha cabeça no ombro dele e deixei que me guiasse. Eu podia ver Tony bufando em um canto do salão, com Pepper pendurada nele novamente, tentando fazer com que ele olhasse para ela.
Algumas pessoas nos olhavam e comentavam coisas que eu não era capaz de entender e nem me importava. Steve inclinou o rosto para mim e me beijou, ali no meio da pista me fazendo derreter. Tive a impressão de ouvir Tony soltar um gritinho agudo de algum lugar. Eu ouvia alguns cliques. Que maravilha, mais fotos. Paramos de nos beijar apenas quando a música se encerrou. Ele me acompanhou para fora da pista, falando animado que eu dançava bem e que ele se sentia o homem mais invejado que devia ali aquela noite. E que a muito tempo aguardava pela oportunidade de dançar com alguém especial. Eu ri e disse algo sobre como estávamos quites, porque eu também devia estar com a cabeça a prêmio entre as mulheres solteiras. Eu estava distraída.
Nick Fury estava junto com Clint e Natasha e embora parecesse prestar a atenção na conversa, ele sorria para mim. Senti vontade de lhe arrumar um par para o tapa-olho.
– Steve – Chamei. Ele me olhou atencioso. – Desculpe, mas acho que preciso ir para casa. Amanhã eu tenho treino e... eu preciso honrar meus compromissos. – Falei. Apesar do suspiro ele parecia entender. Responsabilidade era com ele mesmo.
– Eu vou te colocar num taxi. – Falou gentil, me acompanhando para a saída. Me despedi rapidamente dos outros na porta do hotel. Os fotógrafos já tinham ido embora. Steve ria distraído de alguma coisa que Pepper tinha dito, quando o Diretor Fury se inclinou para apertar minha mão.
– Foi um prazer Senhorita Schroeder. – Ele disse. Acho que meus olhos quase caíram das órbitas. Steve me deu um selinho bem nesse momento, enquanto abria a porta do taxi.
Eu entrei sem tirar os olhos de Fury. Ele sabia. Tony não havia sido discreto o bastante. Ele sabia.
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