Notas iniciais
(ATUALIZAÇÃO) {A historia foi concluída, mas sinta-se à vontade em comentar e recomendar. Certamente vou ficar muito feliz em te responder e conversar. Sejam todos bem-vindos!} Então pessoal, essa é minha primeira fic não relacionada a animes, então se puderem comentem o que estão achando. Isso é o estimulo que eu preciso para achar um tempo para escrever mais e postar. Espero que se divirtam tanto quanto eu estou me divertindo escrevendo. Vamos conversando pelas notas de capitulo. Algumas passagens envolvem partes que já vimos antes nos filmes. Por exemplo neste capitulo a loja de shawarma citada aparece nos extras de Avengers. Divirtam-se.

Aquela manhã eu perdi a hora. Costumava estar de pé às sete para me arrumar e chegar no treino ali pelas nove horas. Treinava cerca de seis horas por dia, incluindo sábados e domingos. Não era fácil ser uma atleta de nível olímpico. E era ainda mais difícil quando seu patrocinador era o dono da Stark Industries. Ele não joga o dinheiro fora. Se eu não me mantiver à altura da exigência, estou fora dos projetos de filantropia. Em dois anos estarei competindo nas Olimpíadas do Brasil disputando o arco e flecha. Com o valor da minha bolsa eu havia comprado um arco composto simples e um conjunto com boas flechas. Eu treinava nas horas vagas no quarto extra que eu tinha no apartamento pago pela empresa.

Alguns, às vezes, pensam que sou infeliz dessa forma, quase sem tempo para saídas, baladas e coisas assim. Às vezes sinto falta da rotina de alguém de 21 anos, mas a maior parte do tempo eu vivo para o meu esporte e isso me completa. E no dia anterior eu havia treinado as seis horas de rotina, voltado para casa, alimentado meu gato, jantado uma porção de comida japonesa do restaurante em frente, assado quatro travessas de cupcakes, porque eu simplesmente adoro aqueles programas de decorações de bolos e essas coisas, então acabou se tornando um hobby. Depois me fechei no meu quarto de treino. Ali eu treinaria mais umas três ou quatro horas. Mas naquele dia o treinamento no centro tinha sido tão intenso que eu me lembro apenas de ter sentado na poltrona de couro que fica num canto e pegado no sono.

E naquela manhã eu perdi a hora. Muito, muito atrasada. Acordei com o som de algo que parecia uma bomba. Meus olhos percorreram o quarto procurando a fonte do barulho, passando pela cama encostada a um canto onde meu gato havia resolvido que moraria, pela escrivaninha onde haviam alguns livros, canetas, meu ipod, e meu computador ligado e tocando música... como eu havia dormido com a música naquele volume, não sei. E então meus olhos encontraram o relógio digital. Onze horas. Merda.

Antes que eu pudesse levantar da poltrona, outra explosão chacoalhou todo apartamento. Liguei a TV de 90” que ficava acoplada a parede. Presente do exagerado do Tony. E para meu susto a programação havia sido substituída por uma cena de filme. Nova York estava em chamas. Caos e destruição, prédios desabando, policiais correndo, civis correndo, prédios sendo evacuados. Os Avengers estavam no meio do caos, dizia a repórter, tentando chutar os invasores, mas sem muito sucesso. Mostraram cenas rápidas do Hulk colocando abaixo um enorme monstro voador, Tony usando sua armadura chutando coisas com aparência humanoide, Capitão América ajudando a resgatar crianças em meio ao caos. Eu desliguei a TV. Agarrei o celular e disse com a voz trêmula.

— Potts! — O celular me mostrou uma foto da Pepper sorridente com seus cabelos vermelhos e iniciou a discagem. Ela atendeu no primeiro toque.

— Liana! Liana! Seu celular vai direto na caixa de mensagens! Onde você está?! — disse completamente alarmada. Ela parecia em pânico e eu nem sequer tinha olhado para fora ainda.

— Em casa — respondi. Ela soltou uma exclamação baixa. Eu moro no centro. Estava bem no meio da confusão. — Mas está tudo bem comigo. Onde você está? Eu vi o Tony no meio de tudo…

— Estou em um abrigo da S.H.I.E.L.D. Estou bem. Precisamos tirar você daí! Eu vou mandar um helicóptero te buscar! Você sobe e fica no heliporto do pré..

— Peps... — a interrompi. A situação devia ser pior do que eu esperava. — Se você mandar um helicóptero ele vai ser abatido assim que entrar na cidade. E de qualquer forma eu não posso simplesmente ficar lá fora e esperar…

— Tem razão... — concordou, recuperando um pouco da racionalidade. — Mas eu preciso te tirar daí. — Ela estava desesperada.

Acho que esqueci de mencionar que a Pepper é o mais próximo de família que eu tenho. Somos até meio parecidas na verdade. Os mesmos cabelos ruivos, embora os meus sejam a prova viva de que eu odeio chapinhas, sendo ondulados. Olhos castanhos e pele branca coberta de sardas. A única diferença marcante é que Pepper tem corpo escultural enquanto eu sou magra como uma vareta e tão comprida quanto uma. Eu realmente acho ela linda. Mas talvez seja um pouco de influência do quanto eu gosto dela, já que somos meio parecidas ela não pode ser tão bonita assim. E se ela estava nervosa eu precisava acalmá-la. O noivo já estava no meio de tudo. Ela não precisava se preocupar comigo também.

— Fica tranquila. Eu vou ficar aqui no prédio, bem quietinha. Qualquer coisa que acontecer eu vou correndo para Stark Tower ok? Aí o Jarvis cuida de…

—Não! Você não pode ir lá! — ela berrou e eu quase derrubei o telefone. — Eles tomaram a empresa.

— Merda — xinguei. — Olha Peps, fica tranquila, eu vou ficar legal, ok? — dizia isso escutando as bombas estourando na rua. Torcia para que ela não conseguisse ouvir. — Vamos combinar que qualquer coisa eu ligo de volta, certo? — Silêncio. — Ok? — repeti mais alto. Afastei o telefone. Sem sinal. Eles devem ter cortado a linha telefônica. Eu esperava que ela tivesse ouvido o suficiente para não fazer nenhuma bobagem.

Olhei ao redor, peguei a bolsa de transporte e fiz Jinggles entrar nela. Fui até a porta do apartamento segurando a bolsa, meu arco e minha aljava. Abri e espiei. Vazio. Jinggles fez um ruído baixo me indicando claramente que não queria sair. Ele era um gato calmo. Resolvi seguir os instintos dele e fechei a porta. Fui até meu quarto de dormir e larguei o transporte dele na porta, se precisasse fugir meu gato não ficaria para trás. Queria usar a persiana para olhar para fora sem ser vista.
Quando olhei, agradeci a Deus por não ter alugado o apartamento de frente para a avenida. Era destruição para todo lado. Embora minhas janelas ficassem para uma rua menor, a situação não era melhor de nenhuma maneira. Lembro de ter soltado um grito agudo quando vi um monstrengo-cobra-voador passando acima do prédio. E então eu o vi.

Ele estava em uma nave de uso individual. Parecia uma moto que voava. Planava alguns metros à frente, de costas para minha janela. Usava uma espécie de armadura verde, dourada e preta com um capacete dourado adornado com chifres. Nas mãos tinha um tipo de cetro com algo semelhante a uma foice com uma pequena bola de cristal azul na ponta. Trazia na cintura uma adaga longa e prateada. No momento em que o vi, soube que ele era a causa de todos aqueles problemas, pois estava distribuindo ordens para aqueles humanoides bizarros que vinham até ele. Eu sou observadora. Tenho olhos treinados para detalhes. Vento, distâncias, e adversários. E ele era o nosso. Reparei que o capacete não protegia uma grande área do pescoço e nuca do homem. Era ali que eu cravaria minha flecha.

Abri a janela com cuidado, evitando fazer barulho. Me posicionei e armei o arco. Não precisava mirar muito. Você sente a mira depois de um tempo. Não precisa ficar olhando demais. Torna-se automático. Armar e soltar. Simples assim. Mas eu nunca tinha matado ninguém. E aquilo não seria tão simples. Fiquei ali parada com ele no meu campo de alcance, porém sem disparar. E então, para meu completo susto, uma daquelas criaturas humanoides entrou pela minha janela como quem entra em uma loja. A Coisa sorriu com dentes pontiagudos e muito amarelos para mim e com o susto soltei a flecha e recuei. Droga. Sabia que tinha errado. Disparar com os braços balançando como loucos não pode dar certo mesmo.

Ele entrou no quarto. Eu não era importante. Ele não faria nada. Pelo menos era o que eu queria acreditar enquanto recuava e armava o arco novamente. Mas era óbvio. As ordens da Coisa eram matar o que estivesse ao seu alcance. No caso, eu. Ele fez menção de se aproximar de mim e disparei. Nunca tinha matado ninguém e naquele momento foi muito, muito simples. O acertei na testa, bem no meio. A única coisa que me ocorreu quando o corpo se arqueou para trás e despencou pela janela foi: “Ótimo tiro.”

Corri e me debrucei no parapeito para ver o corpo atingir um carro que ainda estava inteiro e disparar o alarme. E só então percebi que ele estava planando um pouco acima do nível da janela. Ergui meus olhos e recuei o corpo para dentro. Eu estava muito ferrada. O homem fez o planador descer o suficiente para que seu rosto ficasse na mesma altura do meu. Me peguei como uma idiota reparando que era bastante bonito, na verdade. Magro, alto, com olhos que eu não conseguia distinguir se eram verdes ou azuis, uma pele tão branca que parecia que nunca tomava sol, cabelos pretos penteados a perfeição e lábios finos que lhe davam um ar sério. Me olhava com um misto de severidade e diversão.

— Não é muito educado ficar disparando flechas contra as pessoas. Ainda mais contra seu novo rei — disse repleto de arrogância, contudo sem um pingo da agressividade que eu estava esperando. Sorri. Não me pergunte o porquê, eu não sei. Não senti vontade de sorrir. Não estava em humor para isso. Mas o sorriso me veio como se alguém o colocasse no meu rosto.

— Não é muito educado de sua parte destruir a minha cidade e se auto proclamar meu rei — revidei. Cada palavra saiu custosa. Como se eu não devesse dizê-las, como se devesse ficar simplesmente ali sorrindo enquanto as explosões soavam ao redor. Como se algo me obrigasse a ser submissa... Ele estava fazendo isso de alguma maneira. Franziu as sobrancelhas por um segundo, os olhos percorrendo a extensão do meu rosto. Quando fez menção de abrir a boca, eu vi pelo canto dos olhos. Hulk. Verde, grande, destruidor e, para mim, assustador. Estava saltando de um prédio para outro atirando monstros de cima. Ele nos veria.

Os olhos do homem foram dos meus para Hulk e voltaram para mim. Ele içou o corpo pelo parapeito e entrou sem fazer o menor esforço. Bateu a janela como se isso fosse garantir que o verdão não fosse entrar. Ergui meu arco apontado para ele. O invasor abaixou a flecha com a mão sem olhar para mim, os olhos correndo ao redor procurando uma saída.

— Para com essa bobagem, está bem? — disse impaciente. Seus olhos pousaram em Jinggles. Meu gato arranhava desesperado o tecido da bolsa de transporte. Mau sinal. Nos entreolhamos e naquele segundo a parede da janela simplesmente explodiu com um punho gigantesco e verde entrando no quarto.

Não tive tempo nem de gritar, o homem praticamente me jogou no corredor para longe de Hulk. Eu não vi meu gato no meio da confusão.

— A saída! A saída! — ele gritou correndo pelo corredor atrás de mim. Podia ouvir o piso de madeira estalar sob o peso do gigante em meu quarto. Abri a porta do apartamento e me joguei para fora, com o homem em meu encalço. Ele abriu a porta da escada de emergência e eu a empurrei com o pé batendo-a.

— Aí não, idiota! — gritei o empurrando no elevador que ficava um pouco ao lado. O empurrei com força para o chão e recuei deixando a porta fechar com ele dentro. No segundo que fiz isso a parede separando o apartamento do corredor se desfez e destroços voaram pelo corredor. Caí no chão me encolhendo, meu arco voando até o outro lado para longe de mim. Só percebi que estava encolhida chorando quando a grande mão verde me colocou novamente de pé com uma gentileza surpreendente. Havia racionalidade nos olhos dele. Não era como da outra vez em que eu o vira na TV destruindo tudo, dominado pela raiva.

— Onde? — me perguntou numa voz grave. Eu apontei para a porta da escada de emergência.

— Ele me fez mostrar o caminho e desceu — falei, torcendo para que ele não visse meu arco que poderia indicar que tivera chance de resistir e poderia estar mentindo, mas acima de tudo torcia para que não visse o homem sentado no chão do elevador. Se ele olhasse para a janelinha, aquele cara estava perdido. Coloquei meu corpo bloqueando a visão para o interior do elevador, parecia que eu estava abrindo caminho para ele usar as escadas, o que seria ridículo, pois eram estreitas e ele colocaria o prédio abaixo se tentasse. Hulk suspirou e voltou para minha sala, eu o segui. Destruída. Depois me preocuparia com isso. Ele foi até o buraco na parede do quarto e olhou para trás.

— Desculpe — grunhiu olhando a bagunça. Eu dei um sorriso sem graça e ele saltou para o prédio em frente fazendo o chão tremer. Soltei o ar aliviada, me escorando no que restava da parede do corredor. Lembrei que o homem ainda estava no elevador.

Voltei até ele e abri a porta já com o arco e as flechas em mãos. O homem ficou em pé parecendo tentar recuperar o resto de dignidade que lhe sobrara. Soltou o ar dos pulmões com força. Saiu sem nada dizer, passou por mim e entrou no apartamento de novo. Eu reparei que alguns vizinhos espiavam por frestas das portas abertas.

Ele chutou o monte de metal retorcido que tinha sido sua nave individual e estava jogado no meu quarto.

— Como chego na Stark Tower? — Eu ri da pergunta. Uma pergunta dessas no meio daquilo tudo? Como se me perguntasse onde tinha um caixa eletrônico.

— Agora você pode usar as escadas — alfinetei dando ênfase na primeira palavra. — Se ele resolvesse descer atrás de você não ia sobrar mais do que isso — resmunguei chutando o resto de planador.

— Eu sou um deus, sua menininha burra. Ele não faria nada comigo — afirmou em um tom baixo e venenoso.

— Então por que você não o enfrentou? — rosnei raivosa. — Por sua causa meu apartamento veio abaixo e meu gato morreu! — As lágrimas vieram quentes a minha face. Eu tinha salvado a pele dele e nem um muito obrigado. Para início de conversa eu nem sabia o porquê disso. Vinte minutos atrás eu estava com uma flecha apontada na nuca dele! Deve ter sido a adrenalina de ter o Hulk entrando no meu apartamento. Ele me olhou meio confuso e mexeu a capa verde que trazia nos ombros, destapando uma bola de pelos pretos e longos.

— Esse gato? — perguntou irônico.

Jinggles estava perfeitamente aninhado em um dos braços dele. O homem devia tê-lo tirado da bolsa. Minha expressão de choque fez o salvador do meu gato preto revirar os olhos. Ele passou o gatinho para mim e saiu pela porta indo para a escada. Portas bateram no corredor quando passou. Corri atrás dele.

— Obrigada! — guinchei esganiçada quando o homem abriu a porta da escada. Ele olhou pelo canto dos olhos para mim. Verdes. Eram verdes. — Pelo gato... — Um pequeno sorriso se esboçou nos lábios dele, não mais que isso. O homem passou pela porta e começou a descer as escadas. Coloquei a cabeça no vão da porta e me ouvi falando, e dessa vez, eu sabia que a decisão tinha sido minha. — Saindo do prédio, vire à direita, siga por duas quadras, pegue a esquerda quando passar pelo restaurante de shawarma. Você vai sair na frente. — Ele sorriu abertamente para mim. Havia um quê de travessura naquele sorriso. Iria aprontar e eu sabia. Mas eu teria que contar que algum dos Avengers cuidaria disso... de preferência que não fosse o Hulk. Antes que recomeçasse a descer, cuspi uma pergunta. — Quem é você?

— Loki. Seu novo rei. — Dei uma risada que era mais uma fungada de deboche do que qualquer outra coisa. O sorriso dele desapareceu.

— Isso se você durar até o fim do dia. Se o verdão te achar, eu duvido — concluí com pouco juízo. Só não acrescentei que estava torcendo para que algum dos outros o achasse. — A propósito, eu sou Liana — Só quando terminei percebi que tinha atirado as palavras como flechas. Ele me ofereceu um sorriso de canto e foi-se sem responder. Eu suspirei alto quando ouvi as portas do prédio baterem.

Notas finais
Review faz bem. u.u