God That Failed
1 Capítulo 1 O Deus que falhou
Notas iniciais
Cap unico
Orgulho você teve
Orgulho você sentiu
Orgulho que você sentiu quando se ajoelhou
Ainda lembro-me bem; sempre foi assim: dia após dia de sua vida, ela ajoelhava-se para esse Deus em que ela tanto creía. Todos os dias ela ia até aquele grande templo chamado igreja: diziam que era a \"casa Dele\"; engraçado é que eu nunca o havia visto lá. Todos os dias antes de dormir ela me vinha com aquela mesma história sobre o homem que salvou o mundo \"derramando seu sangue\". Nunca havia entendido o que aquilo significava, mas nunca tive interesse em saber, apenas ouvia atentamente a tudo o que ela dizia sobre Ele, e estranhava-me o fato de como seus olhos brilhavam ao dizer todas aquelas palavras.
Não a palavra
Não o amor
Não o que você pensa lá de cima
6 anos era tudo o que eu tinha. Desde que nasci fui criado na tal igreja, ia com minha mãe; lá eu me divertia; havia os garotos do coral, no qual eu cantava, e também tinha aquele homem escandaloso que sempre ficava encima do altar contando as mesmas histórias que minha mãe contava-me todas as noites.; chamavam-no de pastor; eu estranhava o porque de as pessoas que ali estavam chamarem-no de pastor, já que assim estariam chamando-se de ovelhas! Sim, elas eram realmente umas ovelhas, porque sempre acatavam a tudo que o pastor dizia, e o seguiam como se ele fosse um pastor e elas as ovelhas, de fato.
Alimenta
Cresce
Encobre tudo que você saberá
Engano
Enganar
Decida em que você acredita
Um dia, do meu quarto pude ouvir alguns soluços: era a minha mãe. Ela estava chorando, e pior, estava acompanhada por meus tios e meu pai, que choravam junto com ela. Não entendi o que estava acontecendo, então resolvi espiar.\"Cancêr\": foi essa a palavra que ouvi; não sabia o que significava, mas só sabia que não era bom, e sabia também que minha mãe estava com isso, mas acalmei-me ao ouvi-la dizer que Ele a curaria, e que ela não precisaria nem de médicos, nem de remédios, porque Ele era mais forte do que tudo isso e a iria curá-la. Fiquei feliz e cheguei realmente a acreditar nisso; mas minha mãe acreditava nisso mais do que qualquer outro, e isso me animava.
Eu vejo fé em seus olhos
Você nunca ouviu as mentiras desanimadoras
Eu ouço fé em seus gritos
Promessa é quebrada, traidor
A mão curadora presa pelo prego enterrado
Passaram-se dois anos. Quando descobri eu tinha já 8 anos, e hoje com 10 percebo o quão grave aquilo era. Minha mãe direto dizia: \"Pode não ser hoje, mas um dia Ele me curará, pois é muito bom, e afinal, já sobrevivi até hoje, não é mesmo?\" Àquela altura eu já entendia muito bem das coisas, assim como já havia entendido que minha mãe estava iludida, e que esse tal Ele em quem ela tanto confiava certamente já havia esquecido-a. Sua doença foi se agravando a cada dia que passava, e por mais que todos insistissem, ela ainda mantinha fixa a idéia de que não precisava de médico algum, e que se não fosse Ele, nada vindo do \"mundo\" a curaria, e assim ela foi desfalecendo, dia após dia em seu leito, crendo que Ele ainda viria a curá-la, enquanto sua vida escorria pelo ralo.
Siga o deus que falhou
Morta: ela estava morta. Não acreditei assim que me contaram; foi então que invadi seu quarto e ela não estava mais lá. Vazia: sua cama estava vazia. Um sentimento frio tomou conta de mim, não sabia o que pensar, não sabia a quem culpar, só sabia que Ele a havia matado; Ele, a quem ela tanto confiou e se dedicou durante toda sua vida; Ele deu-lhe as costas.
Siga o deus que falhou
Hoje, já tenho 17 anos. Superar? Isso é algo que nunca me ocorreu: a superação desse fato. Na verdade ocorreu-me o contrário: a cada dia que se passa, a cada ano que vai embora, mais e mais revolta eu sinto. Igreja? Nunca mais passei nem na porta; aquele lugar hoje mais do que nunca dava-me nojo, e tudo o que eu fazia era rir de todos aqueles tolos que saíam dali todos os dias, tão enganados como minha mãe um dia estivera. Ainda me pergunto como consegui aguentar essa perda, e percebo que foi graças ao caminho que eu encontrei; o caminho que me salvou; quando estava desnorteado e sem rumo, descobri que havia um tipo de música que dizia justamente o que eu queria e precisava ouvir: Heavy metal. O Heavy metal me salvou.
Ache sua paz
Ache sua palavra
Ache a estrada plana em seu caminho
Um dia como vários outros, bebi e chorei além da conta. Aquele dia todas aquelas lembranças me vieram a tona, então senti que precisava aliviar aquilo de alguma forma, e percebi que só o heavy metal não estava conseguindo fazer isso por si mesmo, então saí com meus amigos; bebemos; cheiramos; trepamos com todas as vadias daquela cidade imunda. Aquilo sim me alegrava. Foi então que um de meus amigos resolveu dar-me um presente: tirou aquela coisa brilhante de um pano de veludo avermelhado; uma arma. Sim, era uma arma, meu objeto de desejo; sempre tive fixação por armas; peguei aquele objeto brilhante com todo o prazer que ele me concebia, e guardei-o no bolço de minha jaqueta de couro.
A noite já estava em seu fim, e o dia já ia surgindo lentamente. Àquela altura todos meus amigos já haviam tomado seus distintos rumos, e eu estava ali, sozinho, sentado em um canto imundo qualquer. Peguei mais uma vez a arma que a pouco ganhara. Olhei para ela enquanto os primeiros raios de sol refletiam todo seu brilho. Um pensamento veio a minha cabeça. Aquele pensamente que eu já havia tido muitas vezes mas que só agora senti que podia realizar. Levantei-me e fui andando vagarosamente.
\"Pou!\"
Só um barulho. Um único barulho acordou a vizinhança àquela manhã: era o choro violento de minha arma; foi então que caiu sobre os meus pés aquele filho da puta. Sim, o filho da puta que iludiu minha mãe. Filho da puta! Filho da puta! Como eu me senti bem ao fazer aquilo.
Continuei meu caminho como se nada houvesse ocorrido, deixando aquele defunto jogado nas escadarias da igreja. O pastor estava morto, e foi eu quem o matei. Sim. Matei. Matei assim como Ele fizera com minha mãe. Lavei minha alma de uma vez por todas, deixando com que todo seu peso escorresse juntamente com o sangue nas escadarias da igreja.
Sinceridade você deu
Uma criança para ser salva
Você deixou frio e ele na sepultura
-Fim-
Notas finais
espero q tenham gostado. Um abraço.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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