Notas iniciais
Olá pessoal! Queria agradecer pelos leitores novos! Estou muito feliz que vocês estejam gostando da fanfic (:
Estou me esforçando, juro pra vocês. Queria aproveitar uma pergunta que tem aparecido bastante nos comentários: "Ela vai ficar com Daryl, não vai?" sim, ela vai! Mas veja bem, procurei fazer a principal bem diferente do que as outras personagens que vejo são bem "brutas" e gostam de lutar por si mesma. Jessie não é assm, ela odeia violência, e até então não fazia mal nem para uma mosca. Mas como o mundo se tornou um matar ou morrer, ela se vê obrigada em usar a violência pra sobreviver e salvar a vida de seu irmão. Mas Daryl é um cara extremamente violento, um "bronco" como diz minha mãe. Então Jessie e Daryl são dois pólos opostos que podem sofrer um pouco até se unirem de vez.
Então espero que entendam caso isso demore um pouquinho pra acontecer. Agora vamos para o capítulo, esse ficou um pouco maior do que os outros! Eba! Não esqueçam dos reviews no fim do capítulo por favor. Até a próxima!

Na manhã seguinte me senti preparada pra sair da cama. Uma garota loira, com prováveis dezoito anos, se ofereceu a me ajudar a tomar banho e colocar roupas limpas. Eu aceitei de bom grado, sem ter condições de negar qualquer ajuda, ainda estava fraca e não tinha nenhuma outra roupa além da que eu vestia. Ela se chamava Beth e era adorável. Beth me contou como Seth estava contente ali brincando com Carl, um garoto de sua idade que era filho de um casal pertencente ao grupo de Glenn.

Depois do banho eu decidi dar uma volta pelo lado de fora da casa. Beth me ajudou a caminhar até lá. Assim que cheguei na grande varanda em frente a casa notei que haviam algumas pessoas acampando no quintal. Aquele era o grupo de Glenn, e Beth me explicou que seu pai não permitia que eles se instalassem dentro da casa. Ela me disse que assim que eu melhorasse teria que me juntar a eles. Eu não via problema nenhum em dormir em barracas, com toda a certeza ainda seria melhor do que muito do que tive que conviver todo esse tempo.

Quando Beth me deixou sozinha, desci as escadas devagar na intenção de conhecê-los melhor. Me aproximei de uma pequena fogueira aonde algumas mulheres preparavam o almoço.

– Olá. — Tentei ser simpática quando estava próxima. Uma mulher morena e uma loira me observaram com sorrisos nos rostos. A outra, de cabelos curtos mal me olhou, apenas continuou mexendo o conteúdo da panela de aço.

– Oi, vejo que já esta bem melhor. Sou Lori. — A morena limpou as mãos em um pano sobre a pequena mesa improvisada e se aproximou para me cumprimentar. — Estas são Andrea e Carol. — Ela indicou a loira e a senhora de cabelos curtos com a mão direita e eu apenas assenti com a cabeça.

– Obrigada, estou sim. Sou Jessie. — Respondi da melhor forma que pude, tentando socializar. Lori puxou um banquinho pedindo para que eu me sentasse, alegando que eu ainda não podia me esforçar muito.

– Vocês viram Seth? — Perguntei enquanto observava Andrea picando alguns legumes sobre a grande panela.

– Ah sim, ele está brincando mais a frente com meu filho Carl, não se preocupe Dale está com eles. — Lori respondeu, oferecendo-me um pêssego o qual eu aceitei sem hesitar. Estava faminta. — Ele é um bom garoto Jessie, muito educado.

Sorri verdadeiramente quando ouvi aquelas palavras. Era tudo que importava para mim.

– Vocês precisam de alguma ajuda? — Me senti incomodada continuando ali parada enquanto todas faziam alguma coisa.

– Você pode descascar isto. — Carol colocou uma vasilha com umas dúzias de batatas no meu colo e repousou uma faca sobre elas. Ela mal me olhou ao fazer isso.

Lori e Andrea se entreolharam por alguns segundos.

– Não sei se é uma boa ideia, você ainda está se recuperando. — Andrea questionou já se aproximando para retirar o peso sobre mim.

– Não, está tudo bem, eu quero ajudar. — Respondi enquanto já começava a descascar as primeiras delas.

O silêncio se instalou por alguns longos minutos. Enquanto eu fazia a minha parte sentia o ar ficando denso sobre nós. Parecia que Carol não gostava muito de mim, mas eu não sabia muito bem o motivo. Afinal, eu havia acabado de chegar por ali.

– Aonde está todo mundo? — Perguntei quando notei que haviam barracas demais para só elas três.

– Os homens estão procurando Sophia, filha de Carol que está desaparecida a alguns dias. — Andrea me respondeu sussurrando, talvez na tentativa de fazer com que Carol não ouvisse a conversa. Não deu muito certo. Ela deixou a colher solitária na panela e caminhou para longe de nós, entrando em um trailer mais a frente.

– Oh, me desculpe. — Resmunguei, voltando a atenção para minhas batatas. Talvez esse fosse um motivo plausível para ela parecer tão mau humorada daquela forma. Não imaginaria o que aconteceria comigo caso Seth desaparecesse em um mundo como o que temos hoje.

– Não se preocupe com isso Jessie. — Foi Lori quem me respondeu desta vez, sentando-se próxima de mim. — Carol só está abalada com tudo isso...

– Na verdade, — Andrea estava de costas mas virou-se em nossa direção, limpando a lâmina da faca que cortava os legumes. — Acho que ela está exagerando um pouco. Entendo que esteja preocupada com a garota, mas isso não lhe dá direito de nos tratar feito lixo o tempo todo.

– Andrea! — Lori aumentou o tom de voz, e eu apenas observei a faisca que saia do olhar de cada uma delas.

– É verdade. Nós paramos nossas vidas para procurar Sophia e o jeito que ela fala conosco, parece que somos culpados pela garota ter sumido. — Andrea depositou o restante dos vegetais dentro da panela, incluindo as ,inhas batatas que agora estavam picadas em rodelas.

Observei Lori abrindo a boca para protestar, mas antes que a conversa pudesse tomar seu rumo algumas pessoas se aproximaram.

Glenn, aquele homem com a besta e um terceiro, juntaram-se a nós. Este último selou os lábios com os de Lori quando ficou próximo o suficiente.

– Rick querido, Jessie já está bem melhor. — Lori apontou em minha direção, fazendo com que ele me fitasse um instante. Glenn e o outro cara, que ouvi Andrea chamando de Daryl, pegaram alguns pêssegos da grande cesta sobre a mesa.

– Fico feliz que já esteja, precisamos de todos aqui para uma reunião. Sou Rick. — Ele estendeu a mão em minha direção e eu a apertei o mais firme que consegui.

– Posso chamar os outros. — a voz de Glenn se sobressaiu dentre uma mordida e outra na fruta.

– Então faça isso. Veja se Beth ou Maggie podem ficar com os garotos. Não será uma conversa para crianças. — Rick sentenciou antes de Glenn sumir em para dentro do casarão. Que tipo de conversa seria aquela? Estalei meus dedos, inquieta com a situação.

– E então, encontraram alguma coisa sobre Sophia? — Andrea perguntou, sentando-se ao lado de Lori na mesa, que agora não exibia mais nenhum outro lugar vazio.

– Na verdade não. Mas continuarei procurando. — Daryl respondeu a pergunta olhando diretamente em direção a Rick. Parece que muitos problemas além dos óbvios sondavam aquele grupo.

– Isso nós ainda temos que conversar Daryl, mas primeiro vamos resolver o problema de Jessie. — Olhei Rick com os olhos saltando do rosto quando ele pronunciou o meu nome. Qual era o meu problema? Eu já estava quase boa, não estava?

Eu queria perguntar, mas achei melhor esperar a chegada dos demais. Não demorou muito para que outras pessoas chegassem próximo da fogueira em que estávamos. Ali tinha mais pessoas do que eu havia imaginado.

– Acho que já estão todos aqui, certo? — Rick levantou-se da mesa em que estavamos e caminhou devagar até próximo da fogueira, consequentemente o centro da roda que haviam formado. — Nós temos que decidir se Jessie e Seth irão permanecer ou não com o nosso grupo. Glenn e Daryl os trouxeram para cá sem o consentimento dos demais, porque era necessário, mas agora que ela está melhor, é algo que devemos decidir.

Senti o sangue esvaindo-se do meu rosto quando todos ali me observaram como se eu fosse uma terrorista. Era provável que na mente deles eu acordaria de noite com uma faca e mataria um por um. Não consegui me pronunciar de imediato.

– Por mim eles tem que partir.

Procurei a voz em meio as pessoas, e notei que tinha sido Carol quem falava. Seu rosto estava pálido e eu podia jurar que ela havia chorado a pouco.

– Carol tem razão, são mais duas bocas para alimentar, estamos racionando comida. — Outro homem de cabelos raspados, por volta dos trinta anos se pronunciou sem hesitar.

– Eu posso ajudar. — Minha voz saiu mais baixa do que eu havia calculado. Ela deve ter soado quase como um sussurro. — Eu faço qualquer coisa que for preciso.

– Nós mal a conhecemos, pode ser qualquer uma. — Aquele homem ainda falava, com a postura hereta e o queixo erguido julgando-me abertamente.

– Ela é só uma garota Shane! — Um senhor de barba e chapéu de pesca deu um passo a frente, com os olhos transbordando incredibilidade.

– Nós já tivemos experiências com pessoas de fora. Fizemos errado em subestimá-los. Pelo que vocês falaram ela pretendia atacá-los no mercado. — Shane concluiu, dizendo o que parecia a sua palavra final. Eu mal podia acreditar no que eles falavam.

– Nós também pretendíamos atacá-la a princípio, isso não é desculpa. É o nosso mecanismo de defesa. — Foi Glenn quem falou, apenas levantando um pouco a cabeça para encarar Shane.

– Então deixem que o Seth fique! — eu praticamente gritei quando notei que eles começariam a discutir como se eu não estivesse ali. — Por favor, deixem que ele fique aqui com vocês.... Eu não sei mais se... — meu tom de voz foi sumindo e eu abaixei meus olhos até a terra sob meus pés. Se ao menos eles aceitassem ficar com Seth. Eu sabia que ali seria um lugar melhor do que eu poderia oferecer para ele. Mal sabia como conseguimos sobreviver todo esse tempo. — Este é o lugar mais seguro que estivemos esses meses. Se não me permitem ficar aqui, deixem ao menos...

– Isso é ridículo. — Daryl deu alguns passos apressados e deixou a besta sobre a mesa com brutalidade. — Vocês estão se ouvindo? Estão ouvindo as merdas que estão falando? Ela é só uma garota cuidando de uma criança! Se vocês mandarem eles embora, fiquem sabendo que eu vou com eles, porque não vou deixá-los sozinhos lá fora. Não acredito até agora como conseguiram sobreviver por tanto tempo! — As palavras sairam cuspidas, amarguradas dos lábios machucados de Daryl. Ele parou por alguns instantes encarando cada um deles, menos a mm. O olhar dele demorou mais no de Rick, que soltou a respiração desolado.

– Daryl tem razão... Me desculpe Jessie, voces podem ficar. — Rick sentenciou mesmo com algumas reclamações de Carol e Shane. Eu o abracei desesperada, agradecendo inúmeras vezes pela chance de viver que ele havia nos dado. Aos poucos todos começaram a se disperçar pelo acampamento e eu me permiti seguir Daryl quando notei que ele se afastava dali mais do que os demais.

– Daryl... — Eu o chamei quando nos aproximamos de sua barraca. Na verdade era um mini acapamento próximo a uma árvore distante aonde ele tinha sua própria fogueira, um saco de dormir e alguns esquilos e gambás mortos expostos em um varal improvisado. — Eu só queria agradecer por ter nos defendido daquela forma. — Continuei quando notei que ele não se viraria para me ouvir. Ele simplesmente guardava sua besta junto de mais algumas armas que preferi não prestar atenção.

– Não precisa me agradecer, fiz isso pelo garoto. — Ele simplesmente disse, olhando nos meus olhos por um momento. Pela primeira vez nos olhavamos de verdade e eu notei que seus olhos claros transpareciam tudo aquilo que a pose rústica dele não permitia. Eu concordei e fiz o caminho de volta ao acampamento com uma certeza que eu duvidaria que fosse verdade a minutos atrás: Daryl se importava.


Notas finais
E então? O que acharam do capítulo? Da Carol ser chaaaaaaata com a principal? E a reação do Daryl? Comentem por favor! xxx