God Hates Us
5 Confessions
Notas iniciais
Queria dizer que esse capítulo não tem muitas revelações de enredo, nada muito fora do comum mas ele é importante porque com ele nós conhecemos um pouco mais do passado da Jessie, e é uma fatia importante para acontecimentos futuros da história. Tudo que eu peço pra vocês é o de sempre: Comentem no final, digam o que acharam do capítulo, dos personagens, do enredo, anyway falem o que quiserem.
- Isso não importa Shane! Aqui as regras quem faz é o Herschel, e nós devemos seguí-las. — Rick esbravejava, com um walker sendo controlado em suas mãos.
- Mesmo que isso inclua nos colocar em risco? Tem um celeiro lotado de walkers! — Shane apontava a arma em direção a Rick, Herschel e os dois zumbis que eles traziam consigo. O ar estava tão denso de nervosismo que podiamos tocá-lo se necessário.
Essa foi a exata cena que Daryl e eu encontramos quando chegamos à porta do celeiro. Todos estavam ali, assistindo de camarote o espetáculo, incluindo as crianças.
- Nós ficamos assim durante dias, e ainda estamos vivos. — Rick retrucou tentando baixar o tom da conversa, mas Shane não queria o mesmo.
- Eu não vou permir Rick! Essas coisas não são mais humanos, quando é que vocês vão perceber isso? — Ele gritava gesticulando com a arma em punho e eu vi que a situação logo sairia do controle. Foi por isso que chamei por Seth que estava com Carl e Lori e pedi que ele ficasse junto de mim. Daryl ainda estava ao meu lado, com a besta nas mãos analisando qual era a porcaria que estava acontecendo.
- Eles não são humanos! — Shane sentenciou e iniciou uma sequência de tiros em direção ao zumbi que Herschel havia capturado. Primeiro um tiro nas costelas, depois no peito, no ombro, e o walker continuava agindo da mesma forma, hugindo como se nada tivesse acontecido. Por fim, ele atirou em sua testa e, mesmo que eu já tivesse presenciado ou matado muitos por minhas próprias mãos, vi a necessidade de fechar os olhos para aquela cena.
Quando eu achei que aquilo havia acabado Shane correu para a porta do celeiro e a escancarou. Precisei prender a respiração quando vi dezenas deles saindo de dentro dali.
- Meu Deus... — sussurrei, dando alguns passos pra trás e levando Seth comigo. Fiquei estática enquanto os outros começaram a se aproximar e liquidar o quanto de walkers fossem possíveis. Aos poucos toda aquela horda que havia me impressionado foi diminuindo, restando apenas corpos e lágrimas uns sobre os outros.
Todos se entreolhavam enquanto apenas Andrea ainda tinha a arma em punho apontada para a porta do celeiro. Quando nos demos conta do que se tratava, ela mesmo abaixou sua arma deixando-a cair no chão de forma defensiva.
Uma garotinha, andando pé ante pé estava ali, ou já não estava. Já era um walker como todos os outros. Foi quando Carol gritou e desfaleceu no chão que eu entendi a reação de Andrea: aquela era Sophia. Meu coração diminuiu e eu só consegui apertar mais os braços em volta do tronco de Seth, uma ação automática estúpida, eu sei. Daryl a segurou quando ela ameaçou correr em direção a garota. Agora eu entendia todo o sofrimento e rancor que Carol carregava em si, aquilo que ela sentia deveria ser o pior sentimento do mundo.
Rick se aproximou, e hesitante fez o que tinha que ser feito. Atirou na cabeça da garota e murmurou um “eu sinto muito” em direção à Carol.
Já havia se passado uma ou duas horas desde o ocorrido no celeiro, mas eu ainda estava sentada próximo a uma das cercas da fazenda observando o horizonte. O formato das montanhas, a copa das árvores, o movimento que o vento fazia ao tocar nas folhas... Na verdade eu tentava me distrair com qualquer coisa que não fosse aquela cena que insistia rodar na minha cabeça sem parar. Só fico imaginando o que eu faria se estivesse no lugar de Carol, se fosse Seth no lugar de Sophia. Eu provavelmente não aguentaria uma coisa como aquela. Suspirei desolada e coloquei a cabeça dentre os meus joelhos sentindo vertigem por ter tantas preocupações irremediáveis. Por ter que lidar com escolhas e situações as quais eu nunca me preocuparia na minha antiga vida. Tudo que eu teria que pensar era qual roupa eu vestiria no dia seguinte para ir à faculdade.
Ouvi passos de alguém se aproximando mas não me preocupei em levantar a cabeça pra observar quem quer que fosse. Eu só queria sumir um pouco, era pedir muito?
- Hey... — Uma voz rouca soou próxima e eu finalmente ergui meu olhar para observar Daryl sentando-se próximo. — Você tá legal?
Assenti com a cabeça e a apoiei junto com os braços sobre meus joelhos dobrados. Meus olhos ainda observavam o céu nublado em meio ao pôr-do-sol.
- Como Carol está? — perguntei antes mesmo de perceber.
- Está dormindo agora, Andrea está com ela.
- Certo. — Concordei, observando Daryl esticar suas pernas sobre a grama.
- Eu notei que você ficou muito abalada com que aconteceu. — Eu o observei quando ele terminou de falar, e ele também me observava daquela mesma maneira.
- É. Eu fico me imaginando se um dia isso pode acontecer com Seth... eu simplesmente não sei como lidar com algo assim. — Respirei fundo, voltando a observar o horizonte. Eu me sentia mais a vontade em falar confissões como aquelas sem encarar os olhos claros de Daryl. — Tudo o que fiz desde que tudo isso começou foi pensando no bem dele, eu morreria para não ter que vê-lo morrer, você me entende?
Parei de falar por alguns instantes, esperando algum comentário por parte de Daryl, mas ele não veio.
- Antes do mundo virar esse inferno eu era uma pessoa totalmente diferente... eu estudava Jornalismo e meu sonho era ser uma repórter renomada, que pudesse transcrever grandes marcos na história deste país. Eu estava no segundo ano e passava os fins de semana em casa com Seth e meus pais. Pra falar a verdade eu e Seth nunca fomos muito ligados, tinhamos apenas aquele relacionamento típico de irmãos que vivem implicando um com os outros. Mas quando isso tudo aconteceu... — parei durante alguns segundos, passando as mãos pelo cabelo, tentando buscar as palavras certas.
- Era um sábado e eu passava o fim de semana na casa dos meus pais como de costume. Quando os noticiários começaram a informar o que tinha acontecido nós nos desesperamos. Meu pai decidiu que tinhamos que ir para Atlanta, aonde eles diziam que tinha um lugar seguro para todos. Arrumamos nossas coisas o mais rápido que pudemos e já estavamos prestes a sair quando minha mãe se lembrou da senhora Jornan, nossa vizinha. Ela tinha por volta de 75 anos e morava sozinha. Não tinha filhos e seus netos moravam longe. Minha mãe não pensou duas vezes antes de ir buscá-la para ir conosco. — Sorri lembrando-me de como minha mãe era, sempre pensando primeiro em ajudar os demais para depois pensar nela mesma. Tinha um coração enorme. — Ela e papai foram até a casa ao lado e me pediram para ficar com Seth, alegando que voltariam em breve. Quando se passou mais de trinta minutos eu percebi que tinha algo errado. — Nesse momento o sol já estava abaixo da linha do horizonte e a luz do dia já estava quase extinta. A escuridão logo chegaria por ali.
- Pedi para que Seth me esperasse ali e fui até a casa da senhora Jordan. Eu estranhei quando vi a porta principal aberta e hesitei um pouco antes de entrar ali. Aquela foi a pior coisa que eu já vi na vida... — Tomei coragem de observar Daryl, que me fitava com o semblante sério, prestando atenção em cada palavra que eu pronunciava. — A senhora Jordan era um deles, e tinha atacado os dois. Meu pai já estava morto no chão, mas minha mãe... — Só percebi que chorava quando as palavras ficaram presas no fundo da minha garganta, dentre o bolo de lágrimas que não queriam sair de forma alguma. — Eu tive que matá-la, Daryl... e quando dei por mim Seth estava parado na porta, observando tudo aquilo.
Quando terminei de contar notei o quão abalada eu ficava por externar aquilo tudo. Desde que aconteceu aquela cena se repetia na minha cabeça milhões de vezes como um filme, mas eu nunca tinha pronunciado aquilo de verdade. Eu e Seth nunca tocamos no assunto e eu implorava à Deus todos os dias de que ele nunca quisesse falar sobre aquilo. Eu soluçava e tentei reprimir o choro levando minhas mãos até o rosto.
Senti as mãos de Daryl tocando-me os ombros e não pensei duas vezes antes de enterrar minha cabeça em seu peito. Ele hesitou um pouco mas por fim retribuiu meu abraço apoiando sua cabeça sobre o topo da minha.
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