Goal!
3 fama!
Notas iniciais
-Alô! – o loiro respondeu ainda sonolento, o toque do celular o despertara, tinha ido dormir tarde depois da comemoração da vitória, na noite anterior.
“Acorda, garoto! Não é só porque estamos de dia livre que possa ficar tanto tempo na cama!” a voz debochada e conhecida vinha do outro lado da linha.
-Aoi-senpai! – bocejou, sentando na cama espaçosa lentamente.
“Se arruma rápido, vou passar em seu apartamento em 10 minutos, quero que almoce comigo!” não era um pedido, e Kouyou sabia disso, Aoi não pedia, mandava. Menos de um mês de amizade era o suficiente para saber disso sobre o mais velho.
-Tá legal senpai! Mas demore 20 minutos ou vai ter que ficar esperando! – respondeu, um pouco mais acordado.
“Ah é! Esqueci que a moça precisa se maquiar!” provocou o mais velho, com humor.
-Oh! E quem acabou aderindo à moda depois de ver que dava resultado? – rebateu sorridente, finalmente se levantando do colchão, o corpo alvo, levemente definido, coberto apenas por uma boxer preta.
“Touchê! Garoto! Eu vou enrolar aqui um pouco então! Tchau!” respondeu animado, desligando logo em seguida.
Kouyou ainda olhou o aparelho em sua mão por alguns segundos, jamais tivera amizades desse tipo antes, muito menos em tão pouco tempo, tinha muitos colegas, conhecidos, mas nenhum tão íntimo quanto seu ídolo estava parecendo se tornar e, bem... isso era muito legal!
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- E então! A que devo a honra do convite? – o mais novo perguntou, divertido, enquanto escolhiam o lugar menos movimentado do restaurante.
-Eu sou um cara solitário, garoto, mas não por escolha própria, sempre dou um jeito de arrastar algum dos meus amigos para me fazer companhia, geralmente depois de algum tempo eles se cansam e desligam os telefones, ou simplesmente não me atendem, de acordo com eles eu encho o saco demais e falo demais, bem... agora é sua vez, vamos ver quanto tempo você agüenta! O Akira me agüentou uma semana! – Aoi respondeu sorridente, puxando uma cadeira numa parte mais reservada do local aconchegante e familiar.
-Ah! Tá! Eu sou tipo... o que restou! – rebateu debochado.
-Vamos fazer nossos pedidos e prepare os ouvidos, meu jovem, você vai ouvir muito!
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-Assim não tem graça, você já sabe de tudo da minha história! Nem vou poder fazer drama! – Aoi bufou após tentar contar sua vida ao garoto que completava cada uma de suas falas – tinha esquecido que você é meu fã número 1 – sorriu.
-Pois é, sou sua fangirl particular, então pula a história de vida difícil e diz logo o que te tornou essa matraca ambulante,convencida e talentosa! – Uruha rebateu aceitando o humor do amigo.
-Bem... basicamente, me mudar para Kashima e começar a morar sozinho, eu sou do tipo de pessoa que adora privacidade, mas odeia ficar sozinha, então alugo um amigo meu para suprir minha pobre necessidade de atenção! – explicou de forma comicamente séria e melodramática.
-Tá legal! E por que não arranja uma namorada? – perguntou, sem conseguir parar de rir do mais velho.
-Eu estou tentando, na verdade estou tentando é encontrar uma pra levar para o altar, quero ver ela fugir depois do “Eu os declaro marido e mulher”! – respondeu divertido – o negócio é achar uma que me agüente e que não seja do tipo interesseira!
-Entendi! Se são necessários mais de um amigo para te aturar, é necessário mais de uma namorada também, só que como isso não pode, ao menos não teoricamente, até porque mulher que aceita dividir homem já não se enquadraria no seu conceito de garota descente, então você ta tentando amarrar logo uma pra ela não escapar! Ficar sem saída depois do casamento! – Kouyou comentou ainda com humor, o mais velho era realmente muito problemático.
-É mais ou menos isso, só que as mulheres de hoje não querem mais casar, e fica difícil encontrar uma séria, que não queira me dar um golpe, ou que aceite trocar alianças antes de descobrir que por trás desse jogador lindo, gostoso, talentoso, rico e famoso tem um cara chato e doido! – respondeu com uma feição falsamente chateada e cansada, arrancando uma gargalhada do mais novo.
-Modesto, humilde e silencioso! – Uruha ironizou, finalmente dando a primeira colherada em seu prato.
-Você está me entendendo bem! – Aoi sorriu, também voltando a atenção para a sua comida.
Ambos trocaram um olhar divertido, eles ainda não sabiam, mas aquela amizade iria mais longe do que qualquer um dos dois poderia imaginar!
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-Bom dia senhores! Hoje irei apresentar meu novo auxiliar,é uma pessoa muito bem qualificada e com experiência, por isso não o subestimem! Além disso, é meu neto! – o treinador anunciou, adentrando o vestuário onde os jogadores se vestiam para o treino daquela manhã – Takanori, pode entrar – pediu, olhando em direção à porta atrás de si.
Todos se surpreenderam quando por ela entrou um jovem notavelmente pequeno, com certeza ficava por volta de 1,60. Por um momento alguns ficaram esperando o tal auxiliar aparecer por detrás daquele adolescente, ninguém da equipe de treino era tão jovem assim! Ficaram surpresos ao perceberem que o garoto usava o uniforme da equipe do treinador.
-Bom dia! Bom trabalho! – o jovem de cabelos descoloridos e lisos falou, enquanto reverenciava – a partir de hoje ficarei encarregado do treinamento junto com meu avô e os outros da equipe de treino, por favor, cuidem bem de mim!
-Seu novo assistente... é uma criança? Com todo o respeito, Matsumoto-sama, não acredito que um adolescente seja o melhor a ocupar o cargo de cuidar de nosso condicionamento físico, somos o time mais famoso do Japão! – Akira se manifestou. Aquilo só podia ser uma brincadeira! Um adolescente para cuidar de um time como aquele?
-Bom dia Suzuki-san! Eu não sou uma criança, e nem um adolescente, sou formado em fisioterapia, pós-graduado nessa área e com especialização em condicionamento físico pela Toudai, tenho 28 anos e antes de receber o convite de meu avô trabalhava no Hospital Central de Tokyo,asseguro que sou uma pessoa com experiência e habilidade suficiente para monitorar seus treinos e seus condicionamentos físicos – o baixinho se defendeu respeitosamente, apesar de saber que o jogador era mais novo que ele 2 anos, impedindo seu avô de responder por si.
O vestiário ficou completamente silencioso, como aquele serzinho podia ser tão experiente só com aquela idade e mesmo assim ser mais velho que algum deles?
-Ual! 28? Qual o segredo para se manter com essa carinha de 16? – Aoi perguntou, se aproximando do menor, sorridente.
-Como? – o pequeno devolveu a pergunta, sem entender direito.
- O que é Aoi? Vai alugar o pintor de rodapé também? Achei que o Uruha que era seu melhor amigo! – Akira bracejou, ainda estressado pela resposta dada pelo novo auxiliar, de alguma maneira, se sentiu ofendido, como se o pequeno estivesse esfregando em sua cara sua competência.
-E é! Mais um nunca é demais, e ele é quase da minha idade – o moreno respondeu.
-Oh! Quer dizer que eu sou novo demais para você? – Uruha se manifestou no meio dos outros, o tom humorado e falsamente chateado arrancou risos.
-Oh! Está com ciúmes? Eu sei que sou lindo e gostoso, mas meu lance é mulher, Kou – Aoi rebateu, também com humor.
-É, elas só parecem fugir de você depois de 2 dias te ouvindo falar! – Uruha contra atacou, gargalhando e arrancando mais gargalhadas dos outros.
-Esquenta não, Matsumoto-san! Não é só porque você não cresceu que a gente vá te desrespeitar! Vamos lá pessoal, terminando de se preparar que esse capitão fodástico aqui tem que treinar –Yuu finalizou,voltando para o seu armário, terminar de vestir o uniforme.
-É! Parece que está tudo bem! – o velho treinador comentou baixo para o neto.
-Suzuki-san parece ser um problema!- o mais novo observou clinicamente, reparando o olhar franzido do lateral direita para si.
-Você dobra ele com o tempo! Você sempre dobra todos! – o avô respondeu com um sorriso encorajador.
Takanori respirou fundo. Tinha aceitado o cargo com grande felicidade, era ver um sonho seu se tornando realidade e não era a primeira vez que seu tamanho- ou falta dele- e aparência jovial lhe fazia ser subestimado. Como tudo em sua vida, ele superaria e venceria, seria o melhor treinador do Japão, já que seu avô havia lhe confidenciado uma aposentadoria após o próximo campeonato e a esperança de que ele se tornasse o novo treinador!
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-Dupla dinâmica? Eu diria almas gêmeas isso sim, parecem até adivinhar o que o outro está pensando! – o comentarista falou após mais um gol esplêndido vindo do trabalho de equipe do Kashima Antlers, em especial a sintonia e sincronia da atual aclamada pela mídia de “Dupla dinâmica!”
-Aoi-san disse em uma entrevista que Uruha-san é seu irmão de outra mãe, e que com certeza só foi um engano de Kami-sama mandá-los para famílias diferentes, mas que ele concertou colocando-os juntos de novo! – o comentarista da direita disse com humor.
- Só pode ser, esse dois tem uma sintonia impressionante! Técnico Medeiros acertou bem em colocar o novato Uruha no ataque e colocar Aoi como capitão! – comentou o primeiro.
-Quem parece que não gostou muito disso foi o experiente e veterano Hozu-san que agora está na zaga, ouvi dizer que ele não é muito amigo de Uruha-san! – o segundo continuou.
- Bem, o garoto mal chegou e já está nesse auge! Com certeza deve ter criado invejas em gente por aí, sem dizer que é simplesmente o jogador com mais fãs no Japão, com um cara desses no time não se sentir mal é quase impossível... oh! É agora, Reita passa para Hitoru, devolveu para Reita, passou para Uruha, defendeu a bola da marcação, driblou a zaga... esse garoto é incrível! Girou, chutou para Aoi-san, chuta e... Goooooool! Kashima-Antlers! Incrível!
- Uruha-san estava de costas! Ele sabia que Aoi-san estaria ali? É como você disse Hitoshi-san, a dupla dinâmica está mais para almas gêmeas!
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-2ª vitória, invictos até agora, quem é? Quem é? – Aoi gritava no meio do vestiário cheio após o jogo.
-Kashima Antlers! – todos responderam em uníssono.
Eram gritos, música, danças e comemorações para todos os lados do grande cômodo.
-Viva á Dupla Dinâmica! – o goleiro de tranças gritou, sendo recebido por vários “Viva!”
-Vamos continuar ganhando não vamos?- Aoi perguntou, recebendo vários “Sim!” em resposta, sorriu para Uruha no meio dos outros, indo até ele e se pendurando nos ombros do amigo – e vamos ser pela 6ª vez campeões, não vamos?
-Vamos! – todos responderam eufóricos.
O técnico olhava tudo da porta, com um sorriso, ao lado dos Matsumotos e alguns membros da equipe médica.
Ninguém percebeu um único jogador encostado na parede perto à porta, a camiseta com o nome Hozu e número 13 sendo apertada nas mãos, e o olhar fuzilando a comemoração em sua frente, mais especificamente fuzilando o jovem Uruha que sorria e brincava com o atual capitão do time.
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-Os patrocinadores querem os dois para um comercial, imagino que, para ambos, isso não é nenhuma novidade, para Kouyou que é quase um astro Holywoodiano com certeza não é – o técnico conversava com os dois de pé, à frente de sua mesa – conversem com seus empresários e acertem com o patrocinador que escolherem – ordenou com uma autoridade moderada, beirando um pedido.
-Querem os dois? – Aoi perguntou – os dois, para um comercial?
-Bem, o trabalho conjunto de vocês chamou atenção, então, sim, tem 3 dos nossos patrocinadores disputando para quem vai ter a “Dupla Dinâmica” em seus anúncios, eu particularmente não gosto dessas coisas, mas são eles que pagam as contas – o brasileiro sorriu, sendo acompanhado pelos outros dois.
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