Go To Sleep - Livro 1
6 ☏ 6º Capítulo - Pacto de Sangue ☏
O silêncio dominava o "nosso tour" pela a minha casa. Estava entediado e minha vontade era de voltar a sala de jantar e dá um soco bem merecido no rosto do meu pai, Ellie ainda tinha aquele sorriso irritante no rosto, o que fazia a minha raiva duplicar.
O que ela tinha na cabeça para dar um sorriso daquele? Maluca? Normal ela não é!
— Estou orgulhosa de você Noah. -a voz de Ellie saiu baixa como um sussurro, mais eu conseguia ouvir ela perfeitamente.
— Como? -perguntei sem entender o contexto na pergunta em que ela me fez. Como ela sentia orgulho de mim? O que tinha feito para dar orgulho a ruiva?
— Aquilo na sala de jantar... seu pai estava envergonhando a sua mãe -ela falou baixo novamente e parou a minha frente.
Franzi a testa e arqueei uma sobrancelha. Como ela teria ouvido aquilo? Se nem minha mãe que estava ao meu lado escutou. Como aquela garota tinha ouvido?
O medo e a curiosidade se alastrou pelo o meu ser, tomando o lugar da raiva que eu ainda sentia queimar nas minhas veias. Ela sorriu ainda mais largo e se aproximou, sua respiração batia no queixo e sentia o seu cabelo bater de leve na minha bochecha. Eu era alguns centímetros mais alto que ela e por causa disso eu consegui ver perfeitamente Ellie fechar os olhos e se aproximar de mim cada vez mais. Sua respiração bateu junto coma minha e nossos lábios se roçaram de leve.
— Eu adoraria conhecer o seu quarto... -ela falou definitivamente sussurrando. Seu olhar subiu e encontrou o meu, levei minha mão até a sua bochecha e tirei uma mecha de cabelo e coloquei atrás da orelha.
— Você já viu ele.
— No escuro, eu adoraria ver o seu quarto em plena luz. -ela afirmou ainda sussurrando, quando eu vi que ela aproximou nossos rostos querendo contato com os nossos lábios, me afastei lentamente vendo uma pontada de decepção em seus olhos.
— Vem, vou te mostrar! -falei e sai indo até o meu quarto que se encontrava no final do corredor.
Parei na frente da porta branca que tinha uma placa de pare, que substituía a palavra "PARE" por "NÃO PERTURBE! MESTRE EM REVOLUÇÃO!"
Ela olhou para mim mordendo os lábios como se segurasse a vontade de rir. Neguei com a cabeça e coloquei minha mãos dentro do bolsos do jeans, comecei a rir levando ela a rir também.
— Jeff leva RPG's muito a serio, a mãe dele é religiosa. Ele tinha feito isso para a porta do quarto dele, só que a mãe dele acabou tirando dizendo que era coisa do demônio e colocou um crucifixo no lugar. -soltei uma risada e sorri. — então ele trouxe e colocou na minha porta.
— Você acredita? -ela perguntou olhando para a placa e depois para mim.
— Em que?
— Em demônios, seres que entram na sua vida para lhe causar tormentos e as vezes até a loucura -ela falou olhando nos meus olhos. Senti um arrepio passar pela a minha espinha e o seu olhar queimar o meu corpo.
— Vamos entrar! -disse firme e abri a porta para ela entrar.
Ela entrou e sorriu olhando para o quarto iluminado. Não tinha nada demais no meu quarto, era normal como de tantos outros. Ela se aproximou da TV e do Xbox, me aproximei também esperando pelo o surto de raiva e culpa que ela jogaria em cima de mim quando ver o Xbox em pedacinhos.
Mas nada veio!
Então olhei novamente para o Xbox, onde ele estava inteiro e com a irritante luz verde piscando sem parar. Dei um ofego e me aproximei, me abaixei a altura e peguei ele vendo como teria se concertado. Aquilo era impossível, tão sobrenatural como a noite anterior! Aquilo tudo era uma loucura!
Você não vai se ver livre de mim tão cedo Noah, até eu ter o que quero!
Uma voz soou perto do meu ouvido junto com uma corrente de ar que fez os meus pelos da nuca se arrepiar. Olhei para a janela que estava fechada, e olhei novamente para o Xbox em minhas mãos, levantei ele pronto para jogar no chão e quebrar em pedacinhos até aquilo sair da minha vida.
— Quem é? -a voz de Ellie me tirou dos meus desvaneio e olhei para ela.
— O que?! -minha voz saiu um pouco alto e irritado. Sim! Eu estava irritado com aquilo que Ellie tinha feito comigo!
Então ela apontou para um porta-retrato que estava na minha estante. Eu não gostava de fotografias então tinha apenas duas fotos em meu quarto, uma comigo, Jeff e Anne, a outra era a minha favorita e por ironia ou não do destino era para qual a Ellie apontava. Era uma foto minha e de Anne com Apollo em seus braços, foi no ano passado no dia do seu aniversário quando lhe dei um filhotinho de cachorro que tinha encontrado a caminho da casa dela. Dei banho no pequeno filhotinho preto, limpei as feridas e dei um remédio. Então lhe dei como presente, ela nunca sorriu tanto na vida dela como naquele dia. Estava tão fascinado com ela e não resisti e bati uma foto. Seu cabelo curto que batia acima dos ombros, as pontas pintados de um azul escuro, ela vestia um tutu de bailarina que era de Carly -a filha da vizinha dela, que pagava bem para Anne passar o dia com a garotinha-, ela abraçava o filhotinho tão feliz e me puxou para um abraço, quando beijou a minha bochecha eu cliquei e bati a foto. Pode soar gay o que vou dizer agora... mais ainda consigo sentir os seus lábios tocando a minha bochecha.
— Hum... é Apollo, um filhotinho de cachorro que dei a ela no dia do seu aniversário de 15 anos -falei e ela olhou para mim com a sobrancelha erguida.
Se aproximou de mim e puxou meu rosto tirando minha atenção da foto e me fez encarar os seus olhos. Tinha algo diferente neles, era algo totalmente diferente daquilo que já tinha visto. Umas listras brancas brilhavam ao redor da sua íris.
— Você não consegue esconder como é iludidamente apaixonado por essa garota -ela sussurrou e franzi a testa, mordi os meus lábios para evitar falar alguma coisa. Não iria negar em nada, eu era definitivamente apaixonado por Anne. — você também não vê que ela vai atrapalhar os nossos planos, ela vai te atrapalhar e te levar para o fundo do poço Noah, como o seu pai fez com a sua mãe...
Quando ela terminou de falar minha mente não conseguia mais assimilar nada. O que ela querida dizer? Anne iria me levar a loucura? Iria me enganar como o meu pai fez com a minha mãe?
— Como assim? -minha voz saiu baixa e senti a ponta do seu polegar passar pelos os meus lábios lentamente, como se quisesse gravar cada parte.
— Ela precisa ser eliminada Noah... você não vê? Ela consegue ver essa sua paixão por ela... -ela retirou o meu óculos e sorriu bagunçando de leve meu cabelo e ainda sussurrando com os lábios próximos ao meu. -... e ela vai usar isso ao favor dela, vai te enganar e fazer sofrer. Você quer isso? -ela perguntou e neguei ainda fascinado com seus olhos e em como seus lábios se moviam.
— Não quero!
— Então, vamos ter que eliminar ela... você vai eliminar ela Noah! Antes que ela acabe com você! -seu rosto se aproximou cada vez mais.
— Eu vou elimina-la antes que ela acabe comigo! -falei firme e senti o seu sorriso.
Então nossos lábios se tocaram, um choque passou pelos os meus lábios fazendo com que eu me afastasse rapidamente. Sem me recordar do que passou pela a minha cabeça.
Elimina-la Noah! Você tem que elimina-la!
Olhei confuso para Ellie que deu de ombros e as luzes do meu quarto se apagou. Olhei para a TV que tinha apenas o horário em verde estampado na grande tela.
22: 15 PM
— Isso me assusta as vezes, porque não quebramos logo a merda desse jogo?! -falei irritado e olhei para Ellie, que tinha tirado sua jaqueta jeans e vestia apenas uma camiseta amarela decotada.
Ela deu de ombros novamente e se deitou na minha cama, ela sorriu e olhou para as pontas do seu cabelo ruivo.
— Não vai funcionar Noah, você não se lembra que o jogo disse... ele sempre vai voltar! -ela afirmou tirando suas sapatilhas e se acomodando no meu travesseiro.
— O que está fazendo? -perguntei e ela deu de ombros novamente.
— Estou com sono, e quero estar bem disposta para o desafio de hoje. Entããão, é melhor você se deitar aqui comigo Noah, algo me diz que o desafio dessa noite não será algo fácil.
Neguei soltando uma risada e vi ela pegar meu edredom e se cobrir completamente. Comecei a tirar meus sapatos e me deitei ao seu lado.
— Se fosse Anne aqui... aposto que já estaria pelado -ela falou e neguei com a cabeça fechando os meus olhos e escutando a mesma voz soar na minha cabeça.
Elimina-la Noah! Você tem que elimina-la!
[•••]
Senti algo molhado em meu rosto e abrir meus olhos lentamente. Esperava tudo menos Ellie em cima de mim beijando delicadamente cada parte do meu rosto. Ela sorriu quando viu que estava acordado e senti os seus lábios tocarem o meu. Aquele choque percorreu o meu corpo novamente mais dessa vez eu não me afastei, seus lábios se moviam de uma forma de uma maneira ágil, e eu tentava manter o seu ritmo. Logo afastei o meu rosto do seu e joguei minha cabeça no travesseiro novamente. Ellie saiu de cima de mim e vi que ela começou a calçar suas sapatilhas e pegar a sua jaqueta. Olhei para a TV, o horário ainda estava ali. Faltava um minuto para a meia-noite, um minuto para saber qual seria o meu segundo desafio. Então senti uma onda de adrenalina atravessar o meu corpo, me levantei e comecei a tirar aquele suéter horrível. Peguei uma camisa preta que quando vesti ficou justa no meu torso, calcei um par velhos de all-star quando a TV se acendeu e o meu quarto apareceu novamente em 2D.
"Olá! É ótimo ver que ainda estão vivos, e que estão determinados a continuar o jogo. O desafio de hoje não será algo difícil, algo fácil. Algo tão fácil como assinar algo. Algo fácil como ter uma segunda alma... seu segundo desafio é fazer com que alguém de sua plena confiança faça um pacto de sangue com você. Sua alma será dessa pessoa e a alma dessa pessoa será sua! Duas vidas mais uma sempre fica... para tudo a um prazo meus jogadores! Vocês tem 60 minutos para cumprir o desafio e continuar o jogo. Boa sorte!"
Olhei para Ellie com a testa franzida e ela sorriu tentando passar confiança para mim. Ela correu até a janela e lhe acompanhei. A gente tinha 60 minutos e não podíamos, então a sensação de adrenalina correu novamente pela as minhas veias e sorri. Afastei ela da janela e abri, sentindo o frio de me atingir, olhei para Ellie que me encarava com uma sobrancelha erguida. Soprei um beijo e pulei, quando minhas pernas atingiram o chão sorri sentindo nenhuma dor de uma queda de mais de três metros.
— Pula! -falei para Ellie e ela sorriu assentindo. Então pulou, estendi as minhas mãos pegando a ruiva no colo como se pesasse nada.
Coloquei ela no chão e caminhei até a garagem de casa, coloquei a senha do alarme desativando ele. Abri o portão e chamei Ellie com o dedo, andei até um chaveiro e peguei a chave da BMW preta do meu pai.
— Temos sessenta minutos, nada de bicicletas. Vamos de carro ruiva! -falei e tentei dar um sorriso sensual. A ruiva deu uma risada baixa e tirou a sua jaqueta dando a volta na BMW. Eu não sabia quem seria com quem Ellie faria seu pacto, mais eu já tinha a minha.
[•••]
Estacionei em frente a casa de Anne, vendo que a luz do seu quarto ainda estava acessa. Tinha deixado Ellie em uma rua proxima daqui, e combinei de pega-la lá. Segundo ela, uma grande amiga morava ali perto, e ela seria perfeito.
Eu não tinha a minima ideia como iria fazer aquilo, como iria fazer Anne dá um pouco do seu sangue para unir com o meu. Suspirei negando e vi que já tinha se passado meia hora. Sai do carro em silêncio e corri até uma árvore que ficava próximo a janela dela. Comecei a subir na árvore rapidamente sorrindo e me parabenizando mentalmente por ter feito aquilo com tanto sucesso. Me parabenizei novamente quando me segurei em uma galho e com um impulso e pulei até a janela dela. Cai em cima do seu carpete roxo e felpudo, escutei um rosnado baixo e me virei de bruços dando de cara com Apollo que me olhava e se afastava como se tivesse... medo de mim.
— Hey rapaz! Como está? -falei com o cachorro e estendi a mão afim de afagar atrás da sua orelha. O cachorro soltou um chiado baixo e latiu, em segundos ele saiu correndo do carro com o rabo entre as pernas.
Franzi a testa e dei de ombros me levantando. Talvez ele não tivesse me reconhecido... faz tempo que não venho a casa de Anne. Logo comecei a olhar o quarto dela e notei que muitas coisas tinha mudado ali, como o fato da estante cheia de Barbie dela foram substituídas por uma estante com CD's e livros. Vasculhei o quarto atrás dela quando a porta do banheiro se abriu revelando Anne com um short curto e fino e uma camiseta decotada.
— Apollo, porque está latindo cachorro idiota? eu te amo viu seu fe- Noah! -ela gritou de susto assim que me viu e dei uma risada me deitando na sua cama. Olhei para ela e franzi a testa.
— O que fez no cabelo? -me sentei na cama notando que o seu cabelo castanho estava pintado nas pontas de cinza.
— Pintei ué! Eu tenho uma pergunta também, o que faz no meu quarto as meia noite e meia Noah Thompson! -ela perguntou cruzando os braços. Me levantei e coloquei um dedo nos lábios dela e circulei sua cintura com o meu braço.
Senti sua pele se arrepiar e me deitei puxando ela comigo, Anne era totalmente diferente de Ellie, ela possuía algo que a ruiva não parecia ter. Anne tinha inocência! Apaguei o abajur e sorri arrumando a sua franja. Ela me olhou confusa e esboçou um sorriso fraco, acariciei sua bochecha.
— Quem é você? E o que fez com o Noah? -ela perguntou com um tom de voz brincalhona, sorri negando com a cabeça.
— Como assim? Eu não posso ser carinhoso com você? -perguntei e vi ela assentir tímida. Tímida! Uma coisa que nunca pensei que iria ver em Anne!
— Pode, mas esse tipo de carinhoso eu nunca vi em você -ela afirmou fechando os olhos. Acariciei sua bochecha quando novamente voz veio a minha cabeça;
Elimina-la! Você tem que elimina-la Noah!
Sorrio e logo aproximei nossos rostos, puxando o seu lábio com força escutando ela ofegar. Então eu selei nossos lábios com força, minha mente e alma dizia para elimina-la mais meu corpo dizia para toca-la. Então senti ela puxar o meu lábio também e um gosto metálico invadir minha boca.
— Desculpa... -ela sussurrou ainda de olhos fechados e assenti entendendo o que ela tinha feito. Tinha me mordido fazendo com que um pouco do meu sangue deixasse o seus lábios mais rubros.
Então eu puxei o lábio dela mordendo e sentindo o gosto do seu sangue invadir a minha boca. Depois disso eu mudei totalmente meu conceito ao sangue, era simplesmente delicioso... o cheiro metálico e o gosto que era totalmente diferente do meu, um gosto envolvente que me fez querer mais e cada vez mais.
Somente parei o beijo quando ela soltou um gemido de dor. Afastei nossos rosto para ver seu lábio vermelho com um corte que saia sangue.
— Você me mordeu?
— Você me mordeu também -falei na defensiva e ela deu uma risada.
— Então foi uma vingança? -ela parou de rir e me encarou com um sorriso ingenuo.
— Foi! -falei me aproximando e deixando outro beijo em sua boca.
Foi ai que eu vi, a sensação de adrenalina tinha aumentado, eu podia escutar o coração de Anne bater fortemente e rapidamente bombeando sangue para o seu corpo. Foi ai que eu percebi... eu selei o pacto com Anne, agora a alma dela me pertencia.
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