Notas iniciais
Oi, gente! Quase um mês sem atualizar; já consigo ouvir as moscas rodeando essa história, e me deu uma dor enorme no peito ao entrar aqui e ver que os comentários diminuíram praticamente 100%, porque o último capítulo só teve um :( Ainda estou sem internet e não sei quando vou ter, mas vou continuar tentando atualizar. Por favor, não desistam de mim. Amo vocês. Boa leitura.

Eu admito: me enganei.

Estou exausta, e nunca chego ao meu destino. Não sei de onde veio tanto sono, mas é o suficiente para fazer meus olhos se fecharem sozinhos até quando estou caminhando, isso sem contar os bocejos a cada trinta segundos. Cada parte de mim implora por um descanso, mas eu preciso chegar em casa. Minha mãe deve estar horrível e a ideia de que ela pode fazer algo ruim me assusa. Já caminhei um monte, não devo estar tão longe, certo?

Errado.

Meu Deus, eu sou muito idiota.

Não sei há quanto tempo estou caminhando; cada músculo das minhas pernas doem e preciso fazer um esforço enorme para me manter em pé. O maldito caminho que eu sigo chega a parecer infinito, e nem o fato de ser um caminho até bonito me motiva.

Murmuro um palavrão, olhando em volta. Só vejo árvores, plantas e o maldito lago, ocasionalmente um pássaro noturno passa voando ou faz barulho nas árvores.

— Você consegue — digo em voz alta, indo mais rápido. Preciso ser confiante. Talvez demore dez minutos para chegar no canto, talvez menos... Ou talvez mais.

Minhas pernas fraquejam e sinto meu corpo todo estremecer e depois amolecer. Minha visão escurece e eu desabo no chão, adormecendo.

. . .

— Filha! — Acordar com a minha mãe me chamando nunca foi tão reconfortante. Meus olhos se abrem automaticamente e vejo minha mãe correndo feito uma louca na minha direção. Como ela me encontrou? — Meu Deus! Como você veio parar aqui? — Ela pergunta, se ajoelhando na minha frente e envolvendo meu corpo ainda mole e machucado em um abraço apertado.

— Bom dia... — balbucio, sem saber ao certo o que dizer, mas com a certeza de que acabei de fazer papel de idiota. Não estou no campo que imaginei que estaria, e sim no mesmo matagal de antes, ouvindo o barulho do lago que deveria ser agradável, mas só me dá nos nervos. — Como me encontrou?

— Eu estava tão preocupada, Dominique! — vocifera minha mãe em tom de repreensão, ignorando minha pergunta. Começo a contar de uma vez tudo o que aconteceu e ela ouve com toda a paciência do mundo. Quando termino eu imagino que ela vá pirar, mas minha mãe apenas suspira. — Você precisa de um psicólogo.

. . .

Não fui à aula, mas quando chega o horário em que eu sairia para ver Henry já estou pronta para sair. O Gato tenta me atacar e eu saio do caminho, revirando os olhos. Encontro minha mãe na sala assistindo ao noticiário.

— Vou visitar o Henry — anuncio. Ela nem me olha, só balança a cabeça positivamente e murmura algo incompreensível. Resolvo interpretar como um "Certo, cuide-se" e saio de casa. O hospital é na cidade, o que significa uma bela caminhada.

Posso me referir à caminhada que preciso fazer até a cidade como bela no sentido literal, porque ela realmente é. A estrada demora para deixar de ser de terra, e passo por diversos sítios no caminho. Os bois me olham, mastigando o pasto preguiçosamente, e os filhotes param de pular entre si, saltitando e soltando mugidos esganiçados, para acompanhar o olhar dos mais velhos.

Vez ou outra algum carro chique, como a maioria na área rural (os fazendeiros daqui costumam ostentar bastante), passa por mim. A poeira que é levantada pelos carros vai direto nos meus olhos, fazendo-os arder. Diminuo o passo quando a dor pela minha aventura no dia anterior retorna, e ela vêm com força, me fazendo soltar gritinhos agudos de dor. Mesmo meus pés, que eu havia conseguido ignorar até então, ardem pelas feridas. Paro em determinado momento, flexionando os joelhos e apoiando as mãos nos mesmos. As lágrimas embaçam minha visão, e balanço a cabeça violentamente.

— Não, Dominique... — Minha voz vacila. — Não. Você vai seguir em frente.

E assim eu faço, apenas indo mais devagar e com mais calma, parando sempre que a dor se tornava insuportável. Depois de um bom tempo caminhando, passo pelo lugar onde encontrei a senhora sem-teto uma vez. Olho em volta, mas não há nem sinal dela. Dou de ombros e continuo seguindo meu caminho, sendo motivada pela vontade de ver Henry. Quando entro no hospital meu coração bater forte, e não consigo entender porque.

Vou até o quarto dele e entro, encontrando-o sentado e comendo uma banana. Ele me olha e abre um sorriso encantador, mostrando suas covinhas. Vamos, Dominique, sorria! Ignoro a dor mais uma vez e retribuo o sorriso, me aproximando.

— Como se sente? — pergunto, sentando na poltrona do lado da cama dele. Ele alcança minha mão, segurando e entrelaçando nossos dedos. Junto as sobrancelhas, surpresa.

— Muito bem — responde, levando minha mão até seus lábios e a beijando. — Pensei que não viria.

— Aconteceram alguns imprevistos... — digo, e noto que minha voz ficou trêmula depois de ele beijar minha mão. Ele também nota e solta uma risadinha.

— Sou todo ouvidos.

Penso em contar, mas não quero deixá-lo preocupado. Ele pode ficar mal de novo, e isso é tudo que eu não desejo.

— Não, já passou — digo, tentando ao máximo não fazer caretas de dor. Ele me observa com curiosidade, e muitas vezes eu percebo seu olhar se fixar nos meus lábios. Em uma das vezes eu acabo ficando vermelha de vergonha e viro a cabeça para o lado.

— Desculpe — diz ele. — É inevitável. — Ouço ele suspirar, mas não me viro de volta. — O professor vem me buscar às três.

— Isso é ótimo.

— Sim, é — concorda. — Você quer ir na minha casa amanhã?

Meu coração volta a bater forte, parecendo dar saltos mortais no meu peito. Penso que até Henry deve estar ouvindo meus batimentos cardíacos. Finalmente olho para ele, que está sorrindo gentilmente e com alegria.

— Eu... — murmuro. Caramba, se recompõe! — Bem, é claro...

— Jura?! — Henry gargalha.

— Juro.

— Então eu vou te esperar — diz. A julgar pelo seu sorriso, Henry ficou bem feliz com a minha resposta.

— Vou rezar para chegar logo.

Saio do hospital com o coração à mil e só conseguindo pensar em uma coisa: vou visitar Henry na casa dele. Não identifico ao certo o que estou sentindo, mas é algo bom.

E muito intenso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.