- Yuki! Yuki! – o garoto de cabelos rosados alcançou o mais alto, de cabelos loiros e curtos, e se pendurou no braço dele.

- Urusai, Shuichi – ordenou o mais velho, se desvencilhando do garoto, sem desviar o olhar do caminho.

- Ah – Shuichi começou a chorar, escandaloso. – Yuki, por que você é tão malvado comigo?

- Você é irritante – Yuki escondeu uma das mãos no bolso da calça preta, procurando alguma coisa. Logo encontrou um maço de cigarros, então colocou um na boca e, com a mão livre, pegou o isqueiro e o acendeu, colocando as coisas no lugar em seguida.

- Eeh? Eu não sou irritante, você é que é malvado, Yuki! – choramingou Shuichi, mas Yuki não o ouviu. – Yo, vai começar a chover! – completou quando sentiu uma gota pingar em seu nariz. – Não vamos pra casa?

- Vá você – disse Yuki, vagamente.

- Iie, eu quero ir com Yuki! – Shuichi voltou a se pendurar no braço de Yuki, mas o mais velho o lançou longe, parando e se sentando num banco da praça onde estavam. Logo o mais novo sentou ao seu lado. – Ei, Yuki, não tem problema se a gente ficar na chuva a essa hora da noite?

- Já disse, se quiser, vá logo para casa – disse o loiro, encarando Shuichi, que engoliu em seco ao fitar os olhos verdes. – Você está me irritando.

- Ahh, Yuki, não seja malvado – pediu Shuichi, choramingando.

- Então fique quieto – o mais velho apagou o cigarro e o jogou no lixo, se espantando com o repentino silêncio. – O que foi?

- Você quer que eu fique quieto – Shuichi subiu as pernas para o banco e abraçou os joelhos. Logo a garoa se tornou uma chuva mais forte, fazendo os cabelos rosados do garoto colarem em seu rosto. – Ei, Yuki...

- O que foi agora?

- Se eu ficar resfriado, você vai cuidar de mim? – indagou, voltando a encarar o loiro.

- Talvez – disse Yuki, simplesmente.

- Aah, Yuki, você é tão cruel... – Shuichi voltou a esconder o rosto entre os joelhos, mas Yuki segurou seu queixo e ergueu seu rosto, o obrigando a encará-lo.

- Agora você está bonitinho – disse o loiro, se aproximando e selando os lábios nos do garoto, que desceu as pernas do banco e correspondeu, fechando os olhos e envolvendo os braços no pescoço de Yuki, sentindo os pingos fortes da chuva baterem contra os dois, os ensopando completamente. Logo o mais velho se separou, mas continuou próximo de Shuichi, o encarando profundamente. – Vamos para casa antes que você se resfrie.

- Y-Yuki... – Shuichi sorriu levemente e o abraçou com força, espantando o loiro. – Aishiteru, Yuki.

- Aishiteru mo, Shuichi. Vamos para casa.

Notas finais
Glossário:

- Aishiteru = eu te amo
- Aishiteru mo = eu também te amo
- Iie = não
- Urusai = barulhento, mas, se usado como ordem, pode significar "fique quieto"
- Yo = um modo de chamar a atenção de alguém
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