Go Away
12 O acidente de James
Notas iniciais
Era umas 10 horas e 25 minutos, Camille estava – com uma camisa preta curta e calça – fazendo o café. Enquanto Kendall estava em sua casa arrumando algumas coisas para a escola. Ela voltaria a estudar, então aquele final de semana só seria para ela tentar recuperar o máximo de matérias perdidas. Quando de repente a campainha toca. Ela Olah pelo olho mágico e vendo suas amigas, abre a porta com um sorriso enorme. Elas entram e Lucy pergunta:
– Cadê os seus seguranças?
– O Kends está em casa, e o Jay foi pra casa.
– Você esta sozinha então? – pergunta Jo
– Sim. – ela ri
– Okay, temos muita coisa para te contar. – fala Cat com uma carinha de garota sapeca
– Oh Deus, o que houve na escola enquanto eu estava fora? – Camille perguntou caminhando para a sala
– Muuuuita coisa. Você nem imagina. – falou Lucy sentando no sofá e largando a mochila no chão
– Então me contem.
– Sabe aquela garota, a Bianca? Aquela que odiava a Cat? – perguntou Jo
– Sim... O que tem?
– Ela chegou à escola toda roxa. Falaram que ela apanhou de uma garota que estava ficando com o primo dela. – Lucy riu e as outras também
– Eu nem me lembro de porque ela não gostava de ti. – falou direcionada a Cat
– Foi porque eu namorei uns meses com o irmão dela, o Gustavo. – ela disse abrindo a mochila
– Verdade.
Enquanto as meninas estavam ali, colocando o papo em dia, Camille copiava as coisas mais importantes, pois eles teriam algumas avaliações naquele mês. Já era julho e Camille tinha perdido muita matéria e tinha que recuperar de alguma forma. As meninas então levaram os cadernos, canetas e lápis para a cozinha e enquanto Lucy e Jo faziam a comida, Camille continuava a copiar e conversar. Foi quando Kendall entrou na casa sem nenhuma cerimônia. Todas olharam para ele e Camille ficando de pé um pouco assustada perguntou:
– O que houve?
– Oi meninas – ele olhava para Lucy, Jo e Cat – Amor, hã, o James sofreu um acidente de carro e está em coma.
– O quê??? – ela chora – Como assim? Como foi isso?
– Ligaram para você, que por engano eu peguei hoje quando sai, e falaram que ele tinha sofrido um acidente.
– Quero ir agora ao hospital.
– Tudo bem. – ele se volta para as meninas – desculpa por isso, mas vou ter que levar ela.
– Tudo bem Kendall, nós sabemos o quanto James é importante para ela. – disse Jo
– Obrigado.
Camille sobe a escada ainda chorando, e vestiu uma roupa mais quente.
Chegando a sala de James, Camille colocou as mãos sobre o vidro e chorando ficou olhando para o seu grande amigo doutro lado vidro usando aparelhos para respirar. Kendall colocou seu braço por volta de sua cintura e Camille perguntou:
– Será que eu posso entrar?
– Sim. Mas só um de cada vez. Vá você, eu vou pegar um café.
– Okay.
Camille então entrou no quarto de James e ainda chorando segurou a mão do rapaz e sentando na cadeira começou a dizer:
– Jay... Jay você não pode me deixar agora... Não pode me deixar aqui, assim, sozinha e indefesa. – ela secou algumas lágrimas – Jay, me da um sinal... Por favor...
De repente, James apertou a mão de Camille de leve. Ela começou a chorar e rir ao mesmo tempo. Ela então continua a falar com ele, para ver se ele tinha mais reações:
– Jay, lembra-se do dia que eu quebrei a perna, e você teve que me cuidar? Lembra que você me fazia rir quando eu sentia dor? – ele riu – Eu vou estar aqui para te fazer rir quando você também sentir dor... Por favor... – ela sentiu mais um aperto em sua mão e ao sentir isso ela sorriu – Jay... – ela se aproximou dele – Jay... Lembra-se do nosso beijo? Aquele primeiro beijo meio desajeitado? – ela olhou para James e ele abriu os olhos bem devagar, foi quando ela ficou de pé em frente a James e olhando para ele disse – James... Eu te amo... E você não pode me deixar... Por favor...
James então olhou para ela, piscou algumas vezes e depois olhou para o que, ou quem estava atrás de Camille. Ela não entendendo nada, olhou para trás viu que Kendall estava os observando do outro lado do vidro. Camille voltou a olhar para James e perguntou:
– Ele estava ali o tempo todo? Se sim, pisque duas vezes. Se não pisque uma. – os olhos dela arderam e James piscou duas vezes bem devagar. – Eu tenho que ir, e vou falar para os médicos virem aqui.
Camille então saiu do quarto e indo em direção a Kendall. Ele estava segurando dois copos de café e então ele disse:
– Pelo jeito ele está melhor.
– Sim. Ele abriu os olhos. Tenho até que falar com o méd... – ela foi interrompida
– Não adianta disfarçar, eu ouvi a conversa.
– Toda? – ela suou frio
– Ouvi desde a parte... “Eu vou estar aqui para te fazer rir quando você também sentir dor... Por favor... Jay... Jay... Lembra-se do nosso beijo? Aquele primeiro beijo meio desajeitado? James... Eu te amo... E você não pode me deixar... Por favor...”.
– Kendall...
– Não precisa me falar nada. – ele coloca os copos em cima de uma pequena mesinha
– Kendall, me deixa falar... – ela segura o braço dele
– Não quero ouvir desculpas que você sempre acaba me enganando. Eu sei que você gosta dele e bem mais que amigo. – ele disse e tirou a mão de Camille com calma de seu braço e saiu dali
Ao chegar a seu carro, Kendall chorou. Ele chorou por ter amado pela primeira vez. Ele chorou por ter dado a sua vida a alguém que não o amasse de verdade, ele não sabia ao certo. Ele chorou por ter ouvido aquelas palavras de carinho tão lindas de quem tinha quebrado seu coração. Ele chorou por ter acreditado em palavras que agora para ele não valiam mais nada. Ele chorou por saber que o coração de quem ele mais amava não o pertencia. Ele chorou por ter sido um tolo e ter se deixado levar por uma paixão. Naquele momento de dor, ele só desejava estar em cidade natal com sua irmã que ele sabia que nunca poderia mais ver. Ele então foi embora. Quando ele chegou a casa, sua mãe não estava, e por sorte, ele estava sozinho. Ele pode tomar um banho mais demorado, para pensar, refletir e clarear a mente. Foi quando ele tomou a grande decisão. Mas ele iria coloca-la em ação depois que Camille melhorasse da recente cirurgia. “Eu aqui pensando no bem dela, enquanto ela quebra meu coração em migalhas. Parabéns Kendall, você deveria ganhar o troféu de idiota” pensou ele enquanto vestia uma camiseta para tirar um cochilo. Era umas 14 horas da tarde, ele nem tinha notado que tinha passado tanto tempo, e até àquela hora só tinha tomado dois goles de café. Antes de ele ir deitar, — com uma calça cinza, camisa preta manga curta e pantufas azuis – ele foi até a cozinha e comeu o que sua mãe tinha feito para o almoço.
Minutos depois ele estava deitado em sua cama. Ele pensava em tudo o que tinha acontecido desde a noite passada. A noite de amor com Camille, o acidente e aquela frase que acabou com a alma de Kendall. Tinha sido um sonho ter passado a noite com ela? Será que tudo aquilo era um plano de Camille de acabar com o coração de Kendall? Ele ficou durante alguns minutos rolando na cama até o sono o dominar e ele ser vencido pelo cansaço. Foi só assim que ele dormiu. Com lágrimas a escorrer por seu rosto ao lembrar-se da frase “James... Eu te amo... E você não pode me deixar... Por favor...”.
Quando Kendall acordou, ele pode notar que sua mãe e seu pai já estavam em casa. Ele olhou no relógio e viu que era apenas 16 horas. Ele não sabia se aquilo era muito ou pouco tempo de sono. Ele então levantou e foi até cozinha. Pablo estava como sempre lendo o jornal, quando viu o filho ele perguntou:
– Então filho como está o amigo da Camille?
– “Ele tinha que perguntar sobre isso?” – pensou – ele vai muito bem. – disse por fim
– E como está Camille? – perguntou Jennifer
– Super bem. Combinamos até de sair semana que vem. – ele odiava mentir, mas não queria que eles soubessem do ocorrido.
– Que ótimo meu filho. E vocês vão aonde?
– Acho que em uma lanchonete. Estamos em dúvidas.
– Lanchonete é uma boa. Foi em uma que eu pedi sua mãe em casamento. – disse Pablo olhando para sua aliança
– Awwn, você ainda lembra? – perguntou Jennifer
– Claro, o segundo dia mais feliz da minha vida. – ele ficou de pé e beijou a testa de sua esposa
– Qual foi o primeiro dia pai? – perguntou Kendall
– Foi quando eu conheci sua mãe. – ele sorriu e sal para a sala
– Amo você. – disse Kendall sorrindo
Depois daquelas lembranças românticas do passo dos Knights, todos estavam na sala olhando TV, quando alguém bate na porta. Jennifer então vai até a porta e ao abrir diz:
– Camille, que surpresa.
Kendall vira a cabeça em câmera lenta em direção a porta e engole seco. Ele limpa a garganta e sorri falso:
– Oi amor, que surpresa.
– Oi Kends. Queria falar com você. Teria algum problema?
– Claro que s... – ele é interrompido por sua mãe
– Claro que não boba. Entre. E podem ir para o quarto se desejar ficar a sós. – ela se direciona a seu filho – Kendall, a leva para seu quarto, ela está muito gelada. – ela sorri para Camille
– Vem Camille. – disse seco
Camille e Kendall subiram mudos para o quarto do rapaz. Ela entrou e fechando a porta atrás de si começou a falar:
– Kendall aquilo que você ouviu no hospital foi apenas... – ela foi interrompida
– Apenas coisa da minha cabeça? Era isso que iria dizer?
– Não. Por favor, homem me deixe pelo menos terminar uma frase caramba. – ele respirou fundo e tentou novamente – Kendall, aquele “Eu te amo” que ouviu falar ao James, foi um te amo de amigo. Você nunca disse isso a um amigo, ou amiga na vida?
– Não.
– Nossa. Hã, se você não confia em mim, não posso fazer nada.
– Na verdade pode sim.
– Posso? – perguntou ela com esperança
– Pode descer as escadas e ir direto para a sua casa. Sinceramente não queria nem olhar em seu rosto por hoje, mas não vou te tratar mal na frente de meus pais, pois eles acham que estamos em perfeita paz.
– Mas Kendall...
– Deixe-me terminar... – ele respira fundo – Peço que vá embora daqui, e amanha ou depois, quando eu estiver melhor em relação a tudo isso, vá ao seu encontro e fala com você.
– Tudo bem. Mas peço perdão por tudo que fiz. – ela diz triste
– Okay. Agora tchau Camille. – diz ele abrindo a porta e deixando-a passar.
Continua...
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